As falhas nos sistemas de controlo do azeite na União Europeia (UE) estão a comprometer a qualidade, a segurança e a rastreabilidade do produto, alertou um novo relatório do Tribunal de Contas Europeu (TCE).
Segundo o TCE, embora as inspeções aos pesticidas no azeite produzido na UE sejam claras e, em geral, eficazes, os controlos sobre outras substâncias nocivas são “menos aprofundados”.
A análise sublinhou que continuam a existir regras pouco claras, sobretudo no controlo de misturas e na determinação da origem do azeite. É neste contexto que o Tribunal de Contas Europeu avaliou se os sistemas de controlo em vigor na UE garantem que o azeite comercializado é autêntico, seguro e passível de ser rastreado quanto à sua origem.
“Os consumidores têm de poder confiar na qualidade e autenticidade do azeite que compram”, considerou Joëlle Elvinger, Membro do TCE responsável pela auditoria. E continua: “a UE tem regras rigorosas, mas que nem sempre são totalmente aplicadas. É preciso melhorar as inspeções, conseguir determinar a origem e ter certeza jurídica para proteger não só os consumidores, mas também a reputação do azeite europeu”.
De acordo com o TCE, as regras da UE estabelecem requisitos mínimos de rotulagem, verificação da categoria e testes à presença de pesticidas. Ainda assim, o Tribunal de Contas Europeu assinalou que alguns controlos de conformidade são incompletos e que certas áreas do mercado ficam, por vezes, fora do alcance das inspeções.
Assim, estas lacunas fragilizam o sistema, com impacto potencial na qualidade do azeite e, em última instância, na confiança dos consumidores.
As inspeções para detetar pesticidas no azeite produzido na Europa estão bem estruturadas e os casos de incumprimento são pouco frequentes, enalteceu o TCE. Em contraste, no que toca a outros contaminantes, realçou a Instituição, os controlos nem sempre são realizados e, quando existem, muitas vezes não fica claro qual o risco que os justifica.
Apesar de a UE importar um volume de azeite equivalente a cerca de 9% da sua produção anual, o Tribunal de Contas Europeu concluiu que, nos países analisados, os controlos a pesticidas e a outras substâncias nocivas no azeite proveniente de países terceiros são inexistentes ou muito escassos.
A análise avançou ainda que os Estados-Membros verificam a rastreabilidade do azeite no âmbito dos controlos de segurança alimentar e de conformidade, mas o grau de exigência varia. Alguns não aprofundam esta verificação, enquanto outros, como Espanha e Itália, acompanham a origem das azeitonas e do azeite em todas as fases da cadeia de abastecimento através de registos eletrónicos, com o objetivo de reforçar a transparência e prevenir fraudes.
“No entanto, é difícil seguir o azeite nos casos em que atravessa fronteiras”, avisou o TCE, sublinhando que é o caso, em especial, do azeite que tem origem em mais de um país da UE ou em que uma parte vem de fora da UE.
Os auditores avisaram ainda que faltam regras ou orientações abrangentes sobre o modo e o momento em que deve ser verificada a origem. Além disso, frisa o TCE, algumas exigências legais, nomeadamente sobre a mistura de azeites de diferentes colheitas ou categorias, são pouco claras, “o que leva a práticas nacionais variáveis que podem afetar a qualidade do produto ao longo do tempo”.
A auditoria avaliou o enquadramento do sistema de controlo e a sua aplicação entre 2018 e 2023 em quatro Estados-Membros: Bélgica, Grécia, Espanha e Itália. Em conjunto, os três últimos concentram cerca de 91% da produção europeia de azeite.
Fonte: Agroportal
A Serra da Estrela enfrenta hoje um conjunto de pressões ambientais e sociais que colocam em risco o equilíbrio dos seus ecossistemas e os benefícios que estes proporcionam às populações. O projeto “SerE+ – Rede de Áreas de Aceleração de Serviços dos Ecossistemas na Serra da Estrela”, que será apresentado esta tarde, pretende precisamente criar uma rede com vista a promover a conservação dos valores naturais e o restauro ecológico na região, o bem-estar das populações locais e a sustentabilidade económica.
Em entrevista, Pedro Horta, coordenador do projeto implementado por um consórcio coordenado pela organização não governamental de ambiente Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, explica que as montanhas do Mediterrâneo, e a Serra da Estrela em particular, “são territórios extremamente vulneráveis a um grande conjunto de ameaças de origem antropogénica das quais se destacam as alterações climáticas”. O grande objetivo, acrescenta, “passa por salvaguardar os serviços de ecossistemas que estamos a perder gradualmente e potenciá-los nos locais com as melhores características para o investimento em restauro ambiental”.
O responsável do projeto que envolve mais três entidades: o CE3C – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa; o Município de Seia, através do Centro de Interpretação da Serra da Estrela e a Agencia Estatal Consejo Superior de Investigaciones Científicas M.P. (CSIC), através da Estação Biológica de Doñana, de Espanha, diz ainda que “estas áreas funcionarão como microreservas que estarão distribuídas pelo território e servirão de fonte de serviços e biodiversidade para as áreas adjacentes, mas também para as gerações futuras”.
Leia a entrevista aqui.
Fonte: Green Savers
A marca gKRAFT™ Bioshield, a solução de embalagens sustentáveis desenvolvida por uma empresa portuguesa, foi distinguida com o Prémio Cinco Estrelas 2026, na categoria Embalagens Sustentáveis, um reconhecimento que reforça o posicionamento da marca como referência na transição para alternativas de base natural aos materiais de origem fóssil.
A atribuição do resulta de um processo de avaliação, desenvolvido de acordo com a metodologia própria deste sistema, que analisa a perceção dos consumidores em diferentes dimensões relevantes. A metodologia seguida pela 5 Estrelas prevê Testes de Experimentação com “50 utilizadores habituais de produtos que utilizem embalagens sustentáveis” e um “Estudo de Mercado à Marca” através de um inquérito online a “pelo menos 1000 respostas válidas”.
O relatório que esteve na base da distinção conclui que os resultados obtidos permitem afirmar que a marca gKRAFT™ Bioshield é considerada pelos consumidores como “extraordinária” e “realmente Cinco Estrelas”, garantindo, assim, para 2026, o título na respetiva categoria.
gKRAFT™ Bioshield integra o portefólio de soluções da empresa portuguesa para packaging, iniciado em 2021.
Produzida a partir de fibra de eucalipto globulus, proveniente de florestas plantadas e geridas de forma responsável, a marca foi criada com o propósito de produzir tableware e embalagens alimentares de uso único, verdadeiramente sustentáveis e seguras.
A distinção da marca gKRAFT™ Bioshield com o Prémio Cinco Estrelas 2026 contribui para o reforço do seu posicionamento no segmento das embalagens sustentáveis e constitui mais um reconhecimento do percurso da empresa no desenvolvimento de produtos inovadores, alinhados com as tendências de consumo responsável e com os objetivos de transição para uma economia mais circular.
Fonte: iAlimentar
Na Tanzânia, uma equipa internacional de investigadores liderada pelo Imperial College London criou os primeiros mosquitos geneticamente modificado capazes de bloquear a transmissão da malária em África. Este avanço científico poderá transformar o combate a uma das doenças mais mortais do continente.
Investigadores do Imperial College London, em parceria com o Instituto Tropical e de Saúde Pública da Suíça (Swiss TPH), o Ifakara Health Institute (IHI) e o Instituto Nacional de Investigação Médica da Tanzânia (NIMR), desenvolveram com sucesso os primeiros mosquitos geneticamente modificados (GM) concebidos para impedir a transmissão da malária. O trabalho insere-se no projecto Transmission Zero e representa a primeira estirpe de mosquito GM compatível com gene drive desenvolvida em solo africano.
O estudo, publicado na revista científica Nature, descreve a introdução, em condições de contenção, de características antimaláricas em populações locais de mosquitos. Estas características baseiam-se em moléculas naturais encontradas em rãs e abelhas, que demonstraram ser eficazes a bloquear o desenvolvimento do Plasmodium falciparum, o principal parasita responsável pela malária em África.
Segundo os investigadores, os mosquitos modificados impediram de forma eficaz o ciclo do parasita no interior do insecto, interrompendo assim a transmissão da doença. Apesar dos resultados promissores, os cientistas sublinham que ainda são necessários mais estudos antes de avançar para ensaios no terreno.
A próxima fase do projecto Transmission Zero inclui avaliações rigorosas de risco, diálogo com as entidades reguladoras e um processo contínuo de envolvimento das comunidades locais. “Agora, queremos avançar ao ritmo certo. É importante não ir depressa demais e garantir que as pessoas apoiam esta nova tecnologia, mas também devemos agir com urgência e tratar a malária como a emergência que é”, afirmou Nikolai Windichler, investigador do Transmission Zero e do Departamento de Ciências da Vida do Imperial College London.
A malária continua a causar centenas de milhares de mortes por ano, sobretudo em África, e os cientistas acreditam que abordagens inovadoras como esta poderão complementar as estratégias existentes de controlo da doença, como redes mosquiteiras, insecticidas e medicamentos.
Fonte: CiB
Uma equipa de investigação da Universidade de Sevilha obteve um molho saudável a partir da vagem de ervilha. Este molho para saladas contém fibra da leguminosa e óleo de chia, sem qualquer aditivo para o estabilizar. Para manter o produto estável durante mais tempo, a fibra da vagem de ervilha é submetida a altas pressões, sendo forçada a fluir através de uma série de microcanais, o que transforma as suas propriedades iniciais. Desta forma, obtém-se um produto semelhante à maionese, com elevado teor de fibra e livre de estabilizantes químicos, ao mesmo tempo que se valoriza um subproduto da indústria alimentar.
A novidade que permite obter este novo molho, mais sustentável e saudável, é o processo de microfluidização. Através deste método físico, a fibra da vagem de ervilha é submetida a altas pressões, sendo obrigada a fluir através de uma série de microcanais. Desta forma, as suas propriedades iniciais são alteradas, aumentando a capacidade de retenção de água e permitindo manter o alimento estável por mais tempo.
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Fonte: iAlimentar
Salmonella não tifoide, formadora de biofilme e resistente a medicamentos, representa um desafio significativo para a segurança alimentar global. Reconhecendo a ameaça à saúde pública representada tanto por esse patógenio zoonótico transmitido por alimentos quanto pelo aumento da resistência antimicrobiana (RAM), pesquisadores da Universidade de Wroclaw revisaram os desafios únicos apresentados pelos biofilmes de Salmonella e as estratégias alternativas (não antibióticas) emergentes para o controlo, num artigo publicado na revista Pharmaceuticals . Os autores do artigo incluem Michał Małaszczuk, candidato a doutorado, Aleksandra Pawlak, doutora, e Paweł Krzyżek, doutor.
Salmonella no contexto da abordagem "Uma Saúde, Um Biofilme"
A revisão analisou Salmonella sob a perspectiva da abordagem "Uma Saúde - Um Biofilme", que enfatiza a interconexão entre a saúde humana, animal e ambiental, e coloca o biofilme no centro dessa relação, posicionando-o como um elo biológico. Relevante para a segurança alimentar, esse conceito destaca os riscos microbiológicos decorrentes da contaminação de alimentos, animais de produção e sistemas hídricos, e aponta o uso de antimicrobianos na pecuária como um fator-chave para a resistência antimicrobiana.
A ameaça dos biofilmes de Salmonella resistentes a medicamentos
A Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui cepas de Salmonella resistentes a fluoroquinolonas em sua Lista de Patógenios Bacterianos Prioritários, ressaltando seu alto risco.
Um fator crítico de virulência para Salmonella é sua capacidade de produzir biofilmes, que facilitam a colonização do hospedeiro. Essas comunidades microbianas também aumentam a sobrevivência, promovem a resistência a múltiplos fármacos (MDR) e contribuem para falhas no tratamento. Os biofilmes persistem em superfícies de contato com alimentos e em reservatórios animais, especialmente aves, representando um importante desafio para a segurança alimentar, pois permitem que Salmonella sobreviva a condições ambientais adversas e resista a sanitizantes.
Alternativas promissoras aos antibióticos convencionais para biofilmes de Salmonella
Considerando a crescente ameaça de Salmonella resistente a antibióticos, investigadores estão a explorar estratégias alternativas e integradas para prevenir e interromper biofilmes de Salmonella , tais como:
O Caminho a Seguir
Apesar das pesquisas promissoras, a implementação de estratégias alternativas para o controlo do biofilme de Salmonella no mundo real é complexa devido à heterogeneidade do biofilme, às condições específicas do hospedeiro e ao potencial de desenvolvimento de resistência dos microrganismos às terapias alternativas. São necessários mais estudos para compreender os mecanismos de formação do biofilme em condições ambientais e do hospedeiro relevantes e para avaliar a eficácia de intervenções alternativas para Salmonella como parte de uma abordagem integrada de Saúde Única.
De modo geral, os autores acreditam que uma mudança para uma abordagem multifacetada no controlo de Salmonella — combinando vacinas, bacteriófagos e outros agentes anti-biofilme não tradicionais ou inovadores — oferece um caminho para reduzir a dependência de antibióticos, ao mesmo tempo que protege a saúde pública contra patógenos transmitidos por alimentos.
Fonte: Food Safety
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou, através da Unidade Regional do Norte, uma operação de prevenção criminal, tendo como objetivo o combate à produção e comercialização ilícita de bebidas alcoólicas, no concelho de Lousada.
Da ação, que visou a deteção de práticas fraudulentas que coloquem em risco a segurança alimentar e a saúde pública, e prejudiquem a cadeia de valor do setor, resultou o desmantelamento de um alambique ilegal utilizado para a produção clandestina de bebidas espirituosas.
Foram apreendidas oito toneladas de bagaço de uva destinado à destilação e 185 litros de aguardente pura (correspondentes a cerca de 400 litros após diluição) e toda a estrutura em cobre do alambique. Foi instaurado o processo de contraordenação por falta de licenciamento industrial, falta de condições técnico/funcionais e introdução irregular no consumo de produtos sujeitos a impostos especiais.
De destacar que esta atividade ilegal representava um potencial risco para a saúde pública, aquando do seu consumo, tendo esta Autoridade cessando assim a ilicitude permitindo garantir o cumprimento das normas de segurança alimentar, contribuindo para o combate à economia paralela no setor das bebidas alcoólicas.
Fonte: iAlimentar
Uma equipa de investigadores das Universidades do Porto, Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro pretende implementar o Observatório Costeiro do Atlântico Norte de Portugal. Trata-se de uma plataforma para permitir a exploração sustentável do oceano, através de ferramentas de adaptação às alterações climáticas e da partilha de conhecimento para a gestão e conservação dos ecossistemas marinhos, foi divulgado em comunicado.
Segundo a mesma fonte, o desafio surge no âmbito do projeto Atlântida II, financiado em quase 3 milhões de euros, com apoio do Programa Regional NORTE 2030 e que decorrerá nos próximos três anos.
No que diz respeito às mudanças climáticas, uma das principais atividades do projeto será a utilização de modelos numéricos para simular diferentes cenários representativos dos seus efeitos nas ondas, correntes e no nível médio do mar. Estes dados permitirão avaliar e prever, nomeadamente, a evolução da orla costeira.
“Com o Atlântida II, queremos colocar o Norte de Portugal na linha da frente da monitorização costeira, fornecendo dados essenciais para proteger os ecossistemas marinhos e apoiar decisões estratégicas que conciliem conservação ambiental e desenvolvimento económico”, detalha o coordenador do projeto, Vítor Vasconcelos, docente da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e Diretor do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR).
Este consórcio dará continuidade ao trabalho já iniciado durante o projeto Atlântida, também liderado pelo docente da FCUP, e que decorreu entre 2020 e 2023.
Um dos grandes objetivos do Atlântida II é ampliar, continua o investigador, “a monitorização temporal dos ecossistemas aquáticos do Norte de Portugal através da implementação de uma rede integrada de monitorização até às 12 milhas náuticas (limite exterior do mar territorial) e, muito provavelmente, para além dessa distância”.
Da bactéria à baleia: uma visão integrada da vida nos ecossistemas aquáticos
No âmbito desta investigação, a equipa de cientistas irá realizar uma amostragem alargada em diferentes habitats – desde zonas estuarinas e subtidais até áreas pelágicas (águas oceânicas abertas).
Através de várias campanhas oceanográficas, os investigadores pretendem caracterizar de forma contínua e integrada estes ecossistemas, abrangendo os seus aspetos químicos, geológicos, físicos e biológicos, atendendo à elevada importância ecológica, económica e social dos seus habitats e recursos naturais.
“A nossa abordagem é abrangente e multidisciplinar, permitindo estudar toda a diversidade de organismos, desde microrganismos, como bactérias, até grandes vertebrados marinhos, como golfinhos, reconhecendo que todas estas comunidades estão interligadas e exercem influência mútua sobre o funcionamento e equilíbrio dos ecossistemas.”, sublinha Catarina Magalhães, coordenadora científica do projeto.
Liderado pela FCUP, este consórcio reúne uma equipa multidisciplinar com investigadores do CIIMAR, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, do Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar, da Universidade do Minho e da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Fonte: Green Savers
A Dermatose Nodular Contagiosa (DNC) é uma doença viral de notificação obrigatória que afeta os bovinos (mas não os humanos), exigindo medidas de erradicação imediata em caso de ocorrência de foco.
A doença tem um curso lento e progressivo. A sintomatologia é diversa (febre, perda de apetite, diminuição de peso, salivação excessiva, corrimento óculo-nasal, diminuição da produção de leite, abortos e infertilidade) sendo o aspeto mais caraterístico marcado pelo aparecimento de nódulos e tumefações na pele que podem desenvolver crostas, onde o vírus pode ficar alojado durante muito tempo.
A transmissão da doença é efetuada através do contacto entre animais infetados, mas também, através da picada de vários insetos e carraças. Sendo ainda possível o contágio através de objetos contaminados nos transportes a longas distâncias.
A DGAV acompanha a evolução da doença na Europa e apela para que os Produtores e Médicos Veterinários estejam atentos para possibilitar a identificação precoce da Dermatose Nodular Contagiosa, caso este vírus venha a entrar no país, bem como recomenda a máxima atenção aos procedimentos de movimentação animal e à biossegurança, incluindo a limpeza e desinfeção dos transportes de animais.
Fonte: DGAV
A fraude alimentar tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos. A elevada procura, a forte concorrência ao nível dos preços e a crescente complexidade das cadeias de abastecimento criam condições propícias à rotulagem incorreta de produtos. Quando são utilizados ingredientes nocivos, este tipo de fraude pode representar riscos graves para a saúde pública.
Produtos contrafeitos ou de baixa qualidade – como o azeite produzido a partir de óleo de colza artificialmente corado – são frequentemente difíceis, ou mesmo impossíveis, de identificar através de uma simples avaliação visual. Até ao momento, a deteção de géneros alimentícios contrafeitos tem exigido análises laboratoriais dispendiosas e demoradas. Além disso, os sistemas de análise baseados em laboratório requerem operadores especializados, com formação técnica adequada, tanto para a operação dos equipamentos como para a interpretação dos dados obtidos.
Com o objetivo de dar resposta a este desafio, encontra-se atualmente em desenvolvimento um sistema móvel de sensores baseado em cromatografia gasosa, concebido para permitir a deteção de produtos incorretamente rotulados diretamente in situ. Três institutos Fraunhofer estão a colaborar no desenvolvimento de um dispositivo acessível e de utilização simples, que possibilita a realização de avaliações rápidas no local, mesmo por utilizadores sem formação especializada.
No âmbito do projeto Fraunhofer PREPARE PUMMEL, equipas de investigação do Fraunhofer Institute for Photonic Microsystems (IPMS), do Fraunhofer Institute for Molecular Biology and Applied Ecology (IME) e do Fraunhofer Institute for Process Engineering and Packaging (IVV) estão a conjugar as suas competências nucleares nas áreas dos métodos de medição por cromatografia gasosa, do desenvolvimento de sensores e da deteção química. O objetivo é desenvolver um sistema móvel de sensores baseado em cromatografia gasosa para a deteção rápida in situ de compostos orgânicos voláteis (COV).
Os COV são compostos químicos que fornecem informação sobre a composição de um material ou sobre potenciais riscos para a saúde, podendo igualmente indicar alterações nas características de um produto. A deteção de COV desempenha um papel fundamental em diversos domínios, incluindo a qualidade e a segurança alimentar, a saúde, a segurança civil, a agricultura e a indústria química.
Dois casos com relevância industrial
Mark Bücking, diretor de departamento do Fraunhofer IME, acrescenta: “Estamos a alinhar os interesses industriais com os desafios científicos, com um enfoque na inovação tecnológica ao serviço da economia alemã e europeia.”
Descrição do sistema
“A cromatografia gasosa (GC) é um método analítico utilizado para separar, identificar e quantificar misturas de substâncias. É adequada para compostos gasosos ou facilmente vaporizáveis que não se decompõem durante a vaporização”, explica Olaf Hild. “Um gás de arraste transporta inicialmente a amostra através da coluna GC, que está gravada num chip de silício capaz de aquecer e arrefecer rapidamente.”
No interior da coluna, as moléculas gasosas interagem com as paredes internas revestidas por polímeros. Os COV interagem com este revestimento em função da sua afinidade química, o que conduz à separação da mistura. À saída da coluna GC baseada em chip de silício, um detetor mede as substâncias separadas de acordo com as suas características moleculares, gerando um cromatograma gasoso com picos cromatográficos que revelam a composição da mistura. O Fraunhofer IME é responsável pela análise dos dados de medição. No caso do azeite, o objetivo é determinar parâmetros como o país de origem, a idade e o grau de pureza.
Ensaios iniciais concluídos com sucesso
“Com este sistema, estamos a dirigir-nos a utilizadores não especialistas, como operadores de engarrafamento e inspetores na receção de matérias-primas, que poderão operar facilmente o dispositivo após uma breve formação”, refere Tilman Sauerwald, investigador do Fraunhofer IVV, onde os demonstradores estão atualmente a ser desenvolvidos. “Os componentes do sistema podem ser adaptados a aplicações específicas, tornando-o adequado para o controlo da qualidade em diversos contextos, incluindo a análise de plásticos reciclados. Estamos totalmente disponíveis para colaborar com parceiros industriais no desenvolvimento de aplicações personalizadas.”
Os investigadores vão apresentar alguns resultados do projeto entre 24 e 27 de março de 2026, na feira Analytica, em Munique, no stand conjunto do Fraunhofer, Pavilhão 3, Stand 312.
Fonte: iAlimentar
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