Um novo estudo realizado por investigadores da FDA demonstrou os riscos de contaminação cruzada por alergénios de frutos do mar em sistemas de panar compartilhados utilizados na produção de alimentos. As conclusões foram publicadas no Journal of Food Protection .
Embora seja comum que empresas de serviços de alimentação de alimentos utilizem misturas para panar multiuso para alimentos de origem animal e vegetal, visando agilizar o preparo e reduzir a complexidade operacional, os riscos de contaminação cruzada por alergénios decorrentes da reutilização dessas misturas permanecem pouco explorados. Essa lacuna de conhecimento limita a base científica para a avaliação de riscos e o desenvolvimento de estratégias de controle eficazes. Portanto, o presente estudo foi conduzido para determinar em que medida os alergénios de frutos do mar podem ser transferidos para outros alimentos por meio da reutilização de misturas de panar, bem como para avaliar a eficácia de intervenções na redução de resíduos de alergeénios entre os usos.
Verificou-se que tanto as proteínas do camarão quanto as do bacalhau se acumulavam progressivamente nas misturas de panar à medida que os lotes eram preparados. No entanto, as proteínas do bacalhau desprendem mais facilmente e em concentrações mais elevadas do que as proteínas do camarão. Após panar 20 lotes de bacalhau, os níveis de proteína alergénica atingiram 628,7 microgramas por grama (µg/g), o que representa mais de 18 vezes os níveis de proteína do bacalhau medidos após panar cinco lotes.
Por outro lado, as proteínas do camarão acumularam-se mais lentamente, com apenas 17,2 µg/g detectados após 20 lotes. As proteínas do camarão também demonstraram maior variação entre locais e repetições do que as do bacalhau.
No entanto, ao panar outros alimentos na mistura reutilizada após o bacalhau, a dose de referência do Codex de 5 mg de proteína total de peixe foi consistentemente excedida em porções individuais de frango, cogumelos e courgete.
Os investigadores também avaliaram a eficácia de peneirar as misturas de panar entre lotes como estratégia de controle para reduzir resíduos de alergénios nos alimentos. Embora peneiras mais finas, com poros de 75 micrômetros (µm), tenham se mostrado mais eficazes na remoção de alergénios de bacalhau e camarão, a peneira não conseguiu eliminar completamente os alergénios de frutos do mar das misturas de panar. Além disso, a peneira resultou em perda substancial de mistura utilizável, o que sugere sua inviabilidade para uso real em serviços de alimentação e ambientes industriais. Em suma, os investigadores concluíram que a peneira isoladamente pode não ser uma medida eficaz para o controle de alergénios.
Leia o artigo aqui.
Fonte: Food Safety Magazine
Mais de 200 mil castanheiros com cancro no Nordeste Transmontano foram, na última década, curados graças a um tratamento biológico criado pelo Instituto Politécnico de Bragança (IPB), projeto que foi prolongado por mais cinco anos.
O IPB e a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) assinaram o protocolo que prolonga por mais cinco anos este projeto de combate ao cancro do castanheiro, que envolve mais de três mil produtores, segundo avançou aos jornalistas a investigadora responsável pelo programa, Eugénia Gouveia.
O cancro do castanheiro é uma das principais doenças fitossanitárias que afeta os soutos nos concelhos de Bragança e Vinhais, onde há a maior produção de castanha do país.
O IPB desenvolveu um tratamento biológico que tem vindo a ser aplicado desde 2015 e que trata o cancro provocado pela estirpe Cryphonectria parasítica, comum na região.
De acordo com a investigadora do IPB, “10% de castanheiros” têm a doença, mas o tratamento biológico tem uma “eficácia em termos globais que rondará os 95%” e, por isso, já foram tratados “mais de 200 mil castanheiros”.
“Este é um produto biológico que atua no fungo, que é patogénico, e dessa forma o castanheiro deixa de reconhecer o fungo como parasita e para o crescimento, e promove o desenvolvimento de tecidos novos e funcionais. É um sistema altamente eficaz, altamente específico, e não interfere nem com a saúde humana, nem com o ambiente”, explicou Eugénia Gouveia.
Uma das vantagens do tratamento, em relação aos pesticidas, é que uma aplicação é suficiente para a cura da árvore.
“Todo esse trabalho que está a ser feito pelo IPB, além de já estar a apoiar de uma forma muito concreta o controlo do cancro do castanheiro, está também a obter-se informação científica para que se possa reunir, de facto, tudo o que é necessário para se vir, um dia, a homologar o produto. Até lá, obviamente, o que nos interessa a todos, quer à DGAV quer ao IPB, é apoiar os agricultores no controlo deste flagelo que afeta os nossos castanheiros”, salientou Paula Cruz Garcia, subdiretora-geral da DGAV.
O tratamento é aplicado apenas nos soutos dos agricultores que fazem parte deste programa.
O produto ainda não está à venda no mercado, sendo que, para isso, precisa de homologação. O presidente do IPB revelou hoje que espera consegui-la nos próximos anos.
“Há perspetiva que, tratando-se de um produto biológico, possa haver um processo mais simplificado e nós estamos nesta fase a preparar o dossiê para pedir a homologação do produto como produto comercial, o que dará outra liberdade”, disse Orlando Rodrigues, presidente da instituição, acrescentando que espera que antes dos cinco anos do programa o produto já esteja homologado para entrar no mercado.
Cerca de 85% da produção de castanha em Portugal é proveniente de Trás-os-Montes. Em anos ditos normais, nos concelhos de Bragança e Vinhais chegam a ser colhidas 25 mil toneladas do fruto.
Fonte: Agroportal
O Comandante Nacional da Proteção Civil disse que o dispositivo de combate a incêndios rurais está dimensionado para a realidade do país e para aquilo que é expectável acontecer, mas realçou que está dependente da dimensão dos fogos.
“O dispositivo de combate a incêndios no fundo tenta mitigar os impactos que temos no país, mas eu diria que o dispositivo está dimensionado àquilo que é a realidade e que é expectável que aconteça”, disse Mário Silvestre em entrevista à Lusa na véspera do Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Rurais (DECIR) reforçar os meios de combate.
O DECIR vai ter este ano um ligeiro aumento de meios, nomeadamente operacionais e aeronaves, em relação a 2025, numa altura em que o Governo já alertou que 2026 pode ser muito difícil em termos de incêndios rurais, especialmente depois da tempestade Kristin que afetou especialmente a região centro no final do mês de Janeiro.
Questionado se perante este cenário os meios previstos no DECIR são os necessários, o comandante nacional de emergência e proteção civil afirmou que o dispositivo “depende do número de ocorrências, da dimensão dos incêndios e do comportamento humano”.
“Dimensionamos o dispositivo para aquilo que será, não para o pior cenário, nós não podemos dimensionar o dispositivo para o pior cenário, mas dimensionamos o dispositivo para aquilo que é expectável de acontecer”, disse.
Mário Silvestre referiu que, se ocorrer um incêndio numa zona onde o risco é potencialmente baixo, não existe problema em deflagrarem grandes incêndios.
“O nosso problema está nas ocorrências que vão e que têm lugar em zonas onde o potencial de incêndio é muito grande. Existem zonas do país onde rapidamente chegamos a valores na casa de 100 mil hectares de potencial a arder”, afirmou.
O comandante disse também que o DECIR não é um documento fechado, podendo sofrer alterações de acordo com as avaliações feitas a cada momento.
Os meios de combate a incêndios rurais vão ser reforçados a partir de sexta-feira, passando a estar em permanência no terreno 11.955 operacionais de 2.031 equipas, 2.599 veículos e 37 meios aéreos, além dos três helicópteros da AFOCELCA (empresa privada de proteção florestal vocacionada para o combate a incêndios rurais).
O primeiro reforço de meios acontece a 15 de Maio, no que é denominado ‘nível Bravo’, numa fase que se prolonga até ao dia 31 de Maio, altura em que os meios voltam a aumentar.
A fase mais crítica, entre Julho e Setembro, é aquela que mobiliza o maior dispositivo e vai contar este ano com 15.149 operacionais de 2.596 equipas, 3.463 viaturas e 81 meios aéreos, incluindo os três da AFOCELCA, um ligeiro aumento relação ao ano passado.
Dois helicópteros Black Hawk da Força Aérea vão estar este ano pela primeira vez ao serviço do combate aos fogos rurais.
No ano passado, o DECIR não teve disponíveis os meios aéreos previstos, tendo existido algumas alturas em que não chegaram aos 70 devido a avarias.
“Queremos acreditar que devemos ter sempre o dispositivo todo na sua força máxima. Mas trata-se de máquinas, e as máquinas avariam, e depois têm problemas na substituição de alguns componentes, que às vezes levam mais tempo do que aquilo que está a ser esperado. Portanto é algo que é expectável que aconteça”, disse o comandante nacional sobre a disponibilidade total dos meios aéreos.
Mário Silvestre disse ainda que a Proteção Civil tem a informação que até ao momento “não há qualquer constrangimento no dispositivo” e que “está pronto para arrancar” até atingir a sua capacidade máxima.
“Neste momento não temos nada que nos diga que temos algum constrangimento e, portanto, contamos com as 81 aeronaves”, concluiu.
Fonte: Green Savers
No âmbito da preparação da 93.ª Sessão Geral da Assembleia Mundial de Delegados da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA/WOAH), que decorrerá em Paris entre os dias 18 e 22 de maio, foi apresentado, o relatório anual “The State of the World’s Animal Health 2026” bem como, informação complementar quantificando dados sobre o impacto das doenças que afetam os animais (SOWA2026).
O relatório anual da OMSA é considerado o principal documento internacional de análise das tendências epidemiológicas globais em saúde animal e este ano destaca o seguinte:
No contexto atual, em que as crises de doenças emergentes levam à perda de 20% da produção animal global, ao aparecimento de cerca de 75% de doenças nos humanos com origem em animais e onde se verifica uma tendência para o declínio da capacidade de formação de médicos veterinários para apoiar 1,3 biliões de pessoas da área pecuária e agroalimentar cuja atividade económica esta associada à produção animal e à produção de alimentos, importa refletir nas medidas que podem ser adotadas para prevenir e preparar as crises, seja através de normativos, de medidas de biossegurança de prevenção através de vacinação e um forte investimento em investigação afim de mitigar os feitos nocivos das doenças emergentes como por exemplo a gripe aviária; a febre aftosa na Europa; a peste suína africana que têm um forte impacto económico num setor cuja atividade económica esta associada à produção animal e à produção de alimentos pecuária e agroalimentar.
Leia o relatório aqui.
Fonte: DGAV
“O setor do azeite no Alentejo tem alguns especificidades. Houve um grande investimento tecnológico, há lagares de última geração, já utilizam drones, sensores e a questão é: Já colhemos estes dados, o que fazemos com eles”, perguntou Miguel Bello, da NOVA School of Business & Economics (NOVA SBE).
Em declarações à agência Lusa, à margem do Congresso, o especialista respondeu que, no seu entender, “para o setor específico do azeite a IA é, claramente, o estratega para ajudar a trabalhar toda essa informação”.
“Nos últimos 10, 15 anos andámos a implementar esta tecnologia e a ajudar a tomar melhores decisões, mas não vale a pena ter um lagar de última geração se eu não uso toda a informação que tenho para produzir o melhor azeite”, ilustrou.
Segundo Miguel Bello, após terem feito “esta caminhada da digitalização” e do “investimento tecnológico”, que lhes permite “ter um conjunto de dados gigantes”, o que os produtores e empresas do setor necessitam agora é “de fazer a caminhada de trabalhar essa informação e utilizar a inteligência artificial”.
Isto é, precisam de encarar a IA como “o colega que lhes prepara a informação, que lhes encontra padrões para conseguir produzir o melhor produto”, porque este é um setor “que tem um potencial brutal para a aplicação da inteligência artificial, sustentou o especialista da NOVA SBE.
Outro dos intervenientes no mesmo debate, Ricardo Santos Lopes, realçou à Lusa que “a IA já faz parte do quotidiano” da sociedade, incluindo do dia-a-dia dos agricultores, e alertou para a rápida evolução desta tecnologia.
“Há uma capacidade evolutiva, há vários domínios que se vão agregando, desde o ‘machine learning’ à inteligência artificial generativa” e, não muito longe no tempo, “vamos sair do domínio dos ecrãs e conviver com humanoides”, disse.
No setor agrícola, como a fileira do azeite, a IA pode ter um contributo positivo na previsão e melhoria de colheitas, no controlo de pragas, na componente meteorológica associada com sistemas preditivos, exemplificou.
“Com melhores dados conseguimos melhorar a qualidade do azeite e, tudo isto agregado, aumenta a competitividade dos produtos, dos agricultores e alavanca ainda mais uma fileira como a do azeite, extremamente importante. Já representa cerca de 700 milhões de euros no Produto Interno Bruto (PIB) e tem ainda uma fase de crescimento muito evidente”, argumentou.
Manuel Norte Santo, presidente do Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo (CEPAAL), enfatizou as “práticas agrícolas inovadoras” e os “avanços tecnológicos” na fileira, mas admitiu que, do que sabe, “a IA ainda não está a ser aplicada no setor em todo o seu esplendor”.
Ainda assim, “com a análise de dados imediata, com a possibilidade de decisões mais eficazes e mais rápidas, a IA vai ser uma ferramenta indispensável”, defendeu.
Miguel Bello enfatizou essa importância: “A IA é o nosso colega estratégico. As pessoas começam a aperceber-se de que esta tecnologia é disruptiva. Acho é que ainda não tiveram a noção de que, provavelmente, é a tecnologia mais disruptiva das nossas vidas”.
Fonte: Agroportal
Investigadores no Japão identificaram um gene que desempenha um papel crucial na germinação de sementes de tomate sob temperaturas elevadas. A descoberta poderá abrir caminho ao desenvolvimento de variedades mais resistentes às alterações climáticas e ajudar a proteger a produção agrícola em regiões cada vez mais quentes.
A investigação revelou que o gene SlIAA9 atua como um repressor na via de sinalização hormonal das plantas. Em experiências realizadas pelos cientistas, plantas de tomate sem este gene conseguiram manter elevadas taxas de germinação e um crescimento saudável mesmo sob calor extremo — condições que normalmente provocam dormência ou anomalias nas plântulas de tomate convencionais.
Segundo os investigadores da Universidade de Tsukuba, a ausência do gene permite às sementes lidar melhor com o stress térmico através da produção de níveis mais elevados de enzimas antioxidantes e proteínas de choque térmico. Estes mecanismos biológicos ajudam a reduzir os danos celulares provocados pelo calor e favorecem o desenvolvimento normal da planta.
Os autores do estudo sublinham que esta descoberta representa uma importante base genética para o desenvolvimento de culturas agrícolas mais resilientes ao clima. Com o aumento das temperaturas globais, a criação de variedades de tomate capazes de resistir ao calor durante as fases iniciais do crescimento poderá tornar-se essencial para garantir a segurança alimentar e apoiar a agricultura em regiões vulneráveis ao aquecimento.
Fonte: CiB
A Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) divulgou o seu relatório anual sobre a situação do setor vitivinícola mundial, apresentando dados relativos à produção, ao consumo e ao comércio internacional em 2025.
Em 2025, o setor vitivinícola mundial continuou a adaptar-se a uma combinação de variabilidade climática, diminuição da procura e crescente incerteza comercial. Em todos os setores — produção, consumo e comércio —, os volumes mantiveram-se sob pressão, mas os equilíbrios gerais do mercado permaneceram, em grande medida, controlados, apoiados pela menor produção, pelo ajustamento gradual dos stocks e pelo elevado nível de internacionalização dos mercados do vinho.
Principais destaques
• Área de vinha: A área global de vinha diminuiu 0,8% em 2025 para 7,0 milhões de hectares, marcando o sexto ano consecutivo de contração. Isto confirma um ajustamento em curso na área global de vinha, impulsionado pelo arranque de vinhas em vários dos principais países vitícolas em
ambos os hemisférios. O declínio afetou todos os tipos de uva, mas foi particularmente pronunciado no caso das uvas de vinho.
• Produção de vinho: A produção global de vinho está estimada em 227 milhões de hectolitros em 2025, apenas 0,6% acima do nível historicamente baixo de 2024. Isto marca o terceiro ano consecutivo de baixa produção global, refletindo o efeito combinado da volatilidade climática e
dos ajustamentos de produção ligados a condições de procura mais fracas.
No contexto de mercado atual, no entanto, espera-se que a produção abaixo da média contribua para um alívio gradual da pressão sobre os stocks, em vez de criar escassez generalizada de oferta.
• Consumo de vinho: O consumo mundial de vinho está estimado em 208 milhões de hectolitros em 2025, uma descida de 2,7% em comparação com 2024. Esta evolução reflete a interação de mudanças estruturais de longo prazo em mercados maduros, alteração do comportamento dos consumidores e as recentes pressões económicas sobre o poder de compra. Com nove dos dez principais mercados mundiais de vinho a registarem volumes mais baixos, o ajustamento do lado da procura continua a ser um dos principais desafios
para o setor, embora alguns mercados tenham continuado a mostrar resiliência.
• Comércio Internacional de Vinho: O comércio global em 2025 foi marcado sobretudo por uma maior incerteza comercial associada às medidas tarifárias dos EUA, juntamente com uma procura mais fraca em vários mercados de importação importantes. As exportações mundiais de vinho diminuíram para 94,8 milhões de hectolitros (-4,7%), enquanto o valor das exportações caiu para 33,8 mil milhões de euros (-6,7%), refletindo tanto volumes comercializados mais baixos como um ajustamento moderado dos preços. No entanto, o nível de internacionalização manteve-se historicamente elevado, com quase uma garrafa em cada duas consumida fora do seu país de origem, confirmando o papel estrutural do comércio internacional no setor vitivinícola.
Leia o relatório aqui.
Fonte: OIV
Nas escolhas alimentares de bens perecíveis, como é o caso do pescado, é frequente os consumidores basearem as suas decisões na avaliação de riscos e benefícios associados à compra. Neste contexto, o pescado é geralmente percecionado como uma categoria alimentar saudável e beneficia de uma imagem globalmente positiva.
De facto, o consumo de peixe está associado a diversos benefícios para a saúde humana e é amplamente reconhecido como um alimento de elevada qualidade nutricional. Destaca-se, em particular, pelo seu alto teor de ácidos gordos polinsaturados, mais especificamente ácidos gordos essenciais ómega-3, nomeadamente ácido eicosapentaenóico (EPA) e ácido docosahexaenóico (DHA), que desempenham um papel fundamental na saúde cardiovascular, tais como a diminuição da coagulação sanguínea, sendo por isso considerados protetores de doença cardiovascular e possuem um efeito anti-inflamatório. As proteínas do peixe são de alto valor biológico e constituem uma importante fonte de aminoácidos essenciais, como a lisina. É também rico em micronutrientes essenciais, como as vitaminas A, D e B12, e fornece uma quantidade considerável de minerais, como potássio, fósforo e iodo, respetivamente importantes para a manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico, contração muscular, funcionamento das membranas celulares, estrutura dos ácidos nucleicos, metabolismo energético e ósseo, e para o correto funcionamento da tiroide. Estes aspetos reforçam a sua integração em padrões alimentares saudáveis, como a dieta mediterrânica.
Segundo a Pirâmide da Dieta Mediterrânica, o pescado encontra-se no patamar dos alimentos que devem ser consumidos semanalmente, sugerindo o consumo de 2 ou mais porções de peixe/pescado por semana. Já na Roda dos Alimentos, o pescado integra o grupo das “Carnes, Pescado e Ovos”, recomendando-se a ingestão de 1,5 a 4,5 porções diárias de alimentos deste grupo, em que uma porção corresponde a 25 g de carnes ou pescado cozinhados ou a 30 g de carnes ou pescado crus.
Mundialmente, esta imagem positiva do pescado tem levado ao aumento da procura, conduzindo à expansão global das frotas de pesca, que, aliada a uma maior eficiência na captura, contribui para a intensificação da sobrepesca e para o risco de esgotamento de alguns stocks naturais. De acordo com os relatórios da FAO, a fração dos stocks marinhos explorados em níveis biologicamente sustentáveis diminuiu para 62,3 %, em 2021, menos 2,3 pontos percentuais do que em 2019.
Porém, o pescado também é percecionado como uma fonte potencial de exposição humana a contaminantes químicos. De facto, os ecossistemas aquáticos podem acumular diversas substâncias poluentes provenientes de atividades industriais, agrícolas e urbanas. Entre os contaminantes mais frequentemente associados ao consumo de pescado, particularmente no caso dos peixes gordos, destacam-se os metais pesados, como o mercúrio, o cádmio e o chumbo, bem como os poluentes orgânicos persistentes, como as dioxinas e os policlorobifenilos (PCB). A exposição crónica a determinados contaminantes pode estar associada a efeitos adversos na saúde humana, nomeadamente a nível neurológico, imunológico e endócrino, sendo particularmente relevante para grupos vulneráveis, como grávidas, crianças e indivíduos com elevado consumo de peixe. Consequentemente, a perceção do risco associado à presença de contaminantes pode influenciar as escolhas alimentares dos consumidores, gerando dúvidas quanto à quantidade e ao tipo de peixe que devem integrar uma alimentação equilibrada.
Em resposta à evolução destas dinâmicas, o pescado produzido por meio de sistemas de aquacultura tem-se afirmado como uma alternativa relevante. De acordo com os dados da FAO, a aquacultura mundial continua a ser o setor de produção animal para alimentação que mais cresce, tendo passado de menos de um milhão de toneladas anuais no início da década de 1950 para 94,4 milhões de toneladas, em 2022. Nesse ano, a aquacultura representou cerca de 57 % do pescado destinado ao consumo humano a nível global. Além disso, o pescado produzido em aquacultura permite maior controlo da qualidade do produto, possibilitando à indústria oferecer diferentes padrões de qualidade (por exemplo, no teor de lípidos e perfil de ácidos gordos), ajustados às diversas preferências dos mercados globais.
Fonte: TecnoAlimentar
Algas marinhas, microrganismos e espécies naturais com potencial terapêutico estiveram no centro dos projetos desenvolvidos por estudantes finalistas da licenciatura em Biotecnologia da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM) do Politécnico de Leiria, em Peniche, que exploraram soluções com aplicação nas áreas da saúde, cosmética e alimentação.
Os projetos foram desenvolvidos e apresentados no âmbito da unidade curricular de Projeto Interdisciplinar, resultando de vários meses de investigação experimental em laboratório, com o apoio de docentes e recurso a infraestruturas de investigação, como o CETEMARES, reforçando a ligação entre ensino, investigação e aplicação prática.
No total, foram apresentados nove projetos que refletem a diversidade da biotecnologia e a sua crescente relevância na valorização de recursos naturais e no desenvolvimento de soluções sustentáveis. Entre os temas abordados, destacam-se o estudo de compostos bioativos com propriedades antimicrobianas, antioxidantes, antitumorais e neuroprotetoras, bem como a aplicação de extratos naturais em produtos cosméticos, alimentares e biomédicos.
Alguns dos projetos incidiram na valorização de espécies marinhas e invasoras, explorando o seu potencial como fonte de compostos com interesse científico e industrial, enquanto outros focaram-se no desenvolvimento de soluções inovadoras, como materiais biodegradáveis e filmes comestíveis para conservação alimentar.
Fonte: TecnoAlimentar
Autoridades de saúde em toda a Europa e nos Estados Unidos estão a investigar um surto de Salmonella que já deixou mais de 60 pessoas doentes.
Entre Janeiro e Maio, foram relatados 62 casos de Salmonella Stanley na Áustria, República Checa, Dinamarca, Estónia, França, Alemanha, Lituânia, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos.
Crianças e jovens adultos são o grupo etário mais afectado, e hospitalizações ocorreram na maioria dos países. Nenhuma fonte foi identificada até ao momento, mas a maioria dos casos foi adquirida localmente.
Ainda há oito casos de Salmonella Stanley na Dinamarca.
O Statens Serum Institut (SSI) da Dinamarca comunicou pela primeira vez sobre o surto em Abril. Ainda existem oito casos de Salmonella Stanley no país.
A SSI (Sociedade de Investigação de Segurança), a Agência Dinamarquesa de Veterinária, Alimentação, Agricultura e Pescas e o Instituto Nacional de Alimentos estão envolvidos na investigação. Os pacientes são sete homens e uma mulher, com idades entre 5 e 22 anos, sendo a média de 11,5 anos.
O sequenciamento completo do genoma das bactérias isoladas dos pacientes mostrou que elas eram geneticamente muito semelhantes e pertenciam ao tipo de sequência 2045. Isso significa que provavelmente existe uma fonte comum de infecção.
Inglaterra e Áustria afetadas.
Em Inglaterra, 21 pacientes estão ligados ao surto. Eles adoeceram entre o final de Janeiro e meados de Abril de 2026. Oito pacientes são crianças e seis pessoas foram hospitalizadas.
Gauri Godbole, diretora adjunta de infecções gastrointestinais da Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA), disse: “ Estamos a acompanhar um surto de Salmonella que afeta vários países, com mais casos relatados entre jovens. A origem do surto ainda está a ser investigada.”
“ Existem medidas simples para prevenir a propagação da Salmonella: lave bem as mãos após usar a casa de banho e antes de preparar e manusear alimentos, cozinhe bem os alimentos e, caso apresente algum sintoma, evite, sempre que possível, manipular alimentos para outras pessoas .”
A Áustria também foi afetada, com seis pessoas doentes. O Ministério da Saúde solicitou à Agência Austríaca para a Saúde e Segurança Alimentar (AGES) que investigue o surto de origem alimentar.
O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) está a monitorizar o incidente junto aos países afetados e à Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA).
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