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Do consumo à autenticidade: desafios e implicações para a segurança dos suplementos alimentares

  • Wednesday, 18 February 2026 10:36

Nas últimas décadas, os suplementos alimentares tornaram-se protagonistas de um mercado global em rápida expansão. O que explica esta ascensão? A resposta parece estar numa combinação de fatores, tais como, a crescente consciência dos consumidores relativamente à saúde e bem-estar, o envelhecimento populacional e a procura por soluções para otimizar o desempenho físico. Esta tendência de crescimento reflete-se nos números.

O mercado global de suplementos alimentares foi estimado em 192,65 mil milhões de dólares em 2024 e estima-se que deverá atingir 414,52 mil milhões de dólares até 2033, correspondendo a uma taxa de crescimento anual composta de 8,9 % entre 2025 e 2033. No mesmo sentido, as projeções realizadas para o mercado europeu apontam para um crescimento médio anual de 8,3 % no mesmo período, evidenciando uma clara tendência de consumo de suplementos alimentares.

Mas quem consome suplementos e porquê? Um estudo de 2023, que incluiu dados de 53 países europeus, revelou que a Finlândia e a Dinamarca lideram o consumo, com mais de metade da população adulta a relatar utilização regular de suplementos alimentares. Em contraste, a Itália apresentou a prevalência mais baixa, com apenas 5 %. Em Portugal, segundo o Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF) (2015-2016), cerca de 26,6 % da população utiliza suplementos alimentares, sendo o consumo mais frequente entre mulheres (31,5 %) do que entre os homens (21,5 %).

Um estudo recente, publicado em 2025, trouxe novas perspetivas sobre os fatores que influenciam o consumo de suplementos alimentares entre os adultos portugueses. Contrariando a ideia de que estes produtos seriam mais procurados por pessoas com carências nutricionais, os resultados mostraram exatamente o oposto: o consumo é mais elevado entre indivíduos com estilos de vida saudáveis, maior prática de atividade física e melhor qualidade alimentar [6]. Estes dados reforçam a importância de uma orientação adequada por parte dos profissionais de saúde, garantindo que o consumo de suplementos alimentares se baseia em necessidades reais da população.

Suplementação alimentar: quando é realmente necessária? 

O uso de suplementos alimentares é particularmente relevante em grupos populacionais com necessidades nutricionais específicas, quando uma alimentação equilibrada é insuficiente para garantir o aporte nutricional adequado. Durante a preconceção, gravidez e lactação, por exemplo, é recomendada a suplementação com ácido fólico (400 μg/dia), iodo (150 a 200 μg/dia) e ferro (30 a 60 mg/dia), com o objetivo de prevenir defeitos do tubo neural, assegurar o desenvolvimento fetal adequado e reduzir o risco de anemia materna e baixo peso à nascença, respetivamente. De igual modo, em dietas vegetarianas e veganas recomenda-se a suplementação com vitamina B12 (5 a 10 μg/dia), uma vez que esta vitamina está ausente de forma natural nos alimentos de origem vegetal.

Fonte: TecnoAlimentar