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A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) e a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) assinaram esta quarta-feira, no Porto, um protocolo para vigiar o cumprimento da lei na produção e comercialização do produto.

Em colaboração no terreno há já três anos, as duas instituições optaram por dar “uma roupagem institucional”, conforme classificou o inspetor-geral da ASAE, João Gaspar, em declarações à agência Lusa, transformando a colaboração num protocolo válido por um ano. Para o presidente da comissão, Manuel Pinheiro, o documento hoje assinado visa “gerar valor para os agricultores da região”, explicando que este vinho é único no mundo e “produzido apenas com as uvas dos cerca de 18 mil agricultores da região”, mas, também, “dar segurança ao consumidor”.

“O Vinho Verde é garantido por um selo de origem e o consumidor deve poder ter a certeza que o vinho verde é proveniente dessa região”, que se estende por todo o noroeste de Portugal, na zona tradicionalmente conhecida como Entre-Douro-e-Minho, acrescentou. Para Manuel Pinheiro, a articulação entre a CVRVV e a ASAE permite juntar duas vocações diferentes, “a de certificar o produto e a ASAE a garantir o cumprimento da lei, dentro do que são as regras de produção e de origem”.

Elogiando o poder passar a “trabalhar em conjunto de uma forma mais estruturada” do que aquela que vinha sendo feita, o presidente da comissão citou a “partilha de informação, seja na criação de equipas conjuntas de trabalho, e as ações de formação, para conhecer melhor o funcionamento do negócio, incentivando ainda mais os agentes a cumprirem a lei” como as mais-valias do acordo alcançado. Admitindo também o “combate à economia paralela”, Manuel Pinheiro lembrou ser o “vinho um produto muito ligado ao território, que gera riqueza e postos de trabalho em 48 concelhos da região demarcada”, invocando a lei quando diz “que a riqueza deve ser investida na região, através do pagamento das uvas aos produtores”.

Para o inspetor-geral da ASAE, tanto o vinho como o azeite “têm sido matéria de preocupação e de atuação daquela entidade ao longo dos anos em termos de inspeção”, assumindo disponibilidade para “assegurar a qualidade do produto, a leal concorrência dos operadores e, consequentemente, a defesa do consumidor”. “Em 2014 criámos brigadas específicas para o turismo, prevendo que podia vir por aí algum ‘boom’ turístico como, aliás, se veio a verificar, ultrapassando até nossas expectativas. Em 2017 criámos brigadas específicas para os vinhos, prevendo que vá ser cada vez mais um produto de valor económico no mercado nacional e internacional pelo que interessa acautelar a sua autenticidade”, disse.

O protocolo é válido por um ano e a desejada pela ASAE “otimização dos meios verifica-se quer a nível laboratorial, como também a nível das sinergias e troca de experiências”, elencou o inspetor-geral, vincando que a “ASAE tem também um laboratório de bebidas vitivinícolas, pelo que poderá haver um interface interessante com a comissão”. “A experiência anterior ganha agora uma roupagem institucional e vai ter, certamente, nota positiva ao longo do ano”, disse João Gaspar, enquanto o presidente da comissão Manuel Pinheiro argumentou que, para a região demarcada, o “protocolo com a ASAE é uma vitória para dar resposta a uma necessidade de controlo”, dando como exemplo disso as castas Loureiro e Alvarinho, cuja “notoriedade” obriga a cada vez mais este aconteça.

Fonte: Dinheiro Vivo

A morte da menina de 7 anos da Maia não deverá ter sido provocada por uma bactéria transmitida por um hamster. Essa foi a informação divulgada ontem ao início da noite pela Direção Geral de Alimentação e Veterinária que garantiu não existir "qualquer evidência de que o foco de contágio tenha sido o animal de estimação". Em comunicado a DGAV explicou ainda que "nenhuma das doenças transmitidas dos roedores para os humanos provoca diarreia e vómitos nas pessoas atingidas", sintomas que a criança de sete anos apresentava na sexta-feira quando foi internada.

"No caso da Maia, a infeção terá sido contraída a partir de uma fonte alimentar, tendo já sido identificada pela Autoridade de Saúde a bactéria que causou a doença (Escherichia coli)", lê-se no documento.

Escherichia coli (E. Coli) é uma bactéria que habita naturalmente no intestino de humanos e de alguns animais, mas que em grandes quantidades pode causar problemas como infeção intestinal e infeção urinária, tendo na água e nos alimentos contaminados a sua principal fonte de transmissão. Recorde-se que um surto raro de E. coli surgiu, em maio de 2011, na Alemanha. A bactéria altamente virulenta, foi detetada num pacote de rebentos vegetais proveniente de uma exploração em Gärtnerhof, em Bienenbüttel, no norte da Alemanha. A epidemia matou, na altura, mais de 30 pessoas na Europa.

A criança morreu na segunda-feira, na sequência da falência dos rins. Sentiu sintomas de gripe, vómitos e diarreia durante alguns dias - o que não acontece num caso de transmissão por roedores, como frisou a DGAV. Perante o quadro clínico da filha, os pais levaram-na ao Hospital de Alfena, de onde foi transferida para o São João, tendo chegado já em estado grave, na sexta-feira, dia 17.

Questionado pelo DN sobre o que poderia ter provocado a reação da menina, o Centro Escolar da Gandra (Maia), de onde era aluna, não se quis pronunciar, recusando adiantar se outros alunos foram contagiados e que medidas foram tomadas perante a possibilidade de a bactéria poder estar presente nas instalações da escola.

Cuidados de higiene

Ficaram assim comprovadas as dúvidas dos veterinários contactados pelo DN sobre a possibilidade de existir um contágio de uma bactéria transmitida pelo animal de estimação. "Cuidados básicos de higiene são suficientes para evitar a transmissão de doenças", frisaram. Alertaram, contudo, para os cuidados a ter para quem tem roedores como animais de estimação, como hamster, coelhos, chinchilas, porquinhos da índia ou ratos, mas deixam claro que "doenças graves transmitidas por roedores são raríssimas".

"O perigo de contrair uma doença grave é mínimo e não há registo de casos nos últimos anos. Ao longo da minha carreira de médica veterinária, nunca tive um caso de uma doença grave. O que aparece, e muito raramente, são alergias e problemas de pele. Não há muitas doenças que se transmitem de roedores a humanos", avançou ao DN a veterinária Cristina Almeida, proprietária da Exo Clinic, em Miraflores. "Em dez anos e com dezenas de clientes proprietários de roedores nunca tive registo de algo que não fosse alérgico ou de pele, como sarna ou fungos. Nestes casos, as crianças, idosos e doentes devem evitar o contacto com o animal. Mesmo sem sinais de doença deve evitar-se mexer em fezes e lavar sempre bem as mãos a seguir", sublinhou.

A opinião é partilhada pela veterinária Ana Mendes, da Vet Exóticos (Almada). "Nunca registei nenhum caso de uma bactéria ou agente perigoso, apenas problemas de pele", disse. Segundo a médica veterinária, existem algumas doenças mais graves, cuja incidência em Portugal desconhece. "Há, por exemplo, a leptospirose, em ratos, mas nunca soube de nenhum caso", referiu. A leptospirose é uma infeção causada por espécies de bactérias Leptospira e é contraída a partir da urina de animais infetados. Os sintomas, semelhantes aos da gripe, surgem cerca de 7 a 14 dias após o contágio. A doença tem cura e faz-se com antibióticos. Contudo, cerca de 10% dos casos de leptospirose evoluem para uma forma ainda mais grave - chamada doença de Weil - provocando falência de órgãos e hemorragias internas. Há ainda outras enfermidades graves transmitidas por roedores, como a peste ou a tularemia.

Fonte: Diário de Notícias

O amendoim é um excelente alimento que quando consumido com moderação, devido ao seu valor energético, pode constituir uma boa fonte de diversos minerais, vitaminas e fitoquímicos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias na nossa alimentação. Surpreendentemente, o seu valor nutricional é ainda pouco conhecido.

Na composição do amendoim podemos encontrar mais de 20 aminoácidos (100g de amendoim fornecem aprox. 28g de proteína), polifenóis, diversos antioxidantes, vitaminas e minerais. Entre as vitaminas destacam-se a Vitamina E, os folatos e as vitaminas do complexo B, em particular a niacina (Vit. B3) e a vitamina B6. Nos minerais, o amendoim é uma fonte interessante de magnésio, fósforo, potássio, zinco, cobre e manganésio. Recentemente descobriu-se que na sua composição existem ainda resveratrol (um polifenol que pode ser encontrado na película das uvas pretas e no vinho tinto), ácidos fenólicos, flavonóides e fitoesteróis que podem ter um papel importante na regulação do colesterol e na proteção celular. No seu todo, os minerais, vitaminas e substâncias químicas presentes possuem um elevado potencial antioxidante e anti-inflamatório podendo ser muito importantes na luta contra os radicais livres de oxigénio que parecem estar na base da doença cardiovascular e oncológica.

Ainda por cima, os amendoins quando vão ao forno parecem ficar com concentrações aumentadas destes compostos com propriedades bioativas.

Por outro lado, as gorduras presentes no amendoim, essencialmente insaturadas (mono e poli), podem ter um papel interessante na redução das lipoproteínas de baixa densidade (LDL-C) também conhecido como o “colesterol mau” e na proteção cardíaca, podendo ser mais uma alternativa interessante à gordura de origem animal, como a manteiga, para barrar o pão, por ex.

O amendoim possui diversos aminoácidos, mas falta-lhe a L-metionina, um aminoácido essencial. Este aminoácido encontra-se no pão, em particular no pão integral e em outros cereais integrais. Assim, a manteiga de amendoim e o pão integral, complementam-se bem como fonte proteica.

Devido ao seu elevado valor calórico, o amendoim e em particular a manteiga de amendoim, devem ser consumidos com bastante moderação. Mas podem ser uma excelente opção com elevado valor nutricional face a outras gorduras de origem animal. E uma alternativa energética nos regimes vegetarianos e não só. Um dos grandes problemas da manteiga de amendoim pode ser ainda a sua elevada quantidade em sal e gorduras adicionadas no processo de fabrico, mas a manteiga de amendoim pode ser facilmente produzida em casa, com menor custo, teores de sal reduzidos e sem adição de gordura.

Fonte: Nutrimento

A deterioração das frutas e dos vegetais é uma das principais causas do desperdício alimentar. Mas, e se os alimentos frescos não apodrecessem tão depressa?

Uma equipa de investigadores da Universidade de Tufts está a desenvolver uma tecnologia que pretende evitar a deterioração dos alimentos, em particular das frutas e dos legumes, que mais facilmente apodrecem por serem naturais.

Segundo o The Wall Street Journal, os cientistas estão a criar um revestimento invisível biodegradável, à base de seda (mais concretamente de uma proteína chamada fibroínha) , que irá proteger as frutas e vegetais da mudança de temperatura. A ideia é que estes alimentos sobrevivam mais tempo à temperatura ambiente, não necessitando de refrigeração.

Mas o objetivo não passa apenas por aumentar a validade dos alimentos naturais, pretende, ainda, evitar o desperdício alimentar e ajudar na poupança de energia, uma vez que os alimentos não necessitarão de estar tanto tempo no frigorífico.

Conta a publicação que os investigadores mergulharam morangos por diversas vezes numa solução à base de água e de 1% de fibroínha e que estes frutos aguentaram uma semana à temperatura ambiente sem que apodrecessem rapidamente ou ficassem com um aspeto menos apelativo.

Fonte: Notícias ao minuto

“Não existe a possibilidade de não estarmos expostos a compostos contaminantes” na nossa alimentação. E quanto maior for o número destas substâncias no organismo, maior será o risco de doenças metabólicas, entre as quais a obesidade. Quem o garante é Diana Teixeira, investigadora do Center for Health Technology and Services Research (Cintesis) da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), apoiada em estudos recentes feitos com uma equipa do centro de investigação, que integra Diogo Pestana, biólogo e especialista em toxicologia.

Os investigadores acreditam que “os alimentos são uma fonte de potencial material tóxico”. A poluição, o uso de embalagens em plástico para conservar alimentos e os químicos usados na agricultura são as principais fontes de contaminação. Também os alimentos sujeitos a elevadas temperaturas encabeçam esta lista elaborada pelos especialistas. Entre os mais expostos a este risco, destacam-se as crianças, face ao elevado consumo de alimentos processados e ao contacto com objectos plásticos, como os brinquedos e os biberões.

Os investigadores apoiaram a adopção de comportamentos “mais limpos”: evitar os alimentos gordos de origem animal (entre os quais, o óleo e os produtos à base de natas), retirar as gorduras visíveis dos alimentos e conter o consumo de carne. Na hora de ir às compras, Diogo Pestana aconselha o consumo de peixe do mar e de alimentos produzidos por agricultura biológica. No fundo, “recuperar o padrão da dieta mediterrânea”.

Risco de doenças metabólicas

Diogo Pestana critica ainda o uso de “marmitas que agora estão na moda”. Devemos aquecer alimentos em recipientes de plástico? O especialista diz que não, justificando que o aquecimento aumenta o risco de contaminação. E alerta ainda para os riscos da reutilização excessiva de garrafas de plástico. As consequências, apresentadas durante o congresso, abrangem um espectro largo: do aumento do risco de doenças metabólicas, entre as quais a obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, a possíveis implicações na saúde mental.

Actualmente, os especialistas afirmam que não é possível saber quais os níveis seguros de contaminação nem quais os alimentos que podem estar a contaminar mais o ser humano. Diogo Pestana destaca que é urgente a realização de estudos nesta área, preocupação partilhada pela União Europeia e pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar.

A Direcção-Geral de Saúde também já mostrou estar preocupada, tendo alertado para a necessidade de melhorar as informações disponíveis aos consumidores. Também os especialistas que integram o grupos deste debate no congresso apelam à leitura atenta dos rótulos nas embalagens. Benzeno, glicosídeos, poluentes ambientais, são algumas das substâncias destacadas pelos investigadores. “Grande parte da população está exposta a estes compostos”, sendo a alimentação o veículo predominante de contaminação, segundo Diogo Pestana.

Porém, Pestana destaca que estes compostos não podem ser analisados isoladamente, uma vez que a mistura de substâncias pode provocar efeitos aditivos, numa espécie de “efeito cocktail”.

Fonte: Público

A ASAE anunciou a apreensão, no aeroporto de Lisboa, de 120 quilogramas de meixão (enguias bebés) uma espécie protegida e cuja venda para fora da União Europeia está proibida.

Em comunicado, a ASAE adianta que a apreensão, feita em conjunto com a Autoridade Tributária e Aduaneira, foi a maior deste ano e os 120 quilogramas de "enguias bebés ou enguias de vidro", conhecidas por meixão, tinham como destino a Tailândia.

Segundo a ASAE, o meixão é uma espécie protegida que carece de um certificado de acompanhamento CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção), cuja exportação é proibida para fora do espaço comunitário.

Aquele órgão de polícia criminal sublinha que esta espécie de enguias possui um valor de mercado entre os 500 e os 1000 euros por quilograma.

Na altura da apreensão, a carga estava "devidamente acondicionada e dissimulada juntamente com 40 quilogramas de camarão bebé, tendo a totalidade das espécies sido restituída ao meio natural com a colaboração da Polícia Marítima de Lisboa.

A ASAE indica ainda que a investigação prossegue a cargo da Unidade Nacional de Informações e Investigação Criminal que instaurou um inquérito crime por danos contra a natureza, falsificação de documentos e contrabando.

Fonte: TSF

O Parlamento Europeu (PE) defende que a origem da carne e do leite deve estar indicada na rotulagem, por considerar que esta informação introduz maior transparência na cadeia alimentar e reforça a confiança dos consumidores.

Numa resolução não obrigatória aprovada esta sexta-feira, o Parlamento Europeu pede a indicação obrigatória do lugar de origem para todos os tipos de leite, lacticínios e carnes. Os eurodeputados sugerem que a Comissão estude a possibilidade de ampliar a obrigação a outros produtos alimentares com apenas um ingrediente ou que tenham outro predominante.

Os eurodeputados reclamam ainda a rotulagem obrigatória sobre a origem da carne em alimentos processados e recordam o escândalo da carne de cavalo e outros casos de fraude. A resolução aprovada assinala que 84 por cento dos cidadãos da União Europeia (UE) consideram necessário indicar a origem do leite; 88 por cento reclama para todos os tipos de carne, no caso de bovino, porco, ovino, caprino e as aves já é obrigatório e no caso dos alimentos transformados, 90 por cento dos europeus solicitam a informação sobre o país de origem.

O texto destaca que, conforme indicado na informação da Comissão, os custos da implementação da rotulagem do país de origem obrigatória para as carnes seria relativamente pouco importante.

O PE pediu já algumas vezes a rotulagem obrigatória dos alimentos. Numa resolução de Fevereiro de 2015 sobre a carne processada, instou a Comissão a apresentar um projecto legislativo que o obrigasse, com o objectivo de introduzir mais transparência na cadeia de produção e oferecer melhor informação aos consumidores.

Até à data, a Comissão não elaborou nenhuma proposta, com o argumento de que seria dispendioso para a indústria e também que os consumidores não estariam dispostos a pagar mais em troca dessa informação.

Fonte: CONFAGRI

Foi publicada a Decisão de Execução 2016/764 da Comissão de 12 de maio que altera a Decisão 2015/789 relativa às medidas para impedir a introdução e propagação na União Europeia de Xylella fastidiosa, tendo sido atualizada a lista de plantas hospedeiras desta bactéria e alguns dos requisitos para a introdução e circulação daquelas plantas no território comunitário, nomeadamente quando tenham sido cultivadas in vitro.

Fonte: DGAV

A DGAV divulga as autorizações de produtos fitofarmacêuticos de emergência, concedidas ao abrigo do artigo 53.º do REG. (UE) n.º 1107/2009, de 21 de outubro.

Para mais informações, queira contactar com a Divisão de Gestão e Autorização de Produtos Fitofarmacêuticos (DGAPF), da Direção de Serviços de Meios de Defesa Sanitária (DSMDS) em Oeiras.

Fonte: DGAV

É o herbicida mais usado em Portugal, campeão de vendas na Europa e um caso de sucesso na América. O glifosato serve para matar ervas, mas esconderá outros perigos?

Maria de Lurdes e o marido são agricultores desde que têm memória. Combatem as pragas e as ervas daninhas com químicos - como aprenderam - sem levantarem demasiadas questões. Chamam-lhes tratamentos.

É na agricultura que o glifosato é mais usado. O herbicida foi inventado nos anos 70, pela multinacional americana Monsanto. Hoje em dia, só em Portugal, há mais de 20 marcas que comercializam glifosato. É um herbicida total, não seletivo - o que quer dizer que mata qualquer tipo de planta.As marcas de pesticidas estabeleceram intervalos de segurança. São períodos de tempo de espera entre a aplicação e o consumo.

Já na horta de Margarida Silva não entra glifosato. A investigadora acredita que o herbicida esconde sérios riscos para os humanos.

O alerta sobre os perigos do herbicida soou a mais de mil de quilómetros de Portugal, em França. A Organização Mundial de Saúde, através da Agência Internacional de Investigação para o Cancro, estudou o glifosato durante um ano.

Dezassete investigadores tomaram uma decisão unânime: classificar o glifosato como potencialmente cancerígeno.

Consumir glifosato

O glifosato pode entrar no corpo humano através da ingestão de água e alimentos ou da inalação.

Em Portugal é no Instituto de nacional de investigação agrária e veterinária que são feitas as análises aos alimentos. Todos os anos são feitas análises a centenas ou milhares de amostras, consoante os planos.

O glifosato não está sozinho. Cada embalagem esconde uma mistura de vários químicos para aumentar a eficiência. Muitos escapam ao controle porque são considerados segredo da própria marca e nem sequer constam no rótulo.Para uma amostra de alimentos pesquisam-se muitas substâncias diferentes, faz-se um rastreio enorme em termos de moléculas para perceber se houve alguma contaminação. Nenhum desses parâmetros é o glifosato. O laboratório tem a competência técnica, mas ainda não têm a luz verde oficial. Falta uma acreditação que deve chegar ainda este ano.

As análises em causa são para já feitas nos Estados Unidos, para onde são enviadas as amostras. O laboratório escolhido é o de uma universidade na Califórnia. A RTP tem conhecimento da morada e dos métodos analíticos, mas a universidade exigiu anonimato. Está a preparar um estudo científico sobre o glifosato, uma investigação blindada às pressões externas que só deverá ser divulgada no verão.

Mas a ciência fala a duas vozes. De um lado as Nações Unidas, do outro a Europa. Milhares de estudos foram analisados pelas duas entidades. Já este ano um grupo de cientistas acusou a da EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar) de ser parcial e de se ter baseado num relatório da própria industria, uma parte interessada.

Os maiores problemas com o glifosato estão nos países americanos, onde são cultivados alimentos geneticamente modificados – 80% dos chamados OGM são resistentes ao glifosato, o que quer dizer que uma plantação transgénica pode ser pulverizada com herbicidas sem que a cultura morra, só as ervas. Um jackpot económico que se traduz por altas concentrações de herbicidas nos cereais.

Estes transgénicos são por enquanto proibidos na Europa. Mas há um transgénico que pode ser semeado: a variedade de milho MON 181. E Portugal é um dos quatro países que cultiva OGM na Europa.

Nos supermercados, os produtos OGM estão sobretudo nas prateleiras de óleos alimentares, numa farinha de milho e numa maionese. Mas várias toneladas de milho e soja OGM entram todos os dias em Portugal. Vêm de barco e vão para as fábricas de rações. Mais de 90% da alimentação animal é feita de transgénicos resistentes ao glifosato.

Mas a qualidade paga-se. Os alimentos biológicos são, em geral, mais caros. E… serão suficientes para alimentar o planeta?

Para ver a reportagem, clique aqui.

Fonte: RTP