O Parlamento Europeu aprovou, através da Comissão da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, uma posição para atualizar as regras da União Europeia aplicáveis à produção, rotulagem, certificação e comércio de produtos biológicos. Segundo o Parlamento Europeu, as medidas visam proteger os produtores europeus da concorrência externa considerada desleal, reforçar a confiança dos consumidores e simplificar algumas exigências para os pequenos operadores.
Entre as principais alterações propostas está o reforço das regras aplicáveis aos produtos importados de países terceiros. De acordo com o texto aprovado, o logótipo europeu da produção biológica só poderá ser utilizado na rotulagem, apresentação e publicidade de produtos importados se estes cumprirem normas equivalentes às da União Europeia e respeitarem requisitos adicionais específicos de produção e controlo.
O Parlamento Europeu propõe igualmente que o logótipo possa ser utilizado em produtos transformados na União Europeia que contenham ingredientes biológicos importados de países terceiros reconhecidos como equivalentes, desde que esses ingredientes não representem mais de 5% dos componentes agrícolas do produto. O objetivo é aumentar a confiança dos consumidores e garantir condições de concorrência mais equitativas entre operadores europeus e não europeus.
Limiares mais elevados para pequenos operadores
A proposta prevê ainda alterações destinadas aos pequenos operadores que vendem diretamente aos consumidores produtos biológicos não embalados. Atualmente, estes podem beneficiar de uma isenção da obrigação de certificação, desde que cumpram determinados critérios relacionados com o volume de negócios, o volume de vendas e os custos da certificação.
Face ao aumento dos preços, que levou alguns produtores a ultrapassar os limites atualmente em vigor, a comissão parlamentar propõe elevar o limite anual de volume de negócios de 20 mil para 25 mil euros e o volume anual de vendas de cinco mil para dez mil quilogramas, alargando assim o acesso a esta isenção.
As regras relativas às instalações destinadas à criação de aves de capoeira para engorda e ao acesso dos animais ao ar livre durante o dia também deverão ser revistas, com o objetivo de reduzir os custos administrativos e logísticos.
Segundo o Parlamento Europeu, o relatório agora aprovado constitui o mandato negocial da instituição para as negociações com o Conselho da União Europeia.
Os colegisladores europeus pretendem alcançar um acordo até ao final de 2026, uma vez que as atuais regras aplicáveis às importações de produtos biológicos expiram em 31 de dezembro de 2026.
A revisão da legislação surge na sequência de um acórdão do Tribunal de Justiça da União Europeia, de 4 de outubro de 2024, que determinou que os produtos importados reconhecidos ao abrigo de regimes de equivalência não podem utilizar o logótipo europeu da produção biológica. Segundo o Parlamento Europeu, as alterações propostas pretendem clarificar a informação disponibilizada aos consumidores e evitar perturbações no comércio.
Fonte: iAlimentar
A Comissão Europeia adotou novas regras para simplificar a política de promoção agroalimentar da União Europeia (UE), reduzindo requisitos administrativos e financeiros para beneficiários e Estados-Membros.
De acordo com a comunicação, as alterações têm como objetivo facilitar a implementação dos programas de promoção e apoiar as organizações que solicitam financiamento europeu para promover produtos agroalimentares da UE.
Segundo a Comissão, a revisão resulta da experiência acumulada ao longo de dez anos na gestão destes programas e de uma consulta alargada às partes interessadas e aos Estados-Membros.
Entre as principais alterações está o alargamento do prazo para concluir contratos, que passa de 90 para 180 dias. A medida pretende dar mais tempo aos Estados-Membros e aos beneficiários para finalizarem os procedimentos necessários.
A taxa máxima de pré-financiamento aumenta também para 30%, permitindo maior financiamento inicial para a execução dos programas. Segundo a Comissão Europeia, esta alteração deverá beneficiar em particular os beneficiários de menor dimensão.
As novas regras reduzem ainda as obrigações de comunicação à Comissão Europeia sobre o impacto dos programas simples, que passam a estar limitadas a uma única notificação final.
O regulamento entra em vigor no sétimo dia seguinte à sua publicação no Jornal Oficial da UE. As novas regras serão aplicáveis a partir dessa data, mas não se aplicarão aos contratos de execução de programas simples celebrados antes de 1 de dezembro de 2026, para não alterar práticas em curso.
A Comissão refere que, tal como em anos anteriores, o orçamento para o programa de promoção agroalimentar de 2027 ainda não está finalizado. A dotação continua sujeita a ajustamentos no âmbito da revisão do Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027, estando a confirmação do orçamento final para o Programa de Trabalho Anual de 2027 prevista para outubro de 2026.
Para Bruxelas, a existência de recursos financeiros adequados é essencial para garantir que os programas de promoção continuam a apoiar o setor agroalimentar da UE a longo prazo.
Fonte: Vida Rural
As exportações da indústria alimentar e das bebidas portuguesa totalizaram 3.307 milhões de euros nos primeiros cinco meses de 2026, um crescimento de 3,33% face ao período homólogo do ano anterior, segundo os mais recentes dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
O crescimento do sector foi impulsionado sobretudo pelos mercados extracomunitários, onde as exportações aumentaram 5,92% entre janeiro e maio. Entre os destinos que mais contribuíram para este desempenho destacam-se Cabo Verde (+19,64%), Brasil (+15,93%), Angola (+11,62%) e Japão (+10,68%).
Em sentido inverso, os Estados Unidos da América registaram uma quebra de 9,64% nas importações de produtos alimentares e bebidas portugueses, refletindo um contexto internacional mais exigente para as empresas exportadoras.
No mercado comunitário, as exportações atingiram 2.260 milhões de euros, o que representa um crescimento de 2,17% face aos primeiros cinco meses de 2025.
Entre os mercados da União Europeia, Itália (+20,64%) e os Países Baixos (+19,94%) destacaram-se pelo maior dinamismo. Já a Polónia (-10,66%) e a Bélgica (-5,10%) registaram uma redução das importações de produtos portugueses.
Para o presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA), Jorge Tomás Henriques, estes resultados demonstram a capacidade das empresas do sector para competir nos mercados internacionais, mesmo num contexto económico e geopolítico particularmente desafiante.
“O crescimento das exportações demonstra a qualidade, a capacidade de inovação e a resiliência da indústria alimentar e das bebidas portuguesa, que continua a afirmar-se nos mercados internacionais. É particularmente positivo verificar o dinamismo dos mercados extracomunitários, uma evolução que confirma a importância de diversificar os mercados de destino e reduzir a dependência dos mercados tradicionais“.
O responsável alerta, no entanto, para a necessidade de criar condições que permitam consolidar esta trajetória de crescimento.
“Num contexto marcado por tensões geopolíticas, pressões inflacionistas e crescente concorrência internacional, é essencial reforçar os instrumentos de apoio à internacionalização, promover a competitividade das empresas e assegurar um enquadramento regulatório que favoreça o investimento e a criação de valor. O crescimento das exportações não pode ser dado como adquirido. Só através de uma atuação concertada entre empresas, associações, centros de conhecimento e decisores públicos será possível construir uma indústria agroalimentar mais forte, mais inovadora, mais sustentável e mais competitiva“, sublinha Jorge Henriques.
Para a FIPA, a evolução registada entre janeiro e maio confirma o papel estratégico da indústria alimentar e das bebidas na economia nacional, enquanto motor de criação de riqueza, emprego qualificado e valorização da marca Portugal nos mercados internacionais.
Fonte: Grande Consumo
A garrafa de vinho “260G”, desenvolvida em Portugal, foi distinguida com dois prestigiados prémios internacionais Red Hot, nas categorias de Design de Embalagem (Packaging Design) e Design Sustentável (Best Sustainable Design). O anúncio foi feito a 7 de julho na Alemanha.
O projeto nasceu de uma parceria entre um fabricante de vidro e o LiDA (Laboratório de Design e Artes do Politécnico de Leiria). O desenvolvimento da embalagem foi realizado ao abrigo da Agenda Mobilizadora Embalagem do Futuro®, uma iniciativa financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pelos fundos europeus NextGenerationEU.
Menos peso e maior eficiência logística
A garrafa de 75 centilitros (cl), apresentada na Expo Osaka 2025 como “provavelmente a garrafa de vinho mais leve do mundo”, pesa apenas 260 gramas. Este valor representa uma redução de cerca de 30% do peso em comparação com os modelos convencionais do mercado, mantendo a resistência e o desempenho industrial necessários.
O novo design foca-se em ganhos ecológicos e logísticos. A composição integra até 80% de vidro reciclado na sua produção e a pegada de carbono apresenta menos 20% de área de superfície. Por fim, o transporte permite o acondicionamento de mais de 115 garrafas por palete, o que se traduz num aumento de cerca de 7% na eficiência logística e na consequente redução de emissões associadas ao transporte.
Sinergia entre indústria e academia
Em comunicado, Aitor Peña, o diretor de Marketing da vempresa vidreira, sublinhou que o duplo galardão valida uma solução que alia sustentabilidade à eficiência, sem descurar as qualidades estéticas e da segurança do vidro. Por sua vez, o diretor do LiDA, Renato Bispo, destacou o papel da “colaboração de longo prazo entre a academia, a indústria e a sociedade” como motor fundamental para a transição em direção à economia circular.
Os prémios Red Dot, instituídos em 1955, avaliam anualmente milhares de candidaturas globais com base em critérios de inovação, funcionalidade, durabilidade e sustentabilidade, figurando entre os mais altos reconhecimentos do design mundial.
Fonte: TecnoAlimentar
A soja geneticamente modificada (GM) continua a evoluir para responder a alguns dos principais desafios enfrentados pelos agricultores, como o aumento da pressão de pragas e o desenvolvimento de resistências aos métodos de controlo existentes.
Um estudo recentemente publicado na revista científica Pest Management Science demonstrou que uma nova variedade de soja, denominada MON 94637, apresenta uma elevada eficácia contra algumas das principais lagartas que ameaçam a produção de soja no Brasil.
A novidade desta tecnologia está na combinação de cinco proteínas Bt na mesma planta. As proteínas Bt têm origem numa bactéria do solo, Bacillus thuringiensis, e são utilizadas há décadas na agricultura biotecnológica devido à sua capacidade de proteger determinadas culturas contra insetos específicos.
Proteção eficaz contra várias pragas
No estudo, os investigadores avaliaram o desempenho da soja MON 94637, que produz as proteínas Bt Cry1A.2 e Cry1B.2, juntamente com outras três proteínas Bt.
Em ensaios realizados em laboratório, as folhas desta soja provocaram a morte de 100% das larvas recém-nascidas de várias pragas importantes da cultura, entre as quais a lagarta mede-palmo da soja (soybean looper), a lagarta da soja (velvetbean caterpillar) e a lagarta-do-cartucho (southern armyworm).
A eficácia da tecnologia manteve-se em diferentes fases de desenvolvimento das plantas e também contra populações de insetos que já tinham desenvolvido resistência à proteína Bt Cry1Ac, uma tecnologia anteriormente utilizada no controlo destas pragas.
Resultados confirmados no campo
Além dos ensaios laboratoriais, os investigadores realizaram testes em diferentes regiões produtoras do Brasil. Os resultados mostraram que a soja com cinco proteínas Bt apresentou menores níveis de infestação e menos danos nas folhas quando comparada com variedades convencionais sem esta proteção.
Segundo os autores do estudo, esta é a primeira soja desenvolvida com uma combinação de cinco proteínas Bt, uma estratégia que poderá contribuir para uma proteção mais duradoura das culturas.
A utilização de diferentes proteínas com modos de ação distintos pode ajudar a atrasar o aparecimento de resistências nos insetos, um dos principais desafios da agricultura moderna.
Fonte: CiB
Após várias décadas de declínio, a raiva tem vindo a ressurgir em vários países da Europa Central desde 2021. Na União Europeia, o número de casos em animais selvagens e domésticos aumentou na Polónia, na Roménia, na Hungria e na Eslováquia. Trabalhos de investigação coordenados pela ANSES revelaram que circulam atualmente na UE dois grupos do vírus da raiva, incluindo um que surgiu apenas recentemente. Na qualidade de Laboratório de Referência da União Europeia, a ANSES está a ajudar os países afetados a acompanhar a propagação desta doença.
O primeiro ressurgimento de casos de raiva na UE ocorreu na Polónia em 2021. Até então, tinham sido notificados menos de 10 animais infetados por ano, mas em 2021 o número subiu para 113, incluindo 103 em animais selvagens — principalmente raposas — e 10 em animais domésticos.
Um segundo aumento significativo no número de casos de raiva afetou a Roménia, a Hungria e a Eslováquia em 2022, embora a Hungria e a Eslováquia não tivessem detetado quaisquer casos durante vários anos. Desde então, o vírus tem continuado a circular, tendo sido registadas várias dezenas de casos em alguns anos e chegando a ser identificados 109 casos só na Roménia em 2025.
Rastreio das origens das estirpes do vírus da raiva
O Laboratório de Nancy para a Raiva e a Vida Selvagem (LRFSN) da ANSES é o Laboratório de Referência da União Europeia (EURL) para a raiva. Graças à partilha de sequências virais e amostras entre os países afetados, foram realizadas análises genéticas detalhadas em toda a União Europeia.
Para além das amostras provenientes dos quatro países da UE afetados, a Agência recebeu também amostras da Ucrânia e da Moldávia. Ao reunir estes dados, os cientistas conseguiram acompanhar a circulação das estirpes do vírus. Este trabalho conduziu à deteção da variante do vírus da raiva do grupo C na Polónia e na Roménia em 2024. Esta variante do vírus da raiva, que não era detetada na UE há cerca de uma década, é normalmente encontrada no sul da Rússia, perto do Cazaquistão, e no leste da Turquia.
A saúde animal afetada pelo contexto geopolítico
A maioria dos casos de raiva detetados na UE situou-se, em média, num raio de 50 quilómetros das fronteiras com a Ucrânia e a Moldávia. «O ressurgimento da raiva na Europa ilustra o impacto dos conflitos armados na saúde e na vida selvagem», afirma Emmanuelle Robardet, diretora do EURL. «O vírus já circulava na Ucrânia antes da guerra, mas sabemos que o número de casos aumentou desde então. É provável que os esforços para monitorizar e controlar a doença tenham sido gravemente perturbados.
É também possível que a fauna selvagem tenha sido afetada pelo conflito, através da destruição de habitats e fontes de alimento, o que pode obrigar os animais a deslocarem-se para novas áreas e a propagarem o vírus consigo.
A vacinação das raposas é o meio de prevenção mais eficaz
A propagação do vírus parece agora estar sob controlo na Polónia, na Hungria e na Eslováquia, graças à vacinação das raposas vermelhas.
A Roménia, no entanto, suspendeu o seu programa de vacinação. «O vírus da raiva transmite-se principalmente através de mordidas e circula sobretudo entre a fauna selvagem, mas pode infetar qualquer mamífero, incluindo os seres humanos», explica Evelyne Picard-Meyer, gestora de projetos na área da virologia molecular do LRFSN. «Sem programas de vacinação, é provável que o vírus da raiva continue a propagar-se entre as raposas-vermelhas, aumentando o risco de infeção nos seres humanos».
Qualquer pessoa exposta a um animal infetado deve vacinar-se o mais rapidamente possível, uma vez que, nos seres humanos, a morte é inevitável assim que surgem os primeiros sinais clínicos.
Em 2025, um homem morreu de raiva na Roménia após ter sido mordido por um cão vadio. Esta foi a primeira morte humana por raiva transmitida por um animal terrestre na UE desde 2012.
Fonte: ANSES
O MORE CoLAB lidera a modelação e o dimensionamento do reator piloto do projeto BioHyCarb — Produção de Hidrogénio e Materiais de Carbono a partir de Fontes Sustentáveis, financiado pelo Portugal 2030, que vai converter um subproduto da indústria do carvão vegetal em hidrogénio renovável e em materiais de carbono avançados, através de processos inovadores, sustentáveis e alinhados com os objetivos de descarbonização industrial.
O consórcio reúne ainda a BGW – Bio Green Woods, o Instituto Politécnico de Bragança, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e o MORE CoLAB, que assume ainda responsabilidades na gestão do conhecimento produzido ao longo do projeto, assegurando a comunicação entre os parceiros e promovendo a disseminação dos resultados junto das comunidades de montanha e das pequenas e médias empresas da região.
A oportunidade nasce de um recurso hoje desperdiçado. A produção de carvão vegetal na BGW liberta um gás de síntese rico em biometano, usado sobretudo para gerar calor no próprio processo industrial. Através de uma estratégia de economia circular, o BioHyCarb vai desviar parte desse gás para dois produtos de maior valor: hidrogénio de elevada pureza, destinado a células de combustível, e nanotubos de carbono funcionalizados, com potencial para aplicações ambientais, como a remoção de contaminantes emergentes da água.
“O BioHyCarb reflete a aposta da BTL na transformação do conhecimento científico em soluções industriais concretas”, afirma Susana Ribeiro, responsável de I&D&I da BTL – Indústrias Metalúrgicas. “Através de novos equipamentos e processos, pretendemos valorizar correntes gasosas hoje desperdiçadas, reduzindo emissões e tornando a indústria mais eficiente e circular.” Segundo Susana Ribeiro, as tecnologias desenvolvidas no projeto poderão replicar-se noutros setores, “nomeadamente em centrais de biomassa e unidades de digestão anaeróbia que geram correntes de biometano ainda pouco exploradas.”
“O BioHyCarb é uma oportunidade para concretizar a visão da BGW de valorizar de forma integral os recursos naturais”, diz Gustavo Sousa, diretor de Tecnologia & Inovação da BGW – Bio Green Woods. “Ao transformar uma corrente gasosa hoje sub-aproveitada num recurso estratégico para produzir hidrogénio renovável e materiais de carbono, o projeto reforça o compromisso da empresa com a economia circular e com soluções de baixo carbono.” Gustavo Sousa sublinha ainda que “a integração destas tecnologias no processo industrial vai reduzir emissões, aumentar a eficiência no uso da biomassa e criar novas cadeias de valor associadas à transição energética.”
No final do projeto, os parceiros esperam entregar um processo validado à escala piloto para a produção simultânea de hidrogénio e materiais de carbono a partir de fontes sustentáveis.
Fonte: Agroportal
A notificação RASFF 2026.6245, emitida por Portugal em 14 de julho de 2026, reporta a deteção de Salmonella Typhimurium em carne de peru, constituindo um incumprimento dos critérios microbiológicos aplicáveis à segurança alimentar. A presença de Salmonella em géneros alimentícios de origem animal representa um risco direto para a saúde pública, dada a sua associação a surtos de toxi-infeção alimentar.
Agente microbiológico: Salmonella enterica subsp. enterica serovar Typhimurium
Produto afetado: carne de peru
Critério legal aplicável: ausência de Salmonella em 25 g de produto (Regulamento (CE) n.º 2073/2005)
Resultado analítico: presença confirmada do agente patogénico (informação inferida a partir da natureza da notificação; casos semelhantes indicam deteção em 25 g)
País de origem: Portugal
Tipo de notificação: alerta de risco microbiológico
Data: 14/07/2026
Sistema: Rapid Alert System for Food and Feed (RASFF)
A notificação foi desencadeada após controlos oficiais, em conformidade com o artigo 19.º do Regulamento (CE) n.º 178/2002, que obriga os operadores a retirar/recolher produtos não seguros e a comunicar às autoridades competentes.
A presença de Salmonella Typhimurium em carne de peru representa um risco elevado, atendendo à sua capacidade de causar:
gastroenterite aguda;
febre;
dor abdominal;
vómitos e desidratação;
possibilidade de infeção sistémica em grupos vulneráveis.
Com base no enquadramento legal e nas práticas de gestão de risco:
Retirada/recolha imediata dos lotes afetados do mercado;
Comunicação obrigatória à DGAV ou ASAE, conforme Esclarecimento Técnico n.º 6/DGAV/2026;
Rastreabilidade ascendente e descendente para identificar origem e destino dos produtos;
Informação aos operadores destinatários e, se aplicável, aos consumidores;
Reforço dos controlos oficiais na unidade de produção/processamento.
A deteção de Salmonella implica:
incumprimento dos critérios de segurança microbiológica (Reg. 2073/2005);
classificação do género alimentício como não seguro (Reg. 178/2002);
obrigatoriedade de retirada/recolha e comunicação às autoridades competentes;
possível necessidade de ações corretivas ao nível do operador (BPF, HACCP, higienização, controlo de fornecedores).
A notificação RASFF 2026.6245 confirma um risco microbiológico relevante em carne de peru produzida em Portugal, exigindo medidas imediatas de gestão de risco e comunicação interinstitucional. O alerta reforça a importância dos controlos oficiais e da conformidade com os critérios microbiológicos da UE.
Fonte: Qualfood
Cientistas da Universidade do Porto modificaram o comportamento molecular de um cereal africano, criando uma solução agrícola altamente nutritiva que resiste a secas extremas.
Nos laboratórios do norte de Portugal está a ser desenvolvida uma resposta revolucionária para travar um dos maiores problemas da humanidade. Uma equipa internacional coordenada pelo Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-BIOPOLIS) da Universidade do Porto, alterou a programação interna do sorgo, um cereal que serve de base alimentar para milhões de pessoas nas regiões mais áridas do planeta.
O sucesso desta investigação tem um impacto maior num momento em que o aquecimento global impulsiona o avanço da desertificação em vários continentes. As alterações climáticas têm castigado as populações mais vulneráveis com secas prolongadas, destruindo colheitas tradicionais e empobrecendo a qualidade dos alimentos disponíveis.
O sorgo destaca-se justamente pela sua capacidade natural de sobreviver em solos fustigados pelo calor, tornando-se o alvo ideal para intervenções de biofortificação que visem salvar vidas em regiões de stress climático extremo.
Um interruptor molecular permanentemente ativo
A equipa liderada pela investigadora Ana Assunção focou os seus esforços num gene específico da planta que regula a captação de nutrientes no solo. Em colaboração com o Carlsberg Research Laboratory, da Dinamarca, os cientistas utilizaram uma tecnologia avançada de identificação molecular para isolar uma variante genética rara. Esta modificação altera o comportamento de um sensor interno responsável por gerir as reservas de minerais do vegetal.
Na sua forma natural, o organismo da planta interrompe a absorção de nutrientes assim que atinge um patamar básico. Com a nova abordagem científica, esse interruptor biológico permanece ligado de forma contínua, fazendo com que a raiz atue como se estivesse sob uma escassez constante.
O efeito prático é um bombeamento massivo de zinco para os grãos, que passam a registar valores entre 50 e 60 miligramas por quilograma de peso seco, superando as metas de nutrição fixadas pelas agências internacionais.
Uma solução limpa e aplicável a outros alimentos
Uma das vitórias mais celebradas pela comunidade científica prende-se com a saúde do próprio vegetal. O melhoramento genético focado no valor nutricional acaba, muitas vezes, por enfraquecer o crescimento da planta ou reduzir a quantidade de sementes produzidas. Neste ensaio, porém, o aumento de micronutrientes ocorreu sem qualquer impacto negativo no desenvolvimento agronómico, mantendo a planta robusta e pronta para enfrentar o ambiente hostil do campo.
Os benefícios desta descoberta estendem-se muito além das fronteiras do cultivo do sorgo. Esta é a primeira vez que a ciência consegue modular com sucesso este tipo de sensor molecular numa cultura agrícola real.
O sucesso do método valida um conceito que os investigadores já começaram a testar noutras espécies de grande relevância para a alimentação humana, antecipando uma nova geração de supercereais mais ricos e menos dependentes de fertilizantes químicos.
Sustentabilidade para os solos do futuro
Os novos grãos representam um avanço profundo na gestão sustentável dos recursos agrícolas mundiais. Ao potenciar a eficácia com que as raízes extraem os minerais já presentes na terra, a tecnologia permite valorizar terrenos agrícolas empobrecidos sem sobrecarregar os produtores locais com custos adicionais.
A transição da investigação laboratorial para o impacto real demonstra o papel pioneiro da ciência portuguesa na geopolítica da segurança alimentar. Ao desenvolver ferramentas capazes de enriquecer a dieta de comunidades isoladas, a Universidade do Porto coloca a biologia molecular na linha da frente da adaptação humana às exigências ecológicas que marcam o nosso tempo.
Fonte: tempo.pt
A área de vinha certificada para produção de vinhos DOP e IGP nos Açores passou de cerca de 216 hectares, em 2016, para mais de 1.200 hectares em 2026, segundo dados do Instituto da Vinha e do Vinho dos Açores.
Segundo os dados mais recentes do instituto, referentes a julho de 2026, o setor conta atualmente com 104 marcas comerciais e 192 referências comerciais, os valores mais elevados de sempre. Estão também registados 35 agentes económicos certificados, distribuídos por cinco ilhas da região.
Ao nível da certificação, em cinco provas realizadas durante este ano foram submetidos 125 vinhos candidatos, correspondentes a cerca de 471 mil litros. Deste volume, aproximadamente 432 mil litros obtiveram certificação.
O secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, afirmou que “o setor vitivinícola dos Açores continua a afirmar-se como uma das fileiras agroalimentares com maior dinamismo na Região, evidenciando um crescimento sustentado, alicerçado na valorização da produção, na qualificação técnica dos agentes económicos e no investimento em inovação e investigação”.
O crescimento da fileira tem sido acompanhado pelo reforço da atividade do Laboratório Regional de Enologia.
O Laboratório Regional de Enologia mantém também atividade na área da investigação aplicada. No âmbito de uma parceria com o Centro de Biotecnologia dos Açores, dedicada ao melhoramento fitossanitário das castas tradicionais Verdelho, Terrantez do Pico e Arinto dos Açores, encontram-se disponíveis cerca de 3.700 plantas certificadas. Estas plantas serão entregues ao Instituto da Vinha e do Vinho dos Açores para posterior distribuição pelos vitivinicultores.
Está ainda prevista uma nova linha de investigação dedicada à certificação de porta-enxertos das castas tradicionais açorianas, com o objetivo de reforçar a sustentabilidade e a competitividade da vitivinicultura regional.
Para António Ventura, “o Laboratório Regional de Enologia constitui hoje uma infraestrutura científica de referência para o desenvolvimento da vitivinicultura açoriana”.
“O aumento significativo da sua atividade demonstra a confiança dos produtores e a importância que este serviço público assume na garantia da qualidade, da segurança e da valorização dos vinhos dos Açores”, acrescentou.
Fonte: Vida Rural
Subscreva a Base de dados Qualfood Negócios!