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Nos últimos anos, a agricultura no Algarve, especialmente a produção de citrinos, abacates e o uso intensivo de estufas, tem estado no centro de um debate sobre o consumo de água na região.

A afirmação de que “citrinos, abacates e estufas arrebentaram com a água no Algarve e existem dados que provam isso” circula amplamente, mas será que esta afirmação é verdadeira? Uma análise mais detalhada dos dados disponíveis e do contexto regional mostra que esta afirmação não é tão simples e direta como parece.

O verdadeiro consumo de água na agricultura algarvia

O Algarve é uma região conhecida pela sua agricultura e, de facto, a produção de citrinos, como laranjas e limões, e de abacates tem vindo a crescer. No entanto, segundo dados da Associação de Regantes e Beneficiários do Algarve (ARBA), a utilização de água por estas culturas está longe de ser a principal responsável pelos problemas de escassez de água na região.

A maior parte do consumo de água agrícola no Algarve provém de sistemas de rega controlada e de tecnologias que permitem uma utilização mais eficiente dos recursos hídricos, como a rega gota-a-gota, que tem sido amplamente adotada por produtores de citrinos e abacates.

Um estudo realizado pela Universidade do Algarve, em parceria com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), revela que a agricultura consome cerca de 60% da água disponível na região, mas a maior parte dessa água é utilizada em culturas tradicionais de sequeiro e hortícolas, e não exclusivamente em citrinos e abacates. Além disso, o consumo de água para estas culturas específicas é altamente dependente de fatores sazonais, como o clima, e está em constante monitorização.

A realidade das estufas

O uso de estufas tem vindo a crescer na região, especialmente para a produção de frutos vermelhos e hortícolas. No entanto, é importante sublinhar que as estufas, ao contrário do que se pensa, podem contribuir para uma gestão mais eficiente da água. Estas estruturas permitem um maior controlo sobre a humidade, a evaporação e o uso de recursos hídricos, reduzindo o desperdício. Dados da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve (DRAP Algarve) indicam que a agricultura em estufas, quando gerida corretamente, consome menos água do que os sistemas de cultivo ao ar livre.

Secas e alterações climáticas: os verdadeiros vilões

É fundamental não confundir o impacto das práticas agrícolas com o impacto das alterações climáticas e a ocorrência cada vez mais frequente de períodos de seca. O Algarve enfrenta desafios estruturais graves no que diz respeito à gestão de recursos hídricos, mas grande parte destes problemas está associada a fenómenos de ordem climática, como a falta de chuvas regulares e a diminuição das reservas de água subterrâneas e superficiais.

Os dados da APA mostram que as barragens no Algarve, essenciais para o fornecimento de água à agricultura e às populações, têm registado níveis historicamente baixos, mas tal deve-se sobretudo à escassez de precipitação, e não exclusivamente ao uso agrícola. De facto, a região do Algarve é uma das mais vulneráveis às mudanças climáticas em Portugal, e o problema do consumo de água é muito mais complexo do que simplesmente apontar o dedo à agricultura.

Tecnologia e sustentabilidade: o caminho para o futuro

Para além disso, o setor agrícola na região tem dado passos importantes para minimizar o impacto sobre os recursos hídricos. Muitos agricultores adotaram práticas mais sustentáveis, como a utilização de sensores de humidade no solo para otimizar a rega e a plantação de culturas menos exigentes em água. Existem também projetos em curso para promover a reutilização de águas residuais tratadas na rega, o que pode ajudar a aliviar a pressão sobre as reservas de água potável.

Conclusão: um mito desfeito

A afirmação de que “citrinos, abacates e estufas arrebentaram com a água no Algarve” ignora a complexidade da situação hídrica da região. Embora a agricultura consuma uma parte significativa da água disponível, as soluções tecnológicas e práticas mais eficientes, como a rega gota-a-gota e o cultivo em estufas, estão a mitigar o impacto.

O verdadeiro desafio está na gestão global dos recursos hídricos e no combate aos efeitos das alterações climáticas, que têm tornado o Algarve mais vulnerável à seca.

Os dados mostram que, em vez de responsabilizar apenas a agricultura, é necessário um esforço coletivo — envolvendo o governo, agricultores e consumidores — para garantir um uso sustentável da água no Algarve. A verdadeira solução passa pela inovação, eficiência e uma gestão equilibrada entre o desenvolvimento económico e a preservação dos recursos naturais.

 

Fonte: Postal do Algarve

A Comissão Europeia (CE) anunciou que aprovou a importação de quatro variedades geneticamente modificadas, três de milho e uma de algodão, para alimentação e ração animal.

De acordo com a comunicação da entidade europeia, as autorizações serão válidas por 10 anos e já foram publicadas no Jornal Oficial da União Europeia (UE).

A comunicação dá ainda conta de que as autorizações foram dadas a 8 de outubro a duas variedades de milho geneticamente modificadas, sendo que as outras duas se tratam de renovações de autorizações para uma variedade de milho e uma variedade de algodão, ambas para alimentação e ração animal.

As quatro variedades passaram por um procedimento de autorização “abrangente e rigoroso”, sublinha a CE, incluindo uma avaliação científica favorável pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA).

As decisões de autorização e renovação aplicam-se à importação e processamento para alimentação e ração animal, mas não incluem a produção na UE. A Comissão Europeia também enalteceu que todos os produtos vão estar sujeitos às rigorosas regras de rotulagem e rastreabilidade da UE.

Conheça as quatro variedades aprovadas:

– Milho GM MON 89034 × 1507 × NK603, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1829/2003 do Parlamento Europeu e do Conselho (notificado sob o documento C (2024) 6915);

– Milho GM MON 89034 × 1507 × MON 88017 × 59122 e oito das suas subcombinações, nos termos do Regulamento (CE) nº 1829/2003 do Parlamento Europeu e do Conselho (notificado sob o documento C (2024) 6892);

– Milho GM DP202216, nos termos do Regulamento (CE) nº 1829/2003 do Parlamento Europeu e do Conselho (notificado sob o documento C (2024) 6941);

– Algodão GM COT102, nos termos do Regulamento (CE) nº 1829/2003 do Parlamento Europeu e do Conselho (notificado sob o documento C (2024) 6938).

 

Fonte: Vida Rural 

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), através de uma Brigada de Inspeção e Fiscalização de Indústrias, da Unidade Regional do Norte (UO I – Porto e UO III - Mirandela, e no seguimento de diligências de investigação no âmbito da Segurança Alimentar, realizou uma operação de fiscalização direcionada a um estabelecimento de produção e distribuição de produtos à base de carne, que se encontrava com a sua autorização de exercício de atividade suspensa, e em desobediência, manteve-se em funcionamento, no distrito de Braga.

Como balanço da ação, foi instaurado 1 processo-crime por desobediência, tendo sido ainda mantida a determinação de suspensão da atividade, face à ausência de Número de Controlo Veterinário emitido pela entidade competente, sendo este um dos requisitos obrigatórios para operadores com produção, transformação, distribuição e colocação no mercado de produtos de origem animal.

Da ação resultou ainda a apreensão de mais 3.300 kg de carcaças e peças de suíno, tudo num valor total estimado de € 7.450,00.

Fonte: ASAE

A ASAE, através da Unidade Regional do Norte, em estreita colaboração com o Comando Distrital da PSP de Vila Real realizou uma operação de fiscalização dirigida a 10 estabelecimentos de diversão noturna na cidade de Vila Real.

Como resultado da ação destaca-se a instauração de 2 processos-crime pela infração de usurpação e 5 processos de natureza contraordenacional por falta de condições de higiene e por violação da lei do tabaco. Foram ainda apreendidos 1 computador portátil, 1 mesa de mistura de DJ, 6 colunas e 1 pen drive, tudo no valor de 1.700,00 €.

Por suspeita de adulteração de bebidas espirituosas foram efetuadas colheitas de amostras as quais serão analisadas no Laboratório de Segurança Alimentar da ASAE.

 

Fonte: ASAE

Quanto maior for a biodiversidade nas explorações pecuárias ao ar livre, menor será a presença de patogénicos. É a conclusão de um estudo liderado por cientistas espanhóis.

A investigação explorou esta ligação aplicando tecnologias não invasivas em 15 explorações pecuárias ao ar livre (seis de bovinos, cinco de pequenos ruminantes e quatro de suínos) de cinco comunidades autónomas de Espanha.

Em cada exploração pecuária foram aplicados protocolos completos de análise de pontos de risco, que incluíram o uso de armadilhas fotográficas para quantificar a riqueza de espécies de aves e mamíferos, bem como para avaliar a percentagem de câmaras que detetam determinadas espécies de risco, como javalis.

Ao mesmo tempo, também foi aplicado o uso de esponjas nas superfícies dos bebedouros e comedouros para recolher ADN ambiental e analisá-lo em função de nove marcadores de patogénicos.

Os resultados mostraram que a diversidade de patogénicos detetados em pontos de risco variou entre as explorações, sendo maior nas que continham pequenos ruminantes e naquelas que albergam bovinos e suínos.

Ao nível da exploração pecuária, a diversidade de aves e mamíferos selvagens e o número de agentes patogénicos detetados em pontos de risco foram negativamente correlacionados. Os pontos de risco com maior probabilidade de detetar mais patogénicos apresentaram menor riqueza de aves e mamíferos, ou seja, quanto mais biodiversidade, menos patogénicos.

“A pecuária ao ar livre contribui para a conservação da biodiversidade e para a melhoria do bem-estar animal, mas também corre riscos de biossegurança devido ao maior contacto do gado com a vida selvagem. Portanto, é necessário monitorizar e gerar informações sobre o equilíbrio entre a diversidade da vida selvagem presente em cada exploração, as visitas às mesmas pelas espécies selvagens de maior risco e a circulação de patogénicos”, explicam os cientistas.

 

Fonte: Vida Rural

“É imperativo agir rapidamente para preservar a integridade e a qualidade deste produto icónico, garantindo o seu futuro num mercado global cada vez mais competitivo”, são as palavras de Fernando do Rosário, presidente do grupo de trabalho dedicado ao setor do azeite da COPA-COGECA, organização que representa os interesses das cooperativas e produtores agrícolas europeus.

A declaração foi feita face ao aumento dos preços do azeite que se tem registado a nível europeu e que tem gerado alarme devido aos riscos de fraude no mercado.

A UE é o maior produtor mundial de azeite, com cerca de 65% da produção. No entanto, a COPA-COGECA sublinha que “devido às condições climatéricas adversas, as recentes colheitas têm sido más”.

Em 2022/2023, a produção de azeite na Europa diminuiu cerca de 40% em relação aos anos anteriores e, neste período, caiu 25% em relação à média dos últimos cinco anos: esta tendência reflete-se a nível global, com um declínio na produção de azeite em muitas regiões, alerta a organização pela voz de Fernando do Rosário, membro integrante da CONFAGRI.

A COPA-COGECA afirma ainda que “os preços do azeite dispararam em todo o mundo, com aumentos que variam de 100% a 175% para o azeite virgem extra, dependendo do mercado”.

“A fraude no setor do azeite não é uma ameaça nova: o azeite é um produto de alto valor e persiste a tentação de atores sem escrúpulos em maximizar os lucros às custas dos consumidores e da qualidade do produto. Quando os consumidores desconhecem as diferenças entre os diferentes tipos de azeite, as práticas fraudulentas tornam-se mais difundidas”, enfatiza a organização.

Neste sentido, a COPA-COGECA diz ser “essencial endurecer as respostas administrativas e as sanções criminais para quem comete fraude, ao mesmo tempo, em que se investe na educação do consumidor, pois consumidores educados vão ser sempre capazes de tomar decisões informadas e evitar produtos inferiores”.

Fernando do Rosário refere ainda ser necessário reformular os atuais padrões de comercialização da UE, nomeadamente a possibilidade de proibir a venda de misturas de azeites em países onde, na sua produção, não é permitida. Atualmente, as regras da UE permitem a mistura legal de azeites com outros óleos vegetais e os estados-membros podem optar por proibir essas misturas.

“No entanto, existe uma lacuna: se o azeite de um estado-membro que proíbe misturas for exportado para outro país da EU, onde a mistura é permitida, o azeite misturado pode ser reimportado e vendido no Estado de origem. Embora isto seja tecnicamente legal, prejudica a intenção da proibição original, pois permite que a mistura saia pela porta da frente e entre novamente pela porta de trás”, explica o responsável pelo setor do azeite na organização.

No que toca à rastreabilidade, Fernando do Rosário apela a que as organizações de consumidores e as instituições europeias trabalhem em conjunto para melhorar a rastreabilidade e a proteção do consumidor, com especial atenção às misturas e embalagens.

“Precisamos de salvaguardas mais fortes para garantir que o azeite continua a ser um produto superior em que os consumidores possam confiar”, enfatiza o responsável.

E continua: “além disso, não podemos ignorar a concorrência dos países vizinhos da bacia do Mediterrâneo, como o norte da África e o Médio Oriente. Embora essas regiões enfrentem desafios climáticos semelhantes, os seus custos de produção são muito mais baixos do que os da Europa”.

Para Fernando do Rosário, o azeite é “um dos pilares da dieta mediterrânea”, considerado um produto alimentar completo e equilibrado com benefícios comprovados para a saúde e considerado património imaterial da humanidade pela UNESCO e, por isso, sublinha ser essencial dar prioridade à proteção do azeite.

 

Fonte: Vida Rural

As abelhas selvagens e outras espécies polinizadoras são essenciais para a preservação da biodiversidade, dos ecossistemas naturais e de muitas indústrias, incluindo a agricultura, os têxteis (por exemplo, algodão e linho) e os produtos farmacêuticos (por exemplo, medicamentos à base de plantas). Ao melhorar a monitorização destas espécies, o JRC (Joint Research Centre) pretende ajudar a inverter o declínio dos polinizadores até 2030.

O impacto da perda de polinizadores

O relatório de avaliação sobre biodiversidade e serviços ecossistémicos do IPBES (Plataforma Intergovernamental de Política Científica sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos) alertou sobre a perda dramática de polinizadores selvagens em todo o mundo. O relatório mostrou que, num cenário de perda total de polinizadores, entre 5–8% da produção agrícola global atual em volume seria perdida, e o funcionamento contínuo dos ecossistemas naturais estaria em risco.

De acordo com o mesmo relatório, os polinizadores contribuem para a polinização de cerca de 78% das plantas selvagens floridas, garantindo o funcionamento saudável do ecossistema e a manutenção de uma biodiversidade mais ampla. Além disso, de acordo com uma análise do impacto dos polinizadores na agricultura mundial , os polinizadores fornecem uma ampla gama de benefícios à sociedade, incluindo uma contribuição de 15 mil milhões de euros por ano para o valor de mercado das culturas europeias.

O que pode ser feito? Um Esquema Europeu de Monitorização de Polinizadores

Diante de um declínio global de polinizadores, o JRC desenvolveu uma metodologia para ajudar os Estados-Membros da UE a monitorizar os polinizadores de forma padronizada, robusta e reprodutível. Atualmente, não existem estudos abrangentes sobre o declínio de polinizadores na Europa e há grandes lacunas de conhecimento sobre a distribuição de polinizadores e a sua variação ao longo do tempo.

Ter um sistema de monitorização robusto e harmonizado é o primeiro passo para avaliar a situação – e tomar medidas para reverter a tendência negativa, como o Regulamento de Restauração da Natureza recentemente aprovado se propõe a fazer.

Através do projeto STING ( Ciência e Tecnologia para Insetos Polinizadores ), o JRC mobilizou um grupo de quase 30 especialistas em polinizadores para desenvolver a metodologia, apresentada na Proposta Refinada para um esquema de monitorização de polinizadores da UE de outubro de 2024. Os especialistas de toda a Europa são líderes reconhecidos, não apenas em ecologia de polinização, mas também em questões agroambientais, economia ecológica, iniciativas de ciência cidadã e tecnologias emergentes, como reconhecimento visual e inteligência artificial aplicada à entomologia.

Esta metodologia estabelecerá as bases para o "Esquema de Monitorização de Polinizadores da UE" (EU PoMS), em consonância com a Iniciativa de Polinizadores da UE revista que, visa melhorar o conhecimento no declínio dos polinizadores.

Como funciona o regime de monitorização da UE

O EU PoMS será o primeiro esquema deste âmbito e escala a ajudar a lidar com o declínio dos polinizadores. Este, consiste em duas componentes principais: um esquema central e módulos complementares.

O esquema principal analisará espécies que são essenciais para monitorização (ou seja, abelhas selvagens, borboletas, moscas-das-flores, mariposas, bem como espécies raras e ameaçadas de polinizadores) e, através de diferentes métodos e registos, medirá sua abundância, diversidade e ocupação.

Os módulos complementares concentrar-se-ão em métodos que precisam de avaliação mais aprofundada, mas que podem fornecer medidas importantes sobre outros aspetos, como maior diversidade de insetos voadores.

Caminho a seguir

Nos próximos dois anos, o JRC continuará a aprimorar a metodologia e a expandir o âmbito do esquema na próxima fase do projeto, STING+. O projeto fornecerá orientação técnica e científica para a Comissão e as autoridades dos Estados-Membros prepararem e implementarem esquemas nacionais de monitorização de polinizadores.

 

Fonte: Comissão Europeia

O Marine Stewardship Council (MSC) acaba de lançar o MSC Improvement Program, uma nova iniciativa para acelerar o avanço das práticas de pesca sustentáveis em todo o mundo. O MSC, principal programa de certificação de pesca ambientalmente sustentável do mundo, já certificou mais de 500 pescadores de acordo com o seu rigoroso Padrão de Pesca.

No entanto, com o aumento da sobrepesca – cerca de 38% dos recursos pesqueiros globais estão atualmente a ser explorados além dos limites sustentáveis, de acordo com os dados mais recentes das Nações Unidas – torna-se urgente acelerar o progresso. O novo MSC Improvement Program tem como objetivo responder a esta urgência, proporcionando apoio especializado e incentivos de mercado para este setor de atividade, desde que demonstrem melhorias mensuráveis ao longo de um período de cinco anos. As melhorias seguirão um plano de ação, que será verificado de forma independente.

Projetos de Melhoria das Pescas

Esta iniciativa complementa os Projetos de Melhoria das Pescas (FIP, Fishery Improvement Projects) implementados em diversas partes do mundo.

Apesar de muitas empresas já se abastecerem de produtos do mar oriundos de FIPs, como parte dos seus compromissos com o abastecimento sustentável, a eficácia e o impacto desses projetos variam consideravelmente. Um estudo independente revelou que, embora o número de FIPs tenha aumentado, o ritmo das melhorias tem sido lento e os resultados a longo prazo continuam difíceis de alcançar.

Amanda Lejbowicz, diretora de Acessibilidade do Padrão de Pesca do MSC, afirmou: “a MSC trabalha com centenas de pescadores empenhados em todo o mundo que são líderes em sustentabilidade. No entanto, nem todos estão atualmente em condições de cumprir o nosso Padrão de Pesca, apesar da urgência crescente. Esta nova iniciativa tem como objetivo incentivar este setor a melhorar as suas práticas de sustentabilidade. Ao fazê-lo, não só promovemos a saúde dos oceanos e o futuro abastecimento de produtos do mar, como também apoiamos a subsistência das comunidades que dependem da pesca”.

 

Fonte: Grande Consumo

A biomassa como alternativa aos combustíveis fósseis

Ruanda tem como objetivo o acesso universal à eletricidade até 2030, mas muitas regiões rurais ainda não dispõem de energia fiável. Em resposta, os cientistas estão agora a estudar se a biomassa de árvores específicas, cultivadas de forma sustentável, pode gerar energia renovável, analisando várias espécies de crescimento rápido quanto ao seu rendimento energético.

Bonaventure Ntirugulirwa, um dos principais investigadores do projeto, referiu que, embora a biomassa tenha sido frequentemente negligenciada como fonte de energia, pode oferecer uma alternativa poderosa aos combustíveis fósseis.

"Esta iniciativa foi concebida para responder às necessidades de eletricidade nas zonas rurais." Afirmou, salientando que a energia da biomassa pode ajudar a reduzir a dependência dos combustíveis tradicionais e promover a sustentabilidade ambiental.

Explicou também que o objetivo do estudo era encontrar árvores que ardessem de forma eficiente, proporcionando uma fonte de energia sustentável. Acrescentou que o projeto apoiaria vários objetivos mais amplos, incluindo a melhoria do uso da terra, a melhoria do solo, a segurança alimentar, a resistência ao clima e a redução da pobreza nas zonas rurais.

A equipa conseguiu identificar dois tipos de árvores

Após uma investigação detalhada sobre vários tipos de árvores e arbustos de crescimento rápido, a equipa identificou a Senna siamea e a Gliricidia sepium como particularmente eficazes para a produção de energia. Estas árvores têm madeira densa com elevado valor calorífico, o que significa que ardem com uma produção significativa de calor, o que as torna um substituto viável dos combustíveis fósseis.

A equipa de investigação também analisou espécies de árvores versáteis, tais como Cajanus cajan, Calliandra calothyrsus, Hagenia abyssinica e Senna spectabilis. Estas espécies são adequadas para a produção de biomassa para eletricidade, beneficiando simultaneamente a agricultura e as comunidades locais.

De acordo com Ntirugulirwa, "os agricultores tiveram a oportunidade de testar diferentes práticas nas suas terras e escolher os métodos mais adequados às suas condições específicas". Os agricultores do Ruanda identificaram então as espécies que satisfaziam as suas necessidades locais.

Agora que as espécies de árvores mais promissoras foram identificadas, a equipa está concentrada em aumentar a produção de eletricidade. Ntirugulirwa salientou que o sucesso do projeto depende do envolvimento dos agricultores no cultivo de biomassa suficiente para apoiar a produção consistente de energia.

 

Fonte: Sapo

Há já algum tempo que estamos em permanente transformação e os impactos que temos em praticamente todos os setores têm origem em causas globais. A alimentação, sem dúvida, é e tem sido um setor essencial. Mas está a tornar-se cada vez mais complexo responder ao rápido crescimento da população e oferecer às pessoas uma dieta variada, não só devido ao aumento do nível de vida, mas também devido a mudanças nas escolhas de estilo de vida. Este contexto coloca-nos no epicentro de uma revolução alimentar global, em que a eficiência na produção alimentar é crucial. Todos ouvimos dizer que as projeções sugerem que, em 2050, a população mundial atingirá 10 mil milhões de pessoas, o que exigirá um aumento de 70% na produção de alimentos em relação aos níveis atuais. Uma parte do mundo desperdiça e por vezes demoniza os alimentos e, por outro lado, mais de 780 milhões de pessoas, segundo a ONU, passam fome.

Um discurso fatalista que deve levar todos nós, que trabalhamos neste setor, a trabalhar urgentemente para oferecer soluções que nos permitam aumentar a produção alimentar de forma segura e sustentável e melhorar a saúde pública a longo prazo através da alimentação.

A urbanização e as alterações demográficas estão a redefinir os nossos hábitos, conduzindo a um estilo de vida mais sedentário, com menos tempo passado na cozinha e uma preferência crescente por escolhas de consumo que nem sempre são as mais adequadas. Os hábitos alimentares desequilibrados estão associados a um aumento das doenças crónicas, como a obesidade, a hipertensão e a diabetes, o que representa um desafio económico significativo para os sistemas de saúde pública. Uma sociedade cada vez mais envelhecida, na qual devemos concentrar-nos e oferecer produtos alimentares adaptados às necessidades da população. Passámos da necessidade de colocar flúor na água potável há mais de 60 anos, para delinear quais serão os requisitos nutricionais mais procurados para ajudar a melhorar a qualidade de vida através da alimentação.

É essencial uma abordagem holística que promova uma nutrição mais sustentável e saudável. A cooperação entre os sectores da saúde e da alimentação é vital para enfrentar estes desafios e aliviar o peso económico dos sistemas de saúde a nível mundial.

A sustentabilidade tornou-se uma necessidade incontornável em todos os domínios, sendo a indústria alimentar responsável por um quarto das emissões globais de CO2 e por 70% do consumo de água doce. Face a estes desafios, surgem oportunidades significativas para melhorar estes processos e torná-los mais eficientes, reduzindo o seu impacto ambiental e aumentando a sua sustentabilidade.

A resposta está na ciência e na inovação para fornecer opções que são necessárias a longo prazo.

No setor das pescas, onde 50% das capturas mundiais são capturadas na natureza e cerca de 5,5 milhões de toneladas de atum são capturadas anualmente, a rastreabilidade, a eficiência, a sustentabilidade e a valorização através da comunicação tornam-se aspetos críticos. Estima-se que 20% desta pesca seja ilegal, com origem predominante na Ásia, afetando significativamente as empresas que operam ao abrigo de regulamentos europeus muito mais exigentes e sustentáveis. A rastreabilidade e a comunicação destes produtos por parte das empresas de pesca são cruciais para que o consumidor compreenda não só a diferença de preço entre os produtos, mas também para que possa fazer escolhas baseadas em práticas de pesca sustentáveis e não sustentáveis e nas condições de trabalho das pessoas que estão por detrás dos produtos suspeitosamente mais baratos.

No domínio da biotecnologia e do desenvolvimento de proteínas alternativas, a ciência e a tecnologia estão a encontrar soluções para produzir mais com menos, desenvolvendo processos mais circulares. Ainda longe de ser uma solução global, mas crucial para enfrentar o desafio de reduzir o desperdício alimentar e reintegrá-lo na cadeia alimentar, quer como biofertilizantes, quer como alimento para animais e humanos.

 

Fonte: iALIMENTAR