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A utilização de plantas medicinais possui uma longa tradição em múltiplas culturas e nos sistemas de saúde, principalmente naqueles que integram práticas ancestrais. Nos últimos anos, o mercado de produtos à base de plantas tem vindo a registar um crescimento significativo. No entanto, face ao aumento da procura destes produtos, vários estudos têm levantado preocupações quanto à sua origem botânica.

As adulterações, sejam intencionais ou acidentais, constituem um risco para a qualidade dos produtos e a segurança dos consumidores. Desta forma, a verificação da autenticidade botânica das matérias-primas é essencial para assegurar a qualidade, eficácia e segurança dos produtos à base de plantas, tais como os suplementos alimentares que incluem plantas medicinais como ingredientes. Contudo, a identificação da origem botânica continua a representar um desafio significativo para diferentes sectores, tais como farmacêutico, suplementos alimentares e cosmético.

As incertezas quanto à espécie botânica decorrem de uma série de fatores que incluem a ausência de boas práticas de cultivo e colheita, a recolha silvestre por trabalhadores não especializados, as possíveis falhas nas cadeias de abastecimento e/ou processos industriais (que podem conduzir a trocas, misturas ou adulterações das matérias-primas) e insuficiências nos sistemas de controlo de qualidade. 

Entre os problemas mais comuns, destaca- se a substituição acidental por plantas morfologicamente semelhantes e a adulteração intencional por espécies mais acessíveis e economicamente vantajosas.

Em ambos os casos, a composição fitoquímica é alterada, podendo não se obter a atividade terapêutica pretendida e até mesmo comprometer a saúde do consumidor. A adulteração da origem botânica torna-se particularmente difícil de detetar quando os produtos passam por um processamento intensivo que altera ou elimina as suas características originais. As limitações associadas aos métodos tradicionais de identificação botânica baseados em características morfológicas, tais como análises macro e microscópicas, tornam-se evidentes em produtos processados, tais como extratos, pós, cápsulas ou comprimidos. Nestes casos, os traços distintivos das plantas frequentemente desaparecem ou são significativamente alterados.

Adicionalmente, a elevada semelhança morfológica entre espécies do mesmo género ou de géneros taxonomicamente complexos torna a identificação visual ainda mais desafiante. Do mesmo modo, as análises fitoquímicas, embora úteis, nem sempre são suficientemente específicas, já que os mesmos compostos podem estar presentes em diferentes espécies vegetais, nem sempre existindo compostos específicos que funcionem como marcadores de espécie.

Diante destas limitações, é cada vez mais patente a necessidade de recorrer a métodos de autenticação mais robustos capazes de responder aos desafios impostos pelas atuais formas de processamento. Neste contexto, as técnicas de biologia molecular baseadas na análise do DNA oferecem soluções eficazes para a identificação de espécies vegetais, mesmo em matrizes complexas ou degradadas.

O artigo comleto foi publicado na TecnoAlimentar 45, outubro/ dezembro 2025, dedicada ao tema "Suplementos alimentares: Benefícios e autenticidade".

Fonte: TecnoAlimentar

Total de 44 espécies extinguiram-se em 2025

  • Monday, 02 February 2026 12:36

Entre as espécies declaradas extintas estão várias de aves, mamíferos e invertebrados que já pertencem à categoria que os especialistas chamam “irreversível”.

Um total de 44 espécies animais, fungos e vegetais foram declaradas extintas em 2025, segundo avaliações científicas realizadas por especialistas em todo o mundo, refletidas na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

O maçarico-de-bico-fino (Numenius tenuirostris), uma ave migratória que durante séculos aparecia no céu da Europa, Ásia e norte de África, foi uma das espécies declaradas extintas.

Outra foi o caracol-cone (Conus lugubris), um pequeno caracol marinho que habitava as costas de Cabo Verde e cuja picada era venenosa para os humanos, mas era apontado pelos cientistas como relevante para o equilíbrio da biodiversidade do oceano.

Entre os desaparecimentos definidos em 2025, também está o musaranho (Crocidura trichiura) da ilha do Natal, um pequeno insetívoro, semelhante a um rato, com cerca de 15 centímetros, que foi avistado pela última vez na década de 1980.

A UICN alerta que atualmente são mais de 48.600 as espécies em perigo de extinção, número que representa cerca de 28% do total de espécies avaliadas, sendo as cigarras (71%), os corais (44%), os anfíbios (41%) e os tubarões e raias (38%) alguns dos mais ameaçados.

“As espécies avaliam-se com critérios quantitativos que medem o risco de extinção, como a dimensão e a tendência da população, a área de distribuição, o grau de fragmentação, velocidade da queda [do seu número] e a probabilidade de extinção estimada”, explicou à agência EFE a coordenadora do Programa de Espécies no Centro de Cooperação do Mediterrâneo da UICN, Catherine Numa.

Estes critérios, comuns a todos os grupos biológicos, permitem classificar as espécies desde a categoria ‘preocupação menor’ até ‘extinta’.

Segundo dados da UICN, nos últimos cinco anos, quase um total de 310 espécies passaram à categoria ‘extinta’, embora o número também esteja relacionado com os estudos realizados.

A organização alerta que “a taxa de extinção é hoje muito maior” e são observados “padrões muito claros”, como a perda e degradação do habitat, a introdução de espécies invasoras (que não são caraterísticas de determinada região), a sobre-exploração, a frequência de doenças e as alterações climáticas.

Todos estes padrões têm em comum a atividade humana, direta ou indiretamente, mas a humanidade ainda está a tempo de salvar muitas espécies, defendeu Catherine Numa.

Fonte: Green Savers

Avaliar diretamente o animal — e não apenas as condições do seu ambiente — é o princípio fundador da Welfair, a certificação de bem-estar alimentar independente, gerida pelo Institute of Agrifood Research and Technology da Catalunha (IRTA) em colaboração com a Neiker-Tecnalia e baseada no projeto European Welfare Quality e no projeto European AWIN. Em entrevista à Grande Consumo, Carles Rosell, CEO da Welfair, explica como a certificação, assente em evidência científica, auditorias independentes e critérios homogéneos, se afirma como um novo eixo competitivo no sector agroalimentar europeu, com crescente adesão de produtores, marcas e retalhistas, incluindo em Portugal.

Leia a entrevista aqui.

 

Já falhou alguma resolução de fim de ano? Talvez uma promessa de praticar mais exercício físico, ler mais livros… mas e aquela resolução de “começar a optar por escolhas mais sustentáveis”? A verdade é que, mesmo que tenha falhado, ainda vai a tempo de refletir sobre as suas escolhas e de perceber como estas impactam o planeta.

O início de um novo ano está, normalmente, associado a um momento de balanço e reflexão, mas também pode ser a oportunidade perfeita para pensar no impacto ambiental das suas ações e para estabelecer metas mais conscientes em relação ao consumo de recursos e aos hábitos do dia a dia.

A nossa pegada ambiental não é invisível. Tudo aquilo que fazemos tem impacto: o tempo que passamos no banho, a distância que viajamos de carro ou avião, ou até ao tipo de alimentação que escolhemos. Estes comportamentos repetem-se ao longo do tempo e, quando todos agimos de forma semelhante, têm um impacto significativo no ambiente.

A boa notícia é que existem ferramentas com a capacidade de ajudar a traduzir escolhas em números concretos, permitindo identificar onde podemos melhorar e reduzir a nossa pegada.

Calculadora Ambiental da DECO PROteste é um ótimo exemplo, permite ter consciência da pegada ambiental que cada um de nós tem no planeta, ao possibilitar a avaliação do impacto individual em áreas como o consumo de água e energia, a mobilidade, a reciclagem e os hábitos de compra.

A consciência é o primeiro passo para um futuro mais sustentável.

Fonte: GreenSavers

Uma coligação de organizações não-governamentais de ambiente, saúde e agricultura, alerta que foi encontrado “cocktails de pesticidas” tóxicos em maçãs vendidas na Europa.

Em comunicado, a PAN Europe, que inclui as portuguesas Zero e Quercus, analisou 59 amostras de maçãs em 12 países da União Europeia e na Suíça, para detetar resíduos de pesticidas. Portugal não foi abrangido por este estudo.

Num relatório divulgado esta quinta-feira, diz terem sido detetados resíduos de pesticidas em 85% das amostras, de tal forma que a coligação alerta para o que descreve como “a quase sistemática contaminação de maçãs convencionais com cocktails de pesticidas”. Em algumas das amostras foram detetadas até sete substâncias químicas diferentes.

Os ambientalistas dizem que se essas maçãs fossem vendidas na forma de comida para bebé processada, como purés de fruta, esses produtos seriam banidos, uma vez que os resíduos de pesticidas excedem os limites definidos como seguros para crianças com menos de três anos de idade.

“Há cada vez mais evidências científicas sobre o facto de a exposição a pesticidas através da comida estar relacionada com a infertilidade e possivelmente com cancros”, afirma, em comunicado, Gergely Simon, da PAN Europe.

“A exposição constante dos cidadãos a misturas de substâncias tóxicas através dos alimentos, ar ou poeiras não é levado em consideração”, lamenta, acrescentando que “este assunto importante tem de ser endereçado pelos reguladores”.

Setenta e um por cento das amostras de maçã testadas continha resíduos de pelo menos um pesticida pertencente à categoria da UE dos mais tóxicos, os chamados “candidatos para substituição”, que o bloco está a tentar abandonar.

Segundo o relatório, 64% das amostras continham pelo menos um pesticida à base de substâncias per- e polifluoroalquiladas (PFAS), também conhecidas como “químicos eternos”. Por exemplo, o Fludioxonil, um pesticida à base de PFAS, foi encontrado em quase 40% das amostras testadas, uma substância classificada como disruptor endócrino em 2024 na UE.

O Fludioxonil já devia ter sido banido, diz a PAN Europe, “mas os Estados-membros andam a bloquear isso há já um ano”. “É tóxico para o fígado e rins dos humanos e dizima peixes e anfíbios nos ambientes aquáticos.”

Martin Dermine, diretor-executivo da coligação, argumenta que “se a UE e as autoridades reguladoras nacionais implementarem devidamente a lei, uma série de pesticidas detetados nas maçãs há muito que teriam sido proibidos”.

Os autores do relatório recomendam aos consumidores na Europa que deem preferência a maçãs orgânicas ou então que tirem a casca de maçãs produzidas de modo convencional, essa última sugestão abrangendo também outras frutas e os vegetais para reduzir a quantidade de pesticidas que possam ser ingeridos.

Fonte: GreenSavers

O uso exclusivo de aguardente do Douro na produção de vinho do Porto é tecnicamente inviável, economicamente insustentável e estrategicamente arriscado, concluiu o estudo pedido pelo ministro da Agricultura e hoje conhecido.

No verão de 2024, o ministro José Manuel Fernandes pediu ao Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) para estudar a possibilidade legal e a viabilidade económica de vinhos licorosos, como o vinho do Porto, passarem a ser exclusivamente produzidos com aguardente vínica resultante das uvas da Região Demarcada do Douro (RDD).

O uso de aguardente regional é reclamado por agentes locais, com uns a pedirem o uso exclusivo de aguardente produzida com uvas do Douro no vinho do Porto, enquanto outros pedem uma utilização parcial.

O estudo analisou, precisamente, a possibilidade de utilizar parcial ou integralmente matéria-prima regional da produção de aguardente vínica com o objetivo de equilibrar a oferta, garantir a utilização da totalidade da produção de uva e reforçar o rendimento dos viticultores do Douro.

No entanto, as conclusões técnicas, a que a agência Lusa teve hoje acesso, revelam que “não é viável a utilização de aguardente 100% da RDD”.

“As conclusões são claras: a obrigatoriedade de aguardente regional 100% RDD é tecnicamente inviável, economicamente insustentável e estrategicamente arriscada”, refere o documento, com o ministério a referir que, perante este resultado, a opção foi dar prioridade às medidas operacionais do Plano de Ação para a RDD que o Governo aprovou no último verão.

O estudo baseou-se em dados oficiais relativos a área de vinha, número de viticultores, colheitas, produção, vendas e existências e foi complementado com contributos de operadores representados nos conselhos interprofissional e consultivo do IVDP, dos últimos cinco anos, tendo sido feita uma análise técnica, económica, jurídica e industrial.

Concluiu-se que “os excedentes de vinho da RDD não chegam para produzir aguardente necessária a Porto e Moscatel do Douro”, já que são necessários cerca de sete litros de vinho para obter um litro de aguardente o que “torna a proposta estruturalmente impossível à escala necessária”.

Como exemplo refere-se que, nos últimos 25 anos, para beneficiar todo o mosto de Porto exclusivamente com aguardente regional teria sido necessário destilar 5,3 milhões de pipas de vinho da região e, no mesmo período, a RDD produziu 3,2 milhões de pipas (excluindo licorosos), um desfasamento que “demonstra a inviabilidade da proposta”.

Relativamente aos custos, aponta-se que o custo mínimo da aguardente destilada na RDD seria de sete euros por litro, mais do triplo da aguardente usada atualmente (cerca de dois euros por litro) e alerta-se que, num momento em que as vendas de vinho do Porto estão a cair, “qualquer aumento do preço pode agravar ainda mais a quebra da procura”.

A RDD não dispõe, segundo o documento, de capacidade industrial para produzir as quantidades de aguardente necessárias, sendo precisos investimentos avultados em novas unidades e em tratamentos de efluentes, “sem viabilidade económica demonstrada”.

O trabalho alerta ainda para riscos legais e reputacionais e explica que a aguardente usada no vinho do Porto é, para a União Europeia (UE), uma prática enológica e não uma matéria-prima territorialmente vinculada à região.

Impor aguardente 100% RDD “exigira alterações profundas”, como rever cadernos de especificações DOP, reclassificar a aguardente como matéria-prima regional e justificar a restrição de uma prática secular.

É referido que a medida “configura restrição territorial” e seria, “muito provavelmente, contrária ao direito da concorrência da UE”, para além que poderia criar “instabilidade regulatória e risco reputacional” para uma das “marcas mais prestigiadas de Portugal e do mundo”.

“Milhões de litros em armazém e no mercado não foram produzidos com aguardente do Douro o que geraria caos comercial e desconfiança nos importadores”, refere ainda o documento.

O parlamento discute hoje propostas do PCP, BE e JPP relacionadas com a utilização de aguardente regional na produção de vinho do Porto e do Moscatel do Douro.

Fonte: Agroportal

Aperitivos, charcutaria, condimentos, delícias do mar, gelados, molhos, produtos de confeitaria, de pastelaria e padaria, refeições preparadas, refrigerantes, sobremesas, sopas desidratadas e até bebidas alcoólicas... Os alimentos ricos em aditivos alimentares enchem as prateleiras do supermercado. Quanto mais colorido, transformado ou elaborado for um alimento, maiores serão as probabilidades de que contenha muitos aditivos.

O ideal é optar por alimentos simples com poucos ou nenhuns aditivos alimentares e prepará-los em casa. Isto justifica-se ainda mais quando se destinam a indivíduos sensíveis, como crianças, grávidas, idosos ou pessoas com alergias, asma, urticária crónica, pólipos nasais e intolerância ao ácido acetilsalicílico. Em suma: evite alimentos com muitos “E” (ou os respetivos nomes) na lista de ingredientes.

Não se deixe enganar pela publicidade. A frase “sem corantes nem conservantes” não significa que o produto não inclua outros aditivos. Alguns corantes naturais são tão nocivos quanto certos corantes sintéticos. Em caso de dúvida, use a calculadora da DECO PROteste, que lhe indica quais os aditivos alimentares seguros e quais os suspeitos.

Que aditivos alimentares são úteis, aceitáveis ou dispensáveis?

Existem mais de 300 aditivos alimentares autorizados na União Europeia. A lei contempla uma lista com todas essas substâncias, especificando em que géneros alimentícios podem ser usados e fixando doses-limite. Alguns aditivos alimentares visam conferir uma cor mais atrativa (corantes), melhorar as características ou a consistência do alimento (agentes de textura), substituir nutrientes para reduzir o valor calórico (edulcorantes em vez de açúcar) ou melhorar e reforçar o sabor (intensificadores de sabor). Outros são utilizados para aumentar o tempo de conservação (antioxidantes ou conservantes).

Alguns aditivos alimentares são úteis, como alguns conservantes. Outros ainda são aceitáveis se usados com moderação, desde que não exista alternativa viável para atingir o mesmo fim. Mas muitos aditivos alimentares autorizados são inaceitáveis, por serem dispensáveis e quase sempre enganosos. Os corantes e os intensificadores de sabor têm apenas funções estéticas e gustativas. Mascaram, muitas vezes, matérias-primas de má qualidade, induzindo em erro. Outro exemplo: o uso de fosfatos nos produtos de carne ou peixe. Aumentam a retenção de água, logo, o volume, podendo dilatar a margem de lucro da indústria. O consumidor paga mais por menos produto.

Da lista de aditivos alimentares mais comuns, destacam-se os mencionados em seguida.

  • Agentes de endurecimento: usados para tornar ou manter firmes ou estaladiços os frutos e hortícolas.
  • Antiaglomerantes: adicionados aos alimentos com o objetivo de reduzirem a tendência das partículas isoladas aderirem entre si.
  • Antioxidantes: protegem os alimentos contra a deterioração pela oxidação.
  • Conservantes: são adicionados para aumentar o tempo de conservação dos alimentos.
  • Corantes: visam conferir uma cor mais atrativa.
  • Edulcorantes: visam conferir um sabor doce aos alimentos. São utilizados em edulcorantes de mesa.
  • Emulsionantes: possibilitam a homogeneização de componentes que não se ligam entre si.
  • Intensificadores de sabor: tal como o nome indica, são usados com o propósito de intensificar o sabor e/ou o cheiro de um produto alimentar.

49 aditivos podem causar alergias

Os aditivos alimentares que provocam mais vezes reações alérgicas ou intolerâncias são os corantes de síntese, os conservantes, os antioxidantes, os intensificadores de sabor e os agentes de textura.

Em pessoas sensíveis, podem surgir queixas digestivas, como dores abdominais, diarreia, náuseas e vómitos após a ingestão. Outras reações possíveis: enxaqueca, urticária, eczema, edema de Quincke, rinite ou até asma.

Se associar certos alimentos a reações deste tipo, procure identificar que aditivos alimentares contêm. Pode não ser necessário excluir da dieta todos os alimentos com o aditivo em causa, mas sim limitar o consumo abaixo do limiar tolerável e evitar os produtos com maiores teores dessa substância.

100 aditivos pouco recomendados ou a evitar 

Estudos sobre quase um terço dos aditivos alimentares são controversos ou apresentam limitações. Embora os produtos alimentares com efeitos cancerígenos não sejam permitidos, determinados aditivos foram autorizados sem se ter chegado a um consenso quanto ao potencial perigo.

A dose diária admissível (DDA) estabelecida para estas substâncias é, por isso, muito reduzida, enquanto a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) aguarda por mais investigações.

Eis as principais limitações dos testes toxicológicos com aditivos alimentares.

  • Os estudos são realizados em animais de laboratório e determinam a dose mais elevada para a qual não foi observado nenhum efeito adverso. Segue-se a extrapolação para os humanos.
  • Por um lado, os animais não reagem sempre como nós às substâncias. Além disso, é difícil observar determinados efeitos, como dores de cabeça ou estados depressivos.
  • Mesmo que a investigação se prolongue até ao fim da vida do animal, não permite simular a ingestão da substância ao longo da vida dos humanos.
  • Além disso, os estudos são feitos com uma substância de cada vez e, com frequência, apenas consideram os efeitos ao nível dos principais órgãos. Ora, a nossa ementa é composta por vários alimentos, podendo cada um conter um ou mais aditivos. Verificou-se, por exemplo, que a ingestão de alguns corantes com benzoatos podia provocar hiperatividade em crianças.
  • Outra limitação dos estudos: não avaliam eventuais reações entre aditivos e componentes dos alimentos. Por exemplo, suspeita-se de que os benzoatos em produtos com sumo de fruta ou ácido ascórbico (vitamina C) possam favorecer a formação de benzeno, uma substância cancerígena.
  • As doses diárias admissíveis estabelecidas (DDA) não têm em conta as sensibilidades individuais ou algumas alergias. Além disso, baseiam-se num consumo médio do aditivo para uma alimentação variada, excluindo as pessoas que consomem habitualmente o mesmo.
  • Os estudos deveriam dar mais importância ao efeito dos aditivos sobre compostos tóxicos presentes nos alimentos. De facto, alguns aditivos potenciam o efeito cancerígeno de outras substâncias.

Por não existir risco zero, a lista de aditivos alimentares e as doses-limite são regularmente revistas.

Todos os aditivos no rótulo

Os aditivos são considerados ingredientes dos produtos alimentares, devendo, por isso, constar dos rótulos. Na lista de ingredientes, além da classe a que pertencem (corante ou conservante, por exemplo), deve constar o nome (como curcumina ou ácido sórbico) ou o código atribuído pela União Europeia, composto pela letra E (de Europa) seguida de três ou quatro algarismos (E 100 ou E 200) e, por vezes, algumas letras minúsculas. Mas, se alguns alimentos estão dispensados de indicarem a lista de ingredientes, desconhece-se que aditivos alimentares foram eventualmente adicionados. Uma tolerância inaceitável da lei.

Existem advertências obrigatórias para certos aditivos. Se o alimento contiver mais de 10% de polióis adicionados (um tipo de edulcorante), deve indicar que “o seu consumo excessivo pode ter efeitos laxativos”. Um alimento com um ou mais edulcorantes deve indicá-lo (“contém edulcorantes”), tal como se incluir açúcares adicionados e um ou mais edulcorantes. Quando contém aspartame ou sal de aspartame e acessulfame, é obrigatório referir que contém uma fonte de fenilalanina.

A utilização de sulfitos ou dióxido de enxofre também deve vir indicada sempre que a concentração destes conservantes seja superior a 10 miligramas por litro ou quilo. Por fim, um alimento com corantes E 102, E 104, E 110, E 122, E 124 ou E 129 deve alertar que “pode causar efeitos negativos na atividade e atenção das crianças”.

Como ter uma alimentação mais saudável?

Apesar dos potenciais riscos de alguns aditivos alimentares, há que relativizar a questão. Estima-se que estas substâncias possam ser responsáveis por menos de 1% dos tumores malignos. Mais do que os aditivos, são os agentes patogénicos, como os microrganismos e as toxinas que surgem naturalmente nos alimentos ou que são introduzidos devido a uma má manipulação, e os maus hábitos alimentares, que podem ter consequências nefastas.

Procure seguir uma alimentação variada e equilibrada, tal como preconiza a roda dos alimentos, privilegie os produtos simples e habitue o paladar ao sabor genuíno dos alimentos. Consegue-se, assim, reduzir uma boa dose de aditivos alimentares no prato e garantir uma alimentação saudável.

Fonte: DECO PROteste

 

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) publicou um parecer científico no qual conclui que a soja geneticamente modificada MON 94313, desenvolvida para tolerar quatro grupos de herbicidas, é segura para utilização em alimentos e rações. Após uma avaliação de risco abrangente, o Painel de Organismos Geneticamente Modificados (GMO Panel) determinou que esta soja apresenta um perfil de segurança comparável ao das variedades convencionais e de referência não transgénicas.

A soja MON 94313 foi concebida para resistir a herbicidas à base de dicamba, glufosinato, 2,4-D e mesotriona. Segundo a EFSA, esta tolerância múltipla foi obtida através da introdução de quatro cassetes de expressão genética — dmopatft_t.1 e tdo — que permitem à planta metabolizar ou resistir à ação destes compostos.

Durante a avaliação, os peritos analisaram a caracterização molecular do evento, bem como as características agronómicas, fenotípicas e a composição do grão. Foram identificadas ligeiras diferenças nos níveis de metionina e da proteína Gly m Bd 28K, mas a EFSA refere que análises adicionais confirmaram que estas variações não levantam preocupações em termos de segurança ou valor nutricional.

O parecer científico destaca ainda que não há evidência de toxicidade ou alerginicidade associada às proteínas DMO, PAT, FT_T.1 e TDO expressas na planta. Assim, a EFSA conclui que o consumo de alimentos e rações derivados da soja MON 94313 não representa um risco nutricional para humanos ou animais, considerando também desnecessária a implementação de monitorização pós-comercialização.

No que diz respeito ao impacto ambiental, o Painel afirma que a soja MON 94313 não deverá representar riscos para o ambiente europeu em caso de derrame acidental de sementes viáveis ou libertação de materiais processados na União Europeia.

O parecer completo pode ser consultado em EFSA Journal, onde se encontra detalhada a avaliação científica realizada.

Fonte: Centro de Informação de Biotecnologia

Após a depressão Kristin ter devastado várias zonas do País, a Direção-Geral da Saúde (DGS) alertou para alguns riscos de saúde, relacionados com água e alimentos. O aviso surge devido aos cortes de energia sentidos em vários concelhos, recomendando cuidados no consumo, na alimentação e no saneamento.

“Situações como esta têm impacto na segurança dos alimentos conservados no frigorífico e no congelador, assim como na qualidade da água, especialmente em áreas onde o abastecimento depende de sistemas elétricos”, disse a entidade em comunicado na noite desta quinta-feira, 29 de janeiro.

Para reduzir os riscos, deve evitar beber água que não esteja ligada à rede pública de abastecimento, mesmo que seja canalizada. Se vier diretamente de poços ou minas, pode estar contaminada.

Também não deve lavar alimentos ou escovar os dentes com essa mesma água, a não ser que haja confirmação oficial da sua segurança. É recomendado, então, que opte pelos garrafões.

Caso não tenha nenhum em casa, pode ferver água da torneira durante 10 minutos antes de ser usada. Pode também desinfetar com lixívia sem corantes, perfumes ou detergentes, usando cerca de 2 gotas por litro.

No que diz respeito aos alimentos, a DGS avança que, se a energia do frigorífico não tiver sido interrompida por mais de 12 horas, estão seguros para serem consumidos. Já as hortícolas e frutas permanecem seguros mesmo passando esse período.

“Os alimentos que estivam armazenados no frigorífico ou congelador, durante a interrupção de energia, devem ser consumidos ou confecionados o mais rapidamente possível e confecionados através de métodos que atinjam temperaturas elevadas (maiores que 75 °C)”, realça.

Fonte: NiT

 

A Parceria para Educação em Segurança Alimentar (PFSE, na sigla em inglês) compartilhou seis tendências de segurança alimentar que, segundo ela, moldarão o ano de 2026 e como a comunidade de segurança alimentar pode ajudar a fortalecer todo o sistema alimentar. A PFSE afirma que essas tendências ressaltam a necessidade de educadores em segurança alimentar, reguladores e parceiros da indústria encontrarem os consumidores onde eles estão, compartilharem informações de maneira confiável e trabalharem juntos para ampliar o impacto coletivo.

As tendências que moldarão a segurança alimentar em 2026, de acordo com a PFSE, são:

  1. Mais refeições preparadas em casa: Impulsionados por preocupações com a acessibilidade e a saúde, os consumidores estão a comer em casa e preparam as suas próprias refeições. Com mais comida preparada em casa, aumenta também a responsabilidade dos consumidores em manusear os alimentos com segurança, criando a necessidade de orientações confiáveis.
  2. Conveniência: A conveniência continua sendo um fator determinante nas decisões de compra e alimentação. O entendimento do consumidor é fundamental para garantir que esses produtos permaneçam seguros desde a compra até o prato.
  3. Fritadeira a ar: As fritadeiras a ar tornaram-se um eletrodoméstico essencial em muitas cozinhas. Elas cozinham de forma diferente dos fornos ou fogões tradicionais, e cada modelo apresenta particularidades. Os consumidores podem presumir que os alimentos estão totalmente cozidos com base na aparência, em vez da temperatura interna, aumentando o risco de cozimento insuficiente.
  4. Recursos limitados para a educação: As mudanças nos orçamentos do estado estão a alterar a forma como a educação em segurança alimentar é oferecida. Muitas organizações são solicitadas a fazer mais com menos recursos, tornando a colaboração essencial. Conteúdo pronto para uso e adaptável é importante para ajudar os profissionais de educação em saúde e segurança alimentar a manter o alcance e a consistência, mesmo quando a equipa ou o financiamento são limitados.
  5. Resumos de IA: Resumos gerados por inteligência artificial (IA), assistentes de voz e ferramentas de busca conversacional estão a substituir cada vez mais as buscas tradicionais na web. As pessoas frequentemente recebem respostas condensadas em vez de artigos completos, o que aumenta a importância da precisão, clareza e consistência. As orientações sobre segurança alimentar devem ser concisas, em linguagem simples e estruturadas de forma que as ferramentas de IA possam interpretá-las e compartilhá-las corretamente com facilidade.
  6. Saúde e Nutrição: À medida que as discussões sobre nutrição se expandem, a segurança alimentar deve permanecer parte do diálogo. É necessário capacitar os especialistas em nutrição com informações sobre manipulação segura de alimentos que complementem as metas nutricionais, protejam as populações vulneráveis, reduzam o risco de doenças transmitidas por alimentos e garantam que os alimentos saudáveis ​​permanecem seguros para o consumo.

A PFSE apela para que os educadores em segurança alimentar modernizem suas abordagens, fortaleçam parcerias e garantam que a segurança alimentar permanece relevante, visível e eficaz. Ao reunir educadores, governo e indústria, os educadores em segurança alimentar podem alinhar mensagens e criar uma plataforma compartilhada para colaboração.

Fonte: Food Safety