Um relatório científico concluiu que o planeta está a tornar-se mais seco e os solos mais salgados. Este facto implica profundas alterações futuras na capacidade de produzir alimentos de forma sustentável ao longo do tempo. O aumento das temperaturas acelera o problema.
Num planeta em aquecimento global, o solo está a tornar-se mais seco e mais salgado. Esta mudança tem inevitavelmente consequências para os 8 mil milhões de habitantes do planeta, como refere a Eos. Atualmente, quase um terço das pessoas já vive em locais onde a água é cada vez mais escassa e a capacidade de cultivar culturas e criar gado está a tornar-se mais difícil. Este problema está a atingir cada vez mais zonas do mundo.
O excesso de sal no solo já afeta quase 10% dos solos de todo o mundo. Um terço das pessoas já vive em zonas onde a água é cada vez mais escassa. Isto gera conflitos sociais que estão a aumentar com o tempo.
A análise dos dados mostra claramente que as alterações climáticas estão a acelerar esta tendência. Um novo trabalho de investigação concluiu que o aquecimento global tornou 77% das terras da Terra mais secas nas últimas três décadas, ao mesmo tempo que aumentou rapidamente a proporção de solos excessivamente salgados.
De acordo com um relatório histórico da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), as terras secas, ou áreas onde é difícil encontrar água, representam atualmente mais de 40% do planeta. Esta estimativa, por razões óbvias, exclui a Antártida. Além disso, outra nova análise, realizada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), concluiu que cerca de 10% dos solos do mundo estão afetados pelo excesso de sal e que outros 2,5 mil milhões de hectares estão em risco.
Um relatório abrangente divulgado pelo Grist indica que estas tendências interrelacionadas ameaçam a produtividade agrícola, a biodiversidade e a saúde dos ecossistemas, ao mesmo tempo que agravam a insegurança alimentar e hídrica. Em conjunto, os dois relatórios em particular afirmam que, a menos que o mundo reduza as emissões, estas alterações continuarão, com consequências graves.
Uma das conclusões é muito clara, afirmando que “sem esforços concertados, milhares de milhões de pessoas enfrentam um futuro marcado pela fome, pela deslocação e pelo declínio económico”. Entre 1990 e 2020, as alterações climáticas transformaram cerca de 7,6% da superfície terrestre do planeta, com as áreas mais afetadas a passarem de paisagens húmidas para terras secas.
Estas terras secas são definidas como áreas onde 90% da precipitação se evapora antes de atingir o solo. No seu conjunto, cobrem uma área geográfica maior do que o Canadá, segundo os investigadores, e albergavam cerca de 30% da população mundial em 2020. Trata-se de um aumento de mais de 7% nas últimas décadas.
Entre as conclusões, há uma indicação clara de que, a menos que o mundo limite drasticamente as emissões, essa proporção poderá mais do que duplicar até ao final do século. Nessa altura, prevê-se que mais de dois terços da terra do mundo, excluindo a Gronelândia e a Antártida, armazenem menos água. A capacidade da Gronelândia para armazenar água está a atrair uma maior atenção para esta área, como temos visto ultimamente.
Este conjunto de alterações não se limita às regiões que já são consideradas secas ou que se prevê venham a sofrer desertificação. Ao modelar cenários globais de emissões elevadas, os investigadores descobriram que poderiam ocorrer alterações semelhantes no Midwest, no México central e no Mediterrâneo, para citar três exemplos. Os investigadores não esperam que esta tendência se inverta.
O que Hannah Waterhouse, cientista do solo e da água da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, e citada pela Eos, considera “importante e desconcertante enfatizar” é que esta expansão ocorreu em condições que não são tão quentes como as que estão para vir. O que sugere que o problema só se vai intensificar e, à medida que os alimentos e a água se tornam mais escassos, vai levar a problemas como conflitos generalizados.
Fonte: Tempo.pt
Os portugueses encaminharam para reciclagem um total de 476.605 toneladas de embalagens, em 2024, o que significa um aumento de 4% face ao período homólogo. Embora estes dados sejam positivos, Portugal mantém-se longe da nova meta definida para este fluxo de resíduos urbanos e que é necessário atingir em 2025.
Durante este ano, o país terá de garantir a recolha seletiva de 65% de todas as embalagens colocadas no mercado. Em 2024, a taxa de retoma foi de 57,8% (apuramento preliminar), o que significa que é necessário tornar o sistema mais eficiente para atingir as novas metas.
Em 2025, o sistema contará com mais 113 milhões de euros que resultam da decisão do Governo de aumentar os valores das contrapartidas para financiar o SIGRE – Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens, num total estimado de 235 milhões de euros (em 2024 o valor era 122 milhões de euros) só para a gestão dos resíduos de embalagens este ano.
Este montante é pago pelas entidades gestoras de resíduos de embalagens aos Sistemas Municipais, Intermunicipais e concessões, para procederem à recolha seletiva de resíduos urbanos de embalagens, que asseguram a triagem e pré-preparação para reciclagem destes resíduos nos seus diferentes materiais (como vidro, plástico ou papel/cartão).
“Estamos, portanto, perante uma oportunidade única para aumentar a performance de todo o sistema e colocar Portugal na rota do cumprimento das metas da reciclagem de embalagens, cabendo às autoridades garantir a eficiência da operação“, afirma a Sociedade Ponto Verde em comunicado.
A injeção de mais 113 milhões tem de traduzir-se na melhoria significativa do nível de serviço que é prestado aos cidadãos por parte dos sistemas municipais e multimunicipais na recolha, numa operação que deve ser cada vez mais orientada para a conveniência, assegurando, no final, a recolha de mais embalagens e o seu encaminhamento para reciclagem.
Complementar o modelo de recolha por ecopontos com sistemas de incentivo, porta-a-porta ou “pay as you throw” (payt), permitindo este ter noção do valor pago em função do consumo, são soluções já identificadas para permitirem uma melhor capacidade de resposta, com a entrada de mais embalagens no sistema de reciclagem. Este esforço para um sistema cada vez mais eficiente significa também uma maior articulação e colaboração entre todos os parceiros e partes interessadas desta cadeia de valor, levando ao cumprimento das metas estabelecidas para 2025.
O papel/cartão e o plástico mantêm-se como os materiais com melhor desempenho, com o primeiro a ter aumentado 6%, o que se traduz em 158.146 toneladas encaminhadas para reciclagem, e o segundo 5%, ou seja, 85.548 toneladas recolhidas no último ano.
O vidro continua a merecer particular preocupação, já que o seu ritmo de crescimento continua aquém da meta, tendo-se verificado um aumento apenas de 1%, ou seja, 213.870 toneladas depositadas no vidrão. Para o aumento deste material é fundamental que sejam implementadas soluções específicas, com a adaptação de ecopontos às necessidades dos estabelecimentos HORECA, como o baldeamento assistido, que são facilitadores na deposição e envio para reciclagem.
A CEO da Sociedade Ponto Verde, Ana Trigo Morais, afirma: “o ano de 2025 tem de ser de viragem na recolha seletiva das embalagens. Com mais fundos à disposição do sistema esperamos mais recolha e reciclagem destes resíduos, assim como uma atenção permanente das autoridades à forma como evolui a performance de toda a operação. É fundamental resolver os problemas existentes, que estão bem identificados, ao nível da prestação do serviço ao cidadão. A Sociedade Ponto Verde mantém a sua postura de colaboração, promovendo a economia circular e soluções com base na inovação e na conveniência para o consumidor”.
Fonte: Grande Consumo
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou ontem, através da Brigada de Indústrias da Unidade Regional do Norte – Unidade Operacional do Porto, uma operação de fiscalização a estabelecimentos industriais de armazenamento localizados nos concelhos de Guimarães, Fafe e Póvoa de Varzim, com o objetivo de assegurar o cumprimento das normas legais de segurança alimentar e da atividade económica.
Como balanço da operação, foi determinada a suspensão total da atividade de três estabelecimentos, pelo exercício ilegal da atividade de entrepostagem e à posterior colocação no mercado de produtos sem devida marca de identificação, tendo sido apreendidas mais de 17 toneladas de diversos géneros alimentícios e ainda, 313 kg de crustáceos vivos, tudo no valor estimado superior a 68.000,00 Euros.
Foram instaurados 3 processos de contraordenação devido à falta de número de controlo veterinário (NCV), atribuído pela autoridade competente, que garante que as normas de segurança alimentar e as disposições legais dos regulamentos aplicáveis sejam cumpridas, tanto perante os consumidores como pelas autoridades de controlo, facto que não era cumprido por estes operadores económicos.
Fonte: ASAE
A água doce é um recurso cada vez mais escasso. As alterações ambientais provocadas pela ação humana ao longo de séculos têm alterado padrões de pluviosidade e drenado os solos daquela que ainda vai resistindo.
Mas a falta de água não é um fenómeno exclusivamente antropogénico, existindo naturalmente na história da Terra. Por isso, as plantas tiveram de desenvolver formas de conseguirem chegar até ela mesmo quando a superfície está praticamente seca.
Investigadores da Shanghai Jiao Tong University (China) e a Universidade de Nottingham (Reino Unido) descobriram como é que as plantas conseguem adaptar-se à escassez de água, estendendo o seu sistema radicular para alcançar maiores profundidades do solo.
Num artigo divulgado este mês na publicação científica ‘Current Biology’, explicam que uma hormona vegetal conhecida como ácido abcísico, ou pela sigla inglesa ABA, influencia o ângulo de crescimento das raízes de espécies de plantas como o arroz e o milho. Tal poderá também ocorrer noutras espécies graníferas e com importância económica e para a segurança alimentar humana.
Ao fazerem as raízes crescer mais perpendiculares à superfície do solo, o ABA permite que as raízes das plantas alcancem camadas mais profundas, aumentando as hipóteses de encontrarem água.
Este efeito, de acordo com os investigadores, é conseguido através da interação do ABA com uma outra hormona vegetal, a auxina. Para testarem a hipótese, inibiram a produção de ABA em algumas plantas e perceberam que esses espécimes desenvolviam raízes mais superficiais e mais paralelas à superfície do solo quando comparados com plantas produtoras de ABA.
Foi ainda descoberto que a interação entre o ABA e a auxina é fundamental para que as plantas consigam aprofundar as suas raízes, uma vez que, ao adicionarem auxina às plantas impedidas de produzir ABA, foi possível recuperar o normal crescimento radicular, “mostrando que a auxina é chave neste processo”, declaram em comunicado.
De forma simples, pensa-se que o stress causado às plantas pela falta de água no solo estimula a produção de ABA, que por sua vez catalisa a produção de auxina que faz com que as raízes cresçam no sentido da força da gravidade (gravitropismo), criando sistemas radiculares para perpendiculares à superfície do solo e, assim, tornando as plantas mais resilientes à seca.
Os cientistas acreditam que ao compreender como as plantas se adaptam a condições ambientais adversas, como a escassez de água, permitirá desenvolver formas de torná-las mais resilientes a esses efeitos e, assim, a minimizar as consequências das crises planetárias na produção e segurança alimentares.
“Descobrir formas de combater a insegurança alimentar é vital”, afirma Rahul Bhosale, um dos autores do artigo, para quem, quanto mais conhecimento tivermos sobre os mecanismos que controlam o crescimento das plantas, mais facilmente conseguiremos criar formas de estimulá-lo e, assim, de melhorar a produtividade das culturas agrícolas, mesmo em condições de seca.
Fonte: GreenSavers
Os donos de lojas especializadas acusam o governo de ser responsável por este tipo de morte, devido ao aumento dos impostos.
Vinte e três pessoas morreram em menos de 48 horas em Istambul e mais de 30 estavam sob cuidados intensivos após terem consumido álcool adulterado, informaram esta quinta-feira as autoridades da cidade.
O balanço anterior citava 19 mortos desde a última segunda-feira devido à ingestão de álcool adulterado com metanol, um composto industrial diferente do etanol.
Este tipo de intoxicação é comum na Turquia, uma vez que a produção clandestina disparou devido ao aumento dos impostos sobre bebidas alcoólicas. No ano passado, 48 pessoas morreram intoxicadas por esse tipo de álcool.
O governador da cidade anunciou na quarta-feira que as autoridades revogaram as licenças de 63 empresas por estas venderem álcool contrabandeado.
Os donos de lojas especializadas acusam o governo de ser responsável por este tipo de morte, devido ao aumento dos impostos.
Fonte: Jornal I
A Hilda nasceu através de um processo de fertilização in vitro, tendo os seus genes sido modificados para emitir menos gases com efeito de estufa, mais concretamente, metano.
A vaca faz parte do projeto ecológico “Cool Cows” e é a primeira a ver o seu código genético sofrer esta alteração. Os cientistas acreditam que este “passo histórico” pode revolucionar o setor da pecuária e o projeto de genética pecuária.
O rebanho Langhill, em Dumfries, na Escócia, tem vindo a ser estudado há já cerca de 50 anos, servindo como referência para a indústria dos laticínios. O principal objetivo passava por estudar formas de melhorar a saúde e a reprodução de bovinos, no entanto, os cientistas tentam agora também encontrar soluções para diminuir a emissão de gases com efeito de estufa através destes animais.
O setor da pecuária é responsável por cerca de metade das emissões de metano do Reino Unido, sendo este gás produzido por micróbios no estômago das vacas. Para ser alcançado esta realização, a Rural College da Escócia (SRUC, na sigla inglesa) juntou-se à clínica veterinária Cumbria vets Paragon e à empresa de genética animal Semex para identificarem e criarem vacas com o intuito de alterarem a sua genética.
A parceria recebeu um apoio no valor de 335 mil libras, ou seja, o equivalente a 404 mil euros.
Para o líder do projeto da SRUC, Richard Dewhurst, “com o consumo mundial de laticínios a continuar a crescer, a criação de gado com uma vertente sustentável é extremamente importante. O nascimento de Hilda é um momento extremamente significativo para a indústria de laticínios do Reino Unido”.
“A melhoria genética na eficiência do metano será fundamental para continuar a fornecer alimentos nutritivos aos consumidores, ao mesmo tempo que controla o impacto futuro das emissões de metano no meio ambiente”, referiu Rob Simmons, diretor e veterinário especialista em reprodução avançada da Paragon.
Os cientistas referem ainda que esta técnica possa ser aplicada noutros casos e que assim seja duplicada a taxa de “ganho genético”, acelerando-se o processo de reprodução de animais mais “eficientes” relativamente às emissões de metano.
Fonte: Agroportal
Na sequência da confirmação do foco de infeção por vírus da Gripe Aviária de Alta Patogenicidade (GAAP) numa exploração de galinhas poedeiras, no concelho de Sintra, distrito de Lisboa, foram de imediato implementadas pelos serviços da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), as medidas de controlo e erradicação do foco conforme previsto no plano de contingência da gripe aviária e na legislação da União Europeia. As medidas aplicadas nas zonas sujeitas a restrições sanitárias são determinadas pelo Edital n.º 26 da Gripe Aviária, disponível para consulta no portal da DGAV.
De acordo com o n.º 1 do referido Edital, as aves de capoeira e aves em cativeiro detidas em estabelecimentos, incluindo detenções caseiras, localizadas no território de Portugal Continental, deverão ser confinadas nos respetivos alojamentos de modo a impedir o seu contacto com aves selvagens, sendo assim proibida a detenção das aves ao ar livre.
Os operadores, enquanto primeiros responsáveis pelo estado sanitário dos seus animais, devem comunicar de imediato qualquer suspeita de doença à DGAV.
Reiteramos que a deteção precoce de focos é essencial para a implementação célere de medidas de controlo, evitando a disseminação da doença e minimizando perdas para o setor.
Para mais informação sobre a Gripe Aviária de Alta Patogenicidade, consulte a página da DGAV /gripe-aviaria/, incluindo um vídeo sobre prevenção e biossegurança que pode ser acedido em https://youtu.be/NqdEeNNAPPk.
Fonte: DGAV
Quanto maior o tomate, mais provável é que perca o seu sabor. O CRISPR está a mudar isso. Um estudo publicado na Nature Biotechnology mostra como é que, ao alterar um gene que codifica uma proteína que regula a acumulação de açúcar, os cientistas conseguiram desenvolver um tomate doce que mantém o seu alto rendimento e peso.
A domesticação do tomate (Solanum lycopersicum) levou a um aumento massivo no tamanho dos frutos, mas à custa da diminuição dos níveis de açúcar – uma correlação negativa que é provavelmente a consequência da perda de alelos de alto teor de açúcar.
Num estudo publicado na Nature Biotechnology, Zhang et al. criaram um tomate doce que mantém o seu alto rendimento e peso ao alterar um gene que codifica uma proteína que regula a acumulação de açúcar.
Zhang et al. realizaram um estudo de associação genómica de espécies de tomate selvagens e cultivadas para procurar regiões genómicas associadas à doçura dos frutos. Os autores mostraram que o knockout duplo de SlCDPK27 e SlCDPK26, realizado pela tecnologia CRISPR-Cas9, aumenta o teor de açúcar de uma variedade de tomate comumente cultivada em até 30% sem afetar o tamanho dos frutos.
Fonte: CiB - Centro de informação de biotecnologia
Para Mark Hyman, especialista em medicina funcional, comer para melhorar o humor, um dos 21 princípios do regime alimentar que defende, a Dieta Pegan, é mais do que encarar o prato com uma generosa dose de boa disposição. Há que nutrir o cérebro com os alimentos certos e abandonar hidratos de carbono e gorduras nocivas em excesso. Como se usa dizer, “um almoço nunca é de graça” e no caso de uma alimentação equilibrada pode, de acordo com Mark Hyman, estar na base de distúrbios como a depressão e ansiedade.
Mark Hyman, norte-americano, é especialista em medicina funcional e defensor de uma dieta alimentar que concilie os princípios nutricionais da dieta vegan e paleo, o mesmo é dizer, a dieta pegan. Esta, inclui alimentos integrais, gorduras saudáveis, hidratos de carbono refinados e açúcares limitados, e uma grande variedade de vegetais e fruta.
O especialista, apresentador de um popular podcast de saúde, The Doctor’s Farmacy, chega ao publico português com o livro A Dieta Pegan (edição Nascente) e, com ele, os 21 princípios que orientam o regime alimentar que preconiza.
“Escolher os cereais integrais, leguminosas, sementes e frutos secos certos”, “Tratar o açúcar como uma droga leve”, “Limpar, desintoxicar e reiniciar o organismo com sensatez”, “Comer e pensar na longevidade”, estão entre os princípios simples que Mark Hyman vê resultarem da relação entre “ciência e bom senso em diretrizes que promovem a saúde, a perda de peso e a longevidade”.
Mark Hyman partilha o princípio 17 da dieta pegan, “Comer para melhorar o humor”:
Em 2020, nós, seres humanos, enfrentámos muitos obstáculos – uma pandemia, sistemas de saúde que não estiveram à altura, disparidades económicas, sociais e raciais. Muitas pessoas perderam os seus empregos e os seus negócios. Algumas lidaram com doenças trágicas. A depressão é agora a quarta doença mais comum no mundo e a principal causa de incapacidade. Já passámos por muito e temos de nos apoiar mutuamente, agora mais do que nunca. Por estranho que pareça, os alimentos podem ser uma ferramenta eficaz para melhorar o nosso humor e a saúde do cérebro. E podem fazer-nos felizes.
Há cada vez mais dados científicos que confirmam a ligação entre a dieta e a saúde do cérebro. Todos os distúrbios que envolvem a função cerebral – depressão, ansiedade, PHDA (perturbação de hiperatividade e défice de atenção), autismo, demência, problemas de comportamento, violência ou simplesmente a confusão mental – estão ligados à dieta e frequentemente, ao impacto que ela tem no microbioma intestinal. No entanto, a maioria das pessoas não percebe a profunda ligação que existe entre o que comemos e a função cerebral. O corpo e a mente são um único sistema bidirecional dinâmico. O que faz a um tem impacto no outro. É necessário otimizar todos os estímulos e eliminar todas as más influências.
Pode ser tão simples como foi com o meu paciente que, todos os dias, tinha ataques de pânico às 15 horas. Era um gestor muito atarefado de Nova Iorque, que passava os dias a trabalhar e as noites a comer, beber em grandes festas. Comia tanto à noite que só voltava a comer na tarde do dia seguinte. Apresentava gordura abdominal, resistência à insulina e grandes oscilações nos níveis de açúcar no sangue, com hipoglicemia. Os níveis reduzidos de açúcar no sangue constituem uma emergência potencialmente fatal que ativa todos os sinais de pânico – aumenta a frequência cardíaca, respiração acelerada, suor e sensação de morte iminente, que pode mesmo tornar-se realidade, a menos que coma qualquer coisa. Tive de o convencer a comer durante o dia e à noite. Além disso, ele eliminou o açúcar e o amido e diminuiu o consumo de álcool.
Surgiram novos campos de investigação e departamentos académicos, tais como psiquiatria nutricional (em Harvard) e psiquiatria metabólica (em Stanford), desde que escrevi The UltraMind Solution, em 2008, que fala da forma como o corpo afeta a mente. Há estudos que comprovam que basta substituir alimentos processados, açucarados e ricos em amido por alimentos integrais (frutas, vegetais, azeite, frutos secos e sementes, leguminosas e alguns tipos de carne – pense Pegan) para obter resultados positivos no tratamento da depressão – na verdade esta dieta é 400% mais eficaz do que uma dieta ocidental típica*. Outros estudos revelam que as crianças com comportamento violento mudam do dia para a noite quando se substituem os alimentos processados por alimentos integrais.
Um estudo realizado com adolescentes agressivos revelou que bastou dar às crianças um suplemento de vitaminas e minerais para que os atos violentos fossem reduzidos em 91%, por comparação com um grupo de controlo**. O que explica o comportamento violento? O cérebro destas crianças tinha carências graves de nutrientes que regulam o humor e o comportamento incluindo ferro, magnésio, vitamina B12 e ácido fólico.
A medicina convencional é lenta no acompanhamento de todos estes estudos, mas o leitor não precisa de esperar para se sentir melhor, mais calmo e mais feliz. O que come hoje pode melhorar o seu humor e tomada de decisões e torná-lo mais compassivo. Infelizmente, a maioria de nós não tira partido dessas verdades, em vez disso, consultamos um médico, que nos informa que estamos a sofrer de depressão: só não explica porquê. Tomamos Prozac, quando a depressão não indicia uma carência de Prozac. A medicação pode salvar vidas de alguns pacientes (mesmo que, na maioria dos casos de depressão ligeira ou moderada, os antidepressivos não sejam eficazes), mas que tal irmos à raiz do problema?
Depressão e ansiedade são apenas nomes dados a um conjunto de sintomas, mas há muitos fatores subjacentes a cada um deles. Algumas pessoas podem ter uma carência de vitamina B12. Outras podem ter uma tiroide hipoativa ou hiperativa. Outras podem ter níveis reduzidos de vitamina D ou disfunção intestinal. Há novos estudos que associam claramente a depressão e a ansiedade à inflamação do cérebro. Em vez de tomar medicamentos para suprimir os sintomas, a solução é encontrar a causa. A que se deve a inflamação? Os dois principais motivos são uma dieta à base de alimentos processados, com alto teor em açúcar e amido e desequilíbrios na flora intestinal (também causados pela dieta, por tóxicos ambientais, como o glifosato e pelo uso excessivo de determinados medicamentos). Sim, use medicamentos sempre que necessário, mas tome outras medidas. Os estudos são inequívocos: a dieta e o exercício físico permitem obter resultados mais satisfatórios do que os medicamentos, e todos os efeitos secundários são positivos. Consulte um profissional de medicina funcional. Vão ao fundo da questão.
O cérebro é resiliente e pode recuperar e sarar nas condições certas. Já vi isso acontecer repetidas vezes em milhares de pacientes. Fazemos muitas coisas que perturbam o nosso humor e o nosso cérebro, incluindo consumir açúcar, hidratos de carbono refinados e gorduras nocivas em excesso. Não consumimos gorduras boas, alimentos protetores suficientes. Dormimos muito pouco, ficamos acordados até tarde e o stress a que estamos sujeitos é mais que muito. Como podemos acalmar esta convulsão interna?
Comece por eliminar os açúcares refinados, os hidratos de carbono processados e os adoçantes artificiais. Certifique-se que o seu nível de açúcar no sangue está equilibrado. Isso implica comer durante o dia e não durante a noite. Não falhe refeições, se desconfiar que tem desequilíbrios no nível de açúcar no sangue. Já se sentiu nervoso e cansado, com palpitações cardíacas, tontura e perda de concentração, depois de falhar uma refeição? O seu corpo pensa que está a morrer. Arranje tempo para preparar refeições equilibradas ao pequeno-almoço, almoço e jantar. Consuma uma dose saudável de proteínas, hidratos de carbono integrais e gorduras a todas as refeições. Reduzir gorduras benéficas ajuda a reduzir as ânsias alimentares e previne quedas acentuadas do nível de açúcar no sangue. Evite as bebidas alc0ólias e cafeinadas. Se seguir um regime de jejum intermitente, certifique-se que integra “combustíveis” de combustão lenta, tais como gorduras e proteínas na dieta.
Quando se trata de distúrbios cerebrais (ansiedade, depressão, perda de memória, PHDA), as carências nutricionais são a primeira coisa que analiso. A falta de qualquer nutriente essencial pode criar sintomas complicados, por isso, é importante trabalhar com um profissional de saúde para conseguir marcar análises abrangentes ao sangue. As carências mais comuns que vejo relacionadas com distúrbios cerebrais são as que dizem respeito às gorduras ómega-3, magnésio, vitamina D, zinco, selénio e vitamina B. Sobretudo as gorduras ómega-3 são essenciais para a saúde do cérebro. Sessenta por cento do seu cérebro é composto por DHA, um ácido gordo ómega-3 anti-inflamatório essencial. Se sente alguma perturbação ao nível cerebral, o mais certo é ter uma carência de gordura. As gorduras ómega-3 formam a estrutura basilar das membranas celulares. Se não tiver membranas celulares saudáveis, as moléculas mensageiras do seu corpo não serão capazes de comunicar entre si e a sua saúde será prejudicada.
Se tiver sintomas de depressão, ansiedade, alterações de humor, irritabilidade ou PHDA, confirme se sofre de alguma carência nutricional. Percebi que, nove em cada dez vezes, os pacientes com esses sintomas sofrem de carências de pelo menos um nutriente essencial.
Entretanto, siga a dieta Pegan. Coma muitos vegetais, algumas frutas (sobretudo as que têm baixo teor em açúcar e são ricas em nutrientes), cereais integrais (não farinhas), frutos secos e sementes, leguminosas com baixo teor em amigo e alguns tipos de carne, aves e peixes de elevada qualidade. Opte por alimentos para o cérebro que comprovadamente afetam o humor e reduzem os sintomas de depressão e ansiedade – alimentos ricos em ómega-3, zinco, magnésio, vitamina D, antioxidantes e vitaminas B.
Peixes gordos e marisco, tal como salmão e ostras: o peixe é um alimento ideal para o cérebro. O consumo de gorduras ómega-3 presentes no peixe (EPA e DHA) tem sido associado a taxas mais reduzidas de depressão e de outros distúrbios alimentares. As ostras contêm uma dose saudável de vitamina B12, zinco e gorduras ómega-3.
Frutos vermelhos: as antocianinas dão às frutas as suas cores púrpura e azul-vivas, e ajudam a reduzir os sintomas de depressão e a aumentar a função cognitiva. Tento comer mirtilos e amoras todos os dias.
Alimentos ricos em fibra e alimentos fermentados: chamam ao intestino o segundo cérebro. Para otimizar a ligação entre o intestino e o cérebro, opte por alimentos reparadores do intestino, incluindo verduras e alimentos fermentados, tais como chucrute.
Chá verde: o conteúdo fenólico do chá verde pode reduzir os sintomas depressivos. Se precisar de um reforço de polifenol, tome uma chávena de chá verde todos os dias.
Frutos secos e sementes: os frutos secos e as sementes contêm triptofano, os percursos da serotonina, que é o nosso neurotransmissor da felicidade. O triptofano também é um percursor da melatonina, a nossa hormona do sono, que nos ajuda a ter um sono profundo e reparador à noite – essencial para a saúde do cérebro.
Se desconfiar que há algo mais profundo que pode estar a alterar o seu humor, como, por exemplo, uma carência de nutrientes ou uma doença autoimune, consulte um terapeuta ou psiquiatra credenciado e um profissional de saúde para chegar à raiz dos seus sintomas. É inspirador e uma lição de humildade ver os pacientes a recuperarem após anos de depressão e ansiedade apenas com alguns ajustes e trabalho de investigação.
Fonte: Sapo.pt
Uma investigação da Universidade Autónoma de Barcelona caracterizou em pormenor a forma como as saquetas de chá comerciais à base de polímeros libertam milhões de nanoplásticos e microplásticos na infusão. O estudo mostra, pela primeira vez, a capacidade destas partículas para internalizar células intestinais humanas, podendo mesmo transladar-se para o sangue e espalhar-se por todo o corpo.
Um estudo do Grupo de Mutagénese do Departamento de Genética e Microbiologia da UAB obteve e caracterizou com sucesso microplásticos e nanoplásticos derivados de vários tipos de saquetas de chá disponíveis no mercado. Os investigadores da UAB observaram que, quando estas saquetas de chá são utilizadas para preparar uma infusão, são libertadas enormes quantidades de partículas de tamanho nanométrico e estruturas nanofilamentosas, o que constitui uma importante fonte de exposição a MNPL.
As saquetas de chá utilizadas na investigação foram fabricadas com os polímeros nylon-6, polipropileno e celulose. O estudo mostra que o polipropileno, quando infundido, liberta cerca de 1,2 mil milhões de partículas por mililitro, com um tamanho médio de 136,7 nanómetros; a celulose liberta cerca de 135 milhões de partículas por mililitro, com um tamanho médio de 244 nanómetros, enquanto o nylon-6 liberta 8,18 milhões de partículas por mililitro, com um tamanho médio de 138,4 nanómetros.
Para caraterizar os diferentes tipos de partículas presentes na infusão, foi utilizado um conjunto de técnicas analíticas avançadas, tais como a microscopia eletrónica de varrimento (SEM), a microscopia eletrónica de transmissão (TEM), a espetroscopia de infravermelhos (ATR-FTIR), a dispersão dinâmica da luz (DLS), a velocimetria Doppler laser (LDV) e a análise de seguimento de nanopartículas (NTA).
“Conseguimos caraterizar estes poluentes de uma forma inovadora com um conjunto de técnicas de ponta, o que é uma ferramenta muito importante para avançar na investigação sobre os seus possíveis impactos na saúde humana”, afirma a investigadora da UAB Alba García.
Fonte: iAlimentar
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