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Os investigadores revelaram que quase 100 pessoas ficaram doentes num surto de Salmonella associado à meloa cantaloupe no final de 2023.

Em setembro de 2023, a Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA) identificou casos de Salmonella Saintpaul em Inglaterra, Escócia e País de Gales. Foram registadas outras pessoas doentes em Portugal na sequência de um alerta do Reino Unido.

No total, foram identificados 98 casos, 93 no Reino Unido e cinco em Portugal, e quase metade tinha menos de 10 anos, de acordo com o estudo da revista Epidemiology and Infection.

As informações sobre o incidente no Reino Unido foram partilhadas através do sistema EpiPulse do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) no final de outubro de 2023. Este sistema revelou casos noutros países.

O ECDC confirmou à Food Safety News que dois casos tinham sido registados na Dinamarca.

Embora noutros países se tenham registado infeções por Salmonella Saintpaul, não foi possível estabelecer uma ligação microbiológica ou epidemiológica com o surto.

Os jovens foram os principais afetados

A maioria dos doentes vivia em Inglaterra, mas a Escócia tinha dez e o País de Gales cinco, com datas de receção da amostra de 28 de setembro a 30 de novembro de 2023.

Os casos tinham uma idade média de 20 anos, variando de 10 meses a 89 anos; 28% tinham menos de 5 anos e 43% tinham menos de 10 anos. Quase dois terços eram do sexo feminino.

Cinco pessoas doentes foram identificadas em Portugal, com datas de amostragem de 4 a 24 de outubro de 2023. A idade dos doentes variava entre os 2 e os 8 anos e 80 por cento eram do sexo feminino.

A investigação do surto incluiu um estudo de caso controlo. Entre os 25 casos do Reino Unido incluídos no estudo, 13 relataram sangue nas fezes e cinco foram hospitalizados.

Cem controlos foram recrutados através de um painel de pesquisa de mercado. A análise da exposição alimentar nos casos e controlos identificou uma forte associação com o consumo de meloa.

O consumo de meloa foi relatado por 13, ou seja, 52% dos casos, em comparação com 24, ou seja, 24% dos controlos.

Não foi possível obter amostras de meloa para testes microbiológicos. Devido a factores como o rápido fim do surto e o curto prazo de validade das meloas, não foram tomadas medidas de controlo da saúde pública, como a recolha de produtos. Estão em curso investigações de rastreio alimentar sobre a origem dos produtos.

No Reino Unido, as cadeias de abastecimento de fruta fresca registam variações sazonais, o que pode explicar a subida e descida acentuadas do surto, afirmaram os cientistas.

Pistas apontam para a meloa como fonte

Investigações epidemiológicas mais alargadas forneceram provas adicionais de uma ligação à meloa. Todos os cinco casos confirmaram o consumo de melão nas entrevistas iniciais de formulação de hipóteses, e três referiram ter comido meloa.

Dos três estabelecimentos de ensino frequentados por algumas pessoas doentes, todos eles serviram melão na semana anterior ao início dos sintomas. Dois confirmaram que tinham servido meloa.

Dez casos forneceram também dados do cartão de fidelidade de um supermercado do mesmo retalhista. Três comunicaram o consumo de meloa em questionários específicos. A informação sobre a compra de sete dos casos revelou que tinham comprado meloa antes do início dos sintomas.

“A análise epidemiológica fornece provas de uma ligação com a meloa. À luz deste e de outros grandes surtos recentes de Salmonella ligados ao consumo de melão, a meloa e outras variedades de melão devem ser consideradas como potenciais fontes de infeção durante futuros surtos de Salmonella", disseram os investigadores.

Fonte: Food Safety News e Qualfood

A União Europeia emitiu um alerta sanitário através do Sistema de Alerta Rápido para Alimentos e Rações da União Europeia (Rasff), após a deteção de ovas de pescada contaminadas com anisakis, um parasita potencialmente perigoso, numa ação de controlo fronteiriço em Espanha.

Embora o produto tenha sido imediatamente retirado do mercado, a agência não descarta a possibilidade de outros lotes terem escapado aos controlos e chegado aos mercados europeus.

O Rasff classificou o alerta como “grave”, mas não forneceu detalhes adicionais sobre a origem exata das ovas de pescada infetadas, apenas que provêm de Marrocos. A agência também não revelou o destino do produto ou a passagem de fronteira onde o parasita foi detetado, mantendo a confidencialidade habitual nestes casos.

O Anisakis é um parasita que pode ser encontrado em peixes e cefalópodes (lulas, polvos, chocos), causando distúrbios digestivos e reações alérgicas que podem ser graves. A informação foi confirmada pela Agência Espanhola de Consumo, Segurança Alimentar e Nutrição (Aecosan), dependente do Ministério da Saúde.

A infeção ocorre quando alimentos contaminados são ingeridos crus ou em preparações que não eliminam o parasita. Para evitar a ingestão de parasitas, é essencial tomar precauções ao comprar e preparar peixe.

Recomendações para Evitar a Contaminação

Compra e Preparação: Adquirir peixe que já tenha sido limpo e sem vísceras. Caso contenha vísceras, estas devem ser removidas o mais rápido possível.

Métodos de Cozedura: Utilizar métodos de cozedura que garantam a eliminação do parasita, como cozinhar, fritar, assar ou grelhar, assegurando que o peixe atinge uma temperatura mínima de 60ºC durante pelo menos um minuto.

Preparação de Crustáceos: Preparar crustáceos (lagosta, camarão, caranguejo) bem cozidos ou grelhados.

Consumo de Peixe Cru: Se optar por consumir peixe cru ou em preparações que não eliminam o parasita, é recomendado congelar o peixe previamente a uma temperatura adequada para matar o anisakis.

A União Europeia continua a monitorizar a situação e a colaborar com as autoridades nacionais para garantir que produtos contaminados sejam identificados e retirados do mercado.

Os consumidores são aconselhados a seguir as recomendações de segurança alimentar e a estar atentos a possíveis avisos adicionais emitidos pelas autoridades de saúde.

“As manifestações clínicas mais frequentes são distúrbios gástricos (infeção com a larva) ou reações alérgicas (químicos libertados pelo parasita no peixe)”, descreve a ASAE.

Os sintomas da infeção com a larva surgem normalmente uma a duas horas após o consumo do peixe contaminado e incluem cólicas abdominais e vómitos. “No estômago a larva em movimento provoca ulcerações com náuseas, vómitos e dor epigástrica, algumas vezes com hematémese (vómito com sangue). As larvas podem migrar para a parte superior atacando a orofaringe e causando sensação de formigueiro ou prurido e tosse podendo mesmo ocorrer a excreção de nemátodos. No intestino delgado, causam granulocitose eosinófila (aumento anormal do número de eosinófilos no sangue) e os sintomas podem ser semelhantes aos de uma apendicite. Os casos severos implicam a remoção física do nemátodo por intervenção cirúrgica”, clarificam as autoridades portuguesas sobre este parasita.

Mas, para quem é alérgico, as boas práticas de confeção podem não ser suficientes.

“No caso das reações alérgicas, mesmo depois de bem cozinhado um peixe contaminado pode colocar em risco a saúde humana uma vez que, durante a infeção do peixe, os parasitas produzem compostos aos quais alguns indivíduos são alérgicos. Estes indivíduos podem apresentar reações anafiláticas severas após consumo de peixe que foi infetado por estes parasitas. Estas reações são difíceis de identificar, confundindo-se, por exemplo, com as reações alérgicas ao peixe ou ao marisco”, acrescenta a ASAE.

Fonte: Executive Digest

Entre 2017 e 2023 verificou-se uma diminuição de 36% da proporção de bebidas que se enquadram no escalão mais elevado do imposto (teor de açúcar igual ou superior a 8 g/100 mL). Os dados são revelados no Relatório Anual do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Mais recentemente, entre 2019 e 2023, verificou-se um aumento de 54% nas bebidas que se enquadram no escalão mais reduzido (teor de açúcar inferior a 2,5 g/100 mL), sugerindo assim que as bebidas refrigerantes atualmente mais consumidas pelos portugueses apresentam um teor de açúcar significativamente menor. 

Os dados da monitorização do cumprimento das restrições à publicidade alimentar dirigida a menores de 16 anos, impostas pela Lei n.º 30/2019 de 23 de abril, sugerem, também, que esta medida está a ter a capacidade de restringir a exposição das crianças à publicidade alimentar. 

A publicidade alimentar nas proximidades das escolas mostra a inexistência de anúncios a produtos alimentares não saudáveis no raio circundante de 100 metros dos recintos escolares, tal como a Lei determina. No entanto, quando se avaliaram os anúncios a alimentos num perímetro mais alargado (500 metros dos recintos escolares) foi possível identificar um conjunto relevante de publicidade a alimentos não saudáveis.

Quanto aos sistemas de rotulagem nutricional simplificados nas embalagens dos produtos alimentares, foram analisados 2743 produtos disponíveis no mercado português (cereais de pequeno-almoço, produtos de charcutaria e similares, produtos de padaria e de pastelaria embalados, produtos lácteos e sobremesas e bebidas). 

A análise dos resultados demonstra que 25% dos produtos analisados já apresentam um sistema de rotulagem nutricional simplificada. Dos produtos que possuem esta informação, a maioria utiliza o Nutri-Score (40%), seguido do Rótulo de Doses de Referência (31%) e do Semáforo Nutricional (28%).

Desde 2020 que se assiste a uma evolução positiva do desempenho das unidades de saúde para a identificação sistemática do risco nutricional em todos os doentes hospitalizados nas instituições do SNS. Porém é ainda necessário melhorar a capacidade de resposta das unidades hospitalares do SNS para esta área.

Consulte o Relatório Anual do PNPAS aqui: Abrir documento

Fonte: DGS - Direção-Geral da Saúde

Uma equipa de especialistas da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com o Instituto Pedro Nunes (IPN), desenvolveu uma tinta inovadora por adição de resíduos de cascas de ovos com capacidade de impermeabilização à passagem do gás radão.

«O projeto ShellutionPlus procurou desenvolver cargas minerais biogénicas de forma inovadora e sustentável para a formulação de tintas e de papel, conciliando os desafios associados à gestão e processamento de um resíduo alimentar com o desempenho técnico dos novos produtos desenvolvidos», começa por explicar Teresa Vieira, professora no Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da FCTUC.

O que diferencia o carbonato de cálcio existente no ovo da galinha do que ocorre na natureza e do sintético «é a nano porosidade que está presente na casca do ovo, e que se mantém durante o processamento da tinta, contribuindo para melhorar certas propriedades óticas e potenciar o efeito de barreira à passagem do gás radão», complementa João Duarte, investigador do IPN, avançando que esta nova composição de tintas está patenteada.

«No caso da indústria papeleira demonstrou-se o potencial das cargas minerais biogénicas para a melhoria das propriedades de resistência mecânica», afirmou Paulo Ferreira, professor no Departamento de Engenharia Química (DEQ), que coordenou o projeto na FCTUC, na vertente da aplicação em papel.

Todavia, revelam os coordenadores do projeto, «não se avançou com a utilização deste carbonato de cálcio à escala industrial porque a capacidade de produção de casca de ovo em Portugal não é suficiente para satisfazer as necessidades das empresas produtoras de papel».

Apesar dos resultados promissores, esta inovação enfrenta ainda alguns desafios e necessita de otimização. A quantidade insuficiente de produção da casca de ovo é um problema, mas a questão da separação da parte orgânica e inorgânica está também a tornar difícil a sua comercialização.

«Ainda assim, no futuro o impacto deverá ser positivo, tanto para quem produz o resíduo, que o consegue encaminhar e evitar a ida para o aterro, como também para quem o recebe, uma vez que têm um produto melhorado em algumas características e que advém de um resíduo, posicionando, desta forma, a indústria na vanguarda da sustentabilidade», concluem.

O “SHELLUTIONPLUS – Utilização de casca de ovo nanoporosa em cargas de tintas e papel” foi coordenado pelo investigador João Duarte e pelos docentes da FCTUC Paulo Ferreira e Teresa Vieira.

Fonte: FCTUC e Agroportal

Uma revisão sobre novas fontes alimentares e sistemas de produção, efectuada por cientistas da Agência Alimentar de Singapura e da FAO, foi publicada na revista Comprehensive Reviews in Food Science and Food Safety.

As novas fontes alimentares e os novos sistemas de produção (NFPS) podem desempenhar um papel crítico na transformação dos nossos sistemas agro-alimentares, encorajando mudanças na dieta e diversificando as nossas actuais formas de produzir alimentos. Os NFPS estão a atrair um interesse significativo, impulsionado pelo comércio internacional, pela mudança das preferências dos consumidores, pelos potenciais benefícios de sustentabilidade e pelas inovações nos sistemas de produção alimentar resistentes ao clima. No entanto, com a crescente atenção dada a estes novos alimentos, estão a surgir questões relacionadas com a sua segurança e supervisão regulamentar.

A recente revisão descreve os riscos de segurança alimentar conhecidos associados aos produtos NFPS, em particular, proteínas derivadas de plantas, algas marinhas, medusas, insectos e proteínas microbianas, bem como alimentos derivados da produção de alimentos baseados em células, fermentação de precisão, agricultura vertical e impressão 3D de alimentos. O estudo concluiu que, embora a maioria dos riscos de segurança alimentar ligados a novos alimentos também tenham sido identificados em alimentos tradicionais, alguns podem ser únicos, decorrentes de novos ingredientes, insumos e processos alimentares. “Isto implica que a avaliação do risco de segurança alimentar precisa de acompanhar esses desenvolvimentos”, disse o coautor Vittorio Fattori, Oficial de Segurança Alimentar da Divisão de Sistemas Agroalimentares e Segurança Alimentar da FAO.

Embora estejam a surgir regulamentos para os NFPS, muitos países e regiões ainda não dispõem de quadros jurídicos para regulamentar os NFPS. Além disso, as ambiguidades em torno das terminologias utilizadas para os produtos NFPS representam um desafio para a harmonização regulamentar internacional e a comercialização desses produtos.

Os autores destacam a necessidade de as partes interessadas dos governos, da indústria alimentar e da comunidade de investigação trabalharem em conjunto para abordar e comunicar a segurança dos produtos NFPS. Através de colaborações entre as várias partes interessadas, a comunidade internacional pode aproveitar o potencial dos NFPS para contribuir para uma produção alimentar sustentável e resistente ao clima.

“Os NFPS são um sector em rápida evolução, com a FAO a monitorizar ativamente este espaço para ajudar a preparar os países membros para a chegada de tais produtos ao mercado”, disse o coautor Keya Mukherjee, Consultor de Segurança Alimentar na Divisão de Sistemas Agroalimentares e Segurança Alimentar da FAO. Esta revisão faz parte do trabalho de prospetiva em curso da FAO que examina o futuro da segurança alimentar. Em novembro de 2023, a FAO reuniu especialistas na Reunião Técnica de Previsão da Segurança Alimentar sobre Novas Fontes de Alimentos e Sistemas de Produção para discutir os riscos de segurança alimentar e as tendências futuras de três novos alimentos - produtos alimentares à base de plantas (que imitam alimentos derivados de animais) e produtos de fermentação de precisão e impressão 3D de alimentos. O relatório da reunião será publicado este ano.

Fonte: FAO

 

Um estudo inovador da Direção-Geral da Saúde (DGS), através do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), revela que 58% das grávidas e mães de crianças pequenas portuguesas estiveram expostas a anúncios publicitários relacionados com a promoção de substitutos do leite materno e de alimentos para bebés.

O relatório, que avaliou a exposição das grávidas e mães de crianças pequenas ao marketing digital de substitutos do leite materno e de alimentos para bebés, foi promovido com o apoio da Região Europeia da Organização Mundial da Saúde (OMS), e é divulgado no Dia Nacional de Luta Contra a Obesidade (18 de maio de 2024).

A publicidade mais frequente surge associada a alimentos para bebés. Relativamente aos substitutos do leite materno, foram as fórmulas de crescimento (54%) e de transição (31%) as mais publicitadas.

Este estudo revela que são os snacks que ocupam o topo das categorias mais frequentemente promovidas para grávidas e mães (31%), seguidas dos cereais de pequeno-almoço e papas (23%), dos purés de frutas e similares (23%) e das refeições pré-preparadas ou prontas a consumir (21%). Destaca-se, também, que 74% dos produtos alimentares publicitados não cumprem os critérios de perfil nutricional da OMS. 

Para o estudo foi igualmente analisado o conteúdo publicado por 12 criadoras de conteúdo digitais (“influencers”), grávidas ou mães de crianças pequenas, que revelam dados semelhantes. As criadoras de conteúdos digitais analisadas apresentam, com frequência, conteúdo que promove substitutos do leite materno e alimentos para bebés. Nestas publicações é também mais frequente a publicidade a alimentos para bebés (dos anúncios identificados relacionados com a alimentação infantil, 19% eram relativos a substitutos do leite materno e 81% a alimentos para bebés).

Da análise efetuada destaca-se a presença, em quase todos os produtos, de alegações nutricionais e de saúde ou de outras menções nos rótulos destes produtos, que podem contribuir para a sobrevalorização dos mesmos face ao leite materno e face aos produtos menos processados destinados à alimentação infantil.

No que diz respeito ao tipo de plataforma, a rede social Instagram ocupa uma posição de destaque como canal da publicidade, representando mais de metade dos anúncios (64%), seguindo-se o Facebook, com 34%. Estes resultados poderão refletir as redes e plataformas sociais que são mais frequentemente utilizadas pelas participantes no estudo.

Portugal foi o primeiro país da região europeia da OMS a recolher estes dados relativos à monitorização direta do conteúdo publicitado diretamente para grávidas e mães de crianças pequenas, através dos seus dispositivos móveis.

Conheça em pormenor o Relatório "Exposição de mulheres grávidas e mães portuguesas ao marketing digital de substitutos de leite materno e produtos para alimentação complementar: estudo piloto da ferramenta CLICK da OMS Europa", aqui:
 
Fonte: DGS - Direção-Geral da Saúde

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou, através da Brigada Especializada das Indústrias de Produtos de Origem Animal, da Unidade Regional do Centro, uma operação de fiscalização e controlo, na sequência de denúncias e respetivas investigações, a um entreposto frigorífico no concelho de Ílhavo.

Durante a operação, foi possível verificar que o entreposto armazenava os produtos de origem animal sem qualquer marca de identificação, para posteriormente serem colocados no mercado.

Da ação resultou a instauração de um processo contraordenacional por falta de rastreabilidade de géneros alimentícios e a apreensão de 5.140 kg de produtos da pesca congelados.

O valor total da apreensão ascende a 33.150,00 Euros.

Fonte: ASAE

Parlamento britânico anunciou que aprovou, na terça-feira passada, dia 14 de maio, a proibição da exportação de animais de produção vivos.

A Lei do Bem-Estar dos Animais de Produção pretende acabar com a exportação de milhares de bovinos, suínos, caprinos, ovinos, javalis e cavalos para abate ou engorda de, ou através da Inglaterra, País de Gales e Escócia.

O seu objetivo passa por melhorar o bem-estar destes animais, pondo fim às viagens longas e árduas para outros países, durante as quais sofrem de sobrelotação, exaustão, desidratação e stress.

A legislação, pioneira no Reino Unido, foi aprovada pelos representantes eleitos da Câmara dos Comuns, tendo sido agora aprovada pela Câmara dos Lordes. A Lei terá ainda de receber o Consentimento Real.

De fora, fica a Irlanda do Norte devido a regras comerciais da União Europeia (UE) que ainda vigoram neste território no pós-Brexit.

Esta proibição, que ainda vigora no espaço europeu, foi proposta, pela primeira vez, em 2017 pelos conservadores como benefício do Brexit, estando os ativistas a pedirem esta medida há décadas.

Em declarações recentes à VIDA RURAL, no âmbito da proposta para as novas regras de bem-estar animal da Comissão Europeia, Inês Grenho Ajuda, Programme Leader for Farm Animal Welfare no Eurogroup for Animals – grupo que procura melhorar os padrões de bem-estar animal na União Europeia – pronunciou-se sobre o tema, afirmando ter vindo já a defender esta proibição e explica que o grupo utiliza “as oportunidades legislativas para tentar influenciar os decisores, como é o caso da lei de bem-estar animal que está agora a ser revista”, acrescentando que “somos a voz pelos animais na Europa”.

No que toca à exportação de animais de produção vivos, Inês Grenho Ajuda salienta que “na legislação do transporte, por exemplo, está explanada a questão de que a importação e exportação deverá ser feita apenas com carcaças e não com animais vivos e o Eurgroup for Animals teve um grande impacto nessa decisão”.

A Programme Leader for Farm Animal Welfare no Eurogroup for Animals, reforça a mensagem de que o grupo é “contra a exportação de animais vivos” e considera que, “mesmo com uma legislação mais apertada, os problemas vão continuar a existir”.

“Recentemente foi feito um relatório sobre a exportação de ovelhas de Portugal para Israel. Para o efeito, estudámos esse caminho e questionámos o que aconteceria se trocássemos exportação de animais vivos pelas carcaças dos animais mortos e concluímos que existem bastantes benefícios económicos e ambientais para o país, inclusivamente ao nível da criação de empregos”, explica a responsável.

Fonte: Vida Rural

Combinação de poliuretano termoplástico e bactérias Bacillus subtilis geneticamente modificadas resulta na decomposição de 90% do plástico em cinco meses. Os esporos bacterianos aumentam a resistência e durabilidade. 

Graças a esporos bacterianos nele incorporados, um inovador plástico desenvolvido por investigadores da Universidade de San Diego tem a capacidade de se biodegradar por si próprio.

O material integra poliuretano termoplástico (TPU) e bactérias Bacillus subtilis geneticamente modificadas que suportam temperaturas elevadas até 135 graus Celsius, necessárias durante o processo de produção do plástico.

O estudo, publicado na revista Nature Communications, foi feito em resposta aos métodos tradicionais de decomposição dos plásticos, que dependem de ambientes microbianos, nem sempre presentes nas áreas onde os plásticos se acumulam.

“O que é notável é que o nosso material se decompõe mesmo sem a presença de micróbios adicionais”, diz Jon Pokorski, cientista de polímeros e líder da equipa responsável pela inovação.

Ao contrário de outros plásticos compostáveis que muitas vezes não se degradam como esperado, este novo material mostra uma decomposição significativa: 90%  decompõe-se em condições ideais no prazo de cinco meses, e apresenta resultados promissores mesmo em ambientes menos favoráveis.

Para além da sua biodegradabilidade, a adição de esporos bacterianos aumenta a resistência e a elasticidade do plástico em 30%, ultrapassando os limites das suas propriedades mecânicas sem comprometer a sua integridade, de acordo com o Science Alert.

Isto torna o material particularmente valioso para utilização em produtoscomo capas de telemóveis ou peças de automóveis, onde o TPU é habitualmente utilizado, mas raramente reciclado.

“É provável que a maioria destes plásticos não vá parar a instalações de compostagem ricas em micróbios. Por isso, esta capacidade de se auto-degradar num ambiente sem micróbios torna a nossa tecnologia mais versátil”, explica Pokorski.

“Um dos nossos próximos passos é alargar o âmbito dos materiais biodegradáveis que podemos produzir com esta tecnologia”, acrescentou.

Fonte: ZAP.aeiou

As três culturas de base que dominam as dietas modernas — o milho, o arroz e o trigo — são-nos familiares. Mas o quarto lugar é uma surpresa: a mandioca, um tubérculo que pode ser altamente tóxico para os humanos.

Embora quase desconhecida nos climas temperados, a mandioca é uma fonte essencial de nutrição nos trópicos.

Foi domesticada há 10.000 anos, na margem sul da bacia do Amazonas, no Brasil, e a partir daí espalhou-se por toda a região.

Com um caule esgalgado de alguns metros de altura, um punhado de ramos finos e folhas modestas em forma de mão, não parece nada de especial.

A aparência humilde da mandioca, no entanto, esconde uma combinação impressionante de produtividade, resistência e diversidade.

Ao longo de milénios, os povos indígenas transformaram a planta selvagem infestante numa cultura que armazena quantidades prodigiosas de amido em tubérculos semelhantes a batatas, que prospera nos solos pobres da Amazónia e é quase invulnerável a pragas.

As muitas vantagens da mandioca parecem fazer dela a cultura ideal. Mas há um problema: a mandioca é altamente venenosa.

A mandioca contém linamarina, um glicosídeo complexo que pode transformar-se em cianeto de hidrogénio, uma substância altamente tóxica, quando as raízes são danificadas ou esmagadas.

Há duas variedades principais de mandioca: a doce e a amarga. A mandioca doce contém menos toxinas e pode ser consumida com segurança após cozimento adequado, que degrada as toxinas.

 

Por outro lado, a mandioca amarga contém níveis mais elevados de toxinas e requer um processamento mais cuidadoso, incluindo moagem, lavagem e cozimento, para remover as substâncias nocivas e torná-la segura para consumo.

Como é que a mandioca pode ser tão tóxica e ainda assim dominar as dietas na Amazónia? Tudo se deve à ingenuidade indígena.

Nos últimos 10 anos, Stephen Wooding, investigador da Universidade da Califórnia, e o seu colaborador César Rubén Peña, têm estado a estudar as plantações de mandioca no rio Amazonas e nos seus inúmeros afluentes no Peru.

Os dois investigadores descobriram dezenas de variedades de mandioca, e conheceram vários produtores locais — que usam estratégias sofisticadas de reprodução para gerir a sua toxicidade e métodos elaborados para processar os seus produtos perigosos, mas nutritivos.

Num artigo no The Conversation, Wooding relata as suas descobertas.

Longa história de domesticação de plantas

Um dos maiores desafios enfrentados pelos primeiros seres humanos era ter comida suficiente para sobreviver. Os nossos antigos antepassados baseavam-se na caça e na recolha, apanhando presas em fuga e colhendo plantas comestíveis em todas as oportunidades que tivessem.

Eram espantosamente bons nisso. Tão bons que as suas populações dispararam, saindo do berço da humanidade, em África, há 60.000 anos.

Mesmo assim, havia espaço para melhorias. A atividade de procurar comida na paisagem queima calorias — o próprio recurso que está a ser procurado. Este paradoxo obrigou os caçadores-recolectores a uma solução de compromisso: queimar calorias à procura de alimentos ou conservar calorias ficando em casa.

O compromisso era quase intransponível, mas, há pouco mais de 10.000 anos, os humanos encontraram a solução, com uma das inovações mais transformadoras da história: a domesticação de plantas e animais.

Os humanos descobriram que, quando as plantas e os animais eram domesticados, já não precisavam de ser perseguidos. E podiam ser criados de forma seletiva, produzindo frutos e sementes maiores e músculos mais volumosos para comer.

mandioca foi a mais importante planta domesticada nas regiões neotropicais. Após a sua domesticação inicial, difundiu-se pela região, atingindo locais tão a norte como o Panamá em poucos milhares de anos.

O cultivo da mandioca não eliminou completamente a necessidade de as pessoas procurarem alimentos na floresta, mas aliviou a carga, proporcionando um abastecimento alimentar abundante e fiável perto de casa.

Hoje, quase todas as famílias rurais da Amazónia têm uma horta. Se visitarmos qualquer casa, encontramos mandioca a assar no fogo, que é normalmente torrada para fazer um pão achatado e mastigável chamado casabe. É também fermenta numa cerveja chamada masato e cozinhada em sopas e ensopados.

No entanto, antes de adotar a mandioca como alimento, os humanos tiveram de descobrir como lidar com a sua toxicidade.

Processamento de uma planta venenosa

Um dos pontos fortes mais importantes da mandioca, a sua resistência às pragas, é proporcionada por um poderoso sistema de defesa, baseado em duas substâncias químicas produzidas pela planta, a linamarina e a linamarase.

Estas substâncias químicas defensivas encontram-se no interior das células das folhas, do caule e dos tubérculos da planta da mandioca, onde normalmente ficam inativas.

No entanto, quando as células da mandioca são danificadas, por exemplo, por mastigação ou esmagamento, a linamarina e a linamarase reagem, libertando uma explosão de substâncias químicas nocivas.

Uma delas é notória: o gás cianeto. A explosão contém também outras substâncias nocivas, incluindo compostos chamados nitrilas e cianoidrinas. Doses grandes das duas substâncias são letais e podem danificar permanentemente o sistema nervoso.

Em conjunto, estes venenos repelem tão eficazmente os herbívoros que a mandioca é quase impermeável às pragas.

Ninguém sabe como as pessoas resolveram o problema pela primeira vez, mas os antigos amazónios criaram um processo complexo e multifásico de desintoxicação que transforma a mandioca de não comestível em deliciosa.

O processo começa com a trituração das raízes amiláceas da mandioca em tábuas de triturar cravejadas de dentes de peixe, lascas de pedra ou, mais frequentemente hoje em dia, uma folha de estanho áspera.

A trituração imita a mastigação das pragas, provocando a libertação do cianeto e das cianoidrinas da raiz. Mas estas libertam-se no ar e não nos pulmões e no estômago, como acontece quando são comidas.

Em seguida, a mandioca desfiada é colocada em cestos de lavagem onde é enxaguada, espremida à mão e escorrida repetidamente. A ação da água liberta mais cianeto, nitrilos e ciano-hidrinas, que são eliminados com a lavagem.

Finalmente, a polpa resultante pode ser seca, o que a desintoxica ainda mais, ou cozinhada, o que termina o processo com recurso ao calor. Estas etapas são tão eficazes que ainda hoje são utilizadas em toda a Amazónia, milhares de anos após a sua conceção.

Uma cultura potente e pronta a espalhar-se

Os métodos tradicionais de moagem, lavagem e cozedura dos amazónios são um meio sofisticado e eficaz de transformar uma planta venenosa numa refeição. No entanto, os amazónios foram ainda mais longe, transformando-a numa verdadeira cultura domesticada.

Além de inventarem novos métodos de processamento da mandioca, começaram a acompanhar e a cultivar seletivamente variedades com características desejáveis, produzindo gradualmente uma constelação de tipos utilizados para diferentes fins.

Nas suas viagens, Wooding e Peña encontraram mais de 70 variedades de mandioca distintas, muito diversificadas do ponto de vista físico e nutricional.

Entre elas, há tipos que variam em termos de toxicidade, alguns dos quais precisam de ser laboriosamente triturados e lavados e outros que podem ser cozinhados tal e qual, mas nenhum pode ser consumido cru.

Há também diferentes tamanhos de tubérculos, taxas de crescimento, produção de amido e tolerância à seca. A sua diversidade é apreciada e muitas vezes são-lhes atribuídos nomes extravagantes.

Tal como os supermercados têm maçãs chamadas Fuji, Golden Delicious ou Granny Smith, os jardins da Amazónia têm mandiocas chamadas bufeo (golfinho), arpón (arpão), motelo (tartaruga), e muitas outras.

Esta criação criativa cimentou o lugar da mandioca nas culturas e dietas amazónicas, assegurando a sua maneabilidade e utilidade, tal como a domesticação do milho, do arroz e do trigo cimentou os seus lugares nas culturas de outros lugares.

Embora a mandioca se tenha instalado na América do Sul e Central há milénios, a sua história está longe de ter terminado. Na era das alterações climáticas e dos esforços crescentes em prol da sustentabilidade, a mandioca está a emergir como uma possível cultura mundial.

A sua durabilidade e resiliência facilitam o seu cultivo em ambientes variáveis, mesmo quando os solos são pobres, e a sua resistência natural às pragas reduz a necessidade de a proteger com pesticidas industriais.

Além disso, embora os métodos tradicionais da Amazónia para desintoxicar a mandioca possam ser lentos, são fáceis de reproduzir e acelerar com maquinaria moderna.

Além disso, a preferência dos produtores amazónicos por manter diversos tipos de mandioca faz da Amazónia um repositório natural de diversidade genética.

Com técnicas contemporâneas, estas variedades de mandioca podem ser cultivadas para produzir novos tipos, adequados a outros fins que não os da própria Amazónia.

É assim que, atualmente, a produção em países como a Nigéria e a Tailândia ultrapassa largamente a produção do maior produtor da América do Sul, o Brasil.

Estes êxitos estão a aumentar o otimismo quanto à possibilidade de a mandioca se tornar uma fonte de nutrição ecológica para as populações de todo o mundo.

E entretanto, experimente começar a saborear este alimento. A mandioca que se vende nos supermercados é totalmente segura… e não faltam receitas para a cozinhar.

Fonte: ZAP.aeiou