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É o autêntico efeito dominó: a perturbação na indústria de fertilizantes, desencadeada com o fecho do Estreito de Ormuz (por onde passam 35% do comércio global destes produtos), fará com os preços dos alimentos subam. Morningstar DBRS alerta para consequências de “grande alcance”.

O conflito com o Irão e o consequente fecho do Estreito de Ormuz pode provocar consequências de “grande alcance” para a indústria de fertilizantes, de acordo com análise da Morningstar DBRS, revelada esta quarta-feira.

Para estes especialistas, os acontecimentos desencadeados no passado sábado já estão a ter um “efeito dominó” nas cadeias de abastecimento globais” e caso a situação persista, a indústria de fertilizantes “poderá ser significativamente afetada” devido à perturbação regional na produção e ao envio de amoníaco e azoto, elementos-chave em muitos produtos fertilizantes.

Destaca este relatório que cerca de 25% a 35% do comércio global de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz e que o seu encerramento “irá perturbar a cadeia global de abastecimento e poderá aumentar os custos de produção de fertilizantes”.

Para a DBRS, os produtores da América do Norte e da Rússia poderão beneficiar do aumento do fornecimento global de azoto, mas o aumento dos preços do crude e, consequentemente, dos custos de frete provavelmente compensariam parcialmente estes ventos favoráveis.

Quanto ao efeito dominó deste conflito, este pode ser “significativo”, com os consumidores a “poderem pagar o preço, já que uma aplicação menor de azoto geralmente traduz-se em rendimentos agrícolas mais baixos e, em última análise, em preços dos alimentos mais elevados”.

“Na nossa opinião, os principais produtores de fertilizantes dos EUA poderão ver melhorias nas receitas devido ao aumento dos preços e da quota de mercado devido à reorganização da cadeia de abastecimento, caso a situação persista”, disse Andrea Petroczi-Urban, Vice-Presidente Adjunta de Classificações Corporativas Europeias.

“Por outro lado, esperamos que as empresas produtoras de fertilizantes dependentes de matérias-primas de gás natural do Médio Oriente enfrentem alguns desafios na produção e transporte, o que poderá resultar numa menor rentabilidade. À medida que a situação continua em constante mudança, continuaremos a monitorizar qualquer impacto potencial nos perfis de crédito dos nossos emissores classificados”, destacou esta analista.

Fonte: Jornal Económico

O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) condenou, esta semana, Portugal e pagar dez milhões de euros e uma multa diária por não ter executado um acórdão sobre a violação da Diretiva ‘Habitats’.

A sanção pecuniária diária compulsória imposta pelo TJUE é de 41.250 euros por dia até o acórdão ser completamente executado e será reduzida em função dos progressos realizados por este Estado-membro.

O TJUE considera que a legislação adotada por Portugal, que se limita a designar sítios de importância comunitária (SIC) como zonas especiais de conservação (ZEC), sem especificar os tipos de ‘habitats’ naturais nem as espécies protegidas presentes em cada um deles, continua a ser insuficiente para dar cumprimento à diretiva em causa.

Segundo um comunicado, em 05 de setembro de 2019, o Tribunal de Justiça proferiu um acórdão no qual declarou que Portugal não tinha cumprido as obrigações de designar como ZEC um total de 61 SIC das regiões biogeográficas atlântica e mediterrânica nos prazos fixados pela diretiva, bem como de adotar as medidas de conservação necessárias.

Em 21 de setembro de 2024, considerando que Portugal não tinha executado o acórdão do TJUE, a Comissão Europeia intentou uma nova ação por incumprimento, tendo ainda pedido ao Tribunal de Justiça a aplicação de sanções pecuniárias.

A Diretiva ‘Habitats’ instituiu a Rede Natura 2000, a maior rede ecológica do mundo, que visa assegurar a sobrevivência a longo prazo das espécies e dos ‘habitats’ mais valiosos e mais ameaçados na Europa.

A rede inclui ZEC designadas pelos Estados-membros e zonas especiais de proteção classificadas por força da Diretiva Aves.

Fonte: GreenSavers

Nos últimos dias, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e as autoridades de saúde alertaram para a presença de poeiras de África na atmosfera, fenómeno que tem sido recorrente em Portugal.

"De uma forma específica, como estamos a observar, estas areias provavelmente não vêm do Saara. Vêm de outra zona da África, mais longe, da zona do Chade. As poeiras são terra que, com ventos, neste caso tempestades, acaba por ir para a atmosfera e depois é transportada por milhares e milhares de quilómetros. Conseguem atravessar oceanos e viajar entre continentes", explica ao 24notícias Ricardo Dias, professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e especialista na área da resiliência e segurança biológica.

No caso destes últimos dias, o mau tempo que se fez sentir em Portugal também acabou por influenciar. "Por causa das chuvadas que tivemos, tem sido registado um nível de humidade significativo e para além disso era expectável que chovesse novamente. Isso fez com que muitas destas poeiras começassem a co-precipitar com a chuva ou com a humidade. Começaram a não viajar tão longe e a cair sobre o nosso território. Esse é um fenómeno até interessante para nós, do ponto de vista científico, porque normalmente a maioria das poeiras que nós costumamos ter surgem altura da primavera ou verão".

Habitualmente, as poeiras chegam em "tempos completamente diferentes, muito mais secos, com ventos fortes, dominantes". Agora, pela chuva, "as rotas também são um bocadinho diferentes do usual": como se fosse "uma tempestade de areia que saiu da autoestrada para uma estrada secundária e fez uma rota que não é muito normal" — neste caso, as poeiras viraram a norte, passaram pelas Canárias, pela Madeira e entraram na quinta-feira no território continental.

Quando se olha para o céu, o tom denuncia as poeiras. Há vezes em que a cor é mais alaranjada, outras vezes mais acinzentada ou amarelada, o que apenas mostra que circulam pelo ar partículas de diferentes locais. "Quando é do deserto, normalmente é determinada cor, se é da África mais continental, a terra é mais vermelha", justifica Ricardo Dias.

Nestes dias, "segundo a informação que se tem neste momento, tudo aponta para que esta tempestade se tenha iniciado numa zona que era um antigo lago que secou. O leito desse lago foi atomizado e, portanto, o resultado é esta poeira".

Sobre a frequência destes eventos, "não tem havido uma tendência crescente significativa". Todavia, observa-se "uma alteração dos padrões e da intensidade deste fenómeno".

Poeiras: impactos positivos e riscos

Ao contrário do que se pensa, as areias africanas trazidas no ar também têm aspectos positivos. "Pode ser uma mais-valia, também, do ponto de vista da agricultura. Estas poeiras podem cair em terrenos não tão ricos em matéria orgânica e em matéria mineral, como no Alentejo. Muitas vezes, são positivas", começa por notar o professor da FCUL.

"No continente europeu e temos identificado, inclusive, que algumas das bactérias [presentes nas poeiras] até ajudam a fixar o azoto atmosférico das plantas e, portanto, aumenta a capacidade das plantas aproveitarem o azoto e crescerem", exemplifica.

Mas tudo isto depende "especificamente de onde vêm as poeiras, portanto não é algo que aconteça sempre. Têm de vir de uma zona que tenha muita matéria orgânica, em que haja uma antiga floresta, com muitas destas bactérias presentes".

Por outro lado, é preciso olhar sempre para os riscos. "Nós, inclusive, temos um programa de monitorização de riscos das poeiras. Tecnicamente, nós chamamos isto de aerossóis. Avaliamos sempre o risco para a saúde humana, a produção animal e a agricultura, mas também o potencial biótico".

"Tudo o que representa um desafio, ou seja, um risco, também representa uma oportunidade. Portanto, esta é a forma que nós temos de olhar também para esta área da ciência", evidencia.

Quanto aos riscos, o professor universitário lembra que "nunca é demais pecar por aviso. Ou seja, vale mais avisar e não acontecer nada, do que não avisar e acontecer".

Assim, "há um efeito que, se for químico, é inegável de qualquer tipo de poeira": são partículas "muito pequenas que, ao serem inaladas pelo ser humano, podem de facto ficar no sistema respiratório".

"Há pessoas que têm determinadas doenças e há grupos de risco. Crianças, idosos, pessoas imunosuprimidas, que têm doenças respiratórias crónicas. Efetivamente, representa um risco. Por isso é que as recomendações da Direção-Geral da Saúde têm sido no sentido de proteger essas populações", recorda o professor universitário.

Fora destes grupos, as poeiras também afetam quem faz desporto no exterior. "O que vai acontecer é que a pessoa vai respirar muito mais as partículas. Portanto, obviamente, pode criar, do ponto de vista fisico-químico, uma reação no próprio corpo. Mais vale prevenir".

Para Ricardo Dias, estes impactos são também medidos no trabalho desenvolvido na Faculdade de Ciências de Lisboa. "Temos um programa que está dedicado exatamente à resiliência e à segurança biológica e avaliamos que bactérias é que estão presentes nestas partículas, se podem transportar doenças e, se sim, se esse risco é um risco negligenciável ou um risco que obriga a que haja medidas de mitigação".

"Quando há estes eventos, fazemos testes para perceber que bactérias inclusas é que estão presentes nestas partículas e que risco é que realmente representam", remata.

Fonte: Sapo Notícias

A escassez de produtos fitofarmacêuticos registados para combater doenças na amendoeira está a transformar-se num dos temas mais inquietantes para os produtores nacionais, que descrevem o momento como “uma corrida contra o tempo” para salvar pomares inteiros. À medida que fungos e bactérias ganham terreno, impulsionados por invernos mais curtos e primaveras mais húmidas, os agricultores veem-se obrigados a enfrentar ameaças cada vez mais agressivas… com cada vez menos ferramentas autorizadas para as travar.

Um setor em alerta crescente

Nos principais vales produtores, do Douro Superior ao Alentejo, multiplicam-se relatos de pomares debilitados por doenças que antes eram facilmente controláveis. Hoje, a lista de substâncias permitidas é curta, e muitos dos produtos que os agricultores consideravam essenciais foram retirados do mercado ou aguardam processos de reavaliação que se arrastam há anos.

Produtores descrevem um cenário paradoxal: a amêndoa portuguesa está em expansão, com novas plantações e forte procura internacional, mas a base sanitária que sustenta essa ambição está fragilizada. “Temos tecnologia, temos investimento, temos mercado. Falta-nos apenas aquilo que é básico: soluções eficazes para proteger as árvores”, lamenta um agricultor do Douro Superior.

Doenças mais agressivas, respostas mais lentas

As alterações climáticas estão a alterar o comportamento das doenças, tornando-as mais persistentes e imprevisíveis. Entre as mais preocupantes estão infeções fúngicas que atacam ramos jovens, flores e frutos, reduzindo drasticamente a produtividade. Sem produtos registados suficientes, muitos produtores recorrem a estratégias culturais e preventivas que, embora importantes, não conseguem travar surtos mais severos.

Associações agrícolas alertam que a lentidão nos processos de registo está a criar um desfasamento perigoso entre as necessidades do campo e as soluções disponíveis. “A ciência avança, mas a regulamentação não acompanha o ritmo. E quem paga o preço são os agricultores”, sublinha uma fonte do setor.

Riscos económicos e impacto na competitividade

A falta de alternativas eficazes não é apenas um problema agronómico — é também um risco económico. Perdas de produção, aumento de custos e menor qualidade do fruto podem comprometer a competitividade da amêndoa portuguesa num mercado global dominado por países com maior acesso a ferramentas fitossanitárias.

Para muitos produtores, a preocupação é clara: se nada mudar, a sustentabilidade do setor pode ficar em causa. E isso num momento em que Portugal se afirmava como um dos novos polos de produção de amêndoa na Europa.

O que o setor pede agora

As organizações representativas defendem três prioridades imediatas:

  • Acelerar o registo de novos produtos, garantindo alternativas eficazes e seguras,
  • Aprovar soluções já utilizadas noutros países europeus, onde o processo regulatório é mais ágil;
  • Reforçar a investigação nacional, para desenvolver estratégias integradas de proteção da amendoeira.

A mensagem é clara: sem uma resposta rápida, o país arrisca perder terreno num setor onde investiu milhões e onde muitos agricultores depositaram o futuro das suas explorações.

Fonte: Qualfood

A Agência Nacional de Inovação (ANI) atribuiu o ‘Born from Knowledge (BfK) Awards’, na 12.ª edição do Prémio Empreendedorismo e Inovação Crédito Agrícola, ao projeto NSH – NanoSoilHealth.

Desenvolvida pela empresa Biofabics, em parceria com a empresa internacional Respilon, esta solução inovadora foca-se no desenvolvimento de novas tecnologias para a produção agrícola, especificamente no melhoramento e tratamento dos solos através da nanotecnologia.

A solução visa eliminar o uso de plásticos tradicionalmente utilizados na conservação de fertilizantes, contribuindo para práticas agrícolas regenerativas e para sistemas alimentares mais seguros, com uma pegada de carbono reduzida para o consumidor final.

Como reconhecimento pelo seu potencial inovador e base tecnológica, a equipa da Biofabics recebe o troféu ‘Árvore do Conhecimento’, símbolo da ligação entre a ciência, a tecnologia e a sociedade, acompanhado por um prémio monetário de 2.500 euros.

O trabalho, que está em fase de investigação inicial, decorre em paralelo com o projeto europeu TOLERATE, no qual a Biofabics é parceira, que pretende melhorar a saúde dos solos, gerar plantas mais resistentes à seca e garantir uma maior sustentabilidade agrícola, informa a ANI.

Redução de mais de 90% no uso de plásticos

A proposta tecnológica da Biofabics assenta na produção de nanomembranas biodegradáveis e bioativas, recorrendo à avançada tecnologia de electrospinning para incorporar biofertilizantes de libertação controlada sem recurso a microplásticos. “Ao contrário das soluções convencionais que utilizam polímeros sintéticos, estas membranas de base nanotecnológica são personalizáveis por cultura e permitem uma maior eficiência na libertação de nutrientes, promovendo simultaneamente a regeneração da microbiota do solo e otimização do uso hídrico”, revela ainda a ANI.

Quanto ao impacto ambiental e económico do NSH – NanoSoilHealth, os investigadores preveem uma redução superior a 90% no uso de plásticos aplicados no solo e um aumento de, pelo menos, 15% na eficiência da fertilização.  Comercializada como uma resposta robusta à pressão por sustentabilidade, a tecnologia da Biofabics está alinhada com o Pacto Ecológico Europeu e com as restrições ao uso de microplásticos.

“O projeto da Biofabics materializa a missão do programa Born from Knowledge ao transformar o conhecimento científico em soluções com impacto real na economia e na vida das pessoas. O objetivo da empresa é validar estas nanomembranas em duas culturas piloto até ao final de 2026, assegurando uma tecnologia escalável com elevado potencial de internacionalização”, afirma António Grilo, presidente da ANI.

Fonte: Hipersuper

O movimento “Comida Não é App: Desinstalem a Ilusão” tem ganho expressão nacional ao denunciar a forma como as plataformas de entrega moldaram, de forma quase invisível, a relação dos consumidores com a alimentação e com o trabalho por detrás de cada refeição. Nascido de um manifesto que circulou inicialmente entre pequenos restaurantes e cozinheiros independentes, o movimento rapidamente se expandiu para as redes sociais, onde milhares de utilizadores passaram a partilhar testemunhos sobre comissões elevadas, margens de lucro reduzidas e condições precárias enfrentadas pelos estafetas. A campanha critica aquilo a que chama a “ilusão da conveniência”, argumentando que a facilidade de pedir comida com um toque no telemóvel esconde um sistema que fragiliza negócios locais, uniformiza a oferta gastronómica e desumaniza o ato de comer, transformado num produto digital embalado e entregue à pressa.

A mobilização ganhou força depois de um vídeo viral, publicado por um chef do Porto, mostrar a discrepância entre o valor pago pelo cliente e o montante efetivamente recebido pelo restaurante após as taxas das plataformas. O conteúdo desencadeou uma onda de indignação e deu origem à hashtag #DesinstalemAIlusão, que se tornou ponto de encontro para relatos de cozinheiros, estafetas e consumidores que questionam o modelo dominante. Em resposta, as empresas de entrega defendem que oferecem oportunidades de crescimento e flexibilidade laboral, mas associações de restauração e sindicatos insistem que o setor precisa de regulamentação mais rigorosa para garantir condições dignas e práticas comerciais equilibradas.

O movimento não propõe o fim das aplicações, mas sim uma mudança de hábitos e políticas: incentivar compras diretas aos restaurantes, limitar comissões, formalizar vínculos laborais e promover um consumo mais consciente e próximo dos produtores. Especialistas em comportamento do consumidor afirmam que a discussão revela uma tensão crescente entre conveniência e responsabilidade social, num momento em que a digitalização acelerada da restauração afastou emocionalmente quem cozinha de quem come. Ao afirmar que “comida não é app”, a campanha procura recuperar essa ligação, lembrando que cada prato envolve pessoas, trabalho e cultura — e que nenhuma interface deve apagar essa realidade.

Fonte: Qualfood

Em Fevereiro, a União Europeia autorizou a colocação no mercado de dois novos alimentos: farinha de colza desengordurada e Lacto‑N‑tetraose (LNT) produzida por uma estirpe derivada de Escherichia coli K‑12 MG1655. Ambos foram avaliadas ao abrigo do Regulamento (UE) 2015/2283 relativo a novos alimentos, tendo sido considerados seguros para os usos propostos.

No mesmo período, a Comissão Europeia procedeu igualmente à alteração das condições de utilização e dos requisitos específicos de rotulagem aplicáveis ao Akkermansia muciniphila pasteurizado, um novo alimento previamente autorizado. As modificações agora introduzidas alargam o âmbito de utilização à população adolescente, na sequência de uma avaliação favorável da evidência de segurança para este grupo etário.

As decisões adotadas inserem‑se no mecanismo harmonizado de avaliação científica e decisão regulamentar relativo aos novos alimentos na União Europeia, o qual se baseia nas avaliações científicas desenvolvidas pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), seguidas da adoção dos respetivos atos de execução pela Comissão Europeia.

Importa notar que apenas o requerente inicial está autorizado a proceder à colocação no mercado dos novos alimentos em causa, beneficiando de um período de proteção de cinco anos relativamente aos dados científicos apresentados.
A autorização para um requerente subsequente poderá ser concedida sem recurso aos dados científicos protegidos ou mediante obtenção de acordo do requerente inicial, em conformidade com o quadro jurídico aplicável.

Mantenha-se informado. Consulte os textos integrais dos regulamentos:

Regulamento de Execução (UE) 2026/386, que autoriza a colocação no mercado de pó de colza desengordurada como novo alimento

Regulamento de Execução (UE) 2026/391, que altera as condições de utilização e os requisitos específicos de rotulagem do novo alimento Akkermansia muciniphila pasteurizada

Regulamento de Execução (UE) 2026/397, que autoriza a colocação no mercado de lacto-N-tetraose produzida por uma estirpe derivada de Escherichia coli K-12 MG1655 (ATCC 700926)

Fonte: DGAV

O projeto ‘Mais Vidro, Mais Porto’ recolheu 1.828 embalagens de vidro nos primeiros três meses de funcionamento na cidade do Porto e evitou a emissão de 429 quilogramas de dióxido de carbono. A iniciativa é promovida pela Plataforma Vidro+ em parceria com a Porto Ambiente.

Participação cidadã impulsiona resultados iniciais

Segundo dados divulgados pela própria Plataforma Vidro+, o projeto já conta com mais de 110 utilizadores e apresenta resultados positivos ao nível ambiental e social. Este balanço inicial demonstra adesão crescente da comunidade local e confirma a sua capacidade para incentivar mudanças de comportamento através de soluções simples e transparentes.

Citado pela plataforma, o coordenador da Plataforma Vidro+, Nuno Vieira, afirma que os primeiros resultados evidenciam a disponibilidade dos cidadãos para adotarem práticas mais sustentáveis quando existem mecanismos acessíveis e com impacto concreto, destacando o papel da inovação tecnológica na promoção da reciclagem e da economia circular.

Implementado no Porto, o projeto pretende aumentar a recolha seletiva de embalagens de vidro e incentivar hábitos de consumo mais responsáveis. O sistema permite contabilizar os resíduos depositados nos ecopontos e transformar o contributo ambiental da população em benefícios destinados a causas sociais.

Apoio social associado à reciclagem

A Plataforma Vidro+ explica que a monitorização da iniciativa é realizada trimestralmente, sendo o crescimento da recolha convertido em apoio financeiro a instituições locais. Caso a taxa de recolha alcance os 75%, o montante atribuído poderá atingir os 10 mil euros.

Para cumprir essa meta, estima-se que cada cidadão tenha apenas de depositar, em média, mais duas embalagens de vidro por mês no ecoponto verde, reforçando o contributo coletivo para o objetivo comum.

Modelo colaborativo com ambição de crescimento

Segundo a Plataforma Vidro+, os resultados alcançados reforçam a eficácia de um modelo assente na colaboração entre cidadãos, entidades públicas e empresas privadas, combinando inovação tecnológica com metas ambientais e impacto social quantificável.

O projeto resulta de uma parceria entre a Plataforma Vidro+, a Porto Ambiente, a Fujitsu, a Sogrape e o Super Bock Group, tendo sido distinguido no programa internacional Fujitsu NPO/NGO 2024 pelo seu potencial de sustentabilidade.

A Plataforma Vidro+, iniciativa colaborativa que reúne cerca de 50 entidades ligadas à cadeia de valor do vidro de embalagem em Portugal, mantém como objetivo aumentar significativamente a reciclagem nacional, apontando para uma taxa de recolha de 90% das embalagens de vidro colocadas no mercado até 2030.

Fonte: iAlimentar

Investigadores descobriram que nanoplásticos presentes em embalagens de alimentos podem aumentar a virulência de Salmonella e a formação de biofilme, levantando novas questões sobre a segurança alimentar.

Segundo uma nova pesquisa da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, nanopartículas de plástico libertadas por embalagens plásticas de alimentos podem afetar o comportamento da Salmonella enterica, impactando potencialmente a segurança alimentar e a resistência antimicrobiana.

O estudo examinou como os nanoplásticos – fragmentos microscópicos formados pela degradação de plásticos maiores – interagem com Salmonella, uma das principais causas de doenças transmitidas por alimentos, frequentemente associada a carnes, aves e produtos prontos para consumo. Os investigadores concentraram-se especificamente no poliestireno, um plástico amplamente utilizado em embalagens de alimentos e utensílios descartáveis.

A pesquisa foi liderada por Pratik Banerjee, professor associado do Departamento de Ciência dos Alimentos e Nutrição Humana. A sua equipa começou a investigar o problema depois que testes laboratoriais de rotina em amostras de carne moída de peru comercializada frequentemente identificaram a presença de Salmonella. Embora o cozimento adequado da carne elimine o risco, o produto é comumente embalado em plástico, o que levou os inestigadores a explorar como o patógenio se comporta quando exposto a polímeros plásticos.

A equipa analisou como a exposição a nanopartículas de poliestireno afetou a fisiologia e a expressão génica da Salmonella enterica. As suas descobertas sugerem que as partículas podem alterar o comportamento bacteriano de formas que podem influenciar a virulência e a sobrevivência.

Os biofilmes – camadas protetoras formadas por aglomerados de microrganismos – podem aumentar a sobrevivência bacteriana sob condições de stress. Em ambientes de processamento de alimentos, os biofilmes representam um desafio constante para a higiene, ajudando os patógenos a resistir aos regimes de limpeza e às pressões ambientais.

As bactérias alternam entre modos 'ofensivos' e 'defensivos'.

Os investigadores também observaram que a resposta da Salmonella aos nanoplásticos mudou ao longo do tempo.

Além da virulência, a equipa também está a investigar se os nanoplásticos podem influenciar a resistência antimicrobiana em patógenios transmitidos por alimentos. Banerjee explicou que stressores fisiológicos podem desencadear mecanismos de resistência em bactérias, mesmo que esses stressores não sejam agentes antimicrobianos em si. Resultados preliminares de pesquisas em andamento indicam que os nanoplásticos de poliestireno podem aumentar a expressão de genes de resistência antimicrobiana em Salmonella.

Apesar das descobertas, os pesquisadores alertam que ainda é cedo para tirar conclusões definitivas sobre as implicações práticas para a indústria alimentar.

Os investigadores afirmam que o seu trabalho está entre os primeiros a examinar as interações entre nanoplásticos e patógenios transmitidos por alimentos sob a perspectiva da segurança alimentar. Eles esperam que mais pesquisas globais ajudem a determinar os riscos potenciais, os limites de tolerância e as implicações para as futuras políticas de segurança alimentar.

Fonte: NewFood Magazine

 

Investigadores do Boyce Thompson Institute, em Nova Iorque, desenvolveram o mapa genético mais detalhado do pepino até à data, identificando quase 172 mil variantes estruturais que podem transformar o melhoramento desta cultura. O estudo foi publicado na revista científica Nature Genetics.

A equipa liderada por Zhangjun Fei construiu um pangenoma baseado em grafos a partir de 39 variedades de pepino, permitindo mapear 171.892 variantes estruturais – grandes inserções, deleções e rearranjos no ADN – que influenciam características essenciais como a forma do fruto, a resistência a stress e a prevenção de cavidades internas.

Segundo os investigadores, esta é a primeira vez que é possível captar, com este nível de detalhe, toda a variação genética relevante no pepino. O recurso ao pangenoma permite identificar alterações de grande escala no ADN que, até agora, passavam despercebidas, mas que têm um impacto profundo na biologia e na evolução da planta.

O estudo revela ainda um interessante processo de “limpeza” evolutiva. Ao longo da história do pepino, mutações genéticas mais pequenas foram frequentemente mantidas, enquanto variantes estruturais maiores e potencialmente prejudiciais foram eliminadas pela seleção natural, protegendo a saúde da planta. No entanto, à medida que o pepino se disseminou globalmente a partir da sua origem na Índia, algumas variantes nocivas acabaram por “viajar” associadas a genes benéficos. Esta descoberta ajuda a explicar porque é que, por vezes, ao selecionar uma característica desejada — como tolerância à seca — podem surgir efeitos genéticos indesejados.

Para a agricultura, as implicações são imediatas. O pepino é uma das hortícolas mais produzidas no mundo, apenas atrás do tomate e da cebola. Ao integrar estas variantes estruturais nos modelos de melhoramento, os cientistas demonstraram já que conseguem prever com maior precisão o desempenho das plantas.

Este avanço poderá permitir o desenvolvimento mais rápido e eficiente de variedades de pepino com maior qualidade e resiliência, servindo também de modelo para a melhoria genética de outras culturas agrícolas de importância global.

Mais informação no site do Boyce Thompson Institute.  

Fonte: Centro de Informação de Biotecnologia