“Que gotas são estas? Servem para aliviar quem sofre de epilepsia e os efeitos secundários da quimioterapia?” Os folhetos que estão no balcão da dietética - ou nos sites online - asseguram que o canabidiol (CBD), óleo extraído das sementes de cânhamo (Cannabis sativa L.) tem efeitos benéficos, até mesmo nos casos de insónia, dor e fibromialgia. Tudo isto isento de estados alterados de consciência, ou seja, sem efeitos alucinogénios.
Caso os houvesse, nem poderiam estar à venda como suplementos alimentares, já que a sua comercialização teve de passar pelo crivo da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV). Em declarações à VISÃO, o organismo público do Ministério da Agricultura esclareceu que estes “géneros alimentícios” podem apresentar efeitos benéficos para a saúde “mas não propriedades de profilaxia ou tratamento de doenças” e que a comercialização e consumo são permitidos, “desde que o teor de tetrahidrocanabinol (THC) não exceda 0,2% na planta”.
“Compram e voltam, porque se sentem efetivamente melhor”, assegura quem vende. Perguntamos quais são os preços dos frascos com 3% e 15% da substância, os disponíveis para venda. Variam entre 30 e 135 euros. Assim tão caros? “Depende do ponto de vista, este produto é orgânico, natural, certificado e produzido de acordo com todas as normas legais”, informam, do outro lado do balcão. Ou via email, no caso de sites que vendem produtos dietéticos e alimentares e sem loja física. Percebe-se porquê. Para obedecer aos requisitos legais em vigor, “o CBD quimicamente sintetizado custa 10 vezes mais do que o CBD extraído e purificado a partir da planta Cannabis S.”, lê-se no site da ONOL, empresa sediada em Braga.
Estranha-se que todos os produtos apareçam com a menção “esgotado”, mas o mistério fica desvendado mais adiante, na secção de perguntas e respostas: “A ONOL está a estudar a possibilidade de comercializar CBD proveniente de síntese química ou biossíntese (...) Até lá, não é vendido na presente loja.” O motivo apresentado é este: “Ainda que a quantidade de THC seja vestigial, é detetável pelos testes rápidos da polícia e unidades caninas.” Há escassos meses, o proprietário de uma loja nos Açores, que há mais de um ano importava os frascos através de um site espanhol, viu-se em apuros quando os testes da Polícia Judiciária encontraram níveis de THC superiores aos permitidos por lei. Surpresas destas acontecem e trazem à luz a pergunta incontornável: onde está a legislação para estes produtos?
PUBLICIDADE ENGANOSA: SIM OU NÃO?
A questão ganha ainda mais pertinência desde que o valor terapêutico do canabinóide não estupefaciente da canábis nas crises (convulsões) de epilepsia - com baixo ou nenhum risco de dependência - foi reconhecido pelo comité de peritos em dependências químicas da Organização Mundial de Saúde (OMS). Porém, no final do ano passado, o mesmo organismo decidiu fazer nova revisão da canábis e seus derivados, incluindo o CBD. Com início previsto para maio deste ano, esta revisão justifica-se “pelo interesse crescente do uso da canábis para fins medicinais, incluindo os cuidados paliativos”. E, ainda, porque estão em curso várias dezenas de ensaios clínicos, cuja meta é ver a substância autorizada e comercializada no âmbito clínico, regulado pelas autoridades de saúde.
Já os suplementos alimentares são todo um outro mundo à parte. Entre consumidores, parece vigorar a mensagem de que “se não faz mal, até pode fazer bem”, sendo secundário se é, ou não, um fármaco, desde que esteja certificado como diz na embalagem. Por agora. No passado mês de abril, a FDA, autoridade americana, lançou uma nota, apoiando-se na Drug Enforcement Administration (DEA), que entende serem estas substâncias controladas, vulgo, ilegais, dando a saber que “os produtos à base de CBD devem ser excluídos da definição de suplementos alimentares”.
Viável mesmo só na investigação científica e no meio clínico. Importa dizer que existem dois fármacos contendo CBD, da GW Pharmaceuticals: o Epidiolex, para uma forma rara de epilepsia, e o Sativex (não comercializado no mercado português, embora disponível se for pedida autorização de utilização excecional de medicamentos), que inclui ainda THC na sua composição, para espasticidade na esclerose múltipla e em casos muito específicos de dor oncológica.
Entre isto e anunciar a “cura” sob a forma de suplementos vai uma longa distância, ou seja, trata-se, para a FDA, de “publicidade enganosa”. Segundo o INFARMED, “não existe harmonização nos Estados Membros sobre a classificação deste produto e eventual legalização da sua utilização”. Quanto à classificação do CBD, "a OMS emitiu um comunicado informando que o mesmo não se encontra nas tabelas de substâncias controladas (apenas se este componente for parte do extrato) mas esta matéria será objeto de discussão numa reunião a ocorrer ainda este mês”.
PRUDENTES E CONFIANTES
Enquanto se aguarda a votação em plenário da versão final do diploma que regula a utilização de medicamentos, preparações e substâncias à base de canábis para fins medicinais (já aprovado na comissão parlamentar de Saúde), o mercado dos suplementos, mantém-se, ao que tudo indica, em alta. “Temos [o canabidiol] há ano e meio, que importamos da Polónia, e a procura tem sido muita”, confirma João Silva, conselheiro da Celeiro Integral, em Tomar. “Quem compra costuma vir informado, com referências como a da PubMed, e usa-os para reduzir náuseas e dores associadas aos tratamentos oncológicos e para a epilepsia”, explica. Quanto aos preços, é perentório: “O povo diz: se fizer efeito não é caro.”
A crescente procura do CBD tem sido uma constante na prospeção realizada em vários estabelecimentos que importam marcas distintas do suplemento. Tiago Vale, diretor de marketing das lojas Celeiro, com sede em Lisboa, destaca o facto de o Raw Hemp Oil Phyto + ter uma comercialização recente, acrescentando que esta se encontra “dentro dos requisitos legais e notificada à autoridade competente” e com uma “evolução lenta mas progressiva, não sendo possível dar dados concretos sobre as vendas, assim como qual o perfil dos clientes que o adquirem”.
Até agora, nenhum pedido de informação, queixa ou reclamação chegou à Direção-Geral do Consumidor. Nem registo de alertas sobre publicidade enganosa ou motivo para alarme. Sabemos, sim, que segundo o INFARMED, “o canabidiol está neste momento em avaliação centralizada na EMA (Agência Europeia do Medicamento), havendo mais de 40 ensaios clínicos realizados/autorizados ou em curso na UE”.
Fonte: Visão
Pesquisadores dos fenómenos de mudanças climáticas aperceberam-se, nos últimos anos, que o excesso de dióxido de carbono que a humanidade bombeia para a atmosfera não está apenas a aquecer o planeta, mas também torna menos nutritivas algumas das nossas plantações mais importantes.
Cientistas descobriram num novo estudo que o arroz exposto a níveis elevados de dióxido de carbono contém quantidades menores de nutrientes importantes.
As consequências potenciais deste fenómeno para a saúde humana são enormes, considerando que já são milhares de milhões as pessoas em todo o mundo que não ingerem proteínas e vitaminas, bem como outros nutrientes, em quantidades suficientes.
"Quando estudamos a segurança dos alimentos, frequentemente nos concentramos no facto de que as mudanças climáticas poderão afetar a produção das lavouras", disse Lewis H. Ziska, fisiologista vegetal do Departamento da Agricultura dos Estados Unidos e coautor do estudo. "Mas a qualidade destas culturas e o seu teor nutricional são igualmente importantes, e nem sempre têm sido analisados de forma mais profunda".
No estudo, publicado em maio pela revista "Science Advances", Ziska e seus colegas expuseram campos de arroz experimentais na China e no Japão aos mesmos níveis elevados de dióxido de carbono que, segundo se prevê, ocorrerão mais perto do final do século em consequência da atividade humana. A maioria das 18 variedades de arroz que foram cultivadas continha um teor consideravelmente menor de proteínas, zinco e ferro do que o arroz cultivado hoje em dia. Todas as variedades de arroz apresentaram declínios drásticos das vitaminas B1, B2, B5 e B9, embora contivessem níveis mais elevados de vitamina E.
Os pesquisadores decidiram estudar o arroz porque mais de 2 milhares de milhões de pessoas em todo o mundo dependem desta cultura como principal fonte de alimento. "Num país como o Bangladesh, o arroz fornece 70% das calorias diárias necessárias e não há muitas outras oportunidades de conseguir esses nutrientes", afirmou Kristie L. Ebi, professora de saúde pública da Universidade de Washington e coautora do estudo.
O documento baseia-se num estudo publicado na revista "Nature" em 2014 e conclui que elevados níveis de dióxido de carbono reduziram a quantidade de zinco e ferro encontrados no trigo, no arroz, na ervilha forrageira e na soja.
Em plantas como arroz e trigo, que realizam o que conhecemos como fotossíntese C3, o aumento dos níveis de dióxido de carbono pode fazê-las produzir mais carboidratos, diluindo alguns dos componentes mais nutritivos. Mas os cientistas ainda tentam compreender por que alguns compostos, como a vitamina B, ficam diluídos e outros não, ou por que algumas variedades de arroz sofrem declínios mais acentuados de vitamina B do que outras.
Com pesquisas mais aprofundadas, os cientistas poderiam tentar cultivar ou criar pela engenharia genética novas variedades de culturas que preservam grande parte do seu valor nutricional apesar do aumento do dióxido de carbono. Mas este poderá ser um processo extremamente complexo, aponta Ziska, considerando que todas as linhagens de arroz testadas em seu estudo mostraram declínios significativos da vitamina B.
Se os cientistas que estudam tais culturas não puderem solucionar o problema, serão necessárias mudanças mais profundas para neutralizar o efeito negativo para a nutrição no mundo todo.
"Consequentemente, as pessoas precisarão de dietas mais diversificadas com uma variedade de fontes de alimentos de qualidade", afirmou Kristie L. Ebi, "e este já constitui um grande desafio".
Outra solução possível seria a redução da quantidade de dióxido de carbono que a humanidade emite.
"A ideia de que os alimentos poderão tornar-se menos nutritivos foi uma surpresa, não é algo intuitivo", explicou Samuel S. Myers, um cientista dedicado à pesquisa do Harvard University Center for the Environment, que trabalhou no estudo publicado pela "Nature" em 2014. "Mas acho que devemos esperar outras surpresas. Estamos a alterar completamente as condições biofísicas em que se baseia nosso sistema alimentar, e ainda conhecemos muito pouco sobre a maneira como essas interferências se espalharão pelo ecossistema e afetarão a saúde humana".
Fonte: terra.com.br
A Direção Geral de Alimentação e Veterinária informa que foi publicado o Despacho nº 5173/2018, de 23 de maio de 2018, correspondente à atualização anual, à taxa de inflação, das taxas previstas na Portaria n.º 86/2017, de 27 de fevereiro, que fixa as taxas devidas pelos serviços prestados e encargos associados referentes às áreas dos pedidos relativos a limites máximos de resíduos, da colocação no mercado de produtos fitofarmacêuticos e adjuvantes, e da distribuição, venda e aplicação de produtos fitofarmacêuticos para uso profissional.
As taxas atualizadas são aplicáveis desde o passado dia 24 de maio.
Fonte: DGAV
Os aditivos usados no plástico, para o tornarem mais maleável, têm consequências para a saúde humana, diz uma investigadora da Faculdade de Ciências Médicas, da Universidade Nova de Lisboa.
Conceição Calhau revela que “os aditivos usados nas embalagens de plástico interferem no nosso sistema hormonal, podendo desencadear várias doenças, nomeadamente o cancro”.
A investigadora, que se tem dedicado ao estudo do impacto do plástico na saúde pública, não tem dúvidas sobre as consequências que tem para a saúde o uso recorrente de embalagens de plástico. Diz que a presença de plásticos no corpo humano, pode detetada por uma simples análise à urina.
Por precaução, a investigadora recomenda que “não se usem embalagens de plástico, para aquecer comida no micro-ondas” e adverte quem costuma levar o almoço para o trabalho na marmita que “não deve aquecer nela os alimentos”.
Conceição Calhau alerta para a necessidade de haver especiais cuidados nesta matéria com os bebés. Até porque no primeiro ano de vida quase tudo é de plástico, a começar pelos biberons. Os investigadores da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova fizeram análises a biberons de plástico vendidos em lojas chinesas e a conclusão a que chegaram é que representam um risco para a saúde dos bebés, porque ficou provado que “há migração dos aditivos do plástico para o corpo do bebé e que essa migração aumenta a cada reutilização”.
Mas não são apenas os biberons vendidos nas lojas chinesas que podem representar um risco para a saúde pública. A ameaça estende-se a “muitos outros produtos”, segundo Carlos Campos, que pertence à indústria de reciclagem de resíduos urbanos.
Carlos Campos diz que “há um problema de falta de controlo sobre a qualidade dos produtos que são importados do continente asiático. A Europa não quer receber refugiados, defende, mas deixa entrar no seu território produtos que não são sujeitos a controlos de qualidade comparáveis com os que são impostos aos europeus. E isso representa um risco para a saúde pública.”
Fonte: rr.sapo.pt
A doença do chamado cancro do kiwi é induzida pela bactéria Pseudomonas Synrigae Actinidae (PSA), que começa por provocar pintas amarelas nas folhas, depois espalha-se pelo resto do organismo da planta e pode levar à sua morte.
Mas eis que investigadores da Universidade de Aveiro (UA) utilizaram um novo método para eliminar esta doença, "sem efeitos secundários para a planta, pelo que se conseguiu apurar até agora no trabalho de investigação realizado", anunciou a UA, em comunicado.
Trata-se de uma doença que os kiwicultores portugueses já conhecem há cerca de 20 anos. "Quando aparecem os primeiros sinais, aplicam um tratamento à base de óxido de cobre que é o tratamento mais frequentemente aplicado em Portugal e nos outros países produtores de kiwi, mas que não tem sido suficiente para controlar a praga", garante a UA, alertando para o facto de o uso do óxido de cobre ter vários problemas associados: "a sua toxicidade acumula-se no ambiente e pode não eliminar totalmente o cancro do kiwi, dado que há bactérias que conseguem desenvolver resistência a este tratamento", explicou.
O trabalho deste grupo de investigação da UA, em parceria com a Associação Portuguesa de Kiwicultores (APK), que está sediada em Santa Maria da Feira, "partiu do já conhecido efeito antimicrobiano das porfirinas que tem vindo a ser estudado por este grupo de investigadores em efluentes líquidos".
Mas esta investigação está longe de concluída, pelo que não é certo que a UA tenha descoberto a cura para o cancro do kiwi. "O próximo passo na investigação será a aplicação da nova formulação em plantas infectadas (in vivo) e, depois, testes no campo. Por outro lado, serão necessários ainda estudos de intervalo de segurança, entre outros, para verificação de eventuais efeitos em pessoas e animais", esclareceu.
Segundo a APK, Portugal é o 11.º produtor mundial de kiwis, tendo no ano passado exportado mais de metade da sua produção. Aliás, desde há seis anos que vendemos mais kiwis para fora do que importamos - em 2017, o país exportou 16.272 mil toneladas, no valor de 19,5 milhões de euros, de um total de 28 mil toneladas de kiwis produzidos, e importou 9.326 toneladas por 14 milhões de euros.
Fonte: Correio da Manhã
A Estação de Avisos Agrícolas de Entre Douro e Minho alerta para a existência de risco elevado de míldio e oídio na vinha. E alerta também para doenças nos citrinos, kiwi, pomóideas, prunóideas, pequenos frutos e hortícolas
Míldio
Segundo a Circular nº9 daquela Estação de Avisos Agrícolas, no que diz respeito ao míldio (Plasmopora vitícola), a vinha encontra-se no início da floração e em algumas castas mais precoces já a passar à alimpa. “As chuvas caídas nos últimos dias lavaram, mais ou menos completamente, o último tratamento, sobretudo se foi feito com produtos de contacto”.
A situação, com previsão de chuva ou tempo instável para os próximos dias, é “de risco de novas infecções”, salienta a Estação.
Para combate ao míldio da videira no Modo de Produção Biológico, são autorizados produtos à base de cobre.
Oídio
Quanto ao oídio da vinha (Erysiphe necator), “o risco é elevado. Junte à calda anti-míldio um fungicida anti-oídio ou aplique um produto de acção simultânea anti-míldio e anti-oídio”, aconselha a Circular nº9.
Para combate ao oídio da videira no Modo de Produção Biológico, são autorizados fungicidas à base de enxofre.
Podridão dos cachos
No que diz respeito à podridão dos cachos (Botrytis cinerea), aquela Estação de Avisos realça que com a alteração das condições meteorológicas, há risco de os jovens cachos (inflorescências) serem atacados. “Vá observando a vinha, sobretudo nos locais onde é habitual ocorrerem ataques de Botrytis”.
Se entender que corre risco de ter perdas médias ou graves, deve realizar o primeiro tratamento standard durante a floração – alimpa.
Não está homologado qualquer produto para o combate à podridão cinzenta no Modo de Produção Biológico. No entanto, os fungicidas à base de cobre, utilizados na protecção contra o míldio, têm efeitos secundários no controlo da podridão cinzenta.
A fertilização azotada racional (de acordo com resultados de análises do solo) e o arejamento dos cachos por desfolhas e despampas, mais tarde, permitem reduzir as contaminações pela Botrytis. O enrelvamento (que contribui para a diminuição do vigor das videiras) também tem efeitos positivos.
Pode consultar a Circular completa aqui.
Fonte: Agroportal
O consumo de carne de caça tem vindo a crescer em Portugal, com as suas qualidades a serem reconhecidas por cozinheiros de referência, segundo avança a Associação Nacional de Proprietários Rurais de Gestão Cinegética e Biodiversidade (ANPC).
No âmbito de uma ação promovida na Feira Nacional da Agricultura, que decorreu em Santarém, a ANPC destacou as "propriedades únicas" da carne de caça, "que vão além do sabor e da versatilidade como podem ser trabalhadas", referindo o facto de ser "de origem 100% sustentável, criada em plena natureza, com menos gordura saturada e colesterol e, por isso, melhor para o organismo".
Em média, nos últimos três anos foram caçados cerca de 65.000 javalis e 10.000 veados por época de caça, suficientes para preparar mais de 13,5 milhões de refeições, a que se acrescenta a carne vinda de outras espécies cinegéticas - perdiz, tordo, pombo-bravo, galinhola (três milhões de animais por época de caça), que se traduz em mais de cinco milhões de refeições, afirma uma nota da ANPC.
A Associação avança ainda que o consumo de carnes de caça "traz claros benefícios, também ambientais, fornecendo uma alimentação com uma pegada de carbono claramente reduzida", salientando que também a fundação mundial para a vida selvagem World Wildlife Foundation (WWF) "defende a caça sustentável", tal como a resultante de uma gestão cinegética baseada em boas normas, que segundo a ANPC, "permite apresentar à sociedade um tipo de carne com qualidades organolépticas excecionais, com claros benefícios para a saúde".
Fonte: Sábado.pt
O Governo está a negociar com a indústria agro-alimentar e com o sector da distribuição a redução voluntária e faseada, ao longo de três anos, do sal, açúcar e gorduras num cabaz de produtos que considera mais relevantes e acredita que vai conseguir um acordo em breve. Se o acordo se concretizar, fica posta de lado a hipótese de insistir, nos próximos tempos, na taxação de produtos com excesso de sal, uma proposta que foi chumbada em Novembro passado.
O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, adiantou esta sexta-feira à TSF que espera chegar a um acordo, até ao final deste mês ou início do próximo, sobre os produtos a abranger nesta forma de auto-regulação da indústria.
Recorde-se que foi o PSD, em conjunto com o CDS-PP e graças à abstenção do PCP, que chumbou em Dezembro passado a proposta de taxação de produtos com elevado teor de sal que o Governo pretendia consagrar no Orçamento do Estado para 2018. A ideia era alargar o imposto especial de consumo aplicado a bebidas açucaradas a vários produtos com excesso de sal. O “imposto batata frita”, como ficou conhecido, previa uma taxa adicional em determinados produtos com mais do que 1 grama de sal por cada 100 gramas, e renderia cerca de 30 milhões de euros por ano.
A proposta foi eliminada mas a questão do sal não foi esquecida, entretanto. O que o Governo pretende, agora, é conseguir que a indústria faça o caminho não só da redução do sal, mas também do açúcar e das gorduras, gradualmente, sem a sujeitar a impostos suplementares, monitorizando o processo.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) já definiu os valores máximos de açúcar, sal e gorduras em relação a uma série de categorias de alimentos – como os cereais de pequeno-almoço, as bolachas e refeições embaladas, entre outros. Em relação ao sal, genericamente a OMS recomenda o consumo máximo de cinco gramas (o equivalente a uma colher de chá rasa) por dia para um adulto e três gramas para uma criança, mas em Portugal a média de consumo atinge o dobro. “Se conseguirmos esses objectivos ambiciosos, não serão necessários novos impostos no orçamento”, alega agora Fernando Araújo.
Ao mesmo tempo, o Governo está a avaliar a hipótese de avançar com novos escalões na tributação das bebidas açucaradas, depois de o chamado “imposto Coca-Cola” ter tido “um enorme sucesso”, assinalou. Um estudo sobre o impacto desta taxa concluiu que contribuiu para uma redução de consumo de 5630 toneladas de açúcar no ano passado.
Actualmente, só existe um escalão neste imposto - que é aplicado aos refrigerantes, bebidas energéticas, concentrados e águas aromatizadas - e o que se pretende é que bebidas com oito gramas de açúcar, por exemplo, "possam ser reformuladas" de maneira a "reduzir a tributação associada", explicou o governante.
Fonte: Público
Um restaurante de Chaves é alvo de um processo-crime por venda de javali capturado numa zona de caça de Trás-os-Montes onde já foi comprovada a presença de parasitas causadores da triquinelose (doença transmissível ao homem).
As peças de carne não tinham sido sujeitas à inspeção obrigatória por um médico veterinário. Numa fiscalização ao estabelecimento, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) apreendeu 128 quilos de peças de carne, no valor de 600 euros, e instaurou o processo por comercialização de produtos anormais avariados e abate clandestino.
A operação da Unidade Regional do Norte da ASAE foi realizada apenas naquele estabelecimento devido à presença de carne imprópria para consumo, não só por não ter sido realizado o rastreio veterinário, mas também por os animais terem sido capturados de forma selvagem.
A presença do agente que provoca a triquinelose em javalis abatidos em zonas de caça localizadas em concelhos transmontanos originou a identificação daquela região como área de risco, pela Direção-Geral de Veterinária.
PORMENORES
Inspeção é obrigatória
As peças de caça selvagem devem ser encaminhadas para um estabelecimento aprovado para serem sujeitas a inspeção que inclui a pesquisa de iTrichinella(parasita), o que não aconteceu.
O que é a triquinelose?
É uma doença transmitida aos humanos através da ingestão de carne de porco, javali ou cavalo insuficientemente cozinhada. Pode originar dores abdominais e musculares, náuseas, vómitos, diarreia, edema nas pálpebras e insuficiência cardíaca.
Fonte: Correio da Manhã
Mais de metade da pesca em alto mar só é lucrativa porque recebe grandes subsídios dos governos, indica um estudo hoje divulgado que alerta para as altas somas de dinheiro dos contribuintes gastas numa “indústria destrutiva”.
O estudo foi feito pela National Geographic Society e outras entidades como a Sustainable Fisheries Group (SFG), da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, a organização internacional Global Fishing Watch, e o projeto Sea Around Us, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá.
Centrados na economia da pesca em alto mar, os participantes no trabalho concluíram que 54% da indústria pesqueira em águas internacionais não seria lucrativa na escala atual sem grandes subsídios governamentais.
Publicado ontem na revista científica Science Advances, o estudo revela que o custo global da pesca em alto mar variou entre os 6,2 mil milhões de dólares e os oito mil milhões de dólares em 2014 (entre 5,3 e 6,8 mil milhões de euros).
Os resultados da atividade variaram entre prejuízos de 364 milhões de dólares e lucros de 1,4 mil milhões de dólares (entre 311 milhões e 1,2 mil milhões de euros).
O alto mar, que não pertence a águas territoriais e zona económica exclusiva de nenhum Estado, cobre 64% da superfície dos oceanos e é dominado por um pequeno número de países, que recolhem a maior parte dos benefícios de pescar nessa zona partilhada internacionalmente.
Usando nomeadamente imagens de satélite os investigadores concluíram, mas palavras de Enric Sala, da National Geographic e principal autor do estudo, que "sem subsídios e trabalho forçado, a pesca não seria lucrativa em mais de metade das áreas exploradas no alto mar”.
Os investigadores combinaram sistemas de identificação automática e de monitorização de embarcações e conseguiram perceber o comportamento individual dos navios pesqueiros, a atividade de pesca e outras características de 3.620 embarcações, em tempo quase real. E depois combinaram as informações com dados globais do projeto Sea Around Us.
Do estudo conclui-se ainda que a pesca ocorre durante quase 10 milhões de horas por ano em 132 milhões de quilómetros quadrados (57%) do alto mar.
Foram identificados locais de pesca perto do Peru, Argentina e Japão que são dominados por frotas de pesca à lula da China, Taiwan e Coreia do Sul. Na pesca de arrasto foi registada muita atividade no noroeste do Atlântico e são também importantes as atividades das frotas de pesca de atum no Pacífico central e ocidental. Em termos gerais as capturas andam à volta dos 4,4 milhões de toneladas por ano.
“Em muitos locais do alto mar os subsídios estão a sustentar a pesca em níveis além do que seria economicamente racional”, disse Christopher Costello, do SFG, considerando que com reformas e subsídios direcionados era possível poupar dinheiro e reconstituir os recursos pesqueiros.
No documento também se sugere que as empresas de pesca podem estar a pescar mais do que dizem, ganhando mais dinheiro enquanto pressionam os governos para terem mais subsídios.
“Mesmo que alguma pesca no alto mar seja lucrativa a pesca da lula e a pesca de arrasto não fazem sentido sem subsídios. Os governos estão a canalizar enormes quantias dos contribuintes para uma indústria destrutiva”, conclui Enric Sala.
Fonte: Sapo24
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