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A segurança alimentar continua a ser uma questão crítica de saúde pública, mas ainda persistem inúmeros equívocos nas cozinhas domésticas e nas práticas de manipulação de alimentos. Microbiólogos e especialistas em segurança alimentar identificaram mitos comuns que contribuem para doenças transmitidas por alimentos evitáveis, oferecendo correções baseadas em evidências para substituir informações enganosas por recomendações com suporte científico.

Um mito comum é que lavar frango ou aves cruas remove bactérias nocivas. Na realidade, pesquisas confirmam que lavar carne crua pode espalhar patógenos como Salmonella e Campylobacter por meio de gotículas de água que contaminam pias, bancadas e utensílios próximos. A única maneira eficaz de eliminar bactérias é cozinhar as aves a uma temperatura interna de 74 °C.  

Outro equívoco generalizado é a "regra dos cinco segundos", que sugere que alimentos caídos no chão são seguros se recuperados rapidamente. Estudos demonstram que as bactérias são transferidas para os alimentos imediatamente após o contato com superfícies contaminadas, tornando essa regra cientificamente inválida. 

Muitos consumidores acreditam que sinais visuais ou olfativos indicam com segurança a deterioração dos alimentos. No entanto, bactérias patogénicas como E. coli e Listeria não alteram a aparência, o cheiro ou o sabor dos alimentos, ao contrário dos organismos deteriorantes. Confiar na avaliação sensorial é arriscado; em vez disso, especialistas enfatizam a adesão às diretrizes de refrigeração e a rejeição das sobras após 3 a 4 dias. Da mesma forma, mudanças de cor na carne não são indicadores confiáveis ​​de cozimento. O uso de um termómetro de alimentos é essencial, pois hambúrgueres podem dourar antes de atingir temperaturas internas seguras e os sumos de aves podem ficar transparentes mesmo quando malpassados. 

Outro mito perigoso envolve o descongelamento de carne congelada em temperatura ambiente. Essa prática permite que as camadas externas entrem na "zona de perigo" (4°C a 60°C), onde as bactérias se multiplicam rapidamente. Métodos seguros de descongelamento incluem refrigeração, imersão em água fria (com troca de água a cada 30 minutos) ou descongelamento por microondas. Além disso, ao contrário da crença popular, o congelamento não mata as bactérias; apenas interrompe o seu crescimento. Bactérias patogénicas podem sobreviver a temperaturas de congelação e tornam-se ativos durante o descongelamento. 

O uso de álcool em gel é frequentemente superestimado. Embora úteis na ausência de água e sabão, os desinfetantes são menos eficazes do que a lavagem tradicional das mãos com água morna e sabão por 20 segundos, que remove fisicamente gordura, sujeira e microrganismos. Da mesma forma, limpar superfícies da cozinha com panos ou esponjas sem higienizá-las não elimina bactérias patogénicas. Especialistas recomendam o uso de uma solução de água clorada (uma colher de sopa por 4,8 litros de água) ou desinfetantes adequados para a área alimentar em bancadas, especialmente após manipular carne crua. 

Muitos presumem que alimentos orgânicos ou de origem local são inerentemente mais seguros contra bactérias patogénicas. No entanto, todos os produtos, independentemente do método de cultivo, podem conter bactérias nocivas do solo, da água ou da própria manipulação. Lavar produtos frescos em água corrente e esfregar superfícies firmes com uma escova limpa é crucial. Por fim, esponjas e panos de prato são frequentemente negligenciados como fontes de contaminação cruzada. Microbiólogos recomendam aquecer esponjas molhadas no micro-ondas diariamente por 1 a 2 minutos ou substituí-las a cada 1 a 2 semanas para reduzir a carga bacteriana. 

Ao substituir esses mitos por práticas baseadas na ciência, os consumidores podem reduzir significativamente o risco de doenças transmitidas por alimentos.

Fonte: Foodpoisoning News

O café é uma das bebidas mais apreciadas no mundo todo. Parte do seu apelo se deve ao facto de ter um teor de cafeína mais alto do que a maioria das bebidas produzidas naturalmente, como chá e cacau. Neste artigo, abordaremos o processo de produção do café, da semente à sua chávena.

Plantio e fornecimento sustentável

Os grãos de café são, na verdade, sementes. Se sementes de café não processadas forem plantadas, elas podem germinar e transformar-se em pés de café. As sementes são normalmente plantadas em grandes canteiros sombreados. Após a germinação, as mudas jovens são deixadas para crescer por alguns dias antes de serem transplantadas para vasos individuais com solos cuidadosamente formulados para um crescimento ideal. Hoje, esse processo está cada vez mais vinculado aos princípios da agricultura regenerativa. Esse método de cultivo concentra-se em restaurar a saúde do solo, melhorar a biodiversidade e criar quintas de café mais resilientes diante das mudanças climáticas. Um número crescente de consumidores procura marcas que ofereçam transparência na sua cadeia de suplementos e apoiem ativamente essas práticas agrícolas éticas.

Colheita e foco na qualidade

Dependendo da variedade específica, leva aproximadamente 3 a 4 anos para que os pés de café recém-plantados produzam frutos. Os frutos, comumente chamados de cerejas, mudam de verde para vermelho vivo ou escuro. O café pode ser colhido manualmente para garantir que apenas os frutos maduros sejam colhidos. Este é um processo que exige muita mão de obra, e o foco atual em parcerias comerciais diretas garante que os produtores recebam salários justos e preços estáveis. Embora grandes propriedades rurais, em países como o Brasil, ainda dependam da colheita mecanizada, o mercado de cafés especiais é cada vez mais definido pelo método de colheita seletiva e centrado no ser humano, que garante a mais alta qualidade possível.

Processamento de cerejas: a ascensão da inovação

Após a colheita, as cerejas são processadas o mais rápido possível para evitar a deterioração. Além dos métodos tradicionais de fermentação seca e húmida, novas técnicas inovadoras de fermentação surgiram para criar perfis de sabor complexos e únicos.

  • Fermentação Anaeróbica: Um método moderno que tem ganhando força, este processo envolve a fermentação de cerejas de café em tanques selados e livres de oxigênio. Este ambiente controlado permite o desenvolvimento de sabores distintos, muitas vezes resultando em notas complexas, frutadas ou semelhantes a vinho, muito apreciadas no mercado de cafés especiais;
  • Processos Orientados por Dados: A tecnologia agora desempenha um papel fundamental. Sensores e registradores de dados são usados ​​para monitorizar parâmetros de fermentação, como temperatura, níveis de pH e teor de açúcar. Essa abordagem orientada por dados permite que os produtores garantam a consistência e experimentem perfis de sabor de forma científica e repetível.

Moagem de café e classificação com tecnologia de IA

Antes de serem levados ao mercado, os grãos de café secos são processados ​​da seguinte forma: o descasque envolve a remoção da casca seca. Após o polimento (uma etapa opcional), os grãos são selecionados e classificados com base em tamanho, peso e cor. Embora as mãos humanas ainda sejam usadas para verificações finais, a moagem em larga escala agora utiliza classificadores óticos com tecnologia de IA. Essas máquinas podem processar milhares de grãos por hora, identificando e removendo grãos defeituosos com incrível velocidade e precisão, superando em muito o que as mãos humanas podem fazer e garantindo que o produto da mais alta qualidade chegue ao mercado.

Torrefação de café: da arte à ciência

O café não torrado também é conhecido como café verde, e esses grãos contêm todos os sabores. A torrefação visa transformar o café verde nos aromáticos grãos castanhos que são comprados nas suas lojas favoritas. Hoje, o processo de torrefação foi revolucionado pela tecnologia.

  • Perfis de Torra: Torrefatores experientes utilizam perfis de torra digitais e registro de dados para garantir a consistência entre os lotes. Isso permite-lhes replicar com precisão uma torra específica para um determinado grão, garantindo as mesmas notas de sabor todas as vezes;
  • A Ascensão da Torra Clara: Houve uma mudança significativa na preferência do consumidor. As torras claras agora são valorizadas pela sua capacidade de realçar os sabores delicados, complexos e únicos do próprio grão de café, algo que os torrefatores agora conseguem alcançar com maior precisão do que nunca.

O principal objetivo da moagem é produzir o máximo de sabor numa chávena de café. O tipo de cafeteira utilizada determina o quão fina ou grossa a moagem do café deve ser. O tipo de moagem determina a rapidez com que o café liberta os seus sabores. É por isso que o café expresso é tão finamente moído. Por outro lado, o café preparado em cafeteiras com filtro é de grão grosso (moagem grosseira). 

Moagem de café e embalagens sustentáveis

O café também é agora embalado em materiais cada vez mais sustentáveis, com muitas marcas abandonando o plástico e optando por embalagens totalmente biodegradáveis ​​ou compostáveis ​​para atender à demanda dos consumidores por produtos mais ecológicos.

Conclusão

O processamento do café é um processo que exige muita mão de obra humana, mas que é cada vez mais guiado por tecnologia e dados. O setor está a evoluir para se tornar mais transparente, sustentável e capaz de produzir cafés mais diferenciados e saborosos do que nunca. Embora o processo principal, da semente à chávena, permaneça o mesmo, a inovação moderna tornou a jornada mais resiliente e o produto final mais diversificado.

Fonte: New Food

Para marcar o início do novo ano letivo, a Direção-Geral da Saúde, através do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), com o apoio da Direção-Geral da Educação e da Garantia para a Infância lançam o guia “Como educar para uma alimentação saudável: Guia de boas práticas para pais e educadores”.

No presente guia identificam-se algumas estratégias e orientações de capacitação dirigidas às famílias e à comunidade educativa, que podem ser colocadas em prática tanto em casa como na escola, com o objetivo de apoiar e promover a utilização de práticas educativas que sejam promotoras de hábitos alimentares saudáveis nas crianças.

Como educar para uma alimentação saudável

Educar para uma alimentação saudável não é tarefa fácil. Os pais e famílias, bem como os educadores, professores e assistentes operacionais, têm um papel essencial na formação de hábitos alimentares saudáveis das crianças, não apenas pela oferta alimentar que promovem, mas também pela forma como interagem com as crianças no contexto da sua alimentação e pela influência exercida no ambiente alimentar que promovem, num contexto mais amplo.

As palavras importam

Quer no contexto familiar, quer na escola, o adulto deve interagir com a criança de forma afetuosa e positiva, recorrendo a uma linguagem adequada e mantendo o contacto visual. A comunicação deve ser de incentivo e centrada na criança, promovendo uma escuta ativa e reforçando a sua autonomia. Em contrapartida, deve ser evitada a linguagem coerciva ou crítica, como a pressão para comer ou a utilização da alimentação como recompensa/castigo ou para gerir emoções.

Nas conversas com as crianças sobre alimentação deve ser valorizada as suas vantagens para o crescimento, desenvolvimento e saúde, ao invés de focar a sua relação com o peso e imagem corporal. Deve também destacar-se o valor dos alimentos e não tanto dos nutrientes e calorias, e o formato de comunicação deve ser pela positiva.

Recomendações para educar para uma alimentação saudável

  • É importante promover a aceitação de alimentos, nomeadamente através da exposição repetida (10-15 vezes) aos alimentos e da exploração dos alimentos com vários sentidos (visão, olfato, tato);
  • O ambiente das refeições também conta: transforme as refeições em momentos de convívio em família, sem distrações de ecrãs e dê o exemplo, consumindo os mesmos alimentos que são oferecidos à criança;
  • A educação alimentar é uma prática diária e não pontual: a repetição do comportamento e a sua integração na rotina diária da criança promove a aquisição de hábitos alimentares saudáveis;
  • Cozinhar para aprender a gostar é uma importante estratégia educativa quando orientada para a preparação de alimentos que as crianças tendem a rejeitar, como os hortícolas;
  • O refeitório escolar é um espaço de aprendizagem: deverá ser um espaço confortável, que convida a estar e a comer sem pressa, sem pressões e com mensagens positivas.

Aceda aqui ao guia completo "Educar para uma alimentação saudável - Guia para pais e educadores".

Fonte: Nutrimento

O mercado global da panificação está a atravessar um momento de transformação, impulsionado pela procura crescente de produtos diferenciadores, funcionais e alinhados com tendências de saúde e bem-estar. De acordo com o mais recente relatório da GlobalData, baseado na análise da sua plataforma Ai Palette, seis ingredientes estão a destacar-se como motores de inovação, ao oferecer novas oportunidades de desenvolvimento de produto e fidelização do consumidor.

A investigação analisou milhares de dados de consumo e inovação em várias geografias, identificando ingredientes com elevado potencial de crescimento e envolvimento nas interações digitais e de mercado. Entre eles encontram-se o miso nos EUA, o cardamomo na Alemanha e a batata-doce roxa na Austrália, aos quais se juntam a cereja morello, o durião e o figo, todos já em fase de incorporação em receitas de padaria de nova geração.

Miso: o umami a conquistar a padaria

Tradicionalmente associado à gastronomia japonesa, o miso está a ser integrado em bolachas, pães e pastelaria, oferecendo um perfil umami inovador e diferenciador. Além de responder às tendências de saúde e bem-estar, combina bem com sabores como manteiga de noz, praliné ou butterscotch, abrindo novas possibilidades para segmentos premium.

Cereja morello: sofisticação para consumidores exigentes

Com um sabor agridoce marcante, a cereja morello destaca-se em cheesecakes, cupcakes e sobremesas elaboradas. A GlobalData identifica este ingrediente como particularmente atrativo para consumidores mais maduros (em especial a geração baby boomer), que valorizam ingredientes premium sem abdicar da relação qualidade-preço.

Cardamomo: autenticidade e intensidade aromática

Muito apreciado na confeitaria tradicional de várias culturas, o cardamomo está a ganhar força no mercado alemão. O seu perfil fresco e picante posiciona-se como resposta às exigências de autenticidade e robustez de sabor, tendência em crescimento entre consumidores europeus.

Durião: exotismo e funcionalidade

Conhecido como o 'rei dos frutos' no Sudeste Asiático, o durião (sobretudo em pó) está a ser cada vez mais incorporado em bolos e recheios na China. A sua popularidade deve-se tanto ao perfil sensorial distinto como à perceção de funcionalidade associada, tornando-se um ingrediente estratégico para marcas que procuram diferenciação.

Figo: nutrição e naturalidade

Fonte de fibras, potássio, cálcio e antioxidantes, o figo assume-se como uma opção nutritiva e versátil. Muito procurado no Médio Oriente, em especial nos Emirados Árabes Unidos, oferece propriedades funcionais de adoçante natural e retentor de humidade, melhorando a textura e o prazo de validade dos produtos de padaria.

Batata-doce roxa: cor e inovação

Conhecida como ube, esta raiz de cor intensa e sabor adocicado já é um ingrediente em ascensão na pastelaria australiana. Além do impacto visual e nutricional, apresenta grande versatilidade em bolos, tartes e pães. Apesar de ainda pouco conhecida entre consumidores globais, apresenta elevado potencial de crescimento mediante investimento em educação e marketing.

Oportunidades para a indústria

Segundo Ramsey Baghdadi, analista de consumo da GlobalData, a pressão competitiva das categorias de snacks mais saudáveis (sementes, frutos secos e cereais integrais) está a forçar a panificação tradicional a reinventar-se. Estes seis ingredientes emergentes oferecem às marcas a possibilidade de lançar produtos mais saudáveis, indulgentes e premium, alinhados com as expectativas de conveniência e inovação.

A GlobalData sublinha ainda que os fabricantes que explorarem estas tendências poderão não só diferenciar-se no mercado, mas também responder à procura por experiências sensoriais únicas, enquanto reforçam a sua credibilidade junto dos consumidores orientados para a saúde e sustentabilidade.

Fonte: iAlimentar

O presidente da Federação Nacional de Regantes, revela preocupação com a nova proposta da Comissão Europeia para a Política Agrícola Comum. Considerar uma ameaça à fragmentação do mercado europeu, criando apoios desiguais e potenciais entre Estados-membros, que podem destruir o segundo pilar da própria UE

O ministro da Agricultura considera que as  opções da Comissão Europeia em matéria de política agrícola podem destruir o mercado comum agrícola , ao permitir que os apoios aos últimos agricultores dependam dos recursos financeiros de cada Estado-membro, tal como deixou claro no último debate sobre o futuro do regadio, organizado pela Federação Nacional de Regantes (Fenareg), durante a Agroglobal, feira profissional bianual que se realiza em Santarém. Não surpreenderam a hospedagem, apenas aumentaram as suas preocupações. 

Em entrevista à  TSF , José Núncio considera uma  autêntica "facada" para a agricultura e regadio a nova proposta da Comissão Europeia  que prevê redução de doações no PEPAC e coloca responsabilidade de gestão aos Estados-membros, podendo causar conflitos entre quem recebe mais e menos e ameaçando fragmentar o mercado europeu europeu, ao criar apoios desiguais, e admitindo ainda a hipótese de poder levar à destruição de um dos pilares económicos da própria União Europeia.

Leia o artigo completo aqui .

Fonte: TSF

O desperdício alimentar continua a ser um dos maiores entraves à sustentabilidade dos sistemas agroalimentares. Em 2022, geraram-se na União Europeia (UE) 59 milhões de toneladas de desperdício alimentar, equivalentes a 131 kg por habitante.

O pescado, pela sua elevada perecibilidade, exibe taxas particularmente preocupantes de perdas ao longo da cadeia de valor. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) estima que cerca de 35% do pescado capturado globalmente nunca chegue ao prato do consumidor. Para além de significar ineficiências económicas, este fenómeno representa emissões evitáveis de gases com efeito de estufa, desperdício de recursos marinhos limitados e perda de rendimentos ao longo da cadeia de valor.

Mesmo com esforços concertados, as perdas de pescado na UE mantêm-se elevadas. A plataforma EU Fusions indicava já em 2016 valores na ordem das 6–8% do volume colocado no mercado a nível retalhista. Entre 2007 e 2014, a compensação europeia para a retirada de peixe do mercado totalizou 51386T, equivalendo a 6432T/ano que não foram consumidas.

O relatório 2024 do World Economic Forum aponta para 23,8 milhões de toneladas de pescado comestível desperdiçado em 2021, cerca de 15% da produção global. O EUMOFA 2024 assinala que, embora o consumo médio europeu se situe nos 23,51kg/hab./ano, países como Portugal e Espanha, grandes consumidores, concentram também maiores volumes absolutos de desperdício. Em boa verdade, Portugal, país com o maior consumo per capita de pescado da UE (54,54 kg em 2022), pode estar perante uma oportunidade face ao desperdício: mesmo uma redução marginal nas perdas em etapas críticas – captura, primeira venda, transporte refrigerado ou retalho – podem vir a resultar em ganhos significativos de sustentabilidade e competitividade. 

Quando analisamos as possíveis fases onde o pescado é desperdiçado, conseguimos perceber que algumas etapas na cadeia de valor são críticas. Desde logo, a pós-captura e primeira venda podem acarretar perdas, já que, por um lado, o manuseamento a bordo por vezes é inadequado (e.g.: ausência de gelo ou atraso na evisceração acelera a ação de enzimas e proliferação de microrganismos); por outro lado, podem ocorrer descartes de espécies sem valor comercial ou abaixo do tamanho regulamentar, apesar das restrições da Política Comum das Pescas. Já nas fases de logística, processamento/transformação e distribuição, têm sido identificadas ruturas na cadeia de frio, i.e., falhas energéticas ou má calibração de unidades frigoríficas que podem elevar a temperatura >4°C, reduzindo a vida útil em 30–50%; há também registo de eventual excesso de stocks no retalho por previsão de procura insuficientemente ajustada. (...)

Fonte: TecnoAlimentar

A Federação Nacional de Regantes de Portugal (FENAREG) alertou, durante o debate “Investimento em Regadio: o que há de novo?”, que decorreu na AGROGLOBAL, que Portugal poderá perder 5,4 mil milhões de euros em valor económico se adiar por 10 anos a expansão de 120 mil hectares de regadio prevista na Estratégia “Água que Une”.

De acordo com a FENAREG, este montante corresponde ao investimento total programado até 2030, conforme estipulado no documento. A Estratégia inclui 300 medidas, destacando-se a reabilitação de infraestruturas, a construção de novas barragens, interligações e a modernização dos sistemas de rega. No entanto, não abrange cerca de 60 medidas essenciais para o regadio, das quais 49 têm um custo superior a 477 milhões de euros.

A Federação Nacional de Regantes de Portugal sublinha ainda que a maioria destes projetos está pronta para avançar, com estudos realizados e financiados pelo PDR2020, mas ainda não tem previsão de execução e não foi incluída no documento disponibilizado para consulta.

Segundo José Núncio, Presidente da FENAREG, nas suas intervenções ao longo do debate, a estratégia “Água que Une” é essencial para garantir a segurança hídrica, a competitividade agrícola e a coesão territorial do país, defendendo que a questão central não deve ser “quanto custa fazer, mas quanto custa não fazer”.

Neste contexto, o responsável alertou para que: “cada ano de atraso representa perdas significativas para a economia e para o futuro da agricultura portuguesa, que poderão colocar em risco 5,4 mil milhões de euros, um valor semelhante ao que a Estratégia prevê de investimento até 2030 para assegurar a gestão sustentável e integrada dos recursos hídricos em Portugal, de modo a garantir a segurança hídrica e a resiliência face às alterações climáticas, como a seca e as cheias”.

O presidente da Federação deixou ainda um apelo para o reforço imediato do PEPAC, que, na área do regadio, tem apenas 150 milhões de euros alocados, dos quais 65 milhões já estão comprometidos com projetos provenientes do PDR2020. Além disso, defendeu a execução imediata das obras, com uma definição clara das fontes de financiamento.

José Núncio destacou também a necessidade de considerar a mobilização do Fundo Ambiental, combinando-o com os fundos do BEI, do BCE e parcerias privadas, adotando uma abordagem holística que assegure o total investimento necessário, uma proposta que a Federação tem defendido há vários anos.

O Presidente da FENAREG enfatizou ainda a necessidade urgente de criar uma estrutura autónoma dedicada à implementação da estratégia “Água que Une”, com um calendário definido e metas claras, a fim de evitar dispersões, atrasos e ineficácia na execução.

Para José Núncio, estamos a viver um “momento decisivo”, tanto em Portugal como na Europa e as alterações climáticas e as crises geopolíticas e militares à escala mundial tornam-no ainda mais pertinente no contexto do regadio. Isto porque “sem água não há agricultura. Por isso, investir em regadio é investir na resiliência económica, ambiental e social do país”.

“O futuro da agricultura portuguesa e a resiliência económica nacional dependem da capacidade de transformarmos a água em competitividade, emprego e segurança alimentar. Também por isso, a urgência de passarmos à execução da estratégia, até porque o futuro da PAC é incerto. Cada ano de atraso representa perdas irreparáveis para a agricultura e para a economia nacional”, enfatizou o responsável.

Fonte: Vida Rural

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou, na semana passada, uma operação com o objetivo de averiguar a proteção da denominação de origem ou de indicação geográfica em vinhos de mesa, em estabelecimentos de restauração e bebidas nos concelhos de Coimbra, Mealhada e Anadia.

Como balanço da ação foram inspecionados oito estabelecimentos de restauração e bebidas, tendo sido instaurados dois processos de contraordenação por práticas comerciais desleais e ações enganosas, devido a ter sido detetado em cartas “Vinhos da Bairrada”, a inclusão de outros vinhos sem direito à denominação de origem, induzindo em erro o consumidor através de uma omissão da categoria do vinho.

A certificação dos vinhos com direito à Denominação de Origem “Bairrada”, é garante que um determinado vinho foi produzido nesta região geográfica demarcada, seguindo um conjunto rigoroso de regras e tradições estabelecidas, desde o controlo do tipo de uvas, métodos de vinificação e envelhecimento, garantindo a autenticidade e qualidade dos vinhos certificados.

 Fonte: Grande consumo

Os Produtores de uvas deverão ter, no seu Registo Vitícola (RV), as parcelas de vinha exploradas.

A partir desta campanha, passa a ser possível declarar a quantidade de uvas colhidas por parcela.

A apresentação da declaração de colheita e produção (DCP) constitui uma obrigação de todos os Operadores Económicos que tenham colhido uvas e/ou tenham produzido mosto/vinho.

À semelhança de campanhas anteriores, na campanha 2025/2026 a DCP é efetuada através de submissão eletrónica no Sistema de Informação da vinha e do vinho (SIVV).

O acesso é feito através do endereço: https://sivv.ivv.gov.pt

Para a obtenção de um código de acesso deverá ter associado ao seu registo de Entidade um correio eletrónico válido para onde o mesmo será enviado.

Salienta-se a necessidade e iportância dos dados de contacto que constam no SIVV estarem atualizados, designadamente endereço de email e morada, pelo que se solicita a verificação/atualização dos referidos dados.

O prazo de entrega decorre de 1 de outubro até 30 de novembro de 2025.

O não cumprimento desta obrigação constitui infração punida nos termos do n.º 1 do artigo 18.º do Decreto-Lei n.º 213/2004, de 23 de agosto, em conjugação com a alínea b) do artigo 18.º do Regime Jurídico das Contraordenações Económicas (RJCE), previsto no DL n.º 9/2021, de 29 de janeiro.

Anexo I da DCP disponibiliza as parcelas de vinha do Registo Vitícola

Os Produtores de uvas deverão ter, no seu RV, as parcelas de vinha exploradas, devidamente atualizadas e identificadas com as respetivas aptidões.
O sistema só permite a entrega da DCP (âmbito: Colheita), se as parcelas em exploração constarem do RV do Declarante.

As Cooperativas/Vinificadores deverão certificar-se atempadamente que os seus Associados/Fornecedores têm a sua exploração devidamente atualizada no SIVV.

Declaração de Colheita – Uvas à Parcela

No âmbito da presente campanha, os Viticultores passam a poder declarar a quantidade de uvas colhidas por produto e por parcela.
• Para cada produto, o Viticultor deverá indicar as parcelas de origem e associar a cada uma delas a respetiva quantidade de uvas (em kg).
• Caso não disponha dessa informação detalhada, poderá optar por uma distribuição automática das uvas colhidas, proporcionalmente à área em produção (ha) das parcelas selecionadas.

Adicionalmente, nas situações de venda ou entrega de uvas a terceiros, será solicitado ao Viticultor que indique o preço médio da uva (€/kg), discriminado por casta. Esta informação tem carácter estritamente confidencial e será utilizada apenas para efeitos estatísticos.

Estas novas funcionalidades serão acompanhadas, no módulo das DCP’s do SIVV e no site do IVV, IP em https://www.ivv.gov.pt/np4/800/ por um Manual de Utilização e por um vídeo de apoio à submissão da DCP.

Balcões de Apoio

Caso necessite de apoio na submissão eletrónica da DCP deverá dirigir-se a um balcão de apoio das Confederações de Agricultores ou das Comissões Vitivinícolas.

Na Região Demarcada do Douro e na Região dos Vinhos Verdes o apoio é assegurado por um conjunto de entidades pertencentes ao Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP, I.P.) e à Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVR VV), respetivamente, estando autorizadas a submeter as DCP’s, nos sistemas de informação próprios, remetendo depois os dados ao IVV, I.P.

Fonte: Agroportal

A União Europeia (UE) prometeu um rótulo nutricional na frente da embalagem, como o Nutri-Score. Mas o plano desapareceu. A Comissão recusa-se a divulgar os documentos que explicam o motivo — mesmo depois de ter sido acusada de má administração. 

Em 2020, a Comissão Europeia prometeu implementar um rótulo nutricional frontal obrigatório em toda a UE, como parte de sua Estratégia do Prado ao Prato. O objetivo era claro: ajudar meio bilhão de consumidores a fazer escolhas mais saudáveis ​​e reduzir doenças relacionadas à alimentação. Mas então, sem explicação, a proposta desapareceu.

Desde 2023, a Foodwatch solicita à Comissão os principais documentos que explicam esta reviravolta: a Avaliação de Impacto, o parecer do Conselho de Controlo Regulatório e as atas das reuniões relevantes. A Comissão recusou-se a divulgá-los. O Provedor de Justiça Europeu decidiu posteriormente que esta recusa constituía má administração . Mesmo assim, quase três anos depois, nenhum documento foi divulgado.

Como se trata de documentos legislativos — e a legislação da UE é absolutamente clara: tais documentos devem ser transparentes. Os cidadãos não podem ser excluídos das decisões que moldam suas escolhas diárias.

Por que o Nutri-Score é importante

O Nutri-Score conta com o apoio da OMS Europa e de diversos cientistas independentes. Já conta com apoio voluntário em seis países da UE — França, Alemanha, Luxemburgo, Bélgica, Espanha, Holanda — e Suíça. 

Mas sem um sistema obrigatório em toda a UE, a implementação é irregular e inconsistente. Os consumidores recebem sinais contraditórios e as empresas alimentares não têm incentivo real para reformular receitas pouco saudáveis.

Então, por que a legislação foi abandonada? Ela realmente não estava pronta — ou foi o poder de lobby de uma indústria alimentícia com interesses escusos? Transparência é o primeiro passo para descobrir.

Saúde pública em jogo

Obter acesso a esses documentos faria mais do que esclarecer o que aconteceu com o Nutri-Score. Estabeleceria um precedente importante para a transparência na próxima vez que interesses poderosos tentarem diluir a legislação de saúde a portas fechadas.

O que vem a seguir?

O caso perante o Tribunal Geral está em andamento. A Foodwatch continuará a lutar pela divulgação dos documentos para colocar o Nutri-Score de volta na agenda da UE — onde ele pertence.

Por enquanto, uma coisa é certa: meio bilhão de consumidores da UE merecem respostas diretas.

Fonte: Foodwatch