A tecnologia poderá desempenhar um papel determinante na construção de uma agricultura mais sustentável, eficiente e competitiva, mas o verdadeiro potencial da digitalização não reside apenas na introdução de novos equipamentos ou sistemas.
A economia mundial encontra-se cada vez mais digitalizada e conectada, resultado do avanço tecnológico observado nas últimas décadas. A transformação digital tem vindo a ser incorporada nas agendas políticas e económicas de diferentes organizações governamentais e não governamentais, assumindo-se como um importante fator de desenvolvimento económico e social. Neste contexto, a agricultura não poderá ficar afastada desta transformação, sobretudo perante os desafios relacionados com as alterações climáticas, a degradação dos solos, a escassez de recursos, a perda de biodiversidade e a necessidade de garantir a segurança alimentar.
A articulação entre tecnologia e sustentabilidade poderá, assim, contribuir para uma agricultura mais eficiente, competitiva e resiliente. Mais do que aumentar a capacidade produtiva, a inovação tecnológica permite melhorar a utilização dos recursos disponíveis, reduzir desperdícios e apoiar processos de decisão mais informados. A tecnologia assume, desta forma, um papel relevante não apenas na produção e distribuição de produtos agrícolas, mas também na produção e disseminação de conhecimento.
A inovação constitui um dos principais mecanismos de criação de valor acrescentado. Segundo Schumpeter (1934), a inovação está associada à introdução comercial de um novo produto ou de uma nova combinação de elementos existentes, resultante de processos de transformação baseados no conhecimento e na tecnologia. Aplicado à agricultura, este conceito permite compreender que inovar não significa necessariamente substituir os modelos tradicionais de produção, mas encontrar novas formas de combinar conhecimento, recursos e tecnologia para aumentar a eficiência económica e ambiental das explorações.
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), nas quais se integra o processo de digitalização, têm vindo a alterar os modelos de gestão agrícola. O acesso a dados em tempo real permite monitorizar equipamentos, acompanhar condições de produção e controlar determinados sistemas à distância através de dispositivos móveis, como o smartphone. A possibilidade de recolher e analisar informação poderá melhorar a gestão dos recursos e tornar as explorações mais produtivas e flexíveis.
Esta transformação assume particular importância num setor caracterizado, em muitos territórios, por uma população agrícola envelhecida, por diferentes níveis de qualificação e por limitações ao nível da disponibilidade de mão de obra. A digitalização poderá contribuir para simplificar determinados processos de gestão, apoiar a tomada de decisão e reduzir algumas tarefas repetitivas, criando simultaneamente oportunidades para a entrada de conhecimento e competências digitais no setor.
Portugal e a transformação digital da agricultura
No caso português, a digitalização constitui simultaneamente um desafio e uma oportunidade. De acordo com a Direção-Geral das Atividades Económicas (DGAE, 2022), tendo como referência o Digital Transformation Scoreboard, persistia a necessidade de os países do Sul da Europa acelerarem os seus processos de digitalização face aos países do Norte e Centro da Europa. Ainda assim, Portugal tem apresentado uma evolução positiva em áreas como a transformação digital, o empreendedorismo, o desenvolvimento das infraestruturas digitais e das competências necessárias à adaptação a novos modelos de negócio.
No setor agrícola, esta transformação poderá assumir uma importância ainda maior, tendo em consideração a necessidade de aumentar a produtividade e, simultaneamente, reduzir a utilização de recursos naturais. O investimento tecnológico encontra enquadramento nas políticas agrícolas europeias e nacionais para o período 2023-2027, que procuram promover uma agricultura mais competitiva, sustentável e preparada para os desafios ambientais e económicos.
A sustentabilidade deverá, contudo, ser entendida numa perspetiva integrada. Uma exploração agrícola só poderá ser considerada sustentável no longo prazo se conseguir articular a dimensão ambiental com a viabilidade económica e social. Reduzir o consumo de água ou energia constitui uma vantagem ambiental, mas também poderá representar uma redução dos custos de produção e, consequentemente, uma melhoria da competitividade. Do mesmo modo, aumentar a produtividade através da tecnologia poderá contribuir para a sustentabilidade económica das explorações, desde que não implique uma utilização excessiva dos recursos naturais. Neste sentido, a digitalização poderá funcionar como uma ponte entre sustentabilidade e competitividade. A capacidade de recolher informação, analisar dados e antecipar necessidades permite passar de uma gestão predominantemente reativa para uma gestão mais preventiva e baseada em conhecimento.
Principais áreas de aplicação tecnológica
Entre as tecnologias com potencial para contribuir para a transformação sustentável da agricultura destacam-se a robótica e os drones, os sistemas de gestão digital, as soluções energéticas descentralizadas e os sistemas de irrigação inteligente.
Uma visão integrada para a agricultura do futuro
No seu conjunto, estas tecnologias demonstram que a digitalização agrícola não deverá ser entendida apenas como uma questão tecnológica. O seu impacto deverá ser analisado através da relação entre economia, ambiente, conhecimento e sociedade. A agricultura do futuro poderá depender cada vez mais da capacidade de transformar dados em informação e informação em decisões. O acesso a dados meteorológicos, informação sobre solos, necessidades das culturas, consumos energéticos ou disponibilidade de água poderá permitir ao produtor tomar decisões mais eficientes e reduzir a exposição a determinados riscos.
Esta transformação poderá igualmente gerar efeitos positivos ao longo de toda a cadeia de valor agroalimentar. A digitalização poderá melhorar a rastreabilidade dos produtos, facilitar a ligação entre produtores e mercados, otimizar processos logísticos e criar novos canais de comercialização. Desta forma, o impacto económico da tecnologia não ficará necessariamente limitado à exploração agrícola, podendo estender-se a toda a cadeia de produção e distribuição.
Contudo, a adoção tecnológica também apresenta desafios. O investimento inicial, a necessidade de formação, o acesso a infraestruturas digitais e a capacidade dos agricultores para utilizar estas ferramentas poderão condicionar o ritmo de transformação. Existe, por isso, o risco de a digitalização beneficiar sobretudo as explorações com maior capacidade financeira e técnica, aumentando desigualdades já existentes no setor. A transformação digital deverá, por isso, ser acompanhada por políticas públicas capazes de facilitar o acesso à tecnologia, ao financiamento, à formação e ao conhecimento. A inovação deverá ser colocada ao serviço do agricultor e não constituir um objetivo isolado. Neste contexto, e segundo Neiva (2021), relativo ao alinhamento entre diferentes abordagens teóricas para um modelo sustentável, permite compreender a amplitude da transformação em curso e a necessidade de articular diferentes dimensões da inovação, da economia circular, da bioeconomia e da Agroindústria 4.0.
Em conclusão, a tecnologia poderá desempenhar um papel determinante na construção de uma agricultura mais sustentável, eficiente e competitiva. Contudo, o verdadeiro potencial da digitalização não reside apenas na introdução de novos equipamentos ou sistemas, mas na capacidade de integrar tecnologia, conhecimento e gestão económica. A agricultura sustentável deverá, assim, ser entendida como um equilíbrio entre viabilidade económica, proteção dos recursos naturais e desenvolvimento social. Nesta perspetiva, a tecnologia não constitui um fim em si mesma, mas uma ferramenta capaz de ajudar o setor agrícola a produzir mais valor utilizando os recursos de forma mais eficiente.
Para Portugal, este processo representa simultaneamente um desafio e uma oportunidade. A modernização tecnológica poderá contribuir para aumentar a competitividade das explorações, responder às alterações climáticas, reduzir desperdícios e tornar o setor mais atrativo para novas gerações. O sucesso desta transformação dependerá, contudo, não apenas da tecnologia disponível, mas sobretudo da capacidade de a integrar nas realidades económicas e sociais concretas das explorações agrícolas e de apoios económicos via mecanismos europeus e nacionais para garantir um setor estratégico independente e resiliente.
Fonte: sapo.pt
A sustentabilidade continua a fazer parte das preocupações dos consumidores, mas não é, na maioria dos casos, um fator determinante na compra de alimentos. Num contexto de pressão sobre o rendimento disponível, preço e sabor continuam a assumir um peso significativamente superior.
Uma análise publicada pela FoodNavigator, com base em dados de diferentes estudos de mercado, mostra que a sustentabilidade continua a preocupar uma parte dos consumidores, mas perde terreno para fatores como o preço e o sabor.
Cerca de 40% dos consumidores querem consumir alimentos com o menor impacto possível no ambiente, enquanto 36% procuram aumentar o consumo de produtos com rótulos de sustentabilidade, segundo um inquérito realizado pela Statista em 2026.
Preço domina as decisões de compra
Cerca de um em cada cinco consumidores é influenciado por rótulos e alegações de sustentabilidade e cerca de metade destes afirma estar disposto a pagar mais por produtos com estas características, explica Tom Rees, global insights manager da Euromonitor International.
A pressão sobre o custo de vida, contudo, reduz a capacidade dos consumidores para dar prioridade a alimentos sustentáveis, muitas vezes associados a preços mais elevados.
“Na verdade, a grande maioria dos consumidores não se preocupa suficientemente com a sustentabilidade para alterar os seus hábitos alimentares”, afirma Jonny Forsyth, principal strategist para alimentação e bebidas da Mintel.
Preço e sabor continuam a ser os principais fatores de decisão e são mais de três vezes mais importantes do que a sustentabilidade, sublinha Jonny Forsyth. Na Alemanha, 69% dos consumidores consideram o preço importante e 66% atribuem essa importância ao sabor, enquanto apenas 21% dão o mesmo peso aos produtos ambientalmente sustentáveis, segundo dados da Mintel.
O preço é também uma das principais barreiras ao consumo sustentável. Mais de metade dos consumidores da União Europeia considera que os alimentos sustentáveis são demasiado caros, de acordo com dados da Statista.
Tom Rees, da Euromonitor International, considera que o atual período de preços alimentares elevados criou uma “lente da acessibilidade”, levando os consumidores a colocar a capacidade de pagar acima de outros critérios no momento da compra.
Neste contexto, conceitos mais abstratos, como sustentabilidade, ficam em segundo plano face a benefícios tangíveis, como preço e sabor. A desconfiança em relação às iniciativas empresariais de sustentabilidade e às práticas de greenwashing contribui também para limitar o seu impacto.
Embalagem em destaque
As diferentes dimensões da sustentabilidade não despertam o mesmo interesse. A agricultura ambientalmente responsável, incluindo a agricultura regenerativa, continua a ter uma relevância limitada.
Segundo dados da Mintel, apenas 31% dos consumidores franceses com mais de 16 anos consideram este tema muito importante. A percentagem desce para 22% no Reino Unido e 16% na Noruega.
A embalagem, pelo contrário, apresenta maior capacidade para mobilizar os consumidores. “Quando se trata de práticas sustentáveis, muitos consumidores consideram as embalagens sustentáveis ou recicláveis um elemento importante de uma postura ambientalmente consciente”, afirma Sára Pálfy, insights analyst da Statista.
Mais de 75% dos consumidores na Europa optam por embalagens recicladas, mesmo quando são menos apelativas, enquanto mais de 60% consideram se a embalagem é ambientalmente sustentável.
A produção local também mantém relevância. Cerca de 35% dos consumidores da geração Z na Europa optam por produtos produzidos localmente e por produtos com rótulos de sustentabilidade, segundo a Statista.
Para Jonny Forsyth, da Mintel, a popularidade dos produtos locais estará, contudo, mais relacionada com o protecionismo que tende a ganhar força em períodos de crise económica e com a preferência por produtos frescos do que com preocupações ambientais.
Alterações climáticas podem mudar prioridades
Os incêndios florestais e as secas registados na Europa em 2026 ainda não permitem concluir que exista uma mudança significativa na atitude dos consumidores face à sustentabilidade.
Segundo Jonny Forsyth, os fenómenos registados em 2025 também não tiveram um impacto substancial nas perceções dos consumidores, pelo que qualquer alteração deverá ser gradual.
A mudança poderá surgir quando os efeitos das alterações climáticas começarem a refletir-se de forma mais direta no preço dos alimentos. As secas têm pressionado os rendimentos agrícolas e a redução da oferta poderá traduzir-se em preços mais elevados.
Para Tom Rees, da Euromonitor International, poderá ser precisamente o impacto económico das alterações climáticas, mais do que a ocorrência dos próprios fenómenos extremos, a levar os consumidores a atribuir maior importância à sustentabilidade.
A Mintel prevê que a sustentabilidade volte a ganhar influência no final da década de 2020 e no início da década de 2030, à medida que problemas considerados futuros se transformem em crises com impacto direto no quotidiano. Para que essa mudança aconteça, marcas e governos terão, contudo, de criar incentivos que tornem as opções sustentáveis mais acessíveis.
“Os consumidores não vão liderar esta mudança e, em última análise, vão votar com as suas carteiras e com os seus estômagos”, antecipa Jonny Forsyth.
Fonte: Grande Consumo
A Península Ibérica é o maior produtor europeu de alimentos e a região tem condições ótimas para investidores institucionais: é política e financeiramente estável, com regulação considerada friendly para quem investe, um clima ameno, perfeito para a produção de culturas de valor acrescentado e tem no regadio um óbvio fator de atratividade.
Portugal e Espanha continuam firmes na liderança da produção de alimentos na Europa, e isso reflete-se no interesse dos investidores, com os volumes totais de transações a crescer 50% em 2025, em comparação com 2024.
A estabilização – ou aumento moderado – dos preços da terra também desempenha um papel determinante neste contexto, apesar do atual clima macroeconómico e geopolítico volátil.
Ambos os países têm previsões de crescimento económico acima de 2%. “O volume de produção e o valor adicionado na produção agrícola, de certa forma o PIB agrícola nestes países, está no ranking 1 e 2 na Europa. São [Portugal e Espanha] os maiores produtores na Europa”, aponta Manuel Albuquerque, Diretor de Agronegócio para o Sul da Europa da CBRE.
O regadio como fator distintivo
A atratividade da Europa é inquestionável: um mercado interno que funciona sem fronteiras, sem tarifas e com uma moeda forte, o euro. Mas o fator distintivo para a Península Ibérica é sem dúvida a água: o sul da Europa dispõe de uma infraestrutura de regadio que, combinada com o clima, lhe dá uma vantagem diferencial com o resto da Europa. A Península Ibérica está entre as regiões europeias com maior área irrigada e os números são claros: cerca de 15 a 20% da terra agrícola utilizável é irrigada em Portugal, Espanha e Itália, um valor que contrasta com os 3 ou 4% de média no resto da Europa.
A garantia de água para poder produzir estes produtos de alto valor, sobretudo nas culturas permanentes, é uma mais-valia para os investidores.
Em Portugal, o Alqueva é um exemplo de referência: “É um benchmark internacional, até mesmo para os espanhóis, porque houve muito investimento espanhol na região. Ter 130 mil hectares regados com segurança hídrica não é obra fácil. É aí que está, sem dúvida, o maior foco do investimento institucional, mas também por uma questão de escala. Se procurarmos ativos ou empresas que tenham uma escala mínima para justificar a entrada de um destes fundos internacionais, estamos a falar em Alqueva”, frisa Manuel Albuquerque.
A esta disponibilidade hídrica juntam-se as condições agronómicas do país, com regiões, e culturas, de grande atratividade, para além do Alentejo. É o caso do Ribatejo, que tem estado a crescer e onde existem cada vez mais transações e investimentos. Mas também o Algarve, que nos últimos anos entrou fortemente no radar dos investidores.
Fonte: Vida Rural
Vermelhos, brilhantes e aparentemente frescos. Escolher uma caixa de morangos no supermercado pode parecer uma tarefa simples, mas há alguns detalhes que podem fazer toda a diferença antes de colocar a fruta no carrinho.
Especialistas em segurança alimentar citados pelo Notícias ao Minuto recomendam prestar atenção não apenas ao aspeto dos morangos que estão por cima da embalagem, mas também ao que se encontra escondido no fundo.
Há, em particular, três verificações que deve fazer antes de comprar morangos, sobretudo porque se trata de uma fruta delicada e altamente perecível.
Comece por olhar para o fundo da embalagem
O primeiro truque é simples e demora apenas alguns segundos: antes de comprar, observe o fundo da caixa de morangos.
Stephanie McCurdy, especialista em agricultura e recursos naturais citada pela Martha Stewart, explica que esta zona da embalagem pode revelar bastante sobre o estado da fruta.
Procure morangos esmagados, líquido acumulado, sinais de bolor ou manchas de humidade.
Estes indícios podem significar que a fruta já ultrapassou o seu melhor estado de frescura e que poderá deteriorar-se mais rapidamente depois de chegar a casa.
Uma embalagem de morangos frescos deverá apresentar-se seca e limpa no fundo, sem líquido proveniente de fruta danificada.
Atenção à humidade e ao bolor
O segundo ponto está diretamente relacionado com a facilidade com que os problemas podem alastrar dentro da embalagem.
Os morangos encontram-se normalmente muito próximos uns dos outros. Por isso, um fruto danificado ou com bolor pode acabar por afetar os restantes.
Jared Hibbard Swanson, especialista em segurança alimentar citado pela mesma publicação, alerta precisamente para o risco associado aos danos nos morangos, que podem facilitar problemas de deterioração.
A humidade excessiva é outro sinal que não deve ser ignorado. Um fundo molhado cria condições favoráveis à deterioração e ao desenvolvimento de microrganismos.
Por isso, mesmo que os morangos que estão por cima pareçam perfeitos, vale a pena virar ligeiramente a embalagem e observar aqueles que estão escondidos.
Não compre morangos com estas cores
Existe ainda um terceiro detalhe particularmente fácil de identificar: a cor.
Ao contrário de algumas frutas que continuam a amadurecer depois de serem colhidas, os morangos não apresentam um amadurecimento significativo após a colheita.
Por esse motivo, os especialistas recomendam evitar frutos que apresentem grandes áreas brancas ou esverdeadas, esperando que fiquem posteriormente vermelhos em casa.
Na altura da compra, deverá privilegiar morangos que apresentem uma coloração vermelha uniforme e brilhante, sem esquecer os restantes sinais de frescura.
Isto não significa, contudo, que qualquer alteração de tonalidade torne automaticamente o fruto impróprio para consumo. A cor deve ser analisada em conjunto com a textura, presença de bolor, danos e humidade.
O truque demora apenas alguns segundos
Assim, antes de levar uma embalagem para casa, existem três passos simples: observar cuidadosamente o fundo, procurar humidade ou bolor e verificar a cor dos frutos.
Uma caixa bonita vista de cima pode esconder morangos esmagados ou deteriorados no fundo, pelo que rodar a embalagem durante alguns segundos pode evitar uma compra que acaba rapidamente no lixo.
Além de permitir escolher fruta em melhores condições, este pequeno cuidado pode ajudar a reduzir o desperdício alimentar e a evitar levar para casa uma embalagem que já apresenta sinais evidentes de deterioração.
Fonte: Postal do Algarve
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) intensifica a fiscalização durante as vindimas, em conjunto com representantes dos Vinhos Verdes e do Douro, nas vinhas, estradas e centros de vinificação para assegurar a autenticidade das uvas.
Fonte da ASAE disse hoje à agência Lusa que as ações conjuntas de fiscalização estão a decorrer no terreno, numa altura em que estão em curso as vindimas nas duas regiões produtoras limítrofes, a Região Demarcada do Douro (RDD) e a Região Demarcada dos Vinhos Verdes.
Em 2025, estas ações conjuntas totalizaram “mais de 250 toneladas de uvas controladas e mais de 130 operadores económicos fiscalizados”.
“Pelo que a ASAE irá manter o acompanhamento e realização de ações de fiscalização, para assegurar o cumprimento da lei em matérias relacionadas com as Denominações de Origem e Indicações Geográficas (DOP e IG) e em defesa do setor vitivinícola nacional, combate à fraude e ao crime económico”, realçou a entidade.
No âmbito do protocolo que mantêm há vários anos, a ASAE, a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) e o Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP) realizaram esta semana uma sessão conjunta de coordenação do controlo e fiscalização da vindima 2026, reforçando a articulação entre as três entidades.
À Lusa, a ASAE disse que “executa com regularidade ações de inspeção e fiscalização direcionadas ao setor vitivinícola, desde o controlo do trânsito das uvas e dos produtos vitivinícolas, à verificação das declarações obrigatórias, ao longo de toda a cadeia, bem como realiza ações de fiscalização em estreita cooperação com entidades do setor”.
No caso da cooperação com a CVRVV e o IVDP, especificou que esta “é focada, desde há mais de meia dezena de anos, em assegurar a rastreabilidade da autenticidade e qualidade das uvas na época das vindimas, incidindo maioritariamente sobre o controlo e fiscalização dos produtos e dos transportes de vinhos e produtos vínicos dentro da Região Demarcada dos Vinhos Verdes e da RDD”.
Disse ainda que o reforço das ações de fiscalização conjuntas durante a época das vindimas se justifica “pelo significativo aumento da atividade económica associada à produção, transformação, armazenamento de produtos vitivinícolas, bem como pela maior circulação de operadores, matérias-primas e produtos”.
“Num período em que a prevenção e deteção de situações de incumprimento, designadamente relacionadas com a origem, rastreabilidade, rotulagem, práticas comerciais e demais requisitos aplicáveis se impõe, esta cooperação interinstitucional permite assegurar uma intervenção mais integrada e eficaz para a proteção dos consumidores e para a promoção de condições de concorrência leal no setor”, referiu.
Nos últimos amos, o reforço da fiscalização tem sido também uma das principais reivindicações dos viticultores do Douro para travar a entrada de uvas e de vinhos de fora da região demarcada.
A vindima de 2026 tem sido de incerteza no Douro, com viticultores a queixarem-se de dificuldades em escoar as uvas e os operadores das quebras nas vendas de vinho.
Fonte: Agroportal
Comércio e indústria alimentar foram responsáveis por 25,4% do investimento publicitário realizado em Portugal nos primeiros seis meses de 2026. Os dois setores mantêm assim um peso significativo no mercado publicitário, segundo dados da MediaMonitor. Indústria alimentar é o segundo setor que mais investe em publicidade.
O comércio foi o setor que mais investiu em publicidade em Portugal entre janeiro e junho de 2026, representando 15,4% do investimento a preços de tabela, ou seja, sem os descontos negociados com os meios. Seguiu-se a indústria da alimentação, com um peso de 10%.
Em conjunto, os dois setores foram responsáveis por 25,4% do investimento publicitário realizado no primeiro semestre, segundo os dados da MediaMonitor, da Marktest.
Mas o peso da publicidade está concentrado num conjunto mais alargado de setores, sendo que ao comércio e à indústria da alimentação se juntam o automóvel, a indústria farmacêutica e a higiene pessoal. No conjunto, os cinco setores representam 51% do montante investido em publicidade entre janeiro e junho.
O comércio manteve a liderança ao longo de todo o semestre, tendo o seu maior share of voice sido registado em maio, quando representou 16,9% do investimento publicitário. Já a indústria da alimentação atingiu o seu valor máximo em março, com um peso de 12,5%.
O setor automóvel, por seu turno, registou a maior quota em fevereiro, com 11,8%, enquanto na indústria farmacêutica, o melhor resultado ocorreu em janeiro, mês em que o setor representou 12,1% do investimento. Já a higiene pessoal atingiu o seu máximo em maio, com 7,7%.
Os dados mostram, assim, uma forte concentração do investimento publicitário em cinco áreas de atividade: comércio, alimentação, automóvel, indústria farmacêutica e higiene pessoal. Só os dois setores que lideram o ranking – comércio e alimentação – representam já mais de um quarto do investimento realizado no primeiro semestre.
A análise foi realizada pela MediaMonitor através da ferramenta Yumianalytics/Admonitor Web, considerando o período entre 1 de janeiro e 30 de junho de 2026 e os investimentos a preços de tabela nos meios televisão, rádio, imprensa, outdoor, internet e cinema.
Fonte: sapo.pt
A utilização da sequenciação do genoma completo na investigação de surtos de origem alimentar está a entrar numa nova fase na União Europeia, com novas regras para a recolha e partilha de dados sobre agentes patogénicos. A implementação desta tecnologia esteve em análise numa conferência promovida pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), nos dias 2 e 3 de setembro, em Roma.
A sequenciação do genoma completo, conhecida pela sigla WGS, permite estabelecer relações entre agentes patogénicos identificados em seres humanos, alimentos, animais, alimentos para animais e ambientes relacionados. A comparação destes dados permite identificar a origem de um surto e determinar os lotes ou remessas envolvidos, quando conjugada com a informação obtida nas investigações epidemiológicas.
Desde 2020, a União Europeia tem vindo a reforçar a utilização desta tecnologia na vigilância de agentes patogénicos transmitidos pelos alimentos e na investigação de surtos. Entre os avanços identificados pela EFSA estão o reforço das capacidades laboratoriais dos Estados-Membros e a criação do sistema conjunto One Health WGS da EFSA e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), operacional desde 2022.
O Regulamento de Execução UE 2025/179, aplicável desde 23 de agosto de 2026, reforçou este enquadramento. As novas regras abrangem Salmonella enterica, Listeria monocytogenes, Escherichia coli, Campylobacter jejuni e Campylobacter coli quando estejam associados ou exista suspeita de associação a um surto de origem alimentar. Nestas situações, as autoridades competentes devem realizar a sequenciação do genoma completo dos isolados abrangidos e transmitir os resultados à EFSA.
O regulamento prevê também a participação dos operadores das empresas do setor alimentar e dos alimentos para animais. Quando disponham dos isolados abrangidos e de resultados de WGS provenientes das suas próprias investigações, devem facultá-los à autoridade competente, quando solicitados e quando estejam associados ou exista suspeita de associação a um surto.
A conferência da EFSA centrou-se na aplicação prática do novo enquadramento, incluindo os requisitos técnicos e regulamentares para a geração e partilha de dados WGS. O encontro abordou também o papel da indústria alimentar enquanto detentora destes dados, a colaboração com as autoridades competentes e os desafios associados à implementação das novas regras.
Fonte: TecnoAlimentar
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou, ontem, na Região do Algarve, uma operação conjunta com a Marinha Portuguesa - Página Oficial e a Autoridade Marítima Nacional, através das suas Unidades - Unidade Regional do Sul e a Unidade Nacional de Informações e Investigação Criminal, dirigida à verificação das condições de preparação, transformação e acondicionamento de pescado em navios-fábrica de arrasto que se encontravam a operar em alto mar.
Foram fiscalizadas nove embarcações de pesca profissional, tendo sido instaurados dois processos de contraordenação relacionados com a falta de requisitos de higiene. Durante as ações de fiscalização, foram verificadas as regras legais de licenciamento, as condições de laboração e organização dos espaços de processamento, a conservação e armazenamento dos produtos nas unidades de frio existentes a bordo, bem como o material utilizado no manuseamento de pescado e crustáceos. Foi ainda verificado o estado geral das embarcações bem como a formação dos operadores, assim como a implementação de sistemas de autocontrolo baseados nos princípios do HACCP.
A operação mobilizou doze inspetores da ASAE e contou com a participação de onze militares da Marinha Portuguesa e cinco agentes da Polícia Marítima, num esforço conjunto que reforça a cooperação entre entidades e a capacidade de atuação coordenada em matéria de fiscalização da atividade das pescas.
Fonte: ASAE
Um projeto que combina gémeos digitais e inteligência artificial generativa está a ser testado para identificar, diagnosticar e apoiar a resolução de problemas de produção em tempo real na indústria alimentar. O piloto está a decorrer numa unidade da Kilcoy Global Foods, na Austrália, e apresenta já os primeiros resultados.
O projeto resulta de uma colaboração entre a Kilcoy Global Foods, a RMIT University e a Food Agility CRC e está a ser desenvolvido na unidade da empresa em Kilcoy, no estado australiano de Queensland, que opera 24 horas por dia.
A solução combina uma série de gémeos digitais com agentes de inteligência artificial (IA) generativa que têm acesso a dados adicionais sobre a operação. A tecnologia permite detetar anomalias e emitir alertas antecipados, procurando criar condições para que potenciais problemas sejam tratados antes de se tornarem críticos.
Um dos desafios abordados pelo projeto é o elevado número de alertas que pode resultar da monitorização de uma unidade industrial com múltiplos sistemas e sensores. Para evitar a sobrecarga das equipas, um agente de IA generativa recebe e faz a triagem das ocorrências detetadas, determinando quais exigem supervisão humana imediata e quais podem ser encaminhadas posteriormente para a gestão.
Para interpretar os sinais no respetivo contexto operacional, a equipa de investigação recorreu a ontologias, grafos de conhecimento e técnicas de geração aumentada por recuperação, RAG. Desta forma, os dados recolhidos podem ser relacionados com informação sobre o processo, o produto e a própria unidade industrial.
Segundo Jiah Falcke, presidente da Kilcoy Global Foods, os gémeos digitais permitem identificar situações em que os equipamentos não estão a funcionar como previsto, enquanto a IA comunica diretamente com as equipas e as orienta na resolução dos problemas. A empresa considera que esta abordagem permite acelerar a resposta e reduzir a repetição de ocorrências.
O piloto encontra-se em fase de investigação e aprendizagem há 18 meses. De acordo com a Food Agility CRC, a Kilcoy Global Foods está já a avaliar a integração da tecnologia na sua infraestrutura tecnológica empresarial.
Fonte: TecnoAlimentar
O projeto europeu CRISP está a desenvolver uma proteção comestível de origem vegetal destinada a prolongar a vida útil de frutas e hortícolas após a colheita. As formulações já foram reproduzidas à escala piloto e submetidas a ensaios iniciais em equipamentos à escala industrial.
A solução é desenvolvida a partir de óleo de colza e óleo de aveia sem glúten e não contém aditivos. Segundo a informação divulgada no CORDIS, a proteção é invisível, inodora e insípida e foi concebida para ser aplicada após a colheita e integrada nos atuais circuitos de distribuição.
Segundo o projeto, a proteção pode prolongar entre três e quatro vezes a vida útil dos produtos relativamente aos não protegidos. No caso da curgete, uma formulação desenvolvida especificamente para este produto permitiu triplicar a vida útil.
O projeto está também a trabalhar em formulações destinadas a banana, pimento e beringela. Ensaios sensoriais realizados pela Universidade de Lund não identificaram efeitos negativos no sabor dos três produtos, tendo sido observada uma preservação significativa da qualidade visual da banana e do pimento após sete dias.
Além das formulações, o CRISP está a desenvolver o equipamento necessário para a aplicação da proteção em maior escala. A segunda geração da máquina já foi concluída, incorporando melhorias ao nível da capacidade, adaptação à altura dos produtos e saída automatizada. Está previsto, para este mês, um ensaio de produção em grande escala, estando também prevista a validação da nova máquina em diferentes produtos e ambientes de produção.
Coordenado pela empresa sueca Saveggy AB, o projeto decorre até maio de 2027 e conta com uma contribuição da União Europeia de cerca de 2,18 milhões de euros através do Conselho Europeu de Inovação. Entre os próximos passos está a realização de pilotos comerciais com parceiros da indústria.
Fonte: TecnoAlimentar
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