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A proteção das culturas contra pragas e doenças é uma preocupação fundamental na agricultura, e encontrar estratégias sustentáveis e eficazes representa um desafio para a agronomia. Nesse sentido, o grupo de Entomologia Agrícola do Departamento de Agronomia da Universidade de Córdoba, Espanha, trabalha no desenvolvimento de métodos de biocontrole baseados no uso de fungos entomopatogénicos que podem infectar insectos causadores de pragas. O grupo acaba de publicar uma descoberta sobre esses agentes fúngicos que os torna uma ferramenta poderosa para a proteção das culturas.

A pesquisa descobriu a capacidade de um microvírus - um tipo de vírus que infecta e se replica dentro de fungos - de aumentar a virulência com que um fungo entomopatogénico infecta insectos. O grupo comparou duas variantes da mesma cepa fúngica: uma infectada com um micovírus e a outra não infectada. O estudo demonstrou que a cepa infectada com o micovírus - a cepa natural - foi capaz de infetar o insecto e causar a sua morte, enquanto a cepa não infectada com o micovírus - a cepa obtida pelos investigadores - não causou doença.

Esta pesquisa, publicada na revista Virulence, oferece uma nova perspectiva sobre a associação entre fungos entomopatogénicos e micovírus destacando a influência significativa que esses fungos exercem sobre a patogenicidade dos seus hospedeiros.

Leia o artigo aqui.

Fonte: Agrodigital

O Ministério do Ambiente e Energia reformulou o regime de cálculo da remuneração das centrais de biomassa, passando a atribuir maior peso ao contributo de cada unidade na gestão integrada de fogos rurais.

De acordo com a comunicação do Executivo, a alteração procura reforçar o papel destas centrais na prevenção de incêndios e na gestão florestal.

Com a nova portaria, a remuneração das centrais passa também a estar indexada à área ardida na respetiva região de influência, num período de referência até três anos.

Segundo a informação divulgada, esta solução pretende evitar penalizações por pequenos incêndios ou benefícios indevidos em situações em que o território tenha sido devastado pelas chamas no ano anterior, como acontecia no anterior regime legal.

 O ministério sustenta que essas situações distorciam a lógica da remuneração aplicada ao setor. Ao valorizar positivamente o contributo das centrais de biomassa na prevenção dos incêndios, ficam criadas condições para uma valorização da tarifa fixa em função do papel ativo de cada central na gestão da floresta.

As remunerações destas centrais assentam em duas componentes: um prémio de mercado e um prémio para a gestão integrada de fogos rurais e proteção da floresta. Ambos são definidos em euros por megawatt-hora de eletricidade injetado na Rede Elétrica de Serviço Público.

 A nova portaria corresponde à primeira alteração do diploma que fixou os suplementos remuneratórios atribuídos às centrais de valorização de biomassa.

De acordo com o Governo, a nova legislação pretende ir além da energia elétrica produzida e injetada na rede, incentivando o papel que estas centrais podem desempenhar no planeamento e na gestão da floresta, com o objetivo de a defender e preservar de incêndios rurais.

Fonte: Vida Rural

Vários foram já os alertas que surgiram sobre o impacto ambiental da expansão aparentemente imparável da Inteligência Artificial (IA), especialmente devido aos grandes consumos de energia e às emissões daí resultantes.

Em meados de 2025, surgiu um relatório que apontava nesse sentido, dizendo que as emissões de carbono das maiores empresas tecnológicas do mundo aumentaram, em média, 150% entre 2020 e 2023, devido ao reforço dos investimentos em IA e ao consumo de eletricidade para alimentar centros de dados.

Um ano antes, numa conferência em Los Angeles, nos Estados Unidos da América, o próprio diretor de operações da OpenAI, a criadora do célebre ChatGPT, disse que a proliferação de aplicações de IA colocava um “grande risco” às economias globais devido às exigências de consumo de energia.

Contudo, em novembro do ano passado, foi publicado um estudo na revista ‘Environmental Research Letters’ no qual os autores argumentam que, ao contrário do que se pensa, a IA pouco contribui para as emissões de gases com efeito de estufa e que até pode contribuir para a proteção ambiental.

A investigação foca-se nos Estados Unidos da América (EUA), que é onde estão concentrados os grandes desenvolvimentos desse tipo de tecnologia. Os economistas ambientais Anthony Harding, do Instituto de Tecnologia da Geórgia (EUA), e Juan Moreno-Cruz, da Universidade de Waterloo (Canadá), dizem ter combinado dados sobre a economia norte-americana com estimativas do uso de IA nos diversos setores para determinarem as consequências ambientais se o uso de IA mantiver a atual trajetória.

Os investigadores referem que a quantidade de energia consumida pela IA nos EUA é equivalente à que é consumida em toda a Islândia, mas, ainda assim, defendem que, pelo menos num plano mais abrangente, os efeitos serão praticamente negligenciáveis.

“É importante notar que o aumento do uso de energia não será uniforme”, afirma, em nota, Moreno-Cruz.

“Se olharmos para a energia de uma perspetiva local, isso é importante, porque em alguns lugares poderemos ver duplicar a produção de eletricidade e as emissões”, reconhece. No entanto, considera que, “de uma perspetiva mais ampla, o uso de energia pela IA não será notável”.

Para aquelas vozes que alertam para os impactos climáticos da IA e que defendem que se deve evitá-la, o investigador contra-argumenta com o que diz ser “uma perspetiva diferente”.

“Os efeitos no clima não são significativos e podemos usar a IA para desenvolver tecnologias verdes ou para melhorar as que já existem”, defende.

O objetivo da dupla é fazer estudos semelhantes noutras regiões do mundo onde o uso da IA esteja a crescer para avaliar os seus impactos.

Fonte: Greensavers

Num contexto de instabilidade geopolítica, pressão regulatória e volatilidade nos custos agrícolas, a soberania alimentar deixou de ser apenas um conceito político para se tornar uma variável estratégica na gestão das cadeias de abastecimento. Para Portugal – e para a Europa –, a questão já não é apenas garantir alimentos seguros, mas assegurar produção, logística e abastecimento resilientes, competitivos e sustentáveis.

Num mundo abalado por crises sucessivas – da pandemia à guerra na Ucrânia, passando pela emergência climática –, a forma como produzimos, distribuímos e consumimos alimentos tornou-se uma questão central de segurança e estratégia. Emerge, neste contexto, com força renovada, o conceito de soberania alimentar, um termo que transcende a simples garantia de que há comida na mesa para questionar quem controla os sistemas que nos alimentam. Para a Europa, e em particular para Portugal, alcançar um maior grau de soberania alimentar não é apenas uma meta desejável; é um imperativo para a resiliência económica, a sustentabilidade ambiental e a coesão social. 

Este artigo explora, com base em análises de especialistas, dados de mercado e políticas em curso, o que significa realmente a soberania alimentar, a sua importância crítica, os alimentos que estão no centro deste debate e as profundas implicações das decisões que estão (ou deveriam estar) a ser tomadas.

Embora frequentemente confundidos, os conceitos de soberania e segurança alimentar apontam para dimensões distintas e, por vezes, conflituantes do sistema alimentar. A segurança alimentar, tal como definida e implementada na União Europeia, foca-se em garantir que os alimentos disponíveis são seguros para o consumo, desde o produtor ao consumidor. Este pilar assenta num vasto e harmonizado quadro legislativo que cobre toda a cadeia de abastecimento, incluindo as importações, com prioridade máxima para a higiene, a sanidade animal e vegetal e rigorosos controlos oficiais. O seu objetivo primordial é proteger a saúde do consumidor, independentemente da origem do produto.

Por outro lado, a soberania alimentar, um conceito cunhado pelo movimento de agricultores Via Campesina, em 1996, é fundamentalmente política. Refere-se ao “direito dos povos a alimentos saudáveis e culturalmente apropriados, produzidos através de métodos sustentáveis e ecológicos, e o seu direito a definir os seus próprios sistemas agrícolas e alimentares.” Como sublinha Marta Vasconcelos, investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Universidade Católica Portuguesa, a soberania alimentar “centra o direito das populações de decidir as suas políticas agrícolas e alimentares”, dando primazia ao mercado interno, ao controlo sobre os recursos naturais (terra, água, sementes) e aos agricultores que produzem de forma sustentável. É, na sua essência, uma alternativa ao modelo alimentar globalizado e dominado por grandes corporações, procurando capacitar as comunidades locais a controlar a produção, distribuição e consumo de alimentos.

A investigadora lembra que os conflitos de prioridades são evidentes. A soberania alimentar privilegia os circuitos curtos e a autonomia local, enquanto a segurança alimentar na União Europeia integra fluxos comerciais globais, desde que estes cumpram as normas sanitárias. Esta tensão manifesta-se no preço: produtos importados, muitas vezes produzidos com normas ambientais e laborais menos exigentes, podem ser mais baratos, colocando a produção local, que arca com custos de conformidade mais elevados, em desvantagem competitiva.

O conceito de soberania alimentar, no contexto europeu contemporâneo, foi adotado na perspetiva da soberania das nações, num quadro de defesa nacional, refere, por sua vez, Pedro Reis, professor da NOVA Medical School. Significa a necessidade de assegurar a disponibilidade de níveis mínimos dos principais bens alimentares, de forma a não haver ruturas de abastecimento em situações de crise, como, por exemplo, fortes perturbações ou interrupções prolongadas nos meios de transporte. “A maior falha estará, certamente, na nossa capacidade coletiva de nos prepararmos para responder a crises, como se verificou no apagão, e a aprovação muito recente de uma estrutura para melhorar a resposta a crises graves, o CorGov, onde terá de estar a segurança alimentar”, afirma, apontando que a questão mais crítica reside na garantia de níveis de armazenamento dos bens mais consumidos (consumo final ou intermédio) que evitem situações de rutura no sistema de abastecimento alimentar, em caso de crise grave e prolongada. 

“O conceito de soberania do sector depende do equilíbrio da balança comercial agroalimentar”, aponta, por seu turno, Luís Mira, secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal. “Vivemos num mercado aberto e os consumidores são soberanos. Pelo que se preferirem consumir, por exemplo, frutas tropicais, em vez da fruta da época que é produzida no nosso país, estão, naturalmente, no seu direito”, nota, acrescentando que “o conceito de soberania alimentar é relativo e, de qualquer modo, o risco de falta de alimentos para a população no quadro da União Europeia é uma questão que não se coloca.”

Já António Alvarenga, professor associado convidado na NOVA SBE, e Maria Carvalho, teaching assistant na mesma instituição de ensino, lembram que, em Portugal, a soberania alimentar é parcial: o país destaca-se em produtos mediterrânicos (é o segundo maior produtor da União Europeia de azeite e amêndoa, além de forte exportador de vinho), mas muito dependente de culturas essenciais. Por exemplo, só cobriu cerca de 18% das suas necessidades de leguminosas em 2024, importando a grande maioria. Por outras palavras, Portugal é robusto em culturas tradicionais, eventualmente não essenciais, mas altamente dependente do exterior, por exemplo, em cereais, leguminosas e proteína animal, refletindo alguma vulnerabilidade na autonomia alimentar nacional.

“Na generalidade, podemos identificar algumas fragilidades estruturais dos sistemas alimentares dominantes na Europa: grande uso de energia, dependência de fertilizantes minerais e outras matérias-primas externas, poucos agricultores e dependência de trabalho precário, baixa agrobiodiversidade, padrões alimentares desajustados e alto volume de desperdício”, resume Pedro Horta, policy officer na ZERO. O ambientalista realça que os sistemas alimentares dominantes são muito intensos em energia, nas suas várias componentes. E que grande parte dessa energia – e dos materiais necessários para a sua distribuição e uso – dependem de grandes volumes de importações. A utilização de energia para o fabrico de fertilizantes azotados, por exemplo, ou para a produção animal, que “está largamente dependente da importação de mercadorias como a soja e o milho, de várias origens”, e que se “liga com padrões alimentares desajustados.”

A verdade é que, na opinião de Pedro Horta, a política agroindustrial tem favorecido também a concentração da produção e a diminuição dos preços no produtor, assim como da agrobiodiversidade e o desaparecimento de cadeias curtas de abastecimento, fatores que fragilizam a capacidade de inovação e resposta a crises. Por outras palavras, “os modelos agrícolas promovidos têm levado à contração do número de agricultores e à dependência de mão-de-obra tendencialmente precária, que se pretende móvel e barata, levando a situações graves, classificáveis como escravatura moderna.” 

Tudo isto coloca o foco no mercado e na escolha do consumidor, relativizando a importância da origem. Contudo, as recentes perturbações globais vieram demonstrar a fragilidade de uma dependência excessiva de cadeias de abastecimento longas e complexas, reforçando os argumentos a favor de uma maior autonomia estratégica.

Entre o Green Deal e a dependência externa

A União Europeia encontra-se numa encruzilhada. Por um lado, a Política Agrícola Comum (PAC), um dos pilares históricos do projeto europeu, tem como objetivo garantir a segurança dos abastecimentos e estabilizar os mercados. Por outro, o ambicioso Pacto Ecológico Europeu (Green Deal), e a sua estratégia Do Prado ao Prato (Farm to Fork), impõem metas ambientais rigorosas que visam transformar o sistema alimentar europeu, tornando-o mais justo, saudável e sustentável.

Instrumentos que, na opinião de Pedro Reis – nomeadamente a PAC –, são cruciais para garantir um abastecimento estável de produtos alimentares, preservar os rendimentos dos agricultores, proteger o ambiente e manter o dinamismo das zonas rurais. 

As metas definidas pela Comissão Europeia incluem objetivos ambiciosos para 2030, como a redução de 50% no uso de pesticidas, a diminuição de, pelo menos, 20% no uso de fertilizantes e o aumento da área de agricultura biológica para 25% da superfície agrícola total da União Europeia. Mas, embora cruciais para a sustentabilidade a longo prazo, estas políticas geram preocupações sobre o seu impacto na produtividade e competitividade no imediato. Como aponta António Alvarenga, estudos de impacto indicam que a redução de pesticidas, por si só, “poderia implicar uma queda de cerca de 10% na produção agrícola, pressionando a capacidade produtiva”, acrescentando que as reduções do uso de fertilizantes (cuja meta é menos 20%) podem diminuir os rendimentos em culturas intensivas, se essas reduções não forem compensadas por tecnologia.

Este potencial decréscimo produtivo colide com uma realidade de dependência externa em sectores críticos. A União Europeia é altamente dependente da importação de produtos como a soja e o milho para a alimentação animal, o que sustenta a sua produção de carne e lacticínios. A guerra na Ucrânia expôs de forma dramática esta vulnerabilidade, não só no que toca aos cereais, mas também aos fertilizantes, cuja produção é intensiva em gás natural, um recurso cujo preço disparou com o conflito. A dependência de importações de nutrientes essenciais como o fósforo, cujas reservas mundiais estão concentradas num número muito limitado de países, constitui outro risco estratégico de longo prazo.

O Parlamento Europeu, num relatório de 2023 sobre a resiliência da agricultura da União Europeia, reconheceu que a produção alimentar deve ser considerada um “sector estratégico” e instou a uma redução das dependências, nomeadamente através do incentivo à produção de culturas proteicas, como as leguminosas, em solo europeu. A PAC 2023-2027 tenta equilibrar estes objetivos, introduzindo os chamados eco-regimes, que remuneram os agricultores por práticas benéficas para o clima e o ambiente, como a rotação de culturas com leguminosas, que fixam o azoto no solo e reduzem a necessidade de fertilizantes sintéticos.

“A estratégia Farm to Fork promove a transição para sistemas alimentares mais sustentáveis e saudáveis, podendo aumentar o valor e a estabilidade das cadeias internas quando estas se alinham com metas ambientais e com a segurança do abastecimento”, refere Marta Vasconcelos. Que alerta, contudo, que também existem riscos e efeitos associados à transição. “Os custos de conformidade e de adaptação tecnológica, decorrentes das metas climáticas e ambientais do Green Deal, podem reduzir as margens a curto prazo e exigir investimentos significativos, criando o risco de dependência caso a produção local não acompanhe a competitividade.” Pegando no caso das leguminosas já mencionado, a investigadora da Católica refere que os efeitos positivos incluem a valorização destas culturas através da rotação obrigatória e dos eco-regimes, que as reconhecem como culturas de serviço e de produção, contribuindo para a redução de inputs e emissões.

Já o professor da NOVA Medical School considera que a principal questão está no excesso legislativo e de burocracia, assim como na falta de alguma flexibilidade na implementação das medidas. É o caso de instrumentos disponíveis nalgumas regiões do mundo, mas que não são permitidos na União Europeia, ou são fortemente condicionados. Pedro Reis dá o exemplo do uso da somatropina bovina e uma maior liberdade no cultivo de culturas geneticamente modificadas. 

Por outro lado, a agricultura é uma atividade fortemente dependente de energia, nomeadamente para tratores e outras máquinas pesadas, onde é muito difícil a transição para combustíveis provenientes de fontes renováveis. O professor aponta que, atualmente, já existe um nível elevado de investimento em energia solar para alguns consumos, como seja nos sistemas de rega e nas estufas, mas para as máquinas pesadas é muito mais complexa e difícil essa transição. 

Já no que se refere à retirada de mercado de alguns pesticidas e a planeada redução de 50% no seu uso, Pedro Reis afirma que é indiscutível que sejam retirados produtos com riscos elevados comprovados para a saúde humana e dos ecossistemas, assim como seja obrigatória a proteção integrada para os agricultores profissionais e que sejam implementadas medidas para um uso mais sustentável. No entanto, acrescenta, uma redução imponderada das substâncias ativas disponíveis no mercado pode incrementar significativamente o surgimento de resistências, podendo conduzir a elevadas perdas de produção ou ao aumento das quantidades usadas de pesticidas autorizados. Mas o fator mais relevante, no seu entender, “foi a imposição de metas demasiado ambiciosas na estratégia Farm To Fork, tanto ao nível da redução do uso de pesticidas como de fertilizantes azotados e fosfatados”, onde o incumprimento teria impacto muito significativo nalgumas produções. “Esta ambição foi contraproducente, pois a estratégia Farm to Fork é muito mais, incluindo a redução para metade do desperdício alimentar e medidas de promoção de um comércio mundial mais justo e sustentável”, conclui. 

No entanto, a implementação destas políticas é complexa e gera tensões. Os agricultores protestam contra o que consideram ser uma carga burocrática excessiva e uma concorrência desleal de produtos importados que não cumprem as mesmas regras. O enfraquecimento recente de algumas metas do Green Deal, em resposta a estes protestos, ilustra a dificuldade em conciliar a transição ecológica com a viabilidade económica do sector agrícola e a garantia da autonomia produtiva.

A conclusão das recentes políticas europeias é clara. Pelo menos para António Alvarenga e Maria Carvalho: “As metas climáticas da União Europeia, aliadas às regras agrícolas, tendem a tornar a agricultura mais sustentável, porém, potencialmente menos produtiva se não houver implementação eficaz de contrapartidas tecnológicas.”

Portugal: um retrato de contrastes

O caso português é um microcosmo das tensões e paradoxos europeus. O país detém uma balança comercial agroalimentar cronicamente deficitária, mas, ao mesmo tempo, exibe casos de enorme sucesso em nichos de mercado de alto valor. É robusto e excedentário em produtos emblemáticos da dieta mediterrânica, mas perigosamente dependente em alimentos da base da pirâmide alimentar.

Portugal afirma-se como uma potência em produtos de alta qualidade. É o segundo maior produtor de azeite da União Europeia e um exportador de renome de vinhos. O sector das frutas e legumes tem demonstrado um dinamismo notável, com as exportações a atingirem 2,5 mil milhões de euros em 2024. O sucesso dos pequenos frutos, como a framboesa e o mirtilo, e o crescimento exponencial da fileira do azeite – que passou de um défice comercial para um saldo positivo de quase mil milhões de euros em 2024 – são exemplos de como a aposta na qualidade, na tecnologia e na orientação para os mercados externos pode gerar valor.

O reverso da medalha é uma dependência externa preocupante em produtos essenciais. O grau de autoaprovisionamento em cereais é inferior a 20%, uma vulnerabilidade histórica que a recente Estratégia +Cereais do Governo tenta mitigar, com a ambiciosa meta de atingir 38% de produção nacional. A situação é igualmente crítica nas leguminosas secas (grão, feijão, ervilha), onde o autoaprovisionamento foi de apenas 18% em 2020, apesar de a área cultivada ter aumentado 40% na última década. Esta dependência estende-se às proteínas vegetais para rações, com importações massivas de soja e seus derivados, essenciais para a produção pecuária nacional. “O grau de autoaprovisionamento de cereais para ração e consumo é muito baixo, o que evidencia uma forte dependência externa e uma elevada exposição à volatilidade internacional e às novas regulamentações ambientais”, refere Marta Vasconcelos.

Alguns dos fatores que limitam a autonomia agrícola no país prendem-se com características geográficas, outros com capital humano e de inovação. Os professores da NOVA SBE lembram que Portugal enfrenta seca frequente e irregularidade pluviométrica no Alentejo e no Algarve. E que o aquecimento e eventos extremos (ondas de calor e tempestades) afetam negativamente os rendimentos agrários, sobretudo no sul. O resultado? A disponibilidade hídrica é crítica, exigindo irrigação intensiva em anos secos. Sendo que, com as alterações climáticas, a situação tenderá a agravar-se. 

Por outro lado, é inequívoco que a pressão urbana tem levado à redução da área cultivada, assim como a favor de utilizações para alimentação animal e culturas permanentes industriais. Sem esquecer que “solos erodíveis e pastoreio extensivo agravam o desafio”. E há ainda que contar com o inevitável envelhecimento da população, que também abarca os agricultores, e a que se junta a falta de trabalhadores sazonais. Tudo isto “aumenta a pressão para mais mecanização e implementação de soluções automatizadas”. É certo que “o recurso a mão-de-obra imigrante tem sido uma solução, mas novas restrições à sua entrada poderão pôr em causa essa solução”, refere António Alvarenga. 

O professor acrescenta que já se verificam alguns esforços de digitalização no sector (sensores IoT, regas eficientes, sistemas de agricultura de precisão), mas ainda são sobretudo pontuais.

Culturas como o feijão, o grão, a ervilha e a soja podem aumentar significativamente a produção nacional de proteína vegetal e de fixação de nitrogénio no solo. Incentivar este cultivo aumentaria as matérias-primas para consumo humano e alimentação animal, reduzindo importações de soja e milho. Mas as recomendações vão (ainda) mais longe: no que toca a cereais, embora o rendimento por hectare seja limitado, investir em variedades adaptadas ao clima mediterrânico (por exemplo, trigos de outono mais resistentes ou milho irrigado) poderia aumentar a autossuficiência. O Governo definiu como meta Portugal produzir 38% dos cereais consumidos, mas tal objetivo tem-se revelado difícil, com o horizonte temporal a ter de ser alterado. É um objetivo ambicioso, quase duplicando a percentagem atual (17,9%). A expansão do trigo de inverno e a modernização de arrozais são também possíveis prioridades.

Já no que concerne à produção de hortícolas protegidos (tomate, alface) e frutas locais (citrinos, maçã resistente), a sua ampliação “poderia diminuir as importações. Em particular, a reconversão de terras para culturas de ciclo curto e rotatividade, nomeadamente no Alentejo e no Ribatejo, poderia suprir parte dos hortofrutícolas importados.” 

Não menos importante, embora a olivicultura e a viticultura sejam já muito fortes no país, na opinião dos professores da NOVA SBE, são áreas que têm ainda espaço para crescer via intensificação sustentável, mantendo excedentes exportáveis. 

Finalmente, o desenvolvimento interno via biotecnologia de variedades de sementes adaptadas (biofortificação, tolerância à seca) pode atrair o investimento e fortalecer a cadeia produtiva, particularmente em contexto de alterações climáticas.

A questão do défice de aprovisionamento é mais complexa do que parece à primeira vista. É certo que há produtos – como o azeite – com grande sucesso. No entanto, Pedro Reis alerta para o facto de que a grande expansão dos novos olivais ocorreu em terras onde se produzia trigo, implicando uma redução da produção nacional deste bem agrícola. “A expansão das culturas com maior potencial de exportação implica uma maior pressão sobre os recursos hídricos nas regiões mais produtivas”, aponta, acrescentando que um dos nexos mais interessantes é a relação da agricultura com a alimentação. Face a isto, o professor afirma taxativamente que uma alimentação mais equilibrada, com maior consumo de produtos da época e optando por produtos nacionais, dá certamente um forte contributo para a redução da balança comercial. 

Futuro: entre a tecnologia e a política 

Perante um cenário de dependências estruturais e riscos emergentes, o reforço da soberania alimentar portuguesa e europeia exige uma ação concertada em múltiplas frentes, combinando inovação tecnológica, novas práticas agrícolas e políticas públicas coerentes.

A inovação surge como uma resposta-chave para produzir mais e melhor com menos recursos. A agricultura de precisão, que utiliza ferramentas digitais como sensores, drones e inteligência artificial, permite uma aplicação cirúrgica da água, fertilizantes e pesticidas, reduzindo os custos e os impactos ambientais. A biotecnologia e as novas técnicas genómicas (NTG), como a CRISPR, abrem a porta ao desenvolvimento mais rápido de variedades de plantas mais resistentes a pragas e doenças e à seca, um fator crítico no contexto das alterações climáticas. Pedro Reis salienta o potencial destas ferramentas para “obter, de forma mais rápida e precisa, plantas menos suscetíveis a stresses abióticos, como o hídrico.”

O professor da NOVA Medical School vai mais longe e afirma que “a tecnologia digital está a abrir muitas portas.” E dá o exemplo de “armadilhas inteligentes”, que permitem contar o número de insetos de uma determinada praga e, depois, determinar qual o momento certo para se fazer um tratamento fitossanitário. A que se junta a robotização, que está a ser puxada pela produção para colmatar a falta de mão-de-obra, existindo já testes de máquinas para a colheita de pequenos frutos.

No entanto, alerta que, neste leque de inovações, “é preciso ir para além das ferramentas digitais, automação e robotização e melhoramento de plantas, para referir a investigação e inovação em práticas baseadas no funcionamento dos ecossistemas, de forma a ir substituindo produtos de síntese por processos naturais (por exemplo, bactérias simbiontes e micorrizas para reduzir ou dispensar a aplicação de adubos, o uso de insetos auxiliares ou de luta biotécnica para reduzir ou substituir o uso de pesticidas).” Para o professor da NOVA Medical School, este conhecimento científico e a sua aplicação na produção agrícola é cada vez mais relevante, porque permite reduzir o uso de produtos de síntese, com todas as vantagens inerentes, mas também porque melhora a saúde do solo e de todo o ecossistema, aumentando o potencial produtivo e contribuindo para uma maior produção de bens públicos, como o sequestro de carbono, a melhoria do ciclo hidrológico e dos nutrientes. 

Paralelamente, ganham força as práticas baseadas na ecologia. A agricultura regenerativa, a rotação com leguminosas, o uso de coberturas e a aposta em biofertilizantes e controlo biológico de pragas são soluções que melhoram a saúde do solo, aumentam a sua capacidade de reter água e carbono e reduzem a dependência de produtos de síntese química. Como defende o ambientalista Pedro Horta, é preciso tratar a alimentação como um “bem público” e remunerar os agricultores pelos “serviços de ecossistema que não são valorizados pelos mercados.”

Desafio coletivo

A soberania alimentar deixou de ser uma bandeira de movimentos ativistas para se tornar um pilar central da estratégia e da resiliência da Europa. As crises recentes desnudaram as fragilidades de um sistema alimentar globalizado, excessivamente dependente de longas cadeias de abastecimento, de energia fóssil e de um número limitado de fontes de matérias-primas. Para Portugal, com as suas vulnerabilidades estruturais, mas também com os seus enormes potenciais, o desafio é particularmente agudo.

Alcançar uma maior autonomia alimentar não significa fechar fronteiras ou ambicionar uma autossuficiência irrealista. Significa, sim, fazer escolhas estratégicas: reduzir dependências críticas, valorizar os recursos endógenos, apostar na inovação e na sustentabilidade e construir um sistema alimentar mais resiliente, equitativo e capaz de garantir alimentos saudáveis e de qualidade para todos, hoje e no futuro. 

Este é um desafio que convoca todos os elos da cadeia: desde os decisores políticos que desenham a PAC, aos cientistas que desenvolvem novas variedades, aos agricultores que trabalham a terra, à indústria e ao retalho que processam e distribuem e, finalmente, a cada consumidor, cujas escolhas diárias moldam, em última análise, o sistema que nos alimenta.

Fonte: Grande Consumo

O Instituto Pedro Nunes (IPN), através do seu Laboratório de Fitossanidade (Fitolab), está a disponibilizar serviços especializados de diagnóstico para a vinha, a partir de Coimbra, com o objetivo de apoiar produtores e técnicos na deteção precoce de doenças que comprometem a produtividade agrícola.

A iniciativa surge num contexto internacional marcado pelo aumento de pragas e agentes patogénicos responsáveis por perdas significativas na produção, particularmente na viticultura europeia.

Resposta a ameaças crescentes no setor

O setor vitivinícola enfrenta atualmente riscos relevantes associados a doenças como a Flavescência Dourada, capaz de provocar quebras de produção superiores a 90%, e ao patógeno emergente Xylella fastidiosa

Perante este cenário, o IPN posiciona-se como parceiro técnico dos produtores, disponibilizando análises laboratoriais que permitem identificar rapidamente os agentes responsáveis pelas infeções.

A deteção precoce assume um papel determinante na contenção da propagação das doenças, contribuindo para preservar o potencial produtivo das explorações agrícolas e apoiar decisões técnicas mais eficazes no terreno.

Diagnóstico laboratorial para decisões mais sustentáveis

A oferta tecnológica do Fitolab abrange a identificação de um amplo conjunto de organismos que afetam a videira, incluindo bactérias, fitoplasmas, fungos do lenho e agentes associados a podridões radiculares. O acesso a dados laboratoriais rigorosos permite aos produtores fundamentar as suas opções agronómicas, reduzir tratamentos desnecessários e implementar práticas de gestão mais sustentáveis.

Segundo o instituto, esta abordagem contribui simultaneamente para a otimização de custos e para a proteção do ecossistema agrícola, promovendo uma produção mais eficiente e equilibrada.

Laboratório acreditado e reconhecido oficialmente

O Laboratório de Fitossanidade do IPN distingue-se por ser o primeiro laboratório nacional acreditado nesta área, contando ainda com reconhecimento oficial da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) para o diagnóstico de doenças reguladas de plantas. Esta certificação reforça o papel do Instituto Pedro Nunes enquanto entidade de interface tecnológica dedicada à transferência de conhecimento científico para o mercado.
Fonte: iAlimentar

A ANPOC, a ANPROMIS e a AOP alertaram para a “situação extremamente preocupante” que o setor dos cereais atravessa em Portugal, apontando o impacto das condições meteorológicas adversas e do aumento dos custos de produção na campanha agrícola em curso.

De acordo com o comunicado de imprensa conjunto, as três associações consideram existir um “risco real de quebra significativa de produção”, com efeitos diretos na segurança alimentar e no agravamento da dependência externa do país.

Segundo as associações, a precipitação intensa e persistente registada nos últimos meses tem dificultado de forma significativa as operações de sementeira e maneio em várias regiões do país. Em muitos casos, os produtores não conseguiram entrar nos terrenos em tempo útil, comprometendo o calendário agrícola e o potencial produtivo das culturas.

A sucessão de tempestades provocou também danos em várias explorações agrícolas, nomeadamente destruição de infraestruturas, erosão dos solos e perdas generalizadas de áreas semeadas. Em paralelo, as culturas instaladas registaram perdas devido ao excesso de água no solo, com situações de encharcamento, asfixia radicular e, em muitos casos, destruição total das searas.

As associações acrescentam que este contexto agrava a já frágil sustentabilidade económica das explorações agrícolas, numa altura em que se verifica um aumento acentuado dos custos de produção.

De acordo com a mesma informação, a subida dos preços dos fertilizantes e dos combustíveis, influenciada pelo contexto geopolítico internacional, está a exercer uma pressão adicional sobre os agricultores, num mercado marcado por preços mundiais dos cereais considerados muito baixos.

Perante este cenário, a ANPOC, a ANPROMIS e a AOP apelam à adoção urgente de medidas extraordinárias de apoio aos produtores nacionais. Entre as prioridades identificadas estão a criação célere de mecanismos de compensação pelas perdas de produção, o apoio ao restabelecimento do potencial produtivo, incluindo infraestruturas, construções e equipamentos danificados, e a recuperação das infraestruturas dos perímetros de rega também afetadas pelas intempéries.

As três organizações defendem ainda o alargamento da situação de calamidade a todas as regiões efetivamente atingidas, a atribuição de apoios diretos para mitigar o aumento dos custos com combustíveis e fertilizantes, a flexibilização de prazos e requisitos de elegibilidade no âmbito das políticas agrícolas em vigor e o reforço dos instrumentos de gestão de risco adaptados à atual realidade climática.

No plano estrutural, as associações pedem também o reforço imediato da dotação financeira do PEPAC, para apoiar investimentos considerados essenciais ao desenvolvimento, modernização e competitividade do setor cerealífero nacional.

Segundo a comunicação, reclamam igualmente uma medida de apoio às organizações de produtores de cereais, antecipando uma campanha 2026/2027 “muito complicada”, devido ao menor volume de produção comercializada e às dificuldades que isso poderá causar na manutenção do reconhecimento e na gestão financeira destas estruturas.

No comunicado, a ANPOC, a ANPROMIS e a AOP reiteram a importância estratégica do setor dos cereais para a economia nacional e para a soberania alimentar, defendendo uma resposta rápida e eficaz que permita salvaguardar a continuidade da produção.

Fonte: Agroportal

A iniciativa distinguiu casos de sucesso nacionais da Agricultura, Agroindústria, Florestas e Pecuária 

Nas quatro categorias a concurso foram distinguidos: Empresa Figueirense de Pesca e Quinta Mourisca do Alendouro, com menção honrosa (Inovação de Produto), Granvinhos (Inovação de Processo), Associação de Produtores Queijo de Serpa (Novos Projetos) e Sinvepart (Sustentabilidade).

A categoria especial “Personalidade” distinguiu António Rios Amorim, Presidente e CEO do Grupo Amorim. O gestor foi reconhecido pelo processo de modernização, inovação tecnológica e internacionalização do Grupo, bem como pelo investimento permanente na sustentabilidade, na economia circular e na valorização do montado.

O Banco Português de Germoplasma Vegetal (Braga) venceu a categoria especial “Institucional”. Trata-se de uma estrutura de referência na investigação aplicada e inovação para o setor agrícola, que reúne um portefólio de projetos estratégicos com impacto direto na sustentabilidade, competitividade e modernização da agricultura.    

Ana Rosas Oliveira, Administradora Executiva do BPI, destacou que "a evolução da agricultura em Portugal evidencia a capacidade do setor para inovar, adaptar-se e gerar valor.” Realçou ainda que "O PNA distingue o contributo de todos os que reforçam a competitividade, a sustentabilidade e a projeção internacional da agricultura portuguesa."

O PNA, iniciativa promovida pelo Banco BPI e pela Medialivre, distingue as melhores práticas e projetos do setor agrícola nacional, valorizando a inovação, sustentabilidade e o empreendedorismo. A edição deste ano recebeu 369 candidaturas, representando uma ampla diversidade de setores — vinho, olival e azeite, fruta, tomate, pescas e derivados, compostagem — e uma forte distribuição geográfica, com projetos de Norte a Sul do país e das Regiões Autónomas.

Mais informação sobre os projetos premiados:

Vencedor | Inovação de Produto

Empresa Figueirense de Pesca (Figueira da Foz) – Desenvolvimento de mousse de Ómega-3 (produto exclusivo no mercado) e de espessantes naturais para cosmética, com base em economia circular 

Menção honrosa: Quinta Mourisca do Alendouro (Alfândega da Fé) – Temperos de fruta alternativos ao vinagre balsâmico, valorizando excedentes agrícolas.

Vencedor | Inovação de Processo

Granvinhos (Vila Nova de Gaia) – Centro de vinificação de última geração, com automação avançada e rastreabilidade digital.

Vencedor | Novos Projetos 

Associação de Produtores Queijo de Serpa (Serpa) – Projeto QI 4.0 com IA para garantir autenticidade do Queijo Serpa DOP.

Vencedor | Sustentabilidade

Sinvepart (Beja) – Gestão agroecológica e florestal, integrando responsabilidade social e economia circular, num modelo que cria valor para o território.

Fonte: Agronegócios

A DGAV anuncia a publicação da segunda revisão do Plano de Ação Nacional para o Uso Sustentável de Produtos Fitofarmacêuticos, aprovada pela Portaria n.º 119/2026/1, de 19 de março.

Esta atualização, desenvolvida por grupo de trabalho passou por consulta pública e baseia-se no relatório de execução relativo ao quinquénio anterior.

Fonte: DGAV

A chegada da primavera traz novidades para os profissionais das áreas Alimentar, SST e Ambiental: a Qualfood acaba de anunciar a sua Promoção de Primavera, uma iniciativa que reforça o compromisso da plataforma em tornar o trabalho técnico mais simples, rápido e eficiente.

Com a campanha, a empresa destaca a importância de ter acesso imediato à informação essencial. “Você merece não perder tempo à procura da informação: Alimentar, SST e Ambiental”, reforça a Qualfood, sublinhando que o objetivo é permitir que cada profissional ganhe tempo para o que realmente importa.

A plataforma, reconhecida pela centralização de conteúdos técnicos, legislação atualizada e ferramentas práticas, apresenta esta promoção como uma oportunidade para quem procura otimizar processos e reduzir horas perdidas em pesquisas dispersas.

Segundo a equipa Qualfood, a campanha de primavera pretende aproximar ainda mais os utilizadores de soluções que simplificam o cumprimento de requisitos legais e operacionais. “O Qualfood facilita a sua vida profissional”, destaca a marca, lembrando que a eficiência é um dos pilares do seu serviço.

A Promoção de Primavera já está disponível e promete ser uma das iniciativas mais relevantes do setor nesta estação, especialmente para empresas e consultores que valorizam agilidade e rigor técnico.

Peça-nos informações através do email: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it..

Fonte: Qualfood

A redução do peso das embalagens está a afirmar-se como uma das principais estratégias da indústria das bebidas para diminuir o consumo de materiais e melhorar a reciclabilidade. Na interpack 2026, fabricantes e fornecedores apresentam soluções que combinam lightweighting, novas tecnologias de barreira, rotulagem inovadora e eficiência produtiva, refletindo a evolução do setor rumo à economia circular.

A embalagem para bebidas está a tornar-se cada vez mais leve. Enquanto principal feira mundial dedicada a soluções de processamento e embalagem, a interpack voltará a reunir, em 2026, os principais intervenientes internacionais nas áreas do enchimento, enlatamento e acondicionamento de bebidas. Este setor é atualmente impulsionado por requisitos regulamentares – como o Regulamento Europeu relativo a Embalagens e Resíduos de Embalagens –, por metas ambiciosas de sustentabilidade definidas pelos fabricantes e por mudanças no comportamento dos consumidores.

As embalagens tradicionais para bebidas, como garrafas de vidro ou PET, latas de alumínio e embalagens cartonadas, estão em transformação. A nova geração de sistemas de embalagem exige redução máxima de materiais, funções de barreira inteligentes, controlo digital dos processos e maior reciclabilidade.

Redução de peso como prioridade

A redução do peso constitui um dos principais focos de inovação. O expositor da interpack KHS, por exemplo, segue uma abordagem denominada “premium lightweight” e apresenta a Premium Lite, uma garrafa para água mineral sem gás produzida com 100% de PET reciclado e com apenas 6,2 gramas para 0,25 litros. A nova garrafa combina utilização mínima de material com uma estética premium e foi especificamente concebida para responder às exigências das modernas linhas de produção de alta velocidade.

Esta solução é produzida na máquina de moldagem por estiramento e sopro KHS InnoPET Blomax Series V, que assegura estabilidade de processo e elevada precisão em produções de grande volume.

No domínio da proteção do produto e da economia circular, a KHS avança ainda mais com a nova garrafa Supreme PET. A empresa utiliza a sua tecnologia Plasmax, que aplica um revestimento interno de óxido de silício com menos de 100 nanómetros de espessura. Este revestimento atua como vidro, protegendo bebidas sensíveis ao oxigénio – como chá verde premium – contra a oxidação e prolongando significativamente o prazo de validade.

Ao mesmo tempo, a garrafa mantém-se totalmente reciclável: durante o processo de reciclagem, a camada vítrea é removida numa solução alcalina sem contaminar o PET. A combinação entre elevada proteção do produto, compatibilidade com rPET e velocidades industriais até 60 mil garrafas por hora demonstra a evolução das tecnologias de barreira orientadas para a circularidade.

Rótulos facilmente recicláveis

A opção EcoFloat White permite aos engarrafadores substituir embalagens opacas em HDPE ou PET por garrafas transparentes em PET. 
Para além da redução de materiais, a reciclabilidade dos componentes individuais assume crescente relevância. A CCL Label, também expositora na interpack 2026, apresenta inovações orientadas para a economia circular, demonstrando como o design da embalagem pode apoiar ativamente os sistemas de reciclagem.

Na área das mangas e rótulos, a empresa aposta em soluções compatíveis com reciclagem. O EcoFloat é uma manga retrátil baseada em poliolefinas de baixa densidade que, durante o processo de separação sink-float do PET, flutua enquanto os flocos de PET afundam, permitindo uma separação física essencial para a reciclagem “garrafa a garrafa” de elevada qualidade.

A opção EcoFloat White, destinada a produtos sensíveis à luz, permite ainda substituir embalagens opacas em HDPE ou PET por garrafas transparentes em PET.

Com os rótulos WashOff, a CCL responde também às exigências dos processos industriais de lavagem em sistemas reutilizáveis e de refill. Estes rótulos autoadesivos podem ser removidos em banho alcalino sem deixar resíduos, apoiando sistemas reutilizáveis de vidro e PET. Paralelamente, a nova tecnologia adesiva EcoShear melhora a reciclabilidade das garrafas de vidro descartáveis, permitindo a remoção quase total dos rótulos em filme.

Um adesivo para rotulagem de alta velocidade

Mesmo componentes aparentemente secundários estão a ganhar importância. A Henkel Adhesive Technologies apresenta um novo adesivo termofusível (hot-melt), isento de óleo mineral, com uma taxa de remoção de até 98% durante a reciclagem. Os resíduos são separados do fluxo de material juntamente com os restos dos rótulos.

Compatível com rótulos de papel e plástico, a solução assegura funcionamento estável em velocidades até 40 mil garrafas por hora, mantendo temperaturas de processamento relativamente baixas, entre 110 e 140 °C. Tal contribui para proteger os equipamentos, reduzir o consumo energético e aumentar a fiabilidade operacional.

Substituir rótulos por marcação laser

Outra abordagem passa por eliminar completamente os rótulos. A Krones desenvolveu a solução DecoBeam, que permite marcar diretamente garrafas PET e rPET com laser. Informações como quantidade líquida, ingredientes, data de validade e elementos gráficos são gravadas diretamente na embalagem, reduzindo materiais e facilitando a reciclagem.

Estão disponíveis dois métodos de marcação: lasers CO₂ produzem marcações mais claras, enquanto lasers de fibra criam inscrições negras. Logótipos, gráficos e elementos de design podem igualmente ser integrados.

Para recipientes de vidro, a Krones disponibiliza ainda o sistema INKpression, que transfere tinta diretamente para o recipiente. Neste caso, o design final é transferido integralmente a partir de um suporte, em vez de ser aplicado através de impressão convencional.

Cresce a procura por latas

A popularidade das latas de bebidas continua a aumentar. As vendas de refrigerantes e bebidas energéticas em lata registam atualmente forte crescimento, sobretudo entre consumidores mais jovens. Na Europa, a taxa de reciclagem ultrapassou 76% em 2023 e continua a subir, segundo dados das associações Metal Packaging Europe e European Aluminium. Sistemas de depósito e retorno contribuem significativamente para este desempenho, permitindo atingir taxas próximas dos 90%.

Muitos fabricantes estão, por isso, a expandir a oferta neste formato. A Coca-Cola Europacific Partners Germany (CCEP DE), por exemplo, está a investir numa nova linha de enchimento de latas na unidade de Halle, cuja entrada em funcionamento está prevista para o verão de 2026. O investimento multimilionário responde ao aumento da procura: apenas no mercado alemão, as vendas de bebidas em lata cresceram cerca de 12% no último ano.

Embalagens cartonadas com bom desempenho ambiental

Apesar das opiniões divergentes, as embalagens cartonadas para bebidas combinam várias vantagens tecnológicas: baixo peso, opacidade, reciclabilidade e composição maioritariamente baseada em fibra de cartão (cerca de três quartos do material), complementada por barreiras que protegem o produto e prolongam o prazo de validade.

Segundo a associação alemã FKN, o setor encontra-se mais avançado em reciclagem do que muitas vezes se assume. O sistema inclui empresas como Tetra Pak, SIG Combibloc e Elopak, bem como a unidade de reciclagem Palurec, no Knapsack Chemical Park. Na Alemanha, cerca de 36 mil toneladas anuais de plástico e alumínio provenientes destas embalagens são recicladas. Ainda assim, o país falhou a meta legal de reciclagem pelo terceiro ano consecutivo em 2024, segundo a Zentrale Stelle Verpackungsregister.

Tampas ligadas geram resistência dos consumidores

Um estudo do Nuremberg Institute for Market Decisions (NIM) indica que a maioria dos consumidores considera pouco práticas as tampas ligadas (tethered caps), obrigatórias desde meados de 2024 em embalagens de bebidas de utilização única. Estas tampas permanecem ligadas à embalagem após a abertura, com o objetivo de reduzir resíduos plásticos e facilitar a reciclagem. Contudo, dois terços dos inquiridos criticam a dificuldade de utilização, sobretudo ao beber e servir.

Fonte: iAlimentar