Durante a época de produção e comercialização da cereja em Portugal, a ASAE procedeu à realização de várias ações de fiscalização nacionais no sentido de detetar eventuais práticas fraudulentas, com especial destaque para o uso de denominações de origem ou indicações geográficas protegidas (DOP/ IGP) e para a indicação de origem Portugal, em cerejas provenientes de outros países e regiões não protegidas.
Assim, foram fiscalizados 112 operadores económicos, desde armazenistas, embaladores e retalhistas, tendo sido instaurados 9 processos-crime por fraude sobre mercadorias e uso ilegal de denominação de origem ou indicação geográfica protegida e 15 processos de contraordenação destacando-se como principais infrações, o incumprimento dos requisitos de rotulagem e rastreabilidade, quanto à origem do produto.
As operações da ASAE contribuíram para a defesa da origem da cereja portuguesa como relevante produto nacional e a garantia de informação adequada disponível ao consumidor, bem como da proteção dos produtores nacionais.
A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) anunciou hoje a existência 347 casos registados de doença hemorrágica epizoótica em 171 exploração de gado e o registo de 18 animais mortos em todos país, desde 17 julho.
De acordo com o último relatório da DGAV emitido na quinta-feira, a região mais afetada é o Norte, com destaque para o distrito de Bragança, que contabiliza 121 explorações afetadas, 288 animais contaminados pela doença hemorrágica epizoótica (DHE) e 18 mortes registadas, onde sobressaem os concelhos de Vinhais, Bragança e Miranda do Douro.
O primeiro foco de DHE referente a 2024, foi detetado no concelho de Vinhais, no distrito de Bragança, em 17 de julho.
Segue-se o distrito de Vila Real com 20 explorações com casos positivos para DHE e 22 bovinos afetados, com destaque para os concelhos de Boticas, Mondim de Basto, Montalegre, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar e Vila Real
Já o distrito de Braga apresenta 18 explorações afetadas e 22 casos. Viana do Castelo tem cinco explorações afetadas com um total de cinco casos positivos para DHE.
Também no distrito de Leiria foi registada a morte de uma vaca contaminada com o vírus da DHE.
No distrito de Bragança há ainda uma exploração de veados afetada, com o registo de três animais contaminados, visto que a DHE também ataca os cervídeos.
O relatório de casos de infeção ou morte por DHE é atualizado todas as semanas, por norma no último dia útil.
Em declarações à Lusa, a diretora-geral de Alimentação e Veterinária, Susana Pombo, disse que a DHE apareceu pela primeira vez em 2023 e como é transmitida por um vetor [mosquito] está muito associada às altas temperaturas que se têm feito sentir.
“Este ano temos uma situação [epidemiológica] diferente, relativamente ao ano passado porque a indústria farmacêutica disponibiliza uma vacina autorizada pela DGAV para utilização temporária pelo prazo de um ano, cuja data de comercialização teve início na passada quinta-feira” 05 de setembro, indicou.
Susana Pombo acrescentou ainda que a DGAV já atualizou o seu Edital, sendo que “esta vacina é de aplicação voluntária por parte dos produtores pecuários. A vacina está disponível nos distribuidores nacionais”.
A responsável pela DGAV disse ainda que “qualquer médico veterinário com cédula profissional ativa pode prescrever a vacina contra a DHE e de acordo com as condições sanitárias que apresentem, entenda que os animais possam ser mais protegidos”.
Susana Pombo apelou ainda à utilização de desinsetização já que o veículo transmissível da doença é um mosquito.
“Os animais devem ser vistos todos os dias, porque a doença tem tratamento, mas quanto mais depressa se atuar melhor”, vincou.
A responsável alertou ainda que a DHE só afeta animais e não é transmissível a humanos, sendo “importante que as pessoas tenham essa noção”.
“Atualmente a vacina existente está rotulada em espanhol, mas o próximo lote a chegar a Portugal, e que será brevemente, já virá rotulado em português”, disse.
A DGAV informou ainda através de Edital que os animais com sinais clínicos de DHE não podem ser movimentados.
Os principais sintomas da DHE registados nos bovinos são coxeia, falta de apetite e úlceras na boca, uma situação que provoca a degradação do estado de saúde dos bovinos, que os pode “levar à morte”, indicou à Lusa o secretário técnico da Associação de Criadores de Raça Bovina Mirandesa, Válter Raposo.
Este responsável já havia alertado na quinta-feira para o regresso do vírus DHE ao Nordeste Transmontano, estando a afetar animais e a deixar os produtores apreensivos.
Válter Raposo acrescentou que se previa “uma certa imunidade”, mas há animais que estão a repetir a doença pelo segundo ano consecutivo.
“Provavelmente há uma estirpe diferente deste vírus hemorrágico.”, disse.
A DHE é uma doença de etiologia viral que afeta os ruminantes, em especial os bovinos e os cervídeos selvagens, com transmissão vetorial (por mosquito), que está incluída na lista de doenças de declaração obrigatória da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Fonte: Agroportal
Não é novo o tema das contaminações cruzadas e higiene precária nas cozinhas. Evite perigos associados aos alimentos em sua casa seguindo algumas regras simples. Higiene, temperatura adequada e separação dos alimentos, estão entre os principais mandamentos na hora de evitar a doença.
Os erros de segurança alimentar mais comuns relacionam-se com a refrigeração inadequada, uma higiene deficiente, a contaminação cruzada entre alimentos ou o incumprimento dos tempos de cozedura.
Eis algumas regras simples para evitarmos a doença:
Mantenha os alimentos congelados ou no frio até à altura de os cozinhar. Nas compras, estes devem ser os últimos artigos a entrar no carrinho, devem ser transportados em sacos próprios e deve ser os primeiros a ser armazenados no congelador/frigorífico.
Lave as mãos sempre que começar a cozinhar e sempre que mudar de tarefas (por exemplo, fazer a salada e, depois, temperar a carne). Retire anéis e pulseiras e esfregue bem as palmas das mãos e entre os dedos. Mantenha as unhas curtas e limpas.
Se está com febre, constipação, gripe, vómitos ou diarreia, afaste-se da cozinha ou arrisca-se a espalhar a doença por toda a família. Se tiver, mesmo, de cozinhar, coloque uma máscara sobre o nariz e boca para não contaminar os alimentos.
Uma carne mal cozinhada, principalmente de porco, é meio caminho andado para a intoxicação alimentar. Garanta que as carnes atingem a temperatura adequada no interior da peça, respeite os tempos de cozedura. O calor é a única forma eficaz de destruir eventuais germes, enquanto o frio apenas impede o seu crescimento.
A superfície e os instrumentos de trabalho, como tábuas, mesas, facas e colheres de pau, por exemplo, devem estar impecavelmente limpas e em bom estado. A lavagem a alta temperatura e o uso de detergentes antibacterianos é uma forma de garantir a higiene.
Para evitar contaminações cruzadas, mantenha separados os alimentos crus (ex.: alface), dos cozinhados (ex. frango), até chegar a hora de empratar. Tenha uma tábua para cortar os vegetais, outra para a carne e outra para o peixe. O investimento vai compensar na hora de garantir a segurança alimentar.
Prepare os alimentos o mais próximo possível da hora da refeição. Assim preserva melhor os nutrientes e o sabor, ao mesmo tempo que evita contaminações.
Fonte: Sapo.pt e Qualfood
A Rede de Alerta Rápido para Alimentos e Rações (RASFF) da União Europeia, responsável pela coordenação entre as agências de Segurança Alimentar dos países da UE, lançou uma notificação urgente para a retirada de camarões congelados. A razão foi a deteção de uma falha na cadeia de frio durante o transporte, tornando-os inadequados para o consumo. A notificação do RASFF, que classifica o incidente como um “risco potencial”, indica que o problema foi identificado em Espanha durante uma inspeção de mercado.
Até agora, os camarões foram distribuídos na Alemanha e na Bélgica. Embora não tenham sido registados casos de intoxicação ou problemas de saúde relacionados com o consumo deste marisco, a quebra na cadeia de frio é um fator crítico na conservação de produtos do mar. Ainda não foram divulgadas informações sobre as empresas envolvidas na produção ou as regiões de onde provém o produto sujeito ao recall.
O consumo de camarão na Europa tem vindo a aumentar de forma significativa nos últimos anos, impulsionado pela popularidade deste marisco nas dietas europeias. Sendo um produto apreciado tanto em restaurantes como em casa, o camarão é consumido em diversas formas, desde pratos simples até receitas mais elaboradas. A Europa importa a maior parte do camarão que consome, proveniente de países como a Índia, o Vietname e o Equador, devido à elevada procura e à dificuldade de produção em larga escala nos países europeus.
No entanto, o aumento do consumo de camarão levanta preocupações relacionadas com a sustentabilidade e a segurança alimentar. Questões como a sobrepesca, a utilização de antibióticos nas produções e os problemas na cadeia de frio durante o transporte tornam-se importantes para os consumidores. A União Europeia tem implementado medidas rigorosas de controlo de qualidade e segurança para garantir que o camarão importado cumpre as normas sanitárias e ambientais, mas os desafios continuam, sobretudo devido ao elevado volume de importação e à complexidade das cadeias de abastecimento.
Fonte: O Postal do Algarve
Os esforços liderados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para atualizar as estimativas sobre o impacto das infeções de origem alimentar continuam a progredir, prevendo-se a sua publicação no próximo ano.
Num webinar organizado pela European Burden of Disease Network, dois oradores partilharam conhecimentos sobre o trabalho do Foodborne Disease Burden Epidemiology Reference Group (FERG).
Os números publicados em 2015 revelaram que 31 riscos causaram 600 milhões de doenças de origem alimentar e 420.000 mortes em 2010. Está prevista a publicação de dados actualizados até outubro de 2025.
A maior parte dos indicadores da edição revista serão os mesmos que os utilizados em 2015, mas serão também incluídos números nacionais. Os números serão apresentados como uma análise de séries cronológicas de 2000 a 2020 ou 2021.
Novas estimativas fornecerão dados sobre Trypanosoma cruzi, aflatoxina M1, arsénio inorgânico, cádmio, chumbo, metilmercúrio, ciclospora, rotavírus e E. coli enteroagregativa (EAEC). Será também incluída uma lista alargada de resultados em matéria de saúde.
A abordagem da OMS:
Yuki Minato, responsável técnico do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS, afirmou: “A segurança alimentar é muito complexa, porque estamos a lidar com muitos perigos diferentes, com a subnotificação e com a falta de apuramento. A visão principal é tentar compreender o que está a acontecer debaixo de água, basicamente”.
Minato fez referência a uma resolução de 2020 da Assembleia Mundial da Saúde que mandatou a OMS para monitorizar e comunicar o peso das doenças de origem alimentar a nível nacional, regional e internacional.
“A parte da transparência é importante para a OMS, pois queremos garantir que os países utilizem estas estimativas e que não fiquem apenas numa prateleira na OMS. Envolvemos os Estados Membros e solicitámos aos governos que identificassem os seus pontos focais nacionais para esta estimativa. Vamos realizar uma consulta oficial aos países no próximo ano. Receberão um projeto de estimativas antes da publicação oficial para que possam analisar, comentar e dar feedback”, disse.
As equipas de recolha de dados das estimativas para 2025 incluem a Universidade da Virgínia para as doenças diarreicas, a Universidade do Estado do Michigan para a aflatoxina e a Gibb and O'Leary Epidemiology Consulting para o arsénio inorgânico.
O FERG tem sete grupos de trabalho: doenças entéricas, doenças parasitárias, produtos químicos e toxinas, atribuição de fontes, computação, medição do impacto e apoio aos países.
Avaliar o peso das doenças de origem alimentar:
Sara Monteiro Pires, investigadora sénior da Universidade Técnica da Dinamarca (DTU), afirmou que o relatório de 2015 é importante para aumentar a sensibilização global para as doenças de origem alimentar.
“O nosso objetivo final é poder dar prioridade às intervenções de segurança alimentar. Para o fazer, precisamos de responder a algumas questões. Em primeiro lugar, qual é o impacto na saúde pública das diferentes doenças de origem alimentar? Com base nisto, queremos saber como comparar as doenças de acordo com a sua importância em diferentes regiões. Depois de dar prioridade às doenças mais importantes, precisamos de saber o que está a causar estes problemas. Assim, como é que podemos identificar as fontes e as vias de transmissão mais importantes e, em seguida, dar prioridade às nossas intervenções? O terceiro passo é identificar as opções de intervenção em toda a cadeia alimentar e, no final, o ideal seria medir o efeito de cada intervenção”.
Pires, que também é membro do FERG, disse que existem mais de 250 causas de doenças de origem alimentar, incluindo bactérias, vírus, parasitas e produtos químicos.
“Embora tenhamos dados de vigilância sobre o número de casos numa população, não estamos a captar todos os casos da doença. Algumas das doenças não são de todo notificadas. As doenças de origem alimentar têm uma vasta gama de efeitos na saúde, que variam em termos de gravidade, desde a diarreia ligeira à diarreia grave, mas também efeitos neurológicos, cancro e artrite reactiva. Estas doenças também têm diferentes durações e casos de morte”, afirmou.
“As doenças crónicas são difíceis de atribuir a uma exposição específica; são bastante inespecíficas e podem ser causadas por muitos factores de risco diferentes. Também aparecem muito tempo depois da exposição, pelo que é difícil relacioná-las diretamente com o risco para a segurança alimentar. Existem também várias vias de exposição, mesmo para uma doença, e estas fontes e a sua importância variam consoante a doença, o risco e o país”.
O objetivo dos estudos sobre o peso das doenças de origem alimentar é classificar e dar prioridade às doenças com base no impacto na saúde pública causado numa população específica. Este trabalho pode ajudar a medir as tendências e o impacto das intervenções de segurança alimentar, fornecendo provas para a elaboração de políticas.
“Precisamos de identificar as fontes de transmissão mais importantes. No caso da Campylobacter, um reservatório importante são as aves de capoeira, mas as infecções também podem ser causadas por produtos lácteos ou carne de vaca, ou pelo contacto com animais vivos infectados e pela exposição ambiental”, disse Pires.
“Por isso, se quisermos utilizar as nossas estimativas do peso da doença para dar prioridade às intervenções, temos de identificar quais as fontes e vias de transmissão mais importantes. Para isso, normalmente usamos a atribuição da fonte. O primeiro passo é a atribuição aos alimentos em vez da transmissão ambiental, do contacto direto com animais e da transmissão pessoa-a-pessoa, e depois podemos querer atribuir a alimentos específicos”.
Fonte: FoodSafetyNews & Qualfood
Tornado hoje público o relatório solicitado pela Presidente Van der Leyen, documento é uma resposta aos protestos dos agricultores e pode vir a representar um ponto de viragem essencial para corrigir o rumo errado que foi seguido nos últimos anos nas políticas agrícolas ao nível europeu
Esta manhã, o Professor Strohschneider apresentou as conclusões do diálogo estratégico sobre o futuro da agricultura a Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia, que em breve irá iniciar um novo mandato.
Recorda-se que a Política Agrícola Comum é a mais relevante política comunitária e à qual está cometida a maior fatia do orçamento europeu.
O relatório hoje apresentado distingue-se pela sua abordagem deliberativa única e pelas suas recomendações abrangentes e constitui um primeiro passo crucial para o desenvolvimento da “Visão Agroalimentar” anunciada pela Presidente da Comissão em julho.
Originalmente introduzido por Ursula von der Leyen no seu discurso sobre o Estado da União de setembro de 2023, o diálogo estratégico sobre a agricultura foi concebido principalmente como uma resposta às deficiências da abordagem do topo para a base constante da estratégia “Do prado ao prato”. A iniciativa teve, por conseguinte, como objetivo reintroduzir um verdadeiro diálogo no processo de tomada de decisões. Sob a direção do Professor Strohschneider, as discussões centraram-se em questões de fundo, evitando as armadilhas da postura política e da polarização.
O resultado destes sete meses intensos de negociações é um documento denso que aborda exaustivamente os sectores agrícola e agroalimentar na sua totalidade, não deixando nenhuma questão importante esquecida. Os desafios que a comunidade agrícola enfrenta atualmente – como a concorrência desleal, os rendimentos limitados, o aumento dos custos energéticos, a renovação geracional e as alterações climáticas – intensificar-se-ão inevitavelmente caso não sejam enfrentados com uma abordagem atempada, coerente, pragmática e orientada para o impacto na elaboração de políticas.
A CAP aplaude o consenso sobre 1) o reconhecimento da agricultura e da alimentação como sectores estratégicos para a Europa, 2) o imperativo de garantir a segurança alimentar e o 3) compromisso com a sustentabilidade competitiva.
O diálogo estratégico também defende fortemente uma política comercial coerente, instando a Comissão a elevar a importância dos produtos agrícolas e alimentares nas negociações comerciais, especialmente à luz das discussões em curso sobre o acordo UE-Mercosul.
Entre os principais resultados, a ênfase no financiamento das transições necessárias – quer através de um “orçamento dedicado e proporcional à PAC”, de um “fundo temporário para uma transição justa” ou do reforço das parcerias público-privadas para mobilizar capital – é especialmente notável e deve ser considerada na próxima proposta de orçamento.
O relatório inclui igualmente várias recomendações críticas destinadas a capacitar os agricultores no âmbito da cadeia de valor, a melhorar a transparência, a combater as práticas comerciais desleais e a promover o modelo cooperativo. Estas são áreas em que é necessária uma ação urgente por parte das instituições da UE.
Destacamos também as recomendações do relatório sobre a gestão das terras (sem ocupação líquida de terras até 2050, Observatório Europeu das Terras Agrícolas), a revitalização das zonas rurais, a pecuária (estratégia sobre o papel da pecuária), a renovação geracional (plano de ação para a renovação geracional), a bioeconomia, a gestão da água, a gestão dos riscos e o acesso à inovação.
No entanto salientamos que este relatório deve ser visto como o início de um processo mais construtivo que conduzirá a uma visão mais coerente, equilibrada e estratégica da agricultura sob a direção de Ursula von der Leyen. O diálogo tem de prosseguir, envolvendo o Parlamento Europeu e o Conselho e principalmente as organizações de agricultores, para que o sector seja ouvido e participe nas tomadas de decisões.
É muito importante que neste período de mudanças na União Europeia, (novo Parlamento Europeu e constituição do colégio de comissários) que o sector agrícola esteja no centro da discussão ao nível europeu, para evitar episódios como os que se passaram no decorrer do ano passado, com um total desrespeito pelo sector agrícola, com políticas completamente desajustadas da realidade e sem qualquer tipo de reajustamento pelo executivo comunitário.
Fonte: AGROPORTAL
Um projeto europeu coordenado pela Universidade do Minho pretende criar nanobiopesticidas e nanobiofertilizantes para combater pragas na viticultura, protegendo o ambiente, aumentando a produção, reduzindo custos e enfrentando as alterações climáticas. O projeto chama-se VINNY, junta 19 parceiros de dez países e conta nos próximos quatro anos com 8.3 milhões de euros do programa Horizonte Europa.
Passar da viticultura intensiva para a sustentável à escala global e cortar em 50% os agroquímicos no setor estão nos principais objetivos do consórcio liderado por Margarida M. Fernandes, do Centro de Sistemas Microelectromecânicos (CMEMS) da Escola de Engenharia da UMinho. O projeto vai propor ainda agrotêxteis impregnados com aqueles nanobiofertilizantes, além de testes à eficiência, eficácia e segurança em laboratório, em áreas-piloto e no campo.
Espera-se que o VINNY origine vários projetos em copromoção com empresas e associações. O projeto abarca igualmente uma vertente social, ao estabelecer a “Rede Europeia das Vinhas” constituída por três Living Labs (laboratórios vivos) e uma Lighthouse (sede) para disseminar práticas sustentáveis junto dos agricultores e das entidades da área, impulsionando assim a inovação e a sustentabilidade no setor primário.
A nível nacional, o consórcio conta com o CMEMS (a que se alia o Centro de Engenharia Biológica, no âmbito do laboratório associado LABBELS), o Centro de Biologia Molecular e Ambiental, todos da UMinho, bem como a ADVID – Cluster da Vinha e do Vinho, a associação InnovPlantProtect e a agência de comunicação LKCOM. A nível europeu, totaliza cinco universidades, onze empresas e três associações de dez países. VINNY é o acrónimo de “Advanced nano encapsulation of bio-based pesticides and fertilisers for a circular and sustainable viticulture” e pode ser seguido nas redes sociais.
Fonte: AGROPORTAL
A utilização de agentes antimicrobianos na agricultura e na produção alimentar contribuiu significativamente para melhorar o bem-estar dos animais e tornar os sistemas de produção mais seguros. Estes medicamentos são a única forma de tratar as doenças bacterianas e continuam a ser uma peça fundamental dos sistemas agro-alimentares mundiais.
No entanto, a utilização excessiva e incorrecta destes instrumentos críticos pode levar ao desenvolvimento da resistência antimicrobiana (RAM), que não só ameaça a saúde humana como também compromete a viabilidade a longo prazo da produção agrícola. Esta crise sanitária mundial, se não for resolvida, pode diminuir décadas de progresso nos cuidados de saúde e na agricultura.
Para garantir que estes medicamentos continuem a ser eficazes nas próximas décadas, é necessário reduzir a necessidade de utilizar antimicrobianos através de uma melhor prevenção das doenças. Esta é a única forma de reduzir a utilização de uma forma que respeite o bem-estar dos animais, e é por isso que a FAO lançou o programa Pathways to Reduce the Need for Antimicrobials on Farms for Sustainable Agrifood Systems Transformation (RENOFARM).
Um novo relatório, "Como a prevenção pode reduzir a necessidade de antibióticos", descreve as ferramentas e práticas que podem reduzir a necessidade de antimicrobianos, como a vacinação, a biossegurança, a genética, as tecnologias digitais e muito mais. A equipa RENOFARM da FAO e o Grupo de Trabalho AMR apoiaram o desenvolvimento do relatório.
Os estudos de caso no relatório explicam como as ferramentas de prevenção foram capazes de:
Reduzir a utilização de antimicrobianos em 99,8% no salmão escocês através de novas vacinas.
Aumentar o rendimento das explorações agrícolas, reduzindo simultaneamente a utilização de antibióticos nas aves de capoeira através da vacinação contra a E. coli.
Melhorar a imunidade natural contra doenças bacterianas através de aditivos fitogénicos para a alimentação animal.
Reduzir a utilização de antibióticos em 44% e produzir mais 35% de leite nas vacas leiteiras através de uma melhor genética, entre outros.
Além disso, o relatório traça o perfil de vários projectos que ajudaram a implementar melhores práticas de prevenção em mercados desenvolvidos e emergentes. Por exemplo, a vacinação de 37 milhões de aves com um dia em incubadoras na África Ocidental, Oriental e Austral e o desenvolvimento de “Coligações de Utilização Responsável” na Europa, Reino Unido e Brasil.
A diversidade de ferramentas e projectos demonstra como a prevenção de doenças pode assumir muitas formas, dependendo das condições e necessidades do mercado. Isto significa que, independentemente da região ou do país, todos os produtores podem encontrar formas de reduzir a necessidade de antimicrobianos e de se protegerem contra o desenvolvimento de resistências. Como a prevenção pode reduzir a necessidade de antibióticos será uma parte importante do projeto RENOFARM nos próximos anos.
Fonte: FAO & Qualfood
Cientistas afirmam que uma base de dados criada no âmbito de um projeto europeu pode melhorar a segurança alimentar.
A base de dados de metagenomas alimentares foi desenvolvida no âmbito do projeto MASTER, financiado pela UE. Os metagenomas são o material genealógico de todos os microrganismos presentes num ambiente.
A curatedFoodMetagenomicData (cFMD) é uma base de dados de metagenomas de alimentos. As tecnologias de sequenciação de ADN ajudarão os investigadores a enfrentar desafios como o desperdício alimentar, a resistência antimicrobiana e a segurança alimentar.
Os microrganismos podem ter um impacto positivo na produção alimentar, por exemplo, através da fermentação dos alimentos, ou um impacto negativo na produção alimentar, por exemplo, através da deterioração ou de doenças de origem alimentar.
A análise destes microrganismos baseou-se em abordagens tradicionais que requerem o crescimento dos microrganismos em ágar em placas de Petri, com diferentes ágares utilizados para diferentes microrganismos.
Benefícios para a segurança alimentar
Os cientistas afirmam que a utilização de métodos de sequenciação de ADN de alto rendimento pode melhorar os testes alimentares. Este método permite efetuar testes rápidos e simultâneos a todos os microrganismos em paralelo, incluindo aqueles que são difíceis de cultivar.
O trabalho incluiu testes de ADN de milhares de amostras recolhidas em instalações europeias de transformação de alimentos. A base de dados significa que os dados gerados a partir da análise de amostras de alimentos com base na sequenciação do ADN podem ser analisados com rapidez e precisão para identificar e controlar microrganismos indesejáveis.
O projeto MASTER envolveu 30 parceiros e teve início em janeiro de 2019. Terá a duração de quatro anos e utilizará tecnologias de sequenciação para mapear microbiomas numa série de ambientes alimentares e não alimentares.
O coordenador do projeto, Professor Paul Cotter, responsável pelas biociências alimentares na Teagasc (Autoridade Irlandesa para o Desenvolvimento Agrícola e Alimentar), afirmou que os dados representam 15 categorias de alimentos de 52 países.
“O cFMD contém dados relativos a 3.600 espécies microbianas, das quais 290 são espécies novas. É gratuito e pode ser amplamente utilizado para estudos do microbioma e aplicações nas indústrias alimentares. Por exemplo, estudar o movimento dos microorganismos ao longo da cadeia alimentar, estudar a propagação de genes de resistência antimicrobiana, detetar microorganismos indesejáveis e investigar a transmissão de microorganismos aos seres humanos. A disponibilidade do cFMD representa um passo importante em direção a um futuro em que a sequenciação metagenómica poderá substituir a microbiologia clássica como uma ferramenta mais precisa e mais rápida de rastreio de microorganismos na cadeia alimentar”.
Investigação relacionada
Foi publicado um estudo na revista Cell. Este, foi liderado por equipas da Universidade de Trento e da Universidade de Nápoles Federico II, em Itália, da Teagasc, na Irlanda, do Conselho Nacional de Investigação espanhol e da Universidade de Leon, em Espanha, da MATIS, na Islândia, e da FFoQSI, na Áustria, com outros colaboradores.
O Professor Danilo Ercolini, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade de Nápoles Federico II, afirmou: “A disponibilidade de um conjunto de dados tão grande, incluindo metagenomas alimentares e genomas de micróbios alimentares, vai representar um recurso essencial para muitos cientistas alimentares explorarem melhor a ocorrência e o papel dos microorganismos nos alimentos e nas instalações de processamento de alimentos, com o objetivo final de melhorar a qualidade, segurança e sustentabilidade dos alimentos”.
A maioria das espécies que se sabe serem preocupantes para a transmissão alimentar foram raramente encontradas nos alimentos analisados, mas a Listeria monocytogenes foi detectada uma vez e o Clostridium perfringens três vezes. Os investigadores detectaram centenas de espécies não caracterizadas no microbioma alimentar.
“O isolamento direcionado e a caraterização funcional destes microorganismos alimentares que detetámos apenas por metagenómica devem ser o próximo passo para explorar ainda mais o seu papel no processamento, qualidade e segurança alimentar. Os nossos resultados apoiam a tipagem molecular, o que significa desenvolver certificações de autenticidade e origem dos alimentos com base na especificidade microbiana”, afirmaram.
Fonte: Food Safety News & Qualfood
A partilha de conhecimentos práticos que permitam plantar espécies preferencialmente comestíveis, regenerar solos e aumentar a biodiversidade é o objetivo do projeto ‘Biggest Mini Forest’, que já supera as 40 áreas dedicadas a esta prática, disse um cofundador.
Implantadas maioritariamente no Algarve, onde existem 37, estas áreas de dois por dois metros criam uma rede de florestas comestíveis que permitem fomentar a regeneração do solo, de ecossistemas, enquanto ao mesmo tempo se produz comida, explicou Luís Afonso, cofundador da iniciativa com Ana Laura Cruz.
Luís Afonso explicou que o ‘Biggest Mini Forest’ procura incentivar quem tenha uma pequena área de terra a desenvolver agricultura regenerativa, combinando conhecimentos provenientes de dois métodos, a agricultura sintrópica, do Brasil, que exige uma maior intervenção humana, e um modelo japonês, que é o método ‘Miyawaki’, que precisa de menos manutenção.
Com estes conhecimentos, coloca-se o foco na regeneração natural e “são criadas ilhas de biodiversidade que crescem muito rápido”, utilizando preferencialmente, mas não só, plantas comestíveis, assinalou.
“O nosso modelo, que foi criado por nós, junta esses conhecimentos, de forma a ter este quadrado [de terreno], que é algo mais prático, mais pequeno, que consegue criar e produzir comida, mas ao mesmo tempo regenerar o solo”, afirmou.
É assim possível “acelerar todo o processo de regeneração, de produção do solo”, e “direcionar o sistema para algo mais adaptado ao homem, com o intuito de satisfazer as necessidades dele, mas, ao mesmo tempo, regenerar o solo”.
O projeto promove ‘workshops’ que passam estes conhecimentos aos interessados e o objetivo é ter gradualmente mais áreas destinadas a este tipo de agricultura, indicou.
O ‘Biggest Mini Forest’ já conseguiu, desde maio de 2023, “criar a 43.ª minifloresta comestível, das quais 37 estão localizadas no Algarve”, e Luís Afonso garantiu que já recebeu manifestações de interesse em frequentar estas formações de pessoas de Espanha ou Bélgica.
“Nós podemos começar com um quadrado só de quatro metros quadrados e depois expandi-lo. Ou seja, o nosso modelo é sempre um quadrado. Temos um sistema que começa com um único quadrado”, precisou, frisando que passados três ou seis meses pode ser feito outro quadrado ao lado e o objetivo é ter cada vez mais áreas a contribuir para a agricultura regenerativa no Mundo.
A ideia é ter “o número máximo de pessoas a fazer um pequeno oásis que está a regenerar um local” e contar com cada vez mais interessados para “criar um impacto significativo” na regeneração do solo e na preservação da biodiversidade.
No sábado, está prevista a realização de um ‘workshop’, na Quinta da Fornalha, em Castro Marim, que é apresentado pelos promotores como uma introdução a “quem quer aprender a criar sua própria minifloresta comestível”, no qual são apresentados o método, as características do modelo dois por dois metros, a seleção de plantas e viveiros, a preparação do solo ou as técnicas de plantação ou irrigação.
No domingo, realiza-se o ‘Biggest Mini Forest Celebration’, que vai dedicar o dia a visitas de campo a miniflorestas em diferentes estágios de desenvolvimento, ao convívio e ainda uma conversa entre dois convidados especialistas nos métodos que inspiraram o modelo do projeto, Sónia Soares (Floresta Nativa / Método Miyawaki) e Diogo Santos (Jardim de Bolso / Agricultura Sintrópica).
Fonte: AgroPortal
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