Portuguese English French German Italian Spanish

  Acesso à base de dados   |   em@il: qualfood@idq.pt

Num ano em que as exportações de bens afundaram 10,2%, houve uma categoria de produtos que resistiu: os alimentos, com as exportadoras a venderam mais 5,2% ao exterior em 2020 face a 2019.

O setor agroalimentar português colheu ganhos na frente externa em 2020, exportando mais do que em 2019. Num ano marcado pela pandemia, as exportações afundaram 10,2% com quase todas as categorias de bens a serem menos vendidos ao exterior. Contudo, os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que houve uma exceção na venda de alimentos ao exterior, a qual cresceu 5,2%, confirmando uma previsão da ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes.

Os produtos alimentares — que representam cerca de 14% do total de exportações de bens — são a única categoria identificada pelo INE com um crescimento homólogo em 2020 face a 2019, sendo que todos os restantes caíram entre 1,6% e 32,2%. No total, foram vendidos mais 142,8 milhões de euros em alimentos nacionais ao exterior, num total de 2.870,6 milhões de euros em 2020 (2.727,8 milhões de euros em 2019).

De ressalvar que estes valores não estão corrigidos do efeito da variação dos preços pelo que o aumento do preço dos alimentos a nível mundial poderá ter influenciado esta evolução. Além disso, se se incluir as bebidas nos produtos alimentares, a subida é de apenas 0,7%.

Certo é que este aumento das exportações nacionais de produtos alimentares vem confirmar uma previsão feita pela ministra da Agricultura em fevereiro do ano passado, ainda a pandemia não tinha chegado a Portugal. Maria do Céu Antunes fez na altura uma declaração que gerou polémica: o coronavírus “até pode ter consequências bastante positivas” para as exportações portuguesas do setor agroalimentar para os mercados asiáticos.

Apesar de as exportações agroalimentares serem as únicas a crescer em plena pandemia, não é possível traçar uma relação de causa e efeito — correlação não implica causalidade –, ou seja, isto não significa que foi a pandemia que levou a um aumento das vendas ao exterior de agroalimentares.

Uma análise feita pelo economista Walter Anatole Marques, divulgada pelo Gabinete de Estratégia e Estudos (GEE) do Ministério da Economia, relativa à evolução das exportações alimentares entre janeiro e agosto sugeriam que produtos como frutas, cascas de citrinos e melões e animais vivos foram os que mais contribuíram para este desempenho das exportações de agroalimentares. Nesse período, praticamente todo o tipo de produtos agroalimentares — em particular as carnes e miudezas comestíveis assim como os vinhos — estava a ser mais exportado, à exceção do peixe que registava uma queda homóloga.

Mais difícil é saber exatamente para onde é que foram mais exportados os alimentos nacionais face a 2019 para saber se o aumento se deve aos países asiáticos. Só é possível ver se, no total, as exportações de bens cresceram ou desceram para esses países em 2020: no caso da China e de Taiwan (os dois países com maior peso no comércio entre a Ásia e Portugal) houve uma ligeira queda das exportações, mas para o Japão, Coreia do Sul e Israel as exportações cresceram entre 20% e 70%. Contudo, não é possível concluir que tal se deve em exclusivo ou sequer em parte por causa dos agroalimentares.

Em setembro, numa caixa especial dedicada aos produtos alimentares, o INE revelou que o maior contributo para o aumento das exportações portuguesas de bens agroalimentares era dado por Espanha (+26 milhões de euros), “devido sobretudo às frutas, cascas de citrinos e de melões e gorduras e óleos, animais ou vegetais, ceras, etc”. Seguia-se o Reino Unido (+24 milhões de euros), “sobretudo pela evolução registada nas exportações de preparações à base de cereais, amidos, ou de leite, etc. e preparações de produtos hortícolas, de frutas, etc”. O top 3 ficava completo com a Holanda (+20 milhões de euros), China (+16 milhões de euros) e Israel (14 milhões de euros).

Fonte: ECO

A suinicultura é responsável por 0,34% do total das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) em Portugal, sendo o setor da pecuária responsável por cerca de 5,25%. Os dados são do Inventário Nacional de Emissões, publicado no dia 15 de março de 2020, e divulgados pela campanha de esclarecimento “Let’s Talk About Pork From Europe”.

O mesmo inventário revela que a Agricultura é responsável por 10,1% do total de emissões gasosas do país. Destas, a pecuária contribui com cerca de 13,5% resultantes dos processos de gestão de efluentes e 51,4% do processo de fermentação entérica dos animais.

A “Let’s Talk About Pork From Europe” afirma que “os suinicultores aplicam várias técnicas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, através do armazenamento e tratamento do estrume e do aproveitamento de energia, bem como do ajustamento das dietas de forma a diminuir o teor proteico, reduzindo assim o volume de amoníaco excretado”. Além disso, “fazem investimentos em sistemas de otimização da utilização de água”, como lavagens de pavilhões com máquina de pressão e, ainda, procedem à “valorização agrícola dos efluentes produzidos”.

Segundo a iniciativa, as inovações tecnológicas aplicadas na suinicultura permitiram que nos últimos 20 anos existisse uma redução de 23,2% das emissões de amoníaco por quilo de carne produzida entre 1990 e 2018 (de acordo com o Inventário Nacional de Emissões publicado pela Agência Portuguesa do Ambiente) assim como um decréscimo de 21,5% das emissões de GEE através de uma gestão eficaz do maneio de estrume entre 1998 e 2018, entre outros impactos.

A otimização genética e a adoção de sistemas de lavagem mais sofisticados possibilitaram “uma redução superior a 50% do uso de água nos últimos anos, o que resulta que, em termos médios, um suíno na fase de engorda consuma cerca de 700 litros de água, ou seja, 6 litros de água por dia”, revela a campanha.

A campanha “Let’s Talk About Pork From Europe” que quer esclarecer, “de forma séria e transparente”, o modelo de produção europeu de carne de porco. A iniciativa arrancou em julho de 2020 e decorre até julho de 2022, em Portugal, Espanha e França, dirigindo-se essencialmente a públicos jovens entre os 18 e os 30 anos.

Fonte: Agroportal

O Parlamento adota recomendações políticas abrangentes para alcançar uma economia neutra em carbono, sustentável, livre de elementos tóxicos e totalmente circular até, no máximo, 2050.

O relatório aprovado hoje por 574 votos a favor, 22 contra e 95 abstenções é uma resposta ao Plano de Ação para a Economia Circular da Comissão Europeia.

São necessárias metas obrigatórias para 2030 para o uso de materiais e a pegada ecológica do consumo, cobrindo todo o ciclo de vida de cada categoria de produto colocada no mercado europeu, destacam os parlamentares. O texto exorta também a Comissão a propor objetivos vinculativos para o conteúdo reciclado específicos a cada produto e/ou setor.

O Parlamento insta a Comissão a apresentar nova legislação em 2021, alargando o âmbito da Diretiva relativa à conceção ecológica de forma a incluir produtos não relacionados com a energia. A nova regra deve definir padrões específicos para cada produto, de modo a que as mercadorias disponíveis na UE tenham um bom desempenho, sejam duráveis e reutilizáveis, possam ser facilmente reparadas, não sejam tóxicas, possam ser atualizadas e recicladas, contenham conteúdo reciclado e sejam eficientes em matéria de uso de recursos e energia. Outras recomendações importantes estão detalhadas aqui.

No debate da sessão plenária, os eurodeputados também sublinharam que só será possível alcançar os objetivos do Pacto Ecológico Europeu se a UE adotar um modelo de economia circular, uma mudança que, afirmam, criaria novos empregos e oportunidades de negócios. A atual legislação sobre resíduos deve ser implementada mais exaustivamente e novas medidas são necessárias para setores e produtos essenciais, como têxteis, plásticos, embalagens e aparelhos eletrónicos, acrescentaram os deputados. Assista à gravação completa do debate aqui.

Contexto

Em março de 2020, a Comissão adotou um novo “Plano de Ação para a Economia Circular para uma Europa Mais Limpa e Mais Competitiva”. A Comissão do Ambiente debateu o tema em outubro.

Até 80% do impacto ambiental dos produtos é determinado ainda na fase de criação. O consumo global de materiais deverá duplicar nos próximos quarenta anos e espera-se que a quantidade de resíduos gerados a cada ano aumente em 70% até 2050. Metade das emissões totais de gases de efeito estufa e mais de 90% da perda de biodiversidade e da pressão sobre os recursos hídricos são provenientes da extração e processamento de recursos.

Fonte: Parlamento Europeu

A agricultura é uma atividade que está desde cedo presente na cultura do Homem, e que se tem vindo a desenvolver de forma a corresponder às necessidades da população em constante crescimento, aliada à tecnologia. Porém, com a agricultura intensiva e industrializada, o ambiente tem vindo a sofrer grandes impactos. Além de destruir habitats, prejudica ecossistemas, contamina os solos e polui o ar e a atmosfera.

Um novo modo de agricultura indoor, também conhecida pelas hortas verticais, tem vindo a desenvolver-se em vários países. Esta prática, com os avanços da hidroponia, tem as vantagens de permitir cultivar alimentos sem uso de pesticidas, solo, luz natural (por vezes) e sem ocupar tanto espaço, isto porque se baseia num sistema em que as plantas são cultivadas verticalmente em paredes.

Um fator prejudicial é que a luz artificial acaba por usar mais energia e gerar mais calor, pelo que se tem de recorrer ao ar condicionado (nos casos em que não se recorre à luz solar).

Este género de agricultura tem vindo a ganhar fãs por todo o mundo, especialmente na época pandémica que se vive, na qual as pessoas foram obrigadas a pensar em alternativas de cultivo e tiveram tempo para se dedicar a novas atividades. Tanto pode ser utilizada por grandes indústrias, como por uma pessoa comum na sua habitação.

A World Wide Fund for Nature (WWF), defende o potencial desta ideia através de um estudo, pelo que está a fazer uma experiência em São Louis, no Estado americano de Missouri. A Fundação está a aproveitar para cultivar em cavernas, onde o ar circula e permite arrefecer as culturas, sendo dispensável o ar condicionado.

Julia Kurnik da WWF, explicou à Fast Company “Estamos à procura de novos modelos de negócios, novas estratégias e parcerias, e diferentes maneiras de abordar iniciativas que são financeiramente lucrativas e ambientalmente sustentáveis”, além de que o objetivo é que “se desenvolvam e mantenham após o nosso investimento”.

Fonte: Greensavers

Em 2020 reciclou-se mais em Portugal, indica a EGF (Environment Global Facilities), empresa do Grupo Mota-Engil/Urbaser responsável pelo tratamento e valorização de resíduos urbanos em 174 municípios – o equivalente a 60% da população do país. A empresa registou um aumento na recolha seletiva de 4% face a 2019, que contrasta com o decréscimo da produção total de resíduos de 5%, quebrando a tendência dos últimos anos.

Em fevereiro de 2020, antes dos efeitos da pandemia, a Recolha Seletiva crescia 19% face ao período homólogo e tudo indicava que seria um ano de crescimentos acentuados, reflexo do investimento feito pela EGF na Recolha Seletiva e em campanhas junto da população. Embora o resultado tenha sido inferior ao expectável, devido aos constrangimentos provocados pela pandemia, considera-se ainda assim um crescimento positivo, graças à adesão dos cidadãos.

A EGF destaca ainda o “excelente desempenho na recolha de recicláveis das empresas Amarsul, Suldouro e Resinorte com crescimentos superiores a 16% em comparação ao período homólogo, e, em sentido inverso, as empresas Valorsul e Algar, muito afetadas pela ausência de turismo e fecho do comércio”.

Fonte: Greensavers

Uma empresa em Israel está a trabalhar com a ferramenta de edição de genomas CRISPR para tornar as aves resistentes à gripe aviária. A utilização desta tecnologia poderá por fim ao enorme prejuízo pelo abate em massa dos animais infetados e dos que se encontram nas proximidades.  

A gripe aviária é uma doença causada por uma variedade do vírus Influenza (H5N1), que se hospeda sobretudo em aves, mas também pode infetar diversos mamíferos. Quando é detetada, as aves que se encontram num determinado perímetro (definido na lei) têm de ser abatidas, independentemente de estarem infetadas, o que resulta em graves prejuízos para os produtores.

Mas estas perdas podem ser evitadas no futuro. A empresa israelita EggXYt considera insuficientes as ações de vacinação e as medidas de biossegurança com que alguns países tentam prevenir todos os surtos e por isso reuniu uma equipa internacional de biólogos moleculares especialistas em ciência avícola e com experiência em edição de genes. Os investigadores estão a usar a tecnologia CRISPR para tornar as aves geneticamente imunes à gripe aviária, numa primeira fase, e a outras doenças, numa fase posterior.

Em declarações ao Poultry World, o CEO e co-fundador da EggXYt, Yehuda Elram, afirma que “esta é a primeira vez que vamos implantar metodologias de RNAi (de interferência) numa solução criada por nós. Vamos editar genes do genoma da galinha que não codificam proteínas em si, mas regulam a expressão de outras proteínas (…) Vamos redirecionar esses genes para atingir o próprio vírus [Influenza], evitando que ele se replique na célula.”

Uma vez que as alterações no genoma são mínimas, Elram espera que “os processos de aprovação regulatória sejam céleres e que o produto chegue ao mercado”, lê-se no Poultry World.

A gripe aviária é um problema para os produtores de aves em todo o mundo. Veja no Poultry World o mapa mundial dos surtos.

Fonte: CiB - Centro de Informação de Biotecnologia

Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a coordenadora espanhola das organizações de agricultores defenderam hoje que a segurança alimentar e os sistemas alimentares sustentáveis só são possíveis com novas políticas públicas e com ajudas da política agrícola europeia.

“[…] A segurança alimentar e os sistemas alimentares sustentáveis só são possíveis com outras políticas públicas de mercado e com uma distribuição justa das ajudas na aplicação da nova PAC [Política Agrícola Comum]”, defenderam, num comunicado conjunto, a CNA e a Coordinadora de Organizaciones de Agricultores y Ganaderos (COAG).

A CNA e a COAG estiveram reunidas para definirem posicionamentos e ações comuns no decorrer da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia e da elaboração dos planos estratégicos para a aplicação da reforma da PAC em cada país.

Para as duas organizações, as políticas públicas de regulamentação e controlo dos mercados não podem ser substituídas por “medidas voluntarias de autorregulação”, uma vez que estas são “ineficazes”, sobretudo, para a obtenção de preços justos para os produtores.

Os agricultores pedem assim ao executivo uma “aposta forte” para combater a pandemia e dar resposta à recuperação económica e social, bem como aos desafios da sustentabilidade ambiental.

Por outro lado, a CNA e a COAG sublinharam ser necessário abordar o “reequilíbrio da cadeia de valor”, contando com mecanismos de gestão e regulação do mercado que impeça que os agricultores fiquem com a “parte mais pequena do valor gerado pela cadeia e que, constantemente, enfrentem crises de mercado com valores que não cobrem os custos”.

Já no que se refere aos planos estratégicos de Espanha e Portugal, que estabelecem a configuração da aplicação da reforma da PAC em cada país, as organizações entendem que, apesar de não estar prevista a obrigatoriedade de um máximo de ajuda por beneficiário de 100 mil euros por ano e de uma redução progressiva a partir dos 60 mil euros, os dois Governos devem aplicar estes limites, assegurando uma distribuição mais justa.

A CNA e a COAG notaram também que os apoios, no âmbito dos eco-regimes, devem ser destinados aos modelos sustentáveis, não permitindo que os super-intensivos sejam elegíveis.

Ao mesmo tempo, ressalvaram que estes devem apoiar a transição de “todos aqueles que a desejem fazer”, auxiliados pelas medidas do II pilar (desenvolvimento rural) da PAC.

Na reunião foi ainda abordada a convergência interna no período de transição (2021-2022), tema que para os agricultores constituí “um motivo de forte preocupação”, uma vez que o valor único por hectare vai reforçar um sistema “em que se privilegia quem mais terra tem”.

Fonte: Agroportal

Atendendo à necessidade de se adaptarem as atividades de controlo oficial e outras atividades oficiais às condições geradas pela emergência da pandemia por COVID-19, a DGAV emitiu o Despacho n.º2/G/2021 que determina as Medidas excecionais associadas à emergência sanitária da COVID-19.

Fonte: DGAV

A nova forma de criar alimentos a partir de vegetais frescos e congelados preserva melhor a nutrição e o sabor do que outros métodos utilizados até agora.

Investigadores de Singapura desenvolveram uma forma de “imprimir” em 3D vegetais frescos mais nutritivos e saborosos, que podem ser usados em doentes com dificuldades em engolir.

Segundo informação divulgada quinta-feira pela Universidade de Tecnologia e Design de Singapura, a investigação, que juntou também especialistas da Universidade Tecnológica de Nanyang de Singapura e do Hospital Khoo Teck Puat, a nova forma de criar alimentos a partir de vegetais frescos e congelados preserva melhor a nutrição e o sabor do que outros métodos utilizados até agora.

Os alimentos provenientes de impressoras 3D são geralmente feitos a partir de purés e depois impressos e montados em camadas, e destinam-se normalmente para pessoas com disfagia (dificuldade em engolir). Feitos a partir de alimentos desidratados ou liofilizados, esses alimentos contém por norma muitos aditivos, que geralmente alteram o sabor, a textura e o aroma, o que os torna desagradáveis para os doentes.

Para ultrapassar o problema os investigadores de Singapura experimentaram várias combinações de vegetais frescos e congelados e conseguiram não só preservar melhor a nutrição como os tornaram mais saborosos, o que pode levar a um aumento do consumo por parte dos doentes.

Os investigadores descobriram também que os alimentos a imprimir se podem classificar em três categorias, sendo que cada uma delas exige um tipo de tratamento diferente para se tornar imprimível.

"A nossa tecnologia ajuda a fornecer aos pacientes disfágicos dietas adequadas, ricas em nutrientes, e seguras. A sua alimentação é mais dignificada, permitindo-lhes socializar e consumir refeições que parecem, se sentem e sabem como comida normal. O nosso método de impressão 3D de vegetais frescos pode ser facilmente utilizado em hospitais, lares, centros de dia para a população envelhecida com disfagia e outras perturbações de deglutição”, afirmou Yi Zhang, investigador principal da equipa da Universidade Tecnológica de Nanyang.

De acordo com o responsável a investigação é também “mais um passo na gastronomia digital”, sendo possível atender a prescrições específicas dos dietistas e personalizar a nutrição de uma forma apelativa.

Fonte: Observador

O aumento da temperatura média do mar vai causar inúmeras mudanças nos ecossistemas, colocar em risco a vida das espécies e afetar a sua distribuição. No caso da sardinha ibérica, estas consequências vão também prejudicar a economia e o sustento das populações costeiras.

No âmbito do projeto SardiTemp, o MARE-ISPA fez um estudo relativamente aos mecanismos de adaptação às alterações climáticas na sardinha ibérica. Embora os resultados não sejam ideais, são promissores: A investigação revela que o peixe tem potenciais vantagens na adaptação às alterações climáticas.

“Devido ao aumento da temperatura da água, o que se espera é que as sardinhas acelerem o metabolismo e consequentemente o consumo de oxigénio. (…) Descobrimos que a variação a nível molecular encontrada entre amostras analisadas à volta da Península Ibérica é explicada por uma relação com a temperatura mínima da água do mar e do oxigénio dissolvido na mesma”, explica Miguel Baltazar-Soares, autor principal do artigo. Esta adaptação, como acrescenta Gonçalo Silva, líder do projeto SardiTemp “poderá estar relacionada com eventos de afloramento, frequentes na costa portuguesa.”

Contudo, face aos efeitos das alterações climáticas, a migração desta espécie para Norte não deixa de ser uma hipótese. Não existe a garantia de que a sardinha ibérica se mantenha nas nossas áreas de pesca. “É importante percebermos o potencial adaptativo da sardinha de modo a fazer face às alterações climáticas. Os seus stocks têm sido explorados intensivamente nas últimas décadas e, mais recentemente, têm estado abaixo do limite sustentável de captura”, alerta Miguel Baltazar-Soares.

“Ao compreendermos melhor os mecanismos de adaptação às alterações climáticas conseguimos estar mais perto de prever os impactos que estas terão na distribuição dos recursos marinhos, e assim, contribuirmos para uma melhor gestão desses mesmos recursos”, conclui Gonçalo Silva.

Fonte: Greensavers