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Portugal apresenta um dos sistemas alimentares mais resilientes do mundo, com uma pontuação de 76,83 pontos, segundo o Resilient Food Systems Index: Global Report, estudo da Economist Impact, que analisa a capacidade dos países para assegurar alimentos suficientes, acessíveis e nutritivos mesmo perante perturbações económicas, climáticas ou logísticas.

Produção concentrada aumenta risco global

O índice revela que apenas 15 países produzem 70% dos alimentos mundiais e que a maioria destes também integra o grupo dos maiores exportadores, responsáveis por mais de 60% das exportações globais. Esta concentração significa que fragilidades locais podem gerar efeitos em cadeia nos mercados internacionais.

Apesar de vários grandes produtores e exportadores apresentarem resultados acima da média global, nenhum demonstra robustez suficiente para proteger o sistema alimentar mundial de perturbações significativas.

Clima continua a ser o ponto mais frágil

A resposta ao risco climático surge como o pilar mais fraco do índice, com uma média global de 56,43 pontos. O relatório indica que, embora muitos países invistam em investigação agrícola de baixas emissões e em práticas agrícolas sustentáveis, o compromisso político com medidas de mitigação e adaptação permanece reduzido.

De acordo com o estudo, a limitação não está na inovação, mas na implementação efetiva de metas específicas para o setor agrícola e em planos concretos de execução.

Acessibilidade alimentar esconde fragilidades nutricionais

Os países analisados apresentam, em geral, bons resultados na acessibilidade económica dos alimentos. Contudo, o índice alerta que, em 62% dos países, a dieta saudável mais barata representa cerca de dois terços do rendimento das famílias mais pobres, evidenciando vulnerabilidades persistentes.

O relatório aponta três fatores essenciais para tornar dietas saudáveis mais acessíveis: políticas fiscais que favoreçam alimentos nutritivos, orientações alimentares alinhadas com sustentabilidade e saúde pública, e comércio internacional aberto e diversificado.

Infraestruturas e mercados determinam resiliência

O estudo destaca ainda que a melhoria da disponibilidade alimentar depende fortemente de infraestruturas básicas, como eletricidade, transportes, conectividade e cadeias de frio. Apesar do apoio generalizado à adoção de tecnologias agrícolas, os ganhos são mais significativos quando acompanhados por investimento público e privado nestas bases estruturais.

A Economist Impact sublinha que muitos agricultores continuam a captar retornos limitados devido a custos de transporte elevados, regras comerciais fragmentadas e insuficiência de cadeias logísticas refrigeradas, consideradas essenciais para reduzir desperdícios e melhorar o acesso ao mercado.

Segundo o relatório, reforçar ligações entre produção, armazenamento e distribuição permitirá transformar ganhos de produtividade em rendimentos mais elevados e maior estabilidade alimentar a longo prazo.

Fonte: iAlimentar

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) está a realizar ações de fogo controlado para prevenção de incêndios e renovação de pastagens, tendo intervencionado cerca de 800 hectares na zona Norte na campanha 2025/26.

“Isto é uma ação de fogo controlado com um duplo objetivo: criação de pasto para gado e também serve de mosaico para retirar carga à paisagem e servir de zona de oportunidade de combate se ocorrer um incêndio no verão”, afirmou o técnico do ICNF Artur Borges.

O responsável, que falava à agência Lusa durante uma ação de fogo controlado na Serra do Marão, concelho de Amarante, apontou ainda para o treino dos operacionais.

“O treino está sempre inerente às ações de fogo, porque o fogo controlado de inverno é o melhor treino para o verão, para o combate”, referiu.

As campanhas decorrem anualmente entre os meses de setembro/outubro e abril, mas as condições meteorológicas verificadas neste inverno, com muita chuva e vento, dificultaram a realização do fogo controlado.

Esta semana estavam reunidas condições pelo que decorreram ações um pouco por toda a região, desde Ponte de Lima, Melgaço, Montalegre, Bragança, Ribeira de Pena, Vinhais a Arouca ou Vale de Cambra

“Temos toda a gente no terreno estes dias a fazer o máximo, de manhã à noite”, afirmou Miguel Gonçalves, diretor regional adjunto do ICNF Norte.

O responsável disse que, até ao momento, foram executados mais de 800 hectares na região, cerca de 400 hectares nas serras do Marão e Montemuro, e referiu que as equipas envolvem também, entre outros, bombeiros, elementos dos gabinetes técnicos municipais das câmaras ou militares da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR .

Miguel Gonçalves realçou que estas ações são complementares com outras iniciativas que visam a prevenção e mitigação dos incêndios, adiantando que desde 2020, no Norte, foram instalados mais de 8.000 hectares de rede primária de faixas de gestão de combustível .

No dia em que a Lusa acompanhou a equipa liderada por Artur Borges, foram executadas três parcelas em simultâneo na Serra do Marão.

“Temos cerca de três dias sem chuva, a humidade relativa anda a rondar os 40%, 30%, com algum vento, mas é um vento seco e, portanto, temos reunidas as condições de ignição e de condução de fogo dentro de segurança”, explicou.

Há sempre um risco associado, pelo que a ação foi acompanhada por elementos da Corpo Nacional de Agentes Florestais (CNAF) do ICNF e sapadores florestais dos baldios.

“Os meios são dimensionados de acordo com a dimensão da parcela e com a meteorologia que vai estar no dia da queima”, explicou Artur Borges.

Este é o chamado fogo bom. “O fogo que nós fazemos é um fogo que é feito em condições benéficas para o território”, salientou, acrescentando que cria “uma zona tampão” que pode proporcionar uma oportunidade efetiva de combate a um incêndio.

O planeamento das áreas a intervir nas zonas de montanha também é feito com o envolvimento dos pastores.

“É um território que tem ainda gado e, portanto, nós queremos fixar as pessoas no território”, referiu Artur Borges.

E, para o produtor de vacas maronesas, José Teixeira, a renovação das pastagens representa “a diferença entre estar aberto ou estar fechado”.

A sua exploração está localizada em Canadelo, Amarante, distrito do Porto, e, segundo explicou, as suas 20 vacas adultas andam pela serra à procura de alimento e, por isso considerou “essencial que as pastagens sejam renovadas e que haja queimadas todos os anos”.

“Elas [vacas] são autónomas, a comer, a beber, e eu não tenho despesa com elas. Só assim é que se pode ser produtivo no final do ano, porque de outra forma, se estivesse aqui a alimentá-las diariamente, era impossível”, referiu.

Artur Borges salientou o “trabalho de proximidade” com os pastores “para ver o que é que eles precisam, onde é que eles precisam e conjugar isso com a estratégia de defesa do território e de gestão do mesmo”.

O fecho da época de queima, entre o final de março e meados de abril está dependente do ano hidrológico, mas também está relacionado com fatores relacionados com a reprodução das espécies e os valores ambientais a preservar.

No Marão, inserido na Rede Natura 2000, estas são preocupações que têm que ser tidas em conta.

Fonte: Agroportal

A gestão de resíduos é um dos domínios mais críticos da política ambiental. O projeto EnSafe pretendeu criar um sistema inovador com Inteligência Artificial (IA) capaz de identificar comportamentos suspeitos.

Reforçar a proteção ambiental há muito deixou de ser um mero problema de futuro para se tornar uma necessidade do presente. Mas, em 2026, isto significa exatamente o quê? O que são considerados crimes ambientais? A IA veio ajudar no combate a este tipo de crime ou piorar a situação?

Enquanto investigadores, nem sempre temos respostas para todas as questões que a rapidez da atualidade vai colocando, mas procuramos, inevitavelmente, soluções científicas que ajudem a diminuir o impacto ambiental. E o projeto EnSafe, que juntou INESC TE e Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), é uma dessas soluções.

A gestão de resíduos, em particular de resíduos industriais e/ou perigosos, constitui um dos domínios mais críticos da política ambiental contemporânea. Mas a verdade é que, para além dos desafios operacionais associados à sua recolha, transporte e tratamento, o setor enfrenta um problema estrutural frequentemente subvalorizado: a existência de práticas fraudulentas e de situações de não conformidade com a legislação ambiental. No setor da gestão de resíduos, as irregularidades vão desde subdeclaração de quantidades, classificação incorreta de resíduos perigosos, falsificação de documentação, encaminhamento para destinos não autorizados ou exportação irregular. Situações como estas podem passar despercebidas à fiscalização e ter impactos graves na contaminação de solos e de cursos de água, por exemplo. Mas o impacto não é apenas ambiental. É económico e concorrencial. Empresas que cumprem regras enfrentam concorrência desleal de operadores que reduzem custos através da ilegalidade.

Num contexto em que a União Europeia investe fortemente no Pacto Ecológico Europeu e na transição para uma economia circular, ignorar o crime ambiental compromete a própria estratégia de sustentabilidade.

E é aqui que entra a Inteligência Artificial. A crescente digitalização dos processos de gestão de resíduos gera grandes volumes de dados relativos a produtores, transportadores, operadores de tratamento, quantidades, códigos operacionais e classificações segundo os Códigos Europeus de Resíduos. Esta disponibilidade de dados cria uma oportunidade estratégica para a aplicação de técnicas avançadas de Ciência de Dados, Ciência de Redes e IA, com vista à deteção automática de comportamentos anómalos e potenciais situações de fraude. Mas é preciso garantir que a utilização de IA para identificar comportamentos potencialmente ilícitos não assenta em modelos opacos ou enviesados.

O projeto EnSafe pretendeu criar um sistema inovador capaz de identificar comportamentos suspeitos ou fora do normal no transporte e eliminação de resíduos, ajudando a proteger o ambiente e a garantir que as empresas cumprem a legislação ambiental. Ao contrário da maioria das aplicações existentes de aprendizagem automática na gestão de resíduos, tradicionalmente focadas na segregação automática, no tratamento de águas residuais ou na otimização de rotas de recolha, o EnSafe centrou-se especificamente na identificação de comportamentos de não conformidade e padrões suspeitos no transporte de resíduos.

O processo envolveu múltiplos estados operacionais, bem como informações detalhadas sobre o remetente, o destinatário, os momentos de transferência, as quantidades e a classificação do material transportado. Esta estrutura permitiu acompanhar os resíduos ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde a origem até ao destino final, seja para valorização ou eliminação. No entanto, a complexidade e interdependência destas operações tornam difícil a deteção manual de irregularidades.

Combinando métricas estruturais com algoritmos de deteção de anomalias e modelos avançados como Graph Neural Networks, o sistema não prova fraude, mas sinaliza risco. E, num setor em que os recursos de fiscalização são limitados, a capacidade de priorizar inspeções com base em evidências analíticas pode realmente fazer a diferença.

Esta abordagem está profundamente alinhada com a agenda europeia e, ao mesmo tempo, contribui para a implementação da Agenda 2030 da UNESCO para o Desenvolvimento Sustentável. A Comissão Europeia tem vindo a reforçar mecanismos de rastreabilidade, de interoperabilidade de dados e de cooperação transfronteiriça no domínio ambiental. A própria regulamentação sobre transporte transfronteiriço de resíduos foi recentemente revista para um maior controlo e redução das exportações ilegais

Mas a Inteligência Artificial pode evoluir de um papel meramente operacional na gestão de resíduos para um instrumento estratégico de governação ambiental? O EnSafe demonstrou que sim. Mostrou que é possível garantir maior integridade, rastreabilidade e sustentabilidade ao longo de todo o ciclo de vida dos resíduos, especialmente no caso dos resíduos perigosos e de atividades sujeitas a maior risco regulatório. De forma sustentável, reduzindo a pegada ecológica do combate ao crime ambiental.

Fonte: ECO - Sapo

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), através das suas Unidades Regionais, realizou uma operação de fiscalização, de âmbito nacional, dirigida a estabelecimentos de perfumaria, cosmética e similares, com o objetivo de verificar o cumprimento das normas legais relativas à afixação e cobrança de preços, visando a prevenção e repressão do crime de especulação de preços.

No decurso da operação, foram fiscalizados 121 operadores económicos, foi avaliado o cumprimento das disposições legais aplicáveis, designadamente no que respeita à transparência da informação prestada, à correta afixação de preços e à conformidade entre os valores publicitados e os valores efetivamente cobrados aos consumidores.

Foram instaurados 17 processos de contraordenação e as principais infrações detetadas foram o incumprimento das regras relativas ao anúncio de venda com redução de preços, a violação das normas aplicáveis às promoções, a falta de envio à entidade competente, no prazo legal de 15 dias, do original da folha de reclamação, a prática de ações enganosas, entre outras irregularidades.

Fonte: ASAE

A base de um programa de monitorização ambiental (PMA) é a amostragem e análise sistemáticas do ambiente de produção para identificar potenciais fontes de contaminação, como patogénos, alérgenos, microrganismos deteriorantes e outros contaminantes. Trata-se essencialmente de um método científico para validar a eficácia de um sistema de segurança alimentar. Em resumo, as atividades de amostragem de superfície e de produto fornecem informações sobre a presença de contaminantes e microrganismos indicadores. Isso ajuda a identificar as causas raízes dos problemas e orienta as estratégias de remediação e prevenção. Responde às perguntas "o que" está presente e "onde" está presente, mas não nos diz "por que" está lá ou "como" chegou lá. 

É aqui que o estudo da transmissão aérea ou por aerossóis pode se mostrar inestimável para aumentar a eficácia de um sistema de segurança alimentar. A transmissão por aerossóis é a transmissão de um microrganismo por meio de pequenas partículas suspensas no ar. Os microrganismos de interesse num ambiente de produção de microrganismos (EMP) são todos capazes de transmissão aérea por meio de atividades humanas normais, como levantar poeira, pulverizar líquidos ou quaisquer atividades que gerem partículas ou gotículas de aerossol — o que engloba tudo o que é feito durante os processos de produção e desinfeção. 

Projeto TomAC

  • Wednesday, 18 March 2026 14:46

Os resultados finais do projeto TomAC – Produção Sustentável de Tomate para Indústria através da Aplicação dos Princípios da Agricultura de Conservação vão ser apresentados e debatidos no dia 26 de março, entre as 9h30 e as 13h00, no Auditório do Palácio do Infantado, numa iniciativa promovida pelos parceiros do projeto, que reúne entidades do setor agrícola, científico e empresarial.

O projeto resulta de uma parceria, com o objetivo de identificar práticas capazes de reforçar a sustentabilidade do sistema de produção de tomate para indústria.

Princípios da agricultura de conservação em análise

A iniciativa centrou-se na aplicação dos princípios da Agricultura de Conservação, nomeadamente a mínima perturbação do solo, a manutenção de cobertura vegetal permanente e a rotação e diversidade de culturas. O ensaio foi desenvolvido na Lezíria Grande de Vila Franca de Xira, onde foram testados três sistemas produtivos distintos.

O sistema convencional baseou-se na monocultura de tomate para indústria, com mobilização intensiva do solo e ausência de cobertura durante o inverno. Já o modelo TomCober integrou mobilização apenas na linha de plantação e a introdução de culturas de cobertura no período invernal. Por sua vez, o sistema de rotação combinou mobilização reduzida, cobertura vegetal e alternância bienal do tomate com culturas como girassol ou milho.

Potencial de sustentabilidade confirmado

De acordo com os resultados obtidos, a aplicação dos princípios da Agricultura de Conservação demonstrou potencial para melhorar a sustentabilidade agronómica, ambiental e económica da produção de tomate para indústria.

A participação no evento é gratuita, mas sujeita a inscrição obrigatória, devendo os interessados confirmar presença até 23 de março através do formulário disponibilizado pela organização.

Fonte: iAlimentar

O Instituto Politécnico da Guarda (IPG) vai coordenar o projeto luso-espanhol Iberian_Cherry, uma iniciativa centrada na proteção da biodiversidade, no reforço da resiliência dos pomares de cerejeira face às alterações climáticas e na valorização económica da cereja ibérica.

De acordo com o comunicado de imprensa, o projeto vai reunir 12 entidades dos sistemas científico, tecnológico e público das principais regiões produtoras de cereja da Península Ibérica. O projeto tem uma duração prevista de dois anos e conta com um financiamento de cerca de 1,2 milhões de euros, assegurado pelo FEDER.

 Através da adoção de soluções inovadoras e sustentáveis baseadas na natureza e em Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC), o projeto pretende promover uma produção de cereja sem resíduos de produtos fitofarmacêuticos.

Paralelamente, os investigadores do IPG querem contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas transfronteiriças que reforcem a valorização económica de produtos endógenos, como as cerejas de Resende e do Fundão, com Indicação Geográfica Protegida (IGP), e a cereja do Valle del Jerte, em Espanha, com Denominação de Origem Protegida (DOP).

 No seu conjunto, o projeto abrange territórios com forte tradição na produção de cereja, entre os quais os municípios de Fundão e Resende, em Portugal, e Piornal, no Valle del Jerte, na província espanhola de Cáceres.

 “O projeto ‘Iberian_Cherry’ vai implementar uma abordagem inovadora que combina soluções baseadas na natureza e nas tecnologias para promover uma produção de cereja mais sustentável”, afirmou Luís da Silva, investigador no Politécnico da Guarda e responsável pelo projeto.

E continua: “entre as medidas previstas estão a monitorização em tempo real das condições climáticas e dos pomares, a implementação de práticas agrícolas resilientes às alterações climáticas e a promoção de sistemas de produção com zero resíduos de produtos fitofarmacêuticos”.

O Iberian_Cherry vai testar e divulgar práticas agrícolas inovadoras junto de produtores e outros agentes do setor, com o objetivo de tornar os pomares mais resilientes às alterações climáticas, promover a biodiversidade e incentivar uma produção com zero resíduos de fitofarmacêuticos. O projeto prevê ainda ações de sensibilização e capacitação dirigidas a produtores, empreendedores e comunidades locais.

Vai nascer um Observatório Ibérico da Cereja

Uma das iniciativas previstas no âmbito do projeto é a criação do Observatório Ibérico da Cereja, uma plataforma digital destinada a monitorizar e partilhar informação sobre a produção de cereja nas regiões transfronteiriças.

A iniciativa inclui ainda a demonstração de soluções inovadoras em pomares piloto e o desenvolvimento de novos produtos funcionais a partir da cereja e dos seus subprodutos.

Será ainda criado um programa de ideação transfronteiriço para incentivar novos modelos de negócio ligados à cereja e apoiar a criação de pelo menos dez novas empresas, promovendo a inovação no setor.

“Os resultados do projeto serão amplamente divulgados através da publicação de livros/e-books, de artigos técnicos e científicos e de ações de divulgação dirigidas a produtores, empresas e outros atores da cadeia de valor da cereja. Um dos objetivos é que as soluções desenvolvidas no projeto possam ser replicadas em outras regiões produtoras da Península Ibérica e do mundo”, finalizou Luís Silva.

Fonte: Vida Rural

 

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançaram uma chamada para o envio de dados que apoiarão os próximos trabalhos das Reuniões Conjuntas de Especialistas da FAO/OMS sobre Avaliação de Risco Microbiológico (JEMRA), relacionados à segurança microbiológica de alimentos armazenados em condições de congelamento .

O pedido de dados solicita informações de governos, indústria, academia, laboratórios, grupos de consumidores e outras partes interessadas. As submissões devem ser recebidas até 15 de abril de 2026. O pedido de dados pode ser encontrado aqui.

Dados para subsidiar uma possível revisão das diretrizes do Codex sobre alimentos congelados

O pedido surge na sequência de uma proposta do Comité do Codex sobre Higiene Alimentar (CCFH) na sua 55.ª sessão, em 2025, que solicitou à FAO e à OMS que avaliassem a base científica dos limites de temperatura de armazenamento congelado utilizados para garantir a segurança alimentar. As agências foram também solicitadas a considerar uma possível revisão do Código de Boas Práticas do Codex Alimentarius para o Processamento e Manuseamento de Alimentos Rapidamente Congelados (CXC 8-1976).

O código atualmente identifica -18 °C como a temperatura de referência para o armazenamento e distribuição de alimentos ultracongelados. A FAO e a OMS afirmaram que os dados solicitados ajudarão a avaliar se temperaturas alternativas de armazenamento congelado poderiam proporcionar segurança microbiológica equivalente, ao mesmo tempo que apoiam metas relacionadas à eficiência energética e à sustentabilidade da cadeia de frio.

No entanto, as agências observaram que temperaturas de armazenamento superiores a -18 °C podem aumentar os riscos à segurança alimentar, incluindo a sobrevivência de parasitas, além de afetar a qualidade e o prazo de validade do produto.

Tipos de dados solicitados

A FAO e a OMS estão em busca de dados representativos em nível global sobre diversos aspectos da segurança de alimentos congelados, incluindo:

  • Comportamento de patógenios bacterianos durante o congelamento, armazenamento congelado e descongelamento, incluindo sobrevivência, persistência e inibição do crescimento;
  • Comparação do comportamento de patógenios em diferentes temperaturas de armazenamento congelado, como -18 °C, -15 °C, -12 °C e -5 °C;
  • Efeitos dos métodos e taxas de congelamento nos resultados microbiológicos;
  • Viabilidade de parasitas em temperaturas abaixo de zero, incluindo nematóides em peixes, frutos do mar e carne, e tolerância ao frio de protozoários e ovos de helmintos;
  • Limiares e flutuações de temperatura que afetam a inibição do crescimento microbiano durante o armazenamento, transporte e comercialização de produtos congelados;
  • Dados reais de monitoramento de temperatura da cadeia de frio;
  • Controlos de segurança alimentar associados ao armazenamento congelado, incluindo controlos de processo antes do congelamento e gerenciamento de temperatura ao longo da cadeia alimentar.

A FAO e a OMS também acolhem com satisfação dados relacionados à qualidade dos alimentos armazenados congelados, como a degradação de nutrientes, a oxidação de lipídios, as alterações enzimáticas e as características sensoriais.

Podem ser submetidos dados publicados e não publicados, e as agências afirmaram que as informações confidenciais serão protegidas ao máximo possível.

Os dados recohidos serão utilizados para apoiar o parecer científico da FAO/OMS, que deverá subsidiar as futuras discussões da Comissão do Codex Alimentarius sobre diretrizes para o manuseio de alimentos congelados.

Fonte: Food Safety

À medida que os fabricantes de alimentos se adaptam às novas regras estipuladas pela Responsabilidade Estendida do Produtor em Embalagens (EPR, na sigla em inglês), muitos estão a descobrir lacunas no seu histórico de conformidade com as embalagens. 

Atualmente, há muita discussão e debate sobre a Responsabilidade Estendida do Produtor de Embalagens (REP), mas as regulamentações sobre resíduos de embalagens e as obrigações dos fabricantes de alimentos não são novidade. Na verdade, elas existem há quase 30 anos.

Violações históricas

As normas de embalagem são complexas e pode ser difícil para as empresas – especialmente as menores, sem recursos especializados – determinar se as suas operações comerciais estão abrangidas por essas normas e se há necessidade de cumpri-las – ou seja, se sequer têm conhecimento da existência dessas normas.

O risco de medidas coercitivas por parte da Agência Ambiental (EA), enquanto reguladora, pode remontar à legislação sobre resíduos de embalagens introduzida em 1997 – com investigações por vezes desencadeadas pela adesão a novos programas ou pela submissão de dados para cumprimento do conjunto mais recente de regulamentos. O período de análise retroativa pode estender-se por décadas, com o regulador a procurar recuperar taxas não pagas.

Entender as obrigações passadas

Para alguns fabricantes, existe uma ideia errada de que os regulamentos de embalagem se aplicam apenas às embalagens de plástico, induzidos em erro pelo Imposto sobre Embalagens de Plástico, mais simples e direto, que foi introduzido em 2022.

No entanto, as obrigações originais de responsabilidade do produtor e a atual responsabilidade alargada do produtor aplicam-se a qualquer material utilizado para armazenar, proteger, manusear, entregar e apresentar mercadorias. Os regulamentos também são muito mais complexos e exigem uma aplicação muito mais específica a cada caso.

Em termos gerais, as normas originais de responsabilidade do produtor aplicavam-se a todas as empresas que "manipulavam" mais de 50 toneladas de embalagens e tinham um volume de negócios superior a 2 milhões de libras. Existia a obrigação de se registar como produtor de embalagens junto do regulador e de cumprir as obrigações de reciclagem, comprovadas pela aquisição de Certificados de Recuperação de Embalagens (PRNs).

As regulamentações originais vigoraram de 1997 até a introdução do pEPR em 2025, com alguns requisitos de conformidade permanecendo em vigor até 1º de janeiro de 2026.

O manuseio foi definido como a realização de todas as seguintes ações:

  • Executar uma ou mais das atividades de embalagem definidas nos regulamentos ou mandar executar essas atividades em seu nome;
  • Possuir a embalagem na qual as atividades foram realizadas;
  • Fornecimento de embalagens ou materiais de embalagem em qualquer etapa da cadeia ou ao usuário final da embalagem.

Para as empresas que tinham conhecimento da sua aplicação, muitas aderiram a um programa de conformidade. O prestador de serviços do programa de conformidade geriu as devoluções em seu nome e assumiu a responsabilidade legal pelo cumprimento da obrigação de reciclagem.

Faça um balanço se faz parte de um grupo de empresas

Alguns fabricantes foram inadvertidamente afetados pelas regulamentações após uma aquisição. De acordo com as obrigações originais de responsabilidade do produtor, as empresas do grupo tinham que somar a quantidade total de embalagens manuseadas e o faturamento anual para verificar se, em conjunto, atendiam aos limites estabelecidos. Uma aquisição poderia ter levado o grupo a ultrapassar os limites de faturamento/embalagens.

Considerava-se um grupo se a empresa fosse uma holding e tivesse duas ou mais subsidiárias que lidassem com embalagens, ou se tanto a holding quanto pelo menos uma subsidiária lidassem com embalagens. Uma holding que não lidasse diretamente com embalagens e tivesse apenas uma subsidiária que o fizesse, não era considerada um grupo.

Quais são as prováveis ​​sanções?

Violações das normas originais, como a falta de registro como produtor e a falta de recuperação e reciclagem de embalagens, constituem crimes. No entanto, atualmente, o orgão regulador costuma aceitar um termo de compromisso.

Outras alternativas à acusação formal podem incluir uma multa fixa/variável ou uma advertência formal, dependendo da natureza da alegada infração.

Quais são as minhas obrigações hoje?

O Imposto sobre Embalagens Plásticas é distinto do pEPR e aplica-se, como seria de esperar, apenas a embalagens de plástico. Em termos simples, aplica-se se importar ou fabricar mais de 10 toneladas de embalagens de plástico com menos de 30% de conteúdo reciclado num período de 12 meses. Nesse caso, deve registar-se, manter registos e submeter declarações trimestrais ao regulador. O seu objetivo é incentivar a mudança de comportamento, aumentando a quantidade de plástico reciclado utilizado.

O pEPR entrou em vigor em 1 de janeiro de 2025 e substituiu a regulamentação original sobre resíduos de embalagens. O pEPR visa transferir os custos de reciclagem e recuperação de embalagens para as empresas que as utilizam e incentivar, por meio de taxas variáveis, o uso de materiais mais facilmente recicláveis.

Em termos gerais, as regulamentações aplicam-se a todas as empresas estabelecidas no Reino Unido que fornecem ou importam mais de 25 toneladas de embalagens e têm um volume de negócios de pelo menos £1 milhão ("pequenos produtores"), que devem reportar os seus dados de embalagem ao abrigo do pEPR se realizarem alguma das atividades relacionadas com embalagens. As empresas com um volume de negócios superior a £2 milhões que fornecem ou importam mais de 50 toneladas de embalagens ("grandes produtores") têm obrigações de reporte e financeiras.

Com o crescente número de empresas que submetem dados e interagem com o pEPR, vale a pena considerar o cumprimento anterior das normas relativas a resíduos de embalagens, bem como o atual quadro regulamentar. 

Fonte: Food Manufacture

A Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra (ESAC-IPC) reforçou a capacidade científica nacional no combate às espécies invasoras com a instalação de uma nova estação de quarentena para testes com insetos, ampliada e tecnicamente mais avançada do que a anterior.

De acordo com o comunicado de imprensa, a infraestrutura será dedicada ao estudo e à avaliação de agentes de controlo biológico de plantas invasoras, reunindo condições para realizar ensaios com espécies terrestres, como as acácias, atualmente em floração, e aquáticas, como o jacinto-de-água.

A infraestrutura foi aprovada pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), cumprindo as exigências legais, técnicas e de biossegurança aplicáveis a este tipo de instalações. A aprovação garante que os ensaios decorrem em condições de confinamento e com elevados níveis de segurança biológica.

Segundo a ESAC-IPC, num contexto em que as espécies invasoras representam uma ameaça à biodiversidade, aos ecossistemas agrícolas e florestais e à economia, o controlo biológico assume um papel cada vez mais relevante. Esta abordagem recorre a inimigos naturais específicos para reduzir de forma sustentada as populações invasoras, com menor impacto ambiental do que os métodos mecânicos ou químicos, e é vista como uma solução mais eficaz e duradoura.

A nova estação permitirá testar, em condições controladas e seguras, insetos candidatos a agentes de controlo biológico, avaliando a sua especificidade em relação às espécies-alvo, os possíveis efeitos sobre espécies nativas ou com interesse económico, a eficácia na redução das populações invasoras e a segurança ecológica de futuras libertações.

Recorde-se que o Trichilogaster acaciaelongifoliae, agente de controlo biológico que induz a formação de galhas na acácia-de-espigas (Acacia longifolia), foi até agora o único libertado na natureza em Portugal para controlar uma planta invasora, tendo apresentado resultados encorajadores.

Os projetos nesta área consolidam uma colaboração de longa data com o Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra (CFE – UC) no estudo das plantas invasoras e do seu controlo biológico, reforçando uma parceria científica que tem sido importante para o avanço do conhecimento e da intervenção nesta área em Portugal.

A Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra sublinhou ainda que este investimento está alinhado com as prioridades nacionais, incluindo o Plano Floresta 2050, que identifica o controlo biológico como uma das respostas para a gestão de plantas invasoras.

Fonte: Vida Rural