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Ocupados com resolução das crises financeiras, concentrados na busca de cura para as doenças que nos afligem, esquecemos frequentemente aquele que é, porventura, o mais importante desafio para as próximas décadas: como alimentar uma população mundial que, atualmente com 7.2 biliões de habitantes, deverá atingir os 10 biliões em 2050. Um desafio que se afigura particularmente difícil, tendo em conta que as condições climáticas se tornarão progressivamente mais adversas para a atividade agrícola. Ao longo do século 20 observou-se já um significativo aumento da população mundial. Não obstante, foi possível evitar a escalada de crises alimentares graças a um aumento acentuado da produção agrícola. E esta aumentou, sobretudo, devido à introdução de inovações tecnológicas na agricultura: novas variedades de plantas agrícolas, mais produtivas e resistentes a doenças e stresses ambientais, além de produtos de síntese química (fertilizantes, herbicidas e pesticidas), aliados à mecanização da agricultura. Isto constituiu a chamada revolução verde, personificada no cientista norte-americano Norman Borlaug, que viria a ser prémio Nobel da Paz em 1970.

O efeito da revolução verde, porém, foi-se progressivamente esgotando. Hoje, os ganhos anuais de produtividade de algumas das principais culturas agrícolas (por exemplo, da soja e da cana de açúcar) estão substancialmente abaixo dos necessários para fazer face à procura crescente. Reconhece-se que é necessário um novo salto tecnológico na agricultura, em particular no que respeita à produção de novas variedades agrícolas. A engenharia genética de plantas cumpriu apenas parcialmente aquilo que prometia. Se é certo que produziu variedades eficazes na resolução de alguns problemas (por exemplo, na resistência aos insetos que atacam as culturas), tem-se revelado pouco eficaz na produção de variedades mais eficientes no uso da água, ou resistentes a stresses ambientais como as ondas de calor ou a salinização dos solos. A razão compreende-se: a adaptação a estes stresses exige um conjunto de respostas coordenadas, envolvendo muitos genes, que são difíceis de intervencionar por meio das técnicas de engenharia genética.

É certo que se estão a explorar vias alternativas promissoras, por exemplo, alteração de genes reguladores, que podem afetar simultaneamente múltiplos aspetos do metabolismo, ou a alteração de genes dos sistemas antioxidantes, que mitigam os danos causados por stress oxidativo, um stress secundário que decorre da maioria dos stresses ambientais. Mas é ainda do melhoramento convencional, agora apoiado por técnicas de genética molecular, que têm surgido as melhores soluções. É este tipo de melhoramento que importa, e muito, acelerar. As técnicas de sequenciação genética evoluíram grandemente nas últimas décadas, sendo possível, hoje, sequenciar genomas a uma velocidade muitíssimo mais alta, e a custos muito mais baixos. Ou seja, a capacidade que temos para conhecer o genótipo de uma planta - isto é, a informação que consta de um conjunto dos seus genes - está hoje muito facilitada. Porém, a capacidade de conhecermos o seu fenótipo - as caraterísticas do corpo da planta (número de folhas, dimensão das espigas, etc.), determinadas pela interação da informação existente nos seus genes com as condições ambientais de crescimento - evoluiu muito menos, e permanece largamente dependente de medições manuais morosas e dispendiosas, pela quantidade de mão-de-obra que envolvem.

Ora, nos processos de melhoramento genético das plantas, é necessário analisar um grande número de exemplares (milhares, frequentemente) à procura daqueles que melhor exprimem as características que nos interessam, de modo a selecioná-los para serem usados em cruzamentos subsequentes. A dificuldade na fenotipagem constitui hoje, portanto, o principal obstáculo ao aceleramento da produção de novas variedades de plantas agrícolas. Consequentemente, a comunidade científica internacional concentrou-se em desenvolver novas tecnologias capazes de acelerarem o processo de fenotipagem de plantas: as designadas tecnologias de fenotipagem de alto débito. Estas tecnologias assentam, principalmente, na captação de imagens digitais das plantas e no seu processamento informático automatizado, permitindo o cálculo preciso de parâmetros como as taxas de crescimento ou a biomassa produzida, de um grande número de plantas, num curto espaço de tempo. Adicionalmente, alguns dos equipamentos já construídos permitem obter informação espectral sobre as plantas, em diversas gamas do espetro eletromagnético, que fornece indicações, por exemplo, sobre a quantidade de água presente nas folhas, sobre a taxa de transpiração ou sobre a quantidade de clorofila. Outros, mais sofisticados, incorporam câmaras capazes de detetar a fluorescência emitida pelas moléculas de clorofila nas folhas, o que dá uma indicação da fotossíntese que estas estão a fazer. Este conjunto de sensores capta uma enorme quantidade de dados da planta, que têm que ser processados informaticamente (recorrendo a técnicas de inteligência artificial e/ou a análise estatística multivariada) e armazenados em segurança.

O desenvolvimento de sistemas de fenotipagem de alto débito é um esforço marcadamente interdisciplinar, envolvendo especialistas em ciências das plantas (biólogos, sobretudo fisiologistas vegetais, e agrónomos), em instrumentação e em robótica (físicos e engenheiros eletrotécnicos) e em processamento de informação (engenheiros informáticos). Envolve, portanto, investimentos avultados, que têm sido acompanhados por processos cooperativos a diversos níveis. A ação COST "Phenomen-ALL - The quest for tolerant varieties", prestes a terminar, desempenhou um papel extremamente importante neste contexto, tendo permitido a consolidação de uma comunidade científica europeia empenhada no desenvolvimento da fenotipagem de plantas. É de saudar o facto de a comunidade científica portuguesa ter sobressaído pelo número de investigadores - sobretudo jovens - que fizeram uso dos recursos disponibilizados, para participarem em encontros científicos, cursos de verão e missões científicas de curto prazo. Infelizmente, até ao momento, não dispomos em Portugal de nenhuma plataforma de fenotipagem de plantas de alto débito.

Os investigadores portugueses, se quiserem utilizar esta tecnologia, podem recorrer à European Plant Phenotyping Network 2020, que reúne um conjunto de equipamentos (plataformas) de diversos países, disponibilizadas a outros países com o apoio do Programa Horizonte 2020. Trata-se, portanto, de uma iniciativa temporalmente delimitada, que deverá tornar-se permanente através da iniciativa EMPHASIS.

A possibilidade de podermos aceder a esta tecnologia constitui, naturalmente, uma mais valia. Mas temos que nos questionar se nos desejamos remeter, numa tecnologia emergente com esta importância, ao papel de utilizadores, ou queremos ter um papel ativo no seu desenvolvimento. Sabemos bem que, no atual paradigma tecnocientífico, a liderança científica está fortemente associada à liderança tecnológica. E o desenvolvimento de uma tecnologia tão marcadamente interdisciplinar tem o potencial para transbordar para outras áreas, criando oportunidades difíceis de caraterizar a priori.

O facto de o mercado agrícola português ser de pequena dimensão - e, portanto, da procura interna de sementes melhoradas estar correspondentemente limitada -, não nos deve inibir: se o País optou por uma economia aberta, deve fazê-lo também na área da investigação e desenvolvimento agrícola. Existe um potencial mercado privilegiado: o da CPLP. Os países que a integram, em particular os africanos, têm necessidades crescente de novas sementes melhoradas, o sector de I&D agrícola português - dispondo de plataformas de fenotipagem de alto débito - pode contribuir para supri-la. Na Faculdade de Ciências da ULisboa, o Instituto de Biossistemas e Ciências Integrativas (BioISI) tem, desde há 3 anos, reunidos biólogos, físicos e informáticos em torno de projetos exploratórios de fenotipagem de plantas. O recente financiamento, pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, do projeto INTERPHENO, que visa construir um protótipo de plataforma de fenotipagem de alto débito (semi-automatizada), coordenado pelo BioISI/FCUL e envolvendo o Instituto Superior de Agronomia, o ITQB-NOVA e o INESC-Inovação, pode constituir a porta de entrada da comunidade científica portuguesa para esta tecnologia.

Fonte: Diário de Notícias

O plástico na nossa alimentação

  • Monday, 18 June 2018 09:05

A designação de junk food ou “comida de plástico”, foi cunhada em 1972 pelo cientista e ativista norte-americano Michael F. Jacobson para designar produtos alimentares característicos dos restaurantes de fast food com excesso de açúcar e calorias. Desde então, cresceram os alertas sobre este tipo de alimentos, mas também e curiosamente, sobre o próprio plástico que utilizamos na nossa alimentação de forma massificada desde 1950. Apenas para ser ter uma ideia do que falamos, hoje vende-se um milhão de garrafas de plástico por minuto em todo o mundo.

Sabemos ainda pouco sobre o que o plástico pode fazer à nossa saúde quando ingerido em micropartículas que estão praticamente presentes em todos os alimentos da cadeia alimentar. Contudo, sabemos que o plástico contém aditivos que o tornam mais maleável, e que em determinadas condições, por exemplo quando submetido ao calor, algumas dessas substâncias, como os flatalatos, podem migrar para os alimentos. Pela sua potencial atividade como alteradores endócrinos, e porque o plástico contata com os alimentos ao longo de toda a nossa vida, o princípio da precaução sugere uma vigilância intensa sobre estas embalagens.

Para além do potencial impacto na nossa saúde, a utilização de plástico nas nossas vidas, implica a chegada aos nossos oceanos de 5 a 13 milhões de toneladas de plástico por ano. Como o plástico é constituído por cadeias moleculares fortes e duráveis, produzidas a partir de combustíveis fósseis como o petróleo, a sua biodegradação é lenta estimando-se que o plástico à superfície da terra demorará pelo menos 450 anos a degradar-se ou então, e em alguns casos, talvez nunca se venha a degradar.

Existem medidas simples, algumas a nível individual outras a nível do Estado, que poderiam reduzir significativamente a presença dos plásticos nas nossas vidas e nos nossos oceanos. A primeira e mais simples é comprar menos plástico. Trazendo sacos para as compras, evitando comprar fruta e hortícolas plastificados, comprando onde nos dão sacos de papel, recusando talheres e copos em plástico e chávenas de café em plástico (uma praga atual). E evitar guardar alimentos ou refeições quentes em recipientes plásticos ou utilizar a embalagem de plástico durante o aquecimento em banho-maria, micro-ondas ou outro qualquer. Devemos, antes de aquecer, transferir o conteúdo para um recipiente de vidro, por exemplo.

Por aqui, temos muito a fazer. A segunda proposta tem a ver com o papel do Estado, e onde também existe um longo caminho a percorrer. Não se compreende, por exemplo, que as praias portuguesas concessionadas não tenham uma estratégia bem definida para a disponibilidade obrigatória de água. Que não tenham uma distribuição abundante de bebedouros e tenham, cada vez mais, locais onde se lavam os pés! Ou seja, quem se quer hidratar e preservar a sua saúde, tem de comprar água ou beber um refrigerante açucarado, a preços elevados, para depois ficar com uma garrafa na mão, a qual em muitos casos acaba na areia e mais tarde no mar em frente.

Esta situação repete-se nas escolas portuguesas, onde uma larga maioria ainda não tem uma política ativa de promoção da água nem bebedouros em quantidade e qualidade suficiente. Aqui o Ministério da Educação e as autarquias ainda têm muito a fazer, seguramente. E que as empresas municipais de água não sejam cúmplices destas situações (tantas vezes displicentes nestes assuntos). Poderíamos continuar depois no ensino superior onde a estratégia para a oferta de água é… inexistente… e onde muitas vezes a única água pública disponível é a água das casas de banho. Ganham todos. As empresas que exploram bares e máquinas de venda, algumas associações de estudantes ou as próprias Faculdades. Quem perde… os estudantes que bebem água cara e o meio ambiente que não se queixa.

A terceira proposta tem a ver com a responsabilidade de cada um e de cada família no final da utilização de plástico, que tem um local para ser depositado. O problema do plástico seria parcialmente resolvido se os consumidores deitassem o plástico no depósito de lixo apropriado. No caso do pet, plástico utilizado na maioria das garrafas de plástico, ele é totalmente reciclável e as empresas que engarrafam água (e Portugal tem água mineral de grande qualidade) têm feito um grande esforço nesse sentido, mas a noção de responsabilidade individual tem de ser melhorada.

O plástico foi uma invenção maravilhosa, que permite transportar alimentos, revolucionou a nossa segurança e a medicina, mas que agora nos ameaça pela forma displicente como o utilizamos. Ou seja, não é o plástico em si que é o problema, mas as nossas ações que estão em causa. Muito a fazer para um consumo consciente.

Fonte: Visão

As apreensões de mais de mil garrafas de vinho contrafeito de Barca Velha ou Pêra-Manca em 2017 levou à criação de equipas especiais da ASAE para combater uma fraude em crescimento, disse esta quinta-feira o diretor-geral daquela autoridade.

“Criámos brigadas especializadas, vocacionadas para o vinho. Em termos de intervenção operacional da ASAE colocámos nas diversas unidades regionais uma brigada especializada para o setor do vitivinícola para dar acompanhamento a um produto nacional”, explicou à Lusa Pedro Gaspar, inspetor-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

À margem da cerimónia de apresentação do congresso internacional “Wine Track 2018”, que está agendado para o próximo dia 26 de outubro, no Centro de Congressos da Alfândega do Porto, Pedro Gaspar disse que foram criadas brigadas, constituídas por dois inspetores, para combater a fraude relacionada com o setor vitivinícola.

“Há uma brigada no Norte, Centro e Sul, portanto, nas três unidades regionais, para além dos reforços que existirão quando é necessário”, conta aquele responsável pela ASAE, acrescentando que à semelhança do setor turístico, que necessitou de brigadas para o setor do alojamento local, foram também criadas equipas na sequência das apreensões grandes de cópias de vinhos de qualidade, como sucedeu em 2017 com a apreensão de mais de mil e tal garrafas de vinhos com o rótulo Barca Velha ou Pêra-Manca.

Segundo Pedro Gaspar, a ASAE tem atuado com o objetivo estratégico de “proteger as marcas nacionais, os produtos nacionais e os produtos de diferenciação qualitativa”. O diretor-geral da ASAE chama também a atenção para o fenómeno da venda ‘online’ de vinhos falsificados e que vai sendo colocado no mercado “em pequenas quantidades, porque é vendido pela Internet.

O online, à partida, tem um preço mais baixo, porque não tem a despesa fixa do estabelecimento e o consumidor, às vezes, pensa que está a adquirir ali algo mais interessante. Muitas vezes, está a comprar um produto fraudulento, que é disponibilizado via ‘online’, onde é mais difícil de detetar e que é uma área a ter interesse”, explica.

Pedro Gaspar falava à margem da cerimónia do congresso internacional “Wine Track 2018”, que vai decorrer pela primeira vez em Portugal, no próximo dia 26 de outubro, no Centro de Congressos da Alfândega do Porto.

A organização do evento é da responsabilidade da Société des Experts Chimistes de France e da Associação de Laboratórios de Enologia e tem o objetivo de mostrar os caminhos para rastrear o percurso do vinho e chegar à verdadeira origem do produto.

Fonte: Observador

Foi publicado no Jornal Oficial da UE no passado dia 8 de junho o documento ‘Comunicação da Comissão relativa a Perguntas e Respostas sobre a aplicação do Regulamento (UE) nº 1169/2011 relativo à prestação de informação aos consumidores sobre os géneros alimentícios’, que se destina a substituir ‘Perguntas e Respostas sobre a aplicação do REG. (UE) n.º 1169/2011’, de 31 de janeiro de 2013.

O documento, com novo formato, repete algumas das questões já anteriormente respondidas, acrescenta novas questões e suprime outras.

Fonte: DGAV

A metodologia comum vai permitir às autoridades nacionais de defesa do consumidor efetuar análises que comparem a composição e as características dos produtos alimentares vendidos com embalagens semelhantes em toda a UE.

A nova metodologia foi criada pelo Centro Comum de Investigação (JRC), serviço científico e de conhecimento da Comissão Europeia, tendo contado com vários contributos, incluindo da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

Comercializados em conformidade

A metodologia de ensaio - que assenta em princípios fundamentais como a transparência, a comparabilidade, a seleção de amostras semelhantes e a análise dos produtos - permitirá às autoridades determinar se os produtos alimentares são comercializados em conformidade com a legislação da UE.

Todos os produtos alimentares vendidos na UE têm de cumprir normas rigorosas em matéria de segurança e os consumidores devem ser informados das características essenciais, estabelecidas, nomeadamente, na legislação sobre rotulagem dos alimentos na UE.

As autoridades em matéria de segurança alimentar nacional e de defesa do consumidor são responsáveis por garantir que os alimentos colocados no mercado único estão em conformidade com a legislação aplicável da UE.

Fonte: Sapo Lifestyle

Demonstrado que foi em abril de 2018 o interesse de Portugal nesta exportação e verificada a necessidade de uma licença de importação, a mesma foi obtida em maio de 2018 e englobava os requisitos sanitários exigidos por aquele país, tendo sido elaborada a respetiva certificação sanitária.

Está assim aberta a possibilidade de exportação de pintos do dia para a Etiópia a partir de Portugal nas condições referidas, sendo as Direções de Serviços de Alimentação e Veterinária Regionais/Regiões Autónomas (DSAVR/RA) os Serviços responsáveis pela emissão dos respetivos certificados sanitários oficiais.

Fonte: DGAV

A DGAV divulgou o Plano de contingência para o controlo de Tecia solanivora. Esta praga de quarentena é uma das pragas mais destrutivas, que tanto ataca a batata em cultura como batata armazenada, causando graves estragos nos tubérculos, inviabilizando a cultura da batata. Foram já registados focos deste inseto nas regiões da Galiza e Astúrias, conforme informação já divulgada anteriormente pela DGAV.

Fonte: DGAV

A alimentação é uma necessidade fundamental do Homem. Os consumidores esperam que os alimentos que compram e consomem sejam apetecíveis, nutritivos e, ao mesmo tempo, seguros. Este último aspeto significa que os alimentos consumidos não podem colocar a saúde do consumidor em perigo. Mas, como diz o velho provérbio chinês, “quem não tem alimento, tem um problema, quem tem alimentos, tem vários problemas”. De facto, as toxinfeções alimentares (doenças causadas pela ingestão de alimentos contaminados por microrganismos patogénicos) são um problema grave. De acordo com as estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), 23 mil pessoas adoecem e cinco mil morrem, anualmente, na Europa, na sequência da ingestão de alimentos contaminados.

Os consumidores estão, hoje, mais conscientes das questões de segurança alimentar do que nunca, mas, curiosamente, uma grande parte das toxinfeções alimentares está associada à preparação e ao consumo de alimentos nas nossas casas. A exposição dos alimentos a temperaturas de aquecimento ou de refrigeração inadequados e, ainda, algumas práticas de higiene incorretas, são as violações de segurança alimentar identificadas com maior frequência. Acredita-se, portanto, que se poderia evitar a maioria das doenças transmitidas por alimentos se estes fossem manuseados com segurança do “prado ao prato” – e o consumidor pode, a este nível, ter um papel determinante!

A comunicação de risco, uma das etapas que compõem a análise de risco – base da política de segurança dos alimentos – visa “dotar os consumidores e o público em geral da informação necessária para fazerem uma escolha consciente e sustentada”. Várias iniciativas têm sido levadas a cabo em todo o mundo com o objetivo de reduzir o impacto das doenças transmitidas por alimentos, informando, inclusive, os consumidores sobre práticas de segurança alimentar em casa. Mas, estarão estas estratégias de comunicação de risco a ser eficazes? Estarão a ser comunicados os riscos mais significativos e as melhores formas de os controlar? As campanhas de comunicação de risco estarão a chegar às populações-alvo? Estarão a ser utilizados os canais de comunicação mais eficazes? Os consumidores entenderão as mensagens? Os consumidores confiarão nas fontes de informação? Estarão identificadas as barreiras à comunicação eficaz com cada grupo-alvo? Terão as práticas e comportamentos de segurança alimentar melhorado muito?

A verdade é que – por exemplo – apesar de várias campanhas aconselharem os consumidores a não lavar o frango para evitar a propagação de Campylobacter, esta prática é, ainda, uma rotina nas cozinhas das pessoas. Simultaneamente, ainda que vários sites e outras fontes de informação alertem para o risco de contração de listeriose nas mulheres grávidas e as suas respetivas consequências, muitas mulheres continuam a consumir alimentos de alto risco durante a gravidez. Destaque-se, ainda, o caso dos lanches das crianças, que, frequentemente, incluem alimentos perecíveis – como é o caso, por exemplo, do fiambre –, armazenados à temperatura ambiente por longos períodos de tempo. É preciso esclarecer: quantos frigoríficos domésticos funcionam à temperatura recomendada? Quantos consumidores sabem qual é esta temperatura? E quantos a verificam?

Cabe à comunidade científica, às autoridades e ao mercado encontrar as melhores estratégias para ajudar os consumidores a mitigar os riscos alimentares. Mais do que aumentar o conhecimento e a perceção de risco, será necessário influenciar o comportamento de risco das pessoas. É este o propósito da equipa multidisciplinar do projeto SafeConsume - Safer food through changed consumer behavior: Effective tools and products, communication strategies, education and a food safety policy reducing health burden from foodborne illnesses.

Fonte: Público

O trocadilho é inevitável e está em muitos dos artigos que se têm escrito sobre o tema. Depois de no ano passado, Berlim ter sido invadido por lagostins vermelhos do pântano, nome científico Procambarus clarkii, levando as autoridades e cidadãos ao desespero, este ano quando a praga recomeçou, tomaram-se medidas mais proativas. O melhor será aproveitar os lagostins para comer e inseri-los nas cartas dos principais restaurantes da capital alemã, os de luxo incluídos.

Em maio deste ano, a revista de viagens”Lonely Planet” era a primeira a alertar para a inédita situação: escrevia que, no ano passado, quando as ruas e jardins de Berlim foram invadidos por lagostins, levou ao desespero moradores que nem os podiam caçar, devido a leis de caça furtiva. Já este ano, quando se percebeu que a situação se iria repetir, fez-se uma adenda na legislação para permitir a sua captura e utilização, como alimento e repasto gastronómico.

A adenda é temporária, só este ano e até se controlar a praga e só para restaurantes, não para o cidadão comum. A adesão foi imediata e diversos estabelecimentos criaram cartas inteiras à volta dos lagostins, que ainda por cima parecem ser saborosos.

A história do início da praga é ainda mais insólita, com a revista a adiantar que esta espécie é originária do sul dos EUA — são parentes diretos do Lousiana Crayfish, que faz maravilhas pelos restaurantes desta região dos Estados Unidos e é um dos seus ex-libris, bem como do norte do México.

As autoridades acreditam que o número crescente de animais terá sido por pessoas os terem em aquários, o que parece que chegou a ser uma moda, e depois os libertarem nos lagos da cidade, onde se multiplicaram de forma incontrolável.

Com invernos moderados e verões chuvosos, foram-se espalhando e de repente andavam, literalmente, pelas ruas de Berlim. A espécie é considerada como invasora pela Comissão Europeia, com muitos especialistas a darem-lhe o nome menos bem simpático de “praga”.

A ideia que tudo mudou

Esta segunda-feira, 11 de junho, o jornal norte-americano “Washington Post” dedicou um extenso artigo ao tema e ao responsável berlinense que, pelos vistos, tudo mudou. O jornal conta que no ano passado, as autoridades da cidade capturaram e destruíram mais de quatro mil lagostins do Louisiana e introduziram enguias como predador natural, mas ainda assim não os conseguiram controlar.

Quanto os lagostins começaram a aparecer no centro da cidade, em alguns casos lançaram o pânico, com moradores a ligar para os serviços de emergência com relatos de “escorpiões” ou camarões gigantes.

Foi quando um responsável municipal, Derk Ehlert, decidiu começar a investigar se os lagostins seriam adequados para consumo, se não teriam substâncias nocivas ou metais pesados. Como a resposta foi negativa, fez-se a alteração legislativa. Hoje, há restaurantes a fazer muito dinheiro à conta da praga, e até pescadores com carreiras recuperadas.

“Capturar lagostins a cerca de 500 metros do Portão de Brandemburgo é sensacional”, comentou um pescador de 63 anos, ao “Washington Post”.

Fonte: NIT

Na tradição gastronómica portuguesa o peixe assume um papel de destaque e de extrema importância. Em termos nutricionais, o pescado é rico em proteínas de alto valor biológico e fonte de lípidos (ou gorduras), mais especificamente ácidos gordos essenciais ómega-3.

Fornece ainda quantidades consideráveis de vitaminas, como as vitaminas A e D, e minerais como o potássio, fósforo, iodo e selénio. Estudos realizados nos últimos 30 anos, associam o consumo de peixe a um melhor funcionamento do sistema cardiovascular e à proteção contra doenças cardíacas e vasculares.

Segundo a pirâmide da dieta mediterrânica, o pescado encontra-se no patamar dos alimentos que devem ser consumidos semanalmente. Este guia alimentar sugere o consumo de duas ou mais porções de peixe/pescado por semana.

No entanto, a presença de possíveis contaminantes no pescado preocupa os consumidores. Os contaminantes que oferecem uma maior preocupação são o metilmercúrio, as dioxinas e os bifenilpoliclorados (PCB’s). O mercúrio em particular surge no ambiente como resultado de processos de origem natural (p.ex: emissões vulcânicas) ou da atividade humana (p.ex: pesticidas, termómetros, baterias, etc.).

Efeitos positivos superam os riscos?

De acordo com o comité científico da EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar) e tendo em conta as revisões sobre o tema, os efeitos positivos do consumo de pescado (nomeadamente a prevenção de doenças cardiovasculares nos adultos e o papel essencial no desenvolvimento neurológico do feto e das crianças) superam os potenciais riscos.

Os peixes mais ricos em mercúrio, tais como o tubarão, o bagre, o pintado, a anchova vermelha e o peixe-batata não são habitualmente consumidos pela população portuguesa. Podemos assim dizer que, pelos dados que dispomos atualmente, os benefícios da ingestão de peixe são superiores aos possíveis riscos.

No entanto a EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar) recomenda que o grupo considerado mais vulnerável (grávidas, mulheres a amamentar e crianças) escolha o peixe de uma ampla gama de espécies, variando o tipo de peixe escolhido e sem dar preferência ao consumo de peixe de grande dimensão.

Devemos assim consumir de preferência, peixe de porte médio, de origem nacional e de zonas não profundas, como o carapau, sardinha, besugo e a pescada. Isto porque os peixes de águas quentes e que habitam em zonas mais profundas tendem a conter concentrações mais elevadas de mercúrio e outros contaminantes.

As Nações Unidas lembram que cerca de 80% da poluição existente nos oceanos provém da poluição humana. O lixo plástico é um desses exemplos, e quando não é tratado corretamente, acaba por chegar ao oceano, o que provoca consequências ecológicas irreversíveis nas espécies marinhas. Este lixo degrada-se ao longo do tempo e contamina os vários níveis das cadeias alimentares com micropartículas.

De acordo com previsões de organizações ambientalistas para 2050, o nosso mundo poderá nessa altura, na ausência de medidas concretas, ter mais plástico do que peixes nos oceanos.

Proteger o oceano não é apenas um trabalho político, todos devemos agir. Utilizar um saco reutilizável para as suas compras, deixar de utilizar palhinhas de plástico, consumir pescado sazonal, local e sustentável, são exemplos de ações que podem ajudar a fazer a diferença.

Uma opção mais limpa

Numa alimentação diária convencional, a presença de compostos tóxicos nos alimentos em geral é de facto um motivo de preocupação. Por isso, na última década, o consumo de alimentos biológicos tem aumentado de modo constante. Existe atualmente uma maior consciência do impacto que esta produção tem, ao nível da saúde e ao nível ambiental.

A produção biológica respeita a biodiversidade dos ecossistemas e fornece uma opção mais limpa, que contribui para a proteção do ambiente e para o seu bem-estar.

Fonte: Sapo LifeStyle