Portuguese English French German Italian Spanish

  Acesso à base de dados   |   em@il: qualfood@idq.pt

No dia em que regressam às aulas presenciais os alunos dos 2.º e 3.º ciclos, a Direção-Geral da Saúde (DGS) lembra que os lanches que as crianças e jovens levam para a escola representam um quarto do consumo energético do dia e aconselha os pais a optarem pelo leite e derivados, como iogurtes e queijos, cereais e pão, fruta, hortícolas e frutos gordos, em pequenas porções e sem adição de sal.

“Sabemos que a pandemia provavelmente veio colocar grandes desafios e pode, de facto, estar a pôr em causa os progressos que estávamos a conseguir obter ao nível da prevalência da obesidade infantil”, disse à agência Lusa Maria João Gregório, responsável pelo Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da DGS, reconhecendo que muitas crianças alteraram as suas rotinas, com aulas em formato não presencial e menor atividade física.

Sublinhando a importância de ajudar as famílias a reintroduzir hábitos e rotinas alimentares saudáveis, a especialista disse que o manual lançado hoje pela DGS serve para continuar a trabalhar em conjunto com as famílias, sobretudo porque a maior parte dos lanches que as crianças consomem nas escolas são levados de casa.

“Nestas refeições muitas vezes são consumidos alimentos com pouco valor nutricional e com elevada densidade energética, elevado teor de sal, açúcar e gordura”, afirmou a responsável, acrescentando: “Melhorar a qualidade destas refeições pode, de facto, fazer a diferença”.

Maria João Gregório frisa ainda que é importante ter em conta não só a diferença entre o lanche da manhã e o lanche da tarde (que pode ser mais reforçado), mas também as porções, exemplificando: “as crianças mais pequenas devem consumir porções menores”.

“No que diz respeito à distribuição energética total, o lanche da manhã pode representar entre 5% e 10% e o lanche da tarde entre 10% e 15%”, explicou.

“O lanche da manhã para uma criança entre 3 e 9 anos de idade pode ser um pacote de leite simples e uma peça de fruta, ou iogurte e uma peça de fruta, e um lanche da tarde já pode ser para esta mesma faixa etária meio pão com queijo e, eventualmente, alguns hortícolas, como palitos de cenoura, ou também frutos gordos, como nozes e amêndoas”, sugeriu.

Questionada pela Lusa sobre a importância de ter nutricionistas nas escolas, depois de a Ordem dos Nutricionistas ter criticado o Governo pelo atraso no concurso para estes profissionais, Maria João Gregório afirmou: "Temos de ter os profissionais adequados para poder trabalhar nestas duas vertentes, quer seja a melhoria da oferta alimentar em contexto escolar, quer seja depois num conjunto de iniciativas na área da educação para a saúde, na qual naturalmente a educação alimentar se enquadra".

O manual da DGS sobre os lanches escolares revela que cerca de 25% da ingestão energética diária das crianças e jovens provém dos lanches (manhã e tarde) e recorda que, em Portugal, 29,6% das crianças entre os 6 e os 9 anos têm excesso de peso, incluindo obesidade.

“Uma percentagem ainda muito elevada, mas que ao longo dos últimos anos tem vindo a decrescer, em resultado, possivelmente, da implementação de um conjunto de importantes medidas de saúde pública”, lembra a autoridade de saúde, dando como exemplo a alteração da oferta alimentar em ambiente escolar, o imposto sobre as bebidas açucaradas e a restrição da publicidade alimentar dirigida a crianças.

Os dados do último Inquérito Alimentar Nacional indicam que é no grupo das crianças e dos adolescentes que se verificam hábitos alimentares mais desequilibrados. Relativamente ao consumo de fruta e hortícolas, 69% das crianças e 66% dos adolescentes portugueses não atingem a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) referente a um consumo diário de, pelo menos, 400 gramas.

A DGS lembra ainda que o consumo elevado de refrigerantes e/ou néctares é uma realidade, principalmente na faixa etária dos adolescentes, e que a percentagem de adolescentes que bebe diariamente refrigerantes (consumo diário ≥220g/dia) é de 42%.

Uma vez que os lanches representam uma parte importante do consumo energético do dia, o manual da DGS pretende ajudar a conseguir lanches saudáveis, sugerindo que façam parte deles alimentos como o leite e derivados (leite, iogurte e queijo), cereais e derivados (pão), hortícolas, frutos gordos (amêndoas e nozes), leguminosas e fruta.

O documento organiza os alimentos em três grupos distintos: os que devem ser privilegiados por terem nutrientes essenciais e baixo teor de sal e/ou açúcar e/ou gordura (iogurte, leite, fruta, pão de mistura, hortícolas e cereais sem açúcar); os que devem ser consumidos apenas de vez em quando, porque geralmente têm elevados teores de sal e/ou açúcar e/ou gordura (sumos de fruta, bolachas, bolos à fatia e leites aromatizados) e aqueles que se devem evitar, como os produtos de charcutaria, refrigerantes, chocolates e barras de cereais comerciais.

“Muitas das avaliações que fazemos à qualidade das refeições mostram-nos que há ainda um trabalho grande a fazer”, reconhece a DGS, alertando para a importância do consumo de água, um alimento que não pode faltar nas mochilas ou lancheiras.
 
Pode consultar o manual aqui.
 
Fonte: Sapo24/ PNPAS

O Grupo Europeu de Ética em Ciência e Novas Tecnologias (EGE) acaba de divulgar um relatório sobre “Ética na Edição do Genoma”. Nele, os cientistas afirmam que o uso das novas tecnologias que permitem editar o genoma em plantas pode ajudar a União Europeia a garantir a segurança alimentar, a reduzir o impacto da agricultura no ambiente e a cumprir a estratégia ‘Farm to Fork’.

De acordo com o relatório Ética na Edição do Genoma, realizado pelo Grupo Europeu de Ética em Ciência e Novas Tecnologias (EGE) e publicado no dia 19 de março de 2021,  o uso de tecnologias de edição de genoma em plantas pode contribuir para garantir a segurança alimentar e uma agricultura mais sustentável, reduzindo significativamente o seu impacto ambiental.

No documento, os cientistas advogam a favor das tecnologias de edição do DNA em plantas, alegando que, graças à sua alta precisão, eficiência e baixo custo, podem ajudar a União Europeia a atingir as metas que definiu na estratégia ‘Farm to Fork’, onde, entre muitas outras medidas, propõe a redução de 30% do uso de fertilizantes e a transformação de 25% da área de cultivo em agricultura biológica até 2030.

Sem contestar as medidas propostas na estratégia ‘Farm to Fork’ e reconhecendo que “o modo atual de produção agrícola contribui significativamente para a crise climática”, o Grupo Europeu de Ética alerta, no entanto, para a necessidade de criar alternativas viáveis e sustentáveis por forma a “assegurar a segurança alimentar, o fornecimento de recursos renováveis para produzir combustíveis, ração para alimentação animal e fibras, e a salvaguarda da biodiversidade e a proteção do meio ambiente.”

Depois de analisar os efeitos da utilização da edição de DNA em humanos, animais e plantas, o EGE é da opinião que a UE deve acelerar a sua utilização no melhoramento de plantas. Segundo os cientistas do Grupo Europeu de Ética em Ciência e Novas Tecnologias, a adoção da tecnologia não só levaria a uma produção mais sustentável de alimentos como permitiria aos Estado Membros da UE fazer face à forte concorrência internacional.

A edição do DNA de plantas é um processo com resultados finais semelhantes aos obtidos pelos métodos tradicionais de melhoramento de plantas, muitos deles baseados na indução de mutações com o objectivo de induzir novas características. A grande diferença reside no tempo e na precisão que são necessários para melhorar ou introduzir características específicas nas plantas. “Através de métodos convencionais, a modificação de uma característica pode levar até cerca de 8 anos em plantas anuais, como os cereais, enquanto a edição permite os mesmos resultados em menos de um ano. Para além disso, a edição do genoma é um método preciso e fiável, pois permite modificar um local preciso do genoma. Pelo contrário, a mutagénese ou a introgressão de genes, são processos aleatório, que no final, podem não conduzir a nenhuma alteração interessante ou levar mesmo a modificações desvantajosas”, explica o investigador Jorge Canhoto, Presidente da Direção do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.

“Aplicar a Diretiva que regulamenta os OGM à obtenção de plantas por edição do genoma é tão absurdo como aplicar a legislação sobre a emissão de gases de efeito de estufa às bicicletas.”

Para o recém eleito Presidente da Direção do CiB, a regulamentação da Edição do Genoma “deve refletir as evidências científicas actuais devendo a sua adopção ou não, para cada caso específico, corresponder a uma ponderada avaliação dos riscos e benefícios”, à semelhança do que se faz com a aplicação de qualquer tecnologia ou medicamento. Neste contexto, “a avaliação das agências reguladoras deve centrar-se não no tipo de tecnologia que leva à obtenção de uma determinada variedade, mas sim nas caraterísticas dessa mesma variedade, em particular no que diz respeito à sua avaliação em termos ambientais e de saúde pública.” Este procedimento é adoptado em muitos países que utilizam a edição do genoma no melhoramento de plantas, pelo que Jorge Canhoto “não compreende que variedades obtidas por mutagénese possam chegar ao mercado sem grande escrutínio, enquanto plantas obtidas por edição do genoma sofrem fortes constrangimentos reguladores, diminuindo assim a competitividade dos agricultores europeus e do próprio setor agroalimentar face a países terceiros.

O relatório do GEE, embora sublinhando o esforço global que deve ser feito para reduzir a utilização de agro-químicos na agricultura, um dos principais eixos estratégicos da produção agrícola comunitária no âmbito da Estratégia ‘Green Deal’/’Farm to Fork’, não deixa de chamar a atenção para o facto dessa redução dever ser acompanhada por alternativas que permitam aos agricultores manterem, ou mesmo aumentarem os actuais níveis de produção de alimentos, contribuindo assim para a segurança alimentar global. “Uma estratégia deste tipo só faz sentido se a redução de agro-químicos for acompanhada pela obtenção de plantas mais aptas para sobreviver em condições de stresse como aquelas que se esperam em extensas áreas do continente europeu devido às alterações climáticas”, reforça o presidente da Direção do CiB.

Jorge Canhoto lembra o que a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, referiu recentemente: “O Green Deal é muito mais que um programa de redução de emissões, é acerca da modernização sistemática de toda a economia EU”, o que implica certamente uma actividade económica tão importante como a agricultura. “Modernizar a agricultura sem que se permita a obtenção de plantas mais tolerantes aos stresses ambientais e às pragas e doenças que permanentemente vão surgindo, parece no mínimo difícil”, acrescenta o presidente da Direção do CiB.

relatório “Ética na Edição do Genoma”, do EGE, faz parte de um estudo mais amplo que a Comissão Europeia está a realizar a pedido dos Estados Membros, com o intuito de aferir a segurança da utilização das novas técnicas genómicas, entre as quais a edição do genoma, nos setores da agricultura, indústria e farmácia.

O CiB-Centro de Informação de Biotecnologia considera que o relatório do EGE, a que se seguirá o estudo da Comissão Europeia realizado pelo Joint Research Center (JRC), cuja divulgação está prevista para abril, é um sólido ponto de partida para União Europeia alterar “uma legislação obsoleta, presa no tempo e sem grande ligação à realidade científico-tecnológica actual”. “Uma legislação moderna tem que acompanhar os avanços da ciência para poder corresponder aos anseios dos cidadãos e regulamentar de forma precisa os diferentes tipos de procedimentos usados no melhoramento de plantas. Aplicar, como parece ser intenção de alguns, a Diretiva que regulamenta os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) à obtenção de plantas por edição do genoma, é tão absurdo como aplicar a legislação sobre a emissão de gases de efeito de estufa às bicicletas.”

De lembrar que em 25 de julho de 2018, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) emitiu um despacho onde concluiu que os organismos desenvolvidos através de novas técnicas genómicas constituem OGM, tendo-os, por isso, incluído na Diretiva 2001/18. Desde então, este despacho tem sido questionado e alvo de contestação, especialmente por parte da comunidade científica.

Enquanto a União Europeia vai ficando para trás, o resto do mundo está a considerar seriamente a adoção da tecnologia. É o caso do Reino Unido, que depois de sair da UE lançou uma consulta pública sobre a possibilidade de autorizar a edição de genes em plantas. É também o caso da Argentina, que alterou a legislação, e de outros países da América do Sul, que lhe seguiram o exemplo. Na mesma direção caminham os EUA, Canadá, Austrália e Japão. Na Rússia, China, Índia e África do Sul o tema está em debate.

Fonte: Agroportal

Encontra-se a decorrer uma consulta pública sobre a revisão da política de promoção agroalimentar da UE, que foi lançada em 31 de março de 2021 e estará aberta até 23 de junho de 2021.

Esta consulta pública tem como objetivo reunir opiniões sobre como a política de promoção pode aumentar a sua contribuição para desenvolver uma produção e consumo mais sustentáveis e dietas mais equilibradas em linha com as estratégias Farm to Fork e Biodiversidade da Comissão Europeia e o plano Europe Beating Cancer.
A política de promoção alimentar quer ir ao encontro destes objetivos e ao mesmo tempo reforçar a competitividade global dos agricultores e empresas agroalimentares da UE. Além disso, a consulta proporcionará uma oportunidade para obter feedback sobre as diferentes opções para agilizar o modelo de implementação, tornando-o mais simples e eficaz para os beneficiários, organismos de implementação e autoridades nacionais.

Aceda aqui para mais informações e participar nesta consulta. A sua opinião é importante!

Fonte: Agroalimentar

O Projeto SEAFOODTOMORROW, ao abrigo do Programa Horizonte 2020 da União Europeia, e coordenado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), anunciou hoje a publicação do e-book “SeafoodTomorrow Recipes Challenge”.

Este livro em formato digital contém várias receitas à base de pescado, que inclui espécies sustentáveis e pouco valorizadas. Além disso, em cada uma delas está disponibilizado o valor nutricional e algumas sugestões adicionais.

Segundo o IPMA, os pratos foram desenvolvidos de maneira a serem adaptados às necessidades de todos, desde grávidas, a crianças e adultos mais velhos. Sopa de Mexilhão, Eclair de carapau com ervilhas, Solha com salada de trigo, são algumas das receitas que vai poder experimentar.

Pode consultar o livro e as receitas aqui.
 
Fonte: Greensavers

De forma geral, entre 25% a 50% dos alimentos produzidos no mundo são desperdiçados nas diferentes fases das cadeias de valor.

Só nos países industrializados, estima-se que se deite fora 1,3 mil milhões de toneladas de alimentos que dariam para alimentar mil milhões de pessoas no mundo. Na União Europeia, esse número cai para 89 milhões de toneladas de alimentos adequados para consumo humano que são perdidos ou desperdiçados por ano, sendo as famílias responsáveis por 53,6% desse valor, o equivalente a 47 milhões de toneladas de comida.

Em Portugal, esse valor recua para um milhão de toneladas, ou em média 100 quilos por pessoa, por ano que, segundo o diretor da Universidade Católica Portuguesa e professor de Empreendedorismo Social, Filipe Santos, “representa cerca de 20% do que é produzido no país”.

Esta análise sobre o desperdício alimentar e o impacto que tem na cadeia de valor do sector agroalimentar foi feita durante a segunda conferência do ciclo “Conhecer para Decidir, Planear para Agir“, decorreu esta quarta-feira. Este webinar, que decorrerá todas as quarta-feiras, até dia 14 abril, é promovido pela Lusomorango e pela Universidade Católica Portuguesa, no qual o Jornal Económico foi media partner.

Tendo isto em conta, o dean da Universidade Católica fez uma apresentação de quatro exemplos de empreendedorismo que têm como missão combater o desperdício alimentar: a ReFood, a Ugly Fruits, Winnow e TooGoodToGo. Todas estas apresentam soluções para combater esta problemática que, muitas vezes são ignoradas e que podem ser “transformadoras para o sector”, pois permitem poupanças “de 10%” tanto para a indústria como para o planeta, disse durante a sua intervenção.

Porém, ressalva que estes são só exemplos do que pode ser feito na indústria a nível local, nacional e mundial: “Não há uma silver bullet, por vez é necessário um fervilhar de inovações que comecem a atar sistemática e estruturalmente os problemas da eficiência da cadeia alimentar”.

Ainda durante a sua apresentação, fez referência a modelos inovadores, mais “disruptivas”, por nos chegarem de fora da indústria e por “serem demasiado radicais”.

Como tal, deu o exemplo de plataformas digitais que fazem a ponte entre produtores e consumidores, reduzindo, desta forma, o desperdício alimentar, iniciativas que promovem a agricultura urbana, nomeadamente, em prédios e edifícios (agricultura vertical), a agricultura hidropónica, uma técnica de cultivo de plantas sem solo e também, a permacultura.

Segundo Filipe Santos, “há um conjunto de tendências cada vez mais forte de consumo e de visão do mundo” e que dão resposta ao novo consumidor. “A convergência destas tendências pode criar um tipo de agricultura que se torne numa alternativa credível e competitiva, face à agricultura tradicional”, frisou.

Fonte: Jornal Económico

As alergias alimentares podem afetar apenas parte da população mundial, mas esse impacto pode ser letal. Pessoas com alergias alimentares têm apenas opções limitadas para prevenirem reações alérgicas, sabendo exatamente o que causa as alergias evitando o alimento específico.

Em Março de 2021, o escritório Regional da FAO para a Ásia e Pacífico publicou "Food Allergies - Leaving no one behind". A publicação explica que é importante gerir as alergias alimentares nos contextos locais.

É fundamental que os países entendam quais os alergénios comuns numa determinada população, quais os alimentos que precisam ser rotulados, e como determinar as quantidades permitidas de alergénios alimentares. O texto também destaca a importância das discussões internacionais sobre o tema, como as que estão em andamento no Codex, com aportes científicos da FAO e OMS.

Mais informações disponíveis aqui.

Fonte: FAO

 

 

 

A Sciaena, Organização Não Governamental de conservação marinha, realizou hoje o webinar “Implementação da Política Comum das Pescas [PCP] da UE: lições a tirar”, apresentado pelos oradores Ana Matias e Gonçalo Carvalho.Como refere Ana Matias, coordenadora de Pescas e Aquacultura na Sciaena, a PCP teve uma nova reforma em 2014 e passou a ter integradas algumas metas ambientais, nomeadamente, um prazo para o fim da sobrepesca, algumas referências claras à abordagem ecossistémica e precaucionária e as perspetivas a longo prazo introduzidas pelos Planos Plurianuais.Com foco no artigo 2.2, onde é enunciado que “… a taxa de rendimento máximo sustentável deve ser atingida, se possível, até 2015, e, numa base progressiva e gradual, o mais tardar até 2020, para todas as unidades populacionais”, afirma que esta meta não foi atingida, embora tenha existido um progresso.
 
São ainda destacados, com base num artigo, alguns pontos que justificam a existência das quotas de pesca e a sua importância. São eles, a redução do custo para os pescadores, que precisam de fazer menos saídas para capturar o pescado, o aumento da abundância dos stocks que irá gerar maiores capturas, e que o fim da sobrepesca leva diretamente à melhoria da saúde dos ecossistemas marinhos e a resiliência às alterações climáticas.
“Muito do nosso trabalho e das ONGs com que temos trabalhado (…) é demonstrar por variadas formas e por diversas vias que recuperar os stocks – teria benefícios ambientais, sociais e económicos. Isso poderia permitir uma melhor sustentabilidade social e económica das populações que dependem diretamente da atividade pesqueira, mas não só, também de todos os cidadãos como qualquer um de nós que dependem do ecossistema”, explica Ana Matias.A ecologista informa ainda que o processo de estabelecimento das quotas é definido pelo International Council for the Exploration of the Sea (ICES), pela Comissão Europeia, pelo Conselho de Agricultura e Pescas dos Estados Membros e ainda por países terceiros, como o Reino Unido e a Noruega.Por sua vez, Gonçalo Carvalho revela as 8 lições gerais retiradas pela Sciaena, relativamente ao processo de estabelecimento de TAC e quotas:
  1. “Uma boa gestão resulta;
  2. “Menor ambição desde 2013 resultou numa sub-implementação;”
  3. “Decisões frequentemente favoreceram a manutenção dos status quo em vez de mudar os comportamentos;”
  4. “A tomada de decisão da UE permanece isolada;”
  5. “O pensamento de curto prazo persiste na gestão da UE;”
  6. “A clareza sobre o progresso é muitas vezes prejudicada por relatórios pouco claros e inconsistentes;”
  7. “As tomadas de decisão opacas atrapalham o progresso;”
  8. “Unidades populacionais partilhadas com países fora da UE representam um desafio para os objetivos da PCP.”
“Houve um progresso isso é indesmentível, mas é importante dizer que não estamos lá ainda” afirma Ana Matias. “É muito importante seguir a ciência, é muito importante que os pareceres científicos sejam utilizados pelos nossos decisores políticos(…) para delinear aquilo que são a implementação e a definição de políticas públicas, e não esquecermos do nosso papel enquanto cidadãos e sociedade civil de nos fazermos ouvir”.Acrescenta ainda que a PCP é uma lei que “tem de ser respeitada”, que é essencial “valorizar aquilo que é capturado”, para que os rendimentos sejam justos, e para que exista menos pressão nos stocks.Por outro lado, sublinha que “assegurar a transição ecológica é muito importante a todos os níveis, nas pescas a coisa não é diferente, com todos os links que depois as pescas fazem a outros setores, nomeadamente aqui à parte climática, é muito importante que esta transição seja ecológica e que seja inclusiva, que não deixe ninguém para trás, mas que consiga trazer toda a gente de forma informada”.
Fonte: Greensavers

Os preços do trigo europeu caíram esta semana, com uma quebra de 2% no último contrato disponível, face a uma procura baixa e a uma pressão de um clima favorável às culturas no hemisfério norte, avança a Reuters.

A moagem de trigo de maio na Euronext, com sede em Paris, o último contrato disponível para a temporada 2020/2021, tinha um preço de 210,50 euros por tonelada, uma descida de 2%.

O contrato tinha atingido um máximo de 236 euros por tonelada no dia 19 de janeiro, impulsionado pela forte procura, nomeadamente da China, e pelos impostos sobre as exportações propostos pela Rússia, destinados a diminuir a inflação, que levou aos preços do trigo da Rússia e de outras origens a aumentar.

A procura manteve-se fraca, sem concursos atualmente abertos que pudessem atrair o trigo europeu, disse um comerciante à Reuters.

A preocupação com a procura pela China também aumentou face aos casos de peste suína africana nos meses recentes, que colocou em dúvida a produção de porco no país.

As novas colheitas de setembro também diminuíram 0,5% para 194 euros por toneladas, também pressionadas pelas boas perspetivas de colheita.

Os preços das exportações de trigo russo caíram acentuadamente na semana passada – prolongando a sua queda para a quarta semana consecutiva.

“Os russos ainda têm muito para exportar, por isso os preços estão a cair e estamos a seguir”, afirmou um dos comerciantes.

Fonte: Agroportal

Os jovens constituem a faixa da população que menos consome fruta em Portugal, assumindo um em cada seis não consumir qualquer peça por dia, de acordo com dados da Marktest.

No total, segundo a vaga global de 2020, 7,796 milhões de portugueses dizem consumir pelo menos uma peça de fruta por dia, correspondendo a 91% da população residente em Portugal continental com 15 e mais anos.

“Há assim menos de um em cada dez portugueses que refere não consumir nenhuma peça de fruta diariamente”, refere a Marktest.

Estes números sofrem uma descida quando se analisa o comportamento dos jovens. Enquanto que, entre a população total, apenas 9% indica não consumir qualquer peça de fruta, entre os mais jovens o valor sobe para 16,2% entre a faixa dos 15 aos 34 anos. Este valor baixa para 2,3% entre a população com mais de 54 anos.

Fonte: HiperSuper

No ano em que a pandemia chegou a Portugal, as vendas de bens alimentares tiveram um aumento significativo face a 2019. Os dados do Barómetro de Vendas 2020, divulgados esta terça-feira pela Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), mostram que os congelados foram, entre os bens alimentares, a categoria com o maior crescimento.

Os dados apresentados mostram que, em 2020, as vendas no retalho alimentar registaram um aumento de 8,1% face ao ano anterior. Se em 2019 o volume de vendas neste setor tinha sido de 14.451 milhões de euros, em 2020 esse valor cresceu para os 15.621 milhões de euros.

Entre as diferentes categorias de produto, foi na gama dos congelados que se registou um crescimento mais acentuado, na ordem dos 17,6%. Outras categorias de produto tiveram, também, aumentos significativos, como é o caso do bazar ligeiro (16,6%), dos produtos de mercearia (11,6%), dos alimentos perecíveis (11,5%) e das bebidas (10,9%).

Para explicar estas tendências, o diretor-geral da APED, Gonçalo Lobo Xavier, refere que os “hábitos de consumo” se viram alterados por causa dos “longos períodos de confinamento” a que os portugueses estiveram sujeitos, marcados pelo “teletrabalho” e pela permanência “em casa”. Isso fez com que, acrescenta, houvesse uma maior procura de bens alimentares.

Os dados da APED mostram ainda que os portugueses optaram por aderir mais à compra de produtos alimentares das marcas de distribuição — ou seja, os chamados “produtos de marca branca”. Estes tiveram um aumento de 1,4 pontos percentuais face a 2019, dizendo respeito a 35,1% das vendas, ao passo que os “produtos de marca” tiveram uma descida da mesma ordem (-1,4 pontos percentuais).

No que toca aos canais de vendas dos produtos alimentares, foram os hard discounters — ou seja, lojas que apostam na venda de bens alimentícios a baixos preços – que tiveram um maior crescimento (+0,6 pontos percentuais. As vendas nos hipermercados também subiram em 2020 (+0,2 pontos percentuais), ao contrário do que aconteceu nos supermercados (-1,4 pontos percentuais).

Refira-se ainda que, no âmbito do comércio a retalho alimentar, o recurso a plataformas de venda online (e-Commerce) cresceu face a 2019. No ano passado, 3% do total das vendas deste segmento foram feitas por este via – o que indica um aumento de 0,8 pontos percentuais face ao ano anterior.

Finalmente, considerando a globalidade das vendas no retalho alimentar e especializado, a APED mostra ainda que houve em 2020 uma redução de 1,5% face ao ano de 2019 (de 22.996 milhões de euros para 22.653 milhões de euros).

Fonte: ECO