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Sustentabilidade na indústria alimentar: da intenção à ação

  • Thursday, 29 October 2026 14:47

Na indústria alimentar, os desafios ambientais são demasiado concretos para serem respondidos apenas com compromissos. Reduzir consumos, evitar desperdícios, otimizar recursos ou diminuir emissões exige decisões, investimento e, sobretudo, capacidade para medir o que está a mudar. É nesta passagem da intenção para a ação que a sustentabilidade ganha verdadeiro significado.

O primeiro passo é conhecer o ponto de partida e perceber onde estão os principais impactos da atividade, desde o consumo de energia e água às emissões, passando pela produção de resíduos, utilização de matérias-primas e materiais de embalagem. Só com dados concretos é possível definir prioridades, estabelecer objetivos realistas e acompanhar a evolução, percebendo o que está a resultar e onde é necessário ajustar a estratégia.

Esta mudança implica também deixar de olhar para a sustentabilidade como uma área isolada, uma vez que as decisões relacionadas com compras, produção, logística, desenvolvimento de produto ou gestão de recursos têm impacto ambiental e devem incorporar essa dimensão. A sustentabilidade deve fazer parte das decisões do dia a dia e estar integrada na própria estratégia do negócio.

Na indústria alimentar, eficiência e sustentabilidade podem, aliás, caminhar lado a lado. Reduzir consumos de água e energia, otimizar processos, diminuir desperdícios ou utilizar os recursos de forma mais eficiente pode representar simultaneamente uma redução do impacto ambiental e uma melhoria da eficiência operacional. O mesmo acontece com a economia circular, através da redução de resíduos e de uma utilização mais eficiente dos materiais.

Mas nenhuma empresa consegue responder sozinha a todos os desafios e a sustentabilidade depende de toda a cadeia de valor e exige uma maior colaboração com fornecedores e parceiros. A escolha de matérias-primas, materiais de embalagem, transportes e outros serviços tem consequências que ultrapassam as fronteiras de uma organização. Trabalhar em conjunto, definir critérios e procurar soluções comuns será cada vez mais importante para conseguir resultados efetivos.

Também os colaboradores têm um papel determinante neste processo, porque não basta estabelecer metas se quem está no terreno não compreender o seu propósito ou não souber como contribuir para as alcançar, sendo por isso essencial sensibilizar, formar e envolver as equipas para transformar objetivos em práticas concretas e fazer da sustentabilidade uma responsabilidade partilhada.

Por fim, há uma palavra que deve acompanhar todo este processo: transparência. Num contexto em que os consumidores estão mais atentos e em que existe uma crescente preocupação com alegações ambientais, comunicar sustentabilidade exige rigor. Mais do que destacar intenções ou compromissos, importa mostrar o que está efetivamente a ser feito, com dados que permitam acompanhar a evolução e compreender o impacto alcançado.

A verdadeira mudança acontece quando a sustentabilidade passa dos compromissos para os processos, dos processos para os indicadores e dos indicadores para resultados concretos. É aí que deixa de ser apenas uma intenção e passa a fazer parte da forma como a indústria alimentar produz, decide e evolui.

Fonte: sapo.pt