Portuguese English French German Italian Spanish

  Acesso à base de dados   |   em@il: qualfood@idq.pt

"Não é prático", "arranha" e "levam com a tampa no nariz", é assim que as tampas acopladas são descritas pelos consumidores

Está farto de abrir garrafas de plástico e de ficar com a tampa colada? Não dá jeito nenhum prende-se no nariz ou dificulta o momento de beber. São tampas acopladas, um tema que tem gerado controvérsia nas redes sociais, mas ao qual é melhor começarmos mesmo a habituar-nos.

Para tentar reduzir o impacto do plástico no meio ambiente, a Comissão Europeia percebeu que existiam vários produtos que contribuem em grande número para o lixo que vai parar aos oceanos, sendo um dos principais as tampas de plástico, consideradas altamente poluentes. Em 2018, Bruxelas anunciou medidas para combater a utilização excessiva de plásticos de utilização única, dando início ao fim das tampas de plástico separadas das garrafas. 

A medida tem como objetivo fazer com que as tampas sejam recicladas junto com as garrafas, de modo a que não se percam e acabem no mar. Na diretiva 2019/904, é possível ler que "os Estados-Membros garantem que os produtos de plástico de utilização única (...) que possuam cápsulas e tampas de plástico apenas possam ser colocados no mercado se as cápsulas e tampas permanecerem fixadas aos recipientes durante a fase de utilização prevista do produto”.

A data limite para as marcas aderirem a esta medida é 3 de julho de 2024 e abrange todas as garrafas com capacidade inferior a três litros. Aquelas que têm uma capacidade superior, como os garrafões de água, ainda não terão este sistema por serem vendidas em número reduzido. Este novo sistema inclui garrafas de água, pacotes de leite, garrafas de sumo ou refrigerantes e pacotes de bebida vegetal. Por isso, embora já possamos ver Coca-Cola, Sprite ou tantas outras marcas de bebida - água, refrigerantes e outros -, ainda é possível que outras não tenham este mecanismo.

O modelo de tampas é escolhido por cada marca, sendo uma decisão individual, o único requisito é que seja acoplada à garrafa. 

Antes de a medida ser tomada, Bruxelas teve de analisar o impacto dos microplásticos a nível ambiental, nos humanos e como as tampas eram um problema. Foi então que os eurodeputados perceberam que, muitas vezes, as tampas perdiam-se porque não eram depositadas no local correto e eram levadas para os oceanos. Ao chegarem ao mar, começam a entrar em decomposição e a libertar microplásticos, fator prejudicial para o ecossistema marítimo. Deste modo, concluíram que ao acoplar a tampa à garrafa, a probabilidade de os dois componentes serem descartados de forma correta é maior. 

“A União deverá incentivar todos os produtores a limitar rigorosamente os microplásticos nas suas fórmulas”, pode ler-se na diretiva. 

Apesar de não ser um tema ainda muito falado, nas redes sociais tem tendência a gerar opiniões negativas. Nas redes sociais X e Reddit são vários os utilizadores que dizem que o sistema “não é prático”, “arranha”, e que “levam com a tampa no nariz”. 

A Deco Proteste afirma que, até ao momento, não recebeu reclamações sobre esta decisão, no entanto, a medida ainda não entrou em vigor na totalidade.

Fonte: CNN Portugal

"Pedaços duros de cereais" verificaram-se no Reino Unido, Espanha e Itália. O mesmo produto também está à venda em Portugal

A marca Kellogg's está a retirar o novo produto Corn Flakes Cocoa do mercado devido a “um defeito de qualidade”. A situação verificou-se no Reino Unido, Espanha e Itália, sendo que os reguladores destes países também já emitiram notas a avisar os consumidores.

Alguns consumidores reclamaram de “pedaços duros de cereais” que podem causar danos dentários ou risco de asfixia, o que levou as autoridades a pedirem a suspensão da comercialização do produto.

“A formação de aglomerados de cereais durante a produção pode ser uma ocorrência normal e geralmente partem-se quando comidos ou colocados no leite”, afirmou um porta-voz da marca. No entanto, não é o que os consumidores verificam. "É importante dizer que o risco de ferimentos causados pelos pedaços duros de cereal de chocolate é mínimo, mas não estamos dispostos a comprometer a qualidade ou segurança", acrescentou a mesma fonte, citada pelo jornal The Guardian.

Em Espanha o alerta foi lançado pela Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição, que explicou tudo através de uma publicação na rede social X.

Apesar de não ser prejudicial para a saúde, a Food Standards Agency, o regulador britânico, considera que o produto é “impróprio para consumo”, alertando quem já tenha adquirido o alimento para contactar a marca. “Se comprou o produto acima, não o coma. Em vez disso, descarte o produto e entre em contacto com a Kellogg’s” pode ler-se no site.

Os Corn Flakes Cocoa foram lançados em janeiro em Portugal, Espanha, Reino Unido, Irlanda, Bélgica e Itália, como um produto com um "toque moderno", segundo a marca, e que "é algo que toda a família irá gostar". A CNN Portugal contactou a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) para esclarecer o que está a ser feito em Portugal, mas não obteve qualquer resposta.

A Kellogg's confirmou que outras variedades de cereais não foram afetadas e podem ser consumidas normalmente.

Até ao momento não há registos de incidentes.

Fonte: CNN Portugal

Nove pessoas foram hospitalizadas esta quinta-feira à noite depois de um alerta para intoxicação alimentar na unidade hoteleira Inatel no Luso, concelho da Mealhada, distrito de Aveiro, adiantaram à Lusa fontes das forças de segurança.

O alerta para o incidente foi dado pelas 21 horas de quinta-feira depois do jantar, referiu fonte da GNR de Aveiro.

Um total de 18 pessoas apresentaram sintomas, de acordo com a mesma fonte.

Já fonte do Comando Sub-regional da Região de Coimbra referiu que após um alerta para intoxicação, nove pessoas foram transportadas para os Hospitais da Universidade de Coimbra.

Todas as vítimas foram consideradas leves.

Para o local foram destacados 29 operacionais, apoiados por 16 viaturas, entre elementos dos bombeiros, INEM e GNR.

Fonte: Jornal de Notícias

Os investigadores revelaram que quase 100 pessoas ficaram doentes num surto de Salmonella associado à meloa cantaloupe no final de 2023.

Em setembro de 2023, a Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA) identificou casos de Salmonella Saintpaul em Inglaterra, Escócia e País de Gales. Foram registadas outras pessoas doentes em Portugal na sequência de um alerta do Reino Unido.

No total, foram identificados 98 casos, 93 no Reino Unido e cinco em Portugal, e quase metade tinha menos de 10 anos, de acordo com o estudo da revista Epidemiology and Infection.

As informações sobre o incidente no Reino Unido foram partilhadas através do sistema EpiPulse do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) no final de outubro de 2023. Este sistema revelou casos noutros países.

O ECDC confirmou à Food Safety News que dois casos tinham sido registados na Dinamarca.

Embora noutros países se tenham registado infeções por Salmonella Saintpaul, não foi possível estabelecer uma ligação microbiológica ou epidemiológica com o surto.

Os jovens foram os principais afetados

A maioria dos doentes vivia em Inglaterra, mas a Escócia tinha dez e o País de Gales cinco, com datas de receção da amostra de 28 de setembro a 30 de novembro de 2023.

Os casos tinham uma idade média de 20 anos, variando de 10 meses a 89 anos; 28% tinham menos de 5 anos e 43% tinham menos de 10 anos. Quase dois terços eram do sexo feminino.

Cinco pessoas doentes foram identificadas em Portugal, com datas de amostragem de 4 a 24 de outubro de 2023. A idade dos doentes variava entre os 2 e os 8 anos e 80 por cento eram do sexo feminino.

A investigação do surto incluiu um estudo de caso controlo. Entre os 25 casos do Reino Unido incluídos no estudo, 13 relataram sangue nas fezes e cinco foram hospitalizados.

Cem controlos foram recrutados através de um painel de pesquisa de mercado. A análise da exposição alimentar nos casos e controlos identificou uma forte associação com o consumo de meloa.

O consumo de meloa foi relatado por 13, ou seja, 52% dos casos, em comparação com 24, ou seja, 24% dos controlos.

Não foi possível obter amostras de meloa para testes microbiológicos. Devido a factores como o rápido fim do surto e o curto prazo de validade das meloas, não foram tomadas medidas de controlo da saúde pública, como a recolha de produtos. Estão em curso investigações de rastreio alimentar sobre a origem dos produtos.

No Reino Unido, as cadeias de abastecimento de fruta fresca registam variações sazonais, o que pode explicar a subida e descida acentuadas do surto, afirmaram os cientistas.

Pistas apontam para a meloa como fonte

Investigações epidemiológicas mais alargadas forneceram provas adicionais de uma ligação à meloa. Todos os cinco casos confirmaram o consumo de melão nas entrevistas iniciais de formulação de hipóteses, e três referiram ter comido meloa.

Dos três estabelecimentos de ensino frequentados por algumas pessoas doentes, todos eles serviram melão na semana anterior ao início dos sintomas. Dois confirmaram que tinham servido meloa.

Dez casos forneceram também dados do cartão de fidelidade de um supermercado do mesmo retalhista. Três comunicaram o consumo de meloa em questionários específicos. A informação sobre a compra de sete dos casos revelou que tinham comprado meloa antes do início dos sintomas.

“A análise epidemiológica fornece provas de uma ligação com a meloa. À luz deste e de outros grandes surtos recentes de Salmonella ligados ao consumo de melão, a meloa e outras variedades de melão devem ser consideradas como potenciais fontes de infeção durante futuros surtos de Salmonella", disseram os investigadores.

Fonte: Food Safety News e Qualfood

A União Europeia emitiu um alerta sanitário através do Sistema de Alerta Rápido para Alimentos e Rações da União Europeia (Rasff), após a deteção de ovas de pescada contaminadas com anisakis, um parasita potencialmente perigoso, numa ação de controlo fronteiriço em Espanha.

Embora o produto tenha sido imediatamente retirado do mercado, a agência não descarta a possibilidade de outros lotes terem escapado aos controlos e chegado aos mercados europeus.

O Rasff classificou o alerta como “grave”, mas não forneceu detalhes adicionais sobre a origem exata das ovas de pescada infetadas, apenas que provêm de Marrocos. A agência também não revelou o destino do produto ou a passagem de fronteira onde o parasita foi detetado, mantendo a confidencialidade habitual nestes casos.

O Anisakis é um parasita que pode ser encontrado em peixes e cefalópodes (lulas, polvos, chocos), causando distúrbios digestivos e reações alérgicas que podem ser graves. A informação foi confirmada pela Agência Espanhola de Consumo, Segurança Alimentar e Nutrição (Aecosan), dependente do Ministério da Saúde.

A infeção ocorre quando alimentos contaminados são ingeridos crus ou em preparações que não eliminam o parasita. Para evitar a ingestão de parasitas, é essencial tomar precauções ao comprar e preparar peixe.

Recomendações para Evitar a Contaminação

Compra e Preparação: Adquirir peixe que já tenha sido limpo e sem vísceras. Caso contenha vísceras, estas devem ser removidas o mais rápido possível.

Métodos de Cozedura: Utilizar métodos de cozedura que garantam a eliminação do parasita, como cozinhar, fritar, assar ou grelhar, assegurando que o peixe atinge uma temperatura mínima de 60ºC durante pelo menos um minuto.

Preparação de Crustáceos: Preparar crustáceos (lagosta, camarão, caranguejo) bem cozidos ou grelhados.

Consumo de Peixe Cru: Se optar por consumir peixe cru ou em preparações que não eliminam o parasita, é recomendado congelar o peixe previamente a uma temperatura adequada para matar o anisakis.

A União Europeia continua a monitorizar a situação e a colaborar com as autoridades nacionais para garantir que produtos contaminados sejam identificados e retirados do mercado.

Os consumidores são aconselhados a seguir as recomendações de segurança alimentar e a estar atentos a possíveis avisos adicionais emitidos pelas autoridades de saúde.

“As manifestações clínicas mais frequentes são distúrbios gástricos (infeção com a larva) ou reações alérgicas (químicos libertados pelo parasita no peixe)”, descreve a ASAE.

Os sintomas da infeção com a larva surgem normalmente uma a duas horas após o consumo do peixe contaminado e incluem cólicas abdominais e vómitos. “No estômago a larva em movimento provoca ulcerações com náuseas, vómitos e dor epigástrica, algumas vezes com hematémese (vómito com sangue). As larvas podem migrar para a parte superior atacando a orofaringe e causando sensação de formigueiro ou prurido e tosse podendo mesmo ocorrer a excreção de nemátodos. No intestino delgado, causam granulocitose eosinófila (aumento anormal do número de eosinófilos no sangue) e os sintomas podem ser semelhantes aos de uma apendicite. Os casos severos implicam a remoção física do nemátodo por intervenção cirúrgica”, clarificam as autoridades portuguesas sobre este parasita.

Mas, para quem é alérgico, as boas práticas de confeção podem não ser suficientes.

“No caso das reações alérgicas, mesmo depois de bem cozinhado um peixe contaminado pode colocar em risco a saúde humana uma vez que, durante a infeção do peixe, os parasitas produzem compostos aos quais alguns indivíduos são alérgicos. Estes indivíduos podem apresentar reações anafiláticas severas após consumo de peixe que foi infetado por estes parasitas. Estas reações são difíceis de identificar, confundindo-se, por exemplo, com as reações alérgicas ao peixe ou ao marisco”, acrescenta a ASAE.

Fonte: Executive Digest

Entre 2017 e 2023 verificou-se uma diminuição de 36% da proporção de bebidas que se enquadram no escalão mais elevado do imposto (teor de açúcar igual ou superior a 8 g/100 mL). Os dados são revelados no Relatório Anual do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Mais recentemente, entre 2019 e 2023, verificou-se um aumento de 54% nas bebidas que se enquadram no escalão mais reduzido (teor de açúcar inferior a 2,5 g/100 mL), sugerindo assim que as bebidas refrigerantes atualmente mais consumidas pelos portugueses apresentam um teor de açúcar significativamente menor. 

Os dados da monitorização do cumprimento das restrições à publicidade alimentar dirigida a menores de 16 anos, impostas pela Lei n.º 30/2019 de 23 de abril, sugerem, também, que esta medida está a ter a capacidade de restringir a exposição das crianças à publicidade alimentar. 

A publicidade alimentar nas proximidades das escolas mostra a inexistência de anúncios a produtos alimentares não saudáveis no raio circundante de 100 metros dos recintos escolares, tal como a Lei determina. No entanto, quando se avaliaram os anúncios a alimentos num perímetro mais alargado (500 metros dos recintos escolares) foi possível identificar um conjunto relevante de publicidade a alimentos não saudáveis.

Quanto aos sistemas de rotulagem nutricional simplificados nas embalagens dos produtos alimentares, foram analisados 2743 produtos disponíveis no mercado português (cereais de pequeno-almoço, produtos de charcutaria e similares, produtos de padaria e de pastelaria embalados, produtos lácteos e sobremesas e bebidas). 

A análise dos resultados demonstra que 25% dos produtos analisados já apresentam um sistema de rotulagem nutricional simplificada. Dos produtos que possuem esta informação, a maioria utiliza o Nutri-Score (40%), seguido do Rótulo de Doses de Referência (31%) e do Semáforo Nutricional (28%).

Desde 2020 que se assiste a uma evolução positiva do desempenho das unidades de saúde para a identificação sistemática do risco nutricional em todos os doentes hospitalizados nas instituições do SNS. Porém é ainda necessário melhorar a capacidade de resposta das unidades hospitalares do SNS para esta área.

Consulte o Relatório Anual do PNPAS aqui: Abrir documento

Fonte: DGS - Direção-Geral da Saúde

Uma equipa de especialistas da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com o Instituto Pedro Nunes (IPN), desenvolveu uma tinta inovadora por adição de resíduos de cascas de ovos com capacidade de impermeabilização à passagem do gás radão.

«O projeto ShellutionPlus procurou desenvolver cargas minerais biogénicas de forma inovadora e sustentável para a formulação de tintas e de papel, conciliando os desafios associados à gestão e processamento de um resíduo alimentar com o desempenho técnico dos novos produtos desenvolvidos», começa por explicar Teresa Vieira, professora no Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da FCTUC.

O que diferencia o carbonato de cálcio existente no ovo da galinha do que ocorre na natureza e do sintético «é a nano porosidade que está presente na casca do ovo, e que se mantém durante o processamento da tinta, contribuindo para melhorar certas propriedades óticas e potenciar o efeito de barreira à passagem do gás radão», complementa João Duarte, investigador do IPN, avançando que esta nova composição de tintas está patenteada.

«No caso da indústria papeleira demonstrou-se o potencial das cargas minerais biogénicas para a melhoria das propriedades de resistência mecânica», afirmou Paulo Ferreira, professor no Departamento de Engenharia Química (DEQ), que coordenou o projeto na FCTUC, na vertente da aplicação em papel.

Todavia, revelam os coordenadores do projeto, «não se avançou com a utilização deste carbonato de cálcio à escala industrial porque a capacidade de produção de casca de ovo em Portugal não é suficiente para satisfazer as necessidades das empresas produtoras de papel».

Apesar dos resultados promissores, esta inovação enfrenta ainda alguns desafios e necessita de otimização. A quantidade insuficiente de produção da casca de ovo é um problema, mas a questão da separação da parte orgânica e inorgânica está também a tornar difícil a sua comercialização.

«Ainda assim, no futuro o impacto deverá ser positivo, tanto para quem produz o resíduo, que o consegue encaminhar e evitar a ida para o aterro, como também para quem o recebe, uma vez que têm um produto melhorado em algumas características e que advém de um resíduo, posicionando, desta forma, a indústria na vanguarda da sustentabilidade», concluem.

O “SHELLUTIONPLUS – Utilização de casca de ovo nanoporosa em cargas de tintas e papel” foi coordenado pelo investigador João Duarte e pelos docentes da FCTUC Paulo Ferreira e Teresa Vieira.

Fonte: FCTUC e Agroportal

Uma revisão sobre novas fontes alimentares e sistemas de produção, efectuada por cientistas da Agência Alimentar de Singapura e da FAO, foi publicada na revista Comprehensive Reviews in Food Science and Food Safety.

As novas fontes alimentares e os novos sistemas de produção (NFPS) podem desempenhar um papel crítico na transformação dos nossos sistemas agro-alimentares, encorajando mudanças na dieta e diversificando as nossas actuais formas de produzir alimentos. Os NFPS estão a atrair um interesse significativo, impulsionado pelo comércio internacional, pela mudança das preferências dos consumidores, pelos potenciais benefícios de sustentabilidade e pelas inovações nos sistemas de produção alimentar resistentes ao clima. No entanto, com a crescente atenção dada a estes novos alimentos, estão a surgir questões relacionadas com a sua segurança e supervisão regulamentar.

A recente revisão descreve os riscos de segurança alimentar conhecidos associados aos produtos NFPS, em particular, proteínas derivadas de plantas, algas marinhas, medusas, insectos e proteínas microbianas, bem como alimentos derivados da produção de alimentos baseados em células, fermentação de precisão, agricultura vertical e impressão 3D de alimentos. O estudo concluiu que, embora a maioria dos riscos de segurança alimentar ligados a novos alimentos também tenham sido identificados em alimentos tradicionais, alguns podem ser únicos, decorrentes de novos ingredientes, insumos e processos alimentares. “Isto implica que a avaliação do risco de segurança alimentar precisa de acompanhar esses desenvolvimentos”, disse o coautor Vittorio Fattori, Oficial de Segurança Alimentar da Divisão de Sistemas Agroalimentares e Segurança Alimentar da FAO.

Embora estejam a surgir regulamentos para os NFPS, muitos países e regiões ainda não dispõem de quadros jurídicos para regulamentar os NFPS. Além disso, as ambiguidades em torno das terminologias utilizadas para os produtos NFPS representam um desafio para a harmonização regulamentar internacional e a comercialização desses produtos.

Os autores destacam a necessidade de as partes interessadas dos governos, da indústria alimentar e da comunidade de investigação trabalharem em conjunto para abordar e comunicar a segurança dos produtos NFPS. Através de colaborações entre as várias partes interessadas, a comunidade internacional pode aproveitar o potencial dos NFPS para contribuir para uma produção alimentar sustentável e resistente ao clima.

“Os NFPS são um sector em rápida evolução, com a FAO a monitorizar ativamente este espaço para ajudar a preparar os países membros para a chegada de tais produtos ao mercado”, disse o coautor Keya Mukherjee, Consultor de Segurança Alimentar na Divisão de Sistemas Agroalimentares e Segurança Alimentar da FAO. Esta revisão faz parte do trabalho de prospetiva em curso da FAO que examina o futuro da segurança alimentar. Em novembro de 2023, a FAO reuniu especialistas na Reunião Técnica de Previsão da Segurança Alimentar sobre Novas Fontes de Alimentos e Sistemas de Produção para discutir os riscos de segurança alimentar e as tendências futuras de três novos alimentos - produtos alimentares à base de plantas (que imitam alimentos derivados de animais) e produtos de fermentação de precisão e impressão 3D de alimentos. O relatório da reunião será publicado este ano.

Fonte: FAO

 

Um estudo inovador da Direção-Geral da Saúde (DGS), através do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), revela que 58% das grávidas e mães de crianças pequenas portuguesas estiveram expostas a anúncios publicitários relacionados com a promoção de substitutos do leite materno e de alimentos para bebés.

O relatório, que avaliou a exposição das grávidas e mães de crianças pequenas ao marketing digital de substitutos do leite materno e de alimentos para bebés, foi promovido com o apoio da Região Europeia da Organização Mundial da Saúde (OMS), e é divulgado no Dia Nacional de Luta Contra a Obesidade (18 de maio de 2024).

A publicidade mais frequente surge associada a alimentos para bebés. Relativamente aos substitutos do leite materno, foram as fórmulas de crescimento (54%) e de transição (31%) as mais publicitadas.

Este estudo revela que são os snacks que ocupam o topo das categorias mais frequentemente promovidas para grávidas e mães (31%), seguidas dos cereais de pequeno-almoço e papas (23%), dos purés de frutas e similares (23%) e das refeições pré-preparadas ou prontas a consumir (21%). Destaca-se, também, que 74% dos produtos alimentares publicitados não cumprem os critérios de perfil nutricional da OMS. 

Para o estudo foi igualmente analisado o conteúdo publicado por 12 criadoras de conteúdo digitais (“influencers”), grávidas ou mães de crianças pequenas, que revelam dados semelhantes. As criadoras de conteúdos digitais analisadas apresentam, com frequência, conteúdo que promove substitutos do leite materno e alimentos para bebés. Nestas publicações é também mais frequente a publicidade a alimentos para bebés (dos anúncios identificados relacionados com a alimentação infantil, 19% eram relativos a substitutos do leite materno e 81% a alimentos para bebés).

Da análise efetuada destaca-se a presença, em quase todos os produtos, de alegações nutricionais e de saúde ou de outras menções nos rótulos destes produtos, que podem contribuir para a sobrevalorização dos mesmos face ao leite materno e face aos produtos menos processados destinados à alimentação infantil.

No que diz respeito ao tipo de plataforma, a rede social Instagram ocupa uma posição de destaque como canal da publicidade, representando mais de metade dos anúncios (64%), seguindo-se o Facebook, com 34%. Estes resultados poderão refletir as redes e plataformas sociais que são mais frequentemente utilizadas pelas participantes no estudo.

Portugal foi o primeiro país da região europeia da OMS a recolher estes dados relativos à monitorização direta do conteúdo publicitado diretamente para grávidas e mães de crianças pequenas, através dos seus dispositivos móveis.

Conheça em pormenor o Relatório "Exposição de mulheres grávidas e mães portuguesas ao marketing digital de substitutos de leite materno e produtos para alimentação complementar: estudo piloto da ferramenta CLICK da OMS Europa", aqui:
 
Fonte: DGS - Direção-Geral da Saúde

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou, através da Brigada Especializada das Indústrias de Produtos de Origem Animal, da Unidade Regional do Centro, uma operação de fiscalização e controlo, na sequência de denúncias e respetivas investigações, a um entreposto frigorífico no concelho de Ílhavo.

Durante a operação, foi possível verificar que o entreposto armazenava os produtos de origem animal sem qualquer marca de identificação, para posteriormente serem colocados no mercado.

Da ação resultou a instauração de um processo contraordenacional por falta de rastreabilidade de géneros alimentícios e a apreensão de 5.140 kg de produtos da pesca congelados.

O valor total da apreensão ascende a 33.150,00 Euros.

Fonte: ASAE