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Alimentos reaproveitados ganham espaço como resposta ao desperdício e à pressão sobre os custos

  • Monday, 08 June 2026 12:46

Os alimentos produzidos a partir do reaproveitamento de excedentes agrícolas e subprodutos da indústria alimentar estão a ganhar relevância junto de fabricantes e consumidores, surgindo como uma resposta simultânea ao desperdício alimentar, à pressão sobre os custos e à crescente procura por opções mais sustentáveis.

Conhecidos como “upcycled foods”, estes produtos transformam ingredientes que normalmente seriam descartados em novos alimentos com valor acrescentado. A tendência está a ganhar força à medida que as empresas procuram melhorar a eficiência na utilização de recursos e reforçar as suas credenciais ambientais, num contexto em que o desperdício alimentar continua a representar um desafio global.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o desperdício alimentar é responsável por cerca de 8% a 10% das emissões globais de gases com efeito de estufa e gera perdas económicas estimadas em um bilião de dólares por ano.

A crescente sensibilização dos consumidores para estas questões está a criar novas oportunidades de mercado. Dados da GlobalData revelam que metade dos consumidores considera que a origem sustentável de um produto influencia sempre as suas decisões de compra, reforçando o potencial comercial das soluções baseadas em reaproveitamento alimentar.

Empresas como a norte-americana Misfits Market e a britânica Oddbox têm sido pioneiras neste segmento. Ambas recuperam frutas e legumes excedentários ou considerados esteticamente imperfeitos, comercializando-os através de modelos de subscrição. No caso da Misfits Market, a estratégia vai mais longe, incluindo uma gama própria de produtos transformados a partir de ingredientes reaproveitados, como arroz partido, aparas de produção ou excedentes alimentares.

Apesar do interesse crescente, o preço continua a ser um fator decisivo para a adoção destes produtos. Um estudo da GlobalData mostra que muitos consumidores estão a reduzir despesas com alimentação devido ao aumento do custo de vida, enquanto um terço identifica os preços elevados como uma barreira à compra de produtos sustentáveis.

Segundo os analistas da consultora, o futuro dos alimentos reaproveitados dependerá da capacidade das marcas em combinar sustentabilidade com acessibilidade. Embora a consciência ambiental esteja a impulsionar a procura, a criação de uma base de consumidores fiel exigirá produtos competitivos em preço e capazes de demonstrar benefícios concretos para o ambiente e para a economia.

À medida que fabricantes e retalhistas procuram novas formas de reduzir desperdícios e melhorar margens, o reaproveitamento alimentar afirma-se como uma das tendências mais promissoras da indústria alimentar, conciliando inovação, sustentabilidade e eficiência económica.

Fonte: Grande Consumo