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Apesar do plástico ter uma grande utilidade e poder ser utilizado em diversos tipos de objetos, tornando-os resistentes e duradouros, tem sido uma grande ameaça para o Planeta devido à sua composição.

À medida que se luta por um futuro mais verde, começam a ser desenvolvidas alternativas mais eficientes e sustentáveis ao plástico tradicional que conhecemos. E porque não optar por uma nova criação, que tem o mesmo efeito e que respeita o meio ambiente?

Com o foco de apresentar alternativas que substituem os plásticos de uso único e de acabar com estes resíduos no mundo, surgiu na Indonésia a startup EvoWare. Através das suas diferentes gamas de produtos e serviços a empresa disponibiliza vários recipientes alternativos ao plástico, feitos de algas marinhas.

É nesse contexto que surgem os Ello Jello, os copos comestíveis que são produzidos à base de plantas e algas marinhas, e que existem em quatro sabores diferentes, chá verde, laranja, lichia e o original – não alterando o gosto da bebida. Em paralelo, a equipa também criou uns sacos que são produzidos à base dos mesmos ingredientes e que após utilização se dissolvem na água quente ou podem ser utilizados para fertilizar plantas. E a melhor parte de ambos? Degradam-se no meio ambiente em 30 dias.

“Os nossos produtos são ecologicamente corretos, biodegradáveis ​​e até comestíveis e saudáveis ​​para o corpo”, explicam na sua página, acrescentando “O nosso impacto não é apenas no meio ambiente, mas também na subsistência dos produtores de algas marinhas. Para tal, colocamos sempre no nosso coração dois valores fundamentais: Inovação e Colaboração”.

Fonte: Greensavers

Realiza-se no dia 30 de março, terça-feira, às 10h00, o webinar SANAS – Segurança Alimentar, Nutrição Animal e Sustentabilidade. A iniciativa é promovida pela IACA – Associação Portuguesa dos Industriais dos Alimentos Compostos para Animais em cooperação com o Laboratório Colaborativo FeedInov que realiza a sua primeira atividade para os parceiros da Indústria da Alimentação Animal. O encontro que decorre online tem como finalidade dar a conhecer duas publicações realizadas também em parceria com a DGAV –Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, a autoridade oficial que regula as atividades do setor da Alimentação Animal. As publicações recomendam as boas práticas a adotar pelas empresas de alimentos compostos na rotulagem dos seus produtos e os procedimentos a ter para evitar contaminações cruzadas indesejáveis na alimentação de animais produtores de géneros alimentícios.

O Guia de Boas Práticas para a rotulagem de alimentação animal visa dar aos produtores de alimentos compostos ferramentas para facilitarem aos seus clientes a escolha do alimento adequado para os seus animais e para corresponder às suas exigências nutricionais específicas, reforçando o cumprimento da legislação europeia em vigor desde setembro de 2010. O guia de rotulagem dá especial atenção à “rotulagem voluntária”, incentivando os operadores a disponibilizarem informação que poderá posteriormente ser divulgada pelos produtores pecuários ao consumidor final, tais como a energia ou vitaminas com efeito antioxidante.

O Manual para evitar as contaminações cruzadas com substâncias indesejáveis preconiza, por exemplo, a organização de processos de forma a mitigar a transferência, pelos equipamentos de produção e ainda que em valores residuais, de substâncias inerentes à alimentação de determinada espécie, mas que poderá não se adequar a outra. Além da organização de processos, este manual também preconiza a realização de testes de verificação da correta dispersão das matérias-primas, dos aditivos destinados à alimentação animal e, eventualmente, de medicamentos de uso veterinário, sendo que esta testagem deverá ser fiável, fidedigna, adequada e verificada por profissionais especializados, permitindo salvaguardar a saúde e bem-estar dos animais e indiretamente dos consumidores.

O Laboratório Colaborativo FeedInov, que apoiou a realização das publicações, iniciou formalmente a sua atividade em outubro de 2020 com o objetivo de delinear estratégias de alimentação inovadoras para uma produção animal sustentável. Atualmente encontra-se já a trabalhar no terreno num projeto de mitigação de contaminações cruzadas e aguarda a aprovação de quatro projetos candidatados à Fundação da Ciência e Tecnologia que em conjunto atingem um valor de 1,5 milhões de euros.

De acordo com a IACA, “este projeto segue em linha com os objetivos e a Visão 2030 da Indústria da Alimentação Animal em Portugal, assente em três pilares: segurança alimentar, nutrição animal e sustentabilidade”.

Fonte: Agroportal

As reclamações dirigidas por consumidores às cadeias de distribuição alimentar aumentaram em 75% no ano passado, em termos homólogos, para um total de 2.089 reclamações, no Portal da Queixa. Atrasos nas entregas das compras online é o principal motivo reportado pelos consumidores. Além dos atrasos nas entregas (47%), os consumidores queixam-se de falta de apoio ou resposta (25%) por parte das empresas e de problemas relacionados com os pedidos de devolução (13%).

Os números deste ano, desde 1 de janeiro até 16 de março, somam já 717 reclamações na mesma categoria, um aumento 35% face às 531 reclamações registadas em igual período do ano passado.

No entanto, o Portal da Queixa revela que a grande maioria das insígnias recebe nota positiva dos consumidores na resposta que dá às queixas. “Apesar da subida das queixas dos consumidores, foram várias as empresas que revelaram uma performance positiva face à resolução dos problemas reportados pelos clientes. Auchan, Continente, Pingo Doce, Mercadona, Aldi Portugal e Supercor destacaram-se pelo elevado índice de satisfação obtido no Portal da Queixa, entre os 70 e 88 pontos (em 100). Por outro lado, Intermarché, Minipreço e Lidl evidenciaram a falta de proximidade e de preocupação com os consumidores, registando níveis de satisfação abaixo dos 20 pontos em 100”, revela a mesma fonte, em comunicado.

Fonte: Hipersuper

Responder aos grandes desafios dos sistemas agroalimentares europeus é o objectivo do projecto “Stargate – Sensors and daTA tRaininG towards high-performance Agri-food sysTEms”, financiado pelo programa Horizonte 2020, da União Europeia. A iniciativa envolve entidades de Portugal, França, Holanda, Alemanha: o Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica (entidade líder do projecto), a Wageningen Research, o Instituto Nacional de Investigação para a Agricultura, Alimentação e Ambiente (INRAE) e o Instituto de Genética Vegetal e de Investigação de Plantas (IPK).

projecto Stargate, que começou em Janeiro de 2021 e termina em Dezembro de 2023, tem um orçamento de 899.221,25 euros, financiado totalmente pela União Europeia. Em comunicado, a Universidade Católica (UA) afirma que «as alterações climáticas, o aumento da população e o consequente incremento da produtividade conduzem a uma cada vez maior necessidade de rastrear e de controlar todo o complexo processo da cadeia alimentar, desde a produção até ao consumidor», acrescentando que o Stargate «vai permitir aprofundar e partilhar conhecimento que contribuirá para a criação de sistemas agroalimentares mais resilientes e sustentáveis».

«Através do projecto Stargate vai ser possível aumentar o conhecimento sobre sensores de alta tecnologia e tecnologias de fenotipagem, com vista a desenvolver modelos preditivos relativos a culturas mais resistentes, robustas às alterações climáticas e que possam ser integradas numa agricultura circular. No âmbito do Stargate, vai ser também possível identificar o potencial impacto dos recursos genéticos e da biodiversidade nos alimentos, seleccionar a melhor matéria-prima para gerar um alimento premium – nutritivo, saudável, seguro e sustentável –, reduzir a utilização de fertilizantes ou herbicidas, melhorar o valor nutricional das culturas e a qualidade global, prolongar a vida útil e também reduzir e valorizar perdas em contexto de economia circular», explica a UA. Segundo Manuela Pintado, da UA, investigadora principal do Stargate, «através da articulação profícua entre os diferentes membros do projecto, agricultores e a indústria agroalimentar, vai ser possível desenvolver sensores e tecnologias multimétricas e de fenotipagem de plantas», sendo que a iniciativa «contribuirá decisivamente para o Centro de Biotecnologia e Química Fina se posicionar como um centro de excelência nacional e internacional em sistemas agroalimentares de alto desempenho».

Fonte: Agroportal

A DGAV emitiu a Nota Informativa n.º 1/2021/PSA, que tem como objetivo sensibilizar todos os intervenientes para o reforço das medidas preventivas de forma a evitar a introdução do vírus da PSA em território nacional considerando o agravamento da situação na Europa.

A situação epidemiológica da Peste Suína Africana (PSA) na Europa e no mundo, tem vindo a agravar-se, tanto pela disseminação desta doença na União Europeia, em especial na Alemanha, Eslováquia, Hungria, Polónia e Roménia, como por ter sido notificada pela primeira vez na Malásia.

No âmbito do Plano de Acção e Prevenção da Peste Suína Africana 2019-2021, o reforço das medidas preventivas, recomendado pela Direcção geral de Alimentação e Veterinária incluem a biossegurança, nas explorações, nos transportes e na actividade cinegética, bem como a vigilância passiva através da notificação da suspeita e ocorrência de PSA.

A DGAV solicita aos produtores, comerciantes, industriais, transportadores, caçadores, médicos veterinários e quem lida com os efetivos de suínos e com as populações de javalis para que reforcem as medidas preventivas abaixo indicadas:

1 – A correta aplicação das medidas de biossegurança nas explorações, nos centros de agrupamento e entrepostos;

2 – A apropriada aplicação das medidas de biossegurança nos transportes, nomeadamente no respeitante à limpeza e desinfeção dos veículos que transportam os animais;

3 – A adequada aplicação das boas práticas no ato da caça;

4 – A correta aplicação das medidas de biossegurança ao viajar para fora do país para caçar e com os troféus de caça oriundos de outros países;

5 – A proibição da alimentação de suínos com lavaduras (art.º 23.º Decreto-lei n.º 143/2003 de 2 de Julho) e com restos de cozinha e mesa ou matérias que os contenham ou deles derivem (alínea b) art.º 11 do Regulamento n.º 1069/2009 de 21 de Outubro);

6 – Não deixar restos de comida acessíveis a javalis, colocando-os sempres em caixote de lixo protegidos dos animais selvagens,

7 – O adequado encaminhamento e destruição dos subprodutos animais em conformidade com o Regulamento n.º 1069/2009 de 21 de Outubro;

8 – A exigência de todos os intervenientes de reportar qualquer ocorrência ou suspeita de PSA bem como aumentos anormais na mortalidade nas populações de javalis (art.º 3.º do Decreto-lei n.º 267/2003 de 25 de Outubro), aos serviços regionais e locais da DGAV (os contatos dos serviços, os nomes, telefones e endereços eletrónicos estão no portal da DGAV em: http://www.dgv.min-agricultura.pt/portal/PSA

Fonte: Agroportal

Os ministros da Agricultura da União Europeia (UE) querem aprovar em junho uma proposta para Bruxelas avaliar a situação dos agentes biológicos como alternativa a pesticidas no controlo de pragas nas plantas para produção alimentar com mais qualidade.

Falando em conferência de imprensa no final do primeiro dia da reunião dos ministros da Agricultura da UE, Maria do Céu Antunes salientou que no Conselho de junho deverá ser apresentada, “para adoção definitiva”, a proposta de decisão solicitando à Comissão que realize um estudo “sobre a situação dos agentes de controlo biológico, a sua importação, a produção, a avaliação e o uso destes micro-organismos”.

A ministra salientou ser “da maior importância” a discussão sobre os agentes biológicos que – no âmbito da Estratégia do Prado ao Prato e do pacto Ecológico Europeu – “quer apoiar agricultores para uma transição mais verde, mais justa e inclusiva”.

O Conselho de Ministros da Agricultura da UE defendeu ainda a avaliação “de possíveis opções que possam promover uma maior harmonização de procedimentos entre os vários Estados-membros para facilitar o acesso a todos os agricultores e apoiar o investimento na inovação”.

A prontidão da UE para proteger a agricultura contra pragas de forma a produzir alimentos cada vez mais seguros foi outro tema em debate.

A reunião termina na terça-feira com a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) em agenda.

Portugal assumiu como uma das prioridades da sua presidência semestral do Conselho da UE a conclusão da PAC 2021-2027 esta primavera, de modo a que possa entrar em vigor em 10 de janeiro de 2023, vigorando até lá medidas provisórias.

Fonte: Agroportal

Com o intuito de sensibilizar e esclarecer os operadores económicos sobre o comércio eletrónico, a ASAE participará numa sessão de esclarecimentos no próximo dia 24 de março, às 14h30, online, promovida pela AESL- Associação Empresarial Serra da Lousã.

Fonte: ASAE

Num ano especialmente difícil, o Valorfito registou um crescimento de 28% face às recolhas de 2019, com um total de cerca de 500 toneladas de embalagens recolhidas. Um valor histórico, que tem como consequência o crescimento da taxa de retoma global para quase 44%, cinco pontos percentuais acima de 2019.

Estes são os resultados finais de recolha de embalagens vazias de produtos fitofarmacêuticos, sementes e biocidas, no ano 2020, anunciados pelo Valorfito, a designação pelo qual é conhecido o Sistema Integrado de Gestão de Embalagens e Resíduos em Agricultura.

O sector das sementes deu, em 2020, sinais de estabilização nas quantidades declaradas, com uma taxa de retoma a duplicar a de 2019. O fluxo dos biocidas melhorou, com um crescimento modesto na taxa de retoma, que relembra a importância de reforçar a mensagem. Já os produtos fitofarmacêuticos cresceram vigorosamente, com mais 17,2% de embalagens declaradas ao sistema. Um valor face ao qual o sistema Valorfito respondeu com um acréscimo de 26,2% destas embalagens recolhidas, catapultando a taxa de retoma para perto dos 50%.

Valores históricos

Num ano em que falar de dificuldades e desafios é já um lugar-comum, António Lopes Dias, diretor geral da Valorfito, reforça que “estes resultados vêm confirmar os dados preliminares revelados em janeiro, que demonstram a clara resiliência de todo o sector agrícola e a sensibilidade e preocupação dos pontos de retoma e dos agricultores para as questões ambientais, mesmo num ano em que a principal preocupação era garantir a ausência de quebras nas cadeias de abastecimento alimentar. Alcançámos resultados notáveis, que dão força ao objetivo ambicioso de chegar ao final de 2021 com uma taxa de retoma média na ordem dos 60%“.

Porque em todos os sectores há desafios que persistem, o segmento dos biocidas, por ser um fluxo com uma componente urbana dominante, representa, ainda. uma preocupação, uma vez que “uma grande parte destes resíduos acaba por ir parar a outros operadores de gestão e escapar à nossa contagem“, refere o diretor geral. “Há uma adaptação necessária, e cada vez mais urgente, dos operadores económicos e utilizadores finais ao sistema Valorfito, sob a qual reforçaremos a nossa atuação, contribuindo para a melhoria dos resultados neste segmento“, acrescenta.

Ainda assim, “em 2020, o balanço é notável, com um reforço ímpar da nossa capacidade de recolha, chegando ao fim do ano com praticamente todos os pedidos de levantamento satisfeitos, num trabalho conjunto da gerência e equipa Valorfito, mas, sobretudo, fruto do empenho de todos os intervenientes no sector, nomeadamente, os agricultores e pontos de retoma“, conclui António Lopes Dias.

Fonte: Grande Consumo

Até 2040 pode faltar água em Portugal para as atividades mais básicas, concluiu o estudo “O uso da água em Portugal: olhar, compreender e atuar com os protagonistas-chave", da Fundação Gulbenkian.

Portugal enfrenta um risco de escassez de água já nos próximos 20 anos: “É urgente antecipar o risco de ter de gerir pouca água face às necessidades do país”, alerta Filipa Saldanha, sub-diretora do Programa Desenvolvimento Sustentável da Fundação Calouste Gulbenkian.

Ou seja, num horizonte até 2040, pode mesmo faltar água em Portugal para as atividades mais básicas, concluiu o estudo “O uso da água em Portugal: olhar, compreender e atuar com os protagonistas-chave”, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, desenvolvido pelo C-Lab – The Consumer Intelligence Lab entre 2019 e 2020, e agora apresentado a propósito do Dia Mundial da Água, que se celebra esta segunda-feira, 22 de março.

“Ameaças à disponibilidade de água colocam em risco a nossa saúde e a nossa capacidade de produção de bens e serviços essenciais, incluindo alimentos. Num cenário de escassez de água, uma das áreas que ficaria desde logo comprometida seria a produção agrícola nacional e o grau de autossuficiência alimentar de Portugal. Isto teria implicações ao nível da criação de riqueza e geração de emprego na economia portuguesa”, explicou em declarações ao Capital Verde Filipa Saldanha.

A responsável sublinha ainda que “a falta de água pode afetar, também, o consumo quotidiano das comunidades locais”. Em última análise, e no pior dos cenários, as torneiras podem mesmo chegar a secar.

“Cada região do país é alimentada por bacias hidrográficas onde a agricultura, a indústria e o consumo urbano competem pelas mesmas reservas de água. Pela escala, os ganhos de eficiência na rega têm um impacto mais significativo na disponibilidade hídrica, mas, na verdade, a importância de usar de forma eficiente e responsável a água é um desígnio para todos”, frisou Filipa Saldanha.

Agricultura absorve 75% do uso de água em Portugal

Precisamente para prevenir este cenário futuro de escassez de água, e tendo em conta as conclusões do estudo, a Fundação Calouste Gulbenkian quer agora promover uma utilização mais eficiente deste recurso junto de toda a cadeia de valor do setor agroalimentar: desde o campo de cultivo à mesa do consumidor.

Importa começar pelos números: em Portugal, o setor agrícola é responsável por 75% do total de água utilizada, um número que contrasta com a média da União Europeia (24%) e chega a ser superior à média mundial (69%), estando no entanto alinhado com o de países mediterrânicos como a Espanha e a Grécia. Tal é explicado pela existência de regadio, em que a rega de culturas compensa o calor e a falta de chuva que caracterizam as estações quentes do ano.

Tendo em conta este cenário, o estudo agora apresentado pela Fundação Calouste Gulbenkian concluiu que a grande maioria dos agricultores ainda não mede a água que gasta (71% não tem sequer contador), sendo a água maioritariamente retirada de furos, charcas, poços e outras estruturas privadas. O seu custo é por isso baixo e tem fraca expressão no total de despesas da atividade agrícola, conclui a análise do C-Lab.

Além disso, 85% dos agricultores afirmam não ter de cumprir nenhuma exigência de poupança ou eficiência em relação à água que gastam junto dos seus clientes e apenas 3% já incluem cenários de longo prazo e de sustentabilidade no planeamento da sua atividade.

Os investigadores foram ao terreno e verificaram que a transição já está a ser feito mas tem de continuar a ser incentivada: se a maioria (65%) dos agricultores já utiliza sistemas de rega localizada (gota-a-gota), a adoção de tecnologias mais avançadas para controlo de rega e gestão da água ainda só foi adotada por uma minoria (30% utiliza sondas de apoio à rega, 23% utiliza estações meteorológicas, 37% utiliza programas de controlo de rega). Ou seja, recomenda o estudo, a transição para uma agricultura mais sustentável do ponto de vista hídrico exige a adoção de novas tecnologias de rega e gestão de água.

Diz-me quanta água usas para regar

Sublinha o estudo que é urgente generalizar a medição do uso da água na agricultura e adotar soluções tecnológicas para fazer a transição para uma rega mais precisa e eficiente.

“A inovação tecnológica na agricultura, a chamada AgriTech, tem ganhos significativos no uso mais eficiente da água. Contudo, a integração tecnológica no setor agrícola ainda é embrionária. A transição para esta nova forma de fazer agricultura exige apoio e demonstração num contexto de proximidade. Não existe um formato único que sirva todos os perfis de agricultores mas esta investigação permitiu estruturar e caracterizar os perfis de agricultores e a compreender o que motiva cada perfil. Ajustar a capacitação à escala, à cultura e ao contexto desses agricultores é fundamental para acelerar a mudança”, argumenta Filipa Saldanha.

Entretanto, 81% dos agricultores que já adotaram as novas tecnologias não têm dúvidas de que poupam água, o que abrange também a energia utilizada ou os fertilizantes. “A transformação do setor tem de chegar a todos, com o apoio de organizações de produtores, consultores especializados ou empresas do setor agroalimentar”, sublinha o estudo.

“Foi um estudo de proximidade, com muitas visitas ao terreno, entrevistas e inquéritos, que permitiu compreender que existem diferentes perfis de agricultores, as motivações de cada um e a proximidade a agentes (organizações de produtores, consultores técnicos e outros) que desempenham um papel fundamental na sua sensibilização e motivação”, revela a mesma responsável.

A investigação concluiu também que, em média, 53% dos agricultores portugueses (esta percentagem sobre para 64% no Alentejo e 71% no Algarve) sentem que há menos água disponível e identificam a falta de água como uma das principais preocupações num futuro próximo. “São eles os principais interessados em encontrar soluções. É um caminho exigente, que implica uma disponibilidade conjunta da cadeia de valor e da sociedade”, diz.

Do campo à mesa do consumidor, todos têm de poupar água

Para a sub-diretora do Programa Desenvolvimento Sustentável da Fundação Calouste Gulbenkian, “este estudo é o ponto de partida para um debate sobre o tema da água que, não obstante constituir um risco mais próximo do setor agrícola, afeta e diz respeito a todos nós”.

As conclusões estão agora a servir de base de conhecimento para desenhar a atuação da Fundação em prol da eficiência hídrica e de uma nova cultura da água no setor agroalimentar em Portugal, que abrangerá toda a cadeia de valor: agricultores, setor agrícola, indústria alimentar, grande distribuição e consumidor, que faz a escolha final.

Daqui para a frente, a continuação do trabalho também será feita em grande proximidade com o setor. No desenho de um plano de ação, as conclusões do estudo foram debatidas com 30 stakeholders, entidades da cadeia de valor agroalimentar, que ajudaram a identificar as áreas com necessidades mais prementes e as iniciativas a desenvolver.

Além disso, o estudo identifica agentes com capacidade de mobilizar a mudança no setor agrícola, como agricultores ‘mentores’ de referência, consultores técnicos e organizações de produtores. Por último, a sensibilização para uma cultura de consciência e respeito no uso da água tem de chegar ao cidadão comum.

“No estudo o “ser local” é o segundo fator de valorização mais referido na decisão de compra de frutas e legumes (o 1º é o preço). Se se aprecia o produto local, reconhecendo-lhe qualidade, importa ajudar a distinguir o que é “apenas” local e o que é, mais do que isto, local e sustentável. Para isso é preciso informar e contar as histórias dos agricultores portugueses que procuram produzir um produto de qualidade respeitando os recursos naturais e regando-os apenas na quantidade estritamente necessária”, diz Filipa Saldanha.

No Dia Mundial da Água, esta segunda-feira, a Fundação Calouste Gulbenkian vai divulgar um, pequeno vídeo com imagens e depoimentos recolhidos durante a investigação, por forma a comunicar o tema a um público mais alargado. E lançar uma edição do projeto Hack for Good @Home sobre o valor da água no setor agrícola, uma maratona online de desenvolvimento de soluções tecnológicas para problemas sociais e ambientais, que contribuirá para incentivar o uso da tecnologia para endereçar desafios identificados na investigação “O Uso da Água em Portugal”.

Fonte: ECO

Investigadores do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), no Porto, lideram um projeto europeu que visa desenvolver robôs autónomos para pulverizar vinhas de montanha “sem desperdício de químicos”, foi hoje anunciado.

Em comunicado, o instituto do Porto explica que o projeto, intitulado ‘SCORPION’, vai desenvolver robôs autónomos para pulverizar vinhas “com vantagens ambientais e económicas”.

O projeto, liderado pelo INESC TEC, é financiado em 2,5 milhões de euros pelo programa de investigação e inovação Horizonte 2020 da Comissão Europeia.

Citado no documento, Filipe Neves dos Santos, coordenador do projeto, afirma que as atuais soluções de pulverização de vinhas baseiam-se “em pulverizadores acoplados a tratores, controlados maioritariamente pelo tratorista”, solução que considera ter “algumas limitações”, em particular, ao nível da precisão.

“Neste projeto juntamos esforços para desenvolver um robô autónomo, que circula sozinho mesmo em vinhas com acentuados declives, e calcula a quantidade de fitofármacos a aplicar, através de sensores que medem a densidade da plantação”, refere, acrescentando que o robô usa também a radiação ultravioleta para “reduzir o uso de químicos nos tratamentos”.

Nesse sentido, os investigadores vão equipar os pulverizadores existentes com atuadores elétricos, leds UVs e um “sistema de perceção visual avançado” (sensores).

Já a tecnologia robótica vai ser “flexível e adaptável” e incluir soluções avançadas de navegação, localização e segurança, permitindo ao robô “atuar autonomamente, fazendo face à inclinação dos terrenos” e obstáculos próprios de montanha.

Segundo o INESC TEC, estas tecnologias vão permitir reduzir o uso de fitofármacos e aumentar “os níveis de mecanização e automação em vinhas de montanha e culturas arbóreas”, acarretando benefícios ambientais (menos poluição química) e económicos.

Os protótipos dos robôs autónomos vão ser testados, em 2023, na região do Douro, onde existe “a maior área de vinha de montanha do mundo”.

Espanha e Itália também vão acolher testes-piloto destas soluções.

Além do INESC TEC, o projeto conta com a colaboração do Instituto Pedro Nunes, Sociedade Portuguesa de Inovação Consultadoria Empresarial e Fomento da Inovação, além de instituições de Espanha, Itália e Países Baixos.

Fonte: Agroportal