Portuguese English French German Italian Spanish

  Acesso à base de dados   |   em@il: qualfood@idq.pt

Mais de 3600 substâncias químicas utilizadas em embalagens ou preparação de alimentos foram detetadas no corpo humano, algumas das quais perigosas para a saúde.

Cerca de 100 destes produtos químicos são considerados de elevada preocupação para a saúde humana. Alguns destes produtos já foram encontrados no corpo humano, como as substâncias perfluoroalquiladas (PFAS) e o bisfenol A, ambos alvo de proibições.

Num novo estudo, publicado esta terça-feira no Journal of Exposure Science & Environmental Epidemiology, os investigadores compararam 14.000 produtos químicos conhecidos por entrarem em contacto com os alimentos durante o processo de embalagem.

Também recorreram a bases de dados mundiais que monitorizam a exposição humana a potenciais toxinas químicas.

Segundo o ScienceAlert, entre as substâncias químicas preocupantes encontram-se os PFAS, que foram detetados em muitas partes do corpo humano nos últimos anos e estão associados a uma série de problemas de saúde.

Além disso, também foi detetado o bisfenol A, um químico desregulador de hormonas utilizado no fabrico de plásticos que já foi banido de diversos países. Outro produto químico que perturba as hormonas são os ftalatos, que têm sido associados à infertilidade.

Cerca de 79 produtos químicos utilizados na transformação de alimentos presentes no organismo causam cancro, mutações genéticas, problemas endócrinos e outros problemas de saúde.

“Estamos a medir não só os produtos químicos que se sabe serem utilizados no processo de fabrico de alimentos, mas também toda a sujidade — os subprodutos e as impurezas a que chamamos substâncias adicionadas não intencionalmente”, diz a autora principal do estudo, Jane Muncke.

No entanto, este estudo não comprova que todos estes produtos químicos foram necessariamente parar aos corpos através das embalagens de alimentos, uma vez que podem ter havido outras fontes de exposição. É necessário que as pessoas exijam melhores dados e minimizem a exposição desnecessária a produtos químicos que podem, em último caso, afetar a nossa saúde.

Fonte: ZAP

Em resultado da intensa prospeção e amostragem executada pelos serviços fitossanitários, foi laboratorialmente confirmada a presença da bactéria Xylella fastidiosa em 30 amostras, o que levou ao alargamento da Zona Demarcada.

Além das amostras colhidas em Portugal, os trabalhos de prospeção realizados pelos serviços oficiais espanhóis em território espanhol junto à fronteira com Portugal detetaram a presença da mesma bactéria. A zona demarcada em Espanha é interrompida pela fronteira com Portugal e o estabelecimento da zona tampão dessa zona demarcada coalesce com a zona tampão estabelecida no lado português, incrementando a dimensão do território nacional afetado.

Com a publicação do EDITAL 13/2024/XF/AL, procede-se à publicitação da atualização da zona demarcada para Xylella fastidiosa em Marvão, conforme última atualização do Despacho 51/G/2024, assim como a notificação da aplicação de medidas fitossanitárias para a erradicação da bactéria Xylella fastidiosa.

Para qualquer esclarecimento adicional relativo a este assunto, os interessados devem consultar a página dedicada à Xylella fastidiosa.

Fonte: DGAV

Os elementos do Comando-local da Polícia Marítima de Leixões apreenderam a 21 de setembro, 58,6kg de pescado diverso, nomeadamente 10kg de percebe e 48,6kg de polvo, no decorrer de uma ação de fiscalização na marina de Leça da Palmeira, no concelho de Matosinhos.

Durante a ação de fiscalização, foram identificados quatro pescadores com licença de pesca submarina e detetada uma embarcação de recreio, utilizada para a prática da atividade de pesca lúdica.

Os elementos da Polícia Marítima elaboraram o respetivo auto de notícia e, como medida cautelar, apreenderam os 10kg de percebe, por se encontrar no período defeso, 45kg de polvo, por exceder o limite permitido, e ainda 3,6kg de polvo subdimensionado. O total de pescado apreendido foi doado à instituição Kastelo - Unidade de Cuidados Continuados e Paliativos Pediátricos.

Nesta ação estiveram envolvidos dois elementos do Comando-local da Polícia Marítima de Leixões.

Fonte: Autoridade Marítima Nacional 

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) apreendeu 410 quilos de carne num talho em Barcelos e instaurou um processo-crime, por posse e comercialização de géneros alimentícios "bastante deteriorados e impróprios para o consumo", foi anunciado.

Em comunicado, a ASAE refere que estão em causa géneros alimentícios "anormais corruptos".

O género alimentício anormal é considerado corrupto quando entrou em decomposição ou putrefação, quando encerra substâncias, germes ou produtos nocivos ou quando se apresenta "de alguma forma repugnante".

Na operação, foram apreendidos 410 quilos de carne provenientes de bovinos e suínos, no valor de cerca de 2.500 euros.

A ação contou com a colaboração do médico veterinário da Câmara Municipal de Barcelos. Contactados pela Lusa, a ASAE e o médico veterinário escusaram-se a revelar em que freguesia se encontra o talho em questão, tendo aquele organismo adiantado apenas que é "nos arredores de Barcelos".

Fonte: Jornal de Notícias

Antes posta de lado, a prima da jaca é como uma batata que cresce das árvores. Voltou em força nas regiões tropicais e promete substituir o milho ou até o arroz. “As pessoas estão a começar a reconhecer o seu incrível potencial”.

Cresce em condições adversas, sobrevive a furacões, floresce em solos degradados e prospera perto de água salgada. É uma das plantas alimentares com maior rendimento por unidade de área e poderia facilmente sustentar uma família com um esforço mínimo.

Já foi também um mero alimento de pessoas escravizadas, mas a capacidade da árvore da fruta-pão é hoje cada vez mais popular entre os agricultores das zonas tropicais das Caraíbas e ilhas do Pacífico, de acordo com os especialistas que falaram com o Wired.

A planta perene de folhas grandes, da família das jacas, não tem um sabor especialmente atrativo ou doce, mas ganhou um novo propósito especialmente pela segurança que oferece em contextos ameaçados pelas secas e ondas de calor.

“Não existe realmente um clima demasiado quente para a fruta-pão”, acredita o geógrafo Russell Fielding: “As pessoas estão a começar a reconhecer o seu incrível potencial”.

Superalimento rico em nutrientes

A fruta tem uma presença histórica no Taiti, Havai e Jamaica, mas caiu gradualmente em desuso graças ao aumento das dietas processadas tipicamente ocidentais. O seu sabor insípido e consistência viscosa quando madura tornaram-na menos apelativa para muitos em comparação com outros alimentos.

Para além de resistente, tem um grande potencial como superalimento rico em nutrientes. É cada vez mais vista pelos seus apoiantes como mais versátil e mais nutritiva do que alimentos básicos mais comuns, como o arroz e o milho.

Além disso, o seu traço insípido permite-lhe ser usada numa variedade de pratos: sopas, guisados, saladas e até em produtos comerciais como batatas fritas (na Jamaica) e vodka (vendida nas Ilhas Virgens). A sua durabilidade também é rara no mundo da fruta: dura muito, quando seca ou transformada em farinha.

Visto que já está naturalmente adaptada a temperaturas mais quentes, e dada a sua resiliência, produtividade e valor nutricional, investigadores acreditam que a fruta-pão pode vir a estar no centro da indústria alimentar no futuro, em vez de milhões serem desperdiçados no desenvolvimento de versões de alimentos tolerantes ao clima de culturas tradicionais.

"A criar rendimentos" e a combater a fome

Na Jamaica e no Haiti, a fruta já cria oportunidades de emprego, além de aliviar a insegurança alimentar.

No Haiti, por exemplo, agrónomos locais criaram moinhos de fruta-pão, destinados a transformar o fruto em farinha para substituir as dispendiosas importações de trigo. A iniciativa tem dado mais poder aos agricultores e comerciantes locais e a farinha tem sido um poderoso aliado do combate à fome infantil, ao ser usada para alimentar crianças em idade escolar.

“Há mil milhões de pessoas com fome no planeta e oitenta por cento delas vivem nos trópicos, onde a fruta-pão prospera“, explica Diane Ragone, diretora de um instituto exclusivamente dedicado à fruta. Na sua opinião, a árvore é mesmo de aproveitar.

“Pense que, com plantações agroflorestais como estas, é possível transformar uma encosta nua num jardim que pode alimentar pessoas e durar séculos”, diz, sobre o gravemente desflorestado Haiti: uma transformação das encostas “poderia acontecer facilmente em cinco a dez anos“, acredita.

“O sucesso que estamos a ver no Haiti é espantoso. Está a criar rendimentos para pessoas que não os tinham“, diz Mary McLaughlin, presidente e fundadora da Trees That Feed Foundation, a principal fornecedora de árvores de fruta-pão para o mundo.

Para lá das Caraíbas

O potencial da fruta-pão estende-se além das Caraíbas.

Em Porto Rico, o fruto — mais conhecido pelos locais como “pana” — é há muito um alimento básico. Agora, empresas como a Amasar estão a transformá-lo em produtos de sucesso comercial, como misturas para panquecas e waffles.

“Os porto-riquenhos são os pioneiros da fruta-pão. Estávamos a comer fruta-pão antes de comermos plátanos cultivados localmente”, diz o CEO da startup Villalobos Rivera.

Depois do furacão Maria ter destruído a maior parte das culturas agrícolas em 2017, os lhéus isolados começaram a colaborar: “Estamos a ensinar à República Dominicana e a outros países como comemos fruta-pão e como a transformamos em diferentes alimentos”.

Os governos e as organizações estão atentos ao potencial da fruta-pão. A República Dominicana já está a doar centenas de milhares de árvores de fruta-pão aos agricultores, enquanto o governo da Jamaica incentiva o seu crescimento em áreas urbanas. Em África, a fruta-pão também já é plantada no Uganda.

No Havai, o cultivo da fruta-pão também aumentou. Até Gordon Ramsay ficou pasmado com a versatilidade da fruta. “Imagine isto numa tarte, com chocolate ou um bocado de mel”, disse o guardião da maior exploração do fruto ao conhecido chef. “Estiveste a fumar?”, respondeu-lhe o britânico, impressionado.

Noa Kekuewa Lincoln, da Universidade do Havai, insiste no potencial da fruta e alerta: “nos Estados Unidos, estamos a gastar centenas de milhões de dólares por ano na investigação do milho para o tornar mais tolerante a temperaturas mais altas, mas a fruta-pão já está adaptada a temperaturas mais altas e muitos dos mesmos produtos poderiam ser feitos a partir dela”.

“O cultivo da fruta-pão pode ajudar a mudar o nosso sistema alimentar de uma monocultura em grande escala para uma produção diversificada e uma produção alimentar mais caseira e comunitária. Embora a maioria das pessoas não tenha tempo para cultivar nos seus quintais, toda a gente pode tirar uma hora e plantar uma árvore de fruta-pão”, incentiva o professor.

 

Fonte: ZAP

Emily Nkhana, uma pequena agricultora no norte do Malawi, deitava fora as bananas que estavam maduras demais, ou deixava-as simplesmente apodrecer — até ter encontrado um uso lucrativo para elas: o vinho de banana.

O calor extremo estava a fazer as bananas amadurecerem rápido demais, resultando em grandes perdas para Emily Nkhana e diversos outros agricultores que vivem no distrito de Karonga, no Malawi.

“Então descobrimos como fazer vinho de banana“, conta Emily à BBC, enquanto descasca os limões usados ​​para preservar o sabor das bananas na fábrica de processamento da Cooperativa Twitule.

Para os agricultores, não se trata apenas de fazer vinho, mas também de sobrevivência, resiliência e de abraçar as novas possibilidades trazidas pelas alterações climáticas.

O cultivo era feito perto das margens do Lago Malawi. Mas, com aumento do nível das águas causado pelo aumento das chuvas, as plantações de banana passaram a ser inundadas, forçando os produtores a migrar para terras mais altas, mas mais quentes, onde as temperaturas chegam aos 42°C.

“Na antiga quinta, o nosso desafio era a grande quantidade de água do lago. Algumas das bananas afogavam-se na água, ou nem conseguíamos ver onde as tínhamos plantado. Aqui em cima, temos demasiado calor. Isto faz com que as nossas bananas amadureçam muito depressa e sejam desperdiçadas”, diz Emily.

Emily faz parte de um grupo de mulheres unidas pela cooperativa para melhorar as suas condições económicas através da agricultura.

A produção de vinho é um empreendimento de pequena escala nos quintais destas mulheres, onde plantam bananas.

O processo de vinificação acontece num pequeno complexo com uma casa de quatro quartos na vila de Mchenjere.

E o processo é bastante simples: as bananas maduras são descascadas, cortadas em pedaços pequenos, pesadas e misturadas com açúcar, fermento, passas, água, e cobertas com limões.

A mistura é então deixada a fermentar durante várias semanas, transformando a polpa da banana num vinho potente e aromático, contendo 13% de álcool – semelhante ao vinho feito de uvas.

“É um vinho de ótima qualidade. Temos que o beber sentados, para poder aproveitar o sabor doce”, diz Emily.

Vinho de banana pode soar como algo incomum para quem está acostumado aos sabores do vinho tradicional. Para quem experimenta, no entanto, é tudo menos dececionante.

Com uma coloração que pode variar de amarelo claro a âmbar, o vinho tem um sabor levemente doce e frutado, geralmente com um aroma subtil e um leve sabor a limão e banana.

“É suave e leve, quase como um vinho de sobremesa“, diz Paul Kamwendo, um entusiasta de vinhos local que se tornou num dos maiores fãs de vinho de banana em Karonga. “Não fazia ideia de que era possível fazer vinho com bananas.”

Para Emily e os seus colegas, a chave para um bom vinho de banana está no equilíbrio entre doçura e acidez.

“O momento certo é tudo”, diz. “Temos que saber quando as bananas estão no melhor ponto. Se estão muito maduras, o vinho torna-se muito doce. Se estão muito verdes, fica muito azedo.”

A ascensão do vinho de banana no Malawi foi recebida com entusiasmo por produtores e consumidores.

Nos mercados locais, garrafas de vinho de banana, vendidas a 3 dólares, tornaram-se comuns, com vendedores ansiosos para mostrar as últimas criações.

“Vendemos para mercados por todo o Malawi, na capital Lilongwe e na maior cidade, Blantyre, e está sempre esgotado“, diz Tennyson Gondwe, CEO da Community Savings and Investment Promotion (Comsip), uma cooperativa que treinou as mulheres na produção de vinho com qualidade e sabor.

Emily diz que fazer vinho, em vez de apenas vender bananas – que muitas vezes acabam desperdiçadas -, transformou a sua vida e a de outras mulheres.

“Algumas de nós construímos casas, algumas têm gado, outras têm galinhas. Podemos dar-nos ao luxo de comer refeições decentes.”

A cooperativa Twitule produz entre 20 e 50 litros de vinho por mês — e espera agora poder comprar máquinas para ajudar os produtores a expandir.

“Queremos produzir mais vinho. Queremos mudar-nos desta pequena casa para uma fábrica”, diz Emily.

E o grupo tem planos ainda maiores: a cooperativa pediu às autoridades competentes do Malawi aprovação para exportar o produto.

“As pessoas estão curiosas”, diz Emily, sorrindo enquanto mexe a mistura de vinho, preparando-a para a fermentação. “Querem saber qual é o gosto. E, quando experimentam, ficam surpreendidos com quão bom é.”

 

Fonte: ZAP

Novas regras impedem a entrada no mercado europeu de produtos provenientes de terras alvo de desflorestação ou degradadas. Brasil é país de alto risco e pode ver as suas exportações cair já no próximo ano.

A entrada em vigor, no final do ano, da chamada lei antidesflorestação pode causar a escassez de produtos como cacau e madeira ou aumentar os preços na UE, disseram especialistas à Lusa em Macau.

O Regulamento Europeu para Produtos Livres de Desflorestação (EUDR, na sigla em inglês) foi aprovado em 2023 e vai entrar em vigor, para a maioria das empresas, a 30 de dezembro, com regras mais apertadas para tentar criar cadeias de abastecimento mais transparentes.

Mas o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente, Ivan Tomaselli, avisou que “existe um risco, especialmente a curto prazo, de escassez de certas mercadorias e produtos na Europa”.

As novas regras impedem a entrada no mercado europeu de produtos provenientes de terras alvo de desflorestação ou degradadas. Os principais produtos afetados serão óleo de palma, gado, soja, café, cacau, madeira, borracha e derivados.

Rupert Oliver, especialista da Organização Internacional da Madeira Tropical, apontou o cacau como um dos produtos mais vulneráveis e lembrou que, devido a fatores como a guerra na Ucrânia e a subida do preço do petróleo, o chocolate já se tornou “60% a 70% mais caro” na UE.

Madeira pode ser a mais afetada

Ivan Tomaselli disse acreditar que a madeira poderá ser a mais afetada, uma vez que, ao contrário de produtos como a soja ou a carne, produzidos sazonalmente nos mesmos terrenos, a gestão florestal implica uma rotação constante de terras.

Ou seja, todos os anos os produtores terão de repetir os mesmos procedimentos para comprovar que a madeira não veio de terras alvo de desflorestação, que em alguns casos podem significar “documentos com mais de 300 páginas”, sublinhou o brasileiro.

O EUDR inclui um sistema de três níveis para classificar os países no que toca ao risco de importação de produtos vindos de terras alvo de desflorestação ou degradadas.

Impacto “bastante significativo” nas exportações brasileiras

Tomaselli previu que a UE classifique o Brasil como um país de “alto risco”, devido ao “reconhecimento internacional de uma alta taxa de desflorestação”, à expansão “muito rápida” das áreas de agricultura e pecuária e ao papel fulcral do Brasil no comércio mundial de matérias-primas.

 O presidente da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará disse que as empresas “não têm receio nenhum quanto à prestação de informações sobre o que é produzido”.

“O que para nós ainda não está claro é como serão essas regras”, lamentou Deryck Martins. O dirigente acusou ainda a UE, composta de “países que já utilizaram grande parte dos recursos naturais”, de tentar impor normas a Estados ainda em desenvolvimento.

Ivan Tomaselli disse temer que o impacto para o Brasil seja “bastante significativo, com uma redução de exportações a começar já em 2025”.

O empresário sublinhou que quase 100% das exportações de ‘pellets’ de madeira do Brasil têm como destino a UE, assim como perto de 60% dos troncos. Portugal é mesmo o maior comprador de troncos brasileiros, acrescentou.

 

Fonte: ZAP - Lusa

A Comissão Europeia publicou o seu relatório de 2023 sobre a Rede de Alerta e Cooperação, que facilita a cooperação e o intercâmbio de informações entre os Estados-Membros sobre os controlos oficiais na cadeia agroalimentar.

O relatório revela um aumento significativo das notificações em comparação com 2022 - um sinal do crescimento da cooperação entre os Estados-Membros neste domínio.

A Rede de Alerta e Cooperação é composta por quatro sub-redes, cada uma com um foco individual.

Sistema de Alerta Rápido para Alimentos para Consumo Humano e Animal (RASFF) facilita o intercâmbio rápido de informações entre as autoridades de segurança alimentar sobre riscos para a saúde relacionados com alimentos para consumo humano, alimentos para animais ou materiais em contacto com alimentos.

Em 2023, registou-se um aumento de 8 % nas notificações RASFF, com um total de 4695 notificações. Tal como nos anos anteriores, o problema mais notificado no RASFF dizia respeito a resíduos de pesticidas, seguido de perto pelos microrganismos patogénicos. Os países que mais notificaram continuaram a ser a Alemanha, os Países Baixos e a Bélgica.

A componente de Assistência e Cooperação Administrativa (AAC) permite aos Estados-Membros notificar violações da legislação da UE em matéria de segurança dos alimentos que não constituam um risco para a saúde. Em 2023, registou-se um aumento de 24% nas notificações de AAC, com 3166 notificações.

A maioria das notificações de AAC em 2023 estava relacionada com frutas e produtos hortícolas não conformes, mais uma vez principalmente devido a resíduos de pesticidas, seguidos de casos de rotulagem incorreta, como alegações de saúde não autorizadas para suplementos alimentares.

Rede de Fraude Agro-Alimentar (FFN) registou um aumento de 26 % nas notificações, com 758 suspeitas de fraude. O comércio ilegal de cães e gatos continuou a ser um problema importante, com 414 notificações. Outras suspeitas relacionavam-se com a substituição de carne, a adulteração de mel e a rotulagem incorrecta de azeite. Além disso, 1075 notificações AAC e 1625 notificações RASFF foram assinaladas como potenciais fraudes, o que levou os Estados-Membros a aprofundar as inspecções ou investigações.

No seu primeiro ano de funcionamento, a Rede Fitossanitária (PHN) gerou 128 notificações, uma vez que os Estados-Membros partilharam informações pormenorizadas sobre remessas não conformes de plantas, produtos vegetais e outros artigos (como sementes, frutos, produtos hortícolas, madeira e flores) e outros problemas fitossanitários.

 Fonte: European Comission & Qualfood

Um novo relatório dos parceiros da EFSA no projeto NAMs4NANO propõe um sistema de promoção de Novas Metodologias de Abordagem (New Approach Methodologies - NAMs) para avaliar os potenciais riscos das nanopartículas para a segurança alimentar.

As NAMs referem-se a uma grande variedade de métodos de ensaio e avaliação de produtos químicos que não recorrem a experiências em animais ou seres humanos. Para além de substituírem gradualmente os ensaios em animais, estes métodos podem contribuir para melhorar as avaliações de segurança, utilizando modelos que simulam melhor as condições nos seres humanos.

Estes métodos podem ser testados em tubos de ensaio, placas de cultura ou com recurso à utilização de software. As abordagens baseadas em NAM oferecem um grande potencial para a avaliação da segurança das nanotecnologias, uma vez que, em muitos casos, os métodos tradicionais não podem ser facilmente adaptados para lidar com os perigos à escala nanométrica. Em particular, a sua utilização nas primeiras etapas de uma avaliação de riscos pode minimizar a necessidade de estudos adicionais em animais.

Os avanços na ciência e na tecnologia estão a estimular uma inundação destas abordagens, mas poucas delas foram validadas de acordo com normas internacionais para utilização em avaliações de riscos regulamentares.

Proposta NAMs4NANO

A proposta descreve um quadro genérico para um sistema de qualificação. Este inclui o processo global, os critérios de avaliação, a descrição do método de ensaio e os procedimentos para descrever a criação do NAM, a sua aplicação e a fase de avaliação. Aborda também a validade científica: como demonstrar a sua fiabilidade e relevância para um contexto de utilização específico.

O presente relatório foi desenvolvido por cientistas de 10 institutos de investigação em colaboração e sob a coordenação do Instituto Federal Alemão de Avaliação de Riscos (BfR), destinando-se a estimular um debate mais alargado entre peritos e partes interessadas envolvidas na nanotecnologia, na segurança alimentar e na saúde pública.

 

Fonte: EFSA news & Qualfood

O poder dos micróbios no nosso dia-a-dia em cartoons. Este é o desafio lançado pela Sociedade Portuguesa de Microbiologia. As candidaturas podem ser apresentadas a partir desta terça-feira, 17 de setembro (neste link). Procuram-se imagens que informam, divertem, intrigam e impressionam quem as observa, foi divulgado em comunicado.

Segundo a mesma fonte, já na sua sexta edição, os premiados pelo concurso de Comunicação de Ciência em Microbiologia têm apresentado trabalhos que dão a conhecer as múltiplas facetas dos microrganismos, desde as suas aplicações práticas aos cuidados que devemos ter para prevenir doenças, passando pelo seu papel na natureza.

Entre os mais de 150 temas já abordados estão perguntas como: estará a saúde oral associada à obesidade infantil? Porque é importante lavar as nossas mãos? O contacto com animais pode potenciar a transmissão de doenças? Entre outros temas, como infeções sexualmente transmissíveis, o poder das bactérias do mar ou as capacidades dos probióticos.

Inserido nas comemorações do Dia do Microrganismo, que se assinala a 17 de setembro, este desafio, lançado anualmente pela Sociedade Portuguesa de Microbiologia , convida os concorrentes a dirigirem-se tanto a públicos adultos como, numa categoria que lhes é dedicada, às crianças, usando imagens e narrativas mais adequadas aos mais jovens. Cada imagem é apoiada por um texto, que de forma breve e simples, explica a base científica e conceitos inerentes ao que se pretende comunicar.

Além da avaliação com vista a atribuição dos 1.º prémio e menções honrosas, que fica a cargo de um júri multidisciplinar composto por cientistas, jornalistas e especialistas em comunicação e também por algumas crianças, a disponibilização ao público só é realizada após uma etapa de revisão por pares, prática instituída na produção de trabalhos científicos.

Em 2021, foi lançado um e-livro que compilava as três primeiras edições do concurso, havendo hoje um espaço online dedicado para a divulgação destas peças (Cartoons de Microbiologia – Um site da Sociedade Portuguesa de Microbiologia).

Para a Sociedade Portuguesa de Microbiologia, esta é mais uma das múltiplas formas de levar a Microbiologia e o poder dos microrganismos a todos. Se, por um lado, contribui para a literacia em Microbiologia, por outro estimula os especialistas no tema a explorar as suas capacidades de comunicar com audiências diversas. Além disso, é também uma forma de dar a conhecer o que fazem os microbiólogos.

Fonte: Green Savers