O tamanho dos rótulos dos alimentos é um dos principais obstáculos para mais de metade (54%) dos consumidores não os consultar e um total de 27% refere ter dificuldades em compreender a informação. Estas são duas das principais conclusões de um inquérito levado a cabo pela Deco Proteste em Portugal, Espanha Itália e Bélgica.
De acordo com os resultados do inquérito “O que diz a embalagem”, 15% dos consumidores não despendem tempo para ler os rótulos. As principais razões prendem-se com o tamanho diminuto da letra, a compreensão e extensão da informação ou a inexistência de interesse. Há ainda 5% de consumidores que simplesmente não confiam na informação apresentada no rótulo.
Por outro lado, 75% dos inquiridos reconhecem a utilidade da informação nutricional e 61% admitem que esta informação em particular os ajuda na sua decisão de compra. Os prazo de validade, a lista de ingredientes, a informação nutricional, as instruções de utilização, o país ou região de origem, são informações valorizadas por uma larga maioria de inquiridos. A estas, somam-se ainda as promoções, os conselhos de conservação e o peso líquido.
“As informações mais valorizadas pelos inquiridos refletem as tendências atuais da alimentação: sem açúcar adicionado, baixo teor de sal, baixo teor de gorduras saturadas e zero ou baixas calorias. A este top de alegações somam-se outras quatro informações decisivas – rico em vitaminas, natural, rico em fibras e sem sal”, afirma a associação de defesa do consumidor.
Fonte: Hipersuper
Investigadores analisaram o impacto da Salmonella nas crianças em Portugal para ajudar a melhorar o conhecimento deste patogénico no país.
O estudo visava caracterizar, de uma perspetiva epidemiológica, microbiológica e clínica, casos de Salmonella em crianças.
Em Portugal, de 2011 a 2014, foram registadas 785 infeções por salmonela, sendo que, mais de 80% dos casos foram em crianças com menos de 15 anos.
Os investigadores analisaram os casos de salmonelose num hospital de Lisboa entre Janeiro de 2015 e Julho de 2020. De acordo com o estudo publicado na revista Acta Médica Portuguesa (AMP), este incluiu 63 crianças, das quais 81% eram portuguesas e trinta e seis casos eram do sexo masculino.
No momento do diagnóstico a idade média era de 4 anos, mas variava entre os 3 anos e meio e os 9 anos. A faixa etária que tinha mais casos era a inferior a 5 anos. Apesar do pequeno número de casos por ano, 37 deles eram suficientemente graves para exigirem hospitalização.
A mediana no período do estudo foi de 11 casos por ano, com uma variação para 14 em 2015 e 2017 e para 6 em 2018.
Contudo, devido à falta de tratamento em muitos casos, o número de pacientes foi provavelmente muito mais elevado. Os meses de Maio, Junho e Setembro registaram o maior número de pacientes. Os serótipos mais identificados foram Salmonella Enteritidis e Salmonella Typhimurium.
"Presume-se que a prevalência da salmonelose é muito mais elevada do que a apresentada. Uma das razões é que, embora a notificação no nosso país para todas as infeções por Salmonella seja obrigatória, muitos casos não são identificados durante a avaliação inicial e, portanto, não são notificados", disseram os investigadores.
"Além disso, nem todos os que têm uma infeção por Salmonella procuram cuidados médicos, e os prestadores de cuidados de saúde podem não obter uma amostra para diagnóstico laboratorial, ou o laboratório de diagnóstico clínico pode não ser capaz de realizar os testes de diagnóstico necessários".
Os investigadores afirmaram que os resultados iriam expandir os conhecimentos sobre salmonelose em Portugal e melhorar as estratégias de prevenção, o tratamento e os seus relatórios.
Os dados sobre o consumo de alimentos potencialmente contaminados eram escassos, mas de 12 crianças, duas foram confirmadas como sendo de leite e ovos. Relativamente a viagens recentes, estavam disponíveis dados relativos a 17 crianças: duas tinham estado na Guiné-Bissau ou Angola e as outras tinham viajado para São Tomé e Príncipe, Brasil, Índia, e Marrocos.
"A prevenção da contaminação implica o controlo em todas as fases da cadeia alimentar: medições específicas na produção primária, nomeadamente o controlo da alimentação animal e o cumprimento de boas práticas de higiene na produção e transformação animal, para evitar a contaminação cruzada; controlo da temperatura de armazenamento para evitar o crescimento; e especial atenção aos produtos que são reprocessados, uma vez que favorece o crescimento da Salmonella", de acordo com o estudo.
Registaram-se complicações em 24 crianças, sendo a desidratação a mais frequente. Das crianças cujo acompanhamento médico era conhecido, em 12 as novas amostras de fezes colhidas eram negativas, em média, 3,5 meses após o diagnóstico.
As taxas de resistência aos antibióticos foram de 19% para a ampicilina e 6,4% para a amoxicilina + ácido clavulânico e o cotrimoxazol. Não foi encontrada resistência às cefalosporinas de terceira geração. As maiores taxas de resistência foram registadas pela Salmonella Typhimurium à ampicilina.
Os investigadores consideram que deveria ser feito um estudo nacional para determinar a incidência real da salmonelose em Portugal, bem como as estirpes mais frequentes e a resistência a antibióticos. Acrescentaram que a taxa de notificação, embora obrigatória, permanece abaixo das expectativas.
Fonte: Food Safety News
A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) publicou critérios para a avaliação dos riscos das plantas produzidas por mutagénese, cisgénese e intragénese direcionada. Esta publicação surge na sequência do pedido da Comissão Europeia de 28 de Abril de 2022 (em conformidade com o artigo 31º do Regulamento (CE) nº 178/2002) para desenvolver uma declaração sobre possíveis critérios para a avaliação dos riscos das plantas produzidas por mutagénese, cisgénese e intragénese direcionada.
Na Declaração, a EFSA identificou os seguintes critérios:
Critério 1: Existe uma sequência de DNA exógena? Este critério visa avaliar se a planta biotecnológica contém quaisquer sequências exógenas de DNA.
Critério 2: As sequências de DNA provêm do património genético dos criadores? No critério 2, será avaliada a planta biotecnológica que contém sequências de DNA exógenas, que avalia se a fonte das sequências de DNA provém do património genético dos criadores.
Critério 3: Qual é o tipo de integração? O critério 3 aplica-se apenas a plantas cisgénicas e intragénicas e define como a sequência pode ser introduzida.
Critério 4: Existe uma perturbação não intencional de um gene endógeno? O critério 4 aplica-se apenas a plantas cisgénicas ou intragénicas para as quais o tipo de inserção foi aleatório.
Critério 5: História de utilização. O historial de utilização inclui o historial de utilização segura para consumidores e/ou animais e a sua compatibilidade com o ambiente.
Critério 6: Função e estrutura associada ao novo alelo. Este critério estabelece que quando o histórico de utilização segura não puder ser suficientemente demonstrado, a avaliação do risco deve concentrar-se na função e estrutura associadas ao novo alelo e considerar a probabilidade de que o novo alelo seja obtido pela criação convencional.
Para mais detalhes, descarregue a Declaração do Jornal EFSA.
Fonte: CiB - Centro de informação de biotecnologia
O Painel de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) publicou o seu Parecer Científico sobre a segurança do milho geneticamente modificado GA21 × T25 e MON 87419 tolerante a herbicidas, para importação, transformação e utilização na alimentação humana e animal na União Europeia, excluindo o cultivo.
Após a apresentação do pedido, foi solicitado ao Painel dos OGM da EFSA que emitisse um parecer científico sobre a segurança do milho GM GA21 × T25.
No seu parecer científico, o Painel OGM afirma que não são identificadas preocupações de segurança na avaliação dos dois únicos eventos do milho e, por conseguinte, mantém as suas conclusões anteriores sobre a segurança do milho. Não foram identificados novos dados sobre os eventos individuais do milho que levassem à modificação das conclusões originais sobre a sua segurança. Conclui que o milho GA21 × T25 é tão seguro como o seu equivalente convencional e as variedades de referência não modificadas no que diz respeito aos potenciais efeitos na saúde humana e animal e no ambiente.
Para o pedido sobre o MON 87419, o Painel OGM não identificou preocupações de segurança relacionadas com a toxicidade e alergenicidade das proteínas dicamba monooxigenase e fosfinotricina N-acetiltransferase expressas nesta variedade. O parecer científico conclui que o milho MON 87419 é tão seguro como as variedades de milho convencionais e não modificadas equivalentes no que diz respeito aos potenciais efeitos na saúde humana e animal e no ambiente.
Mais informações sobre GA21 × T25 e MON 87419 no Jornal da EFSA.
Fonte: CiB - Centro de informação de Biotecnologia
Alimentação é um fator muito importante para a saúde física e mental. Apesar de informação sobre o assunto estar disponível, continuam a existir muitos mitos e ideias erradas. Por isso, a DECO Proteste decidiu, em comunicado, esclarecer algumas dúvidas e saber que mitos são verdadeiros ou falsos.
O açúcar engorda mais do que a gordura
Falso - "Um grama de hidratos de carbono (açúcar) fornece quatro quilocalorias, enquanto a mesma quantidade de gorduras proporciona nove quilocalorias."
"A gordura tem, portanto, mais do que o dobro de calorias do açúcar. Numa dieta equilibrada, a quantidade recomendada de lípidos é mais baixa do que os hidratos de carbono (açúcares) e proteínas. Contudo, os nossos hábitos alimentares sofreram fortes modificações e nem sempre se cumpre esta proporção, o que explica o aumento de pessoas com excesso de peso."
"Para evitar ser vítima do excesso de gordura, o primeiro passo é o limitar os pratos e produtos industrializados e evitar a gordura escondida nos produtos mais comuns e que não levantam suspeitas, como a carne, os queijos, os biscoitos e bolos, pães ou as massas de pizza."
O sal rosa dos Himalaias é mais saudável
Falso - "Sal fino, sal grosso, sal marinho ou rosa, flor de sal e ainda sal kosher: o nome difere, mas sal é sal. As diferenças entre os vários tipos residem sobretudo na forma e no local de extração, assim como no grau de refinação. ou de outro tipo."
"É verdade que o sal rosa tem mais minerais que o chamado sal de mesa, pois não passa pelo processo de refinação, mas a composição é a mesma; e a percentagem de cloreto de sódio, que poderá aumentar a pressão arterial, não varia o suficiente, para que se possa tolerar a ingestão de maior quantidade de um tipo, ou de outro. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo máximo de cinco gramas de sal por dia para um adulto (uma colher de chá rasa), e isso é válido para qualquer tipo de sal."
Os ovos são ricos em colesterol, pelo que devemos reduzir o seu consumo
Falso - "O ovo possui uma considerável quantidade de colesterol, cerca de 224 mg por ovo. Mas, o aumento do colesterol sanguíneo não está apenas dependente da quantidade de colesterol que ingerimos através dos alimentos."
"Os níveis elevados de mau colesterol no sangue não se devem à ingestão em excesso de ovo, mas antes ao consumo de gorduras ricas em ácidos gordos saturados, presentes principalmente nos alimentos de origem animal como as carnes gordas, os produtos de charcutaria, a manteiga ou as natas."
"O ovo, na verdade, é bastante nutritivo e saudável: contém proteínas de elevado valor biológico, como fósforo, ferro e selénio, sendo este último benéfico para o músculo cardíaco. E sabe-se que, quando o ovo é consumido em conjunto com frutas e hortícolas, se verifica uma diminuição da absorção intestinal de colesterol."
Para perder peso é preciso banir os hidratos de carbono
Falso - "Os hidratos de carbono são o combustível, pelo que não devem ser eliminados da dieta alimentar. Os hidratos simples são de rápida absorção, vazios de calorias e os que devemos evitar: bolachas, massas, cereais refinados, chocolates ou pão de trigo, são alguns exemplos. Os hidratos complexos são ricos em fibras, vitaminas e minerais e têm uma absorção lenta, sendo uma boa fonte de energia. Os cereais integrais como a aveia, centeio, espelta, arroz ou massa, leguminosas secas, batata-doce ou aveia são boas opções para o dia-a-dia."
"Se estiver a seguir uma dieta hipocalórica respeite as seguintes proporções: 45 a 60% de hidratos de carbono; 10 a 15% de proteínas; e 20 a 35% de gorduras."
O azeite é saudável, pelo que pode ser consumido à vontade
Falso - Rico em ácidos insaturados, vitamina E e antioxidantes, o azeite é a gordura de eleição para cozinhar e temperar. Mas não deixa de ser uma gordura e, como tal, deve ser consumia com moderação: cada grama de azeite contém nove calorias. Por isso, é indicado que seja consumido de forma moderada.
Devemos evitar o peixe gordo
Falso – "Salmão, cavala, atum, anchova, sardinha e peixe-espada são os peixes gordos mais comuns e que têm um aporte de ácidos gordos insaturados fundamentais ao organismo, como o ómega 3. Especialmente indicados para prevenir doenças cardiovasculares e cerebrais, controlar os níveis de colesterol e glicemia e aumentar a memória, as qualidades nutricionais destes peixes são inegáveis."
"E ainda que forneçam mais calorias do que as espécies magras, não se justifica eliminar peixes gordos da dieta, pois consumidos com conta, peso e medida trazem muito mais benefícios do que contra-indicações."
Os alimentos integrais não engordam
Falso - "Os alimentos integrais não passam pelo processo de refinamento dos alimentos processados, são ricos em fibras, vitaminas e minerais. Mas não são necessariamente menos calóricos."
Como todos os alimentos, se consumidos em excesso não deixam de ser cereais e podem levar ao aumento de peso. A principal diferença é que como saciam mais e por um maior período de tempo, podem ajudar quem pretende perder peso."
Comer uma maçã tocada não faz mal
Verdadeiro - "Se uma parte da polpa da maçã escurecer depois de ter caído no chão ou ter sofrido um choque, não é caso para deitá-la fora. Mergulhe a peça de fruta que caiu num pouco de água com sumo de limão. Pode também retirar só a parte escurecida, pois a maçã não deixa de ser comestível por ter uma zona tocada."
"No entanto, a OMS adverte para o perigo de bolores e micotoxinas, muito prejudiciais à saúde se ingeridos, quando a peça de fruta está visivelmente podre."
Não se justifica eliminar as carnes vermelhas da dieta
Verdadeiro - "O consumo em excesso da carne vermelha pode trazer prejuízos para a saúde, como a acumulação de gordura nas artérias e no fígado, aumento do colesterol e aumento da gordura a nível abdominal. No entanto, as carnes vermelhas são ricas em vitaminas B3, B12, B6, ferro, zinco e selênio, por isso é possível consumi-las cerca de 2 a 3 vezes por semana, sendo importante escolher cortes de carne que não possuam muita gordura, já que o ideal é ter uma alimentação equilibrada e variada e que inclua todos os tipos de carne. Entre as carnes vermelhas, algumas são melhores do que outras: cabrito, borrego, veado, escalopes de vitela ou rosbife de vaca são algumas opções adequadas."
"É recomendado evitar carnes com muita gordura, como a picanha, miúdos, fígado, rins, coração e intestino. Além disso, deve-se retirar toda a gordura visível das carnes antes da sua confeção." Independente da escolha da carne, a recomendação é que a quantidade por refeição não passe de 100 a 150 gramas dessa fonte de proteína.
Os valores diários de referência na rotulagem/declaração nutricional são valores a atingir
Falso – "Os Valores Diários de Referência (VDR) ou Dose Diária Recomendada (DDR) são valores indicativos, que nos permitem controlar a quantidade diária de calorias e nutrientes que determinada dose ou porção de alimentos contém, relativamente ao que é diariamente recomendado no que respeita gorduras, gorduras saturadas, açúcares e sal."
"Tem em conta recomendações para a maioria da população adulta, cuja alimentação deve fornecer, em média, 2000 kcal (mulheres) e as 2500 kcal(homens) por dia. Na rotulagem, além dos valores por 100 gramas ou mililitros, surgem, muitas vezes, os dados por porção."
Fonte: Notícias ao Minuto
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou, através da Unidade Regional do Sul – Unidade Operacional de Faro, uma operação de fiscalização direcionada ao combate dos ilícitos contra a saúde pública e da exploração ilícita de jogos de fortuna ou azar, em várias localidades do Barlavento Algarvio.
Como balanço da ação foram instaurados 5 processos-crime, destacando como principais infrações, a comercialização de géneros alimentícios anormais falsificados, a exploração de jogos de fortuna ou azar fora dos locais legalmente autorizados e abate clandestino.
Em consequência, procedeu-se à apreensão de 5 carcaças de origem animal (produtos cárneos), de diversos produtos alimentares, 9 garrafas de bebidas espirituosas, 10 máquinas de jogo, numerário e 1 instrumento de medição automático, tudo num valor estimado de 168.000,00 Euros.
Após serem submetidos a perícia por médico veterinário, os géneros alimentícios foram classificados de “anormais avariados” com falta de requisitos e encaminhados para destruição.
Da ação resultou ainda a suspensão de atividade de 2 estabelecimentos de restauração e 1 de diversão noturna, por falta de requisitos técnico-funcionais e de higiene, tendo sido instaurados os três processos de natureza contraordenacional.
Foram ainda detidos 5 indivíduos e apreendida uma arma ilegal que se encontrava no interior do estabelecimento de diversão noturna.
Esta ação contou com a colaboração da Guarda Nacional Republicana.
A ASAE continuará a desenvolver ações na salvaguarda da segurança alimentar e saúde pública dos consumidores e de combate e repressão, em todo o território nacional, ao flagelo do jogo ilícito e aos seus crimes conexos, combatendo e tentando minorar os problemas sociais daí decorrentes.
Fonte: ASAE
Os investigadores estão a unir forças com as indústrias alimentares e de saúde para reforçar os controlos e melhorar a nutrição dos lactentes e das crianças.
Se "somos o que comemos", como diz o ditado, a qualidade dos alimentos é a chave para a nossa saúde. E à medida que a produção e o comércio de alimentos aumentam em resposta a uma maior procura global, os controlos de segurança e qualidade tornaram-se ainda mais vitais.
O impacto da dieta na saúde é por demais evidente. A obesidade a nível mundial quase triplicou desde 1975 e, na Europa, afeta quase 60% dos adultos e quase uma em cada três crianças. A diabetes também está a aumentar e a Europa tem um número marcadamente elevado de crianças do tipo 1 - 295 000 em 2021.
Comer uma dieta variada e saudável pode aumentar o bem-estar geral e reduzir o risco de doenças a longo prazo. Além disso, os consumidores exigem uma maior transparência da cadeia alimentar na sequência de incidentes de fraude alimentar, tais como a contaminação de leite em pó infantil com melamina em 2008, a descoberta de fipronil nos ovos em 2017 e surtos esporádicos de salmonela.
«Os sistemas de segurança alimentar na Europa são geralmente eficazes, mas acreditamos que é possível melhorar ainda mais os níveis de segurança e qualidade», disse o Dr. Erwan Engel, diretor de investigação do Instituto Nacional Francês de Agricultura, Alimentação e Ambiente (INRAE).
Engel coordena o projeto SAFFI financiado pela UE que reúne grandes organizações de investigação e produtores de alimentos para crianças da Europa e da China. Sendo os bebés, crianças e os jovens mais vulneráveis do que os adultos, e necessitando de uma nutrição de alta qualidade para crescerem, o projeto está a investigar formas de garantir maior segurança na produção.
Para além do leite materno, as fórmulas infantis e os alimentos para bebés são a parte mais importante da dieta alimentar de uma criança no primeiro ano de vida. Prevenir a contaminação microbiana ou química na cadeia de processamento é uma prioridade.
A SAFFI está a debruçar-se sobre os alimentos para os 15 milhões de crianças da UE e para os 45 milhões de crianças chinesas com menos de três anos de idade. Os parceiros concentram-se em quatro linhas alimentares infantis populares: fórmula láctea, mistura esterilizados de legumes com carne ou peixe, cereais infantis e purés de fruta.
O projeto realizou testes nas instalações de cinco empresas internacionais de alimentação infantil participantes - FrieslandCampina com sede nos Países Baixos, HiPP na Alemanha, o produtor grego YIOTIS e duas empresas chinesas, Beingmate e YFFC.
O objetivo era identificar os principais riscos tanto de riscos microbianos, incluindo bactérias, como de potenciais contaminantes químicos na cadeia alimentar.
Os contaminantes químicos incluem poluentes ambientais tais como dioxinas ou chumbo, resíduos de tratamento de culturas como pesticidas e substâncias geradas durante o processamento, incluindo furano.
«Temos de convencer a indústria de que é importante concentrarmo-nos também nos produtos químicos», disse Engel. «Embora os efeitos na saúde não sejam tão imediatos como para os micróbios, podem ser significativos a longo prazo».
O SAFFI visa também ajudar os produtores e autoridades alimentares a prever onde podem surgir potenciais problemas e, como resultado, reduzir a ameaça de contaminação em todas as fases da produção.
Os processos clássicos baseados em tratamentos térmicos, por exemplo, poderiam ser substituídos por queimadores de combustão a impulsos, aquecimento por radiofrequência e processamento de alta pressão, que são melhores na esterilização de alimentos, mantendo simultaneamente o valor nutricional ótimo dos produtos frescos.
«Verificamos a eficácia destas tecnologias inovadoras de processamento para controlar o crescimento, inibição e inativação de agentes patogénicos, bem como a sua capacidade de retardar a degradação dos alimentos e limitar a integração de certos químicos», disse Engel.
O setor dos alimentos e bebidas, que inclui alimentos para bebés, é um dos principais contribuintes para a economia da UE com exportações de 110 mil milhões de euros em 2019. Ao investir na formação e na partilha de conhecimentos, o SAFFI ajudará a melhorar os padrões de segurança na UE e na China e a reduzir potenciais barreiras ao comércio.
Cooperará com outros projetos de investigação no âmbito da Iniciativa Bandeira UE-China Alimentação, Agricultura e Biotecnologia (FAB), com todos os que procuram uma melhoria contínua no controlo da segurança alimentar.
Tal cooperação pode aumentar o comércio UE-China e dar às empresas alimentares europeias maiores oportunidades de expansão no mercado internacional. Além disso, as normas estabelecidas pelo SAFFI no setor da alimentação infantil poderiam ser alargadas a outras categorias alimentares, de acordo com Engel.
Quando se trata de saúde, a variedade e a qualidade dos alimentos também contam. Uma dieta equilibrada pode ajudar a prevenir o aparecimento de doenças. Pode também permitir às pessoas com doenças graves curarem-se e terem vidas mais estáveis.
Contudo, as pessoas respondem de forma diferente aos mesmos alimentos ou nutrientes, dependendo de fatores genéticos e do estilo de vida. Estes incluem stress, níveis de exercício, composição microbiológica individual e exposição a toxinas ambientais. O projeto NUTRISHIELD, financiado pela UE, tem como objetivo criar dietas personalizadas adaptadas a biomarcadores individuais, com particular incidência nas crianças com obesidade e/ou diabetes e nas mães lactantes.
O projeto está a analisar uma série de biomarcadores relacionados com a nutrição e as perturbações da saúde, tendo em conta a forma como cada criança responde aos diferentes nutrientes e tipos de alimentos.
O NUTRISHIELD envolve parceiros de investigação e clínicos de toda a Europa. O projeto é coordenado por uma empresa suíça chamada Alpes Lasers, que desenvolveu tecnologia especializada em laser de infravermelhos médios para utilização em ambientes clínicos.
«Ao contrário dos processos atuais usados para analisar fluidos corporais, a tecnologia laser pode funcionar com amostras muito pequenas de urina - uma necessidade quando pequenos pacientes só conseguem produzir quantidades mínimas», disse Miltos Vasileiadis, desenvolvedor de negócios e gestor de projetos na Alpes Lasers.
A empresa forneceu aos parceiros do projeto a tecnologia laser utilizada na construção de analisadores de urina, hálito e leite humano. As amostras recolhidas são analisadas a um nível molecular, permitindo aos nutricionistas dar conselhos detalhados, personalizados e fáceis de seguir.
Isto pode incluir a quantidade de cada grupo alimentar que um indivíduo necessita e com que frequência, quanto exercício e sono são necessários e até que variedade particular de fruta ou grão é necessária para uma nutrição adequada.
No Hospital San Raffaele em Milão, Itália, está a decorrer um estudo que envolve jovens doentes com diabetes, enquanto o Instituto de Investigação em Saúde Hospital La Fe em Valência, Espanha, está a trabalhar com mães lactantes e recém-nascidos. Estudos realizados na Universidade de Radboud na Holanda têm como objetivo compreender como a nutrição pode ajudar e melhorar o desenvolvimento cognitivo das crianças.
As ferramentas desenvolvidas pelo NUTRISHIELD são concebidas para serem portáteis e fáceis de utilizar, tornando a análise de biomarcadores mais rápida e mais rentável. A longo prazo, estes poderiam ser utilizados em diferentes contextos médicos para assistir pacientes de qualquer idade.
A política de investigação e inovação da UE Food 2030 visa transformar os sistemas alimentares e assegurar que todos tenham alimentos suficientes, nutritivos e seguros para viverem uma vida saudável.
A iniciativa abrange todo o sistema alimentar, ligando os setores de produção primária (como a agricultura e a pesca) ao processamento, venda a retalho e distribuição de alimentos, embalagem, resíduos e reciclagem, serviços de restauração e consumo.
Fonte: Dinheiro Vivo
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou, através da Brigada Especializada de Indústrias de produtos de Origem Animal da Unidade Regional do Centro, uma operação de fiscalização direcionada ao combate dos ilícitos contra a saúde pública, no concelho da Mealhada.
Durante a ação e após a interceção de uma viatura que transportava produtos cárneos (carcaças de suíno) provenientes de um matadouro do concelho de Santarém e com destino a uma sala de desmancha do concelho Macedo de Cavaleiros, constatou que os mesmos se encontravam a ser transportados sem as devidas condições de higiene de modo a evitar contaminações.
Em sequência, os produtos cárneos que se encontravam em contacto com o pavimento foram sujeitos a perícia por médica veterinária que considerou que os mesmos, não poderiam entrar no circuito comercial, tendo determinado a apreensão de 2.300 quilos de carne no valor aproximado de 3.700,00 euros, para posterior limpeza em estabelecimento aprovado com Número de Controlo Veterinário para a atividade de desmancha.
No âmbito da referida ação, constatou-se ainda que, o registador de temperatura instalado na viatura não tinha sido sujeito a controlo metrológico, situação que inviabilizou o controlo exato da temperatura da carne que estava a ser transportada e por isso foi igualmente determinada a sua apreensão.
Como balanço da ação foi instaurado 1 processo de contraordenação por se tratar de géneros alimentícios com falta de requisitos e apreendido o registador de temperatura no valor estimado de 500,00 €. Esta ação contou com a colaboração da Guarda Nacional Republicana.
A ASAE continuará a desenvolver ações de fiscalização, no âmbito das suas competências, em todo o território nacional, em prol de uma sã e leal concorrência entre operadores económicos, na salvaguarda da segurança alimentar e saúde pública dos consumidores.
Fonte: ASAE
Os rebentos representam um desafio único em termos de segurança alimentar devido ao ambiente de crescimento quente, húmido e rico em nutrientes, que é também ideal para que os agentes patogénicos de origem alimentar se desenvolvam e multipliquem. Por conseguinte, é especialmente importante que as sementes utilizadas para a germinação estejam livres de agentes patogénicos e que se evite a introdução de quaisquer contaminantes em qualquer lugar durante o percurso da germinação para o consumo.
A Reunião Conjunta de Peritos FAO/OMS sobre Avaliação de Riscos Microbiológicos (JEMRA) publicou recentemente um relatório técnico sobre a prevenção e controlo de riscos microbiológicos nos rebentos. Os peritos reviram a literatura disponível ao público, orientações das autoridades competentes e associações industriais para avaliar o estado atual dos conhecimentos sobre o controlo dos riscos microbiológicos nos rebentos. Identificaram e caracterizaram os agentes patogénicos associados aos rebentos e as potenciais vias de contaminação. Os peritos avaliaram igualmente as medidas de intervenção aplicáveis em diferentes pontos ao longo da cadeia de fornecimento de rebentos. O relatório enfatiza as medidas de controlo mais eficazes na redução de incidentes de doenças de origem alimentar ligadas aos rebentos.
Pode aceder ao relatório aqui.
Fonte: FAO
Uma equipa composta por investigadores do Laboratório de Patologia Animal do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) e do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), publicou recentemente um artigo na revista científica Food Control, da editora ELSEVIER, no qual alerta para os perigos associados ao consumo de peixe cru.
Atualmente, Portugal continua a ser um dos maiores consumidores de peixe a nível mundial, com um consumo médio anual de 60 kg por habitantes, comparado com uma média de 27 kg por habitantes na União Europeia. No entanto, esse hábito saudável pode ter consequências na saúde humana, nomeadamente pelo perigo de infeção de parasitas se o peixe for consumido cru ou mal cozinhado.
A anisaquiose é um exemplo de doença causada pela ingestão de peixe cru. Provocada pelo parasita Anisakis, é mais frequente em países asiáticos, em particular o Japão, e em comunidades piscatórias europeias e sul americanas. As manifestações clínicas mais frequentes são distúrbios gástricos provocados pela infeção com a larva, ou reações alérgicas ao químicos libertados pelo parasita no peixe.
“É muitíssimo importante conhecer melhor a situação da infeção por Anisakis dos peixes comerciais portugueses, onde infelizmente não se tem apostado muito no seu financiamento até à data”, destaca Maria João Santos, líder do grupo de investigação em Patologia Animal do CIIMAR e um dos três autores do trabalho.
A também investigadora da FCUP avisa ainda que “o peixe grelhado, se não for devidamente cozinhado, também pode ser perigoso”. Nesse sentido, “o melhor será sempre apostar nos métodos de prevenção da infeção e congelar sempre o peixe consumido cru durante o tempo necessário”.
As cinco espécies de peixes mais consumidas cruas em Portugal são o salmão, o atum, o bacalhau, a pescada e a sardinha. E todas elas merecem cuidados especiais, de acordo com os investigadores da U.Porto
Para quem aprecia sushi, sashimi, ou peixe marinado, há certos cuidados que devem ser considerados para evitar infeções, nomeadamente a congelação a -20ºC durante as 24 horas antes do seu consumo. Se bem aplicado, este método permite matar o parasita, ainda que não evite o problema dos alergénios.
O salmão, por exemplo, sendo peixe de aquacultura, não terá esses vermes, mas se for peixe selvagem pode estar fortemente parasitado. Nesse caso, é necessário congelá-lo antes de ser consumido cru.
No caso do bacalhau, a salga também é um método que inviabiliza os vermes, pelo que será seguro comer bacalhau devidamente salgado.
A pescada está fortemente parasitada e deve ser sempre congelada. Já a sardinha tem mostrado níveis de infeção baixos, enquanto falta informação sobre a situação do atum.
Dado o volume e espécies de peixe cru consumido em Portugal, a anisaquiose representa ainda um risco limitado para a população portuguesa. No entanto, as infeções têm vindo a aumentar com o aumento do consumo dos últimos anos, e comunicar sobre este risco torna-se cada vez mais necessário junto da população portuguesa.
Assim, o estudo, financiado pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, chama a atenção sobre a necessidade de apostar na divulgação dos problemas ligados ao consumo de peixe cru para com público em geral, e informar os consumidores sobre o cuidado de congelar todo o peixe consumido cru ou mal cozinhado.
Para além de Maria João Santos, participaram neste trabalho as investigadoras Olwen Golden (CIIMAR) e Andreia J. R. Caldeira (CIIMAR e Universidade Estadual de Goiás, Brasil).
Fonte: Notícias Universidade do Porto
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