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Campos magnéticos para melhorar a refrigeração de alimentos

  • Tuesday, 04 August 2026 16:35

No âmbito da 9ª Conferência Internacional sobre Sustentabilidade e Cadeia de Frio, um grupo de investigadores franceses apresentou uma nova tecnologia de refrigeração não térmica que poderá permitir um maior controlo do crescimento dos cristais de gelo.

A aplicação de campos magnéticos aos processos de refrigeração e congelação de alimentos poderá tornar-se uma alternativa promissora aos métodos convencionais. Essa é a conclusão de um artigo científico redigido pelo presidente da Comissão C2 do Instituto Internacional de Refrigeração (IIR), Alain Le Bail, em conjunto com Olivier Rouaud e Nasser Hamdami do instituto Oniris em Nantes, França, apresentado na 9ª Conferência Internacional sobre Sustentabilidade e Cadeia de Frio (ICCC2026), realizada entre os dias 12 e 14 de abril de 2026.

Segundo os investigadores, a congelação convencional conduz frequentemente à formação de cristais de gelo de grandes dimensões e de distribuição irregular, provocando ruturas celulares, perdas de líquidos durante a descongelação, alterações de textura e degradação de nutrientes. Neste contexto, têm vindo a ser estudadas tecnologias não térmicas que permitem um maior controlo da nucleação e do crescimento dos cristais de gelo, embora esta abordagem ainda se encontre numa fase inicial de desenvolvimento tecnológico.

De acordo com os estudos analisados, a utilização de campos magnéticos pode reduzir o crescimento dos cristais de gelo, contribuindo para uma melhor preservação da textura e para menores perdas de líquido. Por se tratar de um processo sem contacto direto com o alimento e sem recurso ao aquecimento, esta tecnologia apresenta também potencial para reduzir o tempo de congelação e, em determinadas condições, o consumo de energia. Os benefícios são particularmente relevantes para produtos como pescado, carne, frutas e produtos hortícolas.

Apesar deste potencial, os investigadores sublinham que subsistem limitações importantes. O desempenho varia consoante o produto, os mecanismos físicos envolvidos ainda não estão totalmente esclarecidos e a reprodutibilidade dos resultados continua a ser reduzida. Acrescem a elevada complexidade dos equipamentos e os desafios associados à escalabilidade industrial, fatores que condicionam a adoção desta tecnologia.

Os autores defendem que a investigação e o desenvolvimento deste método deverão centrar-se no esclarecimento dos mecanismos físicos, na criação de protocolos experimentais normalizados, na quantificação dos campos elétricos induzidos e na avaliação da viabilidade da sua aplicação à escala industrial.

Fonte: TecnoAlimentar

  • Last modified on Tuesday, 04 August 2026 16:52