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O ministro do Ambiente garantiu esta segunda-feira que os pedidos de outros países para a deposição de resíduos nos aterros portugueses estão a ser apreciados com “muito mais critério”, devido ao aumento do volume registado nos últimos três anos.

"As licenças que já estavam emitidas são apenas até maio e os novos pedidos estão a ser vistos com muito mais critério porque nos últimos três anos a importação de resíduos em Portugal cresceu com muita expressão”, afirmou João Pedro Matos Fernandes, precisando que o volume passou das 60 mil toneladas em 2017 para as 250 mil toneladas em 2019.

O ministro do Ambiente e da Ação Climática, que falava aos jornalistas em Loulé, à margem de um evento sobre alterações climáticas, referiu-se ainda ao protesto que ocorreu esta manhã em Azambuja contra um aterro ao qual chegam toneladas de resíduos vindos de outros países.

O governante disse que “ainda hoje vai haver novidades” sobre o aterro de Azambuja, notando que há 15 aterros que estão a ser alvo da “particular atenção” do Governo.

"Há três [aterros] que têm um grau de queixa por parte das populações, já com significado: um em Sesimbra, outro em Valongo e outro em Azambuja”, referiu, prometendo que ainda esta segunda-feira vai ser tornada pública informação sobre esses casos.

Frisando que as 250 mil toneladas de resíduos importadas por Portugal representam apenas “2 a 3% daquilo que é depositado em aterro” no país, o governante afirmou que esse número “não vai crescer”.

João Pedro Matos Fernandes insistiu no facto de ter que haver “um muito maior critério e rigor” na apreciação dos pedidos que são feitos por outros países, lembrando que o comércio de resíduos na União Europeia “é completamente legítimo”.

O presidente da Câmara Municipal de Azambuja, Luís de Sousa, disse esta segunda-feira que a autarquia não vai autorizar o alargamento do aterro contestado pela população e gerido pela empresa Triaza enquanto não estiverem resolvidos os processos em tribunal. O aterro em causa está situado no Centro de Tratamento de Resíduos Não Perigosos de Azambuja, uma infraestrutura gerida pela empresa Triaza, pertencente à SUMA, um consórcio liderado pela Mota Engil.

A infraestrutura foi inaugurada em 2017 e representou um investimento de 1,8 milhões de euros, tendo desde o início da sua construção sido contestado pelos moradores e por partidos da oposição.

Mais de dois anos depois, o mau cheiro e a existência de centenas de gaivotas no meio do lixo fez com que a população avançasse com uma petição online para exigir que o aterro seja encerrado.

A este aterro, que fica a céu aberto, chegam toneladas de resíduos vindos de Itália, Reino Unido e Holanda.

Fonte: Observador

A Polícia Civil do estado brasileiro de Minas Gerais confirmou esta seguna-feira a morte de uma quinta vítima associada a um caso de intoxicação por dietilenoglicol, uma substância tóxica encontrada em cervejas da empresa Backer.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais informou que pelo menos um caso de contaminação causado pela cerveja já foi confirmado e elevou para 30 o número de casos suspeitos. Desde o início do ano a polícia revelou que investiga a relação entre internamentos e mortes misteriosas em Minas Gerais com o consumo das cervejas produzidas pela Backer.

No início de janeiro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) do Brasil informou que a água utilizada pela empresa Backer na produção de cervejas estava contaminada. “Análises realizadas pelo MAPA constataram a contaminação da água utilizada pela Backer na fabricação de suas cervejas”, afirmou a pasta da Agricultura, acrescentando que a contaminação aconteceu nas dependências da empresa.

Foram encontradas substâncias tóxicas nas marcas Belorizontina, Capixaba, Capitão Senra, Pele Vermelha, Fargo 46, Backer Pilsen, Brown e Backer D2, todas produzidas pela Backer, ainda de acordo com o órgão do Governo brasileiro.

Face à suspeita de que a “contaminação por dietilenoglicol e monoetilenoglicol é sistémica”, ou seja, está presente no processo de fabrico da Backer, o ministério determinou a recolha de todos os produtos da cervejeira e a suspensão da fabricação, “pois outras marcas podem estar também contaminadas”.

Fonte: Observador

Um estudo publicado na Nutrition Research Reviews, aponta para as evidências científicas que mostram que os adoçantes sem ou de baixas calorias são seguros, não têm efeitos adversos na regulação da glicose no sangue em pessoas com e sem diabetes e induzem a um menor aumento da glicose no sangue em comparação com o açúcar, podem ajudar a reduzir ingestão calórica efetiva e podem ser parte das estratégias a considerar para reduzir o consumo de açúcares, em linha com recomendações de saúde pública em todo o mundo, visando reduzir o risco e a prevalência da obesidade.

Margaret Ashwell, investigadora sobre o tema, liderou um grupo de especialistas que publicou na revista científica um consenso sobre adoçantes sem ou de baixas calorias, com factos, lacunas da investigação e ações sugeridas. “O objetivo do nosso workshop foi estimular a visão de futuro e reafirmar os princípios”, explica Margaret Ashwell.“É consensual para o painel que um conjunto substancial de evidências sobre a segurança e o papel dos adoçantes de baixas calorias, que ajuda as pessoas a reduzir a sua ingestão de açúcar e calorias, é uma prioridade de saúde pública, que deve ser comunicada de forma consistente”, acrescenta.

Os especialistas esclarecem que o benefício do uso de adoçantes dependerá da quantidade de açúcares substituídos na alimentação, bem como do regime alimentar geral, uma vez, por si só, “não é expectável que atuem como uma solução milagrosa para perda de peso”.

No entanto, e com base nas evidências científicas, os autores concluem que estes adoçantes podem ser úteis em abordagens alimentares para prevenir e controlar a diabetes e a obesidade e podem facilitar a redução na ingestão calórica e na perda de peso.

O estudo pode ser consultado aqui.

Fonte: Grande Consumo

A DGAV publicou um esclarecimento em modo de FAQ (perguntas e respostas) sobre o papel dos animais na transmissão do coronavírus (2019-nCoV). Neste documento poderá ver esclarecidas questões como: "Os animais são responsáveis pela infecção do novo coronavírus de 2019? " e "Existem precauções a tomar com animais vivos ou produtos animais ?"

Poderá consultar o documento aqui

Fonte: DGAV

A associação de resíduos Smart Waste apresenta na terça-feira um pacto em que pretende comprometer câmaras, empresas e universidades na redução de plásticos de uso único, com metas definidas até 2025.

Numa iniciativa já aplicada no Reino Unido, Chile e França, os envolvidos no pacto, que ainda não está totalmente fechado, vão aderir a um projeto pela "criação de uma economia circular para os plásticos, na qual estes nunca se converterão em resíduos, e comprometer-se a atingir um conjunto de metas e objetivos ambiciosos para 2025".

No papel de "amigo crítico", a associação ambientalista Zero regista que nos últimos anos não se tem conseguido reduzir o volume de resíduos, incluindo o plástico.

Susana Fonseca, da área dos resíduos da Zero, afirma que a associação "espera para ver" que resultados poderá conseguir este pacto, assinalando que, "no conjunto, a tendência tem sido aumento de resíduos" e que "pouco ou nada foi feito" na prevenção e na reutilização.

"Este pacto pode ser uma boa ferramenta, mas vamos esperar para ver", afirmou.

De acordo com os números mais recentes da Agência Portuguesa do Ambiente, que se referem a 2018, foram produzidas 5,2 milhões de toneladas de resíduos - mais 04% do que no ano anterior -, 11,5% das quais são plástico.

Desde 2014, a quantidade de resíduos produzidos tem aumentado todos os anos. A APA reconhece que "os esforços e investimentos que têm vindo a ser feitos no sentido do aumento da deposição seletiva, não têm tido os devidos reflexos nos comportamentos da população".

Na apresentação do pacto, na sede da EDP, estará o ministro do Ambiente e Ação Climática a representar o Governo, que tanto as entidades da Smart Waste como a Zero defendem que tem um papel essencial para que as intenções do pacto tenham sucesso.

É ao executivo que compete criar "políticas públicas de utilização dos plásticos", disse à Lusa o presidente da Smart Waste, Aires Pereira, quando a iniciativa foi lançada em setembro passado.

Susana Fonseca indicou também que taxar o uso de plásticos de uso único é uma competência do Governo que ainda não produziu resultados.

"Isto não pode parar no plástico, temos que atacar tudo o que é descartável", disse a ambientalista, salientando que substituir plástico por outros materiais não é uma alternativa viável e que é preciso garantir a reutilização.

O pacto é promovido a nível internacional pela fundação Ellen Macarthur, que pretende acelerar a transição para a economia circular.

Fonte: Sapo 24

Milhões de gafanhotos que atingem parte do Quénia, na pior praga dos últimos 70 anos, estão a ser combatidos por aviões que lançam pesticidas, o único meio efetivo de controlo, segundo os especialistas.

Trata-se de um trabalho desafiante, especialmente em partes remotas do Quénia, onde não existe rede de telemóvel e as equipas em terra não conseguem comunicar facilmente coordenadas ao pessoal de voo.

As equipas em terra estão “nos mais difíceis terrenos”, disse hoje Marcus Dunn, piloto e diretor na Farmland Aviation. “Se não houver rede, então um tipo numa ‘boda boda’ (motorizada) tem de correr e apanhar uma rede”.

Cinco aviões estão atualmente a dispersar spray no Quénia e outras autoridades estão a tentar impedir os gafanhotos de se espalharem aos vizinhos Uganda e Sudão do Sul.

As Nações Unidas afirmaram que são necessários imediatamente 76 milhões de dólares para desenvolver tais esforços no leste de África.

Uma resposta rápida é crucial. Especialistas avisaram que sem controlo, o número de gafanhotos pode crescer 500 vezes até junho, quando o tempo mais seco poderá ajudar a controlar o surto.

Gafanhotos com o tamanho de um dedo atingiram o Quénia a partir da Somália e da Etiópia, depois de intensas chuvas, pouco habituais, nos últimos meses, dizimando as colheitas em algumas áreas e ameaçando milhões de pessoas vulneráveis com uma crise de fome.

O ministro da Agricultura da Somália considerou hoje a praga emergência nacional e uma grande ameaça à frágil segurança alimentar do país, referindo que os enxames de gafanhotos “anormalmente grandes” estão a consumir grandes quantidades de colheitas.

Em enxames do tamanho de grandes cidades, os gafanhotos afetaram também partes do Sudão, Djibuti e Eritreia, cujo ministro da Agricultura disse que tanto os militares como a população em geral foram chamados a combater os animais.

O ministro da Agricultura do Quénia admitiu que as autoridades não estavam preparadas para a dimensão da infestação este ano. Fontes das Nações Unidas afirmaram não ser surpreendente, uma vez que passaram décadas desde a ocorrência de uma praga comparável.

Os gafanhotos estão também a dirigir-se para o celeiro da Etiópia, o segundo país mais populoso de África, na pior praga deste país em 25 anos.

Na quinta-feira, os primeiros habitantes da capital, Adis Abeba, começaram a reportar sinais de insetos.

“Fiquei surpreendido por encontrar gafanhotos dentro da minha sala de estar”, disse um residente, Mathewos Girma, mostrando uma fotografia no telemóvel: “Parece que está a bater à porta de todos nós”.

Fonte: Sapo24

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) realizou, de norte a sul do país, ações dirigidas a panificadoras e pastelarias com fabrico próprio para observância das regras de exercício de atividade bem como de higiene alimentar e rotulagem dos géneros alimentícios.


Como balanço das ações realizadas durante o ano de 2019 foram fiscalizados cerca de 655 operadores económicos tendo sido instaurados 7 processos crime e 175 processos de contraordenação.


Como principais infrações criminais destaca-se a fraude sobre mercadorias, o uso de marcas contrafeitas ou imitadas, o uso ilegal de denominação de origem ou indicação geográfica, entre outras. Como principais infrações contraordenacionais destaca-se o incumprimento dos requisitos gerais e específicos de higiene, a inexistência de processo ou processos baseados nos princípios do HACCP, a existência de processo ou processos baseados nos princípios do HACCP, a falta de mera comunicação prévia, a violação dos deveres gerais da entidade exploradora do estabelecimento de restauração e bebidas, a falta de preços em bens, o início da exploração de estabelecimento industrial de tipo 3 e a falta de controlo metrológico.


Foram apreendidos cerca de 1 350 unidades de produtos e 2 toneladas de produtos num valor total aproximado de € 15 000,00.


Foi ainda determinada a suspensão de 34 estabelecimentos que suscitaram a aplicação de uma medida cautelar gravosa por falta de incumprimento dos requisitos gerais e específicos de higiene, tendo a maioria procedido à reabertura assim que se encontraram reunidas as condições para o exercício de atividade.


A ASAE, no âmbito das suas competências, continuará a desenvolver ações de fiscalização de forma a verificar o cumprimento das obrigações legais e a assegurar a saúde pública, a segurança alimentar e a defesa do consumidor concomitantemente com a garantia do exercício da atividade económica em leal concorrência.

Fonte: ASAE

Dia 31 de janeiro marca a saída oficial, e também o início de um período de transição que durará 11 meses e durante o qual o Reino Unido permanecerá na união aduaneira europeia e no mercado único, podendo manter a circulação de bens, serviços e capitais enquanto negocia uma nova relação com a União Europeia.

Nesta data história, os cidadãos do Reino Unido deixam de ser cidadãos da União Europeia, mas tal não trará, ainda, alterações às suas vidas a nível económico ou de movimentação. No período de transição, os portadores de um passaporte britânico podem continuar a viver, trabalhar e estudar na UE e os cidadãos de outros países europeus terão os mesmos direitos no Reino Unido.

Na prática, a principal mudança que se fará sentir durante os 11 meses de transição é o facto de o Reino Unido passar a estar fora das instituições políticas europeias, incluindo o Parlamento Europeu, deixando de ter uma palavra a dizer sobre as decisões tomadas para os 27 Estados-membros.

Foi publicado hoje, no Jornal Oficial da União Europeia, a Declaração Política que estabelece o quadro das futuras relações entre a União Europeia e o Reino Unido. Neste documento, é possível consultar quais as perspetivas da relação em diferentes áreas de atuação.

Como referido, "têm em vista uma relação em matéria de comércio de mercadorias ambiciosa com base num Acordo de Comércio Livre, a fim de facilitar a fluidez do comércio legítimo. Estas disposições terão em conta o facto de que, após a saída do Reino Unido da União, as Partes constituirão mercados separados e ordenamentos jurídicos distintos."

Nesta declaração é também mencionado que "as disciplinas sobre os obstáculos técnicos ao comércio deverão estabelecer princípios comuns nos domínios da normalização, da regulamentação técnica, da avaliação da conformidade, da acreditação, da fiscalização do mercado, da metrologia e da rotulagem. As Partes deverão tratar-se uma à outra como entidades únicas no que respeita às medidas sanitárias e fitossanitárias, inclusive para efeitos de certificação, e reconhecer a regionalização com base em informações epidemiológicas adequadas prestadas pela parte exportadora. As Partes explorarão também a possibilidade de cooperação das autoridades do Reino Unido com agências da União como a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), a Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) e a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (AESA)."

O documento pode ser consultado na íntegra aqui.

Fonte: Qualfood/RTP Notícias

 

A Direção-Geral da Saúde (DGS) emitiu na quinta-feira ao fim do dia um documento com orientações para profissionais do sistema de saúde em Portugal para a prevenção e controlo da infeção pelo novo corinavírus detetado na China e que infetou já cerca de 10 mil pessoas.

Perante um caso suspeito, o potencial doente deve ser colocado numa área de isolamento (um quarto, uma sala ou um gabinete), que permita distanciamento social em relação aos restantes utentes ou doentes.

A DGS apela a que as unidades de saúde afixem, em locais visíveis, cartazes que alertem os utentes para a necessidade de informar o segurança ou administrativo no caso de terem viajado nos últimos 14 dias de Wuhan, da província de Hubei ou de áreas afetadas pelo novo coronavírus e terem sintomas de infeção respiratória.

Os profissionais de saúde devem aplicar aos casos suspeitos as medidas de controlo de infeção a partir logo do momento da admissão do caso na unidade de saúde.

Na orientação emitida, a DGS indica que os profissionais da triagem ou na inscrição dos utentes devem ser orientados e treinados para a deteção precoce de um possível caso suspeito.

Os casos suspeitos devem ficar internados, em hospitais de referência, num quarto individual de isolamento com pressão negativa e casa de banho privativa.

Se o caso suspeito estiver num hospital de segunda linha, sem área de isolamento com pressão negativa, o potencial doente deve ser colocado num quarto individual com sistema de ventilação.

As unidades de saúde devem colocar profissionais dedicados exclusivamente à prestação de cuidados do caso, restringir visitas e manter o registo de todas as pessoas que entrem na área onde o potencial doente está isolado,

Perante um caso suspeito, a DGS define que as unidades de saúde devem promover o uso de equipamento de proteção individual.

O profissional de triagem deve dar uma máscara cirúrgica ao doente suspeito, acompanhá-lo para um sítio afastado dos outros utentes, se possível para a área de isolamento definida no plano de contingência da instituição, evitando a passagem por sítios com aglomeração de pessoas.

Os profissionais de saúde devem ainda usar equipamento de proteção individual, como bata, máscara, luvas e proteção ocular.

Fonte: Observador

As alterações climáticas são uma ameaça para a produção de vinho, que pode cair para metade com um aumento de dois graus celsius da temperatura global, indica um estudo produzido por uma equipa internacional de investigadores e divulgado pela Universidade de Columbia, precisa que com um aumento de dois graus as regiões do mundo adequadas para o cultivo da vinha regridem em 56%, mas com um aumento de quatro graus serão 85% dessas terras a tornar-se incapazes de produzir bons vinhos.

No entanto, o estudo, publicado na revista científica “Procedimentos da Academia Nacional de Ciências” (publicação oficial da Academia de Ciências dos Estados Unidos), indica que se as vinhas forem reorganizadas, com castas mais resistentes ao calor, as perdas potenciais podem reduzir-se a metade da previsão com um aumento de dois graus.

Os cientistas admitem que a diversidade é essencial para tornar a agricultura mais resistente às alterações climáticas e as uvas para produção de vinho são um exemplo, com mais de 1.100 variedades plantadas, documentadas há muito. E essas uvas também são muito sensíveis às mudanças de temperatura.

“De certa forma o vinho é como o canário na mina de carvão, devido aos impactos das alterações climáticas na agricultura, porque as suas uvas são muito sensíveis ao clima”, disse Benjamin Cook, da Universidade de Columbia, um dos autores do estudo.

Os investigadores estudaram 11 variedades de uva para vinho, combinando arquivos para fazer modelos sobre quando cada uma iria brotar, florescer e amadurecer sob três cenários de temperatura: um de zero graus de aumento, outro de aumento de dois graus e outro de aumento de quatro graus.

Nos dois cenários de aquecimento as perdas eram inevitáveis e a qualidade do vinho seria afetada. Mas os investigadores descobriram que mudar as variedades da vinha podia reduzir essas perdas.

Com dois graus de aquecimento global e sem qualquer tentativa de adaptação 56% das áreas vinícolas do mundo podem perder-se. Mas se os produtores mudarem para variedades mais adequadas às alterações climáticas as perdas descem para 24%.

Na região de Borgonha (França), por exemplo, a mourvedre e a grenache, que gostam do calor, podem substituir as atuais variedades, como o pinot noir. Em Bordéus, cabernet sauvinon e merlot podem ser substituídos por mouvedre.

Os cientistas dizem que as regiões vinícolas mais frias, como na Alemanha, Nova Zelândia e noroeste da costa do Pacífico dos Estados Unidos, sairiam relativamente incólumes num cenário de aumento de dois graus centigrados.

Essas regiões podem tornar-se adequadas para variedades mais quentes, como merlot e grenache, enquanto as variedades que preferem temperaturas mais baixas, como o pinot noir, podem expandir-se para norte, para regiões atualmente não adequadas para a produção de vinho.

Por outro lado, regiões vinícolas já mais quentes, como em Itália, Espanha ou Austrália, enfrentam as maiores perdas, porque já estão limitadas à plantação das variedades mais quentes.

Os cientistas admitem que o processo de mudança não é fácil, mesmo em termos de mentalidades, porque há regiões que cultivam as mesmas variedades há muitas centenas de anos.

Fonte: Agroportal