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A Love Butternut é a nova iniciativa que une 200 produtores portugueses e espanhóis para promover o consumo de abóbora. A campanha é agora lançada nos dois países, através do mote “Amas-me? Dá-me abóboras!”, estimulando o consumo em ambos onde atualmente o consumo é de apenas 0,85 quilos per capita.

Espanha é o maior produtor de abóbora da Europa, seguindo-se França, e Portugal, em terceiro lugar. Relativamente à espécie de abóbora manteiga, também conhecida como butternut, o volume de produção anual no país atinge as 60 mil toneladas, 90% das quais destinadas à exportação.

Num período em que decorre a época colheita da abóbora, mas também a celebração do Dia das Bruxas ou Halloween, data em que se enaltece este vegetal, a Love Butternut aproveitou para lançar esta estratégia de marketing, onde sublinha as vantagens da abóbora para a saúde e bem-estar, bem como as suas diferentes utilidades, que vão muito além da cozinha. Receitas, conselhos de como preparar, descascar e cozinhar a abóbora, informação nutricional ou curiosidades são alguns dos conteúdos da campanha, que terá visibilidade nas plataformas digitais, redes sociais, eventos e ponto de venda.

Tradicionalmente mais usada em cremes sopas e algumas sobremesas, a abóbora pode ser ingrediente de sumos ou mesmo produtos de beleza. O número de novos produtos à base de abóbora está a aumentar na Europa onde, desde 2016, se lançaram mais de 500 novas inovações.
 
Fonte: Greensavers

O presidente da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Dão disse à agência Lusa que cerca de 40 produtores da região marcam presença no regresso da mostra Dão Invicto, em Vila Nova de Gaia, na sexta-feira e no sábado.

“Este ano optámos por fazer num espaço novo, World of Wine, na zona das caves de Vila Nova de Gaia, com a presença de cerca de 40 produtores do Dão que dão a conhecer os seus vinhos à sociedade e aos críticos”, contou Arlindo Cunha.

Este responsável explicou à agência Lusa que o Dão Invicto e o Dão Capital são “os dois eventos mais fortes que a CVR organiza diretamente” para promover o vinho e, assim, a região marca presença em Vila Nova de Gaia, na sexta-feira e no sábado e, em Lisboa, em 19 e 20 de novembro.

“Este evento não é uma daquelas feiras específicas de negócio, para a comercialização do vinho. O propósito essencial aqui é dar a conhecer ao público em geral os vinhos dos nossos produtores e, ao mesmo tempo, dá-los a conhecer à crítica e à imprensa”, disse.

Ainda assim, Arlindo Cunha admitiu que, “no meio disto, aparecem sempre potenciais clientes e compradores, que levam logo ali o vinho, ou ficam com contactos para depois o adquirirem para a restauração ou hotelaria”.

Nesta quarta edição, depois de em 2020 não se ter realizado devido à pandemia de covid-19, o regresso a este contacto com críticos e comunidade “é uma boa notícia, porque os produtores estavam desejosos de se reencontrarem com o público e de retomarem estas provas” de vinho.

“A escolha do vinho é da responsabilidade do produtor que tem todo o interesse em fazer uma seleção variada, com diferentes perfis e diferentes preços, para darem a conhecer o que têm, Depois, há um programa separado de provas comentadas, nas quais estão especialistas que convidámos”.

Para estas provas, o especialista que vai apresentar a prova, “regra geral, escolhe com a CVR o tipo de vinho que vai colocar nessas provas comentadas” e há também “a apresentação dos vinhos mais premiados no último concurso do melhor vinho do Dão”.

Entre os convidados estão, na sexta-feira, Miguel Oliveira com o painel dos “Ouros – The International Wine Challenge” e Rodrigo Costa com os “Melhores do Dão – Decanter Wine Awards 2021”.

No sábado, é a vez de Osvaldo Amado colocar à prova os “Grandes Ouros do Dão – Concurso Nacional de Vinhos ViniPortugal 2021” e também Tiago Massena com “Wine Enthusiast Best Buy 2021”.

A par dos vinhos da região, o evento, que funciona entre as 15:00 e as 21:00, promove ainda a Rota dos Vinhos do Dão, com o intuito de “ajudar a impulsionar o turismo” neste “quase regresso à normalidade”.

“Na Rota dos Vinhos do Dão temos quintas lindíssimas de enoturismo e o Dão oferece muitos lugares para descobrir em casal, em família ou com amigos”, considerou Arlindo Cunha.

Fonte: Agroportal

O estudo TGI da Marktest quantifica, na vaga global de 2020, em 845 mil os responsáveis pelas compras do lar que referem que, nos seus lares, se consumiram pratos confecionados congelados ou refrigerados nos últimos 12 meses, o que representa 21,8% dos lares em Portugal Continental.

O consumo destes produtos é mais provável junto dos lares com responsáveis pelas compras com idades entre 45 e 54 anos, na Grande Lisboa ou Sul e naqueles lares que pertencem às classes sociais mais elevadas.

Os dados do TGI mostram ainda que, entre os pratos confecionados congelados ou refrigerados, a lasanha é a refeição mais consumida, seguida de almôndegas e de arroz de pato.

Fonte: Grande Consumo

Portugal é a 25.ª marca mais forte, tendo subido cinco lugares face ao ano passado, segundo o relatório Brand Finance Nation Brands 2021.

Portugal pontuou 70,6 em 100 no índice de força da marca, mais 3,7 pontos em relação a 2020. Desse modo, situa-se acima da “vizinha” Espanha, que ocupa o 34.º lugar (66,2 pontos) com uma queda de nove posições face ao ano passado.

Suíça lidera o ranking das marcas mais fortes

O estudo sublinha que a Covid-19 afetou força de algumas marcas, mas não o seu valor. A marca nacional mais forte é a Suíça, com 83,3 pontos, uma pontuação que se manteve estável face a 2020. O mesmo não se pode dizer da Alemanha, que perdeu o primeiro lugar e caiu para a quinta posição, com 82,6 pontos.

Para além da Suíça e da Alemanha, o top 10 da força de marca é composto pelo Canadá, pelos Países Baixos, por Singapura, pela Austrália, pela Dinamarca, pela Noruega, pela Suécia e pela Nova Zelândia.

Já Reino Unido, Estados Unidos, Japão e França caíram do top 10. O Reino Unido desceu do segundo para o 14.º lugar, a França de nono para 16.º, os Estados Unidos de 4.º para 17.º e o Japão de 7.º para 15.º. Todos estes países foram afetados pela perceção de como lidaram com a pandemia de Covid-19, indica a Brand Finance.

 39.ª marca nacional mais valiosa

Relativamente ao valor, Portugal também melhorou a sua posição e, após um aumento de 16%, para 230 mil milhões de dólares, cerca de 198,3 mil milhões de euros, entrou nas 40 marcas nacionais mais valiosas, saltando quatro lugares para o 39.º este ano.

Os Estados Unidos, apesar de terem caído em termos de força de marca, continuam a liderar a lista das marcas mais valiosas.

Segundo o relatório, as 100 marcas nacionais mais valiosas do mundo registaram um aumento de 7% no valor da marca, face a 2020, que continua, não obstante, 7% abaixo dos níveis de 2019.

Fonte: Grande Consumo

Foi publicado em Diário da República esta segunda-feira, dia 25 de outubro, a Portaria 228/2021 que procede à primeira alteração à Portaria n.º 73/2019, de 7 de março, de regulamentação do procedimento relativo à atribuição do título de reconhecimento do Estatuto da Agricultura Familiar, introduzindo ajustamentos ao procedimento de atribuição por forma a torná-lo mais ágil e menos burocrático, bem como a melhor adequá-lo ao universo de beneficiários verificado.

Consulte a legislação aqui.

Fonte: Agroportal/Qualfood

Alimentos grátis no último dia da data de validade. Assim se resume a iniciativa “Free on Last Day of Life”, lançada recentemente pela cadeia britânica Iceland Foods, com o objetivo de reduzir o desperdício alimentar.

Especificamente, este projeto oferece aos e-shoppers produtos gratuitos quando atingiram o último dia da sua vida útil e não há mais stocks disponíveis. Assim, ao fazer uma encomenda online, se o único produto disponível cumprir a data de validade desse dia, será digitalizado e rotulado. Posteriormente, será colocado com o resto da encomenda e o comprador saberá da existência desse artigo gratuito antes da entrega. Toda a secção de pastelaria e padaria – fresca e refrigerada – está incluída.

1,3 milhões de produtos gratuitos

A Iceland Foods lançou, no verão passado, um teste piloto desta iniciativa em 40 estabelecimentos, que resultou na oferta de mais de 17 mil bens alimentares, equivalentes a um reembolso médio por comprador de 1,58 libras (1,87 euros) por encomenda. A cadeia de retalho diz que o teste foi um sucesso e que a iniciativa já foi implementada em mil lojas.

A cadeia espera oferecer aos clientes mais de 1,3 milhões de artigos gratuitos, ao longo do ano. “A redução do desperdício alimentar é uma grande prioridade para nós. Sabemos que o prazo de validade desempenha um papel importante na criação de alimentos excedentários, por isso, temos de encontrar uma forma inovadora de combater isso dentro das nossas lojas e no comércio online”, explica Richard Walker, CEO da Iceland Foods. “O programa ‘Free on Last Day of Life’ não só ajuda a reduzir o desperdício alimentar, como também ajuda os nossos clientes. Sabemos que o custo é fundamental para muitos dos nossos clientes e esta nova iniciativa permite-nos oferecer-lhes a oportunidade de reduzir os seus talões de compras semanais e ajudar a reduzir o desperdício alimentar“.

Fonte: Grande Consumo

A gastronomia italiana não sai da “top list” dos portugueses, mas é também uma tendência intemporal internacionalmente. De acordo com um estudo de 2015 da Travel Trends, a comida italiana é a favorita da Europa (83%) e também o prato número um para quase metade dos portugueses (44%).

Em Portugal, a bolonhesa é uma das opções mais comuns em menus de criança e pratos como a lasanha são cada vez mais frequentes em jantares de amigos nas suas inúmeras variantes, algumas muito locais, como a lasanha de bacalhau.

Por ocasião do Dia Mundial das Massas, comemorado esta segunda-feira, dia 25 de outubro, a Takeaway.com revelou alguns dados sobre o consumo dos portugueses deste popular prato.  Segundo a marca, os pedidos de massas cresceram 94% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo que as opções preferidas dos portugueses estão os clássicos, como a bolonhesa, a carbonara e massa com gambas.

Restaurantes

Em relação a restaurantes onde comer “pasta”, os dez preferidos dos portugueses, sem nenhuma ordem em particular, são La Tagliatella, Restaurante PastaCafé Snackbox (Bragança), Portofino (Lisboa), Il Giardinetto (Lisboa), La BreZZa (Santa Eulália), Casa Mia (Vila Nova de Gaia), Lapamaki (Porto),Benini Sapori di Genova (Oeiras), Mr. Lu (Lisboa) e Li-Jin (Porto).

Fonte: Grande Consumo

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) vai intensificar a fiscalização nos olivais do Alentejo na campanha olivícola 2021-2022, para evitar apanha mecânica noturna de azeitona, que provoca morte de aves, foi hoje anunciado.

Em comunicado, o ICNF informa que a sua Direção Regional da Conservação da Natureza e Florestas do Alentejo vai “intensificar as ações de fiscalização ao longo da campanha” na região, “no sentido de assegurar que não ocorre qualquer prática que possa promover a mortalidade de aves, designadamente a apanha noturna de azeitona”, ou seja, “no intervalo de tempo entre o ocaso e o nascer do sol”.

A fiscalização, que já decorreu na campanha de 2020-2021, vai ser reforçada na atual, de 2021-2022, “na tentativa de sensibilizar os olivicultores” para não praticarem a apanha mecânica noturna de azeitona, explicou hoje à agência Lusa a diretora Regional de Conservação da Natureza e Florestas do Alentejo, Olga Martins.

A fiscalização realiza-se na perspetiva de sensibilizar e não de penalizar os olivicultores, “nem de levantar autos” de contraordenação, e “por isso é que o ICNF faz as comunicações prévias”, indicou.

“Queremos mesmo é sensibilizar os olivicultores para esta questão e recordá-los que a apanha noturna [de azeitona] provoca a mortalidade das aves”, que é o que o ICNF pretende “evitar”, frisou.

Segundo a responsável, na campanha olivícola de 2020-2021 “só foi levantado um auto” de contraordenação por apanha mecânica noturna de azeitona, “logo no início” da fiscalização.

No âmbito das ações de fiscalização já efetuadas desde o início da atual campanha, que arrancou em meados deste mês, “ainda não foi detetada qualquer infração”, adiantou, frisando que os olivicultores estão “muito cooperantes”.

“É o que queremos, trabalhar em conjunto e assegurar que estamos todos a caminhar no mesmo sentido”, disse.

O ICNF alerta que a prática da apanha mecânica noturna em olival é alvo de ação sancionatória e lembra que a perturbação e a mortalidade de aves constituem uma infração contraordenacional e penal nos termos da legislação em vigor.

Segundo o ICNF, os resultados de um estudo coordenado pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) confirmam que a colheita mecânica noturna de azeitona nos olivais superintensivos “provoca, de forma significativa, a mortalidade de aves”.

Os resultados do estudo, datado de março de 2020, também confirmam que as medidas de mitigação implementadas e testadas, nomeadamente os vários processos de espantamento de aves, “revelaram-se ineficazes”.

Trata-se do estudo técnico para a avaliação de impacto na avifauna resultante da colheita mecânica noturna, que foi coordenado pelo INIAV em colaboração com o ICNF e a Direção Regional de Agricultura e Pescas do Alentejo.

O estudo contou com o envolvimento dos olivicultores e foi realizado em 47 parcelas de olival em sebe nos quatro distritos do Alentejo.

Fonte: Agroportal

A produção de castanha pode ter uma quebra até aos 90% em alguns soutos na região de Carrazedo Montenegro, no concelho de Valpaços, embora duas associações locais estejam em desacordo sobre a origem do problema que causa impacto económico.

Na zona da Serra da Padrela, no distrito de Vila Real, onde se situa a maior mancha de castanha judia da Europa, este fruto resulta na principal fonte de rendimento para muitas famílias, que este ano esperam quebras grandes na produção.

Para Lino Sampaio, produtor e responsável pela associação Agrifuturo, há “alguns fungos instalados” na região que necessitam de um “tratamento preventivo”.

“Devia ter sido feito. Também não adianta eu fazer esse tratamento e depois ter 20 ou 30 produtores que não fazem. Se não for travado rapidamente por todos, continua a ter condições para existir. Neste momento conseguimos ver quem fez tratamento e não fez”, destacou.

Segundo o produtor, que falava hoje aos jornalistas à margem da apresentação da Feira da Castanha, que se realiza entre 05 e 07 de novembro, em Carrazedo de Montenegro, em algumas áreas o prejuízo na produção pode atingir os 70% ou 80% ou “ainda mais”, mas nas zonas onde foi feito o tratamento a produção é a habitual.

“Eu sou um dos exemplos e vou ter a mesma produção, mas não é com muito agrado que digo isto. Começo a questionar qual é o trabalho e porque é que estas associações cobram assistência técnica aos agricultores e depois não fazem nada, isto dói-me profundamente. Era muito fácil, não devia ser questão e íamos ter um ano de super colheita”, acrescentou.

Os fungos atingem a folha do castanheiro, que fica de cor acastanhada e rebordo amarelo, originando a sua queda antecipada, e atacam também o pedúnculo do ouriço, provocando a sua queda precoce e consequentemente a quebra de produção.

A Agrifuturo aconselhou aos produtores, entre o final de julho e início de agosto, um tratamento preventivo à base de cobre.

Visão diferente tem Filipe Pereira, da Associação Regional de Agricultura das Terras de Montenegro (ARATM), que explicou aos jornalistas que há dados das estações meteorológicas mais próximas que indicam temperaturas negativas entre 13 e 20 de setembro.

“São dados inequívocos. O castanheiro é uma árvore rústica, mas não está habituada, antes da queda de fruto, a sofrer temperaturas tão baixas. Este ano foi completamente diferente dos outros, houve gelo nas partes mais altas e fez com que nestas zonas mais altas a diminuição da produção se tenha verificado”, referiu.

Filipe Pereira frisou também que este ano “a castanha vai ser de boa qualidade mas os calibres serão relativamente mais baixos do que nos anos anteriores”.

E acrescentou que para quem fez o tratamento o “aspeto visual da planta ficou protegido mas a castanha não existe”.

“O pessoal que tratou na zona que foi flagelada [com o frio] tem uma melhoria, em relação ao pessoal que não tratou, quase inexistente. Tratar ou não tratar, onde se registou frio, não veio adiantar nada”, atirou.

O responsável da ARATM prevê quebras nas zonas fustigadas entre 70% e 80% e que pode chegar aos 90% da produção.

“Nas zonas mais baixas há uma produção normal, mas menor do que em outros anos, porque não houve só estes problemas de frio, mas também na polinização, o que levou a que a maior parte dos ouriços não tenham conseguido gerar castanha no seu interior”, concluiu.

A vereadora da Câmara de Valpaços Teresa Pavão, presente na conferência de imprensa, destacou que as eventuais compensações aos produtores de castanha dependem da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAPN).

“A DRAPN está sempre em sintonia com os produtores de castanha e agricultores e faz a ponte com as associações locais, desloca-se ao local, avalia o estado dos soutos e terá uma palavra final face à compensação”, sublinhou.

Na localidade de Serapicos, o casal Jaime e Sílvia Lopes, explicaram à Lusa que a produção dos seus soutos este ano teve uma grande quebra porque os ouriços “não chegaram a criar” e “as castanhas são muito pequenas”.

“Nunca houve um ano assim. Não sabemos bem se é por doença, se foi o nevoeiro ou o gelo, mas já tivemos anos com dois mil quilos e este ano não sei se chegamos aos 400 quilos”, realçaram.

Já em Argemil, ainda no concelho de Valpaços, Maria Pinto apontou que a sua produção será de um terço face ao que é habitual.

“A folha está amarela, parece que ardeu. Os soutos estão secos. Pensámos em trocar para outro fruto mas a castanha é o ouro daqui”, frisou.

Fonte: Agroportal

Vivem-se dias de alto risco neste final de 2021. O petróleo disparou, a eletricidade bate recordes e as notícias de subida do preço de vários produtos sucedem-se. Os sinais em Portugal já são visíveis: no abastecimento de cereais, nos alimentos e na indústria. A ‘escassez’ pode estar ali, ao virar da esquina

Sector alerta para aumento das dificuldades de fornecimento internacionais. Em caso limite, Portugal só tem stock para 15 dias. Escassez faz preço do bacalhau disparar 15%, multiplica custo das matérias-primas e ameaça prendas de Natal

A partir de janeiro “ficamos totalmente expostos ao que os outros países nos quiserem vender” para nos alimentarmos em termos de cereais. “Se houver um bloqueio ou apenas se um navio não puder atracar ou não conseguir chegar a tempo aos portos portugueses, só teremos cereais para pouco mais de 15 dias.”

É desta forma que Jorge Neves, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo (AMPROMIS), descreve o estado a que chegou o sistema produtivo nacional. Fica assim exposta a fragilidade de um sector que luta agora em várias frentes para garantir comida na mesa dos portugueses: a extrema dependência dos transportes internacionais, cujos preços dispararam para valores historicamente elevados nos últimos meses [e Portugal importa 75% do milho de que precisa e mais de 90% do trigo para pão e massas]; a vulnerabilidade geopolítica dos países fornecedores [economias instáveis como a Rússia, a Ucrânia, a Argentina ou o Brasil, que não hesitarão um segundo em fechar a torneira das exportações para atender a necessidades internas], e ainda a escalada internacional nos preços da energia, que está a tornar cada vez mais complicado não apenas os sistemas de produção, mas o acesso às matérias-primas em geral.

À beira da tempestade “mais que perfeita”

Ou seja, e em suma, estamos “perante uma tempestade mais que perfeita para, de um dia para o outro, podermos ter um problema grave de segurança de abastecimento de alimentos básicos a Portugal”, sublinha aquele responsável.

E se a situação é crítica no abastecimento de milho (cuja produção deste ano ainda está no terreno), “no trigo para pão e para massas e em todos os restantes cereais ainda é mais preocupante”, assegura José Palha, presidente da Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais (ANPOC).

Este dirigente associativo nota que em toda a União Europeia só Malta está em pior posição que Portugal, mas a situação ainda vai ficar mais complicada porque na campanha deste ano a produção caiu em relação ao ano anterior. Como se todo este cenário de variáveis internacionais críticas não chegasse, a produção nacional de cereais ainda se debate com outro problema.

Em cada ano perde cada vez mais terreno para outras culturas muito mais rentáveis. Tudo começou com o olival — há já cerca de 15 anos — e agora está a ceder terra ao amendoal e, mais recentemente, à plantação de abacateiros.

Fonte: Agroportal