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Uma nova técnica temporária e não invasiva serve para monitorizar animais vivos nas investigações em laboratório. Os cientistas acreditam que esta é a primeira abordagem não invasiva que possibilita a visibilidade de órgãos internos vivos.

Um corante que dá aos Doritos a cor laranja também pode tornar os tecidos do corpo transparentes. A aplicação da corante na pele de ratinhos vivos permitiu que os cientistas conseguissem observar vasos sanguíneos e órgãos internos sem qualquer cirurgia, incisões ou danos em ossos ou na pele dos animais.

A técnica, que é reversível, funciona alterando a forma como o tecido interage com a luz e é um método menos invasivo para monitorizar animais vivos utilizados na investigação médica, revela um estudo publicado na revista Science.

Uma transparência temporária que pode ser desfeita com uma lavagem.

A técnica funciona alterando a forma como os tecidos do corpo, que são normalmente opacos, interagem com a luz. Os fluidos, as gorduras e as proteínas que compõem tecidos como a pele e os músculos têm índices de refração diferentes (medição da propagação da luz numa substância): componentes aquosos têm índices de refração baixas, enquanto os lípidos e as proteínas têm índices elevados.

Os tecidos parecem opacos porque o contraste entre estes índices de refração faz com que a luz se disperse. Os investigadores especularam que adicionar a esses tecidos um corante que absorve fortemente a luz pode reduzir o fosso entre os índices de refração dos componentes o suficiente para os tornar transparentes.

“Quando um material absorve muita luz de uma só cor, irá dobrar a luz noutras cores”, diz o coautor de estudo Guosong Hong, professor assistente de ciência e engenharia de materiais da Universidade de Stanford, na Califórnia.

Ao aplicar num ratinho de laboratório um corante alimentar comum chamado tartrazina (corante E102) que absorve a luz, a equipa conseguiu tornar os tecidos temporariamente transparentes, permitindo-lhes ver dentro dos vasos sanguíneos do cérebro e o movimento dos órgãos internos sob a pele do abdómen e pequenas unidades de músculo a funcionar.

E, tão facilmente como aconteceu, a transparência foi revertida e a pele não ficou com a cor alterada.

“Assim que lavámos e massajámos a pele com água, o efeito foi revertido em poucos minutos. É um resultado impressionante", afirma Guosong Hong.

O potencial do tecido transparente 

Até ao momento, a investigação só foi feita em animais, mas se esta técnica puder ser utilizada nos humanos poderá proporcionar uma série de benefícios biológicos, de diagnóstico e até cosméticos, considera Hong.

Por exemplo, em vez de biópsias invasivas, o exame para detetar melanoma poderá ser feito olhando diretamente para o tecido de uma pessoa sem o remover. Esta abordagem também poderá substituir alguns raios X e tomografias computorizadas e tornar a recolha de sangue menos dolorosa, porque ajudará os técnicos a encontrar facilmente as veias. Também poderá melhorar serviços como a remoção de tatuagens a laser, ajudando a concentrar os feixes de laser precisamente onde o pigmento está sob a pele.

“Isto pode ter um impacto nos cuidados de saúde e evitar que as pessoas passem por exames invasivos. Se pudéssemos simplesmente olhar para o que está a acontecer debaixo da pele em vez de cortar ou usar a radiação, poderíamos mudar a forma como vemos o corpo humano", disse Hong.

Fonte: SIC Notícias

 

Os investigadores alemães conseguem obter proteínas e vitamina B9 dos micróbios alimentando-os apenas com hidrogénio, oxigénio e CO2.

tecnologia, publicada na revista Cell Press Trends in Biotechnology, funciona com energia renovável para produzir uma alternativa sustentável de proteína enriquecida com micronutrientes que poderá um dia chegar aos nossos pratos.

“Trata-se de um processo de fermentação semelhante ao da cerveja, mas em vez de darmos açúcar aos micróbios, demos-lhes gás e acetato”, diz o autor correspondente Largus Angenent da Universidade de Tübingen, Alemanha. “Sabíamos que as leveduras podiam produzir vitamina B9 sozinhas com açúcar, mas não sabíamos se podiam fazer o mesmo com acetato”.

“Estamos a aproximar-nos dos 10 mil milhões de pessoas no mundo e, com as alterações climáticas e a limitação dos recursos terrestres, produzir alimentos suficientes será cada vez mais difícil”, afirma Angenent. “Uma alternativa é cultivar proteínas em bioreactores através da biotecnologia, em vez de cultivar culturas para alimentar animais. Isto torna a agricultura muito mais eficiente”, acrescenta.

A equipa concebeu um sistema de bioreactores de duas fases que produz levedura rica em proteínas e vitamina B9. Esta vitamina é também conhecida como folato e é essencial para funções corporais como o crescimento celular e o metabolismo.

Na primeira fase, a bactéria Thermoanaerobacter kivui converte o hidrogénio e o CO2 em acetato, que se encontra no vinagre.

Na segunda fase, a Saccharomyces cerevisiae, mais conhecida como levedura de padeiro, alimenta-se de acetato e oxigénio para produzir proteínas e vitamina B9.

O hidrogénio e o oxigénio podem ser produzidos através do aproveitamento da água com eletricidade produzida por fontes de energia limpa, como os moinhos de vento, por exemplo.

Acontece que a levedura alimentada com acetato produz aproximadamente a mesma quantidade de vitamina B9 que as que comem açúcar.

Apenas 6 gramas, ou 0,4 colher de sopa, da levedura seca colhida satisfazem as necessidades diárias de vitamina B9. Os níveis de vitamina foram medidos por uma equipa liderada pelo coautor Michael Rychlik da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha.

Relativamente às proteínas, os investigadores descobriram que os níveis da sua levedura excedem os da carne de vaca, porco, peixe e lentilhas.

Oitenta e cinco gramas, ou 6 colheres de sopa, de levedura fornecem 61% das necessidades diárias de proteínas, enquanto a carne de vaca, de porco, de peixe e as lentilhas satisfazem 34%, 25%, 38% e 38% das necessidades, respetivamente.

No entanto, a levedura deve ser tratada para eliminar compostos que podem aumentar o risco de gota se consumidos em excesso. Mesmo assim, a levedura tratada ainda satisfaz 41% das necessidades diárias de proteína, comparável às fontes de proteína tradicionais.

Esta tecnologia tem como objetivo dar resposta a vários desafios globais: conservação do ambiente, segurança alimentar e saúde pública.

Funcionando com energia limpa e CO2, o sistema reduz as emissões de carbono na produção de alimentos. Desvincula a utilização do solo da agricultura, libertando espaço para a conservação. Angenent sublinha também que o sistema não irá competir com os agricultores.

Em vez disso, a tecnologia ajudará a concentrar os agricultores na produção de legumes e culturas sustentáveis. A levedura da equipa pode também ajudar os países em desenvolvimento a ultrapassar a escassez de alimentos e as deficiências nutricionais, fornecendo proteínas e vitamina B9.

Mas antes de se pegar na levedura da equipa de investigação num corredor de supermercado como alternativa às proteínas, Angenent diz que há muito mais a fazer.

A equipa planeia otimizar e aumentar a produção, investigar a segurança alimentar, realizar análises técnicas e económicas e avaliar o interesse do mercado.

“O facto de podermos produzir vitaminas e proteínas ao mesmo tempo, a uma taxa de produção bastante elevada, sem utilizar qualquer terra, é empolgante”, afirma Angenent. “O produto final é vegetariano/vegan, não-OGM e sustentável, o que pode atrair os consumidores.”

Fonte: Greensavers - sapo 

Para assinalar o regresso às aulas, a Direção-Geral da Saúde (DGS), através do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), em conjunto com a Direção-Geral da Educação (DGE), publicam um guia com 10 (+1) recomendações para uma alimentação saudável.

Saber escolher, saber fazer e saber educar para uma alimentação saudável foram os princípios base para o desenvolvimento do conjunto de recomendações descritas neste guia, que se dirige aos pais e encarregados de educação.

Apresentam-se os grupos de alimentos que as crianças e jovens devem privilegiar nas refeições do pequeno-almoço e lanches, por serem muitas vezes os contextos propícios para hábitos alimentares desequilibrados. A importância de escolher comer bem, na quantidade certa, é também uma recomendação deste guia, já que é fundamental que crianças pequenas consumam quantidades mais pequenas. Destaca-se, ainda, o pescado, um alimento muito interessante do ponto de vista nutricional, mas pouco consumido pelos mais jovens. Por fim, reforça-se a qualidade das refeições oferecidas em meio escolar e incentiva-se as crianças a almoçarem no refeitório escolar.

Este pequeno guia reconhece, também, a difícil tarefa que é educar as crianças para uma alimentação saudável. Neste sentido, são identificadas algumas orientações e estratégias adequadas para ajudar os pais, famílias e encarregados de educação na educação alimentar das crianças. Embora a escola tenha um papel importante na educação alimentar das crianças e jovens, os bons hábitos alimentares começam em casa, em família.

Pode consultar o documento completo aqui:

Fonte: DGS - Direção-Geral da Saúde

ASAE fiscaliza comercialização de Cereja

  • Monday, 09 September 2024 10:56

Durante a época de produção e comercialização da cereja em Portugal, a ASAE procedeu à realização de várias ações de fiscalização nacionais no sentido de detetar eventuais práticas fraudulentas, com especial destaque para o uso de denominações de origem ou indicações geográficas protegidas (DOP/ IGP) e para a indicação de origem Portugal, em cerejas provenientes de outros países e regiões não protegidas.

Assim, foram fiscalizados 112 operadores económicos, desde armazenistas, embaladores e retalhistas, tendo sido instaurados 9 processos-crime por fraude sobre mercadorias e uso ilegal de denominação de origem ou indicação geográfica protegida e 15 processos de contraordenação destacando-se como principais infrações, o incumprimento dos requisitos de rotulagem e rastreabilidade, quanto à origem do produto.
 
As operações da ASAE contribuíram para a defesa da origem da cereja portuguesa como relevante produto nacional e a garantia de informação adequada disponível ao consumidor, bem como da proteção dos produtores nacionais.

 
Fonte: ASAE

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) anunciou hoje a existência 347 casos registados de doença hemorrágica epizoótica em 171 exploração de gado e o registo de 18 animais mortos em todos país, desde 17 julho.

De acordo com o último relatório da DGAV emitido na quinta-feira, a região mais afetada é o Norte, com destaque para o distrito de Bragança, que contabiliza 121 explorações afetadas, 288 animais contaminados pela doença hemorrágica epizoótica (DHE) e 18 mortes registadas, onde sobressaem os concelhos de Vinhais, Bragança e Miranda do Douro.

O primeiro foco de DHE referente a 2024, foi detetado no concelho de Vinhais, no distrito de Bragança, em 17 de julho.

Segue-se o distrito de Vila Real com 20 explorações com casos positivos para DHE e 22 bovinos afetados, com destaque para os concelhos de Boticas, Mondim de Basto, Montalegre, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar e Vila Real

Já o distrito de Braga apresenta 18 explorações afetadas e 22 casos. Viana do Castelo tem cinco explorações afetadas com um total de cinco casos positivos para DHE.

Também no distrito de Leiria foi registada a morte de uma vaca contaminada com o vírus da DHE.

No distrito de Bragança há ainda uma exploração de veados afetada, com o registo de três animais contaminados, visto que a DHE também ataca os cervídeos.

O relatório de casos de infeção ou morte por DHE é atualizado todas as semanas, por norma no último dia útil.

Em declarações à Lusa, a diretora-geral de Alimentação e Veterinária, Susana Pombo, disse que a DHE apareceu pela primeira vez em 2023 e como é transmitida por um vetor [mosquito] está muito associada às altas temperaturas que se têm feito sentir.

“Este ano temos uma situação [epidemiológica] diferente, relativamente ao ano passado porque a indústria farmacêutica disponibiliza uma vacina autorizada pela DGAV para utilização temporária pelo prazo de um ano, cuja data de comercialização teve início na passada quinta-feira” 05 de setembro, indicou.

Susana Pombo acrescentou ainda que a DGAV já atualizou o seu Edital, sendo que “esta vacina é de aplicação voluntária por parte dos produtores pecuários. A vacina está disponível nos distribuidores nacionais”.

A responsável pela DGAV disse ainda que “qualquer médico veterinário com cédula profissional ativa pode prescrever a vacina contra a DHE e de acordo com as condições sanitárias que apresentem, entenda que os animais possam ser mais protegidos”.

Susana Pombo apelou ainda à utilização de desinsetização já que o veículo transmissível da doença é um mosquito.

“Os animais devem ser vistos todos os dias, porque a doença tem tratamento, mas quanto mais depressa se atuar melhor”, vincou.

A responsável alertou ainda que a DHE só afeta animais e não é transmissível a humanos, sendo “importante que as pessoas tenham essa noção”.

“Atualmente a vacina existente está rotulada em espanhol, mas o próximo lote a chegar a Portugal, e que será brevemente, já virá rotulado em português”, disse.

A DGAV informou ainda através de Edital que os animais com sinais clínicos de DHE não podem ser movimentados.

Os principais sintomas da DHE registados nos bovinos são coxeia, falta de apetite e úlceras na boca, uma situação que provoca a degradação do estado de saúde dos bovinos, que os pode “levar à morte”, indicou à Lusa o secretário técnico da Associação de Criadores de Raça Bovina Mirandesa, Válter Raposo.

Este responsável já havia alertado na quinta-feira para o regresso do vírus DHE ao Nordeste Transmontano, estando a afetar animais e a deixar os produtores apreensivos.

Válter Raposo acrescentou que se previa “uma certa imunidade”, mas há animais que estão a repetir a doença pelo segundo ano consecutivo.

“Provavelmente há uma estirpe diferente deste vírus hemorrágico.”, disse.

A DHE é uma doença de etiologia viral que afeta os ruminantes, em especial os bovinos e os cervídeos selvagens, com transmissão vetorial (por mosquito), que está incluída na lista de doenças de declaração obrigatória da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

Fonte: Agroportal

Não é novo o tema das contaminações cruzadas e higiene precária nas cozinhas. Evite perigos associados aos alimentos em sua casa seguindo algumas regras simples. Higiene, temperatura adequada e separação dos alimentos, estão entre os principais mandamentos na hora de evitar a doença.

Os erros de segurança alimentar mais comuns relacionam-se com a refrigeração inadequada, uma higiene deficiente, a contaminação cruzada entre alimentos ou o incumprimento dos tempos de cozedura.

Eis algumas regras simples para evitarmos a doença:

1. Frio até ao momento de cozinhar

Mantenha os alimentos congelados ou no frio até à altura de os cozinhar. Nas compras, estes devem ser os últimos artigos a entrar no carrinho, devem ser transportados em sacos próprios e deve ser os primeiros a ser armazenados no congelador/frigorífico.

2. Mãos sempre limpas

Lave as mãos sempre que começar a cozinhar e sempre que mudar de tarefas (por exemplo, fazer a salada e, depois, temperar a carne). Retire anéis e pulseiras e esfregue bem as palmas das mãos e entre os dedos. Mantenha as unhas curtas e limpas.

3. A doença não entra na cozinha

Se está com febre, constipação, gripe, vómitos ou diarreia, afaste-se da cozinha ou arrisca-se a espalhar a doença por toda a família. Se tiver, mesmo, de cozinhar, coloque uma máscara sobre o nariz e boca para não contaminar os alimentos.

4. Carne, um dos grandes perigos

Uma carne mal cozinhada, principalmente de porco, é meio caminho andado para a intoxicação alimentar. Garanta que as carnes atingem a temperatura adequada no interior da peça, respeite os tempos de cozedura. O calor é a única forma eficaz de destruir eventuais germes, enquanto o frio apenas impede o seu crescimento.

5. Superfícies de trabalho impecáveis

A superfície e os instrumentos de trabalho, como tábuas, mesas, facas e colheres de pau, por exemplo, devem estar impecavelmente limpas e em bom estado. A lavagem a alta temperatura e o uso de detergentes antibacterianos é uma forma de garantir a higiene.

6. Evite contaminações cruzadas

Para evitar contaminações cruzadas, mantenha separados os alimentos crus (ex.: alface), dos cozinhados (ex. frango), até chegar a hora de empratar. Tenha uma tábua para cortar os vegetais, outra para a carne e outra para o peixe. O investimento vai compensar na hora de garantir a segurança alimentar.

7. Cozinhar no momento do consumo

Prepare os alimentos o mais próximo possível da hora da refeição. Assim preserva melhor os nutrientes e o sabor, ao mesmo tempo que evita contaminações.

Fonte: Sapo.pt e Qualfood

A Rede de Alerta Rápido para Alimentos e Rações (RASFF) da União Europeia, responsável pela coordenação entre as agências de Segurança Alimentar dos países da UE, lançou uma notificação urgente para a retirada de camarões congelados. A razão foi a deteção de uma falha na cadeia de frio durante o transporte, tornando-os inadequados para o consumo. A notificação do RASFF, que classifica o incidente como um “risco potencial”, indica que o problema foi identificado em Espanha durante uma inspeção de mercado.

Até agora, os camarões foram distribuídos na Alemanha e na Bélgica. Embora não tenham sido registados casos de intoxicação ou problemas de saúde relacionados com o consumo deste marisco, a quebra na cadeia de frio é um fator crítico na conservação de produtos do mar. Ainda não foram divulgadas informações sobre as empresas envolvidas na produção ou as regiões de onde provém o produto sujeito ao recall.

O consumo de camarão na Europa tem vindo a aumentar de forma significativa nos últimos anos, impulsionado pela popularidade deste marisco nas dietas europeias. Sendo um produto apreciado tanto em restaurantes como em casa, o camarão é consumido em diversas formas, desde pratos simples até receitas mais elaboradas. A Europa importa a maior parte do camarão que consome, proveniente de países como a Índia, o Vietname e o Equador, devido à elevada procura e à dificuldade de produção em larga escala nos países europeus.

No entanto, o aumento do consumo de camarão levanta preocupações relacionadas com a sustentabilidade e a segurança alimentar. Questões como a sobrepesca, a utilização de antibióticos nas produções e os problemas na cadeia de frio durante o transporte tornam-se importantes para os consumidores. A União Europeia tem implementado medidas rigorosas de controlo de qualidade e segurança para garantir que o camarão importado cumpre as normas sanitárias e ambientais, mas os desafios continuam, sobretudo devido ao elevado volume de importação e à complexidade das cadeias de abastecimento.

Fonte: O Postal do Algarve 

Os esforços liderados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para atualizar as estimativas sobre o impacto das infeções de origem alimentar continuam a progredir, prevendo-se a sua publicação no próximo ano.

Num webinar organizado pela European Burden of Disease Network, dois oradores partilharam conhecimentos sobre o trabalho do Foodborne Disease Burden Epidemiology Reference Group (FERG).

Os números publicados em 2015 revelaram que 31 riscos causaram 600 milhões de doenças de origem alimentar e 420.000 mortes em 2010. Está prevista a publicação de dados actualizados até outubro de 2025.

A maior parte dos indicadores da edição revista serão os mesmos que os utilizados em 2015, mas serão também incluídos números nacionais. Os números serão apresentados como uma análise de séries cronológicas de 2000 a 2020 ou 2021.

Novas estimativas fornecerão dados sobre Trypanosoma cruzi, aflatoxina M1, arsénio inorgânico, cádmio, chumbo, metilmercúrio, ciclospora, rotavírus e E. coli enteroagregativa (EAEC). Será também incluída uma lista alargada de resultados em matéria de saúde.

A abordagem da OMS:

Yuki Minato, responsável técnico do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS, afirmou: “A segurança alimentar é muito complexa, porque estamos a lidar com muitos perigos diferentes, com a subnotificação e com a falta de apuramento. A visão principal é tentar compreender o que está a acontecer debaixo de água, basicamente”.

Minato fez referência a uma resolução de 2020 da Assembleia Mundial da Saúde que mandatou a OMS para monitorizar e comunicar o peso das doenças de origem alimentar a nível nacional, regional e internacional.

“A parte da transparência é importante para a OMS, pois queremos garantir que os países utilizem estas estimativas e que não fiquem apenas numa prateleira na OMS. Envolvemos os Estados Membros e solicitámos aos governos que identificassem os seus pontos focais nacionais para esta estimativa. Vamos realizar uma consulta oficial aos países no próximo ano. Receberão um projeto de estimativas antes da publicação oficial para que possam analisar, comentar e dar feedback”, disse.

As equipas de recolha de dados das estimativas para 2025 incluem a Universidade da Virgínia para as doenças diarreicas, a Universidade do Estado do Michigan para a aflatoxina e a Gibb and O'Leary Epidemiology Consulting para o arsénio inorgânico.

O FERG tem sete grupos de trabalho: doenças entéricas, doenças parasitárias, produtos químicos e toxinas, atribuição de fontes, computação, medição do impacto e apoio aos países.

Avaliar o peso das doenças de origem alimentar:

Sara Monteiro Pires, investigadora sénior da Universidade Técnica da Dinamarca (DTU), afirmou que o relatório de 2015 é importante para aumentar a sensibilização global para as doenças de origem alimentar.

“O nosso objetivo final é poder dar prioridade às intervenções de segurança alimentar. Para o fazer, precisamos de responder a algumas questões. Em primeiro lugar, qual é o impacto na saúde pública das diferentes doenças de origem alimentar? Com base nisto, queremos saber como comparar as doenças de acordo com a sua importância em diferentes regiões. Depois de dar prioridade às doenças mais importantes, precisamos de saber o que está a causar estes problemas. Assim, como é que podemos identificar as fontes e as vias de transmissão mais importantes e, em seguida, dar prioridade às nossas intervenções? O terceiro passo é identificar as opções de intervenção em toda a cadeia alimentar e, no final, o ideal seria medir o efeito de cada intervenção”.

Pires, que também é membro do FERG, disse que existem mais de 250 causas de doenças de origem alimentar, incluindo bactérias, vírus, parasitas e produtos químicos.

“Embora tenhamos dados de vigilância sobre o número de casos numa população, não estamos a captar todos os casos da doença. Algumas das doenças não são de todo notificadas. As doenças de origem alimentar têm uma vasta gama de efeitos na saúde, que variam em termos de gravidade, desde a diarreia ligeira à diarreia grave, mas também efeitos neurológicos, cancro e artrite reactiva. Estas doenças também têm diferentes durações e casos de morte”, afirmou.

“As doenças crónicas são difíceis de atribuir a uma exposição específica; são bastante inespecíficas e podem ser causadas por muitos factores de risco diferentes. Também aparecem muito tempo depois da exposição, pelo que é difícil relacioná-las diretamente com o risco para a segurança alimentar. Existem também várias vias de exposição, mesmo para uma doença, e estas fontes e a sua importância variam consoante a doença, o risco e o país”.

O objetivo dos estudos sobre o peso das doenças de origem alimentar é classificar e dar prioridade às doenças com base no impacto na saúde pública causado numa população específica. Este trabalho pode ajudar a medir as tendências e o impacto das intervenções de segurança alimentar, fornecendo provas para a elaboração de políticas.

“Precisamos de identificar as fontes de transmissão mais importantes. No caso da Campylobacter, um reservatório importante são as aves de capoeira, mas as infecções também podem ser causadas por produtos lácteos ou carne de vaca, ou pelo contacto com animais vivos infectados e pela exposição ambiental”, disse Pires.

“Por isso, se quisermos utilizar as nossas estimativas do peso da doença para dar prioridade às intervenções, temos de identificar quais as fontes e vias de transmissão mais importantes. Para isso, normalmente usamos a atribuição da fonte. O primeiro passo é a atribuição aos alimentos em vez da transmissão ambiental, do contacto direto com animais e da transmissão pessoa-a-pessoa, e depois podemos querer atribuir a alimentos específicos”.

 

Fonte: FoodSafetyNews & Qualfood

 

Tornado hoje público o relatório solicitado pela Presidente Van der Leyen, documento é uma resposta aos protestos dos agricultores e pode vir a representar um ponto de viragem essencial para corrigir o rumo errado que foi seguido nos últimos anos nas políticas agrícolas ao nível europeu

Esta manhã, o Professor Strohschneider apresentou as conclusões do diálogo estratégico sobre o futuro da agricultura a Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia, que em breve irá iniciar um novo mandato.

Recorda-se que a Política Agrícola Comum é a mais relevante política comunitária e à qual está cometida a maior fatia do orçamento europeu.

O relatório hoje apresentado distingue-se pela sua abordagem deliberativa única e pelas suas recomendações abrangentes e constitui um primeiro passo crucial para o desenvolvimento da “Visão Agroalimentar” anunciada pela Presidente da Comissão em julho.

Originalmente introduzido por Ursula von der Leyen no seu discurso sobre o Estado da União de setembro de 2023, o diálogo estratégico sobre a agricultura foi concebido principalmente como uma resposta às deficiências da abordagem do topo para a base constante da estratégia “Do prado ao prato”. A iniciativa teve, por conseguinte, como objetivo reintroduzir um verdadeiro diálogo no processo de tomada de decisões. Sob a direção do Professor Strohschneider, as discussões centraram-se em questões de fundo, evitando as armadilhas da postura política e da polarização.

O resultado destes sete meses intensos de negociações é um documento denso que aborda exaustivamente os sectores agrícola e agroalimentar na sua totalidade, não deixando nenhuma questão importante esquecida. Os desafios que a comunidade agrícola enfrenta atualmente – como a concorrência desleal, os rendimentos limitados, o aumento dos custos energéticos, a renovação geracional e as alterações climáticas – intensificar-se-ão inevitavelmente caso não sejam enfrentados com uma abordagem atempada, coerente, pragmática e orientada para o impacto na elaboração de políticas.

A CAP aplaude o consenso sobre 1) o reconhecimento da agricultura e da alimentação como sectores estratégicos para a Europa, 2) o imperativo de garantir a segurança alimentar e o 3) compromisso com a sustentabilidade competitiva.

O diálogo estratégico também defende fortemente uma política comercial coerente, instando a Comissão a elevar a importância dos produtos agrícolas e alimentares nas negociações comerciais, especialmente à luz das discussões em curso sobre o acordo UE-Mercosul.

Entre os principais resultados, a ênfase no financiamento das transições necessárias – quer através de um “orçamento dedicado e proporcional à PAC”, de um “fundo temporário para uma transição justa” ou do reforço das parcerias público-privadas para mobilizar capital – é especialmente notável e deve ser considerada na próxima proposta de orçamento.

O relatório inclui igualmente várias recomendações críticas destinadas a capacitar os agricultores no âmbito da cadeia de valor, a melhorar a transparência, a combater as práticas comerciais desleais e a promover o modelo cooperativo. Estas são áreas em que é necessária uma ação urgente por parte das instituições da UE.

Destacamos também as recomendações do relatório sobre a gestão das terras (sem ocupação líquida de terras até 2050, Observatório Europeu das Terras Agrícolas), a revitalização das zonas rurais, a pecuária (estratégia sobre o papel da pecuária), a renovação geracional (plano de ação para a renovação geracional), a bioeconomia, a gestão da água, a gestão dos riscos e o acesso à inovação.

No entanto salientamos que este relatório deve ser visto como o início de um processo mais construtivo que conduzirá a uma visão mais coerente, equilibrada e estratégica da agricultura sob a direção de Ursula von der Leyen. O diálogo tem de prosseguir, envolvendo o Parlamento Europeu e o Conselho e principalmente as organizações de agricultores, para que o sector seja ouvido e participe nas tomadas de decisões.

É muito importante que neste período de mudanças na União Europeia, (novo Parlamento Europeu e constituição do colégio de comissários) que o sector agrícola esteja no centro da discussão ao nível europeu, para evitar episódios como os que se passaram no decorrer do ano passado, com um total desrespeito pelo sector agrícola, com políticas completamente desajustadas da realidade e sem qualquer tipo de reajustamento pelo executivo comunitário.

 

Fonte: AGROPORTAL

Um projeto europeu coordenado pela Universidade do Minho pretende criar nanobiopesticidas e nanobiofertilizantes para combater pragas na viticultura, protegendo o ambiente, aumentando a produção, reduzindo custos e enfrentando as alterações climáticas. O projeto chama-se VINNY, junta 19 parceiros de dez países e conta nos próximos quatro anos com 8.3 milhões de euros do programa Horizonte Europa.

Passar da viticultura intensiva para a sustentável à escala global e cortar em 50% os agroquímicos no setor estão nos principais objetivos do consórcio liderado por Margarida M. Fernandes, do Centro de Sistemas Microelectromecânicos (CMEMS) da Escola de Engenharia da UMinho. O projeto vai propor ainda agrotêxteis impregnados com aqueles nanobiofertilizantes, além de testes à eficiência, eficácia e segurança em laboratório, em áreas-piloto e no campo.

Espera-se que o VINNY origine vários projetos em copromoção com empresas e associações. O projeto abarca igualmente uma vertente social, ao estabelecer a “Rede Europeia das Vinhas” constituída por três Living Labs (laboratórios vivos) e uma Lighthouse (sede) para disseminar práticas sustentáveis junto dos agricultores e das entidades da área, impulsionando assim a inovação e a sustentabilidade no setor primário.

A nível nacional, o consórcio conta com o CMEMS (a que se alia o Centro de Engenharia Biológica, no âmbito do laboratório associado LABBELS), o Centro de Biologia Molecular e Ambiental, todos da UMinho, bem como a ADVID – Cluster da Vinha e do Vinho, a associação InnovPlantProtect e a agência de comunicação LKCOM. A nível europeu, totaliza cinco universidades, onze empresas e três associações de dez países. VINNY é o acrónimo de “Advanced nano encapsulation of bio-based pesticides and fertilisers for a circular and sustainable viticulture” e pode ser seguido nas redes sociais.

 

Fonte: AGROPORTAL