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Todos os anos, 600 milhões de toneladas de alimentos, no valor aproximado de de 1,04 mil milhões de euros, são perdidos ou desperdiçados. Valor que corresponde a um terço do total de alimentos produzidos a nível mundial.

Estes são dados de um estudo da The Boston Consulting, que estima que, em 2030, a perda ou desperdício anual de alimentos cresça para 2.100 toneladas e um valor de 1,30 mil milhões de euros.

O uso indevido dos recursos está a converter-se num problema a nível mundial e a atingir um nível crítico. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas prevêem a redução para metade do desperdício alimentar até 2030, dado o alcance das implicações desta prática. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação e o Instituto de Recursos Mundiais, o desperdício alimentar representa 8% das emissões mundiais com efeito de estufa, numa altura em que 870 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de desnutrição.

A The Boston Consulting identificou cinco fatores determinantes deste problema que, se abordados, poderão reduzir o seu valor e, quase 605 milhões de euros: consciencialização, infraestrutura da cadeia de abastecimento, eficiência da mesma, colaboração e legislação. De acordo com o estudo, o problema reside no facto da luta contra o desperdício alimentar ser abordada de um modo fragmentado e com uma resposta global limitada e claramente insuficiente para a sua magnitude. Nos países desenvolvidos, os resíduos são gerados principalmente pelos retalhistas e consumidores, enquanto nas economias em desenvolvimento se devem aos processos de produção.

As empresas que desempenham um papel importante na cadeia de valor podem ser agentes da mudança. Alcançar um avanço significativo na resolução deste problema exige o compromisso e a ação coordenada dos consumidores, governos, organizações não governamentais, agricultores e produtores.

Fonte: Grande Consumo

Para se ter uma alimentação equilibrada e saudável, não basta levar marmita para o trabalho, é preciso saber confecionar a comida de forma correta.

"Os portugueses continuam sem ter boas práticas quando chega a hora de cozinhar, embora tenham como objetivo ser o mais saudáveis possível. Continuam a preferir técnicas como fritar e assar, em vez de grelhar e cozer, por exemplo", refere ao CM a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento sublinhando que, desta forma, "estraga-se muitas vezes um prato 100% saudável". A especialista dá como exemplo uma caldeirada de peixe. "É um prato super completo. Tem batatas, muita cebola, pimentos, peixe, entre outros. Se confecionarmos tudo corretamente, cozendo às camadas, é uma excelente opção.

Por outro lado, se tentarmos inovar, ao fritarmos as batatas e o peixe, por exemplo, aquele prato já não tem o valor que tinha", explica Alexandra Bento, realçando que "fritando os alimentos, a quantidade de gordura aumenta". Segundo a nutricionista, o consumo de gorduras quase triplicou nas últimas quatro décadas.

Outra das falhas dos portugueses no que diz respeito à alimentação relaciona-se com o consumo diário excessivo de calorias. "São necessárias, é um facto, mas na quantidade certa. Aquilo que observamos é que em 40 anos a disponibilidade para ingerir mais calorias aumentou.

Consumimos mais 400 Kcal, o que se reflete, por exemplo, no excesso de peso da população: mais de metade tem excesso de peso e mais de 20% tem obesidade", conclui Alexandra Bento.

A bastonária alerta ainda para a necessidade de os portugueses consumirem mais fruta e leguminosas. Alexandra Bento, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas "Não pode faltar sopa e uma peça de fruta".

Segundo um estudo internacional, os portugueses demoram mais tempo a almoçar do que a população europeia. Segundo Alexandra Bento, a questão coloca-se sempre na composição da refeição e na forma como cozinhamos.

O tempo pouco importa. É mais importante, por exemplo, fazer a pausa num espaço harmonioso do que o tempo que o demoramos a fazer. Até podemos ter muito tempo, mas isso de nada vale se a combinação da comida não for boa.

O que é que não pode faltar na refeição ideal?

O ideal é que não falte uma sopa e uma peça de fruta na refeição. São peças 100% obrigatórias. O prato em si, quer a quantidade, quer o tipo de alimentos, é a gosto. É importante que exista uma boa porção de leguminosas e hortaliças. A sopa é, sem dúvida, o método mais saudável e mais completo para confecionar e ingerir leguminosas. Através dela é possível ingerir dezenas de vitaminas e minerais e ainda ficar saciado, promovendo assim, de certa forma, a perda de peso, já que está associada a um baixo valor calórico, devido ao elevado teor em água. Por isso, opte por completar as suas refeições com uma sopa de legumes.

"Há ainda muito para fazer nas refeições escolares"

A alimentação é uma parte fundamental do dia a dia dos estudantes. Os jovens têm de comer bem, sobretudo à hora de almoço, de forma a conseguirem obter energia necessária para realizar, com sucesso, todas as atividades do dia. "Há ainda muito para fazer no que diz respeito às refeições escolares. É necessária uma estratégia para conseguirmos melhorar aspetos como a oferta alimentar, desde os bares, máquinas de venda automática, até ao próprio refeitório", esclarece Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas. A profissional alerta ainda para o facto de "o próprio conhecimento dos alunos ter de ser avaliado, para que seja possível alterar comportamentos".

Uma alimentação constituída por mais legumes e hortaliças, por exemplo, é uma das medidas que os nutricionistas querem ver cumprida nas ementas escolares. Uma dieta rica neste tipo de alimentos deve também ser uma prioridade dos pais. "É preciso tornar o ambiente alimentar das nossas crianças mais saudável, desde cedo", reforça Alexandra Bento.

Hidratos de carbono não prejudicam

A ideia de que os hidratos de carbono ‘fazem mal’ ao jantar está enraizada na mentalidade portuguesa. Mas será que é mesmo assim? Ao Correio da Manhã, a bastonária da Ordem dos Nutricionistas garante que não. "Não há mal nenhum em comer hidratos ao jantar, não engordam. O que engorda é o excesso de calorias. É preciso haver um equilíbrio energético", assegura.

Fonte: Correio da manhã

As autoridades mexicanas desmantelaram uma rede de empresas que exportavam alimentos de baixa qualidade e com valor inflacionado ao Governo da Venezuela e que depois este revendia à população venezuelana.

O desmantelamento da rede foi anunciado pela Procuradoria-Geral do México e em causa estão as caixas ‘CLAP’, de alimentos importados pelo Governo do Presidente Nicolás Maduro e, alegadamente, vendidos a preços subsidiados em bairros populares da Venezuela.

Segundo o procurador Alonso Israel Lira Salas, a rede desmantelada “adquiria produtos de baixa qualidade para exportá-los para a Venezuela, com sobre-preço, através das caixas ‘CLAP’ [com alimentos subsidiados], e revendia-os à população venezuelana a um valor 112% superior ao custo real”.

“Segundo as investigações, este grupo de empresas e pessoas [mexicanas e estrangeiras] obtiveram recursos, desviando-os dos fins humanitários para, em troca, adquirir alimentos e especular comercialmente sobre eles, aproveitando-se da escassez alimentar que afecta a Venezuela”, disse o procurador numa conferência de imprensa em Cidade de México.

Entretanto, através da rede social Twitter, Procuradoria-Geral do México explica que foram localizados 1.300 contentores com produtos alimentares, que seriam enviados à Venezuela, tendo sido igualmente detectados operadores aparentemente “relacionados com as autoridades do Governo daquele país [Venezuela]”, que recorrem “a diversos países para contactar com outras empresas e obter os alimentos”.

“Os acusados farão entrega ao ACNUR [Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados] de três milhões de dólares [norte-americanos] e comprometem-se a não efectuar nenhum ato comercial com o Governo da Venezuela ou terceiros, que operem no envio e comercialização de dispensas, alimentos ou medicamentos, com motivo do programa CLAP”, explica.

Segundo a procuradoria, os resultados da investigação vão ser partilhados “com as autoridades competentes a nível internacional, com o propósito de continuar na luta contra o branqueamento de dinheiro” no âmbito dos compromissos assumidos pelo Grupo de Lima, para evitar atos ilícitos em prejuízo do povo venezuelano.

O programa CLAP foi criado em abril de 2016 pelo Governo do Presidente Nicolás Maduro, para combater uma alegada guerra económica no país e assegurar a distribuição direta de alimentos, a preços subsidiados, aos venezuelanos.

Em várias ocasiões, a imprensa venezuelana denunciou que as caixas ‘CLAP’ eram distribuídas apenas a militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo), através dos conselhos comunais e que havia queixas sobre a qualidade dos produtos que continham.

Fontes não oficiais dão conta de que cada caixa ‘CLAP’ contêm 12 quilogramas de alimentos, geralmente arroz, massa, feijão, leite me pó, enlatados e, por vezes, óleo vegetal.

Fonte: Dnotícias.pt

Consumir óleo de coco é a pior coisa que se pode fazer, por se tratar de “veneno puro”, defendeu uma professora de Harvard num debate sobre nutrição na Alemanha.

As declarações de Karin Michels tornaram-se virais por contrariarem as conclusões de grande parte dos especialistas em alimentação que, desde 2011, consideram o óleo de coco um superalimento com variados benefícios.

O consumo deste produto cresceu de tal forma deste então que se tornou até num dos ingredientes preferidos de muitos influenciadores e amantes de culinária e bem-estar nas redes sociais, que começaram a usar o óleo de coco nas receitas saudáveis como substituto de outras gorduras. Isto ajudou no aumento da procura do produto nos últimos anos.

Especialistas em nutrição afirmavam que este óleo vegetal tinha propriedades que aumentavam a imunidade e ajudavam a perder peso. Crença que Karin, professora e investigadora em epidemiologia na escola de saúde daquela universidade, não partilha.

Devo alertá-los urgentemente acerca do óleo de coco. É um dos piores alimentos que podem comer. Óleo de coco é veneno puro”, afirmou a especialista no debate “Óleo de coco e outros erros nutricionais”.

“É veneno em estado puro”, repetiu, de acordo com o portal Sciencealert.com, três vezes durante o discurso.

A professora justifica esta posição com o facto de este ser um produto com níveis de gordura saturada extremamente elevados, cujo consumo leva a problemas cardíacos e à subida dos níveis de colesterol no sangue.

A Associação Americana do Coração já veio dizer que os dados que tem mostram que mais de 80% da gordura no óleo de coco é saturada, números surpreendentes ao lado dos 63% da manteiga, dos 50% da carne vermelha e, imagine-se, dos 39% da banha de porco.

Fonte: TVI24

Vai ser possível comer frango sem matar uma única ave.

Uma empresa norte-americana do ramo alimentar anunciou que está a produzir esta carne de forma sustentável e sem sacrificar qualquer vida animal, através da multiplicação, em laboratório, de células animais. Uma carne que assume muitas definições: "sintética", "celular" "in vitro", "cultivada em laboratório" ou "limpa".

Segundo a Just, citada pela BBC, são necessários dois dias para produzir, por exemplo, um nugget de frango, num pequeno reator biológico, em que é usada uma proteína para estimular a multiplicação das células. Apesar de processada em laboratório, a empresa garante que não se trata de carne geneticamente modificada, além de não necessitar de antibióticos para que se desenvolva mais rápido.

A Just pretende colocar esta carne no mercado o mais breve possível, depois de um longo processo de investigação, que foi divulgado em junho do ano passado. E não apenas no mercado norte-americano, uma vez que foram estabelecidos contactos com companhias do ramo alimentar na América do Sul, Sudeste Asiático e Europa, de modo a alcançar a produção em massa e assim baixar os custos.

"Há vários países na Ásia e na Europa com os quais estamos a conversar", assumiu o CEO da empresa.

E Josh Tetrick garante que os resultados são surpreendentes.

Nós já provámos e os resultados são impressionantes. A pele era crocante e a carne saborosa, embora a textura fosse mais macia do que a de um 'nugget' que é vendido em cadeias de 'fast food'”, afirmou Josh Tetrick.

Mas mesmo que a Just consiga fabricar nuggets em grande escala, dificilmente conseguirá fazê-lo no mercado nacional, tendo em conta que as autoridades ainda não chegaram a acordo sobre como agir perante esta novidade.

Isto porque a maioria dos alimentos no país está sob a alçada da Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA na sigla original), mas a carne, por exemplo, é controlada pelo Departamento de Agricultura.

Por isso, o presidente da Just lamenta a "falta de clareza" no que respeita à regulamentação nos Estados Unidos.

Mas a Just não é a única empresa a apostar nesta carne tecnológica, que está a atrair investidores de peso, como os multimilionários Bill Gates e Richard Branson, que investiram numa outra companhia, de tecnologia alimentar, a Memphis Meat.

Fonte: TVI24

O projeto de resolução que pretendia que Portugal acompanhasse a proposta da Comissão Europeia de redução significativa da presença de cádmio nos fertilizantes agrícolas, foi chumbado esta sexta-feira no Parlamento.

Por seu lado, Carla Oliveira, da associação ambientalista Quercus, lamenta “que Portugal continue a não olhar para as questões ambientais e de proteção de saúde pública com a atenção que elas merecem” e teme que na reunião tripartida (que junta Conselho, Comissão Europeia e Parlamento Europeu) — prevista para a próxima semana — “prevaleça a proposta menos ambiciosa” que assenta apenas na redução para 60 miligramas de cádmio por quilograma de pentóxido de fósforo, como valor mínimo a impor à agricultura.

Esta tem sido a proposta do Conselho Europeu devido ao bloqueio feito por Portugal, Bulgária, Roménia, Polónia, Espanha, Reino Unido e Itália. Mas a Comissão Europeia queria ir mais longe, propondo uma redução gradual nos anos seguintes, com os limites de cádmio a baixarem de 60 mg para 40 mg em 3 anos, e para 20 mg em 12 anos.

A posição assumida pelo Ministério da Economia (que gere este dossiê) é a de que “Portugal apoia a criação de limites máximos dos níveis de cádmio usado nos fertilizantes no espaço europeu, o que é já uma melhoria substancial face à situação atualmente existente de ausência de qualquer limite”. Porém fica-se pelo “valor crítico de 60 miligramas de cádmio por quilograma de pentóxido de fósforo” e diz que está alinhada com a Comissão Europeia, omitindo os outros valores a serem impostos gradualmente.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) coloca o cádmio na “classe 1 dos carcinogéneos”, associando esta substância ao aumento do risco de doenças respiratórias, renais ou cardiovasculares, e novos estudos também relacionam este químico a demências como o Alzheimer. Também a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar quer ver reduzida a exposição dos seres humanos a este tóxico.

Vários estudos europeus têm revelado níveis elevados de cádmio em solos agrícolas e em aquíferos por toda a Europa, assim como em alimentos como o pão ou batatas.

Porém, o Governo português tem desvalorizado a questão. Há uma semana, o então ainda secretário de Estado do Comércio, Paulo Alexandre Ferreira, disse numa audição na Comissão Parlamentar de Agricultura que “os níveis de cádmio no solo [português] são baixos” e que as análises realizadas regularmente “nunca detetaram cádmio que violasse os limites legais”.

Na altura, o debutado do BE, Pedro Soares, recordou que esses estudos tinham sido “realizados entre 1997 e 2006 e editados em 2015”. E, perante os argumentos do governante e dos deputados do PS, PSD e CDS em defesa dos agricultores portugueses e da economia nacional, alertou: "Quem vai pagar a não diminuição do cádmio na agricultura não são os agricultores, somos todos nós, porque o que está em causa é a saúde de todos”. Agora, espera que ”o governo português "pondere e não se deixe tomar pela falsa e irresponsável ideia da perda de competitividade da agricultura".

Fonte: Expresso

A DGAV chama a atenção para o facto de estar proibida a venda de qualquer medicamento veterinário contendo Dietanolamina. Esta proibição abrange não só o fornecimento daqueles medicamentos pelos titulares das AIMs e Distribuidores por Grosso de Medicamentos e/ou de Medicamentos Veterinários, como também pelas farmácias e Estabelecimentos de Venda a Retalho de Medicamentos Veterinários.

A Dietanolamina é utilizada como excipiente em medicamentos veterinários anti-inflamatórios e antimicrobianos em equinos, bovinos e suínos.

O Comité concluiu um procedimento relativo ao risco para o consumidor e à necessidade do estabelecimento do limite máximo de resíduos (LMR) para a Dietanolamina, um excipiente incluído em vários medicamentos veterinários para animais produtores de alimentos para consumo humano. O procedimento realizou-se na sequência de um pedido da Bélgica para que o Comité emitisse um parecer científico, ao abrigo do artigo 30.º, do Regulamento (CE) nº 726/2004, devido a preocupações quanto à toxicidade da Dietanolamina.

O CVMP adoptou por consenso um parecer que responde a perguntas específicas colocadas pela Bélgica e concluiu não ser possível excluir um risco para os consumidores, confirmando assim que a substância não é adequada para inclusão na lista «fora de âmbito» de substâncias abrangidas pelo Regulamento (CE) n.º 470/2009 . A fim de permitir uma análise mais aprofundada sobre a utilização de Dietanolamina em medicamentos veterinários para animais destinados à alimentação humana, será necessário um pedido de estabelecimento de LMR.

Consulte aqui a Lista de medicamentos veterinários suspensos.

Fonte: DGAV

A resposta pode ser dada sem enredos: no simples e no básico. Afinal, e ao contrário do que às vezes parece, nem tudo tem de ser sem lactose, sem glúten, sem açúcar. E saber ler os rótulos dos produtos é essencial.

O diálogo foi mais ou menos assim: "Queria um gelado." "Temos este saudável, sem açúcar." "Então o que tem em substituição [do açúcar]?" "Mel." "Não, obrigada."

Tânia Magalhães, nutricionista há 21 anos, atualmente na Unidade Local de Saúde de Matosinhos, não se deixa enganar: "O mel tem o mesmo impacto calórico do açúcar." Hoje em dia, defende, há um aproveitamento generalizado em redor das "alegações nutricionais". Um "marketing à volta de produtos que estão na moda", e que se tornou um imperativo geral, como se não houvesse exceções: sem lactose, sem glúten, sem açúcar.

Não é bem assim. "Sem lactose" só é bom para quem realmente é intolerante a esta substância. "Quem não é intolerante faz muito bem em beber leite "normal", até bem mais barato do que o sem lactose", realça a nutricionista. "Sem glúten" segue a mesma linha. "Só os celíacos é que devem ter o cuidado de comer sem glúten, que é a proteína presente em cereais como o trigo, a cevada, a aveia e o centeio."

Há outra ideia associada a esta vénia atual que é o "sem". O "sem" parece um atalho para o emagrecimento, o que, nas palavras de Tânia Magalhães "é errado". "Uma coisa não tem nada a ver com a outra", esclarece. "O que emagrece são os alimentos sem açúcar e o exercício físico."

É preciso fazer a substituição certa dos alimentos. Por exemplo, o açúcar deve ser substituído pelo adoçante natural stevia e não pelo mel, que possui "benefícios nutricionais" mas tem "o mesmo impacto calórico do açúcar". Ou seja, não serve. O leite de coco, de amêndoa, as bebidas vegetais não substituem o leite de vaca. Uma vez mais: "Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa."

Do lado do marketing, devia apostar-se na trilogia "veracidade, transparência e informação", desvenda a professora no IPAM do Porto, Sandra Gomes. E admite: "Sabemos que nem sempre isso acontece." Por outro lado, é importante que as marcas alimentares "usem o marketing de forma socialmente responsável".

A importância da rotulagem alimentar

No final do ano passado, o IPAM elaborou para a Organização Mundial de Saúde um estudo sobre rotulagem alimentar. Um trabalho que revelou a "crescente importância dos rótulos nas compras dos portugueses", mas também identificou "barreiras" que a população enfrenta para descodificar um rótulo. Estes obstáculos "têm a ver com os baixos níveis de literacia da população portuguesa", que traduzem "a dificuldade de compreensão da informação nutricional".

A investigação indica ainda que "a esmagadora maioria dos consumidores" refere problemas nos rótulos como a letra demasiado pequena, excesso de informação ou informação demasiado técnica e complexa, e a falta de harmonização/estandardização entre produtos/ marcas.

Tânia Magalhães toca na ferida: "[Sobre a informação nutricional] Passa-se pela rama nas escolas, não há educação sobre o tema." Um tema que, defende, "devia entrar no currículo escolar".

Na mesma linha de pensamento segue a professora Sandra Gomes: "É verdadeiramente urgente que se aprenda a utilidade do marketing de modo a ajudar a resolver alguns problemas sociais complexos, como é o caso da baixa literacia nutricional da população portuguesa." E enumera uma série de ideias para deslindar o problema, como "jogos interativos e desafios experimentais", acrescentando que o Estado é importante nesta equação, já que "pode oferecer benefícios às marcas que implementem campanhas desta natureza".

Como ler um rótulo

Tânia Magalhães diz que interpretar um rótulo não tem nada que saber. "Quanto mais simples for a tabela, melhor é a qualidade do alimento. Quanto mais familiar o nome do ingrediente, melhor se percebe que é mais natural", explica a nutricionista, acrescentando que conceitos muito complexos, como por exemplo "maltodextrina" (uma mistura de vários tipos da glicose) mancham a natureza do alimento.

Os iogurtes são um ótimo exemplo para ajudar a esclarecer a questão dos rótulos. "Quão mais complexa a leitura de uma embalagem de iogurte, pior podemos assumir que é o produto. O iogurte é apenas leite com fermentos lácteos. Se a lista de ingredientes for longa, com amidos e outras farinhas, é um sinal que torna o produto mais barato e nutricionalmente pobre."

A alimentação "da avó", com base no "simples" e no "básico", é o segredo a olho nu que esta nutricionista vê como a pedra filosofal da alimentação nos nossos dias.

Fonte: Jornal de Notícias

A Ordem dos Nutricionistas propôs ao Governo um conjunto de medidas para melhorar a oferta alimentar nas escolas, evitar o desperdício e capacitar os pais e a comunidade escolar para a importância de fazer escolhas saudáveis.

A proposta teve como base um projeto-piloto de intervenção alimentar que a Ordem dos Nutricionistas desenvolveu durante um ano na Escola Básica 2,3 de Amarante e teve resultados muito positivos junto das crianças, disse a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, num encontro com jornalistas para assinalar o Dia Mundial da Alimentação, que se comemorou na passada terça-feira.

Uma das vertentes do projeto era alertar os alunos para o desperdício alimentar, desafiando-as a deitar num saco de plástico transparente a comida que sobrava para depois ser pesada. O objetivo era que as crianças terem consciência da comida que estavam a deitar fora, explicou Alexandra Bento.

Também fez parte do projeto a elaboração da ementa por um nutricionista, a decoração da cantina, tabuleiros e tigelas novas para comer a sopa, entre outras iniciativas, que contribuíram para que no final as crianças estivessem “mais conscientes” sobre a importância de fazer escolhas saudáveis na alimentação e “o desperdício alimentar tivesse baixado imenso”.

Para melhorar a oferta alimentar nas escolas, a Ordem dos Nutricionistas entregou em fevereiro ao Ministério da Educação uma proposta com várias medidas, entre as quais a inclusão de 30 nutricionistas nas escolas do país e a presença de um professor no refeitório para acompanhar os alunos na hora da refeição, que ainda não teve resposta, apesar de a secretária de Estado da Educação já ter dito que era uma excelente proposta, segundo Alexandra Bento.

“Em fevereiro deste ano enviámos uma proposta bem construída [ao Governo] sobre o que a escola deve fazer”, para assegurar refeições adequadas, aumentar a literacia face à alimentação, trabalhando com os professores, auxiliares, os pais e os encarregados de educação, mas também criar regras para melhorar a oferta alimentar em torno das escolas.

O objetivo é “auxiliar o Governo no desenho de políticas na área alimentar”, disse a bastonária, defendendo que é preciso pensar “a alimentação como algo que é estratégico para a população”.

“Se tivermos crianças melhor alimentadas vamos ter ganhos positivos. Se não o fizermos estamos a desperdiçar saúde e dinheiro”, vincou Alexandra Bento, salientando que “a solução para se comer bem é ter dinheiro e literacia”.

A bastonária saudou o facto de o primeiro-ministro já ter anunciado a contratação de nutricionistas, considerando que é um “compromisso importante” no sentido de dizer que é preciso mexer na gestão alimentar das escolas, mas é insuficiente.

“Pode-se considerar um começo, mas é insuficiente”, disse, esperando que esta medida seja integrada no Orçamento do Estado.

Fonte: Dnotícias.pt