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A transformação tecnológica da segurança alimentar acelerou em 2025, explica Yannick Verry, da Informa Markets, impulsionada pela evolução das ameaças de contaminação e pelos prazos iminentes de conformidade regulatória que expõem lacunas críticas nos métodos tradicionais de deteção.

Como os métodos tradicionais de análise microbiológicas, que exigem até uma semana para apresentar resultados, se mostram inadequados para as velocidades de processamento modernas, os incidentes de contaminação continuam a representar um desafio para os produtores. Os ovos mantêm um alto nível de risco devido a problemas persistentes com Salmonella , e os riscos relacionados a pesticidas dominam as preocupações com a segurança das frutas, enquanto milhares de casos de listeriose são registrados todos os anos somente na Europa.

A evolução do cenário tecnológico coincide com a decisão da Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) de adiar a conformidade com a Regra de Rastreabilidade de Alimentos em 30 meses, para julho de 2028 , reconhecendo que o cronograma original era muito curto para a implementação dessa regra complexa. 

Em resposta, tecnologias inovadoras de deteção e preservação estão a transformar a forma como os fabricantes lidam com a contaminação, oferecendo velocidade e precisão sem precedentes justamente quando as exigências de conformidade regulatória se intensificam. Aqui, analisamos algumas das mais interessantes. 

De dias para minutos: deteção de contaminação reinventada

Os testes microbiológicos tradicionais apresentam uma vulnerabilidade crítica em relação ao tempo. Os testes bacteriológicos exigem até três dias, uma vez que as bactérias precisam ser cultivadas em placas de ágar e incubadas até que as colônias se tornem visíveis. Durante esse período de espera, os produtos contaminados frequentemente concluem o processamento e entram nos canais de distribuição – às vezes chegando às prateleiras dos retalhistas antes que os laboratórios possam confirmar os riscos.

A empresa Sensip-dx, spin-off da Universidade de Maastricht, reduziu esse tempo para apenas 15 minutos. A tecnologia de sensores da empresa utiliza polímeros com impressão molecular – materiais sintéticos projetados com sítios de ligação molecular para bactérias específicas – combinados com medições de resistência térmica para identificar a presença de patógenios em tempo real.

O processo de produção envolve interromper a cura do polímero no meio do processo e injetar bactérias vivas no material semi-curado, criando impressões físicas e ligações químicas. Quando a polimerização é retomada, as bactérias morrem, deixando sítios de ligação com formato preciso que reconhecem patógenios correspondentes.

Durante os testes, o fluido da amostra flui sobre o sensor. As bactérias correspondentes ligam-se a esses pontos de contato e o sistema mede a resistência térmica para confirmar a presença rapidamente. A drástica aceleração na velocidade de deteção – de três dias para 15 minutos – muda fundamentalmente a tomada de decisões operacionais, permitindo que as instalações testem água de lavagem, amostras de ingredientes ou superfícies de contacto durante a produção ativa e implementem correções imediatas, em vez de gerirem recalls após a distribuição.

Os sensores funcionam contra todos os patógenios bacterianos transmitidos por alimentos conhecidos e podem ser calibrados para diversas matrizes alimentares. A Sensip-dx está a desenvolver protótipos com parceiros comerciais iniciais, visando o lançamento iminente dos primeiros produtos comerciais.

A degradação da qualidade vai além da intervenção química

Enquanto as tecnologias de deteção se concentram na identificação, inovações paralelas combatem a degradação da qualidade que tradicionalmente exigia intervenção química. O congelamento convencional cria grandes cristais de gelo que rompem as paredes celulares, produzindo uma textura pastosa e perda de sabor após o descongelamento. O congelamento com nitrogênio líquido evita esse dano, mas as restrições de custo limitam sua aplicação.

A eletrostática oferece uma solução promissora: a aplicação de campos eletromagnéticos controlados durante o congelamento faz com que os produtos vibrem em frequências que impedem a formação de grandes cristais. Esse método de congelamento protege o sabor, além de preservar a textura. Quando as paredes celulares permanecem intactas, os compostos de sabor e as moléculas aromáticas permanecem dentro das células e não se degradam. O efeito eletrostático também reduz a quantidade de bactérias na superfície, prolongando a vida útil refrigerada de itens como framboesas frescas de períodos padrão para cinco ou seis semanas.

Testes cegos revelaram vantagens inesperadamente convincentes para aplicações em panificação, com os participantes incapazes de distinguir entre pizza fresca e pizza congelada e depois reaquecida. Gelado é outra aplicação importante, proporcionando uma textura macia e fácil de servir diretamente do congelador. Para fabricantes que enfrentam a demanda do consumidor por rótulos limpos, o congelamento eletrostático oferece manutenção da qualidade sem aditivos químicos.

A deteção de precisão ganha uma nova perspectiva com a visão computacional

Sistemas de visão computacional com inteligência artificial agora reconhecem inconsistências em alimentos com mais rapidez e precisão do que humanos, atingindo 97% de acerto na deteção de defeitos. A transformação decorre da adaptabilidade: ao contrário dos sistemas de visão tradicionais que sinalizam variações naturais aceitáveis ​​como defeitos, os sistemas com inteligência artificial aprendem a distinguir problemas de qualidade genuínos da variabilidade inerente aos produtos orgânicos. Um morango com formato ligeiramente irregular não gera rejeição, mas a podridão simOs modelos de aprendizagem preveem fatores de qualidade – teor de água, sólidos solúveis, alterações de cor – eliminando as avaliações humanas subjetivas.

A tecnologia de visão computacional proporciona melhor controlo de qualidade, aumento da produtividade, maior segurança alimentar e recolha de dados valiosos para rastreabilidade. A monitorização em tempo real permite que os fabricantes identifiquem e solucionem potenciais problemas de qualidade logo no início do ciclo de produção, aprimorando a integridade e a segurança dos produtos alimentares, ao mesmo tempo que mantêm altos padrões de qualidade.

O prazo regulamentar que impulsiona a mudança

Esses avanços tecnológicos chegam num momento em que os fabricantes enfrentam uma pressão regulatória sem precedentes. A Norma de Rastreabilidade de Alimentos da FDA, originalmente prevista para entrar em vigor em janeiro de 2026, exige o registro detalhado de alimentos na Lista de Rastreabilidade de Alimentos, incluindo queijos, ovos, manteigas de nozes, ervas, verduras, certas frutas e legumes, peixes e saladas prontas para consumo. As entidades abrangidas devem manter registros que possam ser convertidos para folha de cálculo e enviados à FDA em 24 horas.

O propósito desse requisito criou desafios significativos de implementação. A coordenação da cadeia de suprimentos provou ser particularmente difícil – mesmo empresas preparadas viram-se dependentes de dados de parceiros que não estavam em situação semelhante. Em março de 2025, o FDA prorrogou o prazo por 30 meses, para julho de 2028, reconhecendo essas realidades.

A janela de oportunidade competitiva

A prorrogação concedida pela FDA oferece aos fabricantes uma oportunidade valiosa para implementar sistemas de rastreabilidade aprimorados. Ao aproveitar esse período para adotar tecnologias avançadas – como deteção bacteriana de alta velocidade, preservação eletrostática e controlo de qualidade baseado em inteligência artificial – as empresas podem não apenas atender aos requisitos regulatórios, mas também impulsionar melhorias significativas na eficiência operacional.

Esses sistemas oferecem vantagens práticas: a deteção rápida permite o controlo da contaminação durante o processo, em vez de recalls após a distribuição; os sistemas de visão automatizados geram a documentação detalhada exigida pelas normas de rastreabilidade; e a preservação sem produtos químicos atende às demandas dos consumidores por rótulos limpos. As tecnologias funcionam de forma independente, mas complementam as necessidades de conformidade regulatória.

A questão para os líderes em segurança alimentar é o cronograma de implementação. Se os fabricantes adotarem essas medidas proativamente durante o período de conformidade ou reativamente sob pressão regulatória, isso provavelmente determinará seu posicionamento competitivo no cenário pós-2028.

Fonte: NewFood Magazine

A saúde entrou definitivamente para a lista das grandes forças que moldam o consumo em Portugal. Mas, ao contrário do que muitas vezes se pensa, essa mudança não se traduz apenas em dietas, suplementos ou produtos “fit”.

O estudo “Who Cares? Who Does? Health 2025”, da Worldpanel by Numerator, revela uma transformação silenciosa, mas profunda, no comportamento do consumidor português. Entre intenções e ações nem sempre coerentes, cresce a procura por produtos que equilibrem saúde, sabor, conveniência e confiança. Da redução do açúcar ao afastamento do álcool, passando pela ascensão dos produtos funcionais, dos probióticos e das alternativas 0.0, o retalho enfrenta um consumidor que já não compra apenas por hábito, mas por propósito, ainda que esse propósito se manifeste de formas complexas e nem sempre lineares.

A primeira evidência relevante é a distância entre aquilo que o consumidor declara e aquilo que realmente compra. Um número elevado de portugueses afirma querer reduzir o açúcar, mas os dados de compra mostram que, na prática, os gastos com categorias indulgentes — chocolate, doces, pastas para barrar e gelados — aumentam mesmo entre os consumidores que dizem querer moderar a ingestão de açúcar.

Esta contradição não traduz incoerência; traduz realismo. Ao aprofundar a análise dentro das categorias, o estudo mostra que os consumidores não estão a abandonar o prazer, mas a redefini-lo. No caso das tabletes de chocolate, os segmentos sem açúcar, de baixo teor ou com stevia ganham expressão, aumentando 4,8 pontos percentuais (p.p.) em penetração, enquanto as versões tradicionais com açúcar perdem 1,7 pontos percentuais. O preço médio pago por estes segmentos “mais saudáveis” é 12% superior ao da categoria, sinalizando que o consumidor está disposto a pagar mais para equilibrar prazer e consciência.

Esta mudança interna ilustra uma verdade fundamental: a saúde já não opera à margem do consumo indulgente. O consumidor está a migrar para versões de melhor perfil nutricional dentro das mesmas categorias que sempre consumiu e o retalho deve acompanhar esta transição, onde o sabor continua a ser determinante, mas já não é suficiente.

Peso, sono e stress: o novo tripé das preocupações dos portugueses

As preocupações dos consumidores ajudam a explicar estas mudanças. Em Portugal, o peso surge como inquietação dominante para 55% da população, seguido do sono (47%) e do stress (44%), índices muito acima da média global — entre 120 e 142 face ao total mundial.

Esta tríade reflete um país em pressão constante, onde corpo e mente se tornam prioridades crescentes. Do lado das marcas e do retalho, isto traduz-se numa procura mais forte por soluções que respondam a necessidades concretas: mais proteína, menos açúcar, benefícios funcionais, conveniência saudável, formatos individuais que apoiem rotinas diárias fragmentadas e uma maior atenção ao equilíbrio emocional e físico.

Entre aqueles que afirmam querer reduzir o açúcar — e Portugal (37%) está acima da média global (24%) nessa preocupação de redução —, observa-se uma maior afinidade por categorias como leite de curta duração, bebidas vegetais, iogurtes e sobremesas proteicas, aveia, barras energéticas e compotas com menos açúcar, todas elas a ganhar relevância na evolução do cabaz. Trata-se de um consumidor que, mesmo mantendo hábitos tradicionais, incorpora novas lógicas de equilíbrio. 

A ascensão silenciosa da alimentação “menos processada”

A questão dos alimentos ultraprocessados tem vindo a ganhar destaque globalmente e Portugal não é exceção. O estudo indica que 53% dos portugueses planeia reduzir o consumo destes produtos, posicionando o país acima da média global. Curiosamente, cerca de 20% dos inquiridos afirma não consumir ultraprocessados — algo praticamente impossível — o que evidencia um desafio persistente de literacia alimentar.

Apesar da confusão concetual, a tendência é clara: o consumidor quer aproximar-se de padrões alimentares mais “naturais”, mesmo quando não altera a sua rotina de conveniência. A elevada prevalência de refeições caseiras reforça este padrão: 80% dos portugueses diz preferir cozinhar com produtos frescos e 84% das refeições principais dentro de casa continua a ser pratos caseiros, centrados em sopas, arroz, legumes cozidos, massas, saladas e carnes simples.

O retalho encontra aqui uma oportunidade inequívoca. A frescura continua a ser o principal motor de confiança do consumidor, não apenas por tradição culinária, mas porque se inscreve no novo ideal de alimentação “real”, com menos ingredientes e mais perceção de autenticidade. A procura por conveniência não desaparece, mas passa a coexistir com a exigência de naturalidade. 

Um país que bebe menos álcool e descobre novas alternativas

A relação dos consumidores com o álcool está também a sofrer alterações significativas, impulsionadas pela saúde, pela moderação e por transformações nas dinâmicas sociais. Em Portugal, 16% dos consumidores planeia reduzir o consumo de álcool e esse número sobe para 18% entre os menores de 35 anos, ao mesmo tempo que 45% desta faixa etária afirma não consumir álcool de todo. Esta mudança traduz-se já num recuo das ocasiões reais de consumo de bebidas alcoólicas, tanto dentro de casa (–0,5 p.p.) como fora de casa (–5,7 p.p.).

Em contrapartida, a cerveja sem álcool vive um crescimento expressivo: conquistou mais 144 mil compradores, aumentou 24% em frequência e já representa 8% de penetração fora de casa. As campanhas das principais marcas — assentes na ideia de “sabor de sempre, sem desculpas” — reforçam a normalização deste tipo de consumo e expandem as ocasiões em que a categoria pode estar presente.

Do ponto de vista do retalho, esta tendência implica diversificação. A categoria 0.0 deixa de ser residual e passa a constituir uma resposta relevante para consumidores jovens, para quem moderação e convívio não são incompatíveis. 

Probióticos, suplementos e bebidas funcionais: a nova fronteira do consumo alimentar

Outra área em crescimento acelerado é a dos suplementos alimentares e dos produtos funcionais. Portugal destaca-se pela forte afinidade com suplementos de reforço imunitário: 67% considera-os um bom investimento para a saúde, acima da média global. Embora exista ceticismo noutros mercados europeus, o consumidor português valoriza soluções que prometem benefícios claros, sobretudo quando integradas no dia a dia.

A evolução dos dados de compra confirma esta tendência. A penetração de iogurtes probióticos (como bifidus e kefir) aumentou de 42% para 47% em apenas um ano e categorias como vitaminas, bebidas funcionais, iogurtes proteicos, produtos enriquecidos com vitamina D, snacks proteicos ou chás com propriedades relaxantes estão em crescimento contínuo no país. A saúde, aqui, não é um conceito abstrato. É funcional, mensurável e integrada na rotina. 

O impacto das terapias injetáveis para perda de peso: um novo consumidor em emergência

A crescente notoriedade da medicação injetável para perda de peso — como Ozempic ou Mounjaro — está a introduzir novas dinâmicas de consumo no sector, e Portugal destaca-se pela elevada familiaridade com estes produtos, com um índice 108 acima da média europeia.

O estudo mostra que os utilizadores destas medicações apresentam maior afinidade com categorias percecionadas como saudáveis e práticas — sopas refrigeradas, bebidas desportivas e isotónicas, bebidas vegetais, sobremesas proteicas e adoçantes — caracterizadas por conveniência e baixa carga calórica. Nos mercados onde este fenómeno está mais avançado, como o Brasil, observa-se ainda uma tendência para a redução da intensidade da cesta, com menor frequência de compra e menor volume por ocasião em categorias indulgentes, como refrigerantes e chocolate, evidenciando mudanças estruturais que poderão replicar-se no mercado português.

A médio prazo, isto pode reconfigurar o cabaz, favorecendo categorias leves, funcionais e com foco no bem-estar.

O retalho num ponto de viragem

O conjunto de evidências do “Who Cares? Who Does? Health 2025” revela que o consumidor português está num momento de transição entre hábitos tradicionais e novas expectativas de bem-estar. O retalho encontra-se numa posição estratégica para responder a estas mudanças, integrando inovação, clareza nutricional, frescura e conveniência saudável.

A saúde, enquanto força transversal, deixou de ser um nicho. É hoje um dos principais motores das escolhas alimentares, influenciando produtos, formatos, comunicação, categorias e experiências de compra. O retalho que conseguir acompanhar esta transformação — sem ceder ao alarmismo, mas também sem ignorar os sinais — estará mais bem posicionado para captar valor num mercado que se reinventa através das escolhas de um consumidor mais informado, mais consciente e mais exigente.

Fonte: Grande Consumo

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) manifesta publicamente a sua satisfação relativamente ao anúncio da Ministra do Ambiente e Energia no decurso da sua intervenção no Congresso Comemorativo da CAP.

“Temos também novidades sobre um tema que sabemos ser importante para muitos agricultores, que é a questão do bagaço da azeitona. Para quem ainda se recorda, anunciei na Ovibeja, em abril último, que o caroço é considerado um subproduto. Agora, o mesmo acontece com o bagaço da azeitona. Desde que não tenha sido objeto de tratamentos químicos será considerado um subproduto, podendo ser utilizado para a compostagem, sem restrições”.

A valorização do bagaço da azeitona como subproduto, deixando de ser considerado como resíduo e passando a ser utilizado como recurso é da maior importância para o setor, designadamente porque os olivicultores podem agora rentabilizar economicamente aquilo que antes era considerado desperdício.

Numa boa medida de promoção da economia circular, a garantia dada pela Ministra (que precisa ainda de ser regulada, o que a CAP espera que possa acontecer no mais curto período de tempo) oferece aos produtores uma fonte adicional de valorização e reforça o seu compromisso com a sustentabilidade.

Ou seja, esta é uma medida com impacto triplamente positivo: económico e social porque permite criar mais negócios, gerar mais emprego e induzir mais inovação capaz de dar novas utilizações ao bagaço de azeitona, como também é uma medida com impacto ambiental positivo pois permite a circularidade e o reaproveitamento do subproduto de um recurso natural.

Fonte: Agronegócios

A Black Friday é HOJE!!!!!

  • Friday, 28 November 2025 12:30

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A Black Friday é hoje um dos maiores testes de resistência para as operações de retalho, logística e atendimento ao cliente. Para perceber o impacto real deste pico de atividade nas equipas e nos processos, o Hipersuper falou com José Pedro Fernandes, vice-presidente da Sisqual WFM, empresa especializada em soluções de gestão inteligente de equipas. O responsável sublinha que este período “é uma prova de resiliência humana e organizacional”, que só pode ser superada com tecnologia, previsões granulares e planeamento inteligente orientado por dados.

A pressão começa muito antes das portas abrirem e prolonga-se até ao pós-venda. E, para José Pedro Fernandes, o impacto na força de trabalho vai muito para além do aumento das vendas: “a Black Friday obriga a uma força de trabalho flexível, bem treinada e capaz de lidar com tarefas intensificadas sem comprometer a qualidade”.

Segundo o responsável da Sisqual, os setores mais pressionados são sempre os mesmos: retalho, logística e contact centres. Mas os desafios são semelhantes: picos imprevisíveis, necessidade de respostas imediatas e pressão elevada sobre as equipas.

“No retalho físico, as equipas enfrentam um fluxo contínuo e muitas vezes imprevisível de clientes”, explica. “Na logística, o volume de encomendas dispara e as rotas tornam-se dinâmicas. Nos contact centers, o crescimento exponencial de chamadas exige comunicação rápida, empatia e capacidade de resolução de problemas”, acrescenta.

Apesar de cada setor ter especificidades próprias, há desafios transversais que se repetem todos os anos. “A necessidade de flexibilidade operacional e a gestão da fadiga são absolutamente críticas”, afirma. “É aqui que as ferramentas de WFM podem ser um forte aliado”, diz ainda.

Leia o artigo completo aqui.

Fonte: Hipersuper

Uma equipa internacional de investigadores, reunida pelo projeto BeXyl – Beyond Xylella, financiado pela UE, obteve resultados promissores na aplicação de tratamento térmico para controlar a bactéria Xylella fastidiosa em várias espécies vegetais. Este avanço marca um primeiro passo importante no sentido de fornecer ferramentas seguras e baseadas na ciência para o comércio seguro de material vegetal.

A Xylella fastidiosa é um patógeno vegetal de quarentena capaz de colonizar mais de 700 espécies vegetais, incluindo muitas de elevado valor económico e ecológico. Um surto de Xylella desencadeia restrições rigorosas à circulação de plantas para impedir a sua propagação, o que exerce uma forte pressão sobre os viveiros e os produtores. O tratamento térmico é uma solução bem conhecida para garantir o comércio seguro de material vegetal proveniente de áreas infetadas. No entanto, atualmente, os protocolos aprovados para a Xylella existem apenas para videiras, deixando outras espécies valiosas, como azeitonas e amêndoas, sem procedimentos validados.

O estudo, coordenado pelo CNR – Conselho Nacional de Investigação em colaboração com a ENA – Associação Europeia de Viveiros, selecionou várias espécies afetadas pela Xylella para testar tratamentos térmicos controlados. Estas espécies incluíram louro, lavanda, oleandro, polígala, amêndoa, pêssego, cereja, figo, amoreira, noz e oliveira.

O protocolo de tratamento envolveu a exposição das plantas a diferentes temperaturas por períodos variados, a fim de testar tanto a eficácia do calor na neutralização do patógeno, quanto a capacidade da planta de se recuperar e permanecer viva após o tratamento.

Algumas espécies ornamentais, incluindo louro, lavanda, oleandro e polígala, mostraram alta tolerância ao calor, mantendo a vitalidade e a capacidade de enraizamento.

Amendoeiras e cerejeiras também responderam positivamente aos tratamentos, sem desenvolver sintomas de infeção após o tratamento, e as figueiras confirmaram a viabilidade do tratamento.

No entanto, algumas espécies responderam de forma diferente. A amoreira não tolerou altas temperaturas, enquanto as estacas de propagação da oliveira apresentaram alta mortalidade e dificuldades de enraizamento. Para as oliveiras, estratégicas na região mediterrânica, novos testes em colaboração com viveiros comerciais continuarão em 2026 para identificar combinações precisas de temperatura, duração e humidade que maximizem a eficácia sem comprometer a viabilidade das estacas.

Leia o artigo completo aqui.

Fonte: Agroportal

Um novo relatório do Joint Research Centre (JRC) descreve critérios sustentáveis ​​para a aquisição pública de alimentos: como escolas, hospitais ou instituições públicas compram, obtêm e gerenciam alimentos e bebidas.

Os critérios propostos visam promover opções alimentares mais saudáveis ​​e sustentáveis, sejam elas preparadas e servidas no refeitório, por meio de serviços de catering ou em máquinas de venda automática.

Embora não sejam vinculativos, os critérios visam ajudar as autoridades nacionais, regionais e locais a melhorar a sustentabilidade do sistema alimentar e a utilizar as compras públicas de alimentos de forma estratégica, de modo a abordar considerações ambientais, sociais (incluindo de saúde) e económicas.

Critérios verdes e sustentáveis

A novidade desta abordagem reside na sua abrangência. O relatório inclui boas práticas e ferramentas inspiradas num conceito holístico de sustentabilidade. Investiga aspetos ambientais, sociais, económicos e de saúde, incluindo o bem-estar animal e as dietas.

Os aspectos ambientais complementam e ampliam os critérios de compras públicas sustentáveis. Os critérios propostos abrangem agricultura orgânica, produtos justos e éticos; pescado mais sustentável; bem-estar animal; prevenção do desperdício alimentar; e formação de pessoal. Dá-se atenção às práticas agrícolas sustentáveis ​​e às cadeias de abastecimento curtas, bem como às condições de trabalho e à inclusão de grupos vulneráveis.

Nutrição em primeiro plano

Os critérios recentemente desenvolvidos destacam a necessidade, conforme recomendado pelas diretrizes nutricionais em nível nacional, de uma transição para uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, nozes e sementes, reduzindo o consumo de sal, açúcares livres, gorduras saturadas, álcool e carnes vermelhas e processadas.

Tanto o meio ambiente quanto a saúde podem se beneficiar dessas mudanças alimentares. Deve-se dar atenção especial à população-alvo dos contratos de fornecimento, incluindo pessoas vulneráveis ​​como crianças, idosos ou pacientes hospitalizados. Promover uma nutrição adequada para cada faixa etária é fundamental para a prevenção de doenças não transmissíveis.

Orientações práticas para aplicação

Os critérios propostos são apresentados como uma lista prática que abrange diferentes necessidades de aquisição de alimentos, serviços de alimentação ou máquinas de venda automática. Isso garante flexibilidade para os formuladores de políticas e as autoridades contratantes, que podem escolher e implementar os critérios de compras públicas sustentáveis ​​que melhor se adaptem às suas necessidades.

Todos os critérios apresentados estão acompanhados de mecanismos claros de verificação para verificação e monitorização da conformidade, como esquemas de certificação e declarações. Sempre que possível, os critérios são acompanhados de exemplos e boas práticas da implementação real dos critérios de compras públicas sustentáveis ​​em níveis nacional e local.

O relatório descreve ferramentas de apoio à implementação, como uma avaliação do ciclo de vida para avaliar os impactos ambientais; diretrizes e estratégias para critérios nutricionais; e monitorização e avaliação. Aborda também o diálogo com o mercado e a participação das partes interessadas, uma vez que os critérios devem ser apoiados por capacitação, empenho das partes interessadas e um ambiente político favorável.

Visão para a Agricultura

As compras públicas de alimentos desempenham um papel fundamental na estruturação do sistema alimentar e na promoção da sustentabilidade. O fortalecimento do papel das compras públicas é uma das áreas de atuação da Visão para a Agricultura e a Alimentação.

Fonte: Agroportal

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) realizou, nas últimas semanas, uma operação de âmbito nacional, conduzida pelas suas Unidades Regionais, em operadores económicos que comercializam moluscos bivalves vivos (MBV) em mercados e estabelecimentos de comércio a retalho, com o propósito de combater ilícitos criminais contra a saúde pública e assegurar a segurança alimentar.

Como balanço da operação, foram fiscalizados 93 operadores económicos, tendo sido detetadas infrações que originaram a instauração de 1 processo-crime pelo crime de especulação e de 9 processos de contraordenação, destacando-se como principais infrações o incumprimento das obrigações respeitantes à comercialização dos produtos da pesca e da aquicultura, quanto à rastreabilidade, informação sobre os lotes e pesagem, das indicações obrigatórias na venda ao consumidor final, e incumprimento dos requisitos gerais e específicos de higiene (artigos 3.º e 4.º do Regulamento (CE) n.º 852/2004), entre outras.

Foram ainda apreendidos mais de 68 kg de géneros alimentícios (pescado fresco e moluscos bivalves vivos) e 12 instrumentos de pesagem por falta de controlo metrológico.

Fonte: ASAE

A onda de choque do tomate

  • Thursday, 27 November 2025 10:29

No final do ano passado, o programa Panorama da BBC alegou, seguido por outras reportagens da BBC, que alguns prisioneiros na província chinesa de Xinjiang podem ter estado envolvidos no cultivo e colheita de tomates que mais tarde entraram nas cadeias de abastecimento do Reino Unido e da UE. É justo dizer que o impacto global desta história foi enorme. Alguns retalhistas do Reino Unido reviram rapidamente as suas políticas de abastecimento, os processadores italianos reavaliaram as suas práticas de mistura e todo um segmento da economia agrícola da China foi colocado em risco.

Depois de analisar a recente análise detalhada do Financial Times (FT) sobre o colapso das exportações de pasta de tomate da China para a Itália, juntamente com a reportagem da BBC, fiquei com a sensação de que grande parte do debate público deixou de lado alguns pontos importantes. A situação é mais complexa do que a narrativa apresentada e as consequências deste colapso no comércio podem criar novos riscos de fraude alimentar em toda a Europa que não foram totalmente avaliados.

O artigo do FT mostra como a região ocidental da China, Xinjiang, se tornou, na última década, uma potência global na produção de pasta de tomate. Tendo aumentado o seu processamento de tomate de 4,8 milhões de toneladas em 2021 para cerca de 11 milhões de toneladas em 2024, a região viu a produção cair este ano para uma previsão de 3,7 milhões de toneladas, uma vez que a procura da Europa praticamente entrou em colapso. Esta subida e queda são extremas por qualquer padrão, mas num período de tempo tão curto, destacam-se para mim mais do que qualquer outro colapso que já observei.

Grande parte da procura que impulsionou a rápida expansão da pasta de tomate na China veio da Europa – particularmente da Itália, que é o maior exportador mundial de ingredientes de tomate acabados, como passata, molhos e tomates enlatados. Como observou o FT, com base nas conclusões do Panorama, acredita-se que vários processadores italianos tenham misturado pasta chinesa nos seus produtos rotulados como «100% italianos». Esta prática já havia sido exposta durante uma operação da polícia italiana em 2021.

Foi nesse contexto já sensível que surgiram as alegações da BBC. O programa sugeriu que alguns dos tomates cultivados em Xinjiang podem ter sido colhidos usando trabalho forçado. A China negou veementemente essas alegações, chamando-as de totalmente fabricadas, mas os danos à reputação da região nos mercados do Reino Unido e da Europa foram graves. Os retalhistas, com toda a razão, ficaram muito cautelosos em relação a qualquer potencial escândalo e alguns adotaram uma postura firme com os fornecedores, insistindo em garantias de que produtos de origem chinesa não estão a entrar nos seus fluxos de ingredientes.

O impacto no comércio também foi dramático. As exportações chinesas de tomate processado para a Itália caíram de mais de 75 milhões de dólares para menos de 13 milhões de dólares nos primeiros nove meses de 2025, uma queda de cerca de 76%. Em toda a UE, as importações da China caíram mais de dois terços.

 Entretanto, a Europa enfrenta agora uma questão muito prática: de onde virá realmente a pasta de tomate para substituir o volume que antes vinha de Xinjiang? Os produtores europeus em Itália, Espanha, Portugal e Grécia não podem simplesmente expandir a produção da noite para o dia — longe disso. A sua capacidade agrícola é em grande parte determinada pelo clima, pela disponibilidade de terras e pelas restrições hídricas. Outros países, como a Turquia ou a Ucrânia, poderíam, em teoria, aumentar as exportações, mas ambos enfrentam as suas próprias pressões geopolíticas e logísticas. Os fornecedores do Norte de África podem ajudar a preencher parte da lacuna, mas mesmo combinadas, é improvável que estas fontes alternativas consigam compensar o défice repentino deixado pela inclusão da China na lista negra. Os fabricantes de alimentos europeus, que dependem fortemente da pasta de tomate para pizzas, molhos, refeições prontas e sopas, continuarão a precisar de grandes quantidades de produtos de tomate de qualidade alimentar. Quando um grande fornecedor desaparece quase da noite para o dia, algo tem de preencher o vazio.

Isso desperta as minhas preocupações sobre a fraude alimentar. A fraude na pasta de tomate não é novidade. O setor há muito tempo é alvo de adulteração, pois a pasta é facilmente diluída, misturada ou falsificada. Historicamente, as práticas fraudulentas mais comuns incluem a diluição com pasta de menor qualidade, a adição de amidos ou açúcares para imitar a espessura, a mistura não declarada de materiais de várias origens, a rotulagem incorreta da proveniência — como «100% italiano» — e o uso de corantes potencialmente tóxicos, como os corantes vermelho Sudão, para mascarar matérias-primas de qualidade inferior e a presença de agentes de volume.

Quando o abastecimento legítimo diminui drasticamente, enquanto a procura e os preços permanecem elevados, os incentivos para comportamentos fraudulentos multiplicam-se; este é um dos fatores bem reconhecidos que impulsionam a fraude alimentar. Já vimos este tipo de padrão surgir anteriormente em produtos como o azeite e o mel. Sempre que as cadeias de abastecimento ficam sob pressão, os maus atores aproveitam-se da situação.

Com entre meio milhão e três quartos de milhão de toneladas de pasta de tomate chinesa agora retida e a Europa a precisar de garantir rapidamente novos abastecimentos, as condições para um aumento da fraude são muito reais. A pasta importada através de mercados secundários ou reembalada através de países terceiros pode voltar às cadeias de abastecimento europeias com rótulos diferentes. Pasta de menor qualidade pode ser misturada em produtos de maior valor. Ingredientes que não são tomate podem ser adicionados para aumentar os volumes. Em resumo, o risco de adulteração é elevado; portanto, os reguladores e a indústria alimentar devem estar preparados.

Fonte:New Food Magazine

 

Sociedade Ponto Verde (SPV) apresentou o primeiro guia português inteiramente dedicado aos bioplásticos, um documento que procura clarificar conceitos, corrigir equívocos e sistematizar informação técnica essencial sobre estes materiais, cada vez mais utilizados nas embalagens. A publicação, intitulada “Os bioplásticos – considerações e impacto na cadeia de valor das embalagens”, já está disponível no Ponto Verde Lab e pretende apoiar toda a cadeia de valor – desde produtores a recicladores, passando pela academia e consumidores – num momento em que as decisões em torno do ecodesign se tornam mais exigentes e complexas.

Num contexto de forte pressão regulatória e de crescente aposta em alternativas aos plásticos convencionais, a SPV identifica uma necessidade clara: ajudar o mercado a compreender o que realmente significa “bioplástico”. O termo, explica o guia, é abrangente e pode referir-se à origem do material (biológica ou baseada em energias renováveis, ainda que nem sempre biodegradável) e/ou à sua capacidade de biodegradação em fim de vida. Esta é a base a partir da qual o documento estrutura definições, aplicações e desafios, contribuindo para decisões mais informadas no desenvolvimento de embalagens e na sua correta separação e reciclagem.

Apesar da crescente visibilidade destes materiais, os bioplásticos representam atualmente apenas 0,5% dos plásticos colocados no mercado global. Mas o sector está em expansão: a produção mundial deverá praticamente duplicar nos próximos cinco anos, passando de 2,47 milhões de toneladas em 2024 para 5,73 milhões em 2029. Para a SPV, este crescimento só fará sentido se contribuir de forma efetiva para reduzir impactos ambientais e reforçar a economia circular.

 “Hoje, a tomada de decisões tem de ser cada vez mais informada e consciente, baseada em dados e evidência científica”, afirma Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde. “A nossa prioridade tem sido disponibilizar recursos úteis que ajudem o mercado a desenvolver embalagens mais sustentáveis, que usem menos matérias-primas virgens e sejam mais fáceis de reciclar – e a que os consumidores as separem corretamente”.

A responsável sublinha ainda que o sector vive “um momento crucial”, marcado por mudanças profundas na forma como os plásticos são produzidos, utilizados e geridos no seu fim de vida. “É fundamental continuarmos a disponibilizar serviços de valor que acelerem a inovação e promovam uma maior participação dos cidadãos, para que o país possa alcançar as metas ambientais estabelecidas”.

O lançamento do guia coincide com a Semana Europeia de Prevenção de Resíduos, que decorre até 30 de novembro. A publicação pode ser consultada no Ponto Verde Lab, a plataforma de conhecimento da SPV que reúne boas práticas, estudos, publicações e ferramentas de ecodesign como o Pack4Recycling e o Pack4Sustain. O objetivo é claro: contribuir para mais e melhor reciclagem de embalagens em Portugal e fortalecer a circularidade na economia.

Fonte: Grande Consumo