Os alimentos e as bebidas continuam a dominar o mercado europeu das embalagens. Em 2024, estes setores representaram 97% de todas as embalagens colocadas no mercado nos 19 Estados-Membros analisados pelo Joint Research Centre (JRC) da Comissão Europeia, que abrangem mais de 97% da população da União Europeia.
O estudo conclui igualmente que, entre 2011 e 2025, o plástico foi o único material de embalagem a registar um crescimento contínuo, aumentando 11% em termos absolutos, enquanto a quantidade total de embalagens permaneceu relativamente estável.
Segundo o relatório, foram colocadas no mercado 42,8 milhões de toneladas de embalagens em 2024, o equivalente a cerca de 98 quilogramas por habitante. O vidro representa a maior parte desta massa, com 32,3 milhões de toneladas, seguido do plástico (5,9 milhões de toneladas), dos metais (2,3 milhões de toneladas), do papel e cartão, incluindo embalagens para líquidos (2,1 milhões de toneladas), e dos materiais compósitos, que representam uma parcela residual.
O predomínio do vidro resulta sobretudo da sua maior densidade e não necessariamente de uma utilização mais frequente. Além disso, o estudo considera tanto embalagens de utilização única como reutilizáveis, particularmente relevantes no caso das garrafas de vidro, cuja utilização continua a ser significativa em vários países europeus.
Bebidas concentram grande parte das embalagens
A análise identifica ainda os produtos que mais contribuem para cada material de embalagem. As bebidas alcoólicas, sobretudo cerveja e vinho, são responsáveis pela maior parte das embalagens de vidro colocadas no mercado. Já nas embalagens plásticas, destacam-se a água engarrafada, os refrigerantes gaseificados e os produtos lácteos, enquanto o leite assume um peso determinante nas embalagens de cartão para líquidos. No caso das embalagens metálicas, a cerveja lidera tanto nas embalagens de alumínio como nas de aço.
No que respeita ao plástico, a quantidade colocada no mercado atingiu 5,9 milhões de toneladas em 2024, correspondendo a uma média de quase 14 quilogramas por habitante nos 19 países analisados. Entre 2011 e 2025, este volume aumentou de 5,4 para 5,9 milhões de toneladas, sendo o crescimento impulsionado sobretudo pelo polietileno tereftalato (PET), material amplamente utilizado em garrafas de água, refrigerantes e outras bebidas.
Portugal acompanha a média europeia
Em Portugal, o PET representa 56,9% das embalagens plásticas utilizadas em alimentos e bebidas, o que coincide com o valor da mediana dos 19 Estados-Membros analisados e ligeiramente acima da média europeia, de 55%. O polipropileno (PP) corresponde a 35%, enquanto o polietileno de alta densidade (HDPE) representa 6,8%.
As diferenças entre países são, contudo, significativas. A Roménia apresenta a maior proporção de PET nas embalagens alimentares e de bebidas (74,4%), enquanto a Suécia regista a mais baixa (29,5%). Em sentido inverso, a Suécia lidera na utilização de PP (65,1%), ao passo que a Roménia apresenta a menor percentagem deste polímero (23,2%). Segundo os autores, esta distribuição reflete sobretudo o tipo de produtos embalados, uma vez que o PET está maioritariamente associado às bebidas, enquanto o PP é utilizado numa gama mais diversificada de produtos alimentares.
Também a quantidade de embalagens plásticas por habitante varia consideravelmente. Em 2024, a Alemanha registou o valor mais elevado, com 15,6 quilogramas por pessoa, enquanto a Suécia apresentou apenas 8 quilogramas, bastante abaixo da média dos países analisados. O peso da água engarrafada ajuda a explicar parte destas diferenças: em Itália representa 46% das embalagens plásticas colocadas no mercado, ao passo que na Suécia essa proporção se limita a 6%.
Mudanças de materiais continuam limitadas
Apesar do debate crescente em torno da substituição de materiais de embalagem, o estudo identificou apenas sete casos de alterações significativas entre 2011 e 2025, envolvendo produtos como leite, água engarrafada e sumos. Entre os exemplos encontram-se a substituição parcial do vidro por PET nas garrafas de água em Itália e a tendência inversa na Bulgária. Ainda assim, os investigadores alertam que estas mudanças nem sempre resultam de decisões de substituição de materiais, podendo refletir alterações nos padrões de consumo ou na composição das vendas.
O modelo desenvolvido pelo JRC destina-se a apoiar os Estados-Membros na estimativa das embalagens colocadas no mercado e na comunicação das quantidades de resíduos de embalagens, constituindo uma ferramenta de suporte à aplicação do Regulamento relativo às Embalagens e Resíduos de Embalagens e à monitorização da evolução do mercado europeu.
Fonte: iAlimentar
A Comissão Europeia publicou ontem um novo relatório sobre a aplicação das regras de concorrência no sector agrícola, concluindo que o atual enquadramento europeu tem contribuído para reforçar o poder negocial dos agricultores, promover mercados agroalimentares mais justos e resilientes e assegurar benefícios para os consumidores.
O documento, que analisa o período entre julho de 2017 e julho de 2025, destaca que a legislação da União Europeia permite aos agricultores cooperar em diversas áreas, como o planeamento da produção, a gestão da oferta e a negociação coletiva através de organizações de produtores, sem infringir as regras da concorrência.
Segundo a Comissão, estas exceções reconhecem as especificidades do sector agrícola e ajudam os produtores a responder de forma mais eficaz aos desafios do mercado, incluindo iniciativas conjuntas para atingir padrões de sustentabilidade superiores aos exigidos pela legislação europeia ou nacional.
Apesar destas possibilidades, Bruxelas considera que o potencial das regras continua subaproveitado. O relatório conclui que uma maior adesão às organizações de produtores e a outras formas de cooperação permitiria aumentar a capacidade negocial dos agricultores e melhorar a sua posição na cadeia agroalimentar.
O documento evidencia igualmente o papel da fiscalização das regras da concorrência. Entre julho de 2017 e julho de 2025, a Comissão Europeia e as autoridades nacionais da concorrência concluíram cerca de 110 investigações relacionadas com o sector agrícola.
As ações incidiram sobretudo sobre práticas anti concorrenciais, como acordos entre compradores para coordenar preços ou quantidades, reduzindo o poder de negociação dos produtores, bem como situações de cartel e manipulação de preços em produtos como os lacticínios. Em alguns casos, as empresas foram obrigadas a alterar comportamentos ou sujeitas ao pagamento de coimas.
Os agricultores foram, segundo o relatório, a principal origem das denúncias apresentadas às autoridades da concorrência.
A Comissão destaca ainda que acompanhou iniciativas coletivas ligadas à sustentabilidade, prestando orientação para garantir que estas respeitam o quadro legal europeu.
O relatório sublinha que as regras da concorrência, articuladas com a Organização Comum dos Mercados Agrícolas e com a Política Agrícola Comum (PAC), continuam a desempenhar um papel central na criação de uma cadeia agroalimentar mais equilibrada, protegendo simultaneamente agricultores, empresas e consumidores.
Fonte: Grande Consumo
Financiado pela União Europeia através do programa Horizon 2020, o projeto reuniu 25 parceiros de 12 países, incluindo a Universidade Católica Portuguesa (UCP), com o objetivo de preservar e promover a utilização sustentável dos recursos genéticos de quatro leguminosas alimentares fundamentais: grão-de-bico, feijão comum, lentilha e tremocilha (lupino).
O projeto europeu INCREASE – Intelligent Collections of Food Legumes Genetic Resources for European Agrofood Systems – chegou ao fim após seis anos de trabalho, deixando um legado “significativo” para a conservação da biodiversidade agrícola e para o desenvolvimento de sistemas alimentares mais sustentáveis. Um dos principais resultados: o INCREASE Web Portal, uma plataforma de acesso aberto que reúne dados de passaporte, fenotípicos e genómicos, sobre os recursos genéticos das leguminosas alimentares, foi divulgado em comunicado.
Segundo a mesma fonte, financiado pela União Europeia através do programa Horizon 2020, o projeto reuniu 25 parceiros de 12 países, incluindo a Universidade Católica Portuguesa (UCP), com o objetivo de preservar e promover a utilização sustentável dos recursos genéticos de quatro leguminosas alimentares fundamentais: grão-de-bico, feijão comum, lentilha e tremocilha (lupino).
A Universidade Católica Portuguesa participou no consórcio através do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Escola Superior de Biotecnologia. No âmbito do projeto, a equipa de investigadores caracterizou cerca de 1.300 amostras de feijão comum cultivadas em Espanha, Itália e Polónia ao longo de dois anos. As análises incluíram a avaliação do teor de proteína, compostos fenólicos, minerais essenciais, hidratos de carbono, óleo e humidade, contribuindo para o conhecimento da qualidade nutricional destas variedades e para o estudo das interações entre genótipo e ambiente.
“Um dos aspetos mais inspiradores do INCREASE foi a capacidade de envolver milhares de cidadãos na conservação da agrodiversidade europeia. Este projeto mostrou que a ciência participativa pode desempenhar um papel determinante na valorização dos recursos genéticos e na sensibilização da sociedade para a importância das leguminosas na alimentação e na sustentabilidade agrícola,” referiu Marta Vasconcelos, investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa e coordenadora do projeto em Portugal.
O projeto destacou-se pela sua forte componente de ciência cidadã. Através de uma aplicação móvel desenvolvida no âmbito da iniciativa, mais de 27 mil cidadãos europeus participaram na avaliação e conservação de variedades de feijão comum, cultivando plantas em jardins, escolas e espaços urbanos e partilhando observações com a comunidade científica.
Este modelo foi possível graças a um enquadramento legal, incluindo o Standard Material Transfer Agreement (SMTA) para a troca rastreável de sementes, no âmbito do Tratado Internacional sobre os Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura da FAO. Esta experiência foi distinguida com o Prémio da União Europeia para a Cidadania e Ciência, tornando-se uma referência internacional na promoção da participação pública na investigação científica.
Outro resultado em destaque foi a criação das chamadas “Coleções Inteligentes”, subconjuntos cuidadosamente selecionados de recursos genéticos que representam, de forma eficiente, a diversidade existente nos bancos de genes. Estas coleções combinam diversidade genética representativa, dados fenotípicos harmonizados (características observáveis das plantas) e informação genómica de alta resolução.
“Para o feijão comum, por exemplo, foram geradas cerca de 8.000 linhas geneticamente estáveis, apoiadas por sequenciação genómica extensiva e ensaios de campo em múltiplos locais europeus,” esclareceu Marta Vasconcelos. No caso do lupino, trata-se da caracterização mais completa alguma vez realizada para esta cultura. Estes recursos permitem aos investigadores identificar, de forma muito mais eficiente, características genéticas importantes e desenvolver novas variedades adaptadas às condições ambientais em constante mudança.
Utilizando tecnologias avançadas de genómica e “ómicas”, o INCREASE identificou também regiões genéticas importantes em várias leguminosas. No grão-de-bico, regiões associadas à tolerância à seca, na lentilha, genes que ajudam as plantas a adaptarem-se a condições de altitude, no feijão comum, genes que conferem resistência a doenças. Combinando estes dados com novos métodos estatísticos, os cientistas conseguem agora identificar genes cujos efeitos dependem do ambiente em que a planta cresce. Esta informação alimenta modelos preditivos que permitem determinar quais as variedades mais adequadas a cada contexto, hoje e no futuro, face às alterações climáticas.
Embora o projeto tenha terminado em abril de 2026, os recursos genéticos, os dados científicos e as ferramentas desenvolvidas permanecerão disponíveis para investigadores, agricultores, melhoradores de plantas e bancos de genes em toda a Europa. A continuidade da comunidade criada em torno da iniciativa será assegurada pela associação Diversitas, criada para dar seguimento às atividades de conservação descentralizada e investigação participativa iniciadas pelo projeto.
Fonte: sapo.pt
O relatório anual de 2025 da Rede de Alerta e Cooperação (ACN – Alert and Cooperation Network), da Comissão Europeia, divulgado na passada 6ª feira (26 de junho de 2026), merece ser lido com atenção pelo setor.
Numa primeira leitura, parece (e é…) um documento muito técnico sobre notificações, alertas e incumprimentos. Mas a mensagem que transmite é fundamental. Mostra como a Europa protege os consumidores, preserva a confiança na cadeia alimentar e transforma informação em ação coordenada.
Em 2025, esta rede ultrapassou as 10 000 notificações. Foi um aumento de 11% face ao ano anterior. À primeira vista, ter mais notificações parece um péssimo sinal, mas é exatamente o contrário. Um sistema que deteta mais, comunica melhor e permite agir mais depressa. Riscos alimentares vão sempre existir, pelo que a segurança alimentar também se mede pela capacidade de identificar esses mesmos riscos, de os “rastrear” e de os corrigir, ou eliminar, antes que ganhem escala.
E essa é a grande conclusão do relatório.
A União Europeia dispõe hoje de uma arquitetura de vigilância que combina regras comuns, autoridades nacionais, coordenação europeia, apoio científico e ferramentas digitais. Por isso, quando se diz que a Europa é “provavelmente” o bloco comercial mais seguro do mundo em matéria alimentar, essa afirmação não deve ser vista como retórica. É uma verdade fundamental para todos os europeus.
No relatório é apresentado o caso da contaminação por cereulide em alimentos para lactantes. Foi uma situação complexa, com impacto potencial em mais de 60 países, que foi identificada, acompanhada e rastreada até uma matéria-prima específica. O risco não desapareceu por acaso. Foi tratado porque existia um sistema preparado para detetar sinais e agir com rapidez.
O relatório também mostra que os riscos alimentares são reais, muito diversos e, cada vez, mais globais. Podem estar associados a microrganismos, a resíduos de pesticidas, a micotoxinas, a fraudes documentais, à rastreabilidade ou ao comércio digital. Mas também mostra que a Europa tem instrumentos para enfrentá-los.
Esta leitura é particularmente importante quando se discutem ou se estabelecem acordos comerciais com outros blocos, como o recente acordo com o Mercosul. O debate não pode ficar preso a uma escolha entre abrir ou fechar mercados. A verdadeira questão é saber se a União Europeia consegue garantir que os produtos que entram no seu mercado cumprem regras compatíveis com a proteção dos consumidores, a concorrência leal e a confiança dos cidadãos.
O relatório ajuda a dar uma resposta mais objetiva.
Sim, os acordos comerciais aumentam a importância dos controlos. E, sim, estes acordos podem trazer riscos acrescidos se não forem acompanhados por fiscalização robusta.
Mas a União Europeia tem mecanismos para detetar incumprimentos, reforçar controlos sobre origens ou produtos de maior risco, comunicar entre Estados-Membros e retirar produtos do mercado sempre que necessário.
Por isso, sistemas como a Rede de Alerta e Cooperação, como o RASFF (Sistema Europeu de Alerta Rápido para Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais) e como o TraceMap (ferramenta lançada pela Comissão Europeia para reforçar a rastreabilidade e identificar mais rapidamente ligações entre notificações, produtos, operadores e cadeias de abastecimento) devem ser vistos como infraestruturas essenciais da política comercial europeia. Não é burocracia. É a rede de segurança que permite compatibilizar comércio internacional com elevados padrões sanitários, ambientais e de proteção dos consumidores. Quanto mais aberta for a Europa ao mundo, mais forte terá de ser esta rede.
Esta conclusão liga-se diretamente ao futuro da PAC (Política Agrícola Comum). A PAC não pode ser vista apenas como uma política de apoio ao rendimento dos agricultores.
Esse objetivo continua a ser muito relevante, mas já não chega para explicar o seu valor estratégico. A PAC é também uma política de segurança alimentar, resiliência territorial e autonomia estratégica europeia.
Uma Europa que mantém capacidade produtiva, agricultores ativos, territórios rurais vivos e cadeias próximas dos consumidores é menos vulnerável. A aposta na produção europeia não elimina a necessidade de importar, nem deve ser usada como argumento contra o comércio, mas reduz dependências excessivas e confere legitimidade à União Europeia para exigir padrões elevados aos seus parceiros.
A Europa precisa de comércio, de acordos com outros blocos e de capacidade para competir no mundo. Mas precisa também de agricultores, regras exigentes, controlos eficazes e instituições capazes de agir depressa. A segurança alimentar europeia resulta desta combinação.
Num momento em que se discute o financiamento futuro da PAC, este argumento deve ganhar centralidade. Cortar ou fragilizar a PAC seria colocar a segurança alimentar em causa.
É por isso que a PAC, a vigilância sanitária e a política comercial devem ser pensadas em conjunto.
Fonte: Agroportal
Estudo publicado na Nature Food apresenta uma nova base global de dietas que combina dados da FAO, estudos alimentares e estimativas energéticas para avaliar impactos na saúde, no ambiente e na economia.
Medir o que as pessoas comem parece uma tarefa simples, mas é uma das questões mais difíceis quando o assunto é saúde pública, clima e segurança alimentar. Uma nova base global tenta reduzir esta incerteza ao combinar diferentes fontes de informação sobre consumo, disponibilidade de alimentos e necessidades energéticas da população.
O estudo foi desenvolvido por Marco Springmann, investigador associado da University College London e da University of Oxford, e publicado na revista Nature Food. A base recebeu o nome de Global Dietary Database for Impact Assessments, ou GDD-IA, e reúne estimativas de ingestão alimentar para 43 grupos de alimentos, por país, idade, sexo e residência urbana ou rural, entre 1990 e 2020.
Porque é tão difícil saber o que o mundo realmente come?
Muitos estudos globais usam dados de disponibilidade alimentar, como os balanços da FAO. Eles mostram quanto alimento existe num país, considerando produção, importações, exportações e outros usos. O problema é que esses números não representam exatamente o que as pessoas comem. Parte dos alimentos perde-se no transporte, no retalho ou dentro das casas.
Outra fonte comum são os estudos alimentares, nos quais as pessoas relatam o que consumiram. Ajudam a entender diferenças entre grupos sociais, mas também têm falhas conhecidas: erro de memória, dificuldade em estimar porções e tendência a declarar uma dieta mais “saudável” ou socialmente aceite do que a real.
Uma base que junta várias peças
A GDD-IA tenta equilibrar estas limitações. Primeiro, usa dados de disponibilidade alimentar da FAO. Depois, desconta estimativas de desperdício no retalho e nos domicílios. Em seguida, ajusta o total consumido com base em estimativas de ingestão energética derivadas de peso, altura e atividade física.
Este ajuste é importante porque evita valores biologicamente improváveis. Se uma base indica que uma população consome calorias demais ou de menos em relação ao seu perfil físico e nível de atividade, isso pode distorcer avaliações sobre saúde, emissões, uso da terra e custo alimentar.
A nova base pode ser usada para:
O que os dados mostram sobre a dieta global?
Segundo o estudo, em 2020 a dieta média global incluía grande participação de grãos, açúcar, vegetais e óleos vegetais. A ingestão energética média estimada ficou próxima de 2.173 quilocalorias por pessoa por dia, com diferenças importantes entre regiões, faixas etárias, sexo e áreas urbanas ou rurais.
Entre 2010 e 2020, o consumo global aumentou para vários grupos alimentares, como nozes e sementes, aves, ovos, peixes, frutas, leguminosas e óleos. Já açúcar e carne vermelha apresentaram leve queda. Em países de baixo rendimento, os aumentos foram mais amplos, refletindo mudanças no acesso a alimentos e na transição alimentar.
Porque é que isto importa para a saúde, o clima e a economia?
A principal contribuição da GDD-IA é permitir avaliações mais realistas. O estudo mostra que a escolha da base de dados muda os resultados sobre mortes atribuíveis à dieta, uso de terras agrícolas e custo das dietas. Ou seja, uma estimativa má do consumo pode levar a diagnósticos equivocados.
Portugal emitiu a notificação RASFF 2026.6068 após a deteção de ocratoxina A acima dos limites legais em figos secos com farinha de arroz, um produto de origem espanhola destinado ao consumo humano. A análise foi realizada no âmbito de controlos oficiais, tendo revelado concentrações da micotoxina que ultrapassam os valores máximos permitidos pela legislação europeia.
A ocratoxina A é uma micotoxina produzida por fungos dos géneros Aspergillus e Penicillium, frequentemente associada a produtos secos e armazenados. Entre os seus efeitos adversos destacam‑se:
A presença desta substância em figos secos é considerada particularmente crítica, dado o consumo regular deste tipo de produto e o risco de acumulação no organismo.
A deteção ocorreu durante inspeções de rotina realizadas pelas autoridades portuguesas, que procederam à recolha de amostras e subsequente análise laboratorial. Após a confirmação do resultado, Portugal ativou o mecanismo de comunicação rápida do RASFF, classificando o caso como alerta, o que indica potencial circulação do produto no mercado.
As autoridades portuguesas desencadearam ações imediatas de gestão do risco, incluindo:
Estas medidas visam impedir a exposição dos consumidores à micotoxina e garantir a contenção rápida do risco.
O caso evidencia a eficácia do Sistema de Alerta Rápido para Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais, que permite uma resposta coordenada e imediata entre os países da União Europeia. A notificação 2026.6068 reforça a necessidade de vigilância contínua sobre produtos importados e o papel central dos controlos oficiais na proteção da saúde pública.
A notificação emitida por Portugal destaca um problema de segurança alimentar relacionado com ocratoxina A em figos secos provenientes de Espanha. As medidas já adotadas procuram mitigar o risco e evitar a circulação de produtos contaminados, garantindo a proteção dos consumidores.
Fonte: Qualfood
A primeira pedra da dessalinizadora que está a ser construída no concelho de Albufeira foi lançada no passado dia 8 de julho pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.
De acordo com o comunicado de imprensa, a infraestrutura vai converter água do mar em água potável, com uma capacidade inicial de 16 milhões de metros cúbicos por ano. Posteriormente, poderá atingir os 24 milhões de metros cúbicos anuais.
A obra foi adjudicada por 107,92 milhões de euros ao consórcio luso-espanhol formado pela Aquapor e pelo grupo GS Inima. Do valor total, 56 milhões de euros são financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência.
Maria da Graça Carvalho anunciou a criação de uma comissão de acompanhamento da empreitada, que integra os presidentes das câmaras municipais de Albufeira e de Loulé, representantes das associações de pescadores, juntas de freguesia e outras entidades.
A comissão acompanhará o desenvolvimento das obras e a execução “das medidas de mitigação ambiental, incluindo a monitorização da conduta destinada à dispersão da salmoura”, uma das preocupações manifestadas pela autarquia de Albufeira.
No mesmo dia, a ministra inaugurou também a Estação de Água para Reutilização de Vilamoura, em Loulé, que reconverte águas residuais para uso na rega de jardins, campos de golfe e na agricultura.
Maria da Graça Carvalho destacou que a estação “já tem uma série de contratos, alguns até foram assinados”. A governante acrescentou que será desenvolvido um projeto-piloto para utilização da água reutilizada na agricultura, considerando este passo “um grande avanço”.
Segundo a ministra, a água produzida pela estação também “está preparada para consumo humano”, embora essa utilização “não seja necessária neste momento”.
Fonte: Vida Rural
O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) está a estudar a resistência térmica e acústica da lã de ovelha para isolamento na construção civil, permitindo dar uso às mais de 10 mil toneladas desta fibra natural que não é escoada.
Segundo adiantou hoje o IPB, a investigação científica, que está a ser desenvolvida pelo Grupo de Investigação em Construção Sustentável, pretende testar o nível de resistência térmica deste subproduto, nomeadamente a sua condutividade em várias temperaturas como, por exemplo, em caso de incêndio.
Segundo o investigador Luís Mesquita, a reação da lã de ovelha à temperatura mais elevada é de “carbonização”, criando um “camada” à superfície, o que permite “proteger o seu interior”, ou seja, pouco inflamável, dificultando a propagação do fogo.
“Nós temos que garantir que qualquer produto na construção se mantém seguro durante toda a vida de um edifício e claro que há sempre uma ação acidental, por exemplo um incêndio, para a qual o edifício e os produtos têm de estar preparados e garantir não só resistência ao fogo mas a reação ao fogo”, sublinhou.
O projeto de investigação, que começou há poucos meses e que tem a duração de três anos, encontra outras alternativas às funcionalidades da lã, que antigamente era procurada pela indústria têxtil e agora é acumulada, ano após ano, pelos pastores, após as tosquias, porque deixou de ser vendida ou recolhida.
No ano passado, foram colhidas 11 mil toneladas de lã em todo o país.
Na região, chegou a existir uma lavadoura no Cachão, concelho de Mirandela, mas encerrou, tal como todas as outras no resto do país. Atualmente já não existem fábricas lavadouras deste subproduto da ovelha.
Agora a solução passa por aproveitar esta fibra natural para a construção civil.
De acordo com o investigador, nos sistemas construtivos em madeira, o isolamento interno é feito muitas vezes com lã de rocha ou painel XPS. Mas graças à investigação do IPB, foi possível perceber que a lã de ovelha “oferece a mesma resistência térmica, o mesmo isolamento térmico que os outros materiais alternativos”.
“Valores [de resistência] muito, muito próximos [aos dos outros materiais] e aqui estamos a falar de algo que é uma fibra natural. Temos [lã] dos criadores da região, mas também de todo o país, porque todo o país atravessa exatamente as mesmas dificuldades de escoamento deste produto”, disse.
Além de ser uma mais-valia para os pastores, que assim escoam este subproduto, para a construção civil esta pode também ser uma alternativa mais rentável.
“A lã de rocha também é natural, mas é preciso gastar muita energia elétrica para produzir os painéis. Enquanto a lã de ovelha é algo que vamos ter todos os anos de uma forma disponível, porque todas ovelhas têm de ser tosquiadas”, frisou Luís Mesquita.
Depois de ser estudado o “valor ótimo entre a densidade desse sistema de isolamento e a resistência térmica”, no final do projeto o Grupo de Investigação em Construção Sustentável espera que esta alternativa seja certificada e chegue ao mercado.
“Os construtores podem ver este produto, assim que ele ficar disponível no mercado, como uma solução alternativa aos outros produtos que já existem”, vincou.
O projeto tem como parceiro, além das empresas, a Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Raça Churra Galega Bragançana.
Fonte: Agroportal
A Comissão Europeia autorizou a colocação no mercado da União Europeia de dois novos alimentos, na sequência dos pareceres científicos favoráveis da EFSA sobre a sua segurança:
As autorizações foram formalizadas através dos Regulamentos de Execução (UE) 2026/1427 e (UE) 2026/1507, que alteram o Regulamento de Execução (UE) 2017/2470, relativo à Lista da União de novos alimentos.
Mantenha-se informado e consulte os novos regulamentos:
Regulamento de Execução (UE) 2026/1427 da Comissão, de 2 de julho de 2026, que autoriza a colocação no mercado de hidrolisado de membrana de ovo (produzido enzimaticamente) como novo alimento e altera o Regulamento de Execução (UE) 2017/2470.
Regulamento de Execução (UE) 2026/1507 da Comissão, de 3 de julho de 2026, que autoriza a colocação no mercado de micélio de Rhizomucor pusillus como novo alimento e altera o Regulamento de Execução (UE) 2017/2470.
Fonte: DGAV
O Dia Mundial da Pizza, celebrado anualmente a 10 de julho, volta a colocar no centro das atenções um dos alimentos mais populares do planeta — símbolo de partilha, conforto e inovação gastronómica. De Nápoles para o mundo, a pizza tornou‑se um fenómeno cultural e económico que atravessa fronteiras, adapta-se a gostos locais e movimenta milhares de milhões de euros por ano.
Uma história que continua a reinventar-se
A origem remonta às tradições napolitanas do século XVIII, mas a expansão global transformou a pizza num produto universal. Hoje, é possível encontrar versões artesanais de fermentação lenta, propostas gourmet com ingredientes de denominação protegida, opções vegan e sem glúten, além das clássicas que continuam a dominar preferências.
Consumo em alta e novas tendências
O mercado internacional da pizza mantém crescimento constante, impulsionado por três fatores principais:
Portugal celebra com criatividade
Em Portugal, pizzarias artesanais e cadeias nacionais aproveitam a data para lançar edições especiais, reforçar campanhas digitais e destacar ingredientes locais como azeite, queijos regionais, enchidos tradicionais ou vegetais de produção sustentável. O setor da restauração vê no Dia Mundial da Pizza uma oportunidade para dinamizar vendas num período de forte concorrência e elevada procura turística.
Segurança alimentar e qualidade: pilares essenciais
Com o aumento do consumo e da oferta, cresce também a atenção à segurança alimentar, desde o controlo microbiológico das massas até à rastreabilidade dos ingredientes frescos. Organizações especializadas reforçam recomendações sobre boas práticas de higiene, conservação e manipulação, garantindo que a celebração chega à mesa com qualidade e confiança.
Uma data que une tradição e futuro
O Dia Mundial da Pizza é mais do que uma homenagem gastronómica: é um retrato da evolução dos hábitos de consumo, da criatividade culinária e da capacidade de um produto simples se transformar num fenómeno global. Entre receitas clássicas e novas tendências, a pizza continua a ser um dos alimentos mais democráticos e celebrados do mundo.
Fonte: Qualfood
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