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Os investigadores estão a unir forças com as indústrias alimentares e de saúde para reforçar os controlos e melhorar a nutrição dos lactentes e das crianças.

Se "somos o que comemos", como diz o ditado, a qualidade dos alimentos é a chave para a nossa saúde. E à medida que a produção e o comércio de alimentos aumentam em resposta a uma maior procura global, os controlos de segurança e qualidade tornaram-se ainda mais vitais.

O impacto da dieta na saúde é por demais evidente. A obesidade a nível mundial quase triplicou desde 1975 e, na Europa, afeta quase 60% dos adultos e quase uma em cada três crianças. A diabetes também está a aumentar e a Europa tem um número marcadamente elevado de crianças do tipo 1 - 295 000 em 2021.

Controlos de qualidade

Comer uma dieta variada e saudável pode aumentar o bem-estar geral e reduzir o risco de doenças a longo prazo. Além disso, os consumidores exigem uma maior transparência da cadeia alimentar na sequência de incidentes de fraude alimentar, tais como a contaminação de leite em pó infantil com melamina em 2008, a descoberta de fipronil nos ovos em 2017 e surtos esporádicos de salmonela.

«Os sistemas de segurança alimentar na Europa são geralmente eficazes, mas acreditamos que é possível melhorar ainda mais os níveis de segurança e qualidade», disse o Dr. Erwan Engel, diretor de investigação do Instituto Nacional Francês de Agricultura, Alimentação e Ambiente (INRAE).

Engel coordena o projeto SAFFI financiado pela UE que reúne grandes organizações de investigação e produtores de alimentos para crianças da Europa e da China. Sendo os bebés, crianças e os jovens mais vulneráveis do que os adultos, e necessitando de uma nutrição de alta qualidade para crescerem, o projeto está a investigar formas de garantir maior segurança na produção.

Para além do leite materno, as fórmulas infantis e os alimentos para bebés são a parte mais importante da dieta alimentar de uma criança no primeiro ano de vida. Prevenir a contaminação microbiana ou química na cadeia de processamento é uma prioridade.

 

60 milhões de bocas

A SAFFI está a debruçar-se sobre os alimentos para os 15 milhões de crianças da UE e para os 45 milhões de crianças chinesas com menos de três anos de idade. Os parceiros concentram-se em quatro linhas alimentares infantis populares: fórmula láctea, mistura esterilizados de legumes com carne ou peixe, cereais infantis e purés de fruta.

O projeto realizou testes nas instalações de cinco empresas internacionais de alimentação infantil participantes - FrieslandCampina com sede nos Países Baixos, HiPP na Alemanha, o produtor grego YIOTIS e duas empresas chinesas, Beingmate e YFFC.

O objetivo era identificar os principais riscos tanto de riscos microbianos, incluindo bactérias, como de potenciais contaminantes químicos na cadeia alimentar.

Os contaminantes químicos incluem poluentes ambientais tais como dioxinas ou chumbo, resíduos de tratamento de culturas como pesticidas e substâncias geradas durante o processamento, incluindo furano.

«Temos de convencer a indústria de que é importante concentrarmo-nos também nos produtos químicos», disse Engel. «Embora os efeitos na saúde não sejam tão imediatos como para os micróbios, podem ser significativos a longo prazo».

O SAFFI visa também ajudar os produtores e autoridades alimentares a prever onde podem surgir potenciais problemas e, como resultado, reduzir a ameaça de contaminação em todas as fases da produção.

Os processos clássicos baseados em tratamentos térmicos, por exemplo, poderiam ser substituídos por queimadores de combustão a impulsos, aquecimento por radiofrequência e processamento de alta pressão, que são melhores na esterilização de alimentos, mantendo simultaneamente o valor nutricional ótimo dos produtos frescos.

«Verificamos a eficácia destas tecnologias inovadoras de processamento para controlar o crescimento, inibição e inativação de agentes patogénicos, bem como a sua capacidade de retardar a degradação dos alimentos e limitar a integração de certos químicos», disse Engel.

Oportunidade de negócio saudável

O setor dos alimentos e bebidas, que inclui alimentos para bebés, é um dos principais contribuintes para a economia da UE com exportações de 110 mil milhões de euros em 2019. Ao investir na formação e na partilha de conhecimentos, o SAFFI ajudará a melhorar os padrões de segurança na UE e na China e a reduzir potenciais barreiras ao comércio.

Cooperará com outros projetos de investigação no âmbito da Iniciativa Bandeira UE-China Alimentação, Agricultura e Biotecnologia (FAB), com todos os que procuram uma melhoria contínua no controlo da segurança alimentar.

Tal cooperação pode aumentar o comércio UE-China e dar às empresas alimentares europeias maiores oportunidades de expansão no mercado internacional. Além disso, as normas estabelecidas pelo SAFFI no setor da alimentação infantil poderiam ser alargadas a outras categorias alimentares, de acordo com Engel.

Dietas à medida

Quando se trata de saúde, a variedade e a qualidade dos alimentos também contam. Uma dieta equilibrada pode ajudar a prevenir o aparecimento de doenças. Pode também permitir às pessoas com doenças graves curarem-se e terem vidas mais estáveis.

Contudo, as pessoas respondem de forma diferente aos mesmos alimentos ou nutrientes, dependendo de fatores genéticos e do estilo de vida. Estes incluem stress, níveis de exercício, composição microbiológica individual e exposição a toxinas ambientais. O projeto NUTRISHIELD, financiado pela UE, tem como objetivo criar dietas personalizadas adaptadas a biomarcadores individuais, com particular incidência nas crianças com obesidade e/ou diabetes e nas mães lactantes.

O projeto está a analisar uma série de biomarcadores relacionados com a nutrição e as perturbações da saúde, tendo em conta a forma como cada criança responde aos diferentes nutrientes e tipos de alimentos.

O NUTRISHIELD envolve parceiros de investigação e clínicos de toda a Europa. O projeto é coordenado por uma empresa suíça chamada Alpes Lasers, que desenvolveu tecnologia especializada em laser de infravermelhos médios para utilização em ambientes clínicos.

Precisão Laser

«Ao contrário dos processos atuais usados para analisar fluidos corporais, a tecnologia laser pode funcionar com amostras muito pequenas de urina - uma necessidade quando pequenos pacientes só conseguem produzir quantidades mínimas», disse Miltos Vasileiadis, desenvolvedor de negócios e gestor de projetos na Alpes Lasers.

A empresa forneceu aos parceiros do projeto a tecnologia laser utilizada na construção de analisadores de urina, hálito e leite humano. As amostras recolhidas são analisadas a um nível molecular, permitindo aos nutricionistas dar conselhos detalhados, personalizados e fáceis de seguir.

Isto pode incluir a quantidade de cada grupo alimentar que um indivíduo necessita e com que frequência, quanto exercício e sono são necessários e até que variedade particular de fruta ou grão é necessária para uma nutrição adequada.

No Hospital San Raffaele em Milão, Itália, está a decorrer um estudo que envolve jovens doentes com diabetes, enquanto o Instituto de Investigação em Saúde Hospital La Fe em Valência, Espanha, está a trabalhar com mães lactantes e recém-nascidos. Estudos realizados na Universidade de Radboud na Holanda têm como objetivo compreender como a nutrição pode ajudar e melhorar o desenvolvimento cognitivo das crianças.

As ferramentas desenvolvidas pelo NUTRISHIELD são concebidas para serem portáteis e fáceis de utilizar, tornando a análise de biomarcadores mais rápida e mais rentável. A longo prazo, estes poderiam ser utilizados em diferentes contextos médicos para assistir pacientes de qualquer idade.

ALIMENTAÇÃO 2030

A política de investigação e inovação da UE Food 2030 visa transformar os sistemas alimentares e assegurar que todos tenham alimentos suficientes, nutritivos e seguros para viverem uma vida saudável.

A iniciativa abrange todo o sistema alimentar, ligando os setores de produção primária (como a agricultura e a pesca) ao processamento, venda a retalho e distribuição de alimentos, embalagem, resíduos e reciclagem, serviços de restauração e consumo.

Fonte: Dinheiro Vivo

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou, através da Brigada Especializada de Indústrias de produtos de Origem Animal da Unidade Regional do Centro, uma operação de fiscalização direcionada ao combate dos ilícitos contra a saúde pública, no concelho da Mealhada.

Durante a ação e após a interceção de uma viatura que transportava produtos cárneos (carcaças de suíno) provenientes de um matadouro do concelho de Santarém e com destino a uma sala de desmancha do concelho Macedo de Cavaleiros, constatou que os mesmos se encontravam a ser transportados sem as devidas condições de higiene de modo a evitar contaminações.

Em sequência, os produtos cárneos que se encontravam em contacto com o pavimento foram sujeitos a perícia por médica veterinária que considerou que os mesmos, não poderiam entrar no circuito comercial, tendo determinado a apreensão de 2.300 quilos de carne no valor aproximado de 3.700,00 euros, para posterior limpeza em estabelecimento aprovado com Número de Controlo Veterinário para a atividade de desmancha.

No âmbito da referida ação, constatou-se ainda que, o registador de temperatura instalado na viatura não tinha sido sujeito a controlo metrológico, situação que inviabilizou o controlo exato da temperatura da carne que estava a ser transportada e por isso foi igualmente determinada a sua apreensão.

Como balanço da ação foi instaurado 1 processo de contraordenação por se tratar de géneros alimentícios com falta de requisitos e apreendido o registador de temperatura no valor estimado de 500,00 €. Esta ação contou com a colaboração da Guarda Nacional Republicana.

A ASAE continuará a desenvolver ações de fiscalização, no âmbito das suas competências, em todo o território nacional, em prol de uma sã e leal concorrência entre operadores económicos, na salvaguarda da segurança alimentar e saúde pública dos consumidores.

Fonte: ASAE

Os rebentos representam um desafio único em termos de segurança alimentar devido ao ambiente de crescimento quente, húmido e rico em nutrientes, que é também ideal para que os agentes patogénicos de origem alimentar se desenvolvam e multipliquem. Por conseguinte, é especialmente importante que as sementes utilizadas para a germinação estejam livres de agentes patogénicos e que se evite a introdução de quaisquer contaminantes em qualquer lugar durante o percurso da germinação para o consumo.

A Reunião Conjunta de Peritos FAO/OMS sobre Avaliação de Riscos Microbiológicos (JEMRA) publicou recentemente um relatório técnico sobre a prevenção e controlo de riscos microbiológicos nos rebentos. Os peritos reviram a literatura disponível ao público, orientações das autoridades competentes e associações industriais para avaliar o estado atual dos conhecimentos sobre o controlo dos riscos microbiológicos nos rebentos. Identificaram e caracterizaram os agentes patogénicos associados aos rebentos e as potenciais vias de contaminação. Os peritos avaliaram igualmente as medidas de intervenção aplicáveis em diferentes pontos ao longo da cadeia de fornecimento de rebentos. O relatório enfatiza as medidas de controlo mais eficazes na redução de incidentes de doenças de origem alimentar ligadas aos rebentos.

Pode aceder ao relatório aqui.

Fonte: FAO

Uma equipa composta por investigadores do Laboratório de Patologia Animal do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) e do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), publicou recentemente um artigo na revista científica Food Control, da editora ELSEVIER, no qual alerta para os perigos associados ao consumo de peixe cru.

Atualmente, Portugal continua a ser um dos maiores consumidores de peixe a nível mundial, com um consumo médio anual de 60 kg por habitantes, comparado com uma média de 27 kg por habitantes na União Europeia. No entanto, esse hábito saudável pode ter consequências na saúde humana, nomeadamente pelo perigo de infeção de parasitas se o peixe for consumido cru ou mal cozinhado.

A anisaquiose é um exemplo de doença causada pela ingestão de peixe cru. Provocada pelo parasita Anisakis, é mais frequente em países asiáticos, em particular o Japão, e em comunidades piscatórias europeias e sul americanas. As manifestações clínicas mais frequentes são distúrbios gástricos provocados pela infeção com a larva, ou reações alérgicas ao químicos libertados pelo parasita no peixe.

“É muitíssimo importante conhecer melhor a situação da infeção por Anisakis dos peixes comerciais portugueses, onde infelizmente não se tem apostado muito no seu financiamento até à data”, destaca Maria João Santos, líder do grupo de investigação em Patologia Animal do CIIMAR e um dos três autores do trabalho.

A também investigadora da FCUP avisa ainda que “o peixe grelhado, se não for devidamente cozinhado, também pode ser perigoso”. Nesse sentido, “o melhor será sempre apostar nos métodos de prevenção da infeção e congelar sempre o peixe consumido cru durante o tempo necessário”.

Recomendações para o consumo de peixe cru

As cinco espécies de peixes mais consumidas cruas em Portugal são o salmão, o atum, o bacalhau, a pescada e a sardinha. E todas elas merecem cuidados especiais, de acordo com os investigadores da U.Porto

Para quem aprecia sushi, sashimi, ou peixe marinado, há certos cuidados que devem ser considerados para evitar infeções, nomeadamente a congelação a -20ºC durante as 24 horas antes do seu consumo. Se bem aplicado, este método permite matar o parasita, ainda que não evite o problema dos alergénios.

O salmão, por exemplo, sendo peixe de aquacultura, não terá esses vermes, mas se for peixe selvagem pode estar fortemente parasitado. Nesse caso, é necessário congelá-lo antes de ser consumido cru.

No caso do bacalhau, a salga também é um método que inviabiliza os vermes, pelo que será seguro comer bacalhau devidamente salgado.

A pescada está fortemente parasitada e deve ser sempre congelada. Já a sardinha tem mostrado níveis de infeção baixos, enquanto falta informação sobre a situação do atum.

A prevenção como melhor cuidado

Dado o volume e espécies de peixe cru consumido em Portugal, a anisaquiose representa ainda um risco limitado para a população portuguesa. No entanto, as infeções têm vindo a aumentar com o aumento do consumo dos últimos anos, e comunicar sobre este risco torna-se cada vez mais necessário junto da população portuguesa.

Assim, o estudo, financiado pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, chama a atenção sobre a necessidade de apostar na divulgação dos problemas ligados ao consumo de peixe cru para com público em geral, e informar os consumidores sobre o cuidado de congelar todo o peixe consumido cru ou mal cozinhado.

Para além de Maria João Santos, participaram neste trabalho as investigadoras Olwen Golden (CIIMAR) e Andreia J. R. Caldeira (CIIMAR e Universidade Estadual de Goiás, Brasil).

Fonte: Notícias Universidade do Porto

A DGAV – Direção-Geral de Alimentação e Veterinária disponibiliza, a partir de dia 1 de fevereiro de 2023, a plataforma SITA – Sistema de Informação de Transporte Animal, financiada pela AMA – Agência para a Modernização Administrativa, IP.

Esta aplicação procura desmaterializar e simplificar os processos e igualmente a interoperabilidade entre sistemas de informação já desenvolvidos e utilizados (o iDigital, o SISS e o Sipace), agilizando a tomada de decisão, a monitorização e o controlo do transporte de animais, por parte da DGAV e de todos os intervenientes nestes processos.

A gestão da informação relativa ao transporte animal, bem como a limpeza e desinfeção dos meios de transporte, passa a ser efetuada através de registo online.

O sistema permite também a consulta da documentação gerada no âmbito dos processos incluídos no SITA (Autorizações de transportador, Certificados de aprovação de meios de transporte, CAP, Emissão de comprovativos das ações de limpeza e desinfeção).

O SITA é uma aplicação que se destina a ser utilizada pela DGAV, pelos transportadores, pelos condutores/tratadores que atuam no transporte de animais, pelas instalações de limpeza e desinfeção dos meios de transporte, pelas entidades formadores em matéria de transporte animal, pelas DRAP's e pelas Autoridades Policiais, onde estão disponíveis as seguintes funcionalidades:

  • Autorização de transportadores (rodoviários, aéreos e marítimos);
  • Certificação de meios de transporte;
  • Emissão de certificados de aptidão profissional de condutores/tratadores;
  • Aprovação de instalações para a limpeza e desinfeção dos meios de transporte para animais;
  • Registo e emissão de comprovativos das ações de limpeza e desinfeção dos meios de transporte;
  • Registo dos controlos efetuados neste âmbito;
  • Produção de dados estatísticos, e
  • Análise de dados e produção de relatórios que permitem uma melhor avaliação e gestão deste setor de atividade.

A autenticação de acesso ao SITA efetua-se através do portal do IFAP, IP (iDigital), pelo que será necessário assegurar as credenciais de acesso.

Conheça a nova plataforma através do vídeo e aceda através do endereço https://sita.dgav.pt (ativo a partir do dia 1 de Fevereiro).

Fonte: DGAV

A DGAV publicou o Esclarecimento Técnico n.º 1/DGAV/2023 que visa alertar os operadores para a obrigação da indicação no rótulo da 'Data de congelação' prevista no n.º 6 do anexo III do Regulamento (UE) n.º 1169/2011.

Fonte: DGAV

Registo Nacional de Variedades de Fruteiras

  • Monday, 30 January 2023 12:17

A DGAV divulga o Registo Nacional de Variedades de Fruteiras, o qual inclui a lista de variedades de fruteiras inscritas em Portugal, e na qual constam 327 variedades.

Nesta edição procede-se à inscrição de uma variedade de abacateiro.

Consulte o Registo Nacional de Variedades de Fruteiras – edição 2023.

Fonte: DGAV

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou, através da Brigada de Indústrias da Unidade Regional do Sul – Unidade Operacional de Évora, uma operação de fiscalização direcionada à garantia da Segurança Alimentar, no distrito de Beja.

No âmbito da referida ação, procedeu-se à apreensão num entreposto frigorífico de mais de 500 quilos de géneros alimentícios de origem animal (suíno, ovino e bovino), que se encontravam impróprios para consumo, evitando que os mesmos entrassem no circuito comercial e na restauração.

Da ação resultou ainda a instauração de um processo-crime pela prática dos crimes de Géneros Alimentícios Anormais Avariados e Abate Clandestino, bem como, a detenção em flagrante delito do suspeito da prática dos crimes.

Após serem submetidos a perícia, os géneros alimentícios foram classificados de “anormais avariados” com falta de requisitos e encaminhados para destruição.

A ASAE continuará a desenvolver ações de fiscalização, no âmbito das suas competências, em todo o território nacional, em prol de uma sã e leal concorrência entre operadores económicos, na salvaguarda da segurança alimentar e saúde pública dos consumidores.

Fonte: ASAE

Em causa está uma proposta autónoma da Irlanda, onde os rótulos das bebidas alcoólicas deverão incluir alertas para o risco de doença hepática, bem como informar sobre os perigos do consumo de álcool em grávidas

A Irlanda vai alterar os rótulos do vinho, da cerveja e de outras bebidas alcoólicas de modo a exibir alertas específicos relacionados com os riscos associados ao consumo de álcool. Com as novas regras, os produtos em causa terão de cumprir os seguintes requisitos:

Ter uma mensagem a avisar que consumir álcool provoca doença de fígado e que existe uma associação direta entre álcool e cancro fatal;

Ter um símbolo, sob a forma de pictograma, avisando para os perigos do consumo de álcool em grávidas;

Ter um link para a página www.askaboutalcohol.ie

O projeto de diploma foi notificado à Comissão Europeia (CE) pelo governo irlandês a 21 de junho de 2022, sendo que o Estado-membro não recebeu qualquer objeção da entidade durante o período de moratória de seis meses (inicialmente três). Após a implementação oficial pelo governo irlandês, a indústria visada terá um período de três anos para adotar a nova rotulagem nos seus produtos.

Segundo o Irish Independent, o regulamento relativo à Saúde Pública de 2022 permite a aplicação desta medida, no entanto, a notícia já está a gerar um conflito a nível europeu entre Dublin e os Estados-membros produtores de vinho na Europa.

Durante o referido período de moratória, após a submissão da proposta irlandesa, cerca de oito Estados-membros contestaram a medida, entre os quais Itália, Espanha e Portugal. Além de protestos por parte das associações setoriais dos respetivos países europeus, houve ainda lugar à oposição por parte do setor das bebidas alcoólicas externo à União Europeia. Do lado oposto, instituições académicas e da saúde aplaudiram, em larga medida, a proposta avançada.

Em Portugal, o Ministério da Agricultura e Alimentação já emitiu o seu parecer setorial desfavorável às intenções irlandesas. Já o Ministério da Economia e Mar, considera que a proposta irlandesa constitui “uma barreira à livre circulação de produtos no mercado interno europeu”, por impor novos requisitos nos rótulos das bebidas alcoólicas, não estando em conformidade com o disposto no Regulamento Europeu “que estabelece regras harmonizadas de rotulagem de produtos alimentares”, disse em resposta enviada à CNN Portugal.

Adicionalmente, o Ministério da Economia e Mar considera que “o Regulamento irlandês irá afetar o setor das bebidas alcoólicas português e europeu, introduzindo obrigações adicionais e especificas, para o acesso ao mercado deste país”.

Associações portuguesas condenam proposta

A Associação de Vinhos e Espirituosas de Portugal (ACIBEV) considera que o projeto de diploma, na forma em que se apresenta, tem “uma série de falhas graves”. Em linha com a posição assumida pelo Ministério de Economia e Mar, a associação setorial considera que o projeto de regulamento é um obstáculo ao comércio, prejudica o Mercado Único europeu e coloca em risco a harmonização de normas europeias.

A ACIBEV classifica ainda o projeto de diploma como “impreciso e desproporcionado”, referindo que as advertências sanitárias propostas “não são fundamentadas por evidências científicas”. Na resposta detalhada da associação setorial, a ACIBEV destaca que “o governo irlandês não publicou até à data quaisquer provas científicas de uma ligação direta entre o consumo de álcool e os cancros fatais ou a causa de doenças hepáticas”, conforme sugerido pela proposta de regulamento.

Por sua vez, a Associação Cervejeiros de Portugal (APCV) considera a proposta do Governo irlandês como “uma barreira significativa, injustificada e desproporcional ao livre movimento de mercadorias” dentro do espaço europeu. A APCV apelou ainda à CE para exercer o seu direito de bloquear o regulamento irlandês, tendo em conta que a CE já anunciou publicamente a sua intenção de apresentar uma proposta destinada ao mesmo propósito, uniformizar a rotulagem de saúde em bebidas alcoólicas.

A APCV acrescenta ainda que o projeto de diploma irlandês exclui “outras evidências científicas no âmbito de um quadro mais geral de benefícios e malefícios do consumo de álcool”, já que a associação alega que a ciência mostra que “o consumo moderado de álcool pode ser compatível com um estilo de vida equilibrado e saudável”.

Por outro lado, a associação reivindica que as medidas irão impactar sobretudo os pequenos e médios operadores, que “provavelmente teriam de abandonar o mercado irlandês”.

Segundo dados avançados pelo Ministério da Economia e do Mar, as exportações nacionais de vinho para a República da Irlanda atingiram os 6,3 milhões de euros em 2021, colocando este mercado como o "23º cliente de vinhos a nível global e 12º a nível comunitário". As exportações nacionais de vinho português em 2021 registaram, inclusive, um aumento na ordem dos 39,5% face ano anterior, acrescentou o gabinete.

Estudos apontam para impacto positivo da medida

De acordo com a especialista em psiquiatria Maria Moreno, também a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece e destaca a importância dos rótulos de alerta nas embalagens de álcool, posição esta que se insere numa estratégia global voltada para o fornecimento de informação ao consumidor sobre os riscos do consumo de álcool.

Neste sentido, Maria Moreno esclarece que "a maioria dos estudos parece indicar que esta medida tem um impacto positivo na mudança de atitudes" e nos "comportamentos relacionados ao consumo de álcool". Este tipo de medidas parece igualmente contribuir para o "aumento da consciencialização para os riscos do consumo excessivo de álcool". Como tal, estas propostas resultam numa "redução do consumo de álcool" e em "decisões mais informadas", garante a mesma responsável.

Por outro lado, a especialista realça a importância de se considerar o público-alvo e o contexto ao escolher o tipo de mensagem a ser utilizada. Ainda assim, "rótulos com imagens apelativas, mensagens escritas pela negativa (que enfatizam os riscos ou os danos ao invés dos benefícios de um comportamento ou ação) e a combinação entre mensagens escritas e imagens, parecem estar associados a uma maior eficácia", destaca.

Questionada quanto à possibilidade de uma medida semelhante à irlandesa ser aplicada em Portugal, a especialista é perentória: "O consumo de álcool é um problema significativo no país, com grande impacto na saúde física e mental dos portugueses", destacando para tal efeito dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Segundo o INE, 45% dos homens e 24% das mulheres "tem um consumo abusivo de álcool", sendo que 2,5% sofrem mesmo de uma dependência desta substância.

No entanto, contrariamente ao que se sucede em vários países, os rótulos de alerta em embalagens de álcool não são obrigatórios em Portugal.

"Apesar dos efeitos prejudiciais do álcool, o reconhecimento por parte da população dos riscos associados ao consumo de álcool para a saúde permanece relativamente baixa", alerta Maria Moreno. Em paralelo, a ligação entre o álcool e os cancros, nomeadamente o da mama, ou ainda o aumento do risco de depressão ou de problemas de sono, são igualmente pouco conhecidos, refere.

Por esta razão, Maria Moreno salienta que uma das abordagens capazes de aumentar o reconhecimento dos riscos para a saúde associados ao álcool pode passar pelo rótulo do produto.

Itália considera proposta irlandesa um "ataque direto"

O setor agrícola italiano, representado pela associação Coldiretti, descreveu a proposta irlandesa como aterrorizante e um “ataque direto” contra o país, destacando que a exportação de vinho representa uma receita anual para o país de 14 mil milhões de euros.

Segundo a associação setorial italiana, a luz verde de Bruxelas acarreta o risco de “abrir uma porta a nova legislação capaz de influenciar negativamente as escolhas dos consumidores”. Como tal, a Coldiretti considera “totalmente impróprio” equiparar o consumo excessivo de bebidas destiladas, algo “típico dos países nórdicos”, face ao “consumo moderado e consciente de produtos de qualidade e com menor teor alcoólico, como a cerveja e o vinho”, destacou.

Do lado do Ministério da Agricultura de Itália, o subsecretário Luigi D'Eramo, defende que o vinho e a cerveja não devem ser comparados com bebidas destiladas e o tabaco, alegando que a saúde pública não fica salvaguardada com a criminalização de produtos individuais.

“O vinho é história, cultura… uma expressão dos nossos territórios e faz parte da dieta mediterrânica”, referiu a fonte citada pelo The Guardian. Neste sentido, a proposta irlandesa cria um “precedente perigoso”, acrescenta Luigi D'Eramo, um precedente que, se for seguido por outros países, “corre o risco de prejudicar um setor líder no nosso sistema alimentar e agrícola”.

 

Fonte: CNNPortugal

Uma parte do território português reúne condições para o desenvolvimento de trufas, um fungo que cresce junto às raízes de algumas árvores. Pela primeira vez, há uma equipa com cães caçadores de trufa à procura deste alimento muito apreciado da cozinha italiana.

"Dai, Lola", "dai, Laika", é o que mais se ouve num dia com a equipa que inclui Giovanni e as cadelas. Vieram de Itália para procurarem trufa em Portugal a convite do Chef Tanka Sapkota, que trabalha com trufa há 30 anos.

Há inúmeras espécies deste fungo, mas nem todas são comestíveis. O objetivo desta prospeção é encontrar trufa negra ou bianchetto, trufas de valor menor quando comparadas com a exclusiva trufa branca encontrada na região de Alba, em Itália.

Apesar do otimismo de Tanka Sapkota, o Chef admite que encontrar este tipo seria "um milagre", por isso o foco é mesmo a trufa negra. "Já mobilizava muita coisa, teríamos florestas mais limpas, a ecologia a funcional e a economia local mudava completamente", explica.

Parte do país tem condições favoráveis para o desenvolvimento deste fungo debaixo da terra. São necessários solos calcários, de pH neutro ou alcalino e vegetação e clima adequados. Será um pedaço do país, na Beira Litoral, da Serra de Sicó até à Serra d'Aire e Candeeiros, às portas de Lisboa.

Os bosques sem aproveitamento económico poderiam vir a ser uma "exploração de pleno direito, com tanto rendimento como o eucalipto", como explica Pedro Bingre do Amaral, que acrescenta que seria possível resolver o que resumo como a quadratura do círculo: conservar a natureza e dinamizar a economia da região.

O professor das áreas da engenharia florestal, engenharia do ambiente e ordenamento de território é um dos especialistas entusiasmado com o projeto que acabou por se juntar à equipa no terreno. Algumas das trufas recolhidas foram enviadas para a Universidade de Évora, de onde uma investigadora também veio para se encontrar com Tanka, Giovanni e o resto da equipa.

Têm encontrado alguma trufa vermelha. É comestível e tem um bom sabor, segundo explica Tanka, é até utilizada em Itália, mas tem pouco valor comercial porque tem de ser consumida em pouco tempo (menos de 3 dias).

O tamanho das que têm sido apanhadas não permitiria cozinhar um prato à altura, mesmo que no próprio dia em que as retiram do solo. A seca do verão passado terá travado o desenvolvimento das trufas, e, por outro lado, a chuva dos últimos dias também pode estar a dificultar o trabalho de Lola e Laika, que farejam o chão com afinco.

O aroma é sentido à superfície, mas as trufas estão em profundidade, junto às raízes de árvores como carvalhos, castanheiras ou avelaneiras, com as quais criam uma relação de simbiose - com vantagem para ambos os organismos.

As trufas são retiradas pelos cães, treinados desde pequenos para o trabalho, e preferidos aos porcos, que tendem a comer o que encontram. Em Itália, esta é uma atividade que chega a ser perigosa pela competitividade que a escassez do produto cria. A caça é feita à noite e no maior secretismo possível para que outros caçadores não saibam onde foram encontradas trufas. Por isso, os cães não ladram, usam açaime para evitar envenenamentos, e depois da busca, a terra é reposta para apagar vestígios.

DA TERRA PARA A MESA

As regiões de Alba, no Piemonte, dão origem às mais desejadas e mais caras. Um especialista consegue perceber pelo aroma de onde são as trufas, percebe as nuances entre o cheiro das de verão e de inverno. A grande questão, "o sonho", como exclama o Chef Tanka, é saber como vão cheirar as trufas portuguesas.

Pela ciência, faz sentido que se desenvolvam trufas de interesse económico em Portugal. Se a equipa não as encontrar desta vez, pode repetir a prospeção lá para abril, altura em que amadurece outro tipo de trufa. Mas se, mesmo assim, não surgirem nessa altura, ainda há esperança através da replicação do processo natural em laboratório.

Já se faz em Espanha e está a ter resultados após 4 a 6 anos da plantação, mas em Portugal o caminho também já começou a ser percorrido. Patrícia Figueiredo é investigadora na GreenClon e veio encontrar-se com a equipa em Ansião, Leiria, para mostrar um exemplar juvenil de medronheiro com a infeção pelo fungo tuber melanosporum já a desenvolver-se. As micorrizas que mostra nas raízes vão evoluir para serem trufas negras se as condições no terreno forem as indicadas. E isso sabemos que há, na Beira Litoral.

O medronheiro é uma das árvores em que era pouco provável que o fungo se desenvolvesse. Por isso, em árvores como carvalho, pinheiro ou choupo-negro, naturalmente na paisagem portuguesa, será possível aplicar o método e recuperar o interesse económico que tem vindo a ser perdido.

 

Fonte: Expresso