Portuguese English French German Italian Spanish

  Acesso à base de dados   |   em@il: qualfood@idq.pt

Contaminantes emergentes no mel | Novos riscos colocam pressão sobre apicultores e autoridades

  • Friday, 14 August 2026 13:21

O mel, tradicionalmente visto como um produto natural, puro e seguro, está a entrar no radar das autoridades europeias devido à deteção crescente de contaminantes emergentes — substâncias que não eram monitorizadas de forma sistemática, mas que agora revelam presença relevante e potencial impacto na saúde pública.

Principais achados recentes

  • Resíduos farmacêuticos — antibióticos usados no tratamento de doenças das abelhas, como a loque americana, têm sido identificados em lotes importados e, ocasionalmente, nacionais;
  • Pesticidas sistémicos — moléculas como neonicotinóides e outros inseticidas de nova geração continuam a aparecer em concentrações baixas, mas detetáveis;
  • Contaminantes industriais — PFAS, dioxinas e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP) começam a surgir em análises de vigilância, sobretudo em regiões com pressão industrial;
  • Microplásticos — estudos recentes identificaram partículas microscópicas em mel comercializado na UE, levantando questões sobre rotas de contaminação.

Porque estes contaminantes preocupam

A presença de contaminantes emergentes no mel não significa automaticamente risco elevado, mas abre novas questões regulatórias e científicas:

  • Toxicidade crónica — muitos destes compostos acumulam‑se no organismo ao longo do tempo;
  • Ausência de limites legais — a maioria não possui valores máximos definidos, dificultando ações de controlo;
  • Impacto na confiança do consumidor — o mel é um produto associado à naturalidade; qualquer alerta tem repercussão imediata no mercado;
  • Desafios para apicultores — práticas agrícolas intensivas e poluição ambiental tornam difícil garantir colmeias totalmente livres de exposição.

Situação na União Europeia

A EFSA e o sistema RASFF têm registado um aumento de notificações relacionadas com mel, sobretudo por resíduos de medicamentos veterinários e pesticidas. Embora a maioria dos casos envolva produtos importados, os Estados‑Membros estão a reforçar a vigilância interna, incluindo Portugal.

As autoridades portuguesas têm vindo a:

  • Intensificar amostragem em mel nacional e importado;
  • Promover formação técnica para apicultores sobre boas práticas;
  • Investir em métodos analíticos capazes de detetar contaminantes emergentes em níveis muito baixos.

Reação do setor apícola

Associações de apicultores reconhecem o desafio, mas alertam que:

  • A contaminação muitas vezes não resulta de práticas apícolas, mas sim do ambiente circundante;
  • É necessário apoio técnico e financeiro para monitorização regular;
  • A comunicação deve ser clara para evitar alarmismo injustificado.

O que esperar nos próximos meses

Especialistas antecipam:

  • Novos limites legais para determinados contaminantes emergentes;
  • Maior rastreabilidade na cadeia de produção;
  • Pressão regulatória sobre países exportadores com histórico de não conformidades;
  • Investimento em análises multirresíduos, capazes de detetar dezenas de compostos simultaneamente.

Fonte: Qualfood