O concurso Master of Port 2021, competição para escanções franceses que se querem especializar no vinho do Porto, atraiu jovens profissionais da restauração numa altura em que a França procura cada vez mais a qualidade nos vinhos portugueses.
“Tivemos candidatos que são bastante jovens, o que evidencia que os vinhos do Porto começam a ter uma forte expressão no público mais jovem e a força do vinho do Porto passa por estes embaixadores que têm 20 ou 30 anos”, explicou Gilberto Igrejas, presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, em declarações à agência Lusa.
A final da 19.º edição do concurso Master of Port decorreu hoje, em Paris, numa série de provas públicas que decorreram no famoso restaurante e hotel Cercle National des Armées. Este ano, a média de idade dos concorrentes ficou nos 29 anos e mais de 50 escanções franceses candidataram-se a este prémio.
“Temos notado que temos uma nova geração de escanções franceses que têm tentado diversificar-se e vão à procura de novos vinhos e têm gostado do vinho do Porto. Procuram saber mais e inscrever-se no concurso”, afirmou Julien dos Santos, produtor de vinho do Porto, proprietário das caves “Portologia” no Porto e em Paris e também membro do júri do Master of Port.
Entre algumas das provas públicas realizadas hoje na capital francesa, houve degustação e descrição dos vinhos, harmonização entre vinhos do Porto e menus e perguntas sobre o vinho do Porto.
Este ano, o prémio foi para Bastien Debono, escanção em Annecy, junto à fronteira francesa com a Suíça, no restaurante Yoann Conte – Bord du Lac, que conta com duas estrelas Michelin. Debono conheceu os vinhos do Porto quando trabalhou em Inglaterra e propõe aos clientes do seu restaurante uma larga seleção destes vinhos, criando com o chefe pasteleiro, uma sobremesa de chocolate e vinho do Porto.
“É um orgulho ganhar este título, é um reconhecimento dos meus pares. E implica um compromisso com a promoção do vinho do Porto, que merece ter o seu lugar, com uma boa representação em França”, disse Bastien Debono.
O concurso foi acompanhado de uma degustação de vinhos do Porto onde estiveram presentes várias adegas, que procuram expandir a sua atividade em França.
“O objetivo é tentar explorar o que os franceses não conhecem. Estão muito habituados aos brancos, aos tawnys, mas nós temos rubys maravilhosos. Tenho aqui à prova um vintage de 2019 e é um vinho que todos gostam. É um vinho que os franceses não conhecem tanto, mas quando provam, gostam”, explicou Cláudia Quevedo, proprietária e enóloga da cave Quevedo.
Este é também o sentimento de Maria Serpa Pimentel, enóloga na Quinta da Pacheca. Para esta cave, França é o maior mercado quantitativo, enquanto qualitativamente ainda é o Reino Unido, algo que está a mudar devido ao enoturismo.
“Desde há 10 anos, há mais conhecimento no mercado francês e os consumidores já vão buscar as categorias melhores. E temos imensos franceses que nos chegam através do enoturismo. Há mais curiosidade agora e tentam comprar vinhos com mais qualidade”, relatou a enóloga.
Após um ano de pandemia, onde o vinho do Porto teve uma queda de 9,4%, Gilberto Igrejas garante que até novembro, o mercado do vinho não só não tem perdas, como está acima do ano de 2019, ano em que houve ganhos de 2,5%.
Algo explicado pela mudança de hábitos e pela descoberta de vinhos entre amigos.
“Com o confinamento sentimos alterações de hábitos. Na nossa loja em Paris, antes fazíamos muitas provas e diminuiu. Passámos a ter mais consumo de garrafas em casa, o que aumentou muito a venda. Isso foi bom, porque conhecem novos vinhos, falam aos amigos e isso cria novos adeptos do vinho do Porto”, concluiu Julien dos Santos.
O concurso Master of Port é organizado pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, o Sindicato de Grandes Marcas do Porto e a Union de la Sommellerie Française.
Fonte: Agroportal
O aumento generalizado de preços, sobretudo da energia e dos combustíveis, está a afetar a horticultura da região Oeste, de onde sai grande parte da produção nacional, com os agricultores a ponderarem reduzir ou mesmo abandonar as áreas de cultivo.
“O adubo está a aumentar cerca de 50, 60%, o combustível também está bastante mais caro desde o início do ano e estamos a vender os produtos hortícolas ao mesmo preço dos outros anos e cada vez está a ser mais difícil”, queixa-se António José Simões à agência Lusa.
A ponderar reduzir a área de cultivo em 40 a 50% para o próximo ano e substituir as produções de batata e couves por cereais, este agricultor pensa mesmo em parar a atividade a médio prazo.
As dificuldades sentem-se também nas centrais hortofrutícolas.
“Se os preços continuarem a subir assim nos combustíveis, nos adubos, nos inseticidas, na mão-de-obra, em tudo o que é material para embalar os produtos, na eletricidade, fico preocupado com esta situação”, afirma à Lusa João Pedro Fernandes, gerente da empresa Simples & Frescas.
“Estamos a ficar com as margens um pouco esmagadas. Não conseguimos ter lucros a entrar e os 20 produtores que trabalham connosco não estão a receber o justo valor e não estamos a conseguir dar a volta”, acrescenta o empresário, que equaciona pedir aos agricultores associados para produzirem menos no próximo ano, mantendo-se a tendência dos preços dos custos de produção.
A Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste (AIHO) estima que os prejuízos no setor já ultrapassam os 20% e tendem a crescer.
“Temo que haja abandono ou redução das áreas produtivas, porque têm de gerar receita ao fim do mês ou do ano, para conseguir pagar as despesas e ter algum lucro, porque é para isso que as pessoas trabalham, mas neste momento já nem estamos a falar de lucros, estamos a falar de não perder dinheiro”, sublinha à Lusa Sérgio Ferreira, presidente da AIHO.
Segundo o dirigente, a crise energética “está a criar um impacto fortíssimo no custo dos fatores de produção”, com “aumentos enormes nos adubos na ordem dos 40 e 50%”, nos combustíveis e nos produtos fitofarmacêuticos, que sobem todas as semanas.
Ao contrário do que acontece, defende que “estes aumentos vão ter de se fazer sentir no produto final, senão os agricultores têm de parar”.
No setor, há agricultores a começar a reduzir as aquisições de produtos, no arranque de mais uma campanha, diz o também secretário-geral da Louricoop, cooperativa agrícola que começa a “fazer compras conforme as necessidades” da produção e se vê confrontada com falta de ‘stocks’ por fecho de fábricas até ao final deste ano, devido à crise energética.
O setor fatura cerca de 500 milhões de euros e emprega entre sete a oito mil trabalhadores quer nas explorações agrícolas, quer nas centrais de processamento e transformação dos produtos, estima a AIHO.
A região Oeste é composta pelos concelhos de Alcobaça, Bombarral, Caldas da Rainha, Nazaré, Óbidos e Peniche, do distrito de Leiria, e por Alenquer, Arruda dos Vinhos, Cadaval, Lourinhã, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras, do distrito de Lisboa.
Fonte: Greensavers
O número de pessoas à beira da fome subiu de 42 para 45 milhões desde o início do ano. Segundo o Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas, a principal razão para esta subida está no facto de se terem registado mais 3 milhões de pessoas que sofrem com a fome no Afeganistão.
O Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas alertou, esta segunda-feira, para a subida do número de pessoas à beira da fome, em 43 países. Atualmente serão 45 milhões de pessoas, o que significa um aumento 3 milhões de pessoas, em relação aos números divulgados no início do ano.
Números que são justificados pela situação que se vive no Afeganistão.
"Dezenas de milhões de pessoas estão a olhar para o abismo. Os conflitos, as mudanças climáticas e a Covid-19 aumentam o número de pessoas que passam fome", disse o diretor executivo do PMA, David Beasley, citado pela Agência France Press, acrescentando que “os dados mais recentes mostram que existem agora mais de 45 milhões de pessoas à beira da fome”.
Segundo David Beasley, “o custo dos combustíveis sobe, o preço dos alimentos dispara, os fertilizantes estão mais caros, e tudo isto alimenta novas crises, como a que acontece, agora, no Afeganistão, bem como emergências de longa duração, como o Iémen e a Síria”.
O responsável pelo PMA, sublinha que no Afeganistão, as famílias que enfrentam a insegurança alimentar aguda são "obrigadas a tomar decisões devastadoras", casando os seus filhos antes do tempo, retirando os mesmos da escola ou alimentando as crianças com insetos, folhas silvestres ou catos.
As secas no Afeganistão somam-se ao colapso económico e levam as famílias ao limite, enquanto, na Síria, 12,4 milhões de pessoas não sabem de onde virá a sua próxima refeição.
Segundo o PMA, para evitar a fome no mundo, são agora necessários seis mil milhões de euros, sublinhando que as formas de financiamento tradicionais estão saturadas.
Para além do Afeganistão, a fome também aumentou na Etiópia, Haiti, Somália, Angola, Quénia e Burundi.
Fonte: Radio Renascença
Nos últimos cinco anos, o Ministério da Educação (ME) recebeu cerca de 3000 queixas relacionadas com as refeições escolares e a ASAE suspendeu o funcionamento de sete cantinas escolares, tendo instaurado dez processos-crime.
Os números são avançados esta segunda-feira pelo jornal Público e dizem respeito aos últimos cinco anos.
O Ministério da Educação não detalhou quantas reclamações foram recebidas em cada ano, pelo que, sublinha a publicação, não se consegue perceber se houve uma tendência crescente ou decrescente das queixas.
No entanto, o ministério liderado por Tiago Brandão Rodrigues adianta que receberam “a nível nacional, nos últimos cinco anos, cerca de três mil, sendo mais frequentes queixas relativas à quantidade e à qualidade dos produtos e ao rácio de pessoal afeto aos refeitórios escolares".
Já a ASAE, entre 2017 e meados de setembro passado, recebeu 756 reclamações e denúncias em matérias relacionadas com acondicionamento, conservação e transporte de alimento ou falta de higiene.
Durante o mesmo período temporal, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica fiscalizou 913 estabelecimentos de ensino (devido à situação pandémica, a maioria das ações decorreu entre 2017 e 2019), tendo sido instaurados 165 processos de contra-ordenação (dos quais 97 foram já concluídos ao nível da sua instrução), e aplicadas coimas no valor global de mais de 48 mil euros.
Entre as principais infrações, enumera a ASAE ao Público, destacam-se a inexistência de processo ou processos baseados nos princípios do HACCP (Análise de Perigos e Controlo de Pontos Críticos), a não atualização dos documentos que descrevem o processo ou processos baseados neste e o incumprimento dos requisitos gerais e específicos de higiene.
A autoridade responsável por controlar a segurança alimentar acrescenta que no mesmo período foram ainda instaurados dez processos-crime por géneros alimentícios deteriorados e corrupção de substâncias alimentares, "tendo sido levantada a suspensão provisória determinada aos estabelecimentos (sete) depois de repostas as condições necessárias ao seu funcionamento”.
Fonte: SAPO 24
A Câmara Municipal de Cascais acaba de lançar um novo projeto, que a coloca uma vez mais como pioneira na vertente da sustentabilidade, e neste caso, também no desenvolvimento de hidrogénio.
Trata-se de um novo sistema capaz de transformar 50 toneladas de resíduos domésticos em 5 toneladas de hidrogénio, anualmente. O hidrogénio será utilizado como combustível, para o abastecimento de autocarros municipais e veículos da recolha de resíduos do Município.
O processo inicia no reator Stella, que recebe o lixo e trata do seu processo de gasificação, originando assim o hidrogénio. “Esta unidade de produção apenas necessita de utilizar resíduos domésticos, ar e uma pequena quantidade de água, sendo autossuficiente em termos energéticos. Todo o processo de produção é eco-friendly, eliminando problemas como os dos alcatrões e sem emitir para a atmosfera qualquer gás nocivo”, explica em comunicado a Câmara Municipal.
Através desta tecnologia, a Câmara Municipal de Cascais pretende solucionar dois problemas ambientais de uma vez só: a gestão dos resíduos domésticos recolhidos pela autarquia e a utilização de energias fósseis.
A assinatura do protocolo com as empresas portuguesas Floating Particle e IPIAC Nery irá realizar-se esta tarde, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.
Fonte: Greensavers
Uma equipa de cientistas da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu materiais para tornar a impressão 4D sustentável e ecológica, baseada em celulose produzida por bactérias. O projeto abre portas a um sem número de aplicações, desde a medicina até aos transportes e setor têxtil.
A impressão 4D surge a partir da impressão 3D, acrescentando a dimensão tempo, permitindo imprimir objetos tridimensionais inteligentes, ou seja, objetos que, com o tempo e mediante estímulos externos, como a temperatura, luz ou pH, entre outros, mudam de forma.
Da impressão 3D à 4D: poderá a celulose bacteriana fazer a ponte? Esta foi a questão de partida para o desenvolvimento do projeto, liderado por Ana Paula Piedade, investigadora e docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). Financiado, no valor de 250 mil euros, pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e por fundos europeus (COMPETE 2020), o projeto conta com a colaboração do Instituto Politécnico da Leiria (IPL).
«Através da análise genómica, o grupo de microbiologia identificou as bactérias que possuem genes para a produção de celulose. Foi então escolhido um conjunto de bactérias, que foram posteriormente caracterizadas e testadas, tendo sido selecionadas duas estirpes», explica Ana Paula Piedade.
Concluído este processo, a “fábrica” de bactérias iniciou a laboração até se obter a celulose necessária para produzir um material que possibilitasse a impressão 4D. «As celuloses obtidas foram misturadas com polímeros dissimilares (com propriedades diferentes de cada uma das celuloses) e, a partir daí, produzimos os biocompósitos e desenvolvemos os filamentos adequados à impressão 4D», descreve a investigadora do CEMMPRE – Centre for Mechanical Engineering, Materials and Processes – da FCTUC.
Contado assim, parece que foi um processo simples, mas não. A equipa teve de efetuar diversos estudos e enfrentar muitos desafios complexos. O maior deles, relata Ana Paula Piedade, foi, e continua a ser, conseguir a «reversibilidade do material, ou seja, garantir que o mesmo material que assume diferentes formas mediante os estímulos externos é capaz de, por si mesmo, voltar ao formato original. A tecnologia 4D permite que o material se transforme e regresse depois à forma inicial».
Superados os vários obstáculos e desafios, foram impressos com sucesso diferentes tipos de objetos, abrindo portas a uma vasta gama de aplicações. Por exemplo, produzir «dispositivos que possam atuar em locais onde não há eletricidade, dispositivos capazes de mudar de forma consoante a solicitação mecânica que têm, roupas inteligentes para atletas de alta competição, que regulam a transpiração em função da temperatura ambiente, dispositivos biomédicos, enfim, há um “mundo de possibilidades”», aponta a líder do projeto.
A tecnologia agora desenvolvida é sustentável e de baixo custo, porque as bactérias apenas necessitam de “comida” (que pode ser, por exemplo, resíduos alimentares) para produzirem celulose, e amiga do ambiente: «97% do material usado fica na própria peça que é impressa, ou seja, o resíduo produzido é mínimo e, mesmo assim, esse resíduo pode ser usado para a produção de mais filamentos», sublinha ainda Ana Paula Piedade.
Além disso, quer o material compósito quer a celulose são completamente biodegradáveis e biocompostáveis. Outra grande vantagem de usar as bactérias é o facto de elas produzirem celulose pura, ao contrário, por exemplo, da celulose obtida das árvores, que exige vários tratamentos de purificação.
A cientista da FCTUC esclarece ainda que estas bactérias usadas para o fabrico de celulose não são patogénicas. «Pelo contrário, são fortes aliadas para tornar possível a impressão 4D. Não podemos esquecer que as bactérias resultam de milhões de anos de evolução, elas aprendem e adaptam-se».
A fase seguinte da investigação vai centrar-se no desenho de estruturas para aplicações específicas, designadamente na conceção de dispositivos que possam tirar vantagem deste efeito 4D. «Vamos explorar diferentes abordagens para a fabricação de dispositivos 4D, pois é necessário pensar muito bem como é que vamos imprimir, definir a geometria do que se vai imprimir e otimizar processos que garantam o efeito de 4D», conclui.
Fonte: Greensavers
Portugal produz resíduos de plástico acima da média europeia, com uma fração a ir parar ainda a aterro, mas país tem potencial para várias alternativas sustentáveis, refere investigadora da Universidade de Aveiro.
“As embalagens de plástico em Portugal representam 8% dos resíduos. Cada habitante está a produzir cerca de 40,3 quilos por ano, acima da média da União Europeia. Precisamos de medidas para reduzir o consumo de plástico, porque, se os outros países conseguem, nós também vamos conseguir”, declara Joana Correia Prata, investigadora da Universidade de Aveiro, à agência Lusa.
O país continua a mandar diretamente “33% dos resíduos para aterro”, que é ainda “a forma dominante de tratamento dos resíduos em Portugal”, já que há também algum refugo de outras formas de tratamento de resíduos, como a reciclagem, que acabam por ir para aterro.
Isso acontece, no caso dos plásticos, com “material muito degradado”, que não pode ser reaproveitado, ou com “materiais que misturam vários tipos de plástico”.
“Aí, também pode não ser economicamente possível. Até pode ser reciclado, mas pode haver tão pouco daquele plástico que não é viável”.
Joana Prata admite que “é preciso muita regulação em termos de plástico, de aditivos”, reconhecendo que “a União Europeia está a fazer um esforço”, mas que “é muito difícil”.
“Há muitos plásticos diferentes, apesar das categorias de polímeros grandes, cada tipo de plástico tem uma mistura de aditivos que ninguém sabe muito bem o que é, é um segredo industrial de cada empresa. É muito difícil chegar a conclusões, porque o mercado é muito grande e há muita coisa. Mas sim, o ideal era conseguirmos regular e que fosse tudo reciclável”, concretiza.
No estudo “The road to sustainable use and waste management of plastics in Portugal”, (“O caminho para um uso e gestão sustentáveis dos plásticos em Portugal”, em tradução livre) publicado recentemente no jornal Frontiers of Environmental Science & Engineering, a equipa da Universidade de Aveiro fez uma revisão de literatura em que agrega “muita informação que estava dispersa e era facilmente acessível”.
A partir daí são tiradas “algumas conclusões sobre o que se estava a passar em Portugal”, explica a investigadora e sugeridas algumas soluções.
O trabalho agora publicado analisa também a balança comercial portuguesa no que se refere aos plásticos.
“Portugal importa muitos plásticos, e também exporta, maioritariamente da União Europeia. Esta reciclagem e valorização dos plásticos, a nível energético ou do material, traz muitos benefícios ecológicos e económicos”.
A investigadora destaca que, “se Portugal conseguisse valorizar esses resíduos, seria uma referência a nível europeu”.
“Se já importa, e a maior parte dos resíduos que recebemos vai para reciclagem – 30,8% –, e uma fração grande para produção de energia, podemos aumentar mais e ser uma referência a nível europeu”.
Portugal tem ainda “outra área em que pode ser uma referência”, a “produção de bioplásticos”.
“Temos a parte agroflorestal e marinha, podemos produzir bioplásticos a partir desta matéria orgânica, e por isso também ser uma fonte de bioplásticos para a União Europeia. Se fizéssemos biorrefinarias e aproveitássemos estas substâncias, podíamos ter também valor acrescentado para a economia”, aponta.
Joana Prata refere também o problema da taxa de gestão de resíduos, “que foi aumentada de 11 para 22 euros”, mas que, por ser taxada diretamente ao consumidor, “via conta da água”, “não está a diferenciar quem recicla de quem não recicla, ou quem produz muitos resíduos ou não”.
“Os municípios já estão a ameaçar que não vão premiar a reciclagem, vão apenas aumentar a taxa nos consumidores”, mas sem que essa distinção seja feita, indo “contra a teoria do poluidor pagador”.
“Esta taxa de resíduos pode aumentar, talvez até deva, está abaixo da média europeia, mas simplesmente aumentar sem qualquer medida para proteger os consumidores não faz sentido, os municípios apenas vão aumentar a taxa para os consumidores e não reciclar mais, que era o pretendido”, conclui.
Outro dos diagnósticos referidos no estudo é que, em Portugal, em 2015 e 2016, foi registada “uma mediana de 300 itens de lixo por 100 metros de praia”, valor que “está acima da mediana da União Europeia, de 149 itens [por 100 metros), e muito acima do objetivo de 20 itens por 100 metros”.
A reciclagem mecânica “não vai conseguir tratar do assunto”, refere a especialista, elencando outras formas de aproveitamento, “que pode ser energético”, através da incineração, ou, pela pirólise, que permite a produção de hidrogénio.
Joana Prata especifica que “os estudos em Portugal que compararam a incineração com recuperação energética à alternativa, que é o aterro destes resíduos, com impacto grande no ambiente”, mostram que “a incineração tem um benefício ecológico”:
Por outro lado, a pirólise permite transformar os plásticos “em moléculas mais simples”.
“O benefício destas técnicas é que têm infraestruturas mais baratas do que uma incineradora para recuperação de energia, e permitem, com outras técnicas, fazer a produção de hidrogénio a partir dos resíduos. E podemos juntar-nos ao Plano Nacional de Hidrogénio”, detalha.
Ainda assim, a reciclagem é “preferencial, porque, quando fazemos incineração, estamos a recuperar energia mas a perder o material, temos de o produzir de novo”.
Todas estas “são opções que devem ser tomadas antes de ir ao aterro”, assevera a especialista.
Fonte: Greensavers
Portugal e Timor-Leste assinaram hoje acordos de cooperação bilateral e técnico-científica no setor agrícola e para desenvolvimento do café, o produto não-petrolífero mais exportado pelo país.
Os dois textos, assinados hoje em Díli pelo embaixador de Portugal, José Pedro Machado Vieira, e pelo ministro da Agricultura e Pescas timorense, Pedro dos Reis, permitem continuar o projeto da Quinta Portugal, em Aileu, e aprofundar a investigação no setor do café.
O Projeto Quinta Portugal, que nasceu em 2000, é o maior projeto de cooperação bilateral portuguesa no setor da agricultura em Timor-Leste, sendo atualmente financiado pelo Camões, IP e implementado em parceria com o MAP.
Além de um memorando de entendimento geral, foi assinado um protocolo, a implementar ao longo de três anos, direcionado especialmente para o setor do café.
O protocolo de cooperação, que envolve ainda o Centro de Investigação das Ferrugens do Cafeeiro (CIFC) do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa, pretende “reatar e aprofundar o trabalho, iniciado entre 2009 e 2012, de caracterização e estudo das raças de ferrugem do cafeeiro existentes em Timor-Leste e a identificação de plantas promissoras para a criação de novas variedades de cafeeiro Arábica resistentes à doença”.
A ferrugem alaranjada é a doença mais importante do cafeeiro Arábica podendo causar perdas de produção superiores a 30%.
A doença, causada pelo fungo Hemileia vastatrix, infeta as folhas do cafeeiro, formando, na página inferior, pústulas de soros uredospóricos de cor alaranjada, o que pode provocar a queda prematura das folhas e enfraquecer a planta.
Especialistas notam que as raças fisiológicas da doença identificadas em Timor-Leste estão caracterizadas pelo CIFC como “das mais virulentas de todo o mundo”.
A investigação permitirá, segundo os textos que acompanham os documentos assinados, conhecer melhor a doença e as principais raças existentes no território de Timor-Leste e, além disso, ajudar a identificar plantas produtivas e resistentes à doença.
Estas melhorias, a par da adoção de melhores técnicas de gestão das plantações (podas, adubações, etc.) são consideradas “estratégias fundamentais para o desenvolvimento da cafeicultura em Timor-Leste”, explicam os responsáveis do projeto.
José Pedro Machado Vieira recordou que o protocolo marca 21 anos de cooperação portuguesa contínua no setor agroflorestal em Timor-Leste, com a criação da Quinta de Portugal.
Projeto que, recordou, estabeleceu e manteve campos de demonstração, aumentou e diversificou o património vegetal, tendo “produzido mais de um milhão de plantas que apoiaram atividades de reflorestação em Timor-Leste”.
Em paralelo, recordou, foram capacitados milhares de agricultores, estudantes e técnicos, com apoio a produtores de café, incluindo na melhoria da gestão e produção.
Pedro Reis saudou o apoio de longa data que Portugal tem dado a Timor-Leste no setor agrícola, “ajudando a melhorar um setor de que depende a maioria da população timorense”, frisando em particular a importância do setor do café.
O governante mostrou-se otimista que as investigações ajudem a melhorar a qualidade e produção do café em Timor-Leste, crucial para as receitas de uma fatia significativa das famílias do país, corrigindo problemas que hoje afetam o setor.
“O café é o principal produto agroflorestal e a maior exportação não petrolífera, e contribui para os rendimentos de cerca de 37% de famílias da timorense”, disse.
“No entanto, nas plantações de café, olhando para os resultados, as produções são muito baixas porque os agricultores não dão muita importância à necessidade de reabilitação e gestão das plantações”, disse o ministro, notando que por isso, e pelo impacto da ferrugem, “cerca de metade dos produtores de café vivem com rendimentos abaixo da linha da pobreza”.
Os estudos anteriores foram levados a cabo no âmbito da cooperação bilateral e envolvendo o entretanto extinto Instituto de Investigação Científica Tropical, através do Centro de Investigação das Ferrugens do Cafeeiro, que atualmente integra o Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa.
Em concreto, os estudos permitiram identificar três novas raças de ferrugem alaranjada, com elevados níveis de virulência, nunca antes encontrados em rastreios realizados noutros países produtores de café.
“Sabendo-se que a ferrugem alaranjada é a doença mais importante do cafeeiro Arábica, podendo causar perdas de produção superiores a 30%, acreditamos que o seu estudo tem uma importância estratégica não apenas no contexto de Timor-Leste, mas também em todos os países produtores mundiais de café”, sublinhou José Pedro Machado Vieira.
Fonte: Agroportal
No Algarve, a seca está a levar à escassez de alimento e água para as abelhas. Por isso, o pólen está a ser substituído por açúcar. A Melgarbe alerta os consumidores portugueses para o facto de que "é indispensável preservar as abelhas, em Portugal, e a melhor forma de o fazer é consumindo mel de produtores portugueses".
A seca prolongada que se faz sentir no nordeste algarvio está a pôr em risco as colónias de abelhas da região. O incêndio do ano passado, em Castro Marim, deixou um rasto de destruição de cerca de seis mil hectares de área ardida. Como consequência, as abelhas afastaram-se para a faixa litoral em busca de alimento, porém, tudo o que encontraram ao tocar nas flores foram herbicidas. De modo a preservar a espécie, a alternativa ao pólen teve, assim, de ser o açúcar.
O agrónomo Paulo Ventura justifica que "como aquela região é muito árida, e pouca precipitação houve desde o incêndio, a reposição da flora para que as abelhas se alimentem tarda e, por isso, tivemos de recorrer a esta situação de emergência". Nesse sentido, o Governo já distribuiu oito toneladas deste produto aos apicultores e, para compensar a falta de pastagens, a Direção Regional de Agricultura e Pescas (DRAP) anunciou que vai também distribuir 13,5 toneladas de palha e 8100 kg de milho e cevada pelos produtores pecuários.
De acordo com a Melgarbe, o Algarve é, atualmente, a principal região produtora de mel no país, com uma média de 900 toneladas por ano. Assim, Paulo Ventura alerta os consumidores portugueses para o facto de que "é indispensável preservar as abelhas, em Portugal, e a melhor forma de o fazer é consumindo mel de produtores portugueses". Atualmente, mais de 80% da produção de mel destina-se à exportação, principalmente para a França e a Alemanha, porque o consumo nacional é muito reduzido.
Fonte: TSF
O fundador da Impossible Foods, Patrick Brown, marcou hoje presença no Web Summit, onde debateu com Andy Serwer, editor-chefe da Yahoo Finance, como é que uma dieta de base vegetal pode combater as alterações climáticas.
A empresa surgiu da necessidade de transformar o sistema alimentar global, que o próprio considerou que era “fazível e incrivelmente urgente”.
A agricultura tem um impacto ambiental que corresponde a cerca de 17% das emissões de gases com efeito de estufa de todos os setores, impacto esse que, Segundo o criador da Impossible Foods, é reversível se mudarmos o nosso estilo de vida.
”Para sucedermos, não podemos apenas fazer algo que é uma réplica decente de um produto animal, temos de fazer um produto que é preferível para os consumidores em todas as maneiras que interessam, o que significa, ser mais barato, mais saudável, mais sustentável e mais delicioso”, refere.
De momento, a Impossible Foods já lançou no mercado alternativas vegetais de salsichas, bife de porco e de nuggets de frango, mas planeia lançar novos produtos num futuro próximo.
A missão da empresa é chegar a todos os mercados. Atualmente, a única barreira que existe para entrar no espaço da União Europeia (UE) é a presença de um ingrediente indispensável para garantir o sabor, a molécula heme. Embora exista em vários alimentos, nunca tinha sido usada para fazer comida. O fundador prevê que, em um ou ano e meio, já esteja tudo aprovado para entrar no mercado da UE.
Fonte: Greensavers
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