A Operação conjunta internacional, inserida na iniciativa plataforma #EMPACT, resultou na apreensão de 22 mil toneladas de alimentos e 850 mil litros de bebidas falsificadas ou de baixa qualidade, sendo o azeite e vinho os produtos mais afetados. Foram desmanteladas 11 redes criminosas, emitidos 104 mandados de detenção e identificados 278 indivíduos.
Nesta ação conjunta, participaram 28 países (Europa e EUA) e agências como Europol, European Anti-Fraud Office (OLAF), DG SANTE e DG AGRI tendo como objetivo proteger a saúde pública e combater fraudes alimentares que poderão pôr em risco os consumidores. A fraude alimentar, a contrafação de géneros alimentícios bem como a utilização abusiva de indicações geográficas protegidas constituem uma área de criminalidade significativa e grave que tem de ser combatida a nível internacional.
Fonte: ASAE
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) realizou, uma operação de fiscalização a nível nacional, no corrente mês de outubro, direcionada a indústrias de panificação e pastelaria no sentido de verificar os requisitos legais previstos para o setor, com especial destaque para a fiscalização da conformidade das matérias-primas, rotulagem, rastreabilidade de produto, condições de armazenamento e acondicionamento, condições de higiene e temperatura dos veículos de transporte de pão, produtos de pastelaria e produtos afins do pão/padaria fina.
No decorrer da ação foram fiscalizados 86 operadores económicos, nomeadamente indústrias de panificação e pastelaria, estabelecimentos com venda e produção de produtos de panificação e pastelaria, retalhistas e importadores/distribuidores.
Devido ao incumprimento dos requisitos gerais e específicos de higiene foi suspensa a atividade de cinco operadores económicos, nos concelhos da Amadora, Braga, Covilhã, Mogadouro e Montalegre.
Fonte: ASAE
A Associação Industrial e Comercial do Café (AICC) e seis empresas suas associadas, juntaram-se para criar a RECAPS – Sociedade para a Recolha e Reciclagem de Cápsulas de Café.
A associação junta pela primeira vez marcas concorrentes e, tem como missão “transformar o ritual diário de tomar café num ato consciente, onde a responsabilidade ambiental e o compromisso social se cruzam”, informa num comunicado.
Desenvolvida ao longo de cinco anos e apresentada agora, a Sociedade de Recolha e Reciclagem de Cápsulas de Café marca o início do objetivo de levar a reciclagem “até à porta (ao município) de todos os consumidores de cápsulas de café em Portugal”.
Aditivo agrícola e novos produtos
A RECAPS conta atualmente com cerca de 200 ‘Capsulões’ distribuídos por 15 municípios (Almada, Aveiro, Braga, Cascais, Cantanhede, Condeixa, Famalicão, Guimarães, Lisboa, Mafra, Moita, Montemor-o-Novo, Oeiras, Proença-a-Nova e Seixal) e até ao final de 2025 projeta implantá-los em mais 20 municípios.
A separação dos materiais das cápsulas recolhidas no âmbito do projeto RECAPS será realizada por entidades recicladoras especializadas através de um processo que começa pela remoção da borra de café, que pode ser utilizada para compostagem ou como aditivo agrícola.
Segue-se o alumínio e o plástico, que uma vez separados são encaminhados para reciclagem, onde são transformados em novos produtos. O plástico pode ser reutilizado, por exemplo, na produção de mobiliário urbano, como cadeiras e mesas de esplanada, enquanto o alumínio pode ser reciclado, por exemplo, para criar estruturas metálicas.
O sucesso da RECAPS depende da colaboração conjunta entre consumidores, que são agora desafiados a depositar as cápsulas de café usadas em pontos de recolha, e os municípios, que asseguram a disponibilização e colocação dos pontos de recolha das cápsulas para posterior envio para tratamento, destaca a associação.
“Com o compromisso inabalável de contribuir para os objetivos do desenvolvimento sustentável, a RECAPS, representa o culminar de anos de esforço e colaboração entre as principais empresas de café no país.
"Estamos comprometidos, e não abrimos mão, em levar a reciclagem de cápsulas a todos os consumidores e, com isso, contribuir para a redução de resíduos e para a melhoria das metas de reciclagem a nível nacional” afirma Cláudia Pimentel, Secretária-Geral da AICC.
Fonte: HIPERSUPER
Um sistema alimentar mundial mais sustentável poderá ser alcançado através da “agricultura elétrica”, um novo método radical de produção de alimentos, defendem investigadores num artigo prospetivo publicado na revista científica Joule, da norte-americana Cell Press.
O método proposto por uma equipa de bioengenheiros poderá permitir “reduzir a quantidade de terra necessária para a agricultura” e “também ser usado para cultivar alimentos no espaço”, segundo um comunicado de divulgação do estudo.
Considerando que “a fotossíntese (…) é extremamente ineficiente na captura de energia”, os investigadores propõem “a adoção de uma estrutura de ‘agricultura elétrica’ que combina eletrólise de CO2 (dióxido de carbono) com sistemas biológicos”.
No artigo é sublinhado que “os desafios crescentes das mudanças climáticas e da fome a nível mundial (…) obrigam a ultrapassar as limitações da ineficiência fotossintética”.
Em relação à agricultura tradicional, o novo método será pelo menos “quatro vezes mais eficiente”.
No essencial, “o método substitui a fotossíntese (tradicional) por uma (outra) reação química alimentada por energia solar que converte CO2 numa molécula orgânica”, da qual se alimentarão plantas “geneticamente modificadas” para tal.
Na “agricultura elétrica” os campos agrícolas serão substituídos por prédios de vários andares. Painéis solares nos edifícios ou perto deles absorverão a radiação solar, o que permitirá “produzir acetato”, o alimento de “plantas que são cultivadas hidroponicamente”.
Robert Jinkerson, engenheiro biológico da Universidade da Califórnia em Riverside e autor correspondente do artigo, assinala que se deixar de ser preciso cultivar plantas com luz solar, pode ser possível “dissociar a agricultura do meio ambiente e cultivar alimentos em ambientes internos e controlados”.
“Penso que precisamos de mudar a agricultura para a próxima fase tecnológica e produzir alimentos de forma controlada e separada da natureza tem de ser o próximo passo”, adianta, citado no comunicado.
O autor sénior do estudo, Feng Jiao, eletroquímico da Universidade de Washington em St. Louis, diz que “o objetivo deste novo processo é tentar aumentar a eficiência da fotossíntese”, sublinhando que um método mais eficiente significa tornar menor a pegada de CO2 associada à produção de alimentos.
Para a modificação genética das plantas, necessária para que se alimentem de acetato, os investigadores “estão a aproveitar uma via metabólica que as plantas em germinação usam para decompor nutrientes armazenados nas suas sementes”.
“Essa via é desligada quando as plantas se tornam capazes de fotossíntese, mas ligá-la novamente permitiria que elas usassem o acetato como fonte de energia e carbono”.
Já foram desenvolvidos vegetais “que podem usar acetato, além da fotossíntese”, mas o propósito final é criar plantas que podem obter toda a energia necessária do acetato, o que significa que não precisariam de luz.
A investigação tem estado centrada em alfaces e tomates, mas a equipa pretende estudar no futuro alimentos de alto teor calórico, como a mandioca, a batata-doce e cereais.
“No caso das plantas, estamos na fase de pesquisa e desenvolvimento para tentar fazê-las utilizar o acetato como (única) fonte de carbono, (…) e estamos a avançar”, refere Jinkerson.
“Cogumelos, leveduras e algas já podem ser cultivados assim atualmente”, acrescenta.
Os investigadores também tencionam continuar a aperfeiçoar o seu método de produção de acetato para tornar o sistema de fixação de carbono ainda mais eficiente.
“Este é apenas o primeiro passo nesta investigação e penso que há esperança de que a sua eficiência e custo sejam significativamente melhorados num futuro próximo”, adianta Jiao.
As conclusões do artigo apontam para “uma redução de 88% no uso de terras agrícolas” nos Estados Unidos, se a “agricultura elétrica” fosse utilizada, o que constituiria “uma oportunidade para restaurar ecossistemas naturais em quase metade da massa terrestre do país”.
Indicam também que, baseado num ambiente controlado, o sistema alimentar será “menos suscetível a condições climáticas cada vez mais severas, a secas e inundações devido a um clima em rápida mudança”, o que permitirá evitar “picos de preços dos alimentos”.
Fonte: Agro Portal
A atividade agrícola anda de braço dado com o tema das alterações climáticas, não só por ser responsável por “cerca de 12% das emissões” nacionais de carbono, como por se tratar de uma das áreas mais impactadas pelas suas consequências, apontou Duarte Cordeiro.
Ainda assim, o ex-governante defende que há oportunidades a explorar na agricultura, tanto para a descarbonização, como para a transformação da sua pegada negativa em “matéria-prima para a produção de energia”.
A criação animal, devido ao metano produzido pela digestão dos ruminantes, é uma das principais fontes de emissões do sector, mas até o metano pode, por exemplo, ser “injetado na rede” e ajudar a descarbonizar o gás.
Compatibilizar uma maior atratividade da agricultura – encontrando “novos sectores de valorização económica” –, com a descarbonização é possível, mas não devemos “isolar” a atividade como um problema. “É um processo, mas o sector tem mostrado capacidade de adaptação”.
Do ponto de vista de Filipe Sampaio Rodrigues, presidente do conselho consultivo da AJAP, não só os agricultores têm sido “os mais empenhados numa atividade mais sustentável e ecológica”, como são responsáveis pela “melhor agricultura” que se faz atualmente.
Os campos lavrados de antigamente, por exemplo, constituíam uma “má prática” que agora é rara. A não mobilização de solos, com recurso também a tecnologias mais modernas, possibilita a “fixação de matéria orgânica e a retenção de carbono”, explicou, o que permite “descarbonizar muito”.
Fonte: Jornal Expresso
Investigadores do Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI) descobriram uma forma de fazer com que um bioplástico, o diacetato de celulose (DAC), se degrade 15 vezes mais depressa do que o papel em ambientes marinhos.
O DAC, um bioplástico utilizado há mais de um século, é derivado da celulose, um polímero natural presente em plantas como o algodão e a polpa de madeira. Tem sido utilizado em vários produtos como óculos de sol e filtros de cigarros. Agora, os investigadores do WHOI descobriram uma forma de acelerar a sua biodegradação através de um processo chamado “espuma”, que torna o material poroso.
De acordo com o estudo, publicado recentemente, a espuma DAC é o plástico que se degrada mais rapidamente na água do mar, quando comparado com outros tipos de bioplásticos. Mais impressionante ainda é o facto de se degradar mais rapidamente do que o papel.
“Concebemos um material que não só satisfaz as necessidades dos consumidores, como também se degrada no oceano mais rapidamente do que qualquer outro material plástico que conhecemos, ainda mais rapidamente do que o papel”, disse Collin Ward, autor principal do estudo.
Num teste de 36 semanas, a espuma DAC foi colocada em tanques de água do mar, e os resultados foram notáveis. Entre 65 e 70% da massa original do material foi perdida, indicando uma rápida degradação. Isto é um forte contraste com os plásticos tradicionais, como a esferovite, que não mostrou qualquer degradação durante o mesmo período.
Esta nova descoberta poderá ter aplicações de grande alcance na redução dos resíduos de plástico nos oceanos. Por exemplo, a espuma DAC poderia potencialmente substituir muitos produtos do quotidiano feitos de plásticos não biodegradáveis, como os tabuleiros de esferovite.
Estudos anteriores da WHOI também destacam a superioridade do DAC em comparação com outros materiais. Num estudo de 16 semanas, os investigadores testaram vários tipos de palhinhas, incluindo as feitas de DAC, polihidroxialcanoatos, ácido poliláctico, polipropileno e papel.
O estudo revelou que, embora a maioria das palhinhas apresentasse pouca ou nenhuma degradação, as palhinhas de espuma CDA degradaram-se 190% mais rapidamente do que as suas homólogas sólidas.
Fonte: ZAP
A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa | NOVA FCT integra o consórcio do projeto europeu IASIS, recentemente financiado pela União Europeia, durante 4 anos, que tem como objetivo recuperar terrenos contaminados e com elevados níveis de salinidade que contribuem para a degradação do solo e para a redução da produtividade agrícola.
O projeto tem a coordenação europeia do Center for Renewable Energy Sources and Saving (CRES), que envolve 18 parceiros de sete países europeus, com o objetivo principal de reestruturar terrenos danificados ou improdutivos para aumentar a área agrícola europeia, recorrendo a um processo chamado phytomanagement, que consiste na aplicação de plantas e microrganismos capazes de tolerar e remover contaminantes do solo, ao mesmo tempo que regeneram as suas propriedades.
A investigação vai incidir em terrenos que apresentam contaminação por metais pesados, pesticidas ou salinidade extrema, características que afetam diretamente a sua capacidade de sustentar a agricultura ou qualquer outra utilização produtiva. O projeto pretende testar estas soluções em diversos locais-piloto distribuídos pela Europa – Grécia, Polónia, França, Bélgica, Portugal e Itália, onde as condições de degradação são mais severas. Nestes locais, serão plantadas espécies selecionadas pela sua capacidade de resistir à salinidade ou a alguns poluentes, com o apoio de microrganismos que aumentam a capacidade de absorção de nutrientes pelas plantas e ajudam a estabilizar o solo.
A equipa de investigadores da NOVA FCT, liderada por Ana Luísa Fernando, professora do Departamento de Química e coordenadora do centro de investigação METRICS da NOVA FCT, vai trabalhar na identificação das melhores combinações de plantas e microrganismos que possam ser aplicadas para a recuperação de solos, e vai monitorizar os resultados obtidos nos locais-piloto, avaliando a eficiência das soluções implementadas em termos de melhoria da qualidade do solo, absorção de contaminantes e capacidade de produção de biomassa.
“O IASIS traz consigo uma série de benefícios a longo prazo, especialmente para a agricultura e a economia portuguesa. Ao reabilitar terrenos até agora considerados inutilizáveis ou improdutivos, abre-se a possibilidade de aumentar a área de cultivo disponível, o que é particularmente relevante num país como Portugal, onde a desertificação do solo está a aumentar devido às alterações climáticas”, defende a investigadora Ana Luísa Fernando, da NOVA FCT. “Adicionalmente, a produção de biomassa em solos degradados e a sua recuperação pode alimentar inúmeras indústrias emergentes, como a bioenergia e a produção de materiais sustentáveis, contribuindo para a diversificação da economia nacional e redução da dependência externa de matérias-primas convencionais e de base fóssil”.
A acumulação de sais no solo e a contaminação por substâncias químicas resultam, muitas vezes, de práticas agrícolas intensivas, da poluição industrial ou de fenómenos naturais como a erosão e a desertificação. Estes fatores causam danos extensivos aos ecossistemas locais, reduzem a qualidade da água e tornam o solo impróprio para produção agrícola. Para a economia e agricultura portuguesas, em particular, este tipo de degradação tem impacto direto na produtividade, afetando tanto a qualidade dos alimentos como a viabilidade de áreas agrícolas.
A investigação levada a cabo no âmbito do IASIS visa, por um lado, regenerar esses terrenos para que possam voltar a ser utilizados e, por outro, transformar esses locais em áreas produtivas para outros fins, como a produção de biomassa. A biomassa gerada a partir destas plantas não comestíveis (industriais), poderá ser utilizada como matéria-prima para a criação de produtos de base biológica, incluindo bioenergia e bioplásticos, fomentando assim a bioeconomia e a economia circular, onde resíduos e terrenos abandonados se tornam recursos úteis para a indústria.
O projeto alinha-se com as estratégias europeias e nacionais de transição para uma economia mais verde e circular, onde a inovação científica desempenha um papel crucial. A utilização de tecnologias de phytomanagement, combinadas com bioengenharia, posiciona o projeto IASIS como uma referência no campo da recuperação e do desenvolvimento sustentável.
Fonte: NOVA FCT
A FDA, o Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar (FSIS) do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), em colaboração com parceiros estatais e locais, estão a investigar doenças num surto multiestatal de infeções por E. coli O157:H7.
Ainda não foi confirmada a origem do surto num ingrediente específico, mas a maior parte das pessoas doentes referem ter comido hambúrgueres de uma conhecida cadeia de fast food. Os investigadores estão a trabalhar para determinar se as cebolas cortadas em pedaços ou os hambúrgueres de carne de vaca são a fonte provável deste surto.
As informações preliminares de rastreio e distribuição analisadas pela FDA mostram que as cebolas cortadas servidas nestes hambúrgueres são uma fonte provável de contaminação.
A FDA está a trabalhar rapidamente para confirmar que estas cebolas são a fonte deste surto e para determinar se estas cebolas foram servidas ou vendidas noutros estabelecimentos. A referida cadeia de restauração deixou temporariamente de utilizar este tipo de cebola e de vender este tipo de hambúrgueres nos estados afetados, enquanto decorre a investigação para determinar a origem do surto.
O FSIS está a efetuar o rastreio de hambúrgueres servidos nos estados afetados para determinar se a carne moída é uma fonte de doença.
Até ao momento foram registados 49 casos de E. coli O157:H7 notificados em 10 estados. Dez pessoas foram hospitalizadas e 1 pessoa desenvolveu Síndrome Hemolítica-Urémica (SHU), uma doença grave que pode causar insuficiência renal. Foi ainda registada uma morte de um idoso no Colorado.
Fonte: FDA & Qualfood
O primeiro vinho elétrico-solar de Portugal chega em 2025. Este vinho vai nascer do projeto piloto de tecnologia agrivoltaica que está a ser desenvolvido na Tapada da Ajuda na vinha do Instituto Superior de Agronomia (ISA) em parceria com a Galp.
O projeto consta de uma central solar instalada por cima das vinhas a 4-5 metros do solo, num total de 288 painéis solares, que se deslocam conforme a posição do sol, para maior rendimento dos painéis, em 1.700 metros quadrados de vinha. Com uma potência instalada de 130 kWp, por ano serão produzidos 240 MWh/ano, permitindo reduzir em 25% a fatura energética do ISA.
Os painéis foram instalados em maio, e permitiram uma vindima mais tardia na respetiva zona. Mas os efeitos completos só serão sentidos na vindima de 2025, quando for concluído um ciclo biológico completo. O piloto prevê estudar os resultados nos próximos dois anos, ao longo de dois ciclos biológicos.
As vinhas produzidas na Tapada da Ajuda servem de apoio para os estudos de viticultura e enologia do ISA que também conta com uma Adega Experimental para apoiar precisamente o estudo, prática e investigação da enologia, e onde é vinificada grande parte das uvas destas vinhas.
Estes vinhos vão ser vendidos “como vinhos de ensaios aos funcionários do ISA”, explicou o professor Carlos Lopes desta faculdade.
Quais as vantagens destes painéis sobre as vinhas? “Protegem a cultura do calor excessivo, da chuva intensa, do granizo”, disse Carla Tavares da Galp, diretora para as energias renováveis. “Reduz também a evapotranspiração do solo, reduz substancialmente o consumo de água, e o bago tem uma maturidade mais lenta”.
Ao mesmo tempo, o projeto solar permite “produzir energia limpa renovável e trazer uma fonte de rendimento adicional ao agricultor”.
“Nos próximos dois anos vamos testar de forma rigorosa todos estes parâmetros. Ainda é cedo para tirar conclusões, mas só com algumas semanas de painéis, a vindima atrasou cerca de duas semanas, um efeito bastante promissor”, acrescentou na apresentação do evento que teve lugar na segunda-feira no ISA.
Já Thayná Camões, gestora deste projeto pela Galp, disse que a ideia foi respeitar as “condições existentes na vinha, procurando ter o menor impacto possível quer na cultura, quer na qualidade”.
Por sua vez, o professor Carlos Lopes do ISA sublinhou que a Tapada da Ajuda tem uma “influência mediterrânica” com “dias muito quentes no verão, radiação a mais. Num dia normal de verão temos o dobro, esta radiação a mais não contribui para nada”, apontando para efeitos negativos: “escaldão das folhas, escaldão dos cachos. Tudo contribui para efeitos negativos nas nossas plantas, com perda de produção” e com impacto negativo no “bolso” do produtor.
“As consequências parecem positivas”, mas apontou que é preciso mais “dois ou três anos para ter dados mais robustos”, apontando que os painéis foram instalados numa fase já tardia do ciclo biológico.
O especialista em viticultura com quarenta anos de experiência, apontou que antes as vindimas tinham lugar no “final de setembro, princípio de outubro”, mas agora “temos castas que vindimamos na última semana de julho. É extremamente precoce. Isto implica maturações desequilibradas: excessiva acumulação de açúcar e excessiva acumulação de acidez. Estes primeiros dados dão-nos pistas interessantes”.
O administrador da Galp Georgios Papadimitriou, por seu turno, prometeu regressar ao ISA em 2025 para vindimar a primeira colheita deste vinho “fotovoltaico” e “elétrico” e para dar o nome ao mesmo.
Questionado sobre se a ideia será replicar o conceito agrivoltaico noutros projetos da Galp, o gestor disse que depende do desenvolvimento deste projeto e que ainda é muito cedo para avaliar. “Demora três anos, e precisamos de ver o desempenho da tecnologia e das estruturas. No final, vamos ver os benefícios e como a tecnologia agrivoltaica desenvolveu e vamos tomar decisões”.
Teoricamente, o agrivoltaico tem várias vantagens. Primeiro, promove o uso dual da terra, para a produção agrícola e de energia; depois, gera mais rendimento para o agricultor; em terceiro, pode gerar energia a partir de fontes renováveis para autoconsumo; em quarto, é uma medida polivalente de adaptação às alterações climáticas: proteção da videira contra as ondas de calor, granizo e chuvas intensas, redução da evapotranspiração e consequente poupança de água, maturações mais lentas e equilibradas, entre outras.
Fonte: Jornal Económico
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