Os microrganismos são tão pequenos que escapam ao olhar humano — mas tão decisivos que moldam a saúde, os ecossistemas, a agricultura e até o futuro da conservação ambiental.
No Dia Mundial do Microrganismo, celebrado a 17 de setembro, a ciência volta a lembrar que estas formas de vida invisíveis são pilares essenciais do planeta e protagonistas de alguns dos maiores desafios globais.
A data assinala a carta enviada em 1683 por Antonie van Leeuwenhoek à Royal Society, descrevendo pela primeira vez microrganismos observados com os microscópios que ele próprio construiu. Este momento fundacional abriu caminho para a microbiologia moderna e para a compreensão de um universo microscópico que hoje sabemos ser vastíssimo — entre 1 e 100 biliões de espécies estimadas.
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Produzem oxigénio: algas microscópicas e cianobactérias geram mais oxigénio do que todas as plantas terrestres juntas;
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Criam solo fértil: bactérias e fungos transformam nutrientes, decompõem matéria orgânica e sustentam a agricultura;
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Vivem connosco: cada pessoa transporta cerca de 30 biliões de células microbianas, essenciais ao sistema imunitário, digestão e até à saúde mental;
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Protegem ecossistemas: sem micróbios, não há conservação — são a base invisível de todos os habitats.
A resistência aos antimicrobianos é hoje um dos maiores riscos globais. Instituições como a FCNAUP destacam o papel dos microrganismos na cadeia alimentar e na necessidade de práticas seguras “do campo ao prato”. A literacia em microbiologia torna‑se, assim, uma ferramenta de prevenção e de saúde pública.
A investigação recente mostra que bactérias intestinais enviam sinais capazes de influenciar neurónios. O equilíbrio entre microrganismos comensais e patogénicos é dinâmico, e perturbações causadas por infeções, antibióticos ou dieta podem deixar “memórias imunológicas” que aumentam a vulnerabilidade a doenças inflamatórias.
Em 2025, a União Internacional para a Conservação da Natureza criou o Grupo de Especialistas em Conservação Microbiana, defendendo que proteger espécies e habitats sem considerar os microrganismos é insuficiente. A proposta é clara: criar uma “Arca de Noé dos micróbios” para preservar a biodiversidade microscópica que sustenta toda a vida.
Instituições como o IHMT NOVA e a FCNAUP têm usado o Dia Mundial do Microrganismo para aproximar a microbiologia da sociedade, desmistificando temas como VIH, hepatites, arboviroses, leptospirose ou resistência antimicrobiana — e inspirando novas gerações de cientistas.
O Dia Mundial do Microrganismo não é apenas uma celebração científica — é um lembrete de que a vida depende de organismos invisíveis que respiramos, tocamos, ingerimos e que nos habitam. Proteger, estudar e comunicar sobre microrganismos é investir no futuro da saúde, da alimentação, da sustentabilidade e da própria sobrevivência humana.