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Escolhas alimentares: sustentabilidade perde terreno para acessibilidade

  • Friday, 17 April 2026 13:11

A EIT Food divulgou que “A Europa quer alimentar-se melhor, então por que isso não está a acontecer?”, o primeiro relatório da série Trust Report, desenvolvida pelo Consumer Observatory. Interesse por alimentação sustentável diminui, enquanto a saúde e a acessibilidade económica se impõem.

O relatório oferece uma análise sobre como os europeus se alimentam, que hábitos alimentares desejam mudar e por que motivo o progresso rumo a dietas mais saudáveis e sustentáveis continua lento.

Baseado em respostas de 19.954 consumidores em 18 países europeus, o documento mostra que o interesse por uma alimentação sustentável está a diminuir de forma constante, passando de 76 % em 2021 para 69 % em 2025. Atualmente, a sustentabilidade fica atrás tanto da saúde como da acessibilidade económica enquanto fator que influencia as escolhas alimentares.

Na prática, menos de metade dos europeus (48 %) acredita seguir uma dieta sustentável, e a adoção de comportamentos sustentáveis de maior impacto – como a redução do consumo de produtos de origem animal – também diminuiu. No entanto, as diferenças geracionais sugerem potencial para mudanças futuras. Os consumidores mais jovens estão mais abertos à inovação alimentar sustentável e à agricultura regenerativa, e têm maior probabilidade de comprar produtos biológicos ou de origem ética. Embora a sustentabilidade esteja a perder força no geral, os europeus mais jovens parecem mais alinhados com valores ambientais de longo prazo, apesar de enfrentarem mais barreiras para implementar mudanças duradouras.

Em toda a Europa, a saúde continua a ser o principal fator que motiva alterações na dieta, com mais de metade dos consumidores (51 %) a afirmar que querem alimentar-se de forma mais saudável, superando preocupações com o custo ou a sustentabilidade.

Os europeus reconhecem os efeitos negativos para a saúde de alimentos salgados, gordurosos, açucarados ou processados, mas apenas cerca de um terço evita consumi-los. Muitos europeus continuam também a consumir quantidades insuficientes de alimentos essenciais e saudáveis, como fruta, vegetais e fibra, o que sugere que a intenção, por si só, não é suficiente para transformar hábitos alimentares.

A investigação destaca a persistência de uma diferença entre aquilo que os consumidores desejam fazer e aquilo que conseguem implementar na prática. Embora muitos europeus expressem o desejo de se alimentarem de forma mais saudável e sustentável – com 51 % a quererem melhorar a sua alimentação e 69 % a quererem viver de forma sustentável – apenas um terço evita alimentos tipicamente pouco saudáveis e só 48 % acredita ter uma alimentação sustentável.

O estudo identifica o custo e os hábitos enraizados como os dois principais obstáculos à mudança, contribuindo para esta lacuna entre intenção e comportamento. Os consumidores relatam dificuldades em suportar opções mais saudáveis e em quebrar rotinas estabelecidas, mesmo quando existe motivação. Estes desafios são particularmente acentuados entre os mais jovens, que, apesar de maior insatisfação, sentem ter pouco controlo sobre a mudança das suas dietas.

Os dados sugerem que a mudança alimentar na Europa é menos limitada pela falta de conhecimento e mais por pressões estruturais e financeiras. Sem enfrentar estes obstáculos, é pouco provável que as intenções se traduzam em mudanças comportamentais duradouras.

Fonte: TecnoAlimentar