Os alimentos e bebidas embalados devem ter informação nutricional de fácil leitura na parte da frente dos produtos para ajudar os consumidores a fazerem escolhas mais saudáveis, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
O aumento do consumo de alimentos processados com elevado teor de sal, açúcar e gordura é um dos principais fatores da crise global da obesidade, com mais de 1.000 milhões de pessoas a viverem com esta doença e um número estimado de 8 milhões de mortes prematuras todos os anos devido a problemas de saúde associados, como a diabetes e as doenças cardíacas, segundo dados da OMS.
No entanto, os governos têm tido dificuldades em introduzir políticas para conter a epidemia. Atualmente, apenas 43 estados membros da OMS têm qualquer tipo de rotulagem na frente da embalagem, seja obrigatória ou voluntária, apesar das evidências que mostram que os rótulos podem afetar o comportamento de compra. Estes visam “apoiar os consumidores na tomada de decisões mais saudáveis relacionadas aos alimentos”, disse Katrin Engelhardt, cientista do departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS.
Rótulos “interpretativos”
As diretrizes da OMS recomendam que os governos implementem rótulos “interpretativos” que incluam informação nutricional e alguma explicação do que isso significa quanto ao carácter saudável de um produto.
Um exemplo seria o NutriScore, desenvolvido em França e utilizado em vários países europeus, que classifica os alimentos de A (verde, contendo nutrientes essenciais) a E (vermelho, contendo níveis elevados de sais, açúcares, gorduras ou calorias adicionadas).
O Chile e vários outros países da América Latina utilizam um sistema mais rigoroso, com avisos de que um alimento é “rico em açúcar”, sal ou gordura na parte da frente da embalagem, num octógono preto que se assemelha a um sinal de stop.
A especialista em rotulagem alimentar Lindsey Smith Taillie, codiretora do Global Food Research Program da Universidade de Chapel Hill, na Carolina do Norte, afirmou que a indústria alimentar tem resistido aos avisos e prefere rótulos “não-interpretativos”, que incluem a informação sobre os nutrientes, mas não um guia sobre como compreender o que significam, como os utilizados nos Estados Unidos. Embora a recomendação da OMS vá um pouco mais longe do que a preferência da indústria, esta “é bastante fraca”, disse Taillie.
“O mais importante para a maioria dos países a nível mundial será limitar o consumo excessivo de açúcares adicionados, sódio, gorduras saturadas e alimentos ultra-processados em geral – que é o que os rótulos de advertência fazem melhor”.
Uma investigação realizada por Taillie mostrou que os rótulos de advertência do Chile, juntamente com outras políticas como as restrições de comercialização para crianças, significaram que os chilenos compraram menos 37% de açúcar, menos 22% de sódio, menos 16% de gorduras saturadas e menos 23% de calorias totais, em comparação com o que comprariam se a lei não tivesse sido implementada.
International Food and Beverage Alliance
A OMS afirmou não existirem provas suficientes para determinar o melhor sistema de rotulagem.
A International Food and Beverage Alliance (IFBA), cujos membros incluem a The Coca Cola Company e a Mondelez International Inc, afirmou que os seus membros já dispõem de normas mínimas a nível mundial. Estas incluem uma lista de nutrientes na parte de trás das embalagens e, sempre que possível, um pormenor na frente da embalagem sobre, pelo menos, o teor energético, em conformidade com o sistema internacional Codex Alimentarius.
“Isto é algo que as empresas globais podem fazer, mas claramente não é suficiente porque se pegarmos na Nigéria ou no Paquistão … o mercado é dominado por produtores locais”, disse Rocco Renaldi, secretário-geral da IFBA. Segundo Renaldi, os membros da aliança apoiam amplamente as diretrizes da OMS e os rótulos baseados em nutrientes.
“Mas o diabo está nos detalhes – de um modo geral, não apoiamos abordagens que demonizam produtos específicos”, disse Renaldi. “Não achamos que os rótulos de advertência à saúde devam ser colocados em produtos alimentares considerados seguros, aprovados, comercializados e apreciados pelos consumidores”.
Fonte: Grande Consumo
Investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) lideram um projeto que pretende contribuir para o cultivo de uma variedade de arroz em Portugal mais resistente ao calor e às alterações climáticas, foi hoje revelado.
O projeto, intitulado “PrOryza”, pretende contribuir para a “melhoria genética” das variedades de arroz de interesse cultivadas em Portugal, aumentando a sua tolerância ao ‘stress’ térmico e melhorando a sua produtividade, afirma hoje, em comunicado, a FCUP.
Portugal é o país onde mais se consome arroz na Europa, “com mais de 18 kg/ano ‘per capita’, um valor que é quatro vezes superior à média da União Europeia”, mas que pouco consegue produzir para fazer face ao consumo interno.
“A ideia do PrOryza é ajudar a inverter esta tendência”, salienta a FCUP, acrescentando que, para tal, os investigadores vão realizar ensaios de campo no Alentejo Central, fruto de uma colaboração com um produtor da zona de Montemor-o-Novo.
Citada no comunicado, a investigadora responsável pelo projeto, Ana Marta Pereira, salienta que a produtividade do arroz cultivado em Portugal “tem diminuído drasticamente, sobretudo devido às alterações climáticas”.
“Esta redução de produtividade está relacionada com o aumento das temperaturas e com a diminuição da precipitação, especialmente nas regiões do sul, como no Alentejo. Há uma diminuição de 10% da produtividade na produção do arroz para cada aumento de 1ºC de temperatura”, refere.
Ao longo do projeto, os investigadores vão estudar as variedades de arroz comercialmente importantes em Portugal, nomeadamente, as portuguesas Caravela e Ceres (correspondentes ao arroz carolino) e as de origem italiana Aríete e Lusitano.
A variedade Sprint, de origem italiana e pertencente à subespécie índica, será também estudada.
Segundo Ana Marta Pereira, o objetivo é “avaliar a performance reprodutiva” de cada uma das variedades, assim como o comportamento face às alterações climáticas.
“Faremos esse trabalho em laboratório, mas também em campo, para medir e avaliar as condições a que vão estar sujeitas”, explica, destacando que a quebra de produção do arroz acontece sobretudo na fase de reprodução da planta, altura em que é mais sensível aos efeitos do calor.
Ao longo do projeto, os investigadores vão também analisar um sistema de rega que está a ser testado para mitigar as alterações climáticas.
“O arroz é tradicionalmente cultivado por alagamento, o que provoca uma espécie de efeito tampão à volta da planta, ajuda na termorregulação e impede que haja variações de temperatura durante o seu desenvolvimento. Com a rega gota-a-gota perde-se este efeito”, salienta Ana Marta Pereira.
Os ensaios de campo vão também servir para comparar os efeitos da rega gota-a-gota e o tradicional cultivo por alagamento.
A equipa de investigação vai também tentar encontrar marcadores genéticos que permitam tornar a planta mais tolerante ao calor durante a fase reprodutiva.
A confirmar-se a existência desses marcadores genéticos, os investigadores vão realizar “cruzamentos artificias” entre as diferentes variedades de arroz com o intuito de obter “exemplares mais tolerantes e resistentes ao calor”.
Este trabalho será feito no âmbito de uma colaboração com o Centro Operativo e Tecnológico do Arroz (COTArroz) e do seu programa nacional de melhoria genética.
Com um financiamento de 150 mil euros do programa Promove – O Futuro do Interior, da Fundação La Caixa, o projeto terá a duração de três anos e integra ainda investigadores do Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, da Universidade Nova de Lisboa, do COTArroz e produtores da Sociedade Agrícola do Bem Calado Sul, S.A, de Montemor-o-Novo.
Fonte: Agro Portal
A Shopopop, uma empresa de entregas colaborativas que ajuda os supermercados a entregar os seus produtos ao domicílio, analisou as principais tendências que estão a ser implementadas no setor. Da digitalização à vertente mais humana, com enfoque na sustentabilidade e responsabilidade social.
Robótica e automação: acelerar as compras físicas
Dos robots autónomos que reabastecem as prateleiras aos sistemas de checkout totalmente automatizados, o trabalho robótico está a revolucionar a eficiência operacional e a melhorar a experiência do cliente. Graças à implementação destas tecnologias, estão a acelerar o processo de compra e a reduzir os tempos de espera. Entre outros, o Carrefour e o Eroski são alguns dos supermercados que já dispõem deste serviço em alguns dos seus estabelecimentos.
Compras omnicanal: evitar deslocações com uma experiência de qualidade
A integração perfeita entre lojas físicas e plataformas online será um dos maiores desafios para os supermercados. Os consumidores querem encomendar sem ter de se deslocar e receber uma entrega rápida e eficiente nas suas casas. Além disso, as tecnologias de realidade aumentada e virtual oferecerão a oportunidade de explorar os produtos de uma forma completamente nova, a partir da comodidade dos dispositivos móveis.
Neste contexto, será essencial uma boa logística para as entregas. Novas fórmulas, como as entregas colaborativas, tornarão as compras muito mais eficientes e sustentáveis. A plataforma Shopopop liga supermercados a motoristas privados para que estes possam efetuar entregas nas suas rotas habituais em troca de uma gorjeta. Uma solução que permite às lojas oferecer uma entrega muito mais personalizada, adaptando os horários e garantindo a entrega correta do envio.
Recomendações personalizadas: utilizar dados para facilitar as compras
Os supermercados do futuro aproveitarão o poder da análise de dados e da inteligência artificial para fornecer recomendações de produtos altamente personalizadas. Ao acompanhar o historial de compras e as preferências individuais, os supermercados poderão antecipar as necessidades dos clientes e oferecer sugestões relevantes e personalizadas, melhorando assim a satisfação do cliente e promovendo a fidelidade à marca.
Sustentabilidade e responsabilidade social: um fator decisivo para o cliente
Os consumidores estão cada vez mais conscientes da importância da sustentabilidade e da responsabilidade social. Os supermercados do futuro estarão empenhados em práticas empresariais éticas e sustentáveis, oferecendo uma vasta gama de produtos biológicos, minimizando o desperdício alimentar e promovendo uma cadeia de abastecimento que reduza as emissões.
A este respeito veremos os supermercados a implementar tecnologias inovadoras, como a refrigeração sem carbono e as embalagens biodegradáveis, para reduzir a sua pegada ambiental. No que diz respeito à entrega ao domicílio, a Shopopop refere que os supermercados poderiam poupar 72% de emissões de CO2 através de entregas colaborativas, em comparação com a viagem de ida e volta que um cliente teria feito à loja.
Fonte: iALIMENTAR
De acordo com investigadores da Universidade McGill, no Canadá, foi desenvolvida uma variedade de aveia com um valor nutricional melhorado que pode ser benéfico para pessoas com diabetes e doenças cardíacas.
As conclusões do estudo indicam também que esta descoberta pode melhorar a estabilidade oxidativa da aveia, tornando os produtos à base deste cereal menos suscetíveis de se estragarem, explicam os cientistas.
Para desenvolver este produto, os investigadores utilizaram técnicas de engenharia genética para modificar a produção de óleo da aveia.
Jaswinder Singh, Professor Associado do Departamento de Fitotecnia, afirmou que esta descoberta “apresenta resultados promissores para a indústria agrícola e para a saúde dos consumidores, oferecendo uma nova abordagem para o desenvolvimento de culturas ricas em nutrientes”.
“A aveia é reconhecida pelo seu elevado teor de fibra, no entanto, com perfis de gordura, agora mais enriquecidos, oferece um aporte nutricional ainda mais abrangente”, acrescentou o investigador de pós-doutoramento na McGill e primeiro autor do estudo, Zhou Zhou.
Os investigadores afirmaram ainda estar a avaliar a possibilidade de colaborarem com a indústria da bebida de aveia para desenvolver um produto mais nutritivo e com um prazo de validade mais longo, antecipando um “forte interesse” por parte da indústria neste tipo de produtos mais duradouros.
No futuro, Jaswinder Singh e a sua equipa pretendem otimizar ainda mais as culturas de aveia para responder a várias preocupações nutricionais através de tecnologias de edição de genética.
Fonte: Vida Rural
A ADP Fertilizantes anunciou o lançamento de uma nova tecnologia, denominada C-PRO que regula a libertação de todos os nutrientes presentes nos fertilizantes e atua como bioestimulante das culturas.
De acordo com o comunicado de imprensa, a tecnologia C-PRO é um polímero biodegradável, que foi submetido a testes de toxicidade em plantas e animais, mostrando que não tem qualquer efeito adverso no desempenho das culturas nem na vida animal.
A sua função reguladora forma uma barreira física sobre cada grânulo, permitindo a libertação gradual e controlada de todos os nutrientes, através da formação de um gel que evita a lixiviação da rizosfera, mantendo os nutrientes disponíveis para serem absorvidos ao ritmo das necessidades das plantas.
Segundo a nota de imprensa, a sua função bioestimulante caracteriza-se pela capacidade de melhorar a eficiência de utilização dos nutrientes (NUE), intimamente ligada ao cálculo de índices agronómicos como a eficiência agronómica (AE), ou a extração de nutrientes (NE), entre outros.
“Uma maior eficiência de utilização de nutrientes traduz-se num aumento da produção e do teor de nutrientes adquiridos pela planta”, lê-se na comunicação. Além disso, a nova tecnologia melhora também a disponibilidade de nutrientes em todo o tipo de solo e pH assim como a eficiência de utilização dos mesmos, nomeadamente os principais (azoto, fósforo e potássio) tanto em adubação de fundo como em cobertura nas mais diversas culturas.
O comunicado avança ainda que o novo C-PRO obteve aprovação e certificação segundo os regulamentos da União Europeia (UE).
De acordo com António Santana Fernandes, Diretor Comercial da ADP Fertilizantes | Fertiberia TECH, “continuamos a acrescentar valor e a promover soluções mais eficientes e sustentáveis para o setor agrícola”.
Fonte: Vida Rural
De acordo com a CropLife Europe, em 2023, no espaço europeu, 71,8% de todas as embalagens de plástico de produtos fitofarmacêuticos foram recolhidas ao abrigo dos Sistemas de Gestão de Embalagens da Indústria, tendo esta recolha crescido 5,8% desde 2021.
Segundo a nota de imprensa, registou-se um aumento ainda mais pronunciado em países com sistemas de gestão de maior maturidade, onde a taxa de recolha aumentou 7,5% em comparação com 2021.
Já em Portugal, que conta desde 2006 com um sistema próprio de gestão de embalagens – o Sistema Valorfito – os resultados crescem ano após ano, sendo que os mais recentes números referentes ao ano passado, demonstraram um crescimento da taxa de retoma de embalagens já muito próximo das metas definidas (60%), situando-se assim nos 57%, da qual se destaca uma taxa de recolha de embalagens de produtos fitofarmacêuticos a crescer novamente e a alcançar “valores nunca registados” (66,3%), salienta a nota de imprensa da CropLife.
Para João Cardoso, Diretor Executivo da CropLife Portugal, estes resultados demonstram “o compromisso total dos profissionais do setor em salvaguardar os recursos limitados do planeta, além do profissionalismo, empenho, sentido de responsabilidade e resiliência de todos os que, mesmo nos momentos de maior pressão, escolhem proteger as culturas e o ambiente, reduzindo a nossa pegada ecológica”.
E continuou: “tenho orgulho em partilhar que 89,9% das embalagens de plástico rígido recolhidas a nível europeu são enviadas para reciclagem. Este progresso destaca a nossa dedicação em proteger as culturas e o ambiente”.
Fonte: Vida Rural
Membro da Associação Europeia de Apicultura (EBA), a FNAP junta-se à iniciativa europeia de sensibilização dos consumidores para a importância de consumo de mel e produtos apícolas de qualidade, sempre de origem europeia, de preferência produzidos no próprio país. A EBA divulgou um comunicado de imprensa traduzido em 15 línguas.
A Comissão Europeia anunciou recentemente que quase 50% do mel presente no mercado europeu é fraudulento, tendo a Alemanha elevado esse valor para os 80%. A apicultura europeia não sobreviverá ao impacto desta concorrência desleal e apela aos decisores políticos que produzam legislação adequada à regulamentação deste mercado.
A ameaça é grande, e os apicultores estão a perder rendimento e a abandonar a atividade, mas não é apenas o setor apícola que está ameaçado, uma vez que muita da produção agrícola depende da polinização feita pelas abelhas melíferas.
Por iniciativa da Eslovénia, a Comissão Europeia alterou recentemente a Diretiva Mel pelo que em breve todo o mel comercializado na UE indicará claramente em que país (ou países) foi produzido.
Além disso, a Comissão estabeleceu o objetivo de definir um método harmonizado para a determinação da autenticidade do mel, ao mesmo tempo que serão definidos os laboratórios de referência para essas análises. Porém, este processo deverá estar terminado no prazo de três anos, o que, infelizmente, é demasiado tempo para os apicultores.
O mercado continua inundado de mel fraudulento, provavelmente feito com xaropes de origem vegetal (p.ex.: arroz ou milho), num processo altamente sofisticado e recorrendo a tecnologia avançada, que dificulta bastante a sua deteção. Este produto falsificado entra no mercado europeu a um preço baixíssimo, inferior em cerca de 75% do preço do mel pago ao produtor.
Para a organização de apicultores europeus é urgente a adoção de medidas rigorosas, nomeadamente o estabelecimento de protocolos de metodologia de deteção de falsificações, definindo os laboratórios de referência para análise da autenticidade, sem esquecer um sistema de monitorização dos mercados que garanta o controlo e rastreabilidade do mel importado.
Fonte: CAP
A atual crise da água coloca em risco mais de metade da produção mundial de alimentos até 2050, alerta um grupo internacional de líderes e especialistas num relatório divulgado.
Intitulada “A Economia da Água: Valorizar o Ciclo Hidrológico como um Bem Comum Mundial”, a análise prevê ainda, no mesmo período, uma perda de 8% em média do produto interno bruto (PIB) em países em todo o mundo, que pode ser de até 15% nos de baixo rendimento, se a situação não se alterar.
A Comissão Global sobre a Economia da Água, que realizou o trabalho, considera que “economias fracas, a utilização destrutiva da terra e a persistente má gestão dos recursos hídricos se juntaram ao agravamento da crise climática para colocar o ciclo global da água sob uma pressão sem precedentes” e pede “ousadia” para tentar novas abordagens ao problema.
Segundo um comunicado de divulgação do estudo, “quase três mil milhões de pessoas e mais da metade da produção mundial de alimentos encontram-se em áreas que sofrem com a seca ou onde a tendência é de desequilíbrio ao nível da disponibilidade de água”.
O relatório, que a comissão classifica como “histórico”, argumenta que as abordagens existentes levaram à crise da água, por não terem em conta o seu valor para a economia e a preservação dos ecossistemas.
Essa subvalorização da água também encoraja o seu “uso perdulário” e leva a que se instalem culturas e indústrias que mais a consomem, como centros de processamento de dados e centrais a carvão, em áreas com maior risco de “stress hídrico”.
“Pela primeira vez na história da humanidade, estamos a desequilibrar o ciclo global da água. Já não podemos confiar na chuva, a fonte de toda a água doce, devido às alterações climáticas e de uso da terra causadas pela humanidade, que prejudicam a base do bem-estar humano e da economia mundial”, refere Johan Rockström, diretor do Instituto de Potsdam de Investigação sobre Impactos Climáticos (PIK) e um dos quatro copresidentes da comissão, citado no comunicado.
Em julho de 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas reconheceu o direito de todas as pessoas ao acesso a água suficiente para uso pessoal e doméstico, entre 50 e 100 litros por dia, mas a Comissão Global sustenta que “uma vida digna – incluindo nutrição e consumo adequados – requer um mínimo de cerca de 4.000 litros por pessoa por dia”.
Para enfrentar a crise, é necessária uma “nova economia da água”, baseada num “pensamento mais ousado e integrado e numa reformulação da estrutura das políticas”, defende.
Reconhecer que “o ciclo da água deve ser governado como um bem comum mundial” é um primeiro passo, segundo a comissão, que adianta que tal exige uma ação coletiva, concertada em todos os países, uma “colaboração através de fronteiras e culturas”.
A água deve ser valorizada de modo adequado à escassez e as economias moldadas nesse sentido, através de uma abordagem orientada por “missões” que “incentivarão inovações, capacitação e investimentos e serão avaliadas não em termos de custos e benefícios de curto prazo, mas sim pelo modo como podem favorecer benefícios de longo prazo para toda a economia”.
A primeira missão deverá ser o lançamento de “uma nova revolução nos sistemas alimentares”, transformando a agricultura para sustentar o planeta, através da micro irrigação, da redução da “dependência de fertilizantes à base de nitrogénio”, da utilização da agricultura regenerativa e da mudança progressiva “de dietas de origem animal para dietas de origem vegetal”.
A Comissão Global sobre a Economia da Água recomenda também que sejam conservados e restaurados ‘habitats’ naturais essenciais para proteger a “água verde”, a “humidade nos solos e plantas, que retorna e circula pela atmosfera, gerando cerca de metade da chuva”.
Em relação ao acordo alcançado na cimeira da ONU sobre alterações climáticas em 2022 para “conservar 30% das florestas e restaurar 30% dos ecossistemas degradados até 2030”, a comissão aconselha a que seja dada “prioridade à proteção e restauração das áreas que mais podem contribuir para um ciclo estável da água”.
Estabelecer uma economia circular da água, garantir a sustentabilidade e eficiência da aposta na energia renovável e na inteligência artificial, para que não se intensifique o consumo do líquido, e que “nenhuma criança morra por causa de água contaminada até 2030”, são outras das missões recomendadas pela comissão.
Para a realização destes objetivos seria decisivo construir uma governação mundial da água, adianta.
“Só podemos resolver esta crise se pensarmos em termos muito mais amplos sobre como governamos a água. Reconhecendo as interações da água com as alterações climáticas e a biodiversidade. Mobilizando todas as nossas ferramentas económicas, e financiamento público e privado, para inovar e investir na água. Pensando e agindo multilateralmente”, diz Tharman Shanmugaratnam, Presidente de Singapura e outro dos copresidentes da comissão.
Fonte: Agro Portal
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), através da Unidade Regional do Sul – Unidade Operacional de Évora, realizou uma operação de fiscalização, no âmbito do combate a ilícitos criminais contra a saúde pública, direcionada a um estabelecimento de depuração e expedição de Moluscos Bivalves Vivos (MBV’s) e depósito de produtos da pesca, que após ter sido fiscalizado e, em desobediência, manteve a sua atividade em funcionamento, sem estar devidamente licenciado para o efeito, na região de Grândola.
Como balanço da ação, foi instaurado 1 processo-crime por desobediência, tendo ainda sido determinada a detenção imediata do representante legal, para apresentação à autoridade judiciária competente e a instauração de 3 processos de natureza contraordenacional por géneros alimentícios com falta de requisitos, colocação no mercado de moluscos bivalves vivos em violação das normas legais e por colocação no mercado de produtos de origem animal por estabelecimento não registado.
Foram ainda apreendidos mais de 500 kg de moluscos bivalves vivos e pescado, tudo num valor total estimado de € 6.000,00. De referir que, com esta intervenção e face aos resultados da ação de fiscalização realizada recentemente, foram já apreendidas 2 toneladas de MBV e de pescado, com o valor comercial de 16.310,00 Euros neste operador económico.
A ASAE continuará a desenvolver ações de fiscalização, no âmbito das suas competências, em todo o território nacional, em prol de uma sã e leal concorrência entre operadores económicos, na salvaguarda da segurança alimentar e saúde pública dos consumidores
Fonte: ASAE
No Dia Mundial da Alimentação, a DGAV apresenta um ponto da situação sobre as questões de segurança e regulamentares disponibilizadas pela Agência Europeia de Segurança Alimentar – EFSA, respeitantes à utilização de insetos como proteína alternativa nos sistemas alimentares na alimentação humana e na alimentação animal, bem como as iniciativas desenvolvidas, designadamente sobre a sua participação na Agenda Mobilizadora InsectERA, projeto enquadrado no PRR.
Insetos como Proteína Alternativa nos Sistemas Alimentares – O Papel da DGAV é um trabalho produzido por José Manuel Gaspar Nunes da Costa, Chefe de Divisão de Alimentação Animal, Direção de Serviços de Nutrição e Alimentação.
Fonte: DGAV
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