Reduzir a utilização de antimicrobianos na agricultura é essencial para abrandar o surgimento da resistência aos antimicrobianos (RAM). No entanto, proteger os consumidores das bactérias resistentes aos antibióticos requer mais do que apenas a gestão responsável.
Uma nova revisão, intitulada «Controlling Foodborne Antimicrobial-Resistant Bacteria: The Gen(i)e is Out of the Bottle» (Controlo das bactérias resistentes aos antimicrobianos de origem alimentar: o génio saiu da lâmpada), publicada no Journal of Food Protection, destaca como uma ação coordenada ao longo de toda a cadeia alimentar pode reduzir a exposição a bactérias resistentes de origem alimentar. Os autores concluem que o uso responsável de antimicrobianos continua a ser fundamental, mas deve ser complementado por medidas que previnam a contaminação ao longo de toda a cadeia alimentar.
As bactérias resistentes aos antibióticos e os genes de resistência encontram-se em pessoas, animais e em muitos ambientes naturais e de produção alimentar. Uma vez que os alimentos passam por inúmeras etapas de produção, transformação e preparação antes de chegarem aos consumidores, a prevenção da contaminação e da contaminação cruzada é uma parte essencial do controlo da RAM de origem alimentar.
A revisão identifica duas abordagens complementares:
1) As intervenções específicas para a RAM incluem o uso responsável de antimicrobianos, a prevenção de doenças e medidas que reduzam a necessidade de antimicrobianos.
2) As intervenções sensíveis à RAM incluem a biossegurança, a água potável, o saneamento, a higiene das mãos, a limpeza e a desinfeção, o controlo da temperatura e sistemas eficazes de segurança alimentar.
Em conjunto, ajudam a reduzir, respetivamente, tanto o surgimento de resistência como a transmissão de bactérias resistentes através da cadeia alimentar.
As evidências analisadas pelos autores mostram que os controlos de higiene e segurança alimentar podem reduzir substancialmente a contaminação bacteriana. Em alguns contextos, intervenções integradas de saneamento e processamento alcançaram reduções de 99 a 99,9 por cento na contaminação bacteriana, demonstrando o papel fundamental das medidas de segurança alimentar na limitação da exposição dos consumidores a bactérias resistentes.
«A gestão responsável dos antimicrobianos e a higiene alimentar abordam diferentes aspetos do mesmo problema», afirmou Jeffrey T. LeJeune, responsável pela segurança alimentar na FAO e coautor da revisão. «A gestão responsável ajuda a limitar a seleção de bactérias resistentes, enquanto os controlos de higiene e segurança alimentar ajudam a impedir que essas bactérias cheguem aos consumidores. Precisamos que ambas as abordagens funcionem em conjunto em todos os sistemas agroalimentares.»
Os autores salientam que a higiene não substitui a gestão responsável, e que a gestão responsável não substitui a higiene. Combater a resistência aos antimicrobianos de origem alimentar requer uma abordagem «One Health» que combine a utilização responsável dos antimicrobianos com investimentos em água potável, saneamento, biossegurança, sistemas de segurança alimentar, formação da mão-de-obra e prevenção de doenças.
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Fonte: FAO