“O Innovation Day reflete o compromisso da Escola Superior de Biotecnologia em aproximar a investigação científica da sua aplicação prática, criando um espaço de diálogo entre investigadores, estudantes e empresas para impulsionar a inovação com impacto real, ” afirma Paula Castro, diretora da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa.
Manuela Pintado, diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, salienta que “a ciência da estrutura dos alimentos está a abrir caminho a produtos mais saudáveis, sustentáveis e sensorialmente apelativos, respondendo aos grandes desafios da alimentação do futuro.” Em todo o mundo, mas também no CBQF, a investigação na área da estrutura dos alimentos procura compreender como a organização dos diferentes componentes alimentares influencia características como a textura, o sabor, a estabilidade, a digestibilidade e o valor nutricional dos produtos. “Esta abordagem tem permitido desenvolver soluções inovadoras para responder aos desafios atuais da indústria alimentar, incluindo a reformulação de alimentos com menor teor de açúcar, sal ou gordura, o desenvolvimento de alternativas proteicas de origem vegetal e a valorização de ingredientes sustentáveis. Ao combinar ciência fundamental com aplicação industrial, o CBQF contribui para a criação de alimentos que conciliam qualidade sensorial, benefícios para a saúde e sustentabilidade”, conclui.
O programa do Innovation Day 2026 arranca com a palestra “Metabolic, Prebiotic, and Exposomic Implications of Incidentally-Functionalized Polysaccharides”, conduzida por Mario M. Martinez, professor associado da Universidad de Valladolid. Segue-se a intervenção de Maud Langton, professora da Swedish University of Agricultural Sciences, que apresentará o tema “Processing Legumes for Healthier Foods”. A manhã prossegue com a palestra “Understanding Food Structures at the Microscopic Scale”, por José Bonilla, professor de Food Structure and Processing da University of Copenhagen. O primeiro momento do evento encerra com a apresentação “Clube de Inovação e Conhecimento”, conduzida por Paula Castro, diretora da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa.
A segunda parte do evento terá início com a palestra “From Microstructure to Quality: How Processing Choices Model Product Properties”, apresentada por Lilia Ahrné, professora de Ciência e Tecnologia Alimentar da Swedish University of Agricultural Sciences e professora convidada da Escola Superior de Biotecnologia e Investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Universidade Católica Portuguesa. O evento culmina com a mesa-redonda “Innovation in Practice - Industry Insights on Food Structure and Product Development”, moderada por Manuela Pintado,
O Innovation Day 2026 da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, que este ano é apoiado pela ERA Chair THRIVE, realiza-se no dia 2 de julho, pelas 9h30 no Auditório Carvalho Guerra da Universidade Católica Portuguesa no Porto. É um evento aberto ao público, mas sujeito a inscrição. A ERA Chair THRIVE do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Universidade Católica Portuguesa pretende potenciar a investigação na área das Tecnologias de Estruturação de Alimentos, impulsionando um ecossistema internacional de investigação e inovação.
Fonte: iAlimentar
Uma campanha nacional, divulgada por cientistas da Universidade e do Politécnico de Coimbra pretende que a população portuguesa vigie as acácias-de-espigas em busca de um pequeno inseto responsável pelo controlo biológico daquela planta invasora.
A campanha de ciência-cidadã foi lançada pela plataforma Invasoras.pt (que reúne cientistas do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra e da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra) e convida a população a ajudar a monitorizar a presença de um pequeno inseto australiano, conhecido pela abreviatura ‘Trichi’, introduzido em Portugal em 2015 com o objetivo de diminuir a proliferação das acácias.
“Sabemos que o agente está espalhado por muitas zonas, mas precisamos de muito mais olhos no terreno para perceber onde está, onde ainda não chegou e que efeito está a ter na acácia-de-espigas. É aqui que a ciência-cidadã pode fazer toda a diferença”, afirmou a investigadora Elizabete Marchante.
A acácia-de-espigas é “uma das espécies invasoras mais problemáticas dos ecossistemas costeiros portugueses”, encontrando-se “amplamente distribuída” no continente “onde forma povoamentos densos, altera habitats naturais e compromete a biodiversidade”.
Ao produzir elevadas quantidades de sementes “capazes de permanecer viáveis no solo durante vários anos”, a espécie invasora multiplica-se rapidamente pelo território, adiantou.
O inseto “Trichi” funciona como agente de controlo biológico, já que possui a capacidade de se desenvolver nas gemas florais da acácia-de-espigas, originando galhas (uma deformidade da planta, que se chega a assemelhar a frutos], impedindo a formação de flores e, consequentemente, reduzindo a produção de sementes, explicou a cientista.
“A campanha desafia qualquer pessoa a procurar galhas nos ramos da acácia-de-espigas, fotografá-las e registar a observação. Os dados recolhidos permitirão melhorar o conhecimento sobre a dispersão deste agente de controlo biológico e avaliar a sua eficácia na redução da capacidade invasora da planta. Mesmo a ausência de galhas é uma informação importante para a monitorização”.
A iniciativa agora divulgada é dirigida a cidadãos interessados pela natureza, voluntários ambientais, técnicos municipais, associações, escolas, estudantes, investigadores e profissionais envolvidos na gestão do território.
Os registos podem ser efetuados através da aplicação Epicollect5 ou, em alternativa, através da plataforma iNaturalist/BioDiversity4All, estando disponíveis mais informações e instruções de participação através do endereço https://www.invasoras.pt/pt/vamos-mapear-trichi.
Com esta campanha, a plataforma Invasoras.pt pretende “reforçar a participação pública na monitorização de espécies invasoras e contribuir para uma das mais relevantes experiências de controlo biológico de plantas invasoras em curso na Europa”.
Fonte: Agroportal
A guerra no Médio Oriente, que provocou uma escalada dos preços da energia e dos fertilizantes, vai implicar uma diminuição da produção agrícola em 2026 e 2027, bem como um aumento dos preços, que afetará principalmente os países mais pobres.
No relatório conjunto de perspetivas agrícolas, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) calculam que a produção de cereais nos países de baixos rendimentos diminuirá 2,3% este ano e 1,7% em 2027.
Nos países de rendimento médio, a queda será de 1% a 2%, enquanto nos ricos ficará em menos de 1%.
A razão destas diferenças é que o impacto do aumento dos preços da energia e, sobretudo, dos fertilizantes, é mais difícil de suportar pelos mais pobres porque as reservas acumuladas são menores e o setor agrícola é mais sensível ao aumento dos custos.
Vão subir os preços dos principais produtos do setor agrário, como o trigo (4,5% em 2026 e mais de 7% em 2027), o milho (mais de 3% em 2026 e cerca de 7% em 2027), o arroz (mais de 4% em 2026 e 3% em 2027), a carne bovina (1,5% em 2026 e 2,5% em 2027), a carne suína (quase 2% em 2026 e 4% em 2027) e o frango (3% em 2026 e cerca de 5% em 2027).
O cenário adverso apresentado pela OCDE e pela FAO para ter em conta a guerra baseia-se numa desaceleração global e em preços de energia que serão este ano 33% mais elevados em relação à situação anterior, e 10% em 2027.
Os fertilizantes serão em média 29% mais caros em 2026 e 17% em 2027, e isso vai resultar numa menor utilização, assim como ajustamentos na produção e no comércio, e alterações nos padrões de consumo que serão diferentes.
A utilização de fertilizantes terá um corte de 5,1% em 2026 e de 3,4% em 2027 nos países de baixos rendimentos, de 4,3% em 2026 e de 2,8% em 2027 nos de rendimentos médios, e de cerca de 2% nos de altos rendimentos.
Este cenário leva a uma contração ou a uma estagnação do consumo de alimentos nos países pobres, em particular de produtos de origem animal, o que aponta para dietas mais económicas.
Nos países de rendimento médio e alto, os níveis de consumo permanecerão praticamente sem mudanças na dieta, o que evidencia o papel que os níveis de rendimento têm na hora de amortecer as crises de preços.
Além desta análise da crise do Médio Oriente, como nas edições anteriores, a OCDE e a FAO fazem projeções para a próxima década e estimam que a produção do setor agrícola aumentará em 13,3% e alcançará um valor de 4,01 biliões de dólares (3,52 biliões de euros).
O aumento nesses nove anos será acentuado para a produção animal (15,1%), mas também para a produção vegetal (12,5%), bem como para a pesca e outros alimentos aquáticos (11%).
Os rendimentos por agricultor, agora em média de 3.800 dólares por ano, melhorarão globalmente 9% na próxima década, embora as diferenças sejam abismais entre as regiões do mundo.
Nos países ricos passarão de 21.100 dólares para 22.155 dólares em 2035, enquanto nos pobres (a África subsaariana e o sul da Ásia) progredirão de 930 dólares para cerca de 1.100 dólares.
Os preços agrícolas vão manter-se ou baixar, embora os autores do estudo sublinhem que isso não descarta uma possível variabilidade, como demonstra a experiência histórica com episódios de volatilidade.
Apesar do aumento da produtividade e da melhoria da eficiência, as emissões de gases de efeito estufa do setor serão 6,5% superiores em 2035.
Quanto ao comércio internacional de produtos agrícolas, cujo peso cresceu significativamente, passando de 16% em 2000 para entre 22% e 23% em 2019 e que se manteve em torno deste nível desde então, deve continuar nesses parâmetros na próxima década.
A América Latina e as Caraíbas (sobretudo pelo Brasil, Argentina e Paraguai) continuarão a ser a maior região em exportações, enquanto os grandes importadores serão os países em desenvolvimento do sul e sudeste da Ásia, em particular a Índia, Indonésia, Filipinas, Malásia, Tailândia e Vietname.
Fonte: Agroportal
Os retalhistas e grossistas europeus apelaram à criação de um período de transição de, pelo menos, 12 meses para a aplicação das novas regras da União Europeia relativas às embalagens e aos resíduos de embalagens, cuja entrada em vigor está prevista para agosto.
Segundo a publicação Just Food, a associação europeia EuroCommerce, que representa retalhistas e grossistas a operar na União Europeia, considera que continuam por esclarecer “questões técnicas essenciais” relacionadas com o Regulamento relativo às Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR, na sigla em inglês).
Embora o regulamento tenha entrado formalmente em vigor a 11 de fevereiro de 2025, começa a ser aplicado a partir de 12 de agosto deste ano. As diferentes obrigações serão implementadas de forma faseada, com alguns requisitos, como os critérios de reciclabilidade e as metas de reutilização, a serem introduzidos progressivamente até 2030.
Numa declaração divulgada por ocasião da reunião dos ministros do Ambiente da União Europeia, realizada a 25 de junho, no Luxemburgo, a EuroCommerce defendeu um “período de transição mínimo de 12 meses” para permitir às empresas compreender e interpretar as novas exigências, testar soluções, adaptar processos e responder a eventuais dificuldades na implementação.
Entre as preocupações apontadas pela associação está a definição dos limites para a presença de substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (PFAS) nas embalagens. A organização considera que, durante o período de transição, o foco das autoridades deverá centrar-se na emissão de orientações e no apoio às empresas, em vez da aplicação imediata de sanções.
A diretora-geral da EuroCommerce, Christel Delberghe, alertou que “faltam apenas algumas semanas para a implementação, mas continuam por responder questões fundamentais“. Na sua perspetiva, esta situação “não é sustentável“, apelando aos ministros da União Europeia para que assegurem maior clareza, flexibilidade e um período de adaptação realista, de forma a evitar perturbações significativas nas cadeias de abastecimento em toda a Europa.
Fonte: Grande Consumo
O sector mundial do vinho atravessou, em 2025, um contexto desafiante, marcado por tarifas comerciais, alterações climáticas, mudança nos hábitos de consumo e pressão económica sobre os mercados.
De acordo com o relatório anual da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), a superfície mundial de vinha continuou a diminuir pelo sexto ano consecutivo, atingindo sete milhões de hectares, menos 0,8% do que em 2024.
Produção continua em níveis historicamente baixos
A produção mundial de vinho foi estimada em 227 milhões de hectolitros em 2025. O valor representa uma ligeira recuperação de 0,6% face ao nível historicamente baixo registado em 2024, mas mantém a produção global em patamares reduzidos pelo terceiro ano consecutivo.
Segundo a OIV, esta evolução reflete a variabilidade climática e a redução da capacidade produtiva nalgumas regiões, embora países como o Brasil, Nova Zelândia, África do Sul e Moldávia tenham registado recuperações.
Consumo mundial cai 2,7%
O consumo mundial de vinho, por sua vez, diminuiu 2,7% face a 2024, para 208 milhões de hectolitros. A evolução foi influenciada por alterações estruturais nos mercados maduros e por pressões económicas sobre os consumidores.
Ainda assim, nem todos os mercados seguiram a tendência global. Portugal, Brasil, Japão e algumas regiões da Europa Central e de Leste registaram crescimento no consumo.
Comércio internacional também contrai
O comércio internacional de vinho também recuou em 2025. Os volumes exportados diminuíram 4,7%, para 94,8 milhões de hectolitros, enquanto o valor das exportações caiu 6,7%, para 33,8 mil milhões de euros.
A contração foi atribuída a políticas e tensões comerciais, bem como à menor procura global. Entre os dados destacados pela OIV está a quebra das importações de vinho dos Estados Unidos.
O valor das importações norte-americanas recuou para 5,5 mil milhões de euros, menos 12% do que em 2024.
Apesar da descida, o valor do comércio internacional mantém-se acima dos níveis anteriores à pandemia de Covid-19.
Mesmo num contexto de retração, o vinho mantém uma forte componente internacional. Segundo a OIV, 46% do vinho continua a ser comercializado além-fronteiras, confirmando a importância dos fluxos de exportação para a sustentabilidade económica do sector.
Este dado mostra que, apesar da queda no volume e no valor das exportações, o mercado mundial do vinho continua fortemente dependente da dinâmica do comércio internacional.
Produção baixa ajudou a equilibrar o mercado
A OIV sublinha que os baixos níveis de produção ajudaram a equilibrar o mercado, apesar da diminuição do consumo.
A menor produção evitou uma acumulação significativa de stocks, num ano em que a procura global voltou a contrair.
O diferencial entre produção e consumo mundial foi estimado em cerca de 18,7 milhões de hectolitros.
Além do consumo direto, o sector conta com utilizações industriais relevantes.
A OIV estima que os usos industriais do vinho, incluindo destilação, vinagre, produtos à base de vinho e bebidas espirituosas, representem em média cerca de 30 milhões de hectolitros por ano.
Esta componente contribui para absorver parte da produção e para reduzir desequilíbrios no mercado.
“O sector está a mostrar resiliência”
John Barker, diretor-geral da OIV, considera que o sector tem vindo a adaptar-se aos desafios climáticos, económicos e sociais dos últimos anos. Segundo o responsável, o sector “está a mostrar resiliência”, procurando novas oportunidades de mercado e ajustando a capacidade produtiva à evolução da procura.
Apesar da queda nas exportações, a OIV considera que o valor do comércio e dos produtos se mantém forte. John Barker sublinha ainda que recentes acordos comerciais bilaterais e multilaterais poderão ajudar a criar condições positivas para a evolução dos mercados.
Fonte: Grande Consumo
Um consórcio nacional está a desenvolver novas aplicações industriais para a resina natural, com foco na valorização de colofónia , um constituinte da resina de pinheiro, em setores como embalagens alimentares, têxtil, calçado e automóvel.
De acordo com o comunicado de imprensa, o trabalho está a ser desenvolvido no CeNTI, no âmbito do RN21, um Projeto Mobilizador de âmbito nacional centrado na produção e transformação da resina natural. O objetivo é valorizar um recurso de base biológica proveniente de florestas portuguesas e substituir materiais de origem fóssil, sem comprometer o desempenho técnico exigido pelas aplicações industriais.
Na área das embalagens, uma das principais linhas de investigação envolve o desenvolvimento de revestimentos funcionais com propriedades de barreira a gases para aplicação em embalagens e filmes biodegradáveis. No âmbito do projeto, estas soluções foram validadas para embalamento de carne a vácuo.
Foram também desenvolvidos sistemas de encapsulação de derivados de colofónia com agentes ativos de propriedades antimicrobianas e antioxidantes. Estas soluções procuram prolongar a vida útil dos produtos embalados, melhorar a segurança alimentar e contribuir para a redução do desperdício, funcionando como alternativa aos plásticos convencionais.
Além das embalagens alimentares, os derivados de colofónia estão a ser testados em aplicações para o setor têxtil. Integrados em fibras, malhas e acabamentos, estes constituintes de base natural permitiram melhorar a solidez, a resistência, a durabilidade e o desempenho funcional dos materiais.
Na indústria do calçado, a investigação centra-se sobretudo na integração de derivados de colofónia em solas e adesivos, incluindo diferentes matrizes biopoliméricas. O objetivo passa por melhorar o desempenho mecânico e a durabilidade das solas, abrindo caminho à potencial substituição de materiais sintéticos convencionais por alternativas de base biológica.
A resina natural está também a ser aplicada na indústria automóvel, através da integração de derivados de colofónia em biopolímeros termoplásticos para injeção de peças plásticas de interior. De acordo com a informação divulgada, foi possível substituir parcialmente resinas sintéticas por derivados de colofónia em até 30%, mantendo propriedades técnicas adequadas.
Segundo Lorena Coelho, investigadora responsável pelo projeto no CeNTI, a investigação procura responder à dependência de matérias-primas petroquímicas. “Enquanto as soluções convencionais dependem maioritariamente de resinas, plastificantes e aditivos petroquímicos, as tecnologias desenvolvidas permitem incorporar matérias-primas renováveis, reduzir a pegada ambiental e a dependência de recursos fósseis, sem comprometer o desempenho final. Os derivados de colofónia desenvolvidos foram, inclusivamente, ajustados e adaptados à medida de cada aplicação/setor, garantindo um desempenho equivalente ou superior”, afirma.
A responsável destaca ainda a versatilidade dos derivados de colofónia. “Os derivados de colofónia têm uma grande versatilidade em termos de química e aplicações. Uma das principais vantagens destas soluções é precisamente a sua versatilidade. Além de apresentarem uma maior compatibilidade com biopolímeros, estas formulações podem ajustar-se a diferentes matrizes poliméricas, processos industriais, setores e aplicações. Assim, é possível obter melhores resultados em termos de propriedades/funcionalidades, tais como estabilidade, durabilidade, mecânicas e de barreira”, explica.
Para Lorena Coelho, os resultados obtidos representam uma inovação relevante no contexto nacional por disponibilizarem alternativas de base biológica face às soluções fósseis dominantes no mercado.
“Embora existam desenvolvimentos internacionais neste domínio, a integração destas tecnologias em cadeias de valor industriais nacionais posiciona o país de forma competitiva e diferenciadora face ao exterior, promovendo a transição para materiais mais sustentáveis e com valor acrescentado”, conclui.
Fonte: Vida Rural
É já no próximo dia 3 de julho que vai ser conhecida a equipa vencedora da 10.ª edição do Prémio Ecotrophelia Portugal. A iniciativa, organizada pela PortugalFoods desde 2017, vai distinguir, entre as oito equipas em prova, a proposta de alimento do futuro que melhor incorpore os princípios da inovação, da ecologia e da sustentabilidade.
Os produtos a concurso, para além da sua abordagem ecoinovadora, devem ainda responder aos requisitos fundamentais de qualquer produto alimentar, nomeadamente o sabor, a textura, as propriedades organoléticas e a experiência de consumo.
Para eleger o produto que melhor se enquadra nos objetivos desta competição, o Prémio Ecotrophelia Portugal conta com um júri multidisciplinar composto por representantes da academia, da indústria agroalimentar, do ecossistema de inovação e tecnologia, bem como de áreas complementares, como a gastronomia, o marketing e a comunicação.
Ao longo de um dia marcado pela exigência e competitividade, as equipas têm de apresentar e defender os seus projetos, através de provas de produtos, demonstrando a viabilidade económica, o potencial de mercado e a proposta de valor agregada dos mesmos, incluindo aspetos como a embalagem, o design e o plano de marketing. No final, só uma equipa vai ser vencedora, mas todos os participantes saem a ganhar. Além dos prémios monetários atribuídos, as equipas finalistas vão ter acesso a um programa desenvolvido pelo EIT Food, a principal entidade europeia de inovação alimentar, impulsionada pelo Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT), que une e dinamiza um ecossistema alargado de empresas, startups, centros de investigação e universidades a nível internacional. Os vencedores, além do prémio monetário atribuído, ganham também a oportunidade de participar na competição Ecotrophelia Europe, que coloca frente a frente os projetos vencedores das competições nacionais, de mais de uma dezena de países europeus. O concurso internacional decorre a 18 e 19 de outubro na SIAL, em Paris, um dos principais palcos internacionais para a indústria agroalimentar, reconhecida pelo foco na inovação e por reunir produtores, distribuidores, importadores e exportadores de todo o mundo. Para reforçar a preparação para esta competição internacional, a equipa vencedora vai receber três apoios tendentes a melhorar o produto para a competição europeia:
As outras equipas podem também ser premiadas, uma vez que há outras distinções em competição:
No total, à 10ª edição do Prémio Ecotrophelia Portugal 2026, foram submetidas 21 candidaturas, que incluíram a participação de 80 alunos de 11 instituições de ensino distintas. Destas, foram selecionadas as oito equipas finalistas que vão estar em competição no próximo dia 3 de julho, sexta-feira. As categorias dos produtos incluem: recheios/cremes para barrar, bebidas, snacks e um molho.
Fonte: iAlimentar
A civilização contemporânea assemelha-se cada vez mais a um grande navio em viagem. Grande, sofisticado, veloz, cheio de tecnologia e aparentemente seguro. No entanto, a cada travessia, enquanto aumenta potência nos motores, o desgaste do casco deixa entrar lentamente a água pelos porões. No convés discutem-se economia, inteligência artificial, energia, rotas comerciais, defesa e disputas geopolíticas. Os motores trabalham sem descanso e a travessia continua por mares largos e estreitos. Entretanto, o casco já não parece ter a solidez de outros tempos.
Nos Estados Unidos, o líder americano de estilo político difícil de ignorar e até de acompanhar, ameaça, tranquiliza e volta a ameaçar. E, o mundo inteiro navega ao sabor dessas oscilações. Basta olhar para as ameaças de tarifas sobre produtos agroalimentares europeus ou para os recuos em políticas climáticas. A Europa observa, reage devagar e tenta encontrar equilíbrio entre prudência e falta de liderança. Entre exigências ambientais cada vez mais rigorosas e a entrada de produtos provenientes de mercados sujeitos a enquadramentos regulamentares distintos, acumulam-se constrangimentos e divergências por exemplo relativamente a OGM, pesticidas, novos ingredientes ou novos alimentos e suplementos alimentares. Por exemplo:a carne proveniente de mercados longínquos continua a suscitar preocupações relacionadas com rastreabilidade, utilização de hormonas de crescimento ou determinados tratamentos tecnológicos; os suplementos alimentares, sempre a suscitarem desconforto no que diz respeito à sua segurança; a soja, reconhecida como excelente fonte proteica, sustenta uma forte dependência externa. A Europa promove políticas ambientais exigentes, mas continua dependente da importação de alimentos produzidos a milhares de quilómetros de distância. E, no entanto, o navio segue.
Continuamos a viajem, a consumir e a produzir. As cadeias logísticas funcionam, os supermercados mantêm-se abastecidos e a tecnologia dá-nos uma ilusão permanente de controlo. A contaminação deixou de ser apenas um acidente isolado para integrar discretamente o quotidiano das sociedades modernas. Basta olhar para o noticiário para perceber que há infiltrações em todas as áreas da sociedade: na política, na finança e até no futebol. Lembremo-nos que os navios não afundam por causa de uma única vaga. Afundam quando pequenas infiltrações deixam de ser vistas como problema.
Também no ambiente os sinais se acumulam silenciosamente. Oceanos sujeitos a pressões crescentes, solos agrícolas exaustos, florestas vulneráveis e recursos naturais consumidos a um ritmo difícil de sustentar. Em certas regiões travam-se guerras onde a dimensão ecológica raramente passa de nota de rodapé. Continua-se a investir recursos na remediação ambiental, descontaminação de solos, tratamento de águas e monitorização alimentar. Mas persistimos em modelos de produção e consumo que alimentam o problema na origem. Como no navio, onde parte da tripulação tenta escoar a água enquanto outra continua a abrir novas fissuras no casco.
A indústria alimentar encontra-se inevitavelmente no centro desta viagem. Falar de contaminação é falar de segurança alimentar, confiança do consumidor e saúde pública. Embora alguns atributos dos alimentos sejam visíveis, muitos daqueles que o consumidor procura e valoriza não o são. O desafio deixou de ser apenas produzir mais; passou a ser garantir segurança num ambiente cada vez mais pressionado. Talvez o maior risco do nosso tempo não seja apenas a contaminação, mas a extraordinária capacidade coletiva de nos habituarmos a ela.
O Homem é um animal de hábitos, como nos ensinou Aristóteles na sua teoria sobre o comportamento e a normalidade. Os navios não afundam quando a água entra, mas quando a tripulação aceita a água nos porões como parte normal da viagem. Os consumidores dependem cada vez mais de indicadores de confiança para verificar a qualidade e segurança dos alimentos. Importa, por isso, manter confiança na ciência, na inteligência coletiva e na capacidade humana de corrigir trajetórias. Afinal, os navios não se constroem para permanecer no porto. Constroem-se para enfrentar o mar, mesmo quando o horizonte se torna menos nítido.
Fonte: TecnoAlimentar
As estratégias integradas que combinam tratamentos avançados de sementes, inovação em fertilizantes e práticas de gestão da saúde do solo estão a ganhar peso na resposta aos desafios de produtividade e sustentabilidade no setor mundial agrícola.
A conclusão consta do relatório Transforming Agricultural Productivity Through Integrated Seed, Fertiliser and Soil Health Strategies, da Frost & Sullivan, que analisa a evolução do mercado global de tratamentos de sementes e fertilizantes.
Segundo o relatório, este mercado deverá crescer de 7,98 mil milhões de dólares em 2025 para 11,52 mil milhões de dólares em 2032, num contexto em que os agricultores enfrentam maior pressão para melhorar a produtividade, responder aos impactos climáticos, lidar com a degradação dos solos e produzir com recursos mais limitados.
A Frost & Sullivan aponta que, perante a perda de fertilidade dos solos, padrões meteorológicos mais imprevisíveis e a necessidade de produzir mais alimentos com menos recursos, os métodos tradicionais baseados no aumento da utilização de fatores de produção estão a tornar-se menos eficazes.
Neste contexto, os agricultores estão a adotar estratégias orientadas para reforçar a resiliência do solo, melhorar a eficiência no uso de nutrientes e promover o vigor das culturas desde as fases iniciais de desenvolvimento.
Esta mudança está a impulsionar o investimento em revestimentos avançados de sementes, tratamentos biológicos, fertilizantes de libertação controlada, tecnologias de estabilização de nutrientes e práticas regenerativas de gestão do solo.
“A agricultura enfrenta atualmente enormes desafios”, afirmou Brian Balmer, responsável pela área de Chemicals, Materials & Nutrition da Frost & Sullivan. E continua: “mas existem soluções que podem ajudar a aliviar esses desafios e, ao mesmo tempo, apontar para um futuro mais sustentável para a agricultura”.
O relatório identifica também diferenças regionais nas estratégias de utilização de fatores de produção agrícolas. A América do Norte, a América do Sul e a Europa lideram atualmente a adoção de tecnologias avançadas de agricultura de precisão e gestão de fatores de produção.
Já os principais mercados agrícolas da Ásia apresentam, segundo a análise, oportunidades de crescimento para soluções centradas na eficiência e na saúde do solo.
Fonte: Vida Rural
O Governo determinou que os viticultores passam a estar obrigados a apresentar uma declaração de colheitas até 31 de outubro de cada ano, cerca de um mês antes do que estava anteriormente estipulado, foi anunciado.
A declaração “deve ser apresentada até 31 de outubro de cada ano”, lê-se numa portaria assinada pelo ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, publicada em Diário da República.
No diploma, o Governo indicou que o prazo de entrega, inicialmente, terminava em 15 de novembro de cada ano, tendo sido, posteriormente, alterado para o dia 30 do mesmo mês por conveniência administrativa.
Contudo, justificou um novo ajustamento com a “atual situação do setor vitivinícola”, de modo a assegurar a conformidade dos registos obrigatórios, prevenir eventuais manipulações e reforçar a competitividade.
Ainda assim, ressalvou, que em casos excecionais poderá haver uma prorrogação.
Os viticultores associados a uma ou mais adegas ou agrupamentos e que lhe tenham entregado a totalidade da sua produção de uvas ou de mosto, “tendo reservado o direito de obter por vinificação uma quantidade inferior a 1.000 litros para consumo do agregado familiar”, ficam isentos de apresentar a declaração, “desde que a adega ou agrupamento em causa esteja obrigado a fazê-lo”.
A declaração deve ser submetida através do Sistema de Informação da Vinha e do Vinho (SIVV).
A portaria em causa entrou em vigor na quarta-feira.
Fonte: Agroportal
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