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Financiado pela União Europeia através do programa Horizon 2020, o projeto reuniu 25 parceiros de 12 países, incluindo a Universidade Católica Portuguesa (UCP), com o objetivo de preservar e promover a utilização sustentável dos recursos genéticos de quatro leguminosas alimentares fundamentais: grão-de-bico, feijão comum, lentilha e tremocilha (lupino).

O projeto europeu INCREASE – Intelligent Collections of Food Legumes Genetic Resources for European Agrofood Systems – chegou ao fim após seis anos de trabalho, deixando um legado “significativo” para a conservação da biodiversidade agrícola e para o desenvolvimento de sistemas alimentares mais sustentáveis. Um dos principais resultados: o INCREASE Web Portal, uma plataforma de acesso aberto que reúne dados de passaporte, fenotípicos e genómicos, sobre os recursos genéticos das leguminosas alimentares, foi divulgado em comunicado.

Segundo a mesma fonte, financiado pela União Europeia através do programa Horizon 2020, o projeto reuniu 25 parceiros de 12 países, incluindo a Universidade Católica Portuguesa (UCP), com o objetivo de preservar e promover a utilização sustentável dos recursos genéticos de quatro leguminosas alimentares fundamentais: grão-de-bico, feijão comum, lentilha e tremocilha (lupino).

A Universidade Católica Portuguesa participou no consórcio através do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Escola Superior de Biotecnologia. No âmbito do projeto, a equipa de investigadores caracterizou cerca de 1.300 amostras de feijão comum cultivadas em Espanha, Itália e Polónia ao longo de dois anos. As análises incluíram a avaliação do teor de proteína, compostos fenólicos, minerais essenciais, hidratos de carbono, óleo e humidade, contribuindo para o conhecimento da qualidade nutricional destas variedades e para o estudo das interações entre genótipo e ambiente.

“Um dos aspetos mais inspiradores do INCREASE foi a capacidade de envolver milhares de cidadãos na conservação da agrodiversidade europeia. Este projeto mostrou que a ciência participativa pode desempenhar um papel determinante na valorização dos recursos genéticos e na sensibilização da sociedade para a importância das leguminosas na alimentação e na sustentabilidade agrícola,” referiu Marta Vasconcelos, investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa e coordenadora do projeto em Portugal.

O projeto destacou-se pela sua forte componente de ciência cidadã. Através de uma aplicação móvel desenvolvida no âmbito da iniciativa, mais de 27 mil cidadãos europeus participaram na avaliação e conservação de variedades de feijão comum, cultivando plantas em jardins, escolas e espaços urbanos e partilhando observações com a comunidade científica.

Este modelo foi possível graças a um enquadramento legal, incluindo o Standard Material Transfer Agreement (SMTA) para a troca rastreável de sementes, no âmbito do Tratado Internacional sobre os Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura da FAO. Esta experiência foi distinguida com o Prémio da União Europeia para a Cidadania e Ciência, tornando-se uma referência internacional na promoção da participação pública na investigação científica.

Outro resultado em destaque foi a criação das chamadas “Coleções Inteligentes”, subconjuntos cuidadosamente selecionados de recursos genéticos que representam, de forma eficiente, a diversidade existente nos bancos de genes. Estas coleções combinam diversidade genética representativa, dados fenotípicos harmonizados (características observáveis das plantas) e informação genómica de alta resolução. 

“Para o feijão comum, por exemplo, foram geradas cerca de 8.000 linhas geneticamente estáveis, apoiadas por sequenciação genómica extensiva e ensaios de campo em múltiplos locais europeus,” esclareceu Marta Vasconcelos. No caso do lupino, trata-se da caracterização mais completa alguma vez realizada para esta cultura. Estes recursos permitem aos investigadores identificar, de forma muito mais eficiente, características genéticas importantes e desenvolver novas variedades adaptadas às condições ambientais em constante mudança.

Utilizando tecnologias avançadas de genómica e “ómicas”, o INCREASE identificou também regiões genéticas importantes em várias leguminosas. No grão-de-bico, regiões associadas à tolerância à seca, na lentilha, genes que ajudam as plantas a adaptarem-se a condições de altitude, no feijão comum, genes que conferem resistência a doenças. Combinando estes dados com novos métodos estatísticos, os cientistas conseguem agora identificar genes cujos efeitos dependem do ambiente em que a planta cresce. Esta informação alimenta modelos preditivos que permitem determinar quais as variedades mais adequadas a cada contexto, hoje e no futuro, face às alterações climáticas.

Embora o projeto tenha terminado em abril de 2026, os recursos genéticos, os dados científicos e as ferramentas desenvolvidas permanecerão disponíveis para investigadores, agricultores, melhoradores de plantas e bancos de genes em toda a Europa. A continuidade da comunidade criada em torno da iniciativa será assegurada pela associação Diversitas, criada para dar seguimento às atividades de conservação descentralizada e investigação participativa iniciadas pelo projeto.

Fonte: sapo.pt

relatório anual de 2025 da Rede de Alerta e Cooperação (ACN – Alert and Cooperation Network), da Comissão Europeia, divulgado na passada 6ª feira (26 de junho de 2026), merece ser lido com atenção pelo setor.

Numa primeira leitura, parece (e é…) um documento muito técnico sobre notificações, alertas e incumprimentos. Mas a mensagem que transmite é fundamental. Mostra como a Europa protege os consumidores, preserva a confiança na cadeia alimentar e transforma informação em ação coordenada.

Em 2025, esta rede ultrapassou as 10 000 notificações. Foi um aumento de 11% face ao ano anterior. À primeira vista, ter mais notificações parece um péssimo sinal, mas é exatamente o contrário. Um sistema que deteta mais, comunica melhor e permite agir mais depressa. Riscos alimentares vão sempre existir, pelo que a segurança alimentar também se mede pela capacidade de identificar esses mesmos riscos, de os “rastrear” e de os corrigir, ou eliminar, antes que ganhem escala.

E essa é a grande conclusão do relatório.

A União Europeia dispõe hoje de uma arquitetura de vigilância que combina regras comuns, autoridades nacionais, coordenação europeia, apoio científico e ferramentas digitais. Por isso, quando se diz que a Europa é “provavelmente” o bloco comercial mais seguro do mundo em matéria alimentar, essa afirmação não deve ser vista como retórica. É uma verdade fundamental para todos os europeus.

No relatório é apresentado o caso da contaminação por cereulide em alimentos para lactantes. Foi uma situação complexa, com impacto potencial em mais de 60 países, que foi identificada, acompanhada e rastreada até uma matéria-prima específica. O risco não desapareceu por acaso. Foi tratado porque existia um sistema preparado para detetar sinais e agir com rapidez.

O relatório também mostra que os riscos alimentares são reais, muito diversos e, cada vez, mais globais. Podem estar associados a microrganismos, a resíduos de pesticidas, a micotoxinas, a fraudes documentais, à rastreabilidade ou ao comércio digital. Mas também mostra que a Europa tem instrumentos para enfrentá-los.

Esta leitura é particularmente importante quando se discutem ou se estabelecem acordos comerciais com outros blocos, como o recente acordo com o Mercosul. O debate não pode ficar preso a uma escolha entre abrir ou fechar mercados. A verdadeira questão é saber se a União Europeia consegue garantir que os produtos que entram no seu mercado cumprem regras compatíveis com a proteção dos consumidores, a concorrência leal e a confiança dos cidadãos.

O relatório ajuda a dar uma resposta mais objetiva.

Sim, os acordos comerciais aumentam a importância dos controlos. E, sim, estes acordos podem trazer riscos acrescidos se não forem acompanhados por fiscalização robusta.
Mas a União Europeia tem mecanismos para detetar incumprimentos, reforçar controlos sobre origens ou produtos de maior risco, comunicar entre Estados-Membros e retirar produtos do mercado sempre que necessário.

Por isso, sistemas como a Rede de Alerta e Cooperação, como o RASFF (Sistema Europeu de Alerta Rápido para Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais) e como o TraceMap (ferramenta lançada pela Comissão Europeia para reforçar a rastreabilidade e identificar mais rapidamente ligações entre notificações, produtos, operadores e cadeias de abastecimento) devem ser vistos como infraestruturas essenciais da política comercial europeia. Não é burocracia. É a rede de segurança que permite compatibilizar comércio internacional com elevados padrões sanitários, ambientais e de proteção dos consumidores. Quanto mais aberta for a Europa ao mundo, mais forte terá de ser esta rede.

Esta conclusão liga-se diretamente ao futuro da PAC (Política Agrícola Comum). A PAC não pode ser vista apenas como uma política de apoio ao rendimento dos agricultores.
Esse objetivo continua a ser muito relevante, mas já não chega para explicar o seu valor estratégico. A PAC é também uma política de segurança alimentar, resiliência territorial e autonomia estratégica europeia.

Uma Europa que mantém capacidade produtiva, agricultores ativos, territórios rurais vivos e cadeias próximas dos consumidores é menos vulnerável. A aposta na produção europeia não elimina a necessidade de importar, nem deve ser usada como argumento contra o comércio, mas reduz dependências excessivas e confere legitimidade à União Europeia para exigir padrões elevados aos seus parceiros.

A Europa precisa de comércio, de acordos com outros blocos e de capacidade para competir no mundo. Mas precisa também de agricultores, regras exigentes, controlos eficazes e instituições capazes de agir depressa. A segurança alimentar europeia resulta desta combinação.

Num momento em que se discute o financiamento futuro da PAC, este argumento deve ganhar centralidade. Cortar ou fragilizar a PAC seria colocar a segurança alimentar em causa.

É por isso que a PAC, a vigilância sanitária e a política comercial devem ser pensadas em conjunto.

Fonte: Agroportal

Estudo publicado na Nature Food apresenta uma nova base global de dietas que combina dados da FAO, estudos alimentares e estimativas energéticas para avaliar impactos na saúde, no ambiente e na economia.

Medir o que as pessoas comem parece uma tarefa simples, mas é uma das questões mais difíceis quando o assunto é saúde pública, clima e segurança alimentar. Uma nova base global tenta reduzir esta incerteza ao combinar diferentes fontes de informação sobre consumo, disponibilidade de alimentos e necessidades energéticas da população.

O estudo foi desenvolvido por Marco Springmann, investigador associado da University College London e da University of Oxford, e publicado na revista Nature Food. A base recebeu o nome de Global Dietary Database for Impact Assessments, ou GDD-IA, e reúne estimativas de ingestão alimentar para 43 grupos de alimentos, por país, idade, sexo e residência urbana ou rural, entre 1990 e 2020.

Porque é tão difícil saber o que o mundo realmente come?

Muitos estudos globais usam dados de disponibilidade alimentar, como os balanços da FAO. Eles mostram quanto alimento existe num país, considerando produção, importações, exportações e outros usos. O problema é que esses números não representam exatamente o que as pessoas comem. Parte dos alimentos perde-se no transporte, no retalho ou dentro das casas.

Outra fonte comum são os estudos alimentares, nos quais as pessoas relatam o que consumiram. Ajudam a entender diferenças entre grupos sociais, mas também têm falhas conhecidas: erro de memória, dificuldade em estimar porções e tendência a declarar uma dieta mais “saudável” ou socialmente aceite do que a real.

Uma base que junta várias peças

A GDD-IA tenta equilibrar estas limitações. Primeiro, usa dados de disponibilidade alimentar da FAO. Depois, desconta estimativas de desperdício no retalho e nos domicílios. Em seguida, ajusta o total consumido com base em estimativas de ingestão energética derivadas de peso, altura e atividade física.

Este ajuste é importante porque evita valores biologicamente improváveis. Se uma base indica que uma população consome calorias demais ou de menos em relação ao seu perfil físico e nível de atividade, isso pode distorcer avaliações sobre saúde, emissões, uso da terra e custo alimentar.

A nova base pode ser usada para:

  • estimar riscos de doenças associados à dieta;
  • calcular impactos ambientais ligados ao consumo de alimentos;
  • comparar dietas entre países e grupos sociais;
  • avaliar o custo de diferentes padrões alimentares;
  • apoiar estudos sobre segurança alimentar e sustentabilidade.

O que os dados mostram sobre a dieta global?

Segundo o estudo, em 2020 a dieta média global incluía grande participação de grãos, açúcar, vegetais e óleos vegetais. A ingestão energética média estimada ficou próxima de 2.173 quilocalorias por pessoa por dia, com diferenças importantes entre regiões, faixas etárias, sexo e áreas urbanas ou rurais.

Entre 2010 e 2020, o consumo global aumentou para vários grupos alimentares, como nozes e sementes, aves, ovos, peixes, frutas, leguminosas e óleos. Já açúcar e carne vermelha apresentaram leve queda. Em países de baixo rendimento, os aumentos foram mais amplos, refletindo mudanças no acesso a alimentos e na transição alimentar.

Porque é que isto importa para a saúde, o clima e a economia?

A principal contribuição da GDD-IA é permitir avaliações mais realistas. O estudo mostra que a escolha da base de dados muda os resultados sobre mortes atribuíveis à dieta, uso de terras agrícolas e custo das dietas. Ou seja, uma estimativa má do consumo pode levar a diagnósticos equivocados.

Portugal emitiu a notificação RASFF 2026.6068 após a deteção de ocratoxina A acima dos limites legais em figos secos com farinha de arroz, um produto de origem espanhola destinado ao consumo humano. A análise foi realizada no âmbito de controlos oficiais, tendo revelado concentrações da micotoxina que ultrapassam os valores máximos permitidos pela legislação europeia.

Natureza do risco

A ocratoxina A é uma micotoxina produzida por fungos dos géneros Aspergillus e Penicillium, frequentemente associada a produtos secos e armazenados. Entre os seus efeitos adversos destacam‑se:

  • toxicidade renal;
  • imunossupressão;
  • potencial carcinogénico;
  • elevada estabilidade térmica, que dificulta a eliminação durante o processamento.

A presença desta substância em figos secos é considerada particularmente crítica, dado o consumo regular deste tipo de produto e o risco de acumulação no organismo.

Portugal como país notificante

A deteção ocorreu durante inspeções de rotina realizadas pelas autoridades portuguesas, que procederam à recolha de amostras e subsequente análise laboratorial. Após a confirmação do resultado, Portugal ativou o mecanismo de comunicação rápida do RASFF, classificando o caso como alerta, o que indica potencial circulação do produto no mercado.

Produto e origem
  • Produto: Figos secos com farinha de arroz
  • Categoria: Frutos e produtos vegetais
  • Origem: Espanha
  • Destino identificado: Portugal
  • Tipo de notificação: Alerta
Medidas implementadas

As autoridades portuguesas desencadearam ações imediatas de gestão do risco, incluindo:

  • rastreabilidade dos lotes afetados;
  • retirada do produto do mercado;
  • comunicação aos operadores económicos;
  • reforço das inspeções em produtos similares;
  • partilha de informação com os restantes Estados‑Membros para prevenir a redistribuição.

Estas medidas visam impedir a exposição dos consumidores à micotoxina e garantir a contenção rápida do risco.

Importância do sistema RASFF

O caso evidencia a eficácia do Sistema de Alerta Rápido para Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais, que permite uma resposta coordenada e imediata entre os países da União Europeia. A notificação 2026.6068 reforça a necessidade de vigilância contínua sobre produtos importados e o papel central dos controlos oficiais na proteção da saúde pública.

Síntese

A notificação emitida por Portugal destaca um problema de segurança alimentar relacionado com ocratoxina A em figos secos provenientes de Espanha. As medidas já adotadas procuram mitigar o risco e evitar a circulação de produtos contaminados, garantindo a proteção dos consumidores.

Fonte: Qualfood

A primeira pedra da dessalinizadora que está a ser construída no concelho de Albufeira foi lançada no passado dia 8 de julho pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

De acordo com o comunicado de imprensa, a infraestrutura vai converter água do mar em água potável, com uma capacidade inicial de 16 milhões de metros cúbicos por ano. Posteriormente, poderá atingir os 24 milhões de metros cúbicos anuais.

 A obra foi adjudicada por 107,92 milhões de euros ao consórcio luso-espanhol formado pela Aquapor e pelo grupo GS Inima. Do valor total, 56 milhões de euros são financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência.

Maria da Graça Carvalho anunciou a criação de uma comissão de acompanhamento da empreitada, que integra os presidentes das câmaras municipais de Albufeira e de Loulé, representantes das associações de pescadores, juntas de freguesia e outras entidades.

 A comissão acompanhará o desenvolvimento das obras e a execução “das medidas de mitigação ambiental, incluindo a monitorização da conduta destinada à dispersão da salmoura”, uma das preocupações manifestadas pela autarquia de Albufeira.

No mesmo dia, a ministra inaugurou também a Estação de Água para Reutilização de Vilamoura, em Loulé, que reconverte águas residuais para uso na rega de jardins, campos de golfe e na agricultura.

 Maria da Graça Carvalho destacou que a estação “já tem uma série de contratos, alguns até foram assinados”. A governante acrescentou que será desenvolvido um projeto-piloto para utilização da água reutilizada na agricultura, considerando este passo “um grande avanço”.

Segundo a ministra, a água produzida pela estação também “está preparada para consumo humano”, embora essa utilização “não seja necessária neste momento”.

Fonte: Vida Rural

 

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) está a estudar a resistência térmica e acústica da lã de ovelha para isolamento na construção civil, permitindo dar uso às mais de 10 mil toneladas desta fibra natural que não é escoada.

Segundo adiantou hoje o IPB, a investigação científica, que está a ser desenvolvida pelo Grupo de Investigação em Construção Sustentável, pretende testar o nível de resistência térmica deste subproduto, nomeadamente a sua condutividade em várias temperaturas como, por exemplo, em caso de incêndio.

Segundo o investigador Luís Mesquita, a reação da lã de ovelha à temperatura mais elevada é de “carbonização”, criando um “camada” à superfície, o que permite “proteger o seu interior”, ou seja, pouco inflamável, dificultando a propagação do fogo.

“Nós temos que garantir que qualquer produto na construção se mantém seguro durante toda a vida de um edifício e claro que há sempre uma ação acidental, por exemplo um incêndio, para a qual o edifício e os produtos têm de estar preparados e garantir não só resistência ao fogo mas a reação ao fogo”, sublinhou.

O projeto de investigação, que começou há poucos meses e que tem a duração de três anos, encontra outras alternativas às funcionalidades da lã, que antigamente era procurada pela indústria têxtil e agora é acumulada, ano após ano, pelos pastores, após as tosquias, porque deixou de ser vendida ou recolhida.

No ano passado, foram colhidas 11 mil toneladas de lã em todo o país.

Na região, chegou a existir uma lavadoura no Cachão, concelho de Mirandela, mas encerrou, tal como todas as outras no resto do país. Atualmente já não existem fábricas lavadouras deste subproduto da ovelha.

Agora a solução passa por aproveitar esta fibra natural para a construção civil.

De acordo com o investigador, nos sistemas construtivos em madeira, o isolamento interno é feito muitas vezes com lã de rocha ou painel XPS. Mas graças à investigação do IPB, foi possível perceber que a lã de ovelha “oferece a mesma resistência térmica, o mesmo isolamento térmico que os outros materiais alternativos”.

“Valores [de resistência] muito, muito próximos [aos dos outros materiais] e aqui estamos a falar de algo que é uma fibra natural. Temos [lã] dos criadores da região, mas também de todo o país, porque todo o país atravessa exatamente as mesmas dificuldades de escoamento deste produto”, disse.

Além de ser uma mais-valia para os pastores, que assim escoam este subproduto, para a construção civil esta pode também ser uma alternativa mais rentável.

“A lã de rocha também é natural, mas é preciso gastar muita energia elétrica para produzir os painéis. Enquanto a lã de ovelha é algo que vamos ter todos os anos de uma forma disponível, porque todas ovelhas têm de ser tosquiadas”, frisou Luís Mesquita.

Depois de ser estudado o “valor ótimo entre a densidade desse sistema de isolamento e a resistência térmica”, no final do projeto o Grupo de Investigação em Construção Sustentável espera que esta alternativa seja certificada e chegue ao mercado.

“Os construtores podem ver este produto, assim que ele ficar disponível no mercado, como uma solução alternativa aos outros produtos que já existem”, vincou.

O projeto tem como parceiro, além das empresas, a Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Raça Churra Galega Bragançana.

Fonte: Agroportal

Novos Alimentos | Recentes Autorizações

  • Thursday, 09 July 2026 11:06

A Comissão Europeia autorizou a colocação no mercado da União Europeia de dois novos alimentos, na sequência dos pareceres científicos favoráveis da EFSA sobre a sua segurança:

  • Hidrolisado de membrana de ovo (produzido enzimaticamente);
  • Micélio de Rhizomucor pusillus.

As autorizações foram formalizadas através dos Regulamentos de Execução (UE) 2026/1427 e (UE) 2026/1507, que alteram o Regulamento de Execução (UE) 2017/2470, relativo à Lista da União de novos alimentos.

Mantenha-se informado e consulte os novos regulamentos:

Regulamento de Execução (UE) 2026/1427 da Comissão, de 2 de julho de 2026, que autoriza a colocação no mercado de hidrolisado de membrana de ovo (produzido enzimaticamente) como novo alimento e altera o Regulamento de Execução (UE) 2017/2470.

Regulamento de Execução (UE) 2026/1507 da Comissão, de 3 de julho de 2026, que autoriza a colocação no mercado de micélio de Rhizomucor pusillus como novo alimento e altera o Regulamento de Execução (UE) 2017/2470.

Fonte: DGAV

O Dia Mundial da Pizza, celebrado anualmente a 10 de julho, volta a colocar no centro das atenções um dos alimentos mais populares do planeta — símbolo de partilha, conforto e inovação gastronómica. De Nápoles para o mundo, a pizza tornou‑se um fenómeno cultural e económico que atravessa fronteiras, adapta-se a gostos locais e movimenta milhares de milhões de euros por ano.

Uma história que continua a reinventar-se

A origem remonta às tradições napolitanas do século XVIII, mas a expansão global transformou a pizza num produto universal. Hoje, é possível encontrar versões artesanais de fermentação lenta, propostas gourmet com ingredientes de denominação protegida, opções vegan e sem glúten, além das clássicas que continuam a dominar preferências.

Consumo em alta e novas tendências

O mercado internacional da pizza mantém crescimento constante, impulsionado por três fatores principais:

  • Digitalização alimentar — plataformas de entrega e apps de fidelização aumentaram o consumo fora dos restaurantes;
  • Inovação culinária — farinhas alternativas, fermentações naturais e toppings regionais ganham espaço;
  • Sustentabilidade alimentar — cadeias de fornecimento mais curtas e ingredientes locais tornam-se prioridade para consumidores europeus.

Portugal celebra com criatividade

Em Portugal, pizzarias artesanais e cadeias nacionais aproveitam a data para lançar edições especiais, reforçar campanhas digitais e destacar ingredientes locais como azeite, queijos regionais, enchidos tradicionais ou vegetais de produção sustentável. O setor da restauração vê no Dia Mundial da Pizza uma oportunidade para dinamizar vendas num período de forte concorrência e elevada procura turística.

Segurança alimentar e qualidade: pilares essenciais

Com o aumento do consumo e da oferta, cresce também a atenção à segurança alimentar, desde o controlo microbiológico das massas até à rastreabilidade dos ingredientes frescos. Organizações especializadas reforçam recomendações sobre boas práticas de higiene, conservação e manipulação, garantindo que a celebração chega à mesa com qualidade e confiança.

Uma data que une tradição e futuro

O Dia Mundial da Pizza é mais do que uma homenagem gastronómica: é um retrato da evolução dos hábitos de consumo, da criatividade culinária e da capacidade de um produto simples se transformar num fenómeno global. Entre receitas clássicas e novas tendências, a pizza continua a ser um dos alimentos mais democráticos e celebrados do mundo.

Fonte: Qualfood

O legado que mudou a cafeicultura mundial

Atualmente, mais de 90% das variedades de cafeeiro resistentes à ferrugem alaranjada cultivadas no mundo são derivadas do ‘Híbrido de Timor’ (HDT), uma população de cafeeiro descoberta pelo Centro de Investigação das Ferrugens do Cafeeiro (CIFC), no final dos anos 1950.

Este centro, integrado no ISA, em Lisboa, cruzou o ‘Híbrido de Timor’ com variedades comerciais com boas características agronómicas e elevada qualidade de bebida, embora suscetíveis à doença, e disponibilizou a todas as instituições que as solicitaram as variedades Catimor (Caturra × HDT CIFC 832/1) e Sarchimor (Villa Sarchi × HDT CIFC 832/2).

“Este foi sem dúvida um marco histórico, uma contribuição de valor incalculável para a sustentabilidade da cafeicultura mundial, com impacto direto na melhoria do rendimento dos agricultores”, afirma Maria do Céu Silva, coordenadora do CIFC, recentemente reconhecido como Unidade de Apoio Tecnológico do Instituto Superior de Agronomia (ISA).

A cafeicultura é o meio de subsistência de 25 milhões de agricultores, 80% dos quais são pequenos produtores, segundo dados da FAO.

 O CIFC, fundado em 1955 pelo reconhecido fitopatologista António Branquinho D’Oliveira, conquistou o estatuto de referência mundial no estudo das principais doenças do cafeeiro – a ferrugem alaranjada e a antracnose dos frutos verdes -, colaborando com centros de investigação de mais de 40 países produtores de café na América, África e Ásia, no desenvolvimento de cultivares com resistência duradoura a estas doenças.

O CIFC detém um valioso património de coleções de germoplasma de cafeeiro e de isolados dos fungos causadores da ferrugem alaranjada (Hemileia vastatrix) e da antracnose dos frutos verdes (Colletotrichum kahawae), provenientes de diversas regiões geográficas.

Na Colômbia, 88% das variedades de cafeeiro cultivadas são derivadas do Híbrido de Timor CIFC 1343, resultado direto da colaboração com o CIFC e com impacto em mais de 500 mil famílias produtoras.

“Quando a ferrugem alaranjada foi detetada na Colômbia, em 1983, o país já tinha a variedade Colômbia resistente no campo e não sofreu grandes danos, graças à colaboração com o nosso Centro, que se iniciou nos anos 70. Atualmente, estamos a colaborar no desenvolvimento de variedades resistentes à antracnose dos frutos verdes que afeta o cafeeiro Arábica, sobretudo a elevada altitude”, explica Maria do Céu Silva.

 Anualmente, o CIFC avalia a resistência de milhares de plântulas obtidas a partir de sementes enviadas pelo Cenicafé (Centro Nacional de Investigaciones de Café), na Colômbia, que visa antecipar-se a uma eventual introdução do patogénio causador da antracnose dos frutos verdes no país.

 Também na China, 13º produtor mundial e 6º consumidor de café, cerca de 90% do cafeeiro Arábica deriva de plantas do ‘Híbrido de Timor’ caracterizadas no CIFC.

Novos desafios para a cafeicultura mundial

Atualmente, o CIFC/ISA está a estudar o efeito das alterações climáticas na expressão da resistência do cafeeiro à ferrugem alaranjada e na virulência do fungo para apoiar a criação de variedades mais resilientes.

Na última década, sobretudo devido ao aumento da temperatura, a ferrugem alaranjada do cafeeiro expandiu-se para zonas de maior altitude na América Central, nas Caraíbas e em África, havendo registos de ocorrências acima dos 1600m na Colômbia, onde não era habitual. Este fungo é viável entre 15ºC e 30ºC, com um ótimo de desenvolvimento entre 21 °C e 25 °C.

Esta nova epidemia na América Central e nas Caraíbas, designada como ‘big rust’, tem causado perdas de várias centenas de milhões de dólares, com consequências sociais extremamente graves.

“Começámos a estudar o efeito de alguns factores associados às alterações climáticas numa variedade resistente à ferrugem cultivada no Brasil, e submetemos um projeto em colaboração com o Instituto Agronómico de Campinas para validação dos resultados em condições de campo”, refere a investigadora.

A própria área de cultivo do cafeeiro a nível mundial poderá reduzir-se e deslocar-se devido às alterações climáticas. Um estudo recente da organização científica ‘Climate Central’ estima que as alterações climáticas poderão reduzir a área global adequada para o cultivo do café em cerca de 50%, em todos os cenários de emissões, até 2050.

Clima altera o tipo de café que bebemos

As alterações climáticas também podem influenciar o tipo e a qualidade do café que bebemos. “O futuro do café poderá passar cada vez mais pelo uso de variedades derivadas de Robusta (Coffea canephora). Esta espécie é, em geral, mais resistente a doenças e mais resiliente às alterações climáticas, mas está associada a uma bebida de menor qualidade e a um maior teor de cafeína”, refere a investigadora.

Há cerca de 40 anos a produção mundial de café dividia-se em 75% Arábica e 25% Robusta, atualmente, o ratio já é 53% Arábica e 47% de Robusta. Entretanto, os cientistas estão a trabalhar no melhoramento da qualidade da bebida do café Robusta.

O futuro do café passa pela investigação

No contexto dos crescentes desafios à produção mundial de café, incluindo as alterações climáticas e a perda progressiva de resistência à ferrugem em algumas variedades derivadas do Híbrido de Timor, o legado científico e o conhecimento acumulado ao longo de sete décadas pelo CIFC/ISA continuam a constituir uma ferramenta essencial para apoiar o desenvolvimento de cultivares mais resilientes e a sustentabilidade da cafeicultura.

O CIFC desenvolve as suas atividades em estreita articulação com o centro de investigação LEAF-ISA, o que tem permitido reforçar a colaboração multidisciplinar, a captação de financiamento e o acesso a novas tecnologias, como a genómica. 

Fonte: ISA

O projeto Gubico, uma alternativa vegetal ao iogurte desenvolvida a partir de grão-de-bico biológico e maçã de Alcobaça, venceu a edição de 2026 do Prémio Ecotrophelia Portugal e vai representar o país na final europeia da competição, em Paris, durante a feira SIAL. 

Materialde referência geográfica

Desenvolvido por quatro estudantes do Instituto Superior de Agronomia, Inês Traquina, Rita Maia, Maria Inês Vieira e Aster Dsouza, o Gubico foi distinguido pelo seu perfil nutricional, caráter inovador e potencial de mercado.

A equipa destacou a importância da participação no prémio, afirmando: “o Prémio Ecotrophelia é uma oportunidade que pode abrir portas para o mercado de trabalho e contribuir para a melhoria do trabalho que desenvolvemos, bem como para a nossa formação, através das experiências que vamos viver a partir de agora”.

A equipa recebeu o primeiro prémio, no valor de 3.000 euros, financiado pelo Crédito Agrícola, garantindo a presença na final europeia do Ecotrophelia. O projeto arrecadou ainda a distinção Nutri Up, atribuída pela Associação Portuguesa de Nutrição, em reconhecimento do perfil nutricional do produto. Esta distinção proporcionará à equipa consultoria especializada e acesso gratuito à edição de 2026 do Congresso de Nutrição.

O Gubico recebeu também os prémios Rise Up, Strategy Up, Design Up e Communication Up. Estas distinções garantem apoio especializado nas áreas de empreendedorismo, desenvolvimento do plano de negócios, design, comunicação e apresentação do produto.

Fonte: Grande Consumo