A sustentabilidade está a consolidar-se como pilar central da indústria global do pescado. De acordo com o Relatório Anual de Peixe Branco Sustentável 2025, mais de 75% da captura mundial de peixe branco provém agora de pescarias com certificação Marine Stewardship Council (MSC) — um marco que reflete duas décadas de compromisso com práticas responsáveis e de longo prazo.
O relatório destaca a evolução positiva de várias pescarias históricas, como o escamudo-do-Alasca, a pescada da África do Sul e o granadeiro-de-cauda-azul da Nova Zelândia, que celebram entre 20 e 25 anos de certificação. Entre as novas conquistas surge o peixe-relógio da Austrália, que obteve a certificação após mais de uma década de esforços conjuntos entre pescadores, cientistas e autoridades.
Segundo o MSC, esta consolidação demonstra que é possível combinar crescimento económico e conservação dos oceanos. Atualmente, mais de 60 espécies de peixe branco exibem o Selo Azul do MSC, abrangendo desde o popular bacalhau e escamudo até espécies menos conhecidas como o lucioperca ou o peixe-carvão-do-Pacífico. Em conjunto, o peixe branco representa quase metade de todo o pescado certificado pelo programa MSC.
Em Portugal, país com o maior consumo de peixe per capita da Europa (56,5 kg), o peixe branco certificado está a ganhar espaço. Entre abril de 2024 e março de 2025, foram comercializadas 14.500 toneladas de peixe branco com o Selo Azul MSC, distribuídas por 55 marcas. Os produtos congelados representam 90% das vendas, mas começam a destacar-se novas categorias, como peixe seco salgado, surimi e produtos para animais — um segmento em rápido crescimento.
Para Nicolas Guichoux, chief program officer do MSC, o peixe branco é “uma das melhores histórias de sucesso da sustentabilidade”. O responsável destaca que muitas pescarias “mantiveram a certificação durante décadas, melhorando continuamente as suas práticas e demonstrando o valor económico de operar de forma responsável”.
Fonte:Grande Consumo
Um surto de Salmonella que durou vários anos deixou mais de 400 pessoas doentes em 17 países.
O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) afirma que houve 437 infecções confirmadas por Salmonella Strathcona entre janeiro de 2023 e setembro de 2025.
Mais de 100 pessoas adoeceram em Itália e na Alemanha, enquanto a Áustria registrou 76 casos, o Reino Unido, 73, e a França, 43. Dez casos foram relatados no Canadá e 24 nos Estados Unidos. Para os pacientes americanos, informações de viagem estavam disponíveis para seis deles em 2024. Cinco visitaram Itália e um foi para a Polónia antes do início da doença. Sete dos casos canadenses estiveram na Europa antes de adoecer.
Um estudo recente da Eurosurveillance estimou o número de pessoas doentes, entre 2011 e 2024, em 643.
Suspeita em tomates
Em 2025, 14 países tiveram 93 casos confirmados em idades entre menos de 1 e 99 anos. Embora tenham sido relatados ao longo do ano, a maioria ocorreu entre junho e setembro.
Em setembro de 2025, a Comissão Europeia solicitou ao ECDC e à Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) que atualizassem a avaliação rápida do surto publicada em 2024, a fim de desencadear novas investigações de saúde pública e segurança alimentar. De janeiro de 2023 a 2024, foram notificados 232 casos confirmados.
Investigações têm consistentemente apontado os tomates como a provável fonte. Um trabalho recente na Áustria identificou pequenos tomates da Sicília, Itália, como a fonte da infeção, o que é consistente com os dados de surtos na Itália em 2024 e na Áustria em 2023. Esta cepa de Salmonella Strathcona é detectada na Europa há mais de uma década, com o primeiro surto na Dinamarca em 2011, também associado a tomates da Sicília.
Esforços italianos
Salmonella Strathcona foi detectada numa amostra de água de irrigação coletada num produtor de tomate na Sicília, confirmando o papel do meio ambiente na contaminação do tomate.
De setembro a dezembro de 2024, 122 amostras foram recolhidas do mercado italiano. Uma amostra de tomates-cereja, originários da Sicília, apresentou resultado positivo para Salmonella Infantis. Isso conduziu a novas investigações e a análise de rastreabilidade identificou um produtor italiano, que foi inspecionado. Amostragens oficiais realizadas neste produtor primário em novembro de 2024 levaram à deteção, em janeiro de 2025, de Salmonella Strathcona numa amostra de água de irrigação coletada de um poço.
As autoridades nacionais realizaram uma auditoria na Sicília em novembro de 2024 para avaliar a eficácia dos controlos oficiais regionais e locais na produção e venda de alimentos de origem não animal, especialmente tomates-cereja.
Os principais problemas encontrados foram escassez de pessoal, falta de inspeções sistemáticas e planos de gestão para água de irrigação e inconsistências na documentação e procedimentos de controlo, comprometendo a eficácia dos controlos oficiais e a conformidade com a regulamentação da UE.
A agência local de alimentos na Sicília realizou controlos oficiais nas instalações dos produtores de tomate ligados ao surto na Toscana e na Úmbria, mas os testes não revelaram Salmonella.
Outros tipos de Salmonella foram detectados em amostras de água e numa amostra de substrato usada para cultivo de tomate em diferentes produtores durante verificações em novembro de 2024.
Fonte: Food Safety News
O Portal Qualfood informa que foi emitido um alerta pelo Sistema de Alerta Rápido para Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais (RASFF), referente à deteção de toxinas diarreicas (DST) em amêijoas provenientes de zonas de produção em Portugal.
Este alerta classifica-se como grave, uma vez que o produto já se encontrava no mercado e representa um risco direto para a saúde pública.
Detalhes da Notificação
Impacto das Toxinas DST
As toxinas DST são produzidas por microalgas e acumulam-se em moluscos bivalves. O seu consumo pode provocar intoxicação alimentar com sintomas como:
A legislação europeia estabelece limites máximos para estas toxinas, sendo obrigatória a retirada do mercado de produtos que os excedam.
Medidas Adotadas
Recomendação às empresas do setor
Fonte: Qualfood
O Dia Mundial das Massas celebra-se anualmente a 25 de outubro.
A ideia da data surgiu em 1995 num congresso mundial sobre massa, sendo a data instituída em 1998 pela International Pasta Organization (IPO).
O dia comemora a importância da massa para a alimentação, que além de ser económica e fácil de cozinhar, também é saudável e equilibrada. A data também relembra o contributo da massa para o desporto e para a saúde das pessoas, no geral.
A massa é um alimento feito a partir de uma pasta de pão sem fermento que pode ser moldado em mais de 600 formas, sendo o nome das massas geralmente um descritivo das suas formas. As primeira referências à massa remontam a 1154, na Sicília, em Itália, um país bem conhecido por essa iguaria.
Portugal é um dos 20 maiores consumidores de massa mundiais, com 6,6 kg per capita anuais.
Investigadores identificaram um gene no trigo que poderá aumentar drasticamente a produção mundial, ao permitir que cada flor produza até três grãos em vez de apenas um.
Uma equipa de cientistas da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, descobriu um gene que poderá revolucionar a agricultura e reforçar a segurança alimentar global. O gene, denominado WUSCHEL-D1 (WUS-D1), foi identificado como o responsável por uma rara variedade de trigo capaz de desenvolver três ovários por flor, em vez do habitual ovário único. Como cada ovário pode dar origem a um grão, a ativação deste gene pode triplicar o rendimento por planta.
A descoberta surgiu a partir do estudo de uma mutação espontânea do trigo comum, em que os investigadores observaram que o gene WUS-D1, normalmente inativo, se encontrava “ligado” nas fases iniciais do desenvolvimento da flor. Essa ativação precoce provoca o aumento dos tecidos florais, permitindo a formação de estruturas femininas adicionais.
Segundo o investigador associado Vijay Tiwari, coautor do estudo, “identificar a base genética deste traço abre caminho para que os melhoradores incorporem esta característica em novas variedades de trigo, aumentando o número de grãos por espiga e, consequentemente, a produção total”.
Os especialistas acreditam que dominar este mecanismo genético permitirá criar variedades de trigo com maior produtividade sem necessidade de mais terra, água ou fertilizantes, respondendo assim a um dos maiores desafios da agricultura moderna. Além disso, os cientistas admitem que o mesmo princípio poderá vir a ser aplicado a outras culturas cerealeiras essenciais, abrindo novas perspetivas para a produção alimentar global.
Mais informações sobre o estudo podem ser consultadas no site da Universidade de Maryland.
Leia o estudo no site da Universidade de Maryland.
Fonte: Centro de Informação de Biotecnologia
A FoodTech continua a impulsionar um novo modelo alimentar e fá-lo com protagonistas diferentes dos de há apenas alguns meses. A nova edição do Mapa de Cenários de Oportunidades FoodTech da CNTA, financiado pelo Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação (MAPA) espanhol, identificou 31 cenários de oportunidade no período de maio a agosto de 2025, onde a inteligência artificial, a tendência 'clean label' e o boom da 'agritech' se consolidam como alavancas na inovação agroalimentar.
O Mapa, disponível gratuitamente no site da CNTA, funciona como um radar do setor alimentar: mede o que se fala, quanto, com que grau de maturidade tecnológica e para onde se dirige a inovação. Um radar de tendências que pretende ajudar as empresas a antecipar como poderá ser o futuro da alimentação.
A IA e o rótulo limpo ganham terreno frente às proteínas alternativas
A fotografia deste trimestre mostra uma mudança de foco no investimento. Os fundos apostam menos em riscos e mais em tecnologias com impacto real e rápido. Neste contexto, as proteínas alternativas perdem visibilidade, com uma queda de 23% na quota de voz, em relação à edição anterior, enquanto a Inteligência Artificial (IA) e o rótulo limpo concentram a atenção dos media e do capital.
A indústria alimentar explora a IA em várias frentes: desde a otimização de inventários e logística até à personalização de experiências de consumo ou deteção de oportunidades de mercado invisíveis à primeira vista. Grandes empresas como a Danone, Multus ou PepsiCo já estão a testar soluções baseadas em inteligência artificial
Por sua vez, o movimento 'Clean Label' cresce impulsionado por consumidores que exigem naturalidade e por regulamentações mais rigorosas, como a proposta do Departamento de Saúde dos EUA para eliminar os corantes derivados do petróleo do abastecimento alimentar. Mars, Bimbo, PepsiCo ou Nestlé anunciaram que reformularão produtos para se adaptarem.
O efeito cascata estende-se às tecnologias de conservação, que multiplicam sua presença nos meios de comunicação (+150%) com soluções que substituem aditivos sintéticos por ingredientes bioativos ou recorrem a processos físicos como congelamento criogénico ou luz ultravioleta para reduzir a dependência de conservantes sintéticos.
Agritech, o novo cenário que leva a inovação à origem da alimentação
A grande novidade desta edição, do Mapa de Cenários de Oportunidade, é a incorporação de um novo macrocenário: Agritech, que entra com uma quota de 2,2%. O seu aparecimento reflete o peso crescente da inovação aplicada não só aos produtos finais, mas também à origem da cadeia alimentar: agricultura, pecuária e outros sistemas de produção primária.
Este macrocenário engloba tecnologias que estão a transformar o campo através da digitalização, automação, biotecnologia e agricultura regenerativa. A alimentação do futuro já não é entendida apenas em termos de proteínas alternativas ou reformulação, mas como a capacidade de produzir de forma mais eficiente, resiliente e sustentável a partir da própria base do sistema alimentar.
Entre os exemplos mais representativos destacam-se projetos de automação agrícola com robôs de colheita, iniciativas de agricultura regenerativa que devolvem vida aos solos e soluções biotecnológicas como as batatas híbridas, resistentes às alterações climáticas, da Solynta. Um ecossistema que, embora ainda jovem, começa a consolidar-se como peça-chave para garantir a segurança alimentar num contexto de pressão climática e escassez de recursos.
Fonte: iAlimentar
A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) apresentou na Estufa Tropical do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, o livro “Guia de Polinizadores de Portugal”.
Esta publicação é um dos resultados do projeto PolinizAÇÃO, financiado pelo Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente e Energia, e surge com o objetivo de inspirar, sensibilizar e envolver todos os cidadãos na conservação dos polinizadores – organismos essenciais à vida.
A obra reúne informação científica acessível sobre 222 espécies nacionais de polinizadores e inclui fotografias, na maioria dos casos a mostrar a interação destes organismos com as flores onde estes se alimentam. Apresenta, também, esquemas detalhados que ajudam a reconhecer os diferentes grupos de polinizadores e a identificar detalhes morfológicos úteis.
«Este guia nasce de uma enorme vontade coletiva do Grupo de Trabalho de Disseminação, Divulgação e Educação Ambiental do projeto PolinizAÇÃO de aproximar a ciência da sociedade e criar uma ferramenta que permita a cientistas e não-cientistas aprender um pouco mais sobre estes animais. Os polinizadores estão no centro da nossa vida quotidiana, mesmo quando não damos por isso», começa por dizer João Loureiro, investigador no Centro de Ecologia Funcional (CFE) do Departamento de Ciências da Vida (DCV), cocoordenador do projeto PolinizAÇÃO e da edição da obra.
«Queremos que este guia inspire a descoberta e a conservação destes organismos, fundamentais para a biodiversidade, para a nossa alimentação e para a nossa própria sobrevivência», afirma o especialista.
A obra contou com a colaboração de mais de 25 investigadores e especialistas nacionais em entomologia e botânica. O evento de lançamento conta com a presença de alguns dos autores, que partilharão o seu conhecimento e experiência num momento de diálogo aberto com o público, que poderá colocar questões e interagir diretamente. A escolha da Estufa Tropical do JBUC destaca a ligação profunda entre ciência, educação e natureza.
Carolina Caetano, membro do CFE/DCV e responsável pela coordenação editorial do livro, considera que «é necessário conhecer para proteger. A grande maioria dos polinizadores em Portugal são insetos, que continuam a enfrentar preconceitos e muitas vezes são encarados com receio. É preciso olhá-los com outros olhos para deixar o medo de lado e protegê-los».
Neste guia, «além de diversos animais polinizadores — desde abelhas a aves e outros mais surpreendentes —, os leitores podem aprender sobre o fenómeno da polinização e descobrir formas de ajudar, como, por exemplo, através da ciência cidadã. Precisamos de envolver a sociedade na conservação da natureza, e esta obra é mais um passo nesse sentido», conclui.
Fonte: Agrotec
Investigadores do Instituto Roslin, no Reino Unido, anunciaram o desenvolvimento de porcos geneticamente modificados capazes de resistir à peste suína, uma doença contagiosa e frequentemente mortal que causa graves prejuízos económicos à suinicultura mundial.
O estudo, realizado em colaboração com a empresa Genus, a Animal and Plant Health Agency (APHA) e a Universidade de Lübeck (Alemanha), demonstrou que a edição genética pode impedir a infeção pelo vírus da peste suína, abrindo uma nova via para o controlo de doenças em animais de produção.
Os cientistas utilizaram tecnologia de edição genética para alterar uma proteína denominada DNAJC14, essencial para a replicação do vírus nas células dos suínos. Em testes laboratoriais e de campo, os porcos modificados foram expostos ao vírus sem desenvolver sintomas, ao contrário dos animais não modificados, que apresentaram os sinais clínicos típicos da doença.
De acordo com os investigadores, a alteração genética conferiu proteção total contra a infeção, sem efeitos adversos na saúde ou no crescimento dos animais, e com uma probabilidade mínima de transmissão do vírus a outros exemplares.
Os especialistas acreditam que esta técnica poderá integrar uma estratégia combinada de prevenção, complementando vacinas e medidas de biossegurança nas explorações.
Antes da aplicação prática, a equipa analisou como o grupo de vírus ao qual pertence o da peste suína, interagem com as células dos animais. Os resultados preliminares em laboratório confirmaram que a modificação do gene DNAJC14 bloqueia a replicação viral, levando à sua aplicação em animais vivos.
Os embriões geneticamente modificados foram implantados em fêmeas substitutas, e os porcos adultos foram posteriormente expostos ao vírus sob monitorização rigorosa. Durante várias semanas, não foram detetados sinais de infeção nos exemplares modificados.
Embora a peste suína não esteja presente no Reino Unido, continua a provocar surtos significativos em regiões da Ásia, África, América Latina e Europa, originando restrições comerciais e perdas substanciais para os produtores.
Segundo a equipa de investigadores, a mesma abordagem genética poderá ser aplicada a outras espécies pecuárias, como vacas e ovelhas, para proteger contra vírus semelhantes, como o da diarreia viral bovina ou o da doença da fronteira.
Fonte: Agroportal
Uma revisão pós-incidente de um surto de doenças transmitidas por alimentos em vários países europeus expôs lacunas em biossegurança, vigilância e transparência de dados em todo o sistema agroalimentar. A revisão foi elaborada por pesquisadores da Universidade de Molise e da Universidade de Turim, na Itália, bem como pela Direção Geral Italiana de Proteção da Saúde e Coordenação do Sistema Regional de Saúde, e foi publicada no International Journal of Environmental Research and Public Health.
Em 2024, um sorotipo raro de Salmonella enterica — especificamente, S. Umbilo — causou um surto multinacional de doenças transmitidas por alimentos em toda a União Europeia (UE)/Espaço Econômico Europeu (EEE), resultando em mais de 200 casos humanos confirmados e uma morte. Evidências epidemiológicas associaram o surto ao consumo de rúcula orgânica e espinafre baby originários da província de Salerno, na Itália — uma região conhecida pela criação intensiva de búfalos e pela produção de vegetais de alto valor.
Durante a investigação do surto, as inspeções iniciais das instalações de processamento e dos sistemas de irrigação não revelaram nenhuma violação grave de higiene. Eventualmente, investigações contínuas descobriram um tanque de armazenamento de estrume mal administrado e não autorizado, de propriedade desconhecida, próximo às estufas onde as verduras implicadas eram cultivadas.
A análise geoespacial identificou três quintas de búfalos num raio de um quilômetro (km) do tanque de estrume e, posteriormente, veterinários enviados a essas quintas encontraram bezerros de búfalos que apresentavam sintomas entéricos em todos os três estabelecimentos. Amostras fecais confirmaram que os bezerros estavam infectados com S. Umbilo, S. Livingstone e S. Senftenberg. Notavelmente, dois dos sorotipos isolados também foram objeto de alertas do Sistema de Alerta Rápido da UE para Alimentos e Rações (RASFF) para produtos hortifrutícolas.
A Tipagem de Sequência Multilocus do Genoma Central (cgMLST) revelou uma correspondência genética próxima entre isolados de S. Umbilo de búfalos, vegetais contaminados e casos humanos, confirmando uma via de transmissão zoonótica. Embora as amostras do tanque de estrume tenham apresentado resultados negativos para Salmonella, a amostragem tardia e fatores ambientais provavelmente influenciaram os resultados.
O surto expôs vulnerabilidades críticas à segurança alimentar no sistema agroalimentar, particularmente em regiões onde vegetais crus são cultivados paralelamente a operações pecuárias de alta densidade. Apesar dos controlos existentes para brucelose e tuberculose bovinas, nenhum programa nacional aborda atualmente a salmonelose em ruminantes. A detecção de sorotipos zoonóticos em quintas de búfalos ressalta a necessidade de medidas rigorosas de vigilância e biossegurança em setores de alto risco.
Em resposta, as autoridades regionais implementaram um Plano de Gestão e Controle Sanitário (PSG) semestral para quintas produtoras de leite, integrando protocolos de biossegurança e monitoramento ambiental. Essas medidas refletem um crescente reconhecimento da abordagem "Uma Saúde", que realça a interconexão entre a saúde humana, animal e ambiental.
Um grande desafio destacado pelo surto foi o acesso restrito a dados epidemiológicos e microbiológicos críticos. Relatórios agregados e transparência limitada dificultaram os esforços para reconstruir a dinâmica do surto e identificar as vias de transmissão. A ausência de acesso aberto a conjuntos de dados genómicos, clínicos e ambientais atrasou significativamente os esforços de resposta coordenada.
O estudo defende a criação de bancos de dados interoperáveis e de acesso aberto para apoiar pesquisas intersetoriais e intervenções rápidas em saúde pública. A partilha aprimorada de dados permitiria a deteção apropriada de surtos, facilitaria a colaboração interdisciplinar e fortaleceria a implementação de estratégias de Saúde Única.
Para prevenir futuros surtos, as partes interessadas nos setores de pecuária, laticínios e produtos agrícolas devem adotar uma gestão proativa de riscos, afirmam os autores do estudo. Isso inclui a revisão das Boas Práticas de Fabrico (BPF), a atualização dos planos de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controlo (APPCC) e a adoção de tecnologias inovadoras, como a vigilância por drones para monitorização ambiental.
Fonte: Food Safety
A Eurest lançou o quarto volume do livro “Grandes Sabores Sem Desperdício”, que reúne receitas e dicas para o aproveitamento integral dos alimentos, desenvolvidas pelos chefs de cozinha da Eurest. Publicação está disponível para download gratuito
O livro tem receitas nutritivas e acessíveis, pensadas para quem quer ter uma alimentação mais sustentável, sem abdicar do prazer de cozinhar. Tal como nas edições anteriores, o livro nasce do concurso anual “Eurest Chef – Stop Food Waste”, iniciativa que desafia todos os colaboradores a criarem receitas que juntem sabor, criatividade e sustentabilidade, recorrendo a partes dos alimentos habitualmente desperdiçadas ou reaproveitando sobras. Este ano, das 51 receitas a concurso, doze participaram na final do evento Eurest Chef 2025 - Stop Food Waste, onde cada finalista confecionou a sua receita para um painel de jurados. A receita vencedora foi Pudim de Peixe, confecionada pelo Chef Filipe Magalhães.
Henrique Leite, Diretor Geral da Eurest Portugal, afirma, citado em comunicado da empresa, que a redução do desperdício alimentar permite cuidar do planeta e mostrar “que é possível inovar e criar valor de forma responsável”.
O livro está disponível para download aqui
Fonte: TecnoAlimentar
Subscreva a Base de dados Qualfood Negócios!