As autoridades japonesas confirmaram o levantamento das restrições às importações de aves e produtos avícolas provenientes de Portugal, na sequência do reconhecimento da ausência de gripe aviária de alta patogenicidade (GAAP) no território nacional. A decisão foi comunicada pelas autoridades competentes japonesas aos respetivos postos de quarentena.
De acordo com as comunicações recebida do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar e do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão, foi confirmado que Portugal voltou a cumprir as condições sanitárias exigidas, tendo sido igualmente informada a inclusão de Portugal nas listas de zonas elegíveis para exportação de aves e produtos avícolas para o mercado japonês.
A revogação do aviso emitido em agosto de 2024 permite restabelecer as condições para a exportação de aves e produtos avícolas portugueses para o Japão, representando um importante desenvolvimento para o setor avícola nacional.
Esta decisão constitui um reconhecimento da eficácia do sistema nacional de vigilância, prevenção e controlo das doenças animais, bem como do trabalho desenvolvido pelos serviços veterinários portugueses e pelos operadores do setor na gestão da situação sanitária. A reabertura deste mercado reforça a confiança internacional nas garantias sanitárias proporcionadas por Portugal e contribui para a valorização e diversificação das exportações agroalimentares nacionais.
A DGAV continuará a colaborar com as autoridades japonesas e com os operadores económicos, promovendo o acesso aos mercados internacionais e apoiando o desenvolvimento sustentável das exportações.
Fonte: DGAV
A vespa da galha do castanheiro está descontrolada em algumas zonas do concelho de Vinhais e pode comprometer a produção de castanha este ano, provocando prejuízos, revelou hoje o presidente da associação Arborea.
“A questão da vespa, não estando controlada, pode nalguns locais provocar alguns prejuízos, porque há zonas que estão afetadas”, referiu Abel Pereira, à margem da apresentação da feira da castanha de Vinhais.
Segundo o engenheiro agrícola, nos primeiros locais onde foi detetada a vespa da galha do castanheiro, na zona de Lomba e nas aldeias de Tuizelo, Edral e Vilar Seco, é mais difícil controlar a praga.
A vespa da galha do castanheiro cria galhas nos gomos e nas folhas da árvore, impedindo o seu crescimento e frutificação. Não há uma cura para a praga, mas o seu controlo tem sido feito através de largadas do parasitoide ‘Torymus sinensis’, que se instala no castanheiro e se alimenta da vespa.
“Este ano foram feitas bastantes largadas (…) esperamos que o próximo ano não seja tão agressivo, porque nós tivemos um retrocesso [no combate] da vespa no ano de 2026, em relação aos dois/três últimos anos”, adiantou.
Ainda assim, não há previsões de como será este ano a produção de castanha em Vinhais, uma vez que só agora arrancou a campanha da variedade aveleira.
Num “ano precoce” já estaria a começar a campanha das variedades tardias, segundo Abel Pereira, verificando-se um atraso de “duas semanas” na apanha.
“Os ouriços estão bonitos, não se notam problemas sanitários, ou seja, visualmente neste momento e no dia de hoje não é mau. Se a produção vai ser boa ou má temos que aguardar, isto está tudo atrasado”, disse.
O sucesso da campanha não é ditado apenas pelo controlo das pragas, mas também pelas condições meteorológicas, que podem ou não ser favoráveis ao crescimento do fruto.
A temperatura desceu nos últimos dias, mas caso volte a aumentar, conjugada com a chuva, pode ser propícia ao aparecimento do fungo que provoca a podridão da castanha e que afetou, fortemente, as campanhas de 2023 e de 2024.
Num bom ano, a produção de castanha gera entre “15 a 20 milhões de euros” no concelho de Vinhais, no distrito de Bragança, sendo um dos setores mais importantes para o território.
Fonte: Agroportal
Investigadores chineses utilizaram a técnica de prime editing para desenvolver novas variedades de arroz com menor teor de amilose, melhorando características relacionadas com a textura, a consistência e a qualidade do arroz após a cozedura.
Os investigadores recorreram ao prime editing, uma técnica de edição genética de elevada precisão, para modificar uma região reguladora do gene Wx (Waxy), responsável pela produção de um dos componentes do amido que influencia a forma como o arroz cozinha e a sua textura quando consumido.
Em vez de eliminar completamente o gene — uma alteração que pode resultar num arroz excessivamente pegajoso, semelhante ao arroz glutinoso — os investigadores modificaram de forma precisa o promotor do gene Wx, reduzindo a sua expressão.
A estratégia permitiu obter duas novas linhas de arroz com reduções do teor de amilose de até 3,95 pontos percentuais, sem alterações significativas nas características agronómicas avaliadas.
Melhor textura sem comprometer as características agronómicas
Nos ensaios laboratoriais, as duas linhas de arroz editadas apresentaram maior consistência do gel, maior viscosidade de quebra e melhores valores instrumentais de palatabilidade. Estas características estão associadas a uma textura mais macia e a uma melhor qualidade do arroz depois de cozinhado.
Os investigadores realizaram também avaliações no campo, não tendo sido observadas diferenças significativas nas características agronómicas analisadas entre o arroz editado e a variedade original.
Um dos aspetos particularmente relevantes do estudo foi a comparação das sequências dos promotores modificados com uma base de dados de 3 032 acessos de arroz. Nenhuma das duas sequências editadas foi encontrada entre os acessos analisados.
Mais opções para o melhoramento vegetal
Os resultados mostram o potencial do prime editing para criar, de forma dirigida, novas versões de genes já existentes, incluindo variantes que não estão facilmente disponíveis nas populações naturais de uma determinada cultura.
No caso do arroz, esta abordagem poderá ampliar as possibilidades dos programas de melhoramento para ajustar características relacionadas com a qualidade culinária e sensorial, sem necessariamente alterar outras características agronómicas importantes.
Os autores salientam, contudo, que serão necessárias avaliações sensoriais com consumidores e novos ensaios de campo para confirmar o desempenho e a qualidade das novas linhas de arroz.
O estudo demonstra, assim, como as novas ferramentas de edição genética podem contribuir para um melhoramento vegetal mais preciso, permitindo ajustar características específicas das culturas de acordo com as necessidades dos produtores e dos consumidores.
Leia o estudo em International Journal of Molecular Sciences, “Fine-Tuning Rice Amylose Content and Eating Quality by Prime Editing of the Wx Gene Promoter”.
Fonte: Centro de informação de biotecnologia
O objetivo deste Banco Mundial é que a diversidade agrícola não se perde permanentemente em caso de catástrofes naturais e conflitos armados. Portugal contribui mais uma vez com milho e feijão.
O cofre do apocalipse: é assim que é conhecido o Svalbard Global Seed Vault e o Banco Mundial de Sementes na Noruega. O objetivo deste dispositivo de segurança e salvaguarda dos recursos genéticos vegetais passa, como era esperado, pela conservação destes recursos para a alimentação e agricultura. O contributo de Portugal é o fortalecimento da capacidade científica.
O Ministério da Agricultura e Mar comunicou este domingo que João Moura, secretário de Estado da Agricultura, está na Noruega para participar, a 13 de outubro, na cerimónia de depósito de sementes naquele que é conhecido mundialmente como o “cofre do apocalipse”.
Destaca o Governo que a salvaguarda de património vegetal é assegurada em Portugal pelo INIAV (Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária) e pelo BPGV (Banco Português de Germoplasma Vegetal).
“Esta infraestrutura norueguesa, gerida numa parceria entre o Ministério da Agricultura e Alimentação da Noruega, o NordGen e o Crop Trust, permite aos bancos de germoplasma de todo o mundo depositar cópias de segurança das suas coleções para garantir que a diversidade agrícola não se perde permanentemente em caso de catástrofes naturais, conflitos armados ou falhas técnicas”, pode ler-se no comunicado.
Portugal integra esta iniciativa estratégica desde a criação do cofre em 2008, sendo que a primeira entrega nacional ocorreu em 2018, seguindo-se remessas em 2020, 2023 e 2025, que, de acordo com o Governo, “totalizaram 1.527 acessos de culturas como milho, cevada, centeio, trigo, feijão-comum e feijão-frade”.
A 13 de outubro, Portugal efetua a sua quinta entrega oficial, adicionando mais 334 acessos (303 de feijão-comum, 18 de feijão-frade e 13 de milho). Com esta nova remessa, o país passa a totalizar 1.861 acessos que ficam conservados em segurança no Ártico.
Fonte: Jornal Económico
Foi emitida a notificação 2026.8959 relativa à deteção de níveis elevados de sulfitos em camarão cozido refrigerado proveniente de Espanha. O alerta foi comunicado através dos mecanismos de segurança alimentar da União Europeia, devido ao incumprimento dos limites legais aplicáveis para este aditivo alimentar.
Descrição do Perigo
Os sulfitos são aditivos amplamente utilizados na indústria alimentar como conservantes e antioxidantes, especialmente em produtos da pesca e crustáceos, com o objetivo de prevenir alterações de cor e prolongar a vida útil. Contudo, a utilização acima dos limites regulamentares pode representar um risco para consumidores sensíveis.
A exposição a concentrações elevadas de sulfitos pode desencadear reações adversas, nomeadamente:
Avaliação do Risco
A presença de sulfitos acima dos limites legalmente estabelecidos constitui uma não conformidade com a legislação europeia relativa aos aditivos alimentares. O risco é particularmente relevante para consumidores com alergias ou sensibilidades aos sulfitos, grupo para o qual a rotulagem correta e o cumprimento dos limites máximos autorizados são essenciais.
Medidas Implementadas
As autoridades competentes e os operadores envolvidos poderão adotar medidas como:
Recomendações para Operadores Alimentares
Os operadores do setor alimentar que comercializem ou utilizem camarão cozido refrigerado devem:
Conclusão
A notificação 2026.8959 evidencia a importância do controlo rigoroso dos aditivos alimentares na cadeia de abastecimento dos produtos da pesca. O cumprimento dos limites regulamentares para sulfitos é fundamental para proteger a saúde dos consumidores e assegurar a conformidade legal dos produtos colocados no mercado.
Fonte: Qualfood
Num mercado cada vez mais competitivo e globalizado, muitas empresas portuguesas enfrentam uma questão decisiva: o que acontece à sua identidade quando deixam de ser uma marca nacional para se tornarem uma referência ibérica?
A resposta parece estar longe de uma simples mudança geográfica. Para muitas organizações, crescer para Espanha representa muito mais do que conquistar novos clientes. É um verdadeiro teste à capacidade de preservar aquilo que as distinguiu desde o primeiro dia: a autenticidade, a proximidade e os valores portugueses.
Especialistas em gestão defendem que a origem portuguesa continua a ser um ativo estratégico, mesmo quando a operação ganha dimensão ibérica. Qualidade, inovação, resiliência e uma forte cultura de relação com clientes são atributos frequentemente associados às empresas nacionais e que podem tornar-se diferenciais competitivos além-fronteiras.
No entanto, a expansão traz novos desafios. A necessidade de adaptar processos, linguagens, equipas e estratégias comerciais pode criar a tentação de uniformizar culturas e diluir identidades. É precisamente aqui que surge a oportunidade: crescer sem deixar de ser quem se é.
As organizações que conseguem equilibrar adaptação e autenticidade demonstram que a escala não exige a perda de identidade. Pelo contrário, a herança portuguesa pode tornar-se uma marca distintiva num mercado ibérico cada vez mais homogéneo.
Para muitas empresas, o futuro passa por uma visão integrada da Península Ibérica, onde Portugal não é apenas o ponto de partida, mas a base cultural que sustenta o crescimento. A origem deixa de ser uma limitação para se transformar numa vantagem competitiva.
Porque, quando a ambição ganha escala ibérica, a verdadeira questão não é se a identidade portuguesa desaparece. É como ela evolui para conquistar novos mercados sem perder a sua essência.
Uma coisa é certa: as empresas que conseguem crescer mantendo as suas raízes provam que a expansão mais sustentável não acontece quando se abandona a origem, mas quando se leva a sua força para mais longe.
Fonte: Qualfood
A facilidade de limpeza de máquinas e sistemas é crucial na indústria alimentar, no entanto, as carruagens de muitas guias lineares são difíceis de desmontar.
De forma a reduzir os tempos de paragem, a igus desenvolveu a nova guia linear drylin W, com uma carruagem em polímero que pode ser removida para limpeza sem recurso a ferramentas. Este sistema é a primeira guia linear no mundo a obter a certificação European Hygienic Engineering and Design Group (EHEDG), recebendo a aprovação oficial para a tecnologia alimentar.
Praticamente todos os projetistas de soluções de automação para a indústria alimentar trabalham com guias lineares, as quais permitem, por exemplo, o movimento de estações de selagem em máquinas de embalamento por termoformagem, o posicionamento de cabeças de doseamento em sistemas de enchimento e o guiamento de unidades de corte em máquinas de fatiar pão.
Embora indispensáveis, as guias lineares representam um desafio em aplicações com requisitos de higiene rigorosos, dado que os lubrificantes, o desgaste e a sujidade podem acumular-se em ranhuras, superfícies de contacto e áreas de difícil acesso.
“Se for necessária uma limpeza completa, a desmontagem dos sistemas clássicos é, muitas vezes, complicada e estruturalmente limitada”, afirma Mira Loges, engenheira de desenvolvimento da gama drylin na igus.
A procura é, por isso, de guias lineares concebidas de acordo com os requisitos de higiene e que possam ser limpas rapidamente. “Lançámos uma solução com a nova guia linear drylin W, a primeira guia linear do mundo a receber a certificação do EHEDG.”
A EHEDG é uma organização internacional que estabelece normas para o projeto higiénico de equipamentos com o objetivo de aumentar a segurança alimentar. Um certificado EHEDG confirma que um componente é de limpeza fácil, completa e segura, o que representa uma vantagem importante para os operadores com as mais elevadas exigências de segurança dos processos e dos produtos. A certificação confirma que o modelo do sistema de guia linear drylin W contribui para reduzir o risco de contaminação e de avarias no equipamento.
Desmontagem rápida e fácil para tempos de paragem mais curtos
As guias lineares dificultam, frequentemente, a limpeza de máquinas e sistemas na indústria alimentar. “As guias clássicas de recirculação de esferas, por exemplo, têm muitas vezes de ser desmontadas com ferramentas e retiradas pela extremidade da guia com cuidado”, afirma Mira Loges.
“Isto resulta em trabalhos de manutenção e tempos de paragem desnecessários, motivo de queixa de alguns utilizadores." A igus projetou, por isso, a nova guia linear de forma a poder ser desmontada sem ferramentas. O sistema consiste em dois veios em aço inoxidável e numa carruagem deslizante em polímero, na qual os utilizadores podem aparafusar as suas estruturas." Em caso de limpeza completa do sistema, a carruagem pode simplesmente ser retirada da guia e limpa separadamente. A guia pode ser limpa no próprio local sem que seja necessário desmontá-la”, explica Mira Loges.
O modelo higiénico isento de lubrificação reduz o risco de contaminação
Muitas guias de recirculação de esferas convencionais funcionam com lubrificantes aos quais poeiras, resíduos de desgaste e partículas de sujidade podem aderir. Isto pode criar uma mistura abrasiva que prejudica a facilidade de movimento e representa um potencial risco de contaminação.
A igus projetou, por isso, a nova guia linear, rigorosamente de acordo com as normas da EHEDG. Os veios redondos com acabamentos eletropolidos têm uma rugosidade superficial inferior a 0,8 micrómetros, o que facilita uma limpeza eficaz, uma vez que os germes e os resíduos de produtos dificilmente aderem à superfície lisa.
“Seguimos rigorosamente as normas da EHEDG durante o desenvolvimento. Um dos desafios foi a transição dos veios para os suportes de veio ou conectores de guia. Mas mesmo aqui conseguimos cumprir as diretrizes. As guias são fresadas de modo a que sejam mantidos raios mínimos de três milímetros em toda a superfície”, explica Mira Loges. Um vedante do pavimento em silicone certificado pela FDA garante também que nenhuma sujidade ou microrganismos se possam acumular entre a guia e a superfície.
Outra característica notável é a carruagem fabricada em polímero azul de elevado desempenho iglidur A160. É isenta de PTFE e testada quanto a PFAS, e os lubrificantes sólidos microscópicos integrados garantem um funcionamento a seco excecionalmente higiénico e isento de lubrificação. “Também nos certificamos de que o material apresenta uma baixa absorção de humidade. Isto significa que a carruagem mantém a sua forma e funcionalidade mesmo após muitos ciclos de limpeza intensivos.”
Fonte: iAlimentar
A escolha de pilhas pode parecer uma compra inofensiva, mas tem consequências para o ambiente. Desde a extração das matérias-primas até ao momento em que são descartadas, estes produtos têm um impacto ambiental maior do que se espera.
Mas será que as pilhas recarregáveis são sempre a opção mais sustentável?
A DECO PROteste analisou o ciclo de vida das pilhas descartáveis e recarregáveis e explica como fazer escolhas mais conscientes e reduzir a produção de resíduos.
Embora as pilhas descartáveis possam possuir maior autonomia por utilização, têm de ser substituídas quando ficam sem energia, originando novos resíduos. Já as pilhas recarregáveis podem ser utilizadas várias vezes, reduzindo a necessidade de comprar novas unidades e, consequentemente, a quantidade de resíduos produzidos.
Para compreender as diferenças, a DECO PROteste analisou o ciclo de vida dos dois tipos de pilhas, considerando um cenário de utilização por uma família de três pessoas, ao longo de um ano. No caso das pilhas descartáveis, seriam necessárias 26 unidades para alimentar um comando de televisão e três ratos de computador. Já na alternativa recarregável, bastariam oito pilhas, sujeitas a 31 ciclos de carregamento no total.
A análise teve em consideração as diferentes fases do ciclo de vida, desde a extração das matérias-primas, fabrico até à utilização e ao tratamento dos resíduos. No caso das pilhas recarregáveis, foi também contabilizado o impacto associado à produção do carregador.
Os resultados mostram que, no cenário analisado, a produção das pilhas descartáveis representa 85% do seu impacto ambiental, seguida do transporte (9%) e do fim de vida (6%). Por outro lado, nas pilhas recarregáveis, a distribuição é diferente. A produção do carregador representa 55% do impacto ambiental, enquanto o fabrico das pilhas corresponde a 43%. O transporte contribui com 1,7% e a utilização com apenas 0,3%. A fase de fim de vida apresenta um contributo negativo de 0,1%, associado à reciclagem das embalagens.
Estes resultados destacam a importância de prolongar a vida útil dos equipamentos e aproveitar os ciclos de carregamento das pilhas recarregáveis. Uma vez que a produção do carregador concentra uma parte significativa do impacto ambiental nesta alternativa, a sua utilização prolongada e a partilha entre diferentes equipamentos ajudam a evitar a necessidade de adquirir novos carregadores.
A escolha entre pilhas descartáveis e recarregáveis é apenas uma parte da solução. Existem outros cuidados que podem ajudar a reduzir o impacto ambiental:
Pequenas escolhas fazem a diferença tanto ao nível da sustentabilidade quanto à rentabilidade/reutilização das pilhas. Prolongar a vida útil dos produtos e assegurar o correto encaminhamento dos resíduos são passos importantes para reduzir o consumo de recursos naturais e contribuir para uma economia mais circular.
Fonte: GreenSavers
Nem todas as respostas para os desafios ambientais exigem grandes investimentos ou mudanças difíceis de concretizar. A compostagem doméstica, a reutilização de materiais e a melhoria dos sistemas de depósito e reembolso são algumas das soluções que podem contribuir para uma sociedade mais sustentável.
É a partir desta perspetiva que a comunidade do Pacto Climático Europeu em Portugal vai participar nas sessões de apresentação do documentário Hope – Estamos a Tempo, da autoria do divulgador ambiental Javier Peña.
A série, composta por seis episódios, será exibida na Biblioteca do Goethe-Institut, em Lisboa, entre 8 de outubro e 10 de novembro, com debates associados a cada episódio.
Compostagem pode começar em casa
Um dos temas em destaque é a compostagem comunitária e doméstica dos resíduos urbanos.
Paulo Lucas, da direção da ZERO, defende que esta é uma solução que pode ser adotada pelos municípios e pelas famílias, permitindo transformar resíduos orgânicos em composto e contribuir para o fecho do ciclo dos nutrientes.
Segundo os dados citados pela ZERO no comunicado, Portugal envia atualmente cerca de três milhões de toneladas de resíduos urbanos para aterros por ano. O mesmo documento, com base no Relatório Anual de Resíduos Urbanos de 2024 da Agência Portuguesa do Ambiente, refere que o país produziu 5,5 milhões de toneladas de resíduos urbanos nesse ano, tendo 52% sido depositados diretamente em aterros.
A organização aponta ainda diferenças entre municípios na disponibilização de compostores domésticos. Segundo os números apresentados, Viana do Castelo já distribuiu 8.123, Lisboa 3.416, Gondomar 3.027 e Oeiras 2.863.
A proposta passa por generalizar este tipo de soluções, permitindo que mais famílias possam fazer compostagem em casa e reduzir a quantidade de resíduos encaminhados para tratamento.
O que pode mudar no sistema “Volta”?
A economia circular é outro dos temas abordados na iniciativa, nomeadamente através do episódio “Metamorfose”.
Marta Brazão, presidente da Circular Economy Portugal e embaixadora do Pacto Climático Europeu, deverá abordar algumas das questões relacionadas com o Sistema de Depósito e Reembolso “Volta”, que tem sido alvo de discussão em Portugal.
A responsável defende que as dificuldades iniciais não devem desvalorizar o potencial do sistema e aponta o exemplo da Alemanha, onde, segundo afirma, a taxa de retorno das embalagens chega atualmente aos 98%.
Entre as propostas apresentadas está a instalação de “caixas de doação” de garrafas e latas em cidades, vilas e povoações, de forma a facilitar a entrega das embalagens e evitar que sejam deixadas na via pública.
Há também soluções para reutilizar copos
A reutilização é igualmente abordada através do projeto “Copo+”, que está numa fase piloto em Lisboa.
Segundo o comunicado, existem atualmente cinco máquinas instaladas, estando previstas 17. A responsável da Circular Economy Portugal considera que ainda são necessários mais equipamentos, comunicação junto dos cidadãos e uma maior adesão por parte de espaços e empresas do canal HORECA.
A Câmara Municipal de Lisboa estima que 25 mil copos descartáveis sejam desperdiçados por noite, segundo os dados citados no comunicado.
As mulheres também estão no centro da ação climática
A série aborda ainda a importância da igualdade de género para a ação climática.
Susana Viseu, fundadora e presidente da ONG Business as Nature, defende que a transição climática deve ser inclusiva e que a participação das mulheres na liderança das comunidades e das empresas é importante para a sustentabilidade dos territórios.
A Business as Nature impulsiona a Women & Climate Global Coalition, uma plataforma internacional dedicada à liderança feminina na ação climática e à ligação entre igualdade de género e políticas ambientais.
A iniciativa organiza a sua atuação em áreas como política e ativismo climático, capacitação, empreendedorismo sustentável, ciência e tecnologia, comunicação e participação e criação de redes.
Um documentário centrado em soluções
É este conjunto de temas que será levado às sessões do Hope – Estamos a Tempo em Lisboa.
A série procura olhar para a crise climática a partir de soluções que possam ser aplicadas localmente, em vez de se concentrar apenas na dimensão dos problemas ambientais.
A Global Sustainable Transition Alliance (GSTA), uma aliança internacional de empresas, organizações não governamentais (ONG), consultoras e fornecedores de ferramentas de avaliação de produtos, está a desenvolver uma norma global para calcular a pegada ambiental dos produtos no setor alimentar e das bebidas.
A nova norma procura responder à diversidade de métodos atualmente utilizados pelas empresas para calcular a pegada ambiental dos produtos. De acordo com a GSTA, a utilização de diferentes metodologias e bases de dados pode originar resultados inconsistentes, dificultando a comparação dos impactos ambientais entre produtos e ao longo das cadeias de abastecimento.
O trabalho da aliança pretende estabelecer regras mais específicas e detalhadas para permitir que as pegadas dos produtos sejam comparáveis, independentemente da entidade responsável pelo cálculo. Para esse efeito, a GSTA vai alinhar a metodologia com referenciais internacionais, incluindo o Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol), a Science Based Targets initiative (SBTi), a Partnership for Carbon Transparency (PACT), a International Organization for Standardization (ISO) e a Product Environmental Footprint (PEF).
Harmonização dos dados da cadeia de abastecimento
A iniciativa pretende também facilitar a utilização de dados ambientais provenientes de diferentes fornecedores. Segundo Koen Boone, coordenador de Cadeias de Valor Sustentáveis da Wageningen University & Research, as empresas necessitam de dados consistentes dos fornecedores de todo o mundo para calcular o impacto da sua cadeia de abastecimento completa, incluindo as emissões indiretas de âmbito 3.
A criação de um referencial comum deverá, segundo os promotores, reduzir o tempo e os custos associados aos diferentes processos de cálculo e reporte de dados. A harmonização vai permitir ainda dispor de informação mais consistente para identificar as áreas da cadeia de valor onde as medidas de redução das emissões podem produzir maior impacto.
A GSTA conta, entre os seus membros fundadores, com empresas e organizações como a Ahold Delhaize, empresas do Schwarz Group, Mars, Incorporated, Mondra, Mondra Coalition, Global Changer, Inoqo, European Sustainable Food Coalition, Partnership for Carbon Transparency, Systain Coalition, HowGood e Foodsteps.
A aliança tem também o apoio de organizações não governamentais internacionais, entre as quais a Consumers International e a Partnership for Carbon Transparency (PACT), uma iniciativa do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD).
A WRAP e a Wageningen University & Research estão agora a convidar outras empresas do setor alimentar e das bebidas, a nível mundial, a aderirem à iniciativa e a participarem no desenvolvimento da futura norma.
Fonte: iAlimentar
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