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O tempo seco e o cancelamento de certames devido à pandemia da covid-19 são os principais problemas que afetam a produção e a venda de castanha em Marvão, no Alto Alentejo, lamentaram hoje os produtores.

“Este ano está tudo complicado, a produção quebrou cerca de 50% devido ao tempo, choveu, mas foi fora das épocas do que deveria chover e esta última castanha precisava de chuva”, disse hoje à agência Lusa o produtor e empresário José Mário.

O microclima da Serra de São Mamede, propício à produção de castanha, já levou a que as entidades que tutelam o setor considerassem a castanha de Marvão como de “origem protegida”.

Numa zona do distrito de Portalegre onde predominam nos campos as espécies Bária e Clarinha, o mesmo produtor indicou que, apesar dos “contratempos” que estão a enfrentar, o calibre da castanha é “razoável” este ano.

A pandemia da covid-19 também dificultou a atividade dos produtores que escoavam grande parte do seu produto para feiras e festas, na maioria promovidas por municípios e juntas de freguesias.

“Não há Feira da Castanha de Marvão, os outros eventos não se fazem, eu tinha clientes que me pediam mil quilos e agora pedem quinhentos quilos, como é o caso de câmaras e juntas de freguesia que tinham eventos e não fazem”, lamentou.

Apesar destes problemas, José Mário garantiu que se “tem vendendo” castanhas a um preço a rondar os dois euros o quilo [calibre 32] e que a sua produção está “quase despachada”.

Contactado pela Lusa, o produtor Mário Galego explicou que a produção “não está má”, mas que o calibre da castanha é “complicado” devido, “provavelmente”, ao tempo seco.

“O escoamento está muito complicado, está a vender-se com mais dificuldade, não há feiras, não há nada e estamos a preparar para enviar para a indústria que é o único escoamento que temos neste momento”, acrescentou.

Para minimizar o impacto económico negativo junto dos produtores, a Câmara de Marvão está a promover este mês uma iniciativa gastronómica dedicada à castanha em 16 restaurantes aderentes do concelho.

O evento “Mês Gastronómico da Castanha”, que começou no domingo e vai decorrer até ao dia 29 deste mês, pretende promover Marvão enquanto “destino gastronómico de eleição” e está integrado no conjunto de iniciativas intitulado “Mês da Castanha em Marvão”.

Segundo a autarquia, o principal objetivo da iniciativa gastronómica é “incentivar a utilização da castanha de Marvão, classificada como produto de Denominação de Origem Protegida (DOP), na gastronomia, motivando a sua inclusão nas ementas e pratos típicos dos restaurantes do concelho”.

As iniciativas integradas no “Mês da Castanha em Marvão” visam “minimizar, tanto quanto possível, o impacto económico negativo” do cancelamento da edição deste ano da Feira da Castanha – Festa do Castanheiro, em Marvão, devido à pandemia de covid-19.

Fonte: Agroportal

As autoridades francesas renovaram os alertas sobre o consumo de cogumelos selvagens, após centenas de casos de envenenamento nos últimos meses.

A Agência Francesa para Alimentos, Saúde e Segurança Ocupacional e Ambiental (ANSES) informou que os centros de controlo de venenos registaram um aumento acentuado de casos, desde o início da temporada de colheita de cogumelos no início do outono, especialmente nas últimas semanas.

Os riscos de envenenamento incluem a confusão de um tipo comestível com uma espécie tóxica ou o consumo de cogumelos comestíveis em más condições, com má cozedura ou que foram armazenados incorretamente. A maioria dos casos é devido à colheita errada, mas ocasionalmente são devido à compra em mercado/loja, ou ao consumo num restaurante.

Estatísticas de intoxicação mais recentes

Desde julho de 2020, os centros de controlo de intoxicações registaram 732 casos de intoxicação, incluindo cinco pessoas em estado grave.

A confusão entre as espécies por vezes acontece por meio do uso de aplicativos de reconhecimento de fungos em smartphones, que identificam incorretamente os cogumelos, segundo a ANSES.

Em 2019, mais de 2.000 casos foram notificados aos centros de controlo de intoxicações entre julho e dezembro. Enquanto a maioria dos envenenamentos foram menores, houve 24 casos de alta gravidade com prognóstico de risco de vida e três mortes. Mais da metade de todos os casos ocorreram em outubro, quando as condições climatéricas combinando chuva, humidade e temperaturas mais baixas favoreceram o crescimento e a colheita de cogumelos selvagens.

Os sintomas são principalmente digestivos e incluem dor abdominal, náuseas, vómitos e diarreia. O início da doença varia e geralmente ocorre algumas horas após o consumo, mas pode demorar mais e ultrapassar 12 horas. As pessoas devem tomar nota da hora da última refeição e o início dos primeiros sintomas, e manter quaisquer sobras de cogumelos selvagens para identificação.

Este tipo de envenenamento pode ter consequências graves para a saúde, como distúrbios digestivos graves, complicações renais ou danos no fígado que podem exigir hospitalização ou levar à morte.

O mesmo problema em outro lugar

Em outubro deste ano, o Ontario Poison Center alertou o público sobre os perigos da colheita de cogumelos após um aumento nas chamadas. O aumento incluiu casos em que as pessoas tiveram de ser hospitalizadas após consumir cogumelos selvagens. Em setembro, o centro recebeu 72 ligações diretamente relacionadas a exposições a cogumelos, em comparação com 38 em setembro de 2019.

No mesmo mês, funcionários da cidade italiana de Sassari detetaram três casos de envenenamento por cogumelos selvagens. O primeiro envolveu uma criança que comeu cogumelos porcini comestíveis. A segunda intoxicação foi causada pelo consumo em quantidades excessivas de cogumelos da espécie Leucopaxillus lepistoides. O terceiro caso ocorreu após ingestão de Amanita phalloides e a paciente necessitou de tratamento hospitalar.

Autoridades em Hong Kong investigaram suspeitas de envenenamento relacionado ao consumo de cogumelos selvagens em setembro. Um menino de cinco anos e uma mulher de 47 anos desenvolveram náuseas, vómitos e diarreia por cerca de uma hora após consumir cogumelos em casa. Um mês antes, uma mulher de 54 anos relatou náuseas, dor abdominal e diarreia uma hora depois de cozinhar cogumelos em casa e necessitar de tratamento hospitalar.

Em maio, uma série de envenenamentos graves ocorreram em Victoria, Austrália, devido aos cogumelos Death Cap e Yellow-colored. A temporada de cogumelos na Austrália do Sul coincidiu com mais pessoas em casa e houve um aumento nas ligações para a linha direta de informações sobre venenos daqueles que buscavam ajuda após comer cogumelos selvagens. No total, 21 das 30 chamadas em 2020 envolveram crianças pequenas e cinco foram encaminhadas para o hospital.

Fonte: Food Safety News

 

As especiarias são comercializadas há séculos e continuam a ser extremamente populares. Mas como garantir a qualidade e autenticidade dos produtos? A euronews visitou uma loja de especiarias, na Bélgica. O proprietário do comércio aposta na venda de produtos de qualidade mas tem consciência que a fraude é um risco frequente.

"Geralmente, há fraudes em especiarias muito caras, por exemplo no açafrão, que é uma especiaria que vale tanto como o ouro. O que gera um grande interesse. Os pós também são alvo de fraudes porque podem ser mais facilmente falsificados. É por isso que fazemos os nossos próprios pós, compramos as especiarias inteiras e somos nós que as moemos”, explicou Alexandre Veuve, dono de uma loja de especiarias.

Sabia que:

  • A canela é uma das mais antigas especiarias do mundo.
  • A pimenta é a especiaria mais comercializada.
  • O açafrão é a especiaria mais cara.
  • A Índia é o maior produtor mundial de especiarias.
  • As especiarias são uma grande fonte de vitaminas e minerais.
  • A Adulteração é um risco para a economia e para a saúde.

- Em que consistem a maioria das fraudes?

  • Substituir uma especiaria por outra, por exemplo, substituir os óregãos por folhas de oliveira.
  • Tornar as especiarias mais atrativas com o uso de corantes, por exemplo, colorir a paprica.

Unidade europeia anti-fraude

Joint Research Centre, em Geel, acolhe a unidade anti-fraude alimentar da União Europeia.

Os cientistas analisam amostras de especiarias com base em tecnologias de ponta. Uma das ferramentas mais eficazes é a análise de ADN. O mapa genético de cada especiaria permite detetar a eventual presença de materiais biológicos externos. O uso de vegetais mais baratos ou a adição de corantes são o tipo de fraude mais frequentes.

"Um exemplo é o açafrão: encontrámos amostras que não eram de açafrão. A análise da sequência de ADN mostrou que se tratava de outra especiaria que vendida como açafrão. Outro exemplo é a curcuma (açafrão das Índias). Encontrámos uma amostra que era na realidade colorau em pó, que foi colorido para parecer curcuma", contou Antoon Lievens, Biólogo Molecular, Unidade de Detecção e Prevenção de Fraudes, do Joint Research Center da UE.

A eficácia da espectroscopia

A espectroscopia é um método extremamente eficaz. Não exige uma preparação especial das amostras e dá uma resposta rápida. As amostras podem ser testadas no país de importação ou no local onde são postas à venda.

“A espectroscopia baseia-se na incidência de um raio de luz na amostra, que faz vibrar as moléculas. Obtemos um espectro dessas moléculas. Quando analisamos um alimento puro, obtemos um espectro puro desse alimento. Em caso de adulteração, o espectro, a vibração da molécula, é diferente", explicou Jone Omar, cientista química da Unidade de Detecção e Prevenção de Fraudes.

A fluorescência de raios-X

Outra técnica utilizada é a fluorescência de raios-X que revela a eventual presença de matérias inorgânicas, como a areia ou a argila. Quando se deteta uma adulteração, o caso é encaminhado para a inspecção.

"Uma das medidas é o envio de inspetores à empresa, ver a contabilidade e os documentos de transporte, para estabelecer a cadeia de rastreabilidade, para rastrear o produto até à origem", afirmou Franz Ulberth, Chefe da Unidade de Detecção e Prevenção de Fraudes, do Joint Research Centre da UE.

Fonte: Euronews

 

O estudo conclui que Portugal é o pior dos 15 países do Mediterrâneo no que diz respeito à pegada alimentar.

Portugal importa 73% dos alimentos e é o país mediterrânico com a maior pegada alimentar per capita, conclui um estudo da Universidade de Aveiro (UA) divulgado esta segunda-feira.

"A alimentação pesa 30% na pegada ecológica dos portugueses, mais do que os transportes ou o consumo de energia, percentagem que faz de Portugal o país mediterrânico com a maior pegada alimentar per capita", referem os investigadores.

De acordo com os dados constantes daquele trabalho científico, a "Pegada Ecológica" nacional, por habitante, é superior à biocapacidade do país ou do próprio planeta.

"Significa que, se todas as pessoas no mundo consumissem como os portugueses, precisaríamos de 2,3 planetas Terra" refere o estudo, revelando que 20% dizem respeito aos transportes e 10% à habitação.

"A pegada alimentar avalia em hectares globais (gha) a quantidade de recursos naturais que necessitamos para produzir o que comemos num ano. Sabendo que o país tem anualmente um 'orçamento natural' de 1,28 gha por habitante [valor de 2016], percebemos que só para nos alimentarmos 'gastamos' 1,08gha, ou seja, 84% desse orçamento", aponta Sara Moreno Pires, professora do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da UA.

Segundo a investigadora, grande parte da biocapacidade necessária para a alimentação da população portuguesa provém de outros países, como Espanha, França, Ucrânia ou mesmo China e Senegal, o que implica uma pressão e uma dependência desses ecossistemas.

"Portugal é, por esses motivos, o pior país de 15 países do Mediterrâneo no que diz respeito à pegada alimentar", alerta.

Portugal é o terceiro maior consumidor de pescado do mundo, com cerca de 61,7 quilos consumidos por pessoa em 2017, e 60% da biocapacidade para produzir esse pescado vem de outros países, sendo Espanha um dos principais parceiros comerciais.

"A elevada intensidade da pegada ecológica de peixes como o atum, espadarte e bacalhau e a sua força cultural na alimentação portuguesa salientam ainda mais o impacto elevado do consumo de peixe na pegada alimentar", destaca o trabalho.

O estudo identifica a dependência da biocapacidade de países estrangeiros (como a Espanha, França, Brasil, ou mesmo a China) para produzir recursos alimentares, de modo a satisfazer a procura dos portugueses, sendo as categorias mais dependentes as de "pão e cereais" (em que se importa quase 90% dos hectares globais necessários à sua produção), "açúcar, mel, doces e chocolate" (com um importação na ordem dos 80%) ou "gorduras alimentares" (com cerca de 73%).

Para além da relação comercial com países europeus, o estudo aponta a dependência de países como Uruguai na carne, África Ocidental e Senegal no peixe, EUA no leite e produtos lácteos, Argentina, Canadá e Brasil nas gorduras alimentares ou frutos, e China nos frutos e nos vegetais.

O estudo intitulado "Transição alimentar sustentável em Portugal: uma avaliação da pegada das escolhas alimentares e das lacunas nas políticas de alimentação nacionais e locais", assinado por investigadores da UA e da Global Footprint Network, conclui pela insustentabilidade dos padrões alimentares dos portugueses e a ainda frágil estrutura de políticas públicas para inverter essa tendência.

Para além de Sara Moreno Pires, assinam o trabalho pela Universidade de Aveiro Armando Alves e Filipe Teles.

Fonte: SIC Notícias

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, anunciou no passado domingo em entrevista televisiva que as grandes superfícies comerciais francesas não vão poder vender bens não essenciais a partir de terça-feira. O objetivo da medida passa por evitar um clima de competição desleal numa altura em que todos os serviços não essenciais encerraram, devido ao segundo confinamento nacional, anunciado por Emmanuel Macron na passada sexta-feira.

“Situação dramática”. É assim que os pequenos comerciantes descrevem a sua condição, depois de verem os seus espaços encerrar, principalmente numa época que antecede ao Natal. Após ter-se reunido com várias associações de defesa do comércio local e das grandes cadeias de supermercados, o Governo francês decidiu que “por equidade” se deva proibir a venda de bens que não sejam de primeira necessidade em grandes superfícies.

Sindicatos de comerciantes mostraram-se a favor da decisão, mas frisam que o importante seria a reabertura das lojas. Mas o primeiro-ministro francês já veio esclarecer: “Nós não vamos rever as medidas anunciadas [de um novo confinamento]. Não é definitivamente o tempo certo. É muito cedo. Não vai haver reabertura e todos os donos de negócios e todos nós temos de ser vigilantes e temos de respeitar o confinamento”.

Apesar do levantamento do confinamento estar previsto para 1 de dezembro, o ministro das finanças francês, Bruno Le Maire, prometeu que ia rever a situação a 12 de novembro: “Podemos reabrir várias lojas se a situação de saúde permitir”, dá conta a imprensa local. E também anunciou 20 milhões de euros de ajudas suplementares para os comerciantes obrigados a fechar.

O encerramento de lojas não essenciais não ocorreu em todo o país. Alguns autarcas de pequenas cidades francesas, como Perpignan, Brive, Beaune, entre outras, desafiaram o poder central e decidiram que não iam fechar as lojas devido à desigualdade face às grandes superfícies e às vendas de comércio online. O ministro das finanças francês criticou a atitude de “alguns autarcas irresponsáveis que contrariam as ordens tomadas pelo Estado” e afirmou que não estavam a “ajudar os comerciantes”, mas “a pôr em risco a saúde dos franceses”.

Embora a atitude de alguns autarcas tenha gerado a indignação ao governo, o primeiro ministro francês reconheceu, no entanto, que as proibições de venda de bens não essenciais nas grandes superfícies poderá não ser suficiente e considerou que os grandes beneficiários desta decisão poderão ser as vendas online.

França anunciou um novo confinamento na passada sexta-feira, que previa o encerramento de todos os serviços não essenciais, incluindo livrarias, restaurarantes, entre outros, devido ao aumento de casos do novo coronavírus — O país atingiu os 45.570 casos no passado domingo e 231 mortes.

Fonte: Observador

São anos de investigação, entre os mergulhos junto à costa de Peniche e nas Berlengas para recolher algas e microrganismos marinhos, e o trabalho no laboratório, naquela cidade costeira: o centro MARE-Politécnico de Leiria, que estuda as potencialidades dos recursos marinhos para aplicações em biotecnologia, nas áreas da saúde, alimentar, farmacêutica ou cosmética.

Os resultados, com novidades para contar, não podiam ser mais compensadores. Um deles é o da descoberta de dois novos compostos que foram pela primeira vez descritos no ambiente marinho. Um chama-se sphaerodactylomelol. Em relação ao outro, ainda não chegou o momento de lhe revelar o nome. Os investigadores do MARE-Politécnico de Leiria vão agora estudar as suas propriedades e potenciais aplicações em biotecnologia.

Mas outra descoberta importante é a de que duas das moléculas isoladas a partir de uma pequena alga vermelha (Sphaerococcus coronopifolius) demonstraram ter propriedades contra o cancro, o que abre agora a porta a novas investigações.

Os resultados serão apresentados nesta semana no encontro Ciência 2020, que anualmente reúne a comunidade científica nacional e que nesta edição, por causa da situação pandémica, decorre num misto de conferências presenciais e apresentações através da internet. A apresentação dos investigadores do laboratório MARE, em Peniche, será feita nesta terça-feira, justamente em formato digital.

Do mar para as aplicações na saúde

"Isolámos um conjunto de sete compostos a partir daquela macroalga vermelha e verificámos em modelos celulares de cancro humano que dois deles inibem a proliferação de esferas tumorais", conta o investigador Celso Alves, que há dez anos trabalha no MARE-Politécnico de Leiria, e que integra a equipa que está a desenvolver a pesquisa, em colaboração com grupos de outras universidades portuguesas e internacionais

Chegar a estes resultados levou, no entanto, o seu tempo, e identificar a alga certa também não aconteceu de imediato, uma vez que foi preciso recolher amostras de muitas espécies diferentes e, depois, testá-las a todas, uma a uma, e às respetivas moléculas.

"Avaliámos um total de 27 espécies de algas e dois dos compostos desta alga vermelha demonstraram ter esse efeito antitumoral", resume Celso Alves.

Numa primeira abordagem a equipa usou linhas celulares derivadas do cancro de pulmão, e os resultados foram tão positivos que o trabalho avançou a partir daí, testando outras linhas celulares de cancro de fígado e colorretal, graças a um projeto financiado em 172 mil euros pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

Foi o projeto Red2Discovery, realizado em colaboração com equipas das universidades de Coimbra e de Santiago de Compostela, que terminou no ano passado. O trabalho permitiu fazer a caracterização exaustiva dos efeitos antitumorais daqueles dois compostos, testando-os em modelos celulares de cancro ainda mais complexos do que os anteriores.

Nesta altura já decorre, entretanto, o aprofundamento da investigação, agora no âmbito de um outro projeto mais vasto, o Point4Pac, que é liderado pelo Instituto de Investigação do Medicamento da Universidade de Lisboa (iMed.ULisboa), com um financiamento global de dois milhões de euros do COMPETE 2020, e cujo objetivo é acelerar o desenvolvimento de tecnologias e terapias inovadoras em cancro.

"O nosso contributo é isolar e fornecer as moléculas de origem marinha para serem avaliadas na sua ação antitumoral", esclarece o investigador do MARE-Politécnico de Leiria. E há ainda muito para estudar e testar. Desenvolver novas terapias e medicamentos é sempre trabalho para uma década, ou mais.

"Neste momento estamos a tentar compreender em detalhe como os compostos atuam, avaliando vários tipos de cancro e de células tumorais", explica Celso Alves. O caminho ainda é longo e nada está ganho à partida.

"É preciso perceber se o efeito destes compostos marinhos é superior ao de outros medicamentos já existentes. Se não for, acabará por não valer a pena produzir um novo fármaco a partir deles", diz o investigador.

Outra possibilidade é a de eles potenciarem o efeito terapêutico de fármacos já existentes em cancro. "Essa é outra das hipóteses que vamos analisar, e se houver bons resultados poderemos avançar para estudos mais complexos em modelo animal", estima.

Seja o que for que aconteça, estes são já conhecimentos novos sobre os recursos marinhos da costa portuguesa. E, nesse sentido, constituem uma base de partida para trabalhos futuros, na eventual busca de soluções para outros problemas em saúde ou em farmacologia.

"Com o nosso trabalho estamos a produzir conhecimento sobre os recursos marinhos da costa portuguesa e as suas potencialidades de aplicação em biotecnologia, algo que está ainda muito pouco explorado no nosso país", diz Celso Alves. E conclui: "Este é um património de conhecimento novo, no qual poderemos, no futuro, procurar respostas e soluções para muitos outros problemas e desafios."

Fonte: Diário de Notícias

Os hábitos alimentares inadequados estão entre os cinco fatores que mais contribuem para a perda de anos de vida saudável dos portugueses, segundo o estudo Global Burden Disease de 2019.

O elevado consumo de carne vermelha, o baixo consumo de cereais integrais e o elevado consumo de sal são, entre esses fatores, os hábitos que mais contribuem para a perda de anos de vida com saúde, de acordo com a análise feita, que integra o relatório anual do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), publicado pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Em comunicado enviado à agência Lusa, é referido que o estudo conclui existir uma melhoria da prestação de cuidados nutricionais, em particular ao nível dos cuidados de saúde hospitalares, desde que em 2018 entrou em vigor o despacho que determinou a identificação do risco nutricional a todos os doentes hospitalizados.

"A maioria das unidades hospitalares do Serviço Nacional de Saúde (68,3%) tem atualmente o rastreio do risco nutricional implementado", sublinha a mesma nota.

O documento pretendeu, além de fazer um diagnóstico da situação epidemiológica, apresentar dados relativos à avaliação dos resultados alcançados por diferentes medidas que foram implementadas pelo PNPAS ao longo dos últimos anos.

Os efeitos da lei que aplica restrições à publicidade alimentar dirigida a menores de 16 anos foi um dos elementos avaliados.

Se os canais infantis já não transmitem publicidade a alimentos, cerca de 10% dos anúncios nos canais de televisão generalistas são alusivos a alimentos e, nesses, a maioria (65,6%) do que é publicitado "não cumpre o perfil nutricional definido pela DGS e 18,6% dos anúncios a alimentos ainda apresentam conteúdo dirigido a crianças", acentua o mesmo comunicado.

O estudo avaliou ainda o impacto da campanha "Comer melhor, uma receita para a vida", realizada em novembro de 2019, que se estima ter chegado a "meio milhão de portugueses" que tiveram contacto com a iniciativa e que compreenderam a mensagem veiculada, acentua a DGS, em comunicado.

Fonte: TSF

 

A ANEBE – Associação Nacional de Empresas de Bebidas Espirituosas continua empenhada em contribuir para encontrar medidas que permitam ao país equilibrar a atividade económica e a promoção da saúde pública. Neste contexto, a ANEBE defende a eliminação da restrição de venda de bebidas alcoólicas a partir das 20h00.

A ANEBE defende a autorização da venda de bebidas alcoólicas no retalho e “off-trade” – lojas, supermercados, entre outras – até aos horários em vigor definidos pelo Governo encerramento dos estabelecimentos comerciais. Esta medida de antecipação da quadra natalícia, permitirá dispersar os clientes por uma janela de tempo mais ampla, em que vigora o período de abertura das lojas, contribuindo para evitar filas e a concentração de pessoas nos estabelecimentos e, portanto, ajudando a evitar contágio.

A ANEBE considera que o racional da aplicação desta medida proibitiva não é significativo durante o Inverno, uma vez que é no contexto do Verão que existe potencialidade de jovens adquirirem bebidas alcoólicas nos supermercados e/ou lojas e predisposição para agrupamentos na rua para esse efeito.

Acresce que a criação de barreiras à compra legal de álcool conduz a uma série de externalidades negativas, como:

  • O ressurgimento de bebidas contrafeitas no mercado com consequências de saúde para os consumidores;
  • O consumo por parte de menores e consumos abusivos sem controlo;
  • Perdas de empregos com efeito dominó em toda a cadeia de valor do sector;
  • Menor arrecadação fiscal pelo Estado, através dos impostos de consumo, numa altura que os governos lutam para dilatar os seus orçamentos e criam pacotes de estímulo às economias.

A acumulação de perdas históricas de todo o sector das bebidas alcoólicas durante a crise pandémica, a crise no turismo e de confiança dos consumidores, bem como as restrições nos pontos de venda no Canal Horeca (especialmente, bares e discotecas) ameaçam toda a cadeia de valor, pelo que é necessário ter em consideração os impactos negativos no sector. Esta medida, que concilia a atividade económica e o primado da saúde pública, seria um importante sinal para o sector e para os consumidores, sobretudo na Quadra Natalícia que agora se aproxima.

Minimizar o impacto da pandemia

João Vargas, secretário-geral da ANEBE, refere que “todo o sector das bebidas alcoólicas anseia por medidas que minimizem os impactos da pandemia”. Por isso, em consonância com o espírito colaborativo que norteia a sua atuação, a ANEBE apresentou junto do Ministério da Economia uma medida alternativa caso não seja possível inverter a determinação de proibição da venda de bebidas alcoólicas após as 20h00.

A ANEBE propôs que a proibição da venda de bebidas alcoólicas a partir das 20h00 apenas se aplique quando não se verificar a aquisição de um valor mínimo de alimentos sólidos, não aperitivos, num valor mínimo de despesa na loja de 25 euros. Esta é uma forma de evitar a aquisição de bebidas apenas para consumo de rua e permite conciliar a atividade económica com o controlo da pandemia”, acrescenta.

A ANEBE reafirma sempre que o consumo de bebidas alcoólicas em excesso é uma das maiores preocupações e prioridades de ação e de toda a indústria das bebidas espirituosas e defende que a aplicação de normas e a avaliação dos seus impactos, como forma de prevenção e fomento da saúde pública, devem ser desenvolvidas em ambiente de cooperação entre o poder político e as autoridades de saúde e as associações e movimentos do sector.

Fonte: Grande Consumo

A Dieta Mediterrânica representa um modelo alimentar promotor da saúde, importante na prevenção de diversas doenças crónicas muito prevalentes na população portuguesa. Neste sentido é prioritário que a população o conheça e que tenha uma elevada adesão a este padrão alimentar.  

Para se conhecer em que medida a população portuguesa conhece e adere à Dieta Mediterrânica a Direção-Geral da Saúde promoveu um estudo observacional com uma amostra da população de 1000 inquiridos residentes em Portugal, com mais de 16 anos de idade e a recolha de dados decorreu durante o período de 1 a 17 de setembro de 2020.

Relativamente à notoriedade da Dieta Mediterrânica, 62% dos inquiridos dizem já ter ouvido falar em Dieta Mediterrânica e destes, 80% dizem saber o que é a Dieta Mediterrânica. Para os inquiridos as principais características da Dieta Mediterrânica são a “confeção de alimentos com azeite” (77%), o “consumo elevado de fruta e hortícolas frescos” (68%) e um “maior consumo de peixe do que de carne” (41%).

Apesar deste conhecimento, apenas 26% da população portuguesa apresenta uma elevada adesão à dieta mediterrânica, sendo que a maioria da população tem um consumo de leguminosas, hortícola, fruta e frutos secos oleaginosos abaixo do desejável.

De sublinhar que a elevada adesão a este padrão alimentar parece estar associado às populações com maior escolaridade e rendimento.

Este trabalho lança por isso novas pistas para a salvaguarda deste património nacional, tanto para os profissionais como para o delinear das políticas públicas.

Fonte: DGS

O Parlamento Europeu votou contra a proposta de proibição da utilização de designações associadas à carne, como hambúrgueres ou almôndegas, nas alternativas vegetais.

Não obstante, as designações relativas aos lacticínios continuarão a ser proibidas. Como tal, não se poderá falar de leite de soja, de iogurte vegetal ou de alternativa à manteiga.

De acordo com a ProVeg International, que tinha lançado uma petição contra a proibição, esta manutenção, no que aos lacticínios diz respeito, representa um duro golpe para o sector. “O negócio dos lacticínios vegetais poderá ser penalizado em termos financeiros e com desafios práticos de renomeação, rebranding e remarketing dos produtos e potenciais custos legais elevados. Esta proibição está, ainda, em direta contradição com os objetivos da União Europeia de criar sistemas alimentares mais saudáveis e sustentáveis”.

Fonte: Grande Consumo