As tendências clean label estão a ganhar tração à escala global, acompanhando a crescente valorização da saúde e do bem-estar por parte dos consumidores. De acordo com a GlobalData, o início do ano continua a ser um período-chave para mudanças de hábitos, com muitos consumidores a repensarem escolhas alimentares e a privilegiarem opções percecionadas como mais saudáveis.
Segundo Eve Forshaw, consumer analyst da GlobalData, os produtos clean label destacam-se pela simplicidade e transparência. “Estes alimentos utilizam ingredientes familiares, listas fáceis de ler e processos mínimos, respondendo à necessidade de clareza por parte do consumidor”, refere.
Os dados do inquérito global da GlobalData relativos ao terceiro trimestre de 2025 revelam que 66% dos consumidores afirmam que o impacto do produto na sua saúde e bem-estar influencia sempre ou frequentemente as suas decisões de compra. Além disso, 77% consideram que ingredientes simples são uma característica essencial ou desejável, reforçando a atratividade de formulações mais diretas e compreensíveis.
A atenção aos ingredientes é outro fator determinante. Um estudo da GlobalData realizado no primeiro trimestre de 2025 indica que 69% dos consumidores analisam com elevado grau de atenção os ingredientes dos alimentos e bebidas que consomem. Ainda assim, quase metade admite sentir confusão sobre o que é, afinal, saudável, num contexto marcado por excesso de informação e mensagens contraditórias. Neste cenário, produtos com listas curtas e ingredientes reconhecíveis surgem como uma solução prática.
Alguns retalhistas já estão a capitalizar esta tendência. No Reino Unido, a Marks & Spencer reforçou em 2026 a sua gama “Only Ingredients”, composta por produtos com listas muito reduzidas de ingredientes, como hambúrgueres de carne bovina feitos apenas com carne, sal marinho e pimenta, ou flocos de milho produzidos exclusivamente com milho. A estratégia aposta na clareza da informação como argumento de valor junto do consumidor.
Apesar do crescimento do interesse, o preço continua a ser um entrave relevante. Os produtos clean label recorrem frequentemente a ingredientes naturais ou orgânicos e eliminam aditivos artificiais, o que tende a refletir-se em custos mais elevados. O mesmo inquérito da GlobalData indica que 83% dos consumidores consideram o preço baixo uma característica essencial ou desejável, num contexto em que muitos estão a reduzir compras ou a optar por alternativas mais económicas.
Para Eve Forshaw, o desafio passa por equilibrar credibilidade e acessibilidade. “O clean label responde a prioridades claras dos consumidores, mas as marcas não podem apoiar-se apenas nos argumentos de saúde. Quem conseguir conjugar transparência e preços competitivos estará melhor posicionado para transformar esta tendência em crescimento sustentado”, conclui.
Fonte: Hipersuper