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Cientistas do Rothamsted Research anunciaram o desenvolvimento de um trigo obtido por edição genética que poderá representar um avanço importante na segurança alimentar.

A nova variedade apresenta uma redução acentuada de asparagina, um aminoácido naturalmente presente no trigo que, quando sujeito a altas temperaturas durante processos como cozedura, fritura ou torrefação, pode dar origem à acrilamida, uma substância potencialmente nociva.

Para alcançar este resultado, os investigadores recorreram à tecnologia de edição genética CRISPR, desativando de forma precisa genes associados à produção de asparagina. Entre eles destaca-se o gene TaASN2, considerado central neste processo metabólico.

Os ensaios demonstraram reduções muito significativas dos níveis de asparagina nos grãos, podendo atingir valores superiores a 50% em comparação com variedades convencionais, sem prejuízo na produção. Em algumas linhas com múltiplas alterações genéticas, a diminuição foi ainda mais expressiva.

O estudo envolveu várias instituições internacionais, incluindo o Karlsruhe Institute of Technology, o Leibniz Institute for Food Systems Biology, a Technical University of Munich, a University of Reading e a Curtis Analytics Limited.

Os resultados foram também comparados com abordagens tradicionais de melhoramento, como a mutagénese TILLING, que, embora consiga reduzir a asparagina, tende a comprometer o rendimento das culturas. Neste novo trabalho, a edição genética permitiu evitar esse efeito negativo, evidenciando uma maior precisão e eficiência.

Para os investigadores, este avanço demonstra o potencial das novas técnicas genómicas na resolução de desafios complexos na cadeia alimentar. Para além dos benefícios industriais, a redução da acrilamida nos alimentos poderá ter um impacto positivo na saúde pública, ao diminuir a exposição dos consumidores a contaminantes formados durante o processamento térmico.

O desenvolvimento surge numa altura em que o Reino Unido tem vindo a avançar com legislação favorável à utilização de tecnologias de melhoramento de precisão, abrindo caminho à aplicação destas soluções inovadoras na agricultura e na produção alimentar.

Mais informações em Rothamsted Research News.

Fonte: Centro de informação de biotecnologia

A GNR – Guarda Nacional Republicana concluiu a Operação Campo Seguro 2025, que decorreu entre 1 de julho de 2025 e 15 de fevereiro de 2026, com um balanço que evidencia a apreensão de cerca de nove toneladas de produtos agrícolas em todo o território nacional.

A operação teve como principal objetivo reforçar o patrulhamento, a sensibilização e a fiscalização nas explorações agrícolas e florestais, apostando na prevenção e combate a crimes como o furto de produtos e máquinas, bem como na redução da sinistralidade com veículos agrícolas.

Durante este período, foram realizadas 4219 ações de patrulhamento e 2054 ações de fiscalização direcionadas para a segurança no mundo rural e transporte de produtos, das quais resultaram 47 detenções, maioritariamente relacionadas com furtos, e a identificação de 95 indivíduos. Ao nível da criminalidade, foram registados 379 furtos e ainda quatro crimes de tráfico de seres humanos em contexto laboral.

No âmbito das apreensões, a GNR destaca a recolha de 6 687,5 toneladas de azeitona, com maior incidência no distrito de Beja, onde foram apreendidas cerca de 4 698,5 toneladas, seguido de Évora com 1 771. Foram ainda apreendidos 445 quilos de cortiça em Santarém, 1 150 quilos de alfarroba e 234 quilos de abacate no distrito de Faro, além de 240 quilos de pinha mansa, também em Santarém.

A vertente de prevenção e sensibilização assumiu igualmente destaque, com a realização de 3941 ações que alcançaram mais de 19 mil pessoas, incidindo na prevenção de ilícitos, na segurança na condução de veículos agrícolas e na identificação de situações de exploração laboral.

Relativamente à sinistralidade com veículos agrícolas, em 2025 foram registados 613 acidentes, dos quais resultaram 47 vítimas mortais. Estes números comparam com os 602 acidentes e 40 vítimas mortais registados em 2023 e os 684 acidentes com 52 vítimas mortais em 2024. Segundo a GNR, as principais causas continuam a estar associadas à perda de controlo do veículo, às irregularidades do terreno e à não utilização de estruturas de proteção, como o arco de “Santo António”.

A operação contou ainda com articulação transfronteiriça com a Guardia Civil, considerada fundamental para o controlo de fluxos de mercadorias e para a identificação de redes de furto de metais não preciosos e produtos agrícolas sazonais.

A GNR reforça o apelo aos proprietários para que reportem qualquer movimento suspeito e aos utilizadores de máquinas agrícolas para que apostem na manutenção dos equipamentos e na formação adequada, sublinhando que a Operação Campo Seguro se afirma como um pilar essencial na proteção do mundo rural e da vida humana.

Fonte: Radio Castrense

A solução para combater a doença da tinta pode estar no ADN dos castanheiros, conclui um estudo recentemente publicado e cuja primeira autora é Susana Serrazina, investigadora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) e do Instituto de Biossistemas e Ciências Integrativas (BioISI) que, entre outras alternativas, antevê a criação de uma espécie de vacina para enfrentar esta praga que afeta os castanheiros em Portugal.

Primeiro, o contexto: a doença da tinta é uma infeção grave provocada por agentes patogénicos, semelhantes a fungos, que se disseminam pelo solo e infetam as árvores através das raízes – quando a doença se faz notar (através do tronco e das folhas), já não há possível salvação para a árvore. Trata-se de uma doença que tem tido um forte impacto na sociedade, sobretudo entre as comunidades que dependem deste cultivo. Afinal, ao longo de cerca de 20 anos, a doença da tinta destruiu um milhão de castanheiros em Portugal.

Mas a doença não afeta todos os castanheiros de igual forma. Por isso os investigadores se debruçaram sobre o castanheiro europeu e castanheiro japonês – o primeiro é normalmente reconhecido pelo valor do fruto, o segundo pela sua perseverança, nomeadamente na resistência à doença da tinta.

Foi através desta análise comparativa que a equipa científica chegou a uma conclusão promissora, que a resposta está a nível genómico, no ADN: “Em laboratório, infetámos plantas das espécies europeia e japonesa e vimos quais os genes que cada uma dessas plantas ativava para resistir à infeção. Verificámos que há um conjunto de genes que são ativados pelo castanheiro japonês e que não são ativados, ou então são ativados muito tarde, pelo castanheiro europeu”, descreve Susana Serrazina. Destacar os genes é o primeiro passo para fazer frente ao micro-organismo subterrâneo que está na origem da doença, conhecido como Fitóftora (Phytophthora cinnamomi).

Apesar dos vários estudos e investigações de que tem sido alvo a nível nacional e internacional, até à data, não se conhecem produtos químicos eficazes para o tratamento da doença da tinta. Este novo estudo permite abordar a problemática em três frentes distintas: primeiro, o uso da proteína codificada pelo gene do castanheiro japonês como uma forma de pré-ativação da defesa (uma espécie de vacina); em segundo lugar, o uso do gene como marcador molecular (na identificação das árvores mais propensas a sofrer da doença); e em último lugar no trabalho de edição génica para a criação de novas variedades de castanheiro que já nascem com uma defesa para esta praga.

Fonte: Green Savers

A aquacultura em Portugal é considerada um setor estratégico, mas com uma produção insuficiente para suprir o elevado consumo interno de pescado (~60 kg per capita/ano), do qual cerca de 80 % é importado. Em 2023, a produção nacional atingiu 20 872 T, distribuídas entre peixes (pregado, dourada e robalo) e bivalves (ameijoa, mexilhão e ostras). O setor caracteriza-se por uma diversidade de sistemas produtivos, desde viveiros tradicionais e aquacultura semi-intensiva em esteiros, até unidades intensivas com recirculação de água (RAS) e cultivos offshore. Portugal destaca-se pelo conhecimento técnico e científico, garantindo produtos de qualidade e sustentabilidade ambiental. Entre os desafios do setor estão o licenciamento complexo, custos elevados dos fatores de produção, escassez de mão de obra qualificada e as alterações climáticas, exigindo inovação e integração entre investigação e indústria alimentar.

Enquadramento do setor

A nível global, a quantidade de pescado produzido em aquacultura supera, atualmente, o proveniente da pesca extrativa.

Os portugueses são os maiores consumidores de pescado da União Europeia, com cerca de 60 kg per capita/ano, e ocupam o quinto lugar a nível mundial. No entanto, aproximadamente 80 % desse pescado é importado, o que resulta num défice comercial anual de cerca de 600 T e num valor próximo de 1,2 mil milhões de euros. A produção nacional, estimada em cerca de 20 000 T por ano é manifestamente insuficiente face às necessidades e ao potencial do país. Contribui com apenas 3 % da quantidade de pescado consumido em Portugal e representa menos que 2 % da produção europeia. 

A aquacultura marinha, teve início em Portugal nas décadas de 1980 e 1990, com a instalação de algumas unidades de produção intensiva de robalo e dourada, bem como com o desenvolvimento da aquacultura semi-intensiva em tanques de terra resultantes da reconversão de antigas salinas. Nos últimos 15 anos, o setor registou um crescimento significativo, com o surgimento de empresas que utilizam sistemas de produção tecnologicamente mais avançados, como os sistemas de recirculação de água (RAS - Recirculation Aquaculture Systems), tornando Portugal uma referência na produção de peixes planos como o pregado e o linguado. Paralelamente, a produção de bivalves, nomeadamente a ostra, tem crescido de forma exponencial em todo o país.  Simultaneamente, tem-se verificado a expansão da aquacultura em meio marinho, com a instalação de unidades offshore para a produção de robalo, dourada, lírio, mexilhão e amêijoas, sobretudo ao longo da costa algarvia.

A aquacultura é uma atividade de produção relativamente recente, que exige elevado nível de conhecimento técnico e emprego qualificado. Portugal destaca-se como um dos países europeus com maior produção científica na área da aquacultura, dispondo de uma comunidade científica sólida nas universidades, centros de Investigação e Collaborative Laboratories (CoLABs), nas áreas da nutrição, patologia, equipamentos, engenharia, bem-estar animal, entre outras. Por outro lado, são formados em Portugal recursos humanos altamente qualificados para o setor, nas áreas da biologia, engenharia, zootecnia e medicina veterinária.  A Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS-UP), a Universidade do Algarve e o Politécnico de Leiria, através da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM) são alguns exemplos de instituições, onde foram formados muitos dos técnicos e gestores que atualmente trabalham na aquacultura nacional.

As maternidades empregam, essencialmente, biólogos e licenciados nas áreas da biologia e biotecnologia. Os sistemas intensivos em RAS, para além de biólogos e zootécnicos, requerem técnicos com competências em engenharia, responsáveis pela gestão dos sistemas e pela manutenção dos equipamentos. A produção offshore de peixes e bivalves emprega técnicos com capacidades em navegação, mergulho profissional e gestão logística em ambiente marítimo. A produção em esteiros, embora com menor incorporação tecnológica, integra frequentemente biólogos ou médicos veterinários na gestão das operações. Por sua vez, a produção de ostras tem vindo a empregar profissionais de diversas áreas, licenciados ou não, sendo maioritariamente desenvolvida por jovens aquacultores.

Caracterização da aquacultura em Portugal

Os dados estatísticos mais recentes do INE e DGRM indicam que, em 2023, a produção total aquícola em Portugal ascendeu às 20 872 T, o que representa um aumento de 10,9 %, face a 2022, resultando numa receita de 205,9 milhões de euros (159,8 milhões de euros em 2022. Quase a totalidade da produção aquícola nacional (98,5 %) provém de águas marinhas e de transição (zonas estuarinas), sendo a produção em águas interiores, essencialmente de trutas, reduzida a 308 T.

A produção aquícola nacional distribui-se de forma quase equitativa entre peixes (8 850 t) e moluscos bivalves (11 952 t). No grupo dos peixes, a espécie mais produzida é o pregado (3 209 t), seguido da dourada (2 798 t) e do robalo (1 703 t). Acrescem cerca de 800 t, correspondentes a produção de outras espécies de peixes, entre os quais se destaca o linguado, cuja produção se encontra em franco crescimento em Portugal. Relativamente aos bivalves, a espécie mais produzida é a ameijoa (5 820 t), seguida do mexilhão (3 274 t) e das ostras (2 738 t).

Em 2023, a aquacultura nacional contava com 1 307 estabelecimentos licenciados, maioritariamente viveiros de produção de bivalves (1 163), seguindo-se as unidades em tanques (106), os estabelecimentos flutuantes (31) e as unidades de reprodução (7). 

Fonte: TecnoAlimentar

 

O projeto CERTRA, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), está a desenvolver iniciativas para valorizar os cereais tradicionais em Portugal, envolvendo mais de 25 entidades ao longo da cadeia de valor.

No âmbito da Linha de Ação 1.1 – Consumo, o projeto reuniu produtores, transformadores e instituições de investigação, resultando no desenvolvimento de mais de 12 novos produtos alimentares, incluindo pão, cerveja, broas, biscoitos e cuscos. Foi também criada a marca CERTRA, com o objetivo de reforçar a visibilidade destes produtos no mercado.

Na vertente científica, a Linha de Ação 1.2 – Produtos permitiu aprofundar o conhecimento sobre cereais tradicionais portugueses. Foram analisadas mais de 64 populações de trigo, centeio e milho, com base em estudos genéticos, agronómicos e tecnológicos. Estes dados foram comparados com mais de 60 farinhas comerciais, permitindo validar a autenticidade e o posicionamento diferenciador dos produtos tradicionais.

O projeto inclui ainda uma componente dedicada à valorização alimentar e cultural, enquadrada na Linha de Ação 1.3 – Dieta Mediterrânica. Neste âmbito, foram promovidas experiências gastronómicas com farinhas integrais tradicionais e está em desenvolvimento um livro de receitas, bem como a compilação de práticas e técnicas associadas a estes cereais.

Na área da comunicação e sensibilização (Linha de Ação 1.4), foram realizadas ações de formação, visitas técnicas e campanhas dirigidas a produtores, técnicos, estudantes e consumidores. O projeto integra também iniciativas de cooperação internacional, com foco na partilha de conhecimento e reforço de redes científicas.

De acordo com os objetivos definidos, o CERTRA pretende criar valor ao longo da cadeia, incentivando a utilização de cereais locais, promovendo a agricultura biológica e reforçando a ligação entre produção, transformação e consumo. A iniciativa visa ainda aumentar o conhecimento sobre as características dos cereais tradicionais, melhorar a sua adequação a produtos transformados e criar novas oportunidades de mercado.

O projeto aposta também na criação de redes de partilha de conhecimento entre os diferentes agentes do setor e na promoção da sustentabilidade, segurança alimentar e valorização da diversidade cultural associada à produção de cereais tradicionais.

Fonte: Vida Rural

Cientistas desenvolveram variedades de trigo editado geneticamente capazes de reduzir significativamente a formação de acrilamida — composto classificado como potencial cancerígeno — sem impacto na produtividade agrícola.

A investigação, conduzida pelo Rothamsted Research, no Reino Unido, utilizou a tecnologia CRISPR para editar genes responsáveis pela produção de asparagina livre, um aminoácido presente no trigo que, quando sujeito a altas temperaturas durante a confeção, dá origem à acrilamida.

Resultados de dois anos de ensaios de campo mostram que o trigo modificado apresenta níveis substancialmente mais baixos de asparagina livre, sem redução do rendimento. As alterações genéticas permitiram reduzir este composto em 59% e até 93% numa das linhas editadas.

Esta redução traduz-se diretamente em menores níveis de acrilamida nos produtos finais. Pão e bolachas produzidos com este trigo registaram concentrações significativamente mais baixas, com alguns exemplos de pão a apresentarem níveis abaixo do limite de deteção mesmo após serem torrados.

Os investigadores compararam estas variedades com trigo desenvolvido por métodos convencionais, baseados em mutações induzidas por agentes químicos. Embora estas técnicas tenham permitido uma redução de cerca de 50% na asparagina livre, resultaram numa penalização de produtividade próxima dos 25%, associada a mutações não direcionadas.

“Este trabalho demonstra o potencial da tecnologia CRISPR para introduzir alterações precisas e benéficas na genética das culturas”, afirmou Navneet Kaur, investigadora principal do estudo. “Com enquadramentos regulatórios favoráveis, é possível desbloquear benefícios significativos para a agricultura e os sistemas alimentares”.

A investigação surge num contexto de crescente exigência regulatória sobre os níveis de acrilamida nos alimentos. A União Europeia (UE) já definiu valores de referência para este composto e prevê restringir ainda mais os limites máximos, com impacto também em produtos exportados.

Segundo Nigel Halford, investigador principal do estudo, “o trigo com baixo teor de acrilamida pode permitir às empresas alimentares cumprir normas de segurança em evolução sem comprometer a qualidade dos produtos ou aumentar significativamente os custos de produção”. O investigador acrescenta que esta solução representa também uma oportunidade para reduzir a exposição dos consumidores a este composto.

Fonte: Agroportal

A Seven Cartu vai avançar com a criação de uma unidade industrial para produção do cartú, um produto concebido para substituir materiais plásticos utilizados na proteção e acondicionamento de mercadorias. A operação é cofinanciada pelo Compete 2030 e insere-se num investimento orientado para a inovação e sustentabilidade no setor das embalagens.

Este novo material apresenta-se como uma alternativa às soluções tradicionais, como esferovite, espuma ou plástico-bolha, assegurando proteção no transporte sem recurso a derivados de petróleo. Segundo Eduardo Leite, responsável pelo projeto, o apoio comunitário foi determinante para a concretização do investimento e para o arranque da unidade produtiva, que resulta de uma estratégia focada na conjugação entre inovação tecnológica e responsabilidade ambiental.

O cartú distingue-se por ser um produto ondulado com capacidade de absorção de impacto semelhante à de um “airbag”, garantindo níveis elevados de proteção. A tecnologia utilizada permite criar estrias de elevada densidade, aumentando a eficiência do material e reduzindo a quantidade de papel necessária face ao cartão convencional, o que contribui para uma menor pegada ambiental.

A nova unidade industrial foi projetada para operar com elevados níveis de automatização e digitalização, integrando princípios da indústria 4.0 e sistemas avançados de gestão da produção. Esta infraestrutura permitirá escalar a produção e reforçar a competitividade da empresa, numa fase em que o setor enfrenta uma crescente pressão para reduzir o uso de plásticos.

Além da componente tecnológica, o projeto contempla a criação de postos de trabalho qualificados e define como objetivo o reforço da presença no mercado ibérico, com perspetivas de internacionalização. Para Eduardo Leite, trata-se de um passo relevante para posicionar a empresa num contexto competitivo mais alargado, assente em soluções inovadoras e sustentáveis.

A sustentabilidade é, aliás, transversal a todo o projeto, abrangendo não apenas o produto final, mas também o processo produtivo. A unidade inclui sistemas de produção de energia fotovoltaica para autoconsumo, bem como soluções de gestão e valorização de resíduos e incorporação de subprodutos, contribuindo para a eficiência energética e para a promoção da economia circular.

Com esta iniciativa, a empresa procura responder às exigências ambientais do mercado e contribuir para a substituição de materiais poluentes, reforçando o papel da indústria nacional no desenvolvimento de soluções mais sustentáveis para a logística e o comércio eletrónico.

Fonte: iAlimentar

Como é que um tomate obtém a enorme quantidade de energia e de substratos necessários para passar de verde a vermelho? Investigadores do CRAG identificam um regulador chave que poderá revolucionar a produção e conservação de tomates. O estudo mostra que um mecanismo mitocondrial alternativo é o motor que fornece os componentes necessários para que os tomates amadureçam, produzam etileno e adquiram a sua característica cor vermelha.

No Centre for Research in Agricultural Genomics (CRAG), em Barcelona, Espanha, uma equipa de cientistas descobriu um regulador genético fundamental que controla o amadurecimento do tomate, abrindo caminho para frutas mais duradouras e resistentes. O estudo, publicado na revista Plant Physiology, revela a rede de genes que coordena a transição do fruto da fase de crescimento para a fase de maturação.

Liderada pelo investigador do IRTA no CRAG, Igor Florez-Sarasa, com Ariadna Iglesias-Sanchez como primeira autora, a equipa demonstrou que a via mitocondrial conhecida como alternative oxidase (AOX) é o motor principal que impulsiona esta transformação. Os cientistas observaram que a atividade desta via aumenta precisamente quando o tomate começa a mudar de cor, suportando a respiração do fruto durante o amadurecimento.

Usando a tecnologia de edição genética CRISPR-Cas9, os investigadores desativaram o gene AOX1a em plantas de tomate. Os frutos resultantes apresentaram um amadurecimento muito mais lento e alterações nos metabolitos associados a este processo. Em particular, os tomates com deficiência na via AOX não conseguiam acumular aminoácidos essenciais, como aspartato e metionina, necessários para a síntese de etileno, a hormona do amadurecimento.

Este avanço tem potencial para transformar a cadeia alimentar global e combater o desperdício alimentar. Através desta informação genética, produtores e investigadores poderão criar variedades de tomate com maior durabilidade e resistência ao transporte, reduzindo perdas por amadurecimento excessivo antes de chegar aos consumidores e melhorando simultaneamente a qualidade sensorial das frutas.

Num contexto de alterações climáticas e crescente pressão sobre a agricultura, estas características de amadurecimento “inteligente” poderão tornar-se ferramentas essenciais para uma produção alimentar mais sustentável e eficiente.

Leia o estudo em CRAG News.

Fonte: Centro de informação de biotecnologia

Uma equipa de cientistas do Boyce Thompson Institute, da Cornell University e da University of Edinburgh revelou um truque molecular presente em hornworts, um grupo único de plantas terrestres, que poderá aumentar drasticamente a eficiência fotossintética de culturas como o trigo e o arroz.

O estudo centra-se na Rubisco, a enzima responsável por captar dióxido de carbono durante a fotossíntese, conhecida por ser lenta e frequentemente reagir de forma incorreta com oxigénio, limitando o crescimento das plantas.

“Rubisco é, provavelmente, a enzima mais importante do planeta, pois é a porta de entrada de quase todo o carbono nos alimentos que consumimos”, explica Fay-Wei Li, co-líder do estudo. “Mas é lenta e facilmente distraída pelo oxigénio, desperdiçando energia e limitando a eficiência das plantas.”

Alguns organismos, como muitas algas, desenvolveram uma solução engenhosa: concentram a Rubisco em pequenas estruturas chamadas pirenoides, que aumentam a eficiência da enzima. Até agora, transferir este mecanismo para plantas cultivadas revelou-se extremamente difícil.

O avanço surgiu ao estudar os hornworts, as únicas plantas terrestres conhecidas por possuir compartimentos de concentração de CO₂ semelhantes aos das algas. Por partilharem uma história evolutiva mais recente com culturas agrícolas, os cientistas suspeitaram que o mecanismo molecular dos hornworts poderia ser transferido com mais facilidade. E descobriram algo inesperado. “Pensámos que os hornworts usariam algo semelhante ao das algas, uma proteína separada que agrupa a Rubisco”, afirma Tanner Robison, coautor do estudo. “Em vez disso, verificámos que modificaram a própria Rubisco para desempenhar essa função.”

A chave é uma proteína pouco comum, denominada RbcS-STAR. Esta versão da subunidade pequena da Rubisco inclui uma cauda extra que funciona como velcro molecular, fazendo com que as enzimas se agrupem. Experiências demonstraram que a STAR consegue induzir a formação de estruturas semelhantes a pirenoides noutros hornworts e até em Arabidopsis, uma planta modelo em laboratório.

“A STAR é uma ferramenta modular que pode funcionar em diferentes sistemas vegetais”, acrescenta Alistair McCormick, co-líder do estudo. Esta capacidade de transferência é crucial, pois sugere que é possível otimizar a Rubisco em culturas agrícolas introduzindo apenas esta “cauda molecular”, sem precisar de replicar toda a maquinaria das algas.

Apesar do avanço, os investigadores alertam que ainda existem desafios, como o desenvolvimento de mecanismos que conduzam CO₂ para a Rubisco. “Construímos a casa da Rubisco, mas não será eficiente sem atualizar o sistema de ventilação”, explica Laura Gunn. A equipa está agora a trabalhar nessa etapa.

O estudo, publicado na revista Science, representa um passo significativo na melhoria da eficiência fotossintética, podendo aumentar a produtividade agrícola e reduzir o impacto ambiental, contribuindo para sistemas alimentares mais sustentáveis.

“Esta investigação mostra que a natureza já testou soluções que podemos aprender a aplicar onde são mais necessárias – nas culturas que alimentam o mundo”, conclui Fay-Wei Li.

Leia o estudo, em inglês, no site da Boyce Thompson Institute.

Fonte: Centro de informação de biotecnologia

A indústria alimentar em Portugal continua a assentar numa base de microempresas maduras e fortemente orientadas para o mercado interno, com níveis de risco globalmente controlados. Ainda assim, começam a surgir sinais de maior pressão financeira, nomeadamente nos prazos de pagamento, segundo uma análise da Iberinform, baseada em dados do Insight View.

A nova análise revela que o setor continua profundamente fragmentado: 74% das entidades são microempresas, seguidas por 19% de pequenas empresas. As médias representam apenas 5% e as grandes 2%. Esta distribuição evidencia uma estrutura altamente pulverizada, assente em unidades produtivas de pequena escala, características de um setor tradicional e amplamente disperso.

A antiguidade confirma o carácter maduro do setor. 29% das empresas têm mais de 25 anos de atividade e 17% estão no intervalo dos 16 aos 25 anos. Em contraste, apenas 10% menos de um ano. A escassa renovação empresarial sugere estabilização estrutural, mas também um ritmo limitado de entrada de novos operadores.

No indicador de risco, prevalece um perfil sólido. 49% das empresas apresentam risco baixo, enquanto 39% se situam em risco médio. Apenas 11% estão classificadas com risco elevado e 1% em risco máximo. Estes valores mostram uma base empresarial financeiramente estável, embora a presença de casos de risco elevado exija acompanhamento, sobretudo num contexto de custos crescentes e margens pressionadas.

A localização geográfica reforça a dispersão nacional do setor. A categoria “Resto” concentra 49% das empresas, demonstrando que a indústria não se limita aos grandes centros urbanos. Lisboa representa 17%, seguida do Porto com 13%. Aveiro, Setúbal e Braga surgem cada uma com 7%. Esta distribuição confirma a ligação do setor às zonas agrícolas e aos territórios tradicionais de transformação alimentar.

Sinais de pressão operacional

O prazo médio de pagamento registou uma subida ligeira, passando de 55 para 56 dias entre 2023 e 2024. A evolução indica maior pressão na tesouraria, ainda que de forma moderada.

O prazo médio de recebimento aumentou de 64 para 65 dias. Esta variação significa que as empresas estão a demorar mais tempo a receber, o que prolonga o ciclo financeiro e acentua as exigências sobre a liquidez.

O volume de negócios apresentou uma descida, passando de 19 410 milhões de euros em 2023 para 18 672 milhões de euros em 2024. A quebra sinaliza um abrandamento na atividade económica do setor.

A taxa de exportação diminuiu de 23,5% para 22,9%. A redução mostra um recuo na componente internacional, embora sem alterar de forma significativa o peso externo do setor.

O setor mantém uma base empresarial consolidada e madura, acompanhada por níveis de risco controlados, mas enfrenta sinais de pressão operacional, visíveis no aumento dos prazos financeiros e na redução da atividade económica.

Fonte: Grande Consumo