Previsões Agrícolas
As previsões agrícolas, em 30 de novembro, apontam para um início de ano agrícola com desvios de precipitação dentro de parâmetros normais. As condições meteorológicas têm permitido a realização das sementeiras dos cereais de outono/inverno em bom ritmo, prevendo-se um aumento de 5% na superfície de aveia, face à campanha passada. De facto, apesar do aumento do preço dos cereais e da ajuda direta aos cereais praganosos prevista no Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), não se observam aumentos significativos das áreas semeadas.
A colheita de milho para grão atrasou-se no Centro e Norte do país, devido às chuvas, prevendo-se um decréscimo global de 5%. Relativamente ao kiwi, estima-se um decréscimo de produção de 5%, enquanto na castanha se confirmaram as perspetivas menos favoráveis, com as quebras a rondarem os 45%, observando-se muitos ouriços com um fruto ou mesmo sem nenhum.
Nos olivais, a conjugação de um ano de contrassafra com condições meteorológicas adversas determinou uma quebra global de 35% na produção de azeitona para azeite.
Gado, aves e coelhos abatidos
O peso limpo total de gado abatido e aprovado para consumo em outubro de 2022 foi 36 847 toneladas, o que correspondeu a um decréscimo de 3,1% (-1,9% em setembro), resultante do menor volume de abate registado nos bovinos (-7,1%), suínos (-2,1%) e equídeos (-50,0%). O peso limpo total de aves e coelhos abatidos e aprovados para consumo foi 31 656 toneladas, o que representou um acréscimo de 9,7% (-3,2% em setembro) devido ao maior volume de abate de galináceos (+14,4%).
Produção de aves e ovos
O volume de frango cresceu 1,7%, com uma produção de 28 288 toneladas (-19,6% em setembro), tendo em número de cabeças registado igualmente um aumento de 1,8% (-14,8% em setembro). A produção de ovos de galinha para consumo apresentou um volume inferior em 6,1% (+1,2% em setembro), com 9 486 toneladas produzidas.
Produção de leite e produtos lácteos
A recolha de leite de vaca foi 142,5 mil toneladas, indicando um decréscimo de 4,4% (-6,3% em setembro). O volume de produtos lácteos assinalou um aumento de 15,6% (+2,7% em setembro), principalmente devido a uma maior produção de leite para consumo (+25,0%), mas também dos leites acidificados (+12,9%), da nata para consumo (+5,4%) e do queijo de vaca (+2,6%).
Pescado capturado
O volume de capturas de pescado em Portugal diminuiu 40,1% (-25,8% em setembro), justificado sobretudo pela menor captura de peixes marinhos, mas também de crustáceos e moluscos. Às 10 660 toneladas de pescado correspondeu uma receita que totalizou 24 312 mil euros, valor que representou um decréscimo de 27,8% (-16,0% em setembro). O preço médio do pescado descarregado foi 2,18 Euros/kg, ou seja, um acréscimo de 20,5% (+13,2% em setembro).
Preços e índices de preços agrícolas
Em novembro de 2022, as variações mais significativas no índice de preços de produtos agrícolas no produtor foram observadas na batata (+93,3%), ovos (+77,2%), suínos (+72,4%), azeite a granel (+41,1%) e aves de capoeira (+33,5%).
Em comparação com o mês anterior, as variações de maior amplitude verificaram-se no azeite a granel (+21,7%), batata (+18,1%), ovinos e caprinos (+11,5%) e frutos (+10,0%).
Em setembro de 2022, o índice de preços de bens e serviços de consumo corrente (INPUT I) registou uma variação positiva de 27,9% e o índice de preços de bens e serviços de investimento (INPUT II) aumentou 12,2%. Relativamente ao mês anterior, assistiu-se a aumentos de 1,1% e 0,2% no índice de preços de bens e serviços de consumo corrente e no índice de preços de bens e serviços de investimento, respetivamente.
Consulte aqui o documento.
Fonte: Agroportal
A DGAV publicou os planos de contingência referentes às pragas prioritárias Conotrachelus nenuphar (Herbst) e Spodoptera frugiperda (Smith).
Consulte os planos:
Plano de Contingência Conotrachelus nenuphar (Herbst)
Plano de Contingência Spodoptera frugiperda (Smith)
Fonte: DGAV
Investigadores do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) caracterizaram o potencial de emissão de gases com efeito de estufa em explorações de bovinos e descobriram diferenças significativas durante a fase de lactação que abrem “portas” para novas investigações.
Em declarações à agência Lusa, a investigadora e primeira autora do estudo, Ana Raquel Rodrigues, esclareceu hoje que a investigação se debruçou sobre as “emissões de gases com efeito de estufa (metano, óxido nitroso e dióxido de carbono) e amoníaco” em três explorações comerciais de bovinos de leite da região Norte.
Nas explorações, os investigadores recolheram amostras de fezes e de urina dos animais em diferentes fases da lactação, que foram posteriormente avaliados e caracterizados em laboratório, com recurso a “câmaras que simulam o pavimento” das explorações.
“Verificámos as diferentes fases de lactação dos animais, os tempos de recolha e o potencial de emissão das fezes e de urina ao longo do dia”, afirmou Ana Raquel Rodrigues.
Apesar de “preliminares”, os resultados do estudo, publicado na revista científica Journal of Environmental Management, mostram “diferenças ao nível das emissões de óxido nitroso e amoníaco no pós-pico de lactação”.
Também à Lusa, o investigador e coordenador do estudo, Henrique Trindade, esclareceu que no “pós-pico de lactação” os animais bovinos “emitem emissões superiores” de gases com efeito de estufa, o que impõem um “maior cuidado”, em particular, na adaptação dos sistemas de limpeza dos dejetos.
“A limpeza é muitas vezes feita da parte da manhã porque a lógica é de manhã se fazerem quase os trabalhos todos. Estudando em pormenor, poderá concluir-se que se calhar é preferível limpar com mais frequência ao final do dia e não tanto de manhã”, referiu, destacando que “ocorrem mais emissões durante a tarde”.
Henrique Trindade destacou ainda que os resultados foram obtidos em laboratório a “temperaturas e taxas de ventilação constantes”, o que na prática poderá ainda ser mais significativo em termos de emissões de gases, uma vez que “as temperaturas são mais elevadas do meio-dia para a tarde do que da parte da manhã”.
À Lusa, o coordenador adiantou que a informação recolhida neste estudo, e noutros desenvolvidos no âmbito do programa de doutoramento de Ana Raquel Rodrigues, poderá ajudar a, por exemplo, “ajustar os sistemas de manejo das dejeções”.
“Com estes resultados podemos começar a olhar para outros aspetos, como a frequência de remoção e aplicação de aditivos que reduzem as emissões. Uma série de medidas de mitigação que já estão disponíveis na atividade e que podem ser focadas nos períodos em que sabemos que as emissões são superiores”, referiu, destacando também a importância das medidas de mitigação serem “flexíveis” ao longo de todo o dia.
Ana Raquel Rodrigues salientou também que a investigação “abre portas” para outros trabalhos, uma vez que os resultados permitiram “compreender um pouco melhor os animais, os seus metabolismos e a forma como as fezes e urinas se comportam quando depositadas no chão”.
“Esta investigação abre portas, mas mais trabalhos terão de ser feitos para conseguirmos resultados ajustados à realidade e serem aplicados na prática”, acrescentou a estudante do programa de doutoramento Sustainable Animal Nutrition and Feeding (SANFEED), cofinanciado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e dirigido pelo ICBAS
Além do ICBAS, o estudo contou com a colaboração de investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viseu (ESA-IPV).
A investigação foi ainda realizada em parceira com Cooperativa Agrícola de Vila do Conde e a AGROS – União de Cooperativas de Produtores de Leite.
Fonte: Agroportal
De acordo com o último relatório da EFSA, do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), e do laboratório de referência da UE (EURL), aumentaram no Verão, os casos de gripe aviária altamente patogénica (GAAP) registados na Europa entre aves de capoeira e aves aquáticas.
Embora o número de deteções do vírus da GAAP nas colónias de reprodução de aves marinhas tenha diminuído desde o período anterior (Junho a Setembro de 2022), o número de casos em aves aquáticas e aves de capoeira aumentou. Suspeita-se que o aumento do número de focos em aves de capoeira desde o Verão esteja ligado à propagação do vírus através das aves aquáticas. Informações detalhadas sobre o número e a evolução dos casos podem ser encontradas num novo painel interativo publicado pela EFSA.
A epidemia de GAAP em curso é a maior alguma vez observada na Europa. No primeiro ano da epidemia, que decorreu entre Outubro de 2021 e Setembro de 2022, foi notificado um total de 2.520 surtos em aves de capoeira, 227 em aves em cativeiro, e 3.867 deteções em aves selvagens em 37 países europeus. Cerca de 50 milhões de aves foram abatidas em explorações agrícolas afetadas. A persistência invulgar da GAAP em aves selvagens e de capoeira durante todo o Verão de 2022 significa que pela primeira vez não houve uma separação clara entre o fim do primeiro ano da epidemia e o início da época da GAAP deste ano, que começou em Outubro de 2022.
O ECDC, que também contribuiu para o relatório, concluiu que o risco de infeção para a população humana em geral na UE/EEE é baixo, e é de baixo a médio para as pessoas profissionalmente expostas.
Na sequência de um pedido da Comissão Europeia, a EFSA está atualmente a avaliar a disponibilidade de vacinas contra a GAAP para aves de capoeira e a considerar potenciais estratégias de vacinação. O resultado deste trabalho, para o qual a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e a EURL também estão a contribuir, estará disponível na segunda metade de 2023.
Fonte: Qualfood e EFSA
A DGAV informa que, na sequência da publicação do Regulamento (UE) 2022/1343 da Comissão, de 29 de julho de 2022, terão de ser implementadas restrições/alterações aos usos autorizados de produtos fitofarmacêuticos com base na substância ativa emamectina benzoato, em resultado da revisão dos respetivos limites máximos de resíduos (LMR). Em particular, não podem ser mantidos os usos de produtos fitofarmacêuticos autorizados com base na substância ativa emamectina benzoato em estufa, nas culturas da alface cebolinho, coentros e hortelã-pimenta visando o cumprimento do novo LMR com efeitos a 22 de fevereiro de 2023.
Consulte o Ofício Circular n.º 9/2022.
Fonte: DGAV
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), através da Unidade Regional do Norte – Unidade Operacional do Porto, realizou uma ação de fiscalização direcionada à garantia dos direitos de informação ao consumidor, no concelho do Grande Porto.
No âmbito da referida ação, foi possível verificar que dois operadores económicos (supermercados) procediam ao comércio a retalho de géneros alimentícios, sem que os direitos de informação ao consumidor estivessem assegurados, já que, num universo de mais de 1500 referências de produtos em cada estabelecimento, a esmagadora maioria dos mesmos não possuía qualquer rotulagem em língua portuguesa.
Em resultado, foram instaurados 2 processos contraordenacionais por violação grave dos direitos dos consumidores e procedeu-se à apreensão dos produtos expostos, considerando a impossibilidade do consumidor, efetuar uma escolha informada do produto que estava a adquirir, já que as informações relativas às características do género alimentício e, nomeadamente, no que se refere à sua natureza, identidade, propriedades, composição, quantidade, durabilidade, país de origem ou local de proveniência, método de fabrico ou de produção, encontravam-se em língua de difícil compreensão para os consumidores portugueses.
O valor da apreensão encontra-se estimado em € 180.000,00.
Foi ainda determinada a suspensão da atividade dois estabelecimentos, até que a legalidade seja reposta.
Fonte: ASAE
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou, nas últimas semanas, uma operação de fiscalização denominada Operação “Restauração nos Mercados”, de norte a sul do País, com o objetivo de verificar os requisitos gerais de higiene e segurança alimentar nos estabelecimentos de restauração inseridos nos espaços dos mercados.
Como balanço da ação, foram fiscalizados 115 operadores económicos, tendo sido instaurados 18 processos de contraordenação, destacando-se como principais infrações a violação dos deveres gerais da entidade exploradora do estabelecimento de restauração e bebidas, incumprimento dos requisitos gerais e específicos de higiene, a falta de mera comunicação prévia, inexistência de processo ou processos baseados nos princípios do HACCP, a falta do livro de reclamações, entre outras.
Foram ainda apreendidos 3 instrumentos de pesagem com um valor estimado de € 1.100,00 e determinada a suspensão de atividade de um estabelecimento de restauração por violação dos deveres gerais da entidade exploradora do estabelecimento de restauração e bebidas.
Fonte: ASAE
Esta bactéria transmite-se de árvore em árvore através de insetos causando danos graves nomeadamente em oliveiras, citrinos, videiras, fruteiras. Não há tratamento e, por isso, a solução é o abate das árvores infectadas.
A bactéria foi detectada na freguesia de Alvites, mas também parte das freguesias de Mascarenhas, Múrias e a União de Freguesias de Avantos e Romeu, e ainda Ala e Vilarinho do Monte, já no concelho de Macedo de Cavaleiros.
A Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária já emitiu um despacho a determinar as zonas afectadas, abrangendo das freguesias de Mirandela e Macedo de Cavaleiros, bem como medidas que devem ser aplicadas para a erradicação da bactéria.
Entre as medidas que vão ser aplicadas, destacam-se “a destruição imediata, após realização de um tratamento adequado contra a população de potenciais insectos vectores, dos vegetais infectados, bem como dos restantes da mesma espécie” e é ainda proibida “a comercialização, na zona demarcada, em feiras e mercados, de qualquer vegetal, destinado a plantação”.
As juntas de freguesias terão sido informadas, por correio electrónico, deste despacho da DGAV, mas a informação ainda não foi colocada em modo de edital.
Fonte: Agronegócios
GFSI (Global Food Safety Initiative) sanciona o IFS (International Featured Standards) com uma suspensão de 3 meses que teve inicio a 8 de dezembro de 2022.
No comunicado oficial da GFSI anunciam que prepararam uma lista de perguntas mais frequentes que podem surgir no seguimento desta suspensão.
Fonte: Qualfood e GFSI
Investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) lideram um projeto que visa tornar o castanheiro mais tolerante às alterações climáticas, em particular, em zonas onde a falta de água e os picos de temperatura são “alarmantes”.
Em comunicado, a FCUP adianta hoje que o projeto, também liderado por investigadores do GreenUPorto – Centro de Investigação em Produção Agroalimentar Sustentável, foi recentemente distinguido com um financiamento de 250 mil euros pelo Programa Promove da Fundação “La Caixa”.
Citada no comunicado, a investigadora e líder do projeto, Fernanda Fidalgo, esclarece que o projeto pretende “contribuir para uma melhor gestão dos sistemas agroflorestais” do parque Nacional de Montesinho, em Bragança, que é “o principal ‘hotspot’ de castanheiro em Portugal”.
O objetivo do projeto, que arranca no próximo ano, é tornar o castanheiro mais resiliente às alterações climáticas, em particular, em zonas onde a falta de água e os picos de temperatura “são alarmantes”.
Nesse sentido, os investigadores vão desenvolver estratégias para “aumentar a tolerância do castanheiro às alterações climáticas”, selecionando e desenvolvendo “tolerantes” de castanheiro, o que contribui “para valorizar a produção da castanha em Portugal”.
O projeto vai ter por base duas técnicas já descritas, nomeadamente, o ‘stress priming’ e a micorrização.
“No ‘stress priming’, as plantas são expostas a condições controladas de ‘stress’ moderado de modo que criem ou desenvolvam memória, tal como acontece nos animais, que lhes permitirá responder mais prontamente, em termos de defesa, a uma situação futura de stress”, acrescenta, também citado no comunicado, o investigador Cristiano Soares.
De acordo com o investigador, é como se as plantas recebessem “uma vacina” para que, em caso de necessidade, seja desencadeado um conjunto de respostas, “permitindo um melhor desempenho fisiológico em situação de ‘stress’”.
Os investigadores vão ainda explorar a potencialidade das micorrizas na proteção do castanheiro contra os efeitos das alterações climáticas, isto é, uma “associação entre fungos e as raízes das plantas que contribui para uma melhor absorção de água e de nutrientes”.
Para testar a aplicação destas estratégias, os investigadores vão recorrer a ensaios laboratoriais e a experiências de campo, previstas a serem desenvolvidas no Parque Natural de Montesinho.
O projeto conta ainda com a colaboração de investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), do Instituto Politécnico de Bragança e com a empresa portuguesa de biotecnologia vegetal Deifil.
Fonte: Agroportal
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