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Consumidores continuam a valorizar sustentabilidade em 2026

  • Friday, 04 September 2026 10:09

A sustentabilidade continua a fazer parte das preocupações dos consumidores, mas não é, na maioria dos casos, um fator determinante na compra de alimentos. Num contexto de pressão sobre o rendimento disponível, preço e sabor continuam a assumir um peso significativamente superior.

Uma análise publicada pela FoodNavigator, com base em dados de diferentes estudos de mercado, mostra que a sustentabilidade continua a preocupar uma parte dos consumidores, mas perde terreno para fatores como o preço e o sabor.

Cerca de 40% dos consumidores querem consumir alimentos com o menor impacto possível no ambiente, enquanto 36% procuram aumentar o consumo de produtos com rótulos de sustentabilidade, segundo um inquérito realizado pela Statista em 2026.

Preço domina as decisões de compra

Cerca de um em cada cinco consumidores é influenciado por rótulos e alegações de sustentabilidade e cerca de metade destes afirma estar disposto a pagar mais por produtos com estas características, explica Tom Rees, global insights manager da Euromonitor International.

A pressão sobre o custo de vida, contudo, reduz a capacidade dos consumidores para dar prioridade a alimentos sustentáveis, muitas vezes associados a preços mais elevados.

Na verdade, a grande maioria dos consumidores não se preocupa suficientemente com a sustentabilidade para alterar os seus hábitos alimentares”, afirma Jonny Forsyth, principal strategist para alimentação e bebidas da Mintel.

Preço e sabor continuam a ser os principais fatores de decisão e são mais de três vezes mais importantes do que a sustentabilidade, sublinha Jonny Forsyth. Na Alemanha, 69% dos consumidores consideram o preço importante e 66% atribuem essa importância ao sabor, enquanto apenas 21% dão o mesmo peso aos produtos ambientalmente sustentáveis, segundo dados da Mintel.

O preço é também uma das principais barreiras ao consumo sustentável. Mais de metade dos consumidores da União Europeia considera que os alimentos sustentáveis são demasiado caros, de acordo com dados da Statista.

Tom Rees, da Euromonitor International, considera que o atual período de preços alimentares elevados criou uma “lente da acessibilidade”, levando os consumidores a colocar a capacidade de pagar acima de outros critérios no momento da compra.

Neste contexto, conceitos mais abstratos, como sustentabilidade, ficam em segundo plano face a benefícios tangíveis, como preço e sabor. A desconfiança em relação às iniciativas empresariais de sustentabilidade e às práticas de greenwashing contribui também para limitar o seu impacto.

Embalagem em destaque

As diferentes dimensões da sustentabilidade não despertam o mesmo interesse. A agricultura ambientalmente responsável, incluindo a agricultura regenerativa, continua a ter uma relevância limitada.

Segundo dados da Mintel, apenas 31% dos consumidores franceses com mais de 16 anos consideram este tema muito importante. A percentagem desce para 22% no Reino Unido e 16% na Noruega.

A embalagem, pelo contrário, apresenta maior capacidade para mobilizar os consumidores. “Quando se trata de práticas sustentáveis, muitos consumidores consideram as embalagens sustentáveis ou recicláveis um elemento importante de uma postura ambientalmente consciente”, afirma Sára Pálfy, insights analyst da Statista.

Mais de 75% dos consumidores na Europa optam por embalagens recicladas, mesmo quando são menos apelativas, enquanto mais de 60% consideram se a embalagem é ambientalmente sustentável.

A produção local também mantém relevância. Cerca de 35% dos consumidores da geração Z na Europa optam por produtos produzidos localmente e por produtos com rótulos de sustentabilidade, segundo a Statista.

Para Jonny Forsyth, da Mintel, a popularidade dos produtos locais estará, contudo, mais relacionada com o protecionismo que tende a ganhar força em períodos de crise económica e com a preferência por produtos frescos do que com preocupações ambientais.

Alterações climáticas podem mudar prioridades

Os incêndios florestais e as secas registados na Europa em 2026 ainda não permitem concluir que exista uma mudança significativa na atitude dos consumidores face à sustentabilidade.

Segundo Jonny Forsyth, os fenómenos registados em 2025 também não tiveram um impacto substancial nas perceções dos consumidores, pelo que qualquer alteração deverá ser gradual.

A mudança poderá surgir quando os efeitos das alterações climáticas começarem a refletir-se de forma mais direta no preço dos alimentos. As secas têm pressionado os rendimentos agrícolas e a redução da oferta poderá traduzir-se em preços mais elevados.

Para Tom Rees, da Euromonitor International, poderá ser precisamente o impacto económico das alterações climáticas, mais do que a ocorrência dos próprios fenómenos extremos, a levar os consumidores a atribuir maior importância à sustentabilidade.

A Mintel prevê que a sustentabilidade volte a ganhar influência no final da década de 2020 e no início da década de 2030, à medida que problemas considerados futuros se transformem em crises com impacto direto no quotidiano. Para que essa mudança aconteça, marcas e governos terão, contudo, de criar incentivos que tornem as opções sustentáveis mais acessíveis.

Os consumidores não vão liderar esta mudança e, em última análise, vão votar com as suas carteiras e com os seus estômagos”, antecipa Jonny Forsyth.

Fonte: Grande Consumo