Foi através da sustentabilidade e da digitalização que o projeto português S4Agro procurou aumentar a produtividade das empresas agroalimentares. A junção entre universidades e este setor permitiu criar soluções inovadoras e uma verdadeira rede de conhecimento.
Quase todos os portugueses considera que a agricultura e as áreas rurais são importantes para o futuro, segundo o último Eurobarómetro. Com esta preocupação também presente, um projeto português, S4Agro – Soluções Sustentáveis para o Setor Agroindustrial, quer transformar o setor agroindustrial numa indústria moderna e sustentável.
Viabilidade económica das empresas agroindustriais, salvaguarda de recursos, sustentabilidade ambiental e segurança de processos relacionados com a digitalização foram os quatro eixos definidos para o projeto S4Agro. Trata-se de “aumentar a produtividade, a eficácia e a eficiência” nas pequenas médias empresas deste setor nas regiões Norte, Centro e Alentejo, explica Pedro Dinis Gaspar, professor da Universidade da Beira Interior e responsável do projeto.
Esta ideia começou a ser desenvolvida em 2020, quando foi regulamentada na União Europeia a redução e limitação do uso das embalagens de plástico. “O setor agroindustrial português é muito constituído por pequenas e médias empresas e muitas delas lideradas por pessoas que até ao nível de idade ou de habilitações têm alguns constrangimentos. Portanto, havia aqui a necessidade de qualificar estas empresas para esta mudança que a União Europeia estava a obrigar”, explica.
Para colmatar as dificuldades do setor, o objetivo do S4Agro seria “reunir toda essa informação, analisá-la e torná-la acessível de uma forma simples e expedita a estes setores”. O projeto tornou-se numa espécie de rede de informação colaborativa entre a indústria e as universidades. “Há a necessidade de conseguirmos transferir a inovação de base científica e tecnológica para as empresas, porque [esta inovação] é, sem dúvida, uma pedra basilar para o aumento da sua competitividade”, descreve Pedro Dinis Gaspar.
Para tal, foram identificados no setor agroindustrial os “fatores críticos associados à redução e à valorização de desperdícios” para melhorar a eficiência produtiva e também reduzir o impacto ambiental. Com os problemas identificados foi criado um concurso de ideias para solucionar estes constrangimentos. “Recebemos propostas a nível nacional, depois os melhores projetos foram postos em contacto com as empresas para que efetivamente houvesse um resultado real e para que houvesse uma inovação nesta empresa, que permitisse aumentar ou melhorar a sua competitividade”, afirma o docente universitário.
Uma das propostas tratou-se de uma embalagem biodegradável para snacks feita com cascas de laranja. “É um desperdício do fruto” que pode ser transformada num pacote sustentável. “Como a laranja é um citrino, tem, por si só, uma capacidade antimicrobiana nata e é uma embalagem biodegradável”, explica.
Houve ainda a utilização de microalgas e plantas halófitas, tolerantes à salinidade, para a produção de chouriço tradicional para substituir os intensificadores de sabor, sal e emulsionantes. Enquanto, outra ideia criou um sistema autónomo para monitorização de insetos, que através da utilização de feromonas reunia os insetos e a visão computacional e algoritmos de inteligência artificial faziam a deteção dos mesmos.
Além da rede de conhecimento e deste concurso de ideias, um dos grandes focos foi a criação de embalagens mais ecológicas para produtos cárneos, hortofrutícolas, lácteos e de padaria, que também deveriam ser capazes de manter as características do produto durante um maior período. Uma das ideias que resultou deste projeto tratou-se de uma embalagem capaz de prolongar a vida útil das framboesas a partir de materiais que estabilizam a temperatura.
As soluções de embalamento desenvolvidas também deveriam ser rastreáveis desde o início da produção até à chegada ao local de consumo para garantir a melhor qualidade e a segurança alimentar, as chamadas embalagens inteligentes. “É cada vez mais importante saber quais foram as condições de armazenamento a que esse produto esteve sujeito, até mesmo para garantir a veracidade da origem de produção desse produto”, afirma Pedro Dinis Gaspar.
Além destes objetivos, o projeto comprometeu-se ainda a acelerar a inclusão das empresas na economia digital, salvaguardando a sua segurança. Como iniciaram o projeto durante a pandemia de Covid-19 assistiram a “uma mudança de paradigma naquilo que eram as vendas online”. A maioria das empresas com que o projeto trabalhou possuíam apenas uma página de internet para mostrar os seus produtos, “mas tiveram de se atualizar e de se desenvolver para vender os seus produtos online e isso acarreta a cibersegurança”.
Finalizado em 2023, continua a manter disponível a rede de informação através do site e já “catapultou” outros projetos, como uma embalagem para pescado, finalista no prémio de inovação do evento Expo Fish. “Todo este projeto acabou por ser um grande desafio, porque abordou várias facetas, tentando dar resposta a um conjunto de questões que se colocam ao setor agroindustrial, mas sempre dirigido a uma vertente da sustentabilidade”, diz ainda o docente universitário.
O projeto S4Agro foi constituído por um consórcio liderado pela Universidade da Beira Interior, em conjunto com o Instituto Politécnico de Leiria, de Coimbra, de Castelo Branco, da Guarda e de Viana do Castelo, Inovcluster - Associação do Cluster Agroindustrial do Centro e a Universidade de Évora. Para desenvolver as atividades, recebeu o financiamento de cerca de 794 mil euros através do programa COMPETE 2020, dos quais 675 mil euros provieram do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).
Pedro Dinis Gaspar não tem dúvidas de que os resultados atingidos com o S4Agro só foram possíveis devido ao financiamento comunitário. “Tivemos de desenvolver os conteúdos, tivemos de preparar o conhecimento, mas também capacitar as pessoas e as pequenas e grandes empresas do setor agroindustrial. Grande parte deste financiamento serviu para estas ações de capacitação, de disseminação, de divulgação dos resultados do projeto”, explica.
Fonte: Expresso
A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária publicou o Plano de Contingência referente à praga prioritária Bactericera cockerelli (Sulc).
Consulte o Plano de Contingência Bactericera cockerelli (Sulc)
Fonte: DGAV
Recolha abrange latas e garrafas da Coca-Cola, Fanta ou Sprite distribuídas na Bélgica, Reino Unido, Alemanha, França e Luxemburgo desde o final de novembro.
A Coca-Cola Europacific Partners (CCEP), unidade europeia de engarramento da fabricante de refrigerantes norte-americana, ordenou a retirada em massa de latas e garrafas de Coca-Cola, Sprite, Fanta, entre outras marcas, depois de ter identificado níveis elevados de clorato.
A retirada diz respeito às latas e garrafas distribuídas na Bélgica, Reino Unido, Alemanha, França e Luxemburgo desde o final de novembro, explicou a CCEP Bélgica à agência France Presse (AFP). "Não temos um número concreto, mas é claro que diz respeito a uma quantidade considerável", afirmou a empresa.
O problema, pelo qual a CCEP Bélgica pediu desculpa, foi identificado num controlo de rotina na sua unidade de produção em Gent, segundo a imprensa belga.
O clorato é um subproduto do cloro, normalmente utilizado como desinfetante para água potável, pelo que baixas concentrações são frequentemente encontradas em alimentos e bebidas.
O Negócios contactou a unidade da CCEP em Portugal, de cujas linhas de produção da fábrica instalada em Azeitão, desde os finais da década de 1970, saem 250 milhões de litros por ano, que esclarece que se trata de uma situação isolada que não afeta as bebidas em território nacional. "Estamos cientes da ocorrência que afectou alguns países europeus. Esta foi uma situação identificada e isolada, e como referido apenas afecta os países mencionados. Os produtos para consumo em Portugal são produzidos na nossa fábrica em Azeitão, de acordo com os padrões regulamentares de segurança e qualidade habituais", indicou a empresa.
Fonte: Jornal de Negócios
A 23 de janeiro, foram confirmados dois novos focos de infeção por vírus da Gripe Aviária de Alta Patogenicidade (GAAP) no concelho de Caldas da Rainha, distrito de Leiria.
Um destes focos é respeitante a uma capoeira doméstica localizada na freguesia de Tornada e Salir do Porto e o outro foi detetado em aves existentes no lago do Parque Urbano D. Carlos I.
As medidas de controlo implementadas pela DGAV, de acordo com a legislação em vigor, incluem a inspeção aos locais onde a doença foi detetada, a remoção dos animais afetados e a limpeza e desinfeção, assim como a restrição da movimentação e a vigilância das explorações que detêm aves existentes nas zonas de restrição num raio de até 10 km em redor do foco detetado na capoeira doméstica.
Perante a atual circulação persistente do vírus da GAAP, a DGAV reitera o apelo a todos os detentores de aves que cumpram com rigor as medidas determinadas pelo Edital n.º 28 da Gripe Aviária. Salientamos que o confinamento de todas as aves detidas no território do continente é a medida mais eficaz para evitar contactos entre aves domésticas e aves selvagens, sendo essencial para prevenir novos focos de doença.
Recomendamos ainda o cumprimento das medidas de biossegurança e das boas práticas de produção avícola, evitando contactos diretos ou indiretos entre as aves domésticas e as aves selvagens, reforçando os procedimentos de higiene de instalações, equipamentos e materiais, e aplicando rigoroso controlo dos acessos aos estabelecimentos onde são mantidas as aves.
Mais informações sobre prevenção e biossegurança estão disponíveis na página da gripe aviária do portal da DGAV, incluindo um vídeo e um cartaz.
A notificação de qualquer suspeita deve ser realizada de forma imediata, para permitir uma rápida e eficaz implementação das medidas de controlo da doença, no terreno, pela DGAV.
As medidas de controlo de doença aplicadas nas zonas sujeitas a restrições sanitárias são determinadas pelo Edital n.º 28 da Gripe Aviária, que pode ser consultado aqui.
Fonte: DGAV
Um grupo de investigação do Instituto de Agroquímica e Tecnologia Alimentar (IATA) do CSIC, pertencente ao Ministério da Ciência, Inovação e Universidades (MICIU), realizou um estudo que demonstra que incluir uma pequena quantidade de vegetais desidratados (2% da receita) na preparação de pão achatado tem efeitos positivos na textura, cor e, sobretudo, nas propriedades nutricionais. A investigação, publicada no International Journal of Food Science and Technology, revela que a inclusão destes ingredientes no pão afeta a digestão do amido, melhorando a resposta glicémica após a ingestão.
O pão é um alimento fundamental na nossa dieta. Tem um lugar de destaque como fonte de nutrientes, acompanha outros alimentos e desempenha um papel central nos pequenos-almoços, almoços e jantares em todo o mundo. Mas a sua importância não se limita ao sabor ou versatilidade. O pão, especialmente as versões integrais e ricas em fibras, fornece hidratos de carbono complexos que libertam energia sustentada, essencial para uma dieta equilibrada.
O LINCE, um grupo de trabalho do grupo Cereais e Produtos Derivados da IATA-CSIC, analisou a inclusão de legumes como espinafres, acelgas, beterrabas ou cebolas e o seu impacto nas propriedades dos pães achatados, um tipo de pão feito com massa estendida, sem massa fermentada ou levedura.
O pão achatado é um dos pães mais antigos e mais consumidos no mundo, especialmente no Mediterrâneo. Além de ser um alimento básico, tem vantagens. Além de um processo de produção relativamente simples e rápido, existem muitas receitas diferentes em muitas culturas.
O trabalho utilizou uma abordagem experimental em que diferentes vegetais desidratados foram incorporados na massa de pão achatado e várias propriedades tecnológicas e nutricionais, como o teor de fibras, minerais, cor e textura, foram analisadas. Além disso, a digestibilidade do amido foi medida por análise in vitro para avaliar o impacto destes ingredientes na velocidade da digestão.
“Estes ingredientes poderiam ser utilizados não só em pães achatados, mas também noutros produtos de panificação que procuram inovar em termos de nutrição e benefícios para a saúde”, afirma Raquel Garzón, cientista do CSIC no IATA e autora do estudo.
Os resultados mostram que a inclusão de espinafres ou acelgas melhorou significativamente o conteúdo mineral do pão achatado; as azeitonas pretas e verdes aumentaram o conteúdo de gordura saudável; a beterraba e o tomate influenciaram a cor e a dureza do pão; a adição de couve melhorou o perfil proteico do alimento; e a alcachofra ou a cenoura melhoraram a quantidade de fibra.
Além disso, o limão e o tomate reduziram a digestão in vitro do amido. “Os vegetais desidratados são ingredientes naturais, inovadores e sustentáveis com potencial para melhorar as propriedades tecnológicas e nutricionais do pão achatado”, argumentam María Santamaría e María Ruiz, investigadoras do CSIC no IATA que participaram no estudo.
“Neste estudo, utilizámos vegetais desidratados devido ao seu elevado teor de compostos bioactivos, nomeadamente compostos polifenólicos, que podem atuar reduzindo a digestibilidade do amido. Com esta alternativa, conseguimos desenvolver produtos de panificação mais saudáveis e oferecer aos consumidores novas experiências, especialmente em termos da gama de cores e sabores”, afirma Cristina M. Rosell.
O pão achatado tem um elevado teor de hidratos de carbono, especialmente amido de digestão rápida, o que contribui para um elevado índice glicémico. Esta caraterística permitiu estudar o impacto glicémico da inclusão de vegetais desidratados. “Através destes ingredientes, um alimento tradicional pode ser transformado numa opção mais nutritiva e inovadora”, explica a equipa de investigação IATA-CSIC. O estudo foi realizado no âmbito do projeto europeu PRIMA FlatBreadMine, liderado por Patricia LeBail no Instituto Nacional de Investigação Agronómica (INRA), em França.
Fonte: iAlimentar
A Comissão Europeia autorizou a utilização do novo alimento “pó de larvas inteiras de Tenebrio molitor (tenébrio) tratado com radiação UV” para uso em diversas categorias de alimentos.
A autorização segue-se a uma avaliação científica abrangente elaborada pela EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos), que verificou que o novo alimento é seguro para os usos e níveis de usos propostos.
As condições de utilização, bem como as especificações do novo alimento encontram-se no anexo do Regulamento de Execução (UE) 2025/89.
O novo alimento “pó de larvas inteiras de Tenebrio molitor (tenébrio) tratado com radiação UV” fará parte de uma atualização à lista da União de novos alimentos autorizados, estabelecida no Regulamento de Execução (UE) 2017/2470, onde constará também as condições de utilização e os requisitos de rotulagem a que deve obedecer o novo alimento.
Durante o período de proteção de dados que finaliza a 10 de fevereiro de 2030, apenas a requerente inicial, “Nutri’Earth”, 68 rue Louis Joseph Gay Lussac, 62220 Carvin, França, está autorizada a colocar no mercado da União o novo alimento “pó de larvas inteiras de Tenebrio molitor (tenébrio) tratado com radiação UV”, salvo se um requerente posterior obtiver autorização para o novo alimento sem fazer referência às provas científicas ou aos dados científicos abrangidos por direitos de propriedade protegidos nos termos do artigo 26º do Regulamento (UE) 2015/2283 ou se obtiver o acordo da Nutri’Earth.
Mantenha-se informado. Consulte o novo diploma aqui.
Fonte: DGAV
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) realizou, através da sua Unidade Regional do Norte - Unidade Operacional de Barcelos, uma operação de fiscalização direcionada a um estabelecimento de processamento de produtos alimentares localizado no concelho de Ponte de Lima, com o objetivo de verificar o cumprimento das normas legais aplicáveis, com destaque para a garantia de segurança alimentar dos consumidores e de qualidade dos géneros alimentícios.
Durante a ação, foi detetada a presença de produtos cárneos armazenados em avançado estado de deterioração e impróprios para consumo humano, o que resultou na apreensão de 1,2 toneladas de carne de bovino, suíno e frango destinadas à comercialização ao consumidor final através das redes sociais.
Após perícia, os produtos não poderiam permanecer no circuito comercial, sendo a maioria encaminhada para destruição, enquanto uma parte foi redirecionada para consumo animal.
Em resultado desta ação de fiscalização, foi instaurado um processo-crime por detenção e comercialização de géneros alimentícios anormais, avariados e sem os requisitos exigidos, tendo a situação sido comunicada aos respetivos Serviços do Ministério Público.
Foi ainda determinada a suspensão de atividade do estabelecimento devido à ausência de condições estruturais adequadas, falta de asseio, de higiene e de licenciamento.
O valor total das apreensões ascende a 3.500,00 euros.
A operação contou ainda com a colaboração da GNR - Guarda Nacional Republicana.
Fonte: ASAE
Uma equipa de investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) desenvolveu um método inovador para garantir a autenticidade de rações e alimentos à base de insetos, assegurando qualidade e segurança na cadeia alimentar.
Este estudo foi publicado no Journal of Food Composition and Analysis e foi desenvolvido no âmbito do projeto Pep4Fish, que explora soluções nutricionais inovadoras para dietas de robalo e dourada de aquacultura, baseadas em subprodutos alimentares.
Com a crescente procura por fontes alternativas de proteína, como os insetos, o risco de fraude e rotulagem incorreta tem aumentado, levantando a preocupações sobre a segurança alimentar. Para enfrentar este desafio, os investigadores criaram um teste de PCR em tempo real que identifica com precisão duas espécies de insetos amplamente utilizadas na produção de alimentos: a larva de farinha e mosca-soldado-negra.
O novo método destaca-se pela sua sensibilidade, sendo capaz de detetar níveis muito baixos de DNA dessas espécies, mesmo em produtos processados e complexos, como rações para aquacultura ou hidrolisados proteicos (proteínas parcialmente digeridas em pequenos fragmentos (peptídeos)), tornando-as mais fáceis de absorver pelos organismos).
O teste tem capacidade para identificar inclusões de apenas 0,24% destas espécies nos produtos analisados, garantindo a autenticidade mesmo em formulações processadas.
Este avanço é especialmente relevante para a indústria de rações e alimentos, uma vez que a União Europeia tem promovido o uso de insetos como fonte sustentável de proteína, tanto para consumo humano quanto para alimentação animal. Contudo, a falta de ferramentas confiáveis para verificar a composição desses produtos tem sido uma barreira para a adoção mais ampla.
Além de garantir a transparência e qualidade, o novo método também representa um importante passo na sustentabilidade, já que permite certificar ingredientes provenientes de fontes autorizadas, alinhando-se com os princípios da economia circular e do modelo da bioeconomia azul.
De acordo com os investigadores, este protocolo de autenticação não só protege os consumidores e produtores, mas também fortalece a confiança na cadeia de valor de alimentos inovadores à base de insetos, contribuindo para uma aquacultura mais sustentável e segura.
Este trabalho integra-se no projeto Pep4Fish, desenvolvido no âmbito do Pacto da Bioeconomia Azul e financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O projeto foca-se na exploração de soluções nutricionais inovadoras, utilizando subprodutos de origem animal, como peixes, aves e suínos, bem como recursos alternativos, como insetos. O objetivo é desenvolver dietas inovadoras para robalos e douradas que promovam simultaneamente a saúde dos peixes e a qualidade nutricional para o consumo humano, contribuindo para a redução do desperdício alimentar.
O estudo, publicado no Journal of Food Composition and Analysis, uma revista científica de elevado impacto na área da ciência alimentar, é assinado por Andreia Filipa-Silva, Thaise Martins, Maria J. Mota, André Almeida, Daniel Murta, Luísa M.P. Valente e Sónia Gomes.
Liderado pelo Grupo ETSA, o projeto Pep4Fish conta com a participação de nove parceiros, incluindo centros de pesquisa e empresas: AgroGrIN Tech, B2E – CoLAB para a Bioeconomia Azul (B2E CoLAB), CIIMAR, ITS – Indústria Transformadora de Subprodutos (ETSA); Seaculture (Jerónimo Martins), Savinor e Sorgal (Soja Portugal), Sebol (ETSA) e Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa.
Fonte: Grande Consumo
A nova revolução tecnológica, os avanços da inteligência artificial, a blockchain e a Internet das Coisas (IoT), assim como a automação e o futuro do trabalho, o crescimento do e-commerce e a transição para uma economia sustentável, recorrendo a investimentos em energias renováveis, estão a marcar a indústria alimentar. Inflação, guerras e instabilidade geopolítica impulsionaram mudanças nos padrões de consumo, influenciando a forma como vivemos, nos comportamos e o que comemos. Não será diferente em 2025, diz a PortugalFoods.
Os consumidores continuam preocupados com o aumento dos preços, mas tendencialmente estão a mudar o foco no momento da compra dos alimentos, preferindo os frescos e de origem vegetal, os que trazem mais benefícios para a saúde e os que provocam experiências sensoriais diferenciadas, como texturas crocantes ou sabores exóticos.
A capacidade de melhorar a aparência física, assim como os benefícios que os alimentos podem trazer para a saúde mental e emocional, são fatores decisivos para os consumidores no momento da compra. Além disso, a procura por alimentos com base na experiência e no propósito torna os consumidores mais exigentes e atentos aos impactos das suas escolhas. O ato de comer, por si só, já não basta. Os consumidores procuram experiências únicas, com histórias para contar e partilhar nas redes sociais.
Estas são algumas das conclusões que a consultora internacional Innova Market Insights, a convite da PortugalFoods, entidade gestora do Portuguese Agrofood Cluster, apresentou no seminário Trends 2025, que juntou na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no Porto, mais de 200 representantes da indústria agroalimentar e do sistema científico e tecnológico nacional. “Esta nova edição mostra que as tendências de consumo são, hoje, muito abrangentes e que os fatores de compra são múltiplos. Responder a este grau de exigência por parte dos consumidores é um desafio para a indústria. Sem dúvida, o sector agroalimentar português tem demonstrado uma capacidade notável de adaptação às tendências globais, mantendo-se dinâmico e inovador, investindo em tecnologia e sustentabilidade. A orientação para o mercado e a atenção às preferências dos consumidores têm sido fundamentais para o desenvolvimento de novos produtos e soluções”, refere Deolinda Silva, diretora executiva da PortugalFoods.
No seu entender, a grande revelação neste estudo é o papel que a inteligência artificial já está a ter na produção alimentar, com as empresas a começarem a identificar as possibilidades que esta ferramenta pode oferecer ao nível da segurança alimentar, bem-estar, inovação em novos sabores ou mesmo na sustentabilidade da produção. Simultaneamente, os consumidores estão cada vez mais focados na qualidade dos ingredientes, valorizando aspetos como frescura, benefícios nutricionais e naturalidade. “As marcas que enfatizam a qualidade superior das suas composições tendem a destacar-se no mercado. Adicionalmente, a conjuntura mundial e as novas formas de viver vieram alterar determinantemente a forma como nos comportamos em relação à alimentação, valorizando os momentos, junto de familiares e amigos, e reforçando a velha máxima de que menos é mais”, refere, por sua vez, Enric Tardio, da Innova Market Insights, consultora que anualmente monitoriza o comportamento do consumidor e o lançamento de novos produtos a nível global, desenvolvendo uma análise aprofundada às principais tendências de consumo e apontando as oportunidades de inovação para a indústria e para as marcas alimentares.
Num contexto em que os consumidores pretendem cuidar de si e do planeta, a indústria deve, no seu portefólio de produtos e na sua comunicação, realçar a presença de determinados ingredientes, como se pode verificar nas 10 grandes tendências que vão impactar o sector agroalimentar em 2025 e a médio prazo.
À medida que a procura de produtos de valor acrescentado aumenta, é fundamental relevar a qualidade, para além dos ingredientes. A tendência Ingredients and Beyond sublinha que a qualidade do produto é o fator mais importante para os consumidores, com 50% a 60% dos inquiridos a valorizar o preço e a frescura dos alimentos, 40% a 50% a realçar os benefícios para a saúde, 30% a 40% a atribuir importância ao prazo de validade, naturalidade e teor nutricional dos alimentos e menos de 30% a valorizar as marcas.
Já a tendência Precision Wellness mostra que a quantidade de informação ao dispor do consumidor eleva a fasquia no desenvolvimento de produtos, desafiando as marcas a satisfazerem necessidades nutricionais específicas, em qualquer fase do ciclo de vida. As marcas direcionam a sua inovação na resposta a necessidades específicas do consumidor, em termos de saúde, como, por exemplo, o controlo do peso, o que originou, no ano passado, um aumento de 10% no lançamento de novos produtos com esta finalidade.
Wildly Inventive sublinha que os consumidores procuram o extraordinário e o diferente, levando as empresas a apresentarem novos produtos com misturas surpreendentes e que proporcionam o efeito “uau”. 43% dos inquiridos afirma procurar fórmulas “fora da caixa”, que proporcionem experiências únicas e inesquecíveis, e 40% continua a privilegiar o sabor. Entre as combinações improváveis que despertam mais a atenção dos consumidores, 36% afirma serem os preparados para sobremesas, 32% os alimentos que combinam lanche e prato principal e, na mesma proporção, os alimentos que misturam o salgado e o doce.
A crescente consciencialização sobre o microbioma humano coloca a fibra no centro das atenções e da tendência Flourish From Within. No último ano, verificou-se um crescimento de 8% no lançamento de alimentos e bebidas com ligação à saúde digestiva ou intestinal. A saúde gastrointestinal é o que motiva a compra deste tipo de produtos: alimentos e bebidas funcionais, ricos em fibras, vitamina D e probióticos. Regista-se um aumento de 24% no aparecimento de novos produtos/snacks que incluem especificamente probióticos na sua composição.
Paralelamente, a falta de naturalidade percebida de alguns produtos de base vegetal tem sido uma barreira para o crescimento desta categoria, com 35% dos inquiridos a indicar este critério como determinante na hora da compra. Ainda assim, registou-se um aumento de 23% no lançamento de alimentos e bebidas vegan ou de base vegetal, que colocam a naturalidade como argumento de comunicação/venda e no centro da tendência Rethinking Plants.
Já Climate Adaptation reflete que as práticas que minimizam o impacto ambiental são valorizadas, influenciando diretamente as decisões de compra. Quase metade dos inquiridos neste estudo estão muito ou extremamente conscientes do impacto das alterações climáticas em produtos como o café, o azeite ou o chocolate e este impacto é sentido, sobretudo, no aumento dos preços, impactando as vendas. E se, no caso do café, os consumidores afirmam que continuarão a comprar mesmo num cenário de aumento do preço, o mesmo já não acontece, por exemplo, com o chocolate, em que a tendência será de reduzir ou mesmo não comprar.
Paralelamente, à medida que os consumidores procuram soluções que agreguem benefícios para a saúde e beleza, produtos que promovam benefícios para a imagem tornam-se mais populares entre os consumidores, como mostra a tendência Taste the Glow. Um em cada cinco inquiridos afirma que, no ano passado, comprou alimentos e bebidas com efeitos benéficos para a sua aparência. O foco está, sobretudo, na pele (face e corpo) e cabelo e as gerações mais jovens, com uma preocupação acrescida em termos de imagem e saúde da pele, motivaram o aumento de 15% no lançamento de alimentos, bebidas e suplementos, com atributos funcionais. Esta é uma preocupação com diferente impacto nas várias gerações de consumidores: 27% da Geração Z tem-a, 25% da Geração Y também, na Geração X são 17% e apenas 13% na geração Boomer privilegia mais a saúde do que a imagem nas suas escolhas.
Tradition Reinvented, por sua vez, mostra como num mundo em constante evolução, os consumidores desejam redescobrir sabores da sua herança culinária, abraçando a autenticidade e a tradição. Quase um em dois dos consumidores, a nível mundial, considera que é importante consumir alimentos que expressam a sua herança/tradição e a diversidade de culturas alimentares. 65% gostaria de ver mais receitas antigas e tradicionais nas prateleiras dos supermercados, ao passo que 64% afirma querer experimentar novos produtos com sabores antigos ou inspirados em receitas tradicionais. Esta é uma oportunidade para as empresas criarem ligações mais próximas com o consumidor nostálgico.
Simultaneamente, os consumidores optam, cada vez mais, por alimentos que influenciam positivamente o humor e o bem-estar mental, estabelecendo ligação direta entre dieta e saúde emocional, como refletido na tendência Mood Food: Mindful Choices. Para as marcas, este é o momento de apostar no lançamento de produtos que se ligam sentimentalmente aos consumidores. 36% dos inquiridos afirma que sentir-se bem mental ou emocionalmente é o principal objetivo de saúde. Esta é uma oportunidade para a indústria explorar a utilização de ingredientes como vitaminas e minerais, demonstrando o seu benefício. Destacam-se cinco nutrientes principais a considerar nos alimentos e bebidas que visam melhorar a saúde mental: vitaminas B6, B9 e B12, vitamina D, vitamina C, magnésio e vitamina E. 51% dos novos lançamentos de alimentos e bebidas monitorizados, que alegam benefícios para o cérebro, possui vitamina B.
Finalmente, como mostra a tendência Bytes to Bites, as empresas começam a desbloquear todo o poder da inteligência artificial, passando do reconhecimento das suas potencialidades para aplicações concretas, que elevam as experiências dos consumidores. No ano passado, registou-se um crescimento exponencial (720%) de novos lançamentos de produtos alimentares criados pela IA. As empresas começam já a identificar as possibilidades que a inteligência artificial oferece, sobretudo, em quatro domínios: segurança alimentar, como a deteção da deterioração de sumo de fruta e leite; bem-estar, com o desenvolvimento de novas formulações, como novos adoçantes para bebidas; inovação em sabores e sustentabilidade (por exemplo, uma cadeia de distribuição alimentar passou a vender, pastinacas/cherovias cultivadas de forma autónoma, recorrendo exclusivamente ao controlo por sistemas que utilizam IA, drones, sensores e equipamentos robotizados, para garantir a eficiência do ciclo produtivo, reduzindo simultaneamente as emissões de carbono e melhorando a qualidade das culturas).
Fonte: Grande Consumo
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), através das suas Unidades Regionais, realizou, uma operação de fiscalização, a nível nacional, direcionada a estabelecimentos de restauração e de “Fast Food” existentes nos Centros Comerciais, com o objetivo de verificar o cumprimento das normas legais aplicáveis, com destaque para a garantia de segurança alimentar dos consumidores e de qualidade dos géneros alimentícios, e verificar se os mesmos cumprem as normas em vigor.
Como balanço desta ação, destaca-se a fiscalização de 150 operadores económicos, que resultou na instauração de 21 processos de contraordenação.
As principais infrações detetadas incluíram a falta de envio, no prazo de 15 dias, do original da folha de reclamação à entidade competente, a violação dos deveres gerais das entidades exploradoras dos estabelecimentos de restauração e bebidas, a ausência do livro de reclamações e o incumprimento dos requisitos gerais e específicos de higiene, entre outras.
Foi ainda determinada a suspensão da atividade de um estabelecimento de restauração e bebidas devido à violação dos deveres gerais da entidade exploradora.
Fonte: ASAE
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