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Nos últimos cinco anos, a indústria produtora de fitofármacos, vulgarmente conhecidos como pesticidas, investiu um milhão de euros em formação, tendo envolvido 66 mil agricultores e técnicos, de acordo com a ANIPLA (Associação Nacional da Indústria para a Proteção das Plantas).

Se tivermos em conta o último censo agrícola do Instituto Nacional de Estatística, havia cerca de 314 mil agricultores em Portugal, em 2019. Por aproximação, pode estimar-se que 20% receberam este tipo de formação, mas não tem diretamente a ver com os cursos exigidos por lei para a atribuição de licenças a quem quer comprar, aplicar ou transportar determinados químicos usados na agricultura.

Parte do esforço para tornar os fitofármacos (onde se incluem fungicidas, herbicidas e inseticidas, por exemplo) mais compatíveis com as boas práticas agrícolas - para proteção da saúde e preservação do ambiente - é apontado pela Anipla como sinal do seu compromisso para com o Pacto Ecológico Europeu, com o qual os órgãos sociais recém-eleitos da associação terão de lidar ao longo do novo mandato.

O contexto é adverso para este tipo de indústria, tendo em conta que as metas europeias preveem o corte de 50% no uso de pesticidas nos próximos oito anos, embora seja uma ambição que a presidente da Anipla, Felisbela Torres Campos - reconduzida no cargo, diz apoiar.

"A Anipla está comprometida com o desenvolvimento de tecnologias agrícolas sustentáveis, comprometendo-se a desempenhar o seu papel na inovação, apoiando os agricultores e a produção de alimentos."

No entanto, ao Dinheiro Vivo, a dirigente sublinha que as metas europeias remetem a indústria "para a necessidade de explorar e debater as diferentes exigências fitossanitárias de cada país". Isto porque, "as práticas agrícolas, as ferramentas e as carências inerentes a cada cultura e o tipo de clima em cada país ou região ditam a necessidade de adaptar essas mesmas metas".

Por outras palavras, Felisbela Torres Campos situa o caso de Portugal como um dos países da orla do Mediterrâneo mais expostos às consequências das alterações climáticas, o que, em sua opinião, o torna suscetível "ao aparecimento de novas doenças, pragas e infestantes" para as culturas. Por esse motivo, entende que toda essa exposição "pressupõe diferentes soluções que assegurem a sustentabilidade da agricultura portuguesa". Daí considerar que está disponível para "discutir metas realistas, baseadas na ciência e adaptadas às diferentes realidades".

Fonte: Agronegócios

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou nas últimas semanas, através da Brigada Especializada dos Vinhos e Produtos Vitivinícolas da Unidade Regional do Centro – Unidade Operacional Coimbra operação de fiscalização no combate à preparação, distribuição e comercialização ilegal de vinhos, nos concelhos de Anadia, Oliveira de Azeméis, Mortágua, Satão e Viseu.

Fonte: ASAE

A vida debaixo de água é sensível às mudanças que o mundo está a atravessar. Tal como acontece com os animais terrestres, o aparecimento de novas doenças está a colocar um stress significativo nas populações de animais aquáticos e nos ecossistemas em que vivem.

Este fenómeno não é suscetível de parar em breve, impulsionado por fatores como as alterações climáticas e o comércio ilegal.

As doenças podem ter consequências graves no desenvolvimento sustentável dos sistemas de animais aquáticos e na segurança alimentar.

Além disso, as doenças podem resultar numa diminuição dos produtos de animais aquáticos destinados ao mercado, sendo mais de um terço deles comercializados a nível internacional. Num mundo em que 50 milhões de pessoas dependem da pesca e da aquacultura para a sua subsistência, o controlo das doenças dos animais aquáticos continua a ser crítico.

Com este objetivo em mente, a Organização Mundial de Saúde Animal lançou em 2021 a sua "Estratégia Mundial de Saúde Animal Aquática".

Como parte do plano de implementação desta estratégia, a Organização fornece aos Serviços Nacionais de Saúde dos Animais Aquáticos recomendações para melhorar a vigilância das doenças dos animais aquáticos. A vigilância visa identificar e gerir os riscos associados às doenças dos animais aquáticos, que podem ter impacto na produção e comércio de produtos de animais aquáticos.

A vigilância das doenças é um passo preliminar fundamental para assegurar a deteção precoce e resposta à ocorrência de doenças de animais aquáticos, para que o país ganhe progressivamente capacidade de afirmar a erradicação de uma doença.

Tal conquista pode apoiar os países a satisfazerem os requisitos comerciais e facilitar o intercâmbio seguro de animais aquáticos e dos seus produtos.

A Organização Mundial de Saúde Animal incentiva os seus membros a implementar as recomendações de vigilância fornecidas no Código e Manual Aquático, a relatar quaisqueres eventos relevantes de doença de forma transparente e atempada, e a publicar autodeclarações de ausência de uma doença.

Na 89ª Sessão Geral da Organização, a Assembleia Mundial de Delegados adotou uma versão revista da Norma sobre vigilância de doenças de animais aquáticos, com o objetivo de orientar os Membros através do processo de autodeclaração de ausência de doenças de animais aquáticos, utilizando provas sólidas.

A aquacultura é reconhecida como o sector de produção alimentar de crescimento mais rápido a nível mundial, com quase 50% do fornecimento global de animais aquáticos e produtos derivados.

Isto significa que a produção de animais aquáticos contribui cada vez mais para a nutrição humana, o alívio da pobreza e o desenvolvimento sustentável.

A Organização Mundial de Saúde Animal, autoridade global que trabalha além fronteiras para melhorar a saúde animal, apela aos países para que implementem as suas Normas Internacionais.

Como a população mundial e a procura de alimentos continuam a crescer, a construção de uma melhor vigilância contribuirá para assegurar uma melhor saúde dos animais aquáticos em todo o mundo e para proteger a saúde da vida subaquática.

Fonte: Oie - World Organisation for Animal Health

Os stocks de alimentos diminuíram nos últimos anos e, com mais de um quarto do trigo global a ser produzido na Ucrânia e na Rússia, as perspetivas de uma grave interrupção no abastecimento mundial de alimentos aumentam a cada dia que passa. A edição do genoma poderia minimizar o problema.  

Os preços dos alimentos estão a subir em muitos países: no Quénia, aumentam os custos da alimentação animal; na Tunísia, os preços das importações de trigo, combustível e fertilizantes estão a disparar; o Brasil e o Peru antecipam grandes interrupções no fornecimento de alimentos devido à escassez de fertilizantes; a Indonésia proibiu as exportações de óleo de palma.

Mas nem todos os aumentos nos preços se devem à guerra na Ucrânia. Outros fatores como a seca, gripe aviária e as interrupções na cadeia de abastecimento causadas pela pandemia contribuíram para o situação atual. Não obstante, a consequência da invasão russa é a fome. O que se pode fazer?

Os agricultores procuram, cada vez mais, ter acesso a ferramentas modernas que podem atenuar esta turbulência geopolítica. A engenharia genética já trouxe vastos benefícios económicos e ambientais para a humanidade. A edição do genoma está a expandir-se rapidamente e muitas vozes até reconhecem que as novas técnicas de melhoramento de plantas são fundamentais para a sustentabilidade futura.

Os investigadores descobriram que a ferramenta de edição do genoma CRISPR, silenciando um único gene, pode aumentar 10% a produtividade nas colheitas. A edição de genes é usada para melhorar o valor nutricional das frutas, com novos produtos já no mercado. Esses novos produtos contribuem não só para a melhoria da situação económica dos agricultores, mas também da sustentabilidade agrícola na medida em que reduzem o uso de fertilizantes e pesticidas. Também ajudam a mitigar os efeitos das alterações climáticas através do sequestro de carbono. Agora é possível melhorar a própria fotossíntese e fazer com que as árvores sequestrem carbono de uma maneira muito mais eficiente.  

Mas todas estas vantagens são ameaçadas por uma regulamentação (na Europa) que pretende melhorar a segurança, mas, na verdade, faz pouco mais do que perpetuar a dependência de tecnologias desatualizadas. As medidas impostas pela regulamentação viola o princípio básico amplamente aceite de que devem ser proporcionais aos perigos. Restaurar a primazia desse princípio ajudaria muito a dinamizar o potencial inovador das novas tecnologias de melhoramento de plantas.  

Mais informações aqui.

Fonte: CiB - Centro de informação de Biotecnologia

Um novo método de extração de proteína das folhas de tomate poderia ajudar a acelerar a adoção de dietas à base de plantas e impulsionar a sustentabilidade das alternativas de "carne" à base de plantas, de acordo com a Wageningen University & Research.

Com base num método de extracção da enzima RuBisCo das folhas de beterraba-sacarina, o produto resultante é um pó proteico "de alto valor", isento de toxinas.

O mesmo método poderia ser adaptado para extrair RuBisCo das folhas de outras culturas alimentares - as plantas de batata e mandioca, por exemplo, também contêm toxinas e são também impróprias para consumo direto.

A aplicação em grande escala deste processo poderia aumentar a disponibilidade de proteínas de origem vegetal, contribuindo para um abastecimento alimentar sustentável para a crescente população mundial. Também ajudaria a acelerar a transição para uma dieta mais baseada em plantas nos países desenvolvidos, afirma o relatório.

A líder do projecto Marieke Bruins, cientista sénior em tecnologia de proteínas na Wageningen University & Research, disse: "O nosso método filtra os componentes que são mais pequenos do que a proteína que queremos extrair e isto inclui muitas toxinas".


"O nosso estudo prova que é possível obter ganhos substanciais em sustentabilidade, fazendo melhor uso do que já se tem".

Na sua forma pura, o RuBisCo tem um aroma, cor e sabor neutros, e um bom equilíbrio entre os aminoácidos essenciais. Tem também boas propriedades de gelificação.

Isto faz do RuBisCo uma proteína muito útil para transformação de substitutos de carne e alternativas lácteas à base de plantas, por exemplo, como forma de proporcionar uma " dentada" firme ou uma melhor sensação de boca. Também pode ser utilizado como um substituto do ovo em produtos alimentares.

O processo proporciona também uma nova alternativa mais valiosa para os resíduos criados na colheita das culturas de tomate.

A colheita de culturas alimentares resulta na produção anual de cerca de 40 toneladas (para a beterraba-sacarina) a 50 toneladas (para o tomate) de resíduos de culturas por hectare. Estes resíduos são compostos por folhas e caules.

As folhas ou são aradas de volta ao solo como fertilizante ou vão para compostagem, sendo ambas de baixo valor de utilização dos resíduos em comparação com a extração de proteínas para consumo humano.

Fonte: Foodmanufacture e Qualfood

Associação dos Jovens Agricultores de Portugal mostra-se preocupada com os níveis de seca e a desertificação do país. Diretor-geral da associação acredita que a ciência e a inovação são fundamentais para ultrapassar fragilidades do setor.

Portugal está a perder área de cultivo perante o impacto das alterações climáticas. Quem o afirma é o diretor-geral da Associação de Jovens Agricultores de Portugal.

Firmino Cordeiro explica que o país é “uma vítima muito delicada” do fenómeno.

“A seca veio para ficar e para nós, Portugal, é uma consequência muito delicada”, diz Firmino Cordeiro, acrescentando que “temos que fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para tornar uma boa parte do território ainda viável em termos agrícolas”.

Além das dificuldades ambientais, para os jovens agricultores, outro problema são as questões financeiras que muitas vezes acabam por afastá-los do setor.

“Quando aparece um concurso para jovens agricultores, os jovens candidatam-se”, assegura, explicando que o problema é que as notas de avaliação são cada vez mais altas, deixando de fora parte dos interessados.

Apesar das dificuldades, Firmino Cordeiro acredita em práticas agrícolas cada vez mais sustentáveis, com a ajuda de novas tecnologias e conhecimentos que possam assim garantir o futuro do setor.

“Nós temos já grandes agricultores, por exemplo, o João Coimbra que é uma pessoa muito conhecida que está a fazer cereais segunda essas tecnologias todas da agricultura de precisão. Cada vez há mais gente a trabalhar nesta área, há cadeiras nos cursos universitários específicos de agricultura de precisão”, diz explicando depois que “a agricultura de precisão não é para aplicar mais produto”, mas sim “para aplicar o mínimo de produtos e obter-se o máximo de produção possível”.

Fonte: Renascença

A DGAV esclarece que estudo da ONG “Pesticide Action Network, Europe” sobre taxas de contaminação por certos pesticidas de especial preocupação em alguns produtos hortofrutícolas consumidos pelos portugueses, deve ser contextualizado quanto ao impacto desses resultados na segurança dos alimentos e proteção da saúde dos consumidores.

A presença de resíduos de pesticidas ou outros quaisquer contaminantes nos produtos agrícolas não deve, por si só, constituir motivo de alarme sem que estejam associados a níveis que constituam risco. É por este motivo que a utilização de pesticidas na produção agrícola está sujeita a Limites Máximos de Resíduos que visam a segurança dos alimentos para o consumidor. Esta informação está omissa na análise disponibilizada no Relatório da ONG “Pesticide Action Network, Europe”, segundo o qual a mera presença de resíduos, foi considerada para os efeitos do estudo. 

Refira-se ainda, que o controlo de resíduos de pesticidas coordenado anualmente pela DGAV, evidencia níveis de cumprimento significativos dos Limites Máximos de Resíduos em vigor. É igualmente importante destacar que os pesticidas de especial preocupação analisados no relatório da ONG “Pesticide Action Network, Europe” e tidos como candidatos a substituição, como o próprio nome indica, são substâncias que devem ser substituídas por alternativas de menor preocupação, sempre que essas alternativas existam.

A redução sistemática do uso destas substâncias a nível europeu, e em Portugal, desde que foram identificadas como tal em 2015, é resultado do processo comunitário de avaliação das substâncias e, também, de harmonização global da sua classificação, sendo esta evidente no indicador relativo a este grupo de pesticidas, publicado pela Comissão Europeia, conforme ilustra a infografia recentemente divulgada, e que será disponibilizada oficialmente no Portal comunitário e no da DGAV.

Os dados de Portugal mostram uma tendência de redução acima da média europeia. Os valores nacionais atingidos no que respeita ao uso de substâncias candidatas à substituição, relativos ao ano 2020, foram de 46%, já abaixo da meta da redução de 50% previsto na Estratégia do Prado ao Prato, para 2030, como bem ilustra o gráfico elaborado pela Comissão Europeia.

Fonte: DGAV

O uso de químicos tóxicos na agricultura europeia continua a aumentar em vez de diminuir, alerta um estudo divulgado esta terça-feira pela PAN Europa (Pesticide Action Network – uma rede de organizações não governamentais e instituições que trabalha para minimizar os efeitos negativos dos pesticidas perigosos.

O objetivo da Estratégia Europeia “Do Prado ao Prato” e do Pacto Ecológico Europeu é conseguir reduzir em 50% o uso de pesticidas na agricultura até 2030, mas tal ambição está longe de ser aprovada e aplicada. E, ao contrário do recomendado, várias substâncias químicas usadas em pesticidas, herbicidas, inseticidas e fungicidas — que já deveriam ter sido substituídas — continuam a ser usadas na fruta e vegetais que chegam aos supermercados e às nossas casas.

Este relatório e as suas conclusões contradizem as declarações oficiais de que o uso de pesticidas tóxicos está a diminuir e que os níveis encontrados se encontram dentro dos limites aceitáveis”, lê-se na introdução ao estudo, que também aponta o dedo aos Estados-membros e à Comissão Europeia por “fracassarem na aplicação do regulamento e na proteção dos consumidores”.

Apesar de a União Europeia afirmar que houve uma redução de 12% no uso das 55 substâncias químicas listadas para substituição, um relatório da Comissão Europeia de 2019 dá conta que o prometido “phasing out” (desde 2011) não aconteceu. De acordo com o estudo da PAN Europa, em vez de diminuir, a taxa de uso aumentou 8,8% em nove anos.

MAÇÃS, PÊSSEGOS, PERAS E CEREJAS NA LISTA

Com base na análise de mais de 97 mil amostras de fruta fresca cultivada na Europa, e em dados oficiais dos 27 Estados-membros, o estudo – "Forbidden Fruit” – revela que, em 2019, perto de um terço da fruta continuava a revelar resíduos de pelo menos um dos 32 piores químicos ainda autorizados na União Europeia, que estudos científicos apontam como sendo desreguladores endócrinos, substâncias persistentes, bioacumuláveis e tóxicas estando associados a problemas de fertilidade ou cancerígenos.

Entre estes constam o fungicida “Ziram” (associado a disrupções endócrinas); o insecticida “Pirimicarb” (suspeito de efeitos carcinogénicos), o fungicida “Metconazole” (potenciais efeitos no sistema reprodutor humano). E a PAN Europa quer vê-los banidos rapidamente e para isso está agora a iniciar uma nova campanha nesse sentido.

Entre a fruta analisada, constataram que metade das amostras de cerejas continham mais 152% das substâncias comparadas com as amostras de 2011; um terço das maçãs revelavam mais 117%; e metade das peras e dos pêssegos, respetivamente, mais 103% e 52%.

Já no campo dos vegetais, o aipo, a salsa e as couves revelaram menor contaminação, mas, mesmo assim, houve um aumento de 19% em comparação a 2011.

Entre os países com mais amostras de fruta e legumes contaminados ao fim destes nove anos de análises, destacavam-se a Bélgica (34%), a Irlanda (26%), a França (22%), a Itália (21%) e a Alemanha (20%).

O CASO PORTUGUÊS

Apesar de estar fora deste “top 5”, Portugal também usa estas substâncias nocivas. Os investigadores da PAN Europa verificaram que 85% das amostras de peras e 58% das de maçãs produzidas em Portugal continham resíduos dos químicos da lista.

“Estas substâncias deviam estar a ser substituídas, mas isso não está a acontecer em Portugal nem noutros países”, frisa Pedro Horta, da associação Zero. O ambientalista lembra que “o regulamento europeu impõe um procedimento de aprovação dos produtos que contêm estas substâncias que leve à ponderação de alternativas de substituição, sejam de luta química através de substâncias menos preocupantes ou de práticas de prevenção e/ou controlo dos problemas sanitários que o pesticida pretende resolver”. Porém, diz, “segundo a DGAV nenhuma substituição por alternativas foi feita”.

A Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) confirma-o em carta enviada à Zero no início de maio – e à qual o Expresso teve acesso – referindo que “até à data não foi possível proceder à substituição de produtos fitofarmacêuticos contendo CpS [substâncias ativas candidatas para substituição]”. Entre as razões apresentadas pela DGAV estão: “a falta de alternativas visando uma adequada gestão de resistência dos inimigos”; ou o facto de “o produto ser importante tendo em conta os usos menores para os quais se encontra autorizado”.

Em Portugal estão autorizadas 45 das 55 substâncias que deviam estar em “phasing out” na UE.

Armando Torres Paulo, presidente da Associação Nacional de Produtores de Pera Rocha garante que “os produtores nacionais cumprem os regulamentos europeus e não há qualquer problema com o uso dos pesticidas”. E diz que “houve uma redução significativa nos últimos 10 anos”, mas que "a indústria ainda não encontrou alternativas” aos pesticidas usados e os produtores também não.

Pedro Horta aconselha os consumidores a “comprarem fruta local e da época ou produzida em modo biológico”. O mesmo aconselha a diretora de campanha Salomé Roynel: “Comprem produtos biológicos, sobretudo se estiverem grávidas ou a alimentar crianças, para reduzir o risco”. E lembra que “o risco de comer fruta contaminada com pesticidas aumentou dramaticamente”.

A PAN Europa calcula que a batalha com as grandes multinacionais (como Syngenta e a Bayer) se vai agudizar nos próximos tempos e por isso estão a preparar uma campanha de sensibilização junto da opinião pública, para pressionar os decisores em Bruxelas a agir.

Fonte: Expresso

A peste suína africana e a gripe aviária são doenças animais virais que têm vindo a afetar gravemente o planeta ao longo de 2021 e início de 2022. Embora se saiba que estas duas doenças infeciosas transfronteiriças se propagam facilmente, os acontecimentos observados nos últimos meses realçaram ainda mais o papel significativo das interações entre animais selvagens e animais domésticos, bem como alguns comportamentos humanos imprudentes na sua disseminação. Estes foram cuidadosamente examinados no relatório global da situação da saúde animal apresentado na 89ª Sessão Geral, onde também recordaram a importância de medidas eficazes de biossegurança para mitigar os impactos das doenças.

A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) analisou a atual situação global, com a informação partilhada pelos países no ano passado através do Sistema Mundial de Informação sobre Saúde Animal (WAHIS). Os dados agregados mostram que a peste suína africana (PSA) e a gripe aviária , também conhecida como gripe das aves, se espalharam mais amplamente do que em anos anteriores, afetando um maior número de animais e atingindo novas regiões em todo o mundo. Isto levou a consequências devastadoras para a saúde animal e socioeconómicas. A produção pecuária, a subsistência, a segurança alimentar e mesmo os preços dos alimentos têm sido fortemente afetados.

Proteger o gado e a vida selvagem de doenças infeciosas

Os animais domésticos e selvagens podem interagir mutuamente, quer direta quer indiretamente, através da alimentação, resíduos ou fezes, por exemplo. Esta interação das populações permite que as doenças atravessem as barreiras das espécies e "saltem" umas para as outras. Para evitar a sua disseminação, os Serviços Veterinários têm vindo a promover a importância de medidas rigorosas de biossegurança. Estas são de fato essenciais para limitar as interações entre a vida selvagem e o gado.

Olhando para a gripe aviária, a situação deste ano é sem precedentes. "Nos últimos meses, a epidemia de gripe aviária tem continuado a ameaçar a saúde animal com um elevado número de casos notificados e milhões de aves de capoeira afetadas em todo o mundo", destaca a Dra. Paula Caceres, Chefe do Departamento de Informação e Análise da Saúde Animal Mundial. Desde Outubro de 2021, início da época da gripe aviária, 47 países comunicaram cerca de 3.000 surtos de gripe aviária. Medidas para mitigar a propagação levaram ao abate de mais de 80 milhões de aves domésticas.

As aves selvagens migratórias, especialmente aves aquáticas, são hospedeiras e reservatórios naturais do vírus da gripe aviária, e podem facilmente passá-las para outras aves selvagens ou domésticas através de contacto direto ou indireto, assim como através da sua alimentação. Este ano, foram observadas importantes mortalidades em aves selvagens, ameaçando a biodiversidade em todo o mundo. Por exemplo, em Israel, mais de 8000 grous-comuns morreram devido à gripe aviária e centenas de aves selvagens foram encontradas mortas no Reino Unido.

Uma vez que não se pode fazer muito para conter a doença em animais selvagens, a implementação de medidas de biossegurança nas explorações é crucial para evitar a introdução de agentes patogénicos em bandos de aves de capoeira. Estas medidas não protegem apenas as aves de capoeira, mas também a fauna selvagem e a sua conservação. As precauções relevantes incluem nomeadamente manter as aves domésticas afastadas do contacto com aves selvagens, assegurar uma boa higiene nos aviários e no equipamento, e ser cauteloso ao introduzir novos animais no bando. 

A peste suína africana também teve muito impacto no sector suinícola este ano, afetando novas regiões. Embora tenha sido historicamente encontrada pela primeira vez em África e depois se tenha propagado à Ásia e à Europa, esta doença suína atingiu as Américas no Verão passado, pela primeira vez em quase 40 anos. Alguns meses mais tarde, em Dezembro, a Macedónia do Norte comunicou a primeira ocorrência da doença em suínos de quintal que muito provavelmente teve origem no contacto entre porcos domésticos e javalis infetados. A transmissão da peste suína africana na interface gado-vida selvagem parece depender da população de javalis e da sua interação com os sistemas de produção de suínos de baixa biossegurança. No entanto, como por enquanto não há vacina disponível, a biossegurança continua a ser a primeira linha de defesa contra a doença. 

Encorajar comportamentos humanos responsáveis 

As atividades humanas também podem ser responsáveis pela disseminação de doenças. Viajantes, caçadores e mesmo agricultores podem transportar agentes patogénicos e introduzi-los em populações de animais domésticos e selvagens. Quando viajam, as pessoas por vezes visitam sem saberem, explorações agrícolas afetadas, ou compram mercadorias animais que levarão de volta para o seu país de origem. Quando se caça em áreas afetadas, é possível encontrar espécies selvagens portadoras de doenças infeciosas. Estas atividades podem levar as pessoas a adquirir os agentes patogénicos nas suas botas, vestuário ou veículos, e a espalhar doenças com os seus movimentos, de quinta em quinta, ou para novos países. A implementação de precauções relevantes e a adoção de boas práticas de higiene é crucial, quando se está em contacto com animais. Limpar o vestuário depois de visitar uma quinta e evitar trazer de volta produtos animais das viagens são todas medidas fundamentais a ter em mente.

As recentes tendências globais das doenças, destacadas no último relatório sobre a situação global da saúde animal, mostram verdadeiramente o papel das atividades humanas na propagação da peste suína africana e da gripe aviária, entre outras doenças. Para sensibilizar para as formas de abordar situações de risco, a Organização Mundial de Saúde Animal fornece uma vasta gama de materiais de comunicação, tanto sobre a peste suína africana como sobre a gripe aviária.  

Embora outros fatores como as alterações climáticas e o comércio internacional possam ser considerados, a propagação de doenças animais pode ser contida através da implementação de medidas rigorosas de biossegurança, ao longo de toda a cadeia de abastecimento de gado. No entanto, a biossegurança deve ser sempre associada a outras medidas: sensibilização entre as principais partes interessadas, maiores esforços de vigilância, e notificação atempada dos casos às autoridades veterinárias. A partilha transparente de dados de saúde animal é a chave para a prevenção e controlo eficazes de doenças infeciosas dos animais. A este respeito, os esforços feitos pelos membros da OIE para manter o seu nível de vigilância e notificação de doenças durante o ano passado, apesar dos desafios ligados à pandemia de Covid-19, também precisam de ser reconhecidos. 

Fonte: OIE - Organização Mundial de Saúde Animal 

A luta contra o plástico está cada vez mais perto de ser vencida e para tal contribuem agora cientistas portugueses que desenvolveram um novo material com potencial para substituir aquele que tantas dores de cabeça tem dado nas últimas décadas.

O feito é de uma equipa de investigadores liderada pela Universidade de Coimbra (UC) e consiste numa nanocelulose combinada com um mineral fibroso, biodegradável e biocompatível, com várias aplicações, como, por exemplo, embalagens alimentares e impressões electrónicas, abrindo portas à fabricação de plásticos mais sustentáveis.

Esta solução ecológica, que na prática se traduz numa nova classe de filmes compósitos, explicam em comunicado José Gamelas e Luís Alves, coordenador do projecto e investigador principal do estudo, respectivamente, foi produzida a partir de «nanocelulose, obtida através de processos mecânicos, químicos e enzimáticos, combinada com um mineral fibroso – um recurso geológico que permite a redução de custos e a melhoria de propriedades mecânicas e de barreira muito importantes».

O desenvolvimento do material, levado a cabo ao longo de três anos, contou ainda com a parceria do o Instituto Politécnico de Tomar (IPT) e da Universidade da Beira Interior (UBI) e com a colaboração da empresa espanhola TOLSA, no âmbito do projecto “FilCNF: Nova geração de filmes compósitos de nanofibrilas de celulose e partículas minerais como materiais de elevada resistência mecânica e propriedades de barreira a gases”.

Fonte: SAPO