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O Dia Mundial da Ostra, celebrado hoje, destaca o papel essencial deste molusco na economia costeira, na sustentabilidade dos ecossistemas marinhos e na cultura gastronómica de vários países, incluindo Portugal.

A data, que tem ganho relevância internacional, pretende sensibilizar para a preservação dos habitats naturais, promover práticas de aquacultura responsáveis e valorizar a qualidade nutricional e culinária da ostra.

Relevância ambiental

As ostras são consideradas verdadeiros engenheiros dos ecossistemas. Filtram grandes volumes de água — até 200 litros por dia — contribuindo para a melhoria da qualidade das zonas costeiras. Além disso, formam recifes que funcionam como barreiras naturais contra erosão e como abrigo para diversas espécies marinhas.

Produção e consumo em Portugal

Portugal tem vindo a reforçar a sua presença na produção de ostra portuguesa (Crassostrea angulata) e ostra japonesa (Crassostrea gigas), sobretudo em regiões como Ria Formosa, Aveiro e Setúbal. O setor tem registado crescimento devido à procura internacional e ao investimento em métodos de cultivo mais sustentáveis.

Gastronomia e tradição

A ostra ocupa um lugar de destaque na gastronomia nacional e internacional. Consumida ao natural, com limão, ou integrada em pratos mais elaborados, é valorizada pelo seu sabor mineral e pela textura delicada. Restaurantes e produtores assinalam a data com degustações, eventos temáticos e ações de sensibilização sobre consumo responsável.

Segurança alimentar e controlo

No contexto europeu, o consumo de bivalves exige atenção rigorosa à classificação das zonas de produção, ao controlo de biotoxinas marinhas e à monitorização de contaminação microbiológica. Autoridades e produtores reforçam que a compra deve ser feita apenas através canais certificados, garantindo rastreabilidade e conformidade com a legislação.

Enquadramento institucional

A celebração do Dia Mundial da Ostra reforça a importância de políticas públicas que apoiem a aquacultura sustentável, promovam a investigação científica e assegurem a proteção dos ecossistemas costeiros. Organizações internacionais e nacionais sublinham que o futuro da produção de ostras depende da adaptação às alterações climáticas, da gestão responsável dos recursos e da valorização económica do setor.

Fonte: Qualfood

A União Europeia publicou no Jornal Oficial da União Europeia dois novos regulamentos que atualizam e reforçam os limites máximos de contaminantes presentes nos géneros alimentícios, aprofundando a proteção da saúde pública e alinhando a legislação com as mais recentes avaliações científicas da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA).

Principais alterações introduzidas
  • Regulamento (UE) 2026/1825 - Estabelece novos teores máximos para 3-monocloropropanodiol (3‑MCPD), os seus ésteres de ácidos gordos e os ésteres glicidílicos em diversos alimentos. Inclui regras específicas para:

    - Alimentos para bebés;

    - Alimentos transformados à base de cereais destinados a lactentes e crianças pequenas;

    - Alimentos compostos com óleos e gorduras adicionados As novas disposições entram em vigor a 1 de janeiro de 2027.

  • Regulamento (UE) 2026/1890 - Pela primeira vez, fixa limites máximos para a soma de furano, 2‑metilfurano e 3‑metilfurano em:

    - Alimentos transformados à base de cereais destinados a lactentes e crianças pequenas;

    - Alimentos para bebés Aplicação obrigatória a partir de 1 de janeiro de 2028.

Objetivo das novas medidas

As atualizações visam:

  • Reforçar a proteção da saúde pública, sobretudo dos grupos mais vulneráveis;

  • Incorporar os dados mais recentes de monitorização sobre a ocorrência des

  • Harmonizar a legislação com os pareceres científicos da EFSA, que identificam riscos associados à exposição a 3‑MCPD, ésteres glicidílicos e compostos derivados de furano.

Contexto científico e regulatório

Os contaminantes abrangidos são formados durante processos tecnológicos, como o refino de óleos ou o aquecimento de alimentos.

Estudos da EFSA demonstram que:

  • 3‑MCPD e os seus ésteres podem representar riscos para determinados grupos populacionais;

  • Ésteres glicidílicos constituem uma preocupação de saúde devido ao potencial carcinogénico do glicidol;

  • Furanos estão associados a efeitos tóxicos hepáticos, justificando limites mais rigorosos em alimentos infantis.

Calendário de aplicação

  • Regulamento (UE) 2026/1825

   - Contaminantes abrangidos:  3‑MCPD, ésteres de ácidos gordos, ésteres glicidílicos

   - Data de aplicação: 1 janeiro 2027 

  • Regulamento (UE) 2026/1890

   - Contaminantes abrangidos:  Furano, 2‑metilfurano, 3‑metilfurano

   - Data de aplicação: 1 janeiro 2028

Impacto esperado

As novas regras deverão:

  • Aumentar a segurança dos alimentos destinados a bebés e crianças pequenas;

  • Promover maior rigor na indústria alimentar, exigindo monitorização reforçada;

  • Contribuir para a estratégia europeia de zero poluição e proteção dos consumidores.

Fonte: Qualfood

 

A mais antiga recicladora de plásticos do país, especializada em poliolefinas como o polietileno e o polipropileno, chegou a importar material da Alemanha por falta de matéria-prima nacional. Quando a Sociedade Ponto Verde nasceu e os ecopontos começaram a alimentar o sistema, a empresa já estava preparada para tratar esse plástico.

Hoje faz muito mais do que reciclar. Com um investimento na área da desodorização, produz um material reciclado de qualidade elevada que utiliza, por exemplo, em embalagens de cosmética, substituindo por completo a matéria-prima virgem. Um salto que mostra bem como um resíduo pode ganhar valor acrescentado.

Aproveitar cada grama de plástico

A qualidade é também a obsessão da única empresa de reciclagem de PET em Portugal. Compra resíduos pós-consumo e trata-os por completo, da triagem à lavagem e purificação, até obter uma matéria-prima reciclada apta e semelhante ao material virgem.

O desafio seguinte é aproveitar ainda mais. Por cada tonelada de resíduos de PET, cerca de metade é hoje transformada numa nova garrafa. Com o apoio da Sociedade Ponto Verde ao desenvolvimento de novas tecnologias, o objetivo é aumentar esse rendimento e, a prazo, conseguir dar uma segunda vida a todos estes materiais, garantindo sempre qualidade e cumprimento da legislação.

O futuro servido de bandeja

Alguns dos maiores desafios estão nas embalagens mais complexas, como as bandejas de plástico. Uma empresa espanhola, fundada em 2020, desenvolveu e patenteou uma tecnologia capaz de deslaminar estas bandejas, separando os diferentes materiais para que cada um possa ser reciclado como um polímero puro. No processo, o vapor de água elimina os odores e os contaminantes absorvidos pelo plástico.

A colaboração com a Sociedade Ponto Verde, no âmbito do seu programa de inovação, permitiu avançar para a revalorização de resíduos plásticos que ainda hoje ficam sem solução. Um trabalho que dá um novo sentido à ideia de que o futuro pode mesmo ser “servido de bandeja”.

Reciclar mais já não chega

Reciclar cada vez mais embalagens deixou de ser suficiente. O desafio de hoje é reciclar melhor, com mais qualidade, mais inovação e mais circularidade, para que cada embalagem regresse ao ciclo com o máximo valor possível.

Fonte: Green Savers

No âmbito da 9ª Conferência Internacional sobre Sustentabilidade e Cadeia de Frio, um grupo de investigadores franceses apresentou uma nova tecnologia de refrigeração não térmica que poderá permitir um maior controlo do crescimento dos cristais de gelo.

A aplicação de campos magnéticos aos processos de refrigeração e congelação de alimentos poderá tornar-se uma alternativa promissora aos métodos convencionais. Essa é a conclusão de um artigo científico redigido pelo presidente da Comissão C2 do Instituto Internacional de Refrigeração (IIR), Alain Le Bail, em conjunto com Olivier Rouaud e Nasser Hamdami do instituto Oniris em Nantes, França, apresentado na 9ª Conferência Internacional sobre Sustentabilidade e Cadeia de Frio (ICCC2026), realizada entre os dias 12 e 14 de abril de 2026.

Segundo os investigadores, a congelação convencional conduz frequentemente à formação de cristais de gelo de grandes dimensões e de distribuição irregular, provocando ruturas celulares, perdas de líquidos durante a descongelação, alterações de textura e degradação de nutrientes. Neste contexto, têm vindo a ser estudadas tecnologias não térmicas que permitem um maior controlo da nucleação e do crescimento dos cristais de gelo, embora esta abordagem ainda se encontre numa fase inicial de desenvolvimento tecnológico.

De acordo com os estudos analisados, a utilização de campos magnéticos pode reduzir o crescimento dos cristais de gelo, contribuindo para uma melhor preservação da textura e para menores perdas de líquido. Por se tratar de um processo sem contacto direto com o alimento e sem recurso ao aquecimento, esta tecnologia apresenta também potencial para reduzir o tempo de congelação e, em determinadas condições, o consumo de energia. Os benefícios são particularmente relevantes para produtos como pescado, carne, frutas e produtos hortícolas.

Apesar deste potencial, os investigadores sublinham que subsistem limitações importantes. O desempenho varia consoante o produto, os mecanismos físicos envolvidos ainda não estão totalmente esclarecidos e a reprodutibilidade dos resultados continua a ser reduzida. Acrescem a elevada complexidade dos equipamentos e os desafios associados à escalabilidade industrial, fatores que condicionam a adoção desta tecnologia.

Os autores defendem que a investigação e o desenvolvimento deste método deverão centrar-se no esclarecimento dos mecanismos físicos, na criação de protocolos experimentais normalizados, na quantificação dos campos elétricos induzidos e na avaliação da viabilidade da sua aplicação à escala industrial.

Fonte: TecnoAlimentar

A ciclosporíase, uma infeção intestinal causada pelo parasita Cyclospora cayetanensis, ultrapassou oficialmente a marca dos 20.000 casos confirmados desde o início do surto, segundo dados atualizados das autoridades de saúde dos Estados Unidos da América.

O número representa um aumento significativo face às semanas anteriores e indica que o surto entrou numa nova fase de transmissão, mais complexa e difícil de controlar.

As autoridades destacam que, nesta etapa, o padrão de disseminação se tornou mais imprevisível.

Inicialmente concentrados em clusters associados ao consumo de produtos frescos contaminados, os casos agora surgem em cadeias de transmissão mais difusas, sugerindo múltiplas fontes de exposição.

Especialistas alertam que a evolução do surto exige reforço das medidas de vigilância, incluindo rastreabilidade alimentar, inspeções sanitárias e campanhas de sensibilização dirigidas a consumidores e operadores do setor agroalimentar.

Hospitais e centros de saúde também reportam maior procura por atendimento, sobretudo por pacientes com sintomas persistentes como diarreia prolongada, fadiga e perda de peso.

Apesar da gravidade da situação, as autoridades reiteram que a ciclosporíase não é transmitida de pessoa para pessoa, o que mantém o foco na segurança alimentar como principal eixo de contenção.

Investigações laboratoriais continuam em curso para identificar os alimentos implicados na nova fase do surto.

Com o número de casos em ascensão, espera‑se que novas orientações sejam emitidas nos próximos dias, incluindo recomendações específicas para grupos vulneráveis e operadores económicos.

Fonte: Qualfood

Um relatório da Agência Europeia do Ambiente (AEA) defende que a agricultura resiliente ao clima deve ser tratada como uma prioridade económica para a Europa, num contexto de aumento dos riscos climáticos e de maior pressão sobre a viabilidade das explorações agrícolas.

O documento, intitulado Construir uma agricultura resiliente às alterações climáticas na Europa: uma perspetiva económica, relaciona os riscos climáticos com a vulnerabilidade das explorações e os seus impactos económicos, com base em 51 estudos de caso europeus.

Segundo o relatório, as explorações agrícolas europeias enfrentam uma pressão crescente resultante da convergência entre extremos climáticos e fragilidade económica. Ondas de calor, secas, cheias, tempestades e riscos combinados estão a afetar a produção em várias regiões europeias, ao mesmo tempo, os agricultores continuam expostos à volatilidade dos preços dos fatores de produção.

O documento defende que a resiliência deve ser construída através da redução da dependência de fatores externos e de operações dispendiosas, diminuindo o nível de produtividade ou de preço necessário para evitar perdas.

Redução de custos como alavanca económica

Entre as principais conclusões, o relatório aponta a redução da dependência de fatores de produção externos e de operações de campo como uma das alavancas económicas mais consistentes ao nível da exploração.

Num dos casos analisados, a mobilização mínima do solo permitiu reduzir o consumo de gasóleo em cerca de 50%, os custos de produção em cerca de 40% e a necessidade de mão de obra para níveis cerca de 25% a 30% inferiores aos sistemas convencionais.

O relatório sublinha, no entanto, que os retornos económicos associados à resiliência climática variam entre regiões, sistemas produtivos e contextos agrícolas. Por isso, defende que as estratégias devem ser ajustadas às condições específicas de cada território.

A agricultura resiliente ao clima é apresentada como uma estratégia de estabilização económica. Ao reduzir a dependência de fatores de produção comprados e sujeitos a volatilidade, e ao reforçar as funções do solo e da água, estes sistemas podem diminuir a exposição a choques e contribuir para uma produção agrícola mais estável.

Solos e água sob pressão

O relatório alerta que os solos europeus estão sob pressão crescente devido à intensificação agrícola, ao uso intensivo de fertilizantes e pesticidas, à utilização de maquinaria pesada e ao agravamento de fenómenos climáticos extremos.

Estima-se que mais de 60% dos solos europeus estejam atualmente em mau estado. O custo anual da degradação do solo na União Europeia é estimado entre 40,9 mil milhões e 72,7 mil milhões de euros, considerando fatores como erosão, contaminação, perda de nutrientes e carbono, compactação e impermeabilização.

O documento da AEA acrescenta que estes custos poderão ser mais elevados, uma vez que algumas avaliações não incluem impactos como perda de biodiversidade, cheias, secas, erosão fora do local e efeitos na saúde.

A seca é identificada como um dos riscos economicamente mais relevantes para a agricultura. Em anos particularmente secos, a produtividade agrícola pode diminuir até 22%. A duplicação da duração da seca poderá reduzir a produção de culturas como soja e milho até 10%.

Diferentes riscos por região

O relatório identifica riscos climáticos distintos nas várias regiões europeias. O sul da Europa enfrenta secas crónicas, ondas de calor extremas e escassez de água. No norte da Europa, os principais riscos passam por invernos mais instáveis, solos saturados e aumento das temperaturas.

Na Europa Ocidental, o risco crescente de cheias pode atrasar colheitas e sementeiras devido a precipitação intensa. Já a Europa Central e Oriental enfrenta uma combinação de seca, stress térmico, aridez de longo prazo e risco de cheias rápidas.

Segundo o relatório, os riscos climáticos provocam maiores danos quando interagem com sistemas agrícolas mais vulneráveis, nomeadamente explorações muito dependentes de água, solos degradados, monoculturas, animais expostos e elevada dependência de fatores de produção externos.

Estas pressões traduzem-se em perdas de rendimento, aumento dos custos de irrigação e de fatores de produção, stress térmico nos animais, erosão do solo e maior dependência de fertilizantes, pesticidas e alimentação animal importada.

Práticas resilientes

O relatório defende que as práticas agrícolas resilientes ao clima reduzem o risco ao reconstruir a saúde do solo, diversificar a produção, melhorar a eficiência hídrica e diminuir a dependência de fatores externos.

Muitos dos estudos de caso analisados mostram que o reforço de funções ecológicas, como a cobertura do solo, a rotação de culturas e a introdução de elementos de paisagem, pode contribuir para a resiliência económica. Esse efeito pode ocorrer através da redução de custos e operações agrícolas ou, quando os benefícios são sobretudo públicos, através de compensações ou coinvestimento que tornem a adoção viável para os agricultores.

No sul da Europa, a resiliência climática é apresentada como uma condição de sobrevivência económica. Segundo a análise, em Portugal, as transições identificadas tendem a combinar a redução da exposição a custos de combustível, fertilizantes e água com investimentos iniciais em maquinaria e infraestrutura hídrica.

Em Espanha, a resiliência está associada à gestão da escassez de água, à redução da base de custos, à melhoria da capacidade de retenção de água no solo e, em alguns casos, à diversificação produtiva.

Necessidade de apoio à transição

O relatório conclui que muitas práticas de resiliência climática geram benefícios públicos, mas impõem custos privados aos agricultores ou retornos económicos fracos no curto prazo.

Por esse motivo, defende que o financiamento e os incentivos devem responder ao risco inicial de investimento e transição. Algumas práticas exigem maquinaria especializada, infraestruturas ou alterações profundas no sistema produtivo, o que pode limitar a adoção sem apoio público, compensação ou mecanismos de partilha de risco.

O documento recomenda ainda que as políticas públicas priorizem medidas que reduzam a dependência de fatores de produção externos e operações dispendiosas, apoiem a diversificação quando esta melhora a margem ajustada ao risco e reforcem a gestão da água com base em informação climática.

O relatório alerta também para a necessidade de indicadores harmonizados e monitorização sistemática. Sem dados comparáveis sobre exposição ao risco, redução da vulnerabilidade e resultados de adaptação, será difícil avaliar se as medidas da Política Agrícola Comum estão a reduzir o risco climático, melhorar a resiliência do solo e da água ou estabilizar o rendimento agrícola.

Segundo o documento, a Europa deve passar de uma gestão reativa de crises para uma estratégia de resiliência proativa, capaz de proteger as economias rurais, estabilizar a produção e reforçar a viabilidade de longo prazo dos sistemas agrícolas.

Fonte: Vida Rural

O Sistema de Alerta Rápido para Alimentos e Rações (RASFF) voltou a acender sinais de alerta com a notificação 2026.6865, relativa a camarão cozido refrigerado calibre 30/40, proveniente de Espanha, após a deteção de teores excessivos de sulfitos, um conservante amplamente utilizado para manter a cor e prolongar a vida útil dos crustáceos.

Embora os detalhes específicos ainda não tenham sido divulgados publicamente, notificações recentes — como o RASFF 2026.6515, também referente a camarão cozido espanhol — mostram que os níveis de dióxido de enxofre (E220) têm ultrapassado os limites legais definidos pela legislação europeia, desencadeando ações imediatas das autoridades.

Os sulfitos, quando presentes acima dos valores permitidos, podem representar riscos significativos para asmáticos, pessoas com hipersensibilidade e consumidores que ingerem crustáceos com frequência.

Entre os sintomas possíveis estão dificuldade respiratória, irritação gastrointestinal e reações alérgicas.

O que as autoridades estão a fazer
  • Rastreabilidade do lote para identificar origem e destino;

  • Retirada preventiva do produto do mercado europeu;

  • Comunicação entre Estados‑Membros para impedir nova distribuição;

  • Reforço dos controlos em unidades de produção e embalamento.

Recomendações ao consumidor

  • Verificar a rotulagem de camarão cozido refrigerado adquirido recentemente;

  • Evitar o consumo caso exista indicação de níveis elevados de sulfitos;

  • Contactar distribuidores ou autoridades locais em caso de dúvida.

Porque este alerta importa

O camarão é um dos produtos do mar mais consumidos na Europa, e a repetição de notificações envolvendo sulfitos reforça a necessidade de monitorização rigorosa e conformidade dos aditivos utilizados na indústria. A notificação 2026.6865, ainda que com informação limitada, insere‑se num padrão recente de alertas relevantes para a segurança alimentar, sublinhando o papel essencial do RASFF na proteção dos consumidores.

Fonte: Qualfood

As bactérias Clostridia incluem várias espécies bacterianas toxigénicas reconhecidas como importantes agentes patogénicos para o ser humano, nomeadamente o Clostridium botulinum, o Clostridium perfringens e o Clostridioides difficile. As bactérias Clostridia são frequentemente identificadas em diversos alimentos e em muitos nichos ambientais. Ao contrário de outros agentes patogénicos bacterianos comuns de origem alimentar, como a Salmonella, o Campylobacter e a Listeria, os clostrídios produzem estruturas dormentes conhecidas como esporos, que lhes permitem sobreviver em condições adversas. Estes esporos persistem durante muito tempo, talvez décadas, nos ambientes agrícolas e de transformação e, a partir daí, podem contaminar os alimentos. Além disso, os esporos são resistentes a medidas comuns de controlo de segurança alimentar, tais como a cozedura, a pasteurização e certos desinfectantes.

Este documento foi elaborado para fornecer uma análise abrangente da situação global das clostrídias de origem alimentar. O foco incide especificamente em C. botulinum e outras espécies produtoras de neurotoxina botulínica (BoNT), C. perfringens e C. difficile, com o objetivo de apresentar uma análise detalhada da sua prevalência, riscos associados e implicações para a segurança alimentar e a saúde pública. Esta análise abrange um exame exaustivo da literatura científica revista por pares, dados epidemiológicos e relatórios recentes. Inclui também uma avaliação da epidemiologia dos surtos e dos métodos atuais de deteção e controlo das clostrídias patogénicas nos sistemas alimentares. O documento está estruturado de forma a fornecer uma visão clara e detalhada do estado atual dos conhecimentos, destacando áreas críticas para a investigação futura e o desenvolvimento de políticas destinadas a dar resposta aos desafios colocados pelos clostrídios de origem alimentar.

Leia o relatório aqui.

Fonte: FAO

 

A plataforma SIION, descrita à Lusa pelo criador, João Santos, como “um supermodelo de combate a incêndios”, por ajudar na tomada de decisão e antecipação, com recurso a Inteligência Artificial, está já em fase de testes.

“A grande mais-valia é conseguir comprimir decisões num curto espaço de tempo. Isto é uma ferramenta de Inteligência Artificial que analisa muitos dados, não digo em tempo real, mas quase, e o que humanamente seria quase impossível de decidir, agora a máquina consegue prever com algum grau de confiança”, explica João Santos, em entrevista à Lusa.

A SIION ficou em segundo lugar na final nacional do ClimateLaunchpad, um concurso de ideias de negócios sustentáveis, que decorreu na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, e encontra-se em fase de testes já em contexto empresarial, prevendo o criador que entre o final deste ano e o início de 2027 possa chegar a mais empresas e territórios.

“Basicamente, é o próximo nível dos sistemas de combate aos incêndios, um sistema de recomendação, em tempo real, do posicionamento dos recursos. É como se fosse um ‘GPS’ para comandantes”, acrescenta.

A SIION difere em relação a outros sistemas de previsão do comportamento do fogo já existentes ao cruzar informação para “sugerir quais os recursos e onde devem estar”.

“Antecipamos a decisão, chamamos-lhe um sistema de recomendação, ainda estamos numa fase muito inicial. (…) [Queremos] melhorar a eficiência de cada recurso, quando os recursos são escassos, e antecipar zonas perigosas para bombeiros, antecipar qual o recurso ideal para aquele tipo de incêndio”, exemplifica.

Plataformas como esta, considera, ajudam não só a antecipar ou tornar mais rápidas as decisões quanto ao combate a incêndios como também a prevenir os efeitos do desgaste de dias em cima de dias de trabalho no terreno.

“Chega a um ponto em que já não é possível processar tanta informação. Para onde vai o vento, qual o tipo de solo, de chama… a máquina consegue fazer isto tudo em tempo recorde”, refere.

Em testes para poder incorporar a tecnologia num produto que possa ser aplicado em contexto real, descreve-o como “um supermodelo de combate a incêndios” para permitir aos envolvidos estarem “um passo à frente”.

Fonte: Agroportal

 

Investigadores da Universidade do Estado de Illinois, nos EUA, recorreram à tecnologia CRISPR-Cas9 para acelerar a domesticação da planta silvestre Thlaspi arvense (pennycress). As novas linhas apresentam uma redução de 75% no teor de glucosinolatos das sementes, menor capacidade de persistir como infestante e um bom desempenho produtivo. A espécie poderá ser cultivada durante o inverno entre as culturas de milho e soja, protegendo o solo e criando uma nova fonte de óleo e biomassa com valor económico.

A agricultura dos Estados Unidos enfrenta todos os anos o mesmo desafio: após a colheita do milho e da soja, milhões de hectares permanecem sem qualquer cobertura vegetal durante o inverno. Esta situação favorece a erosão dos solos, a perda de nutrientes e o arrastamento de sedimentos para rios e linhas de água.

Uma equipa multidisciplinar da Universidade do Estado de Illinois, liderada pelo geneticista John Sedbrook, pretende alterar este cenário através da domesticação de uma planta silvestre, Thlaspi arvense, conhecida como pennycress ou erva-das-moedas. A espécie germina no outono, resiste às baixas temperaturas e completa o seu ciclo na primavera, permitindo ser colhida antes da instalação da cultura seguinte.

Desta forma, os agricultores podem manter o solo protegido durante o inverno e obter simultaneamente uma nova fonte de rendimento, sem substituir as culturas principais de milho ou soja.

De infestante a cultura agrícola

O pennycress pertence à família das brassicáceas, tal como a colza, a mostarda, os brócolos e a couve-flor. Embora as suas sementes sejam ricas em óleo, a planta apresenta várias características que dificultam a sua utilização agrícola.

Entre essas limitações encontram-se o elevado teor de glucosinolatos (compostos naturais que reduzem o valor alimentar da farinha obtida após a extração do óleo), sementes pequenas, uma cobertura espessa e mecanismos de dormência que permitem às sementes permanecer viáveis no solo durante longos períodos, favorecendo o reaparecimento da planta como infestante.

Em vez de recorrer apenas ao melhoramento convencional, os investigadores optaram por uma estratégia de domesticação de novo, identificando diretamente os genes responsáveis pelas características indesejáveis e editando-os com recurso à tecnologia CRISPR-Cas9.

O projeto teve início em 2012 e reuniu especialistas em genética, agronomia, biologia, produção animal e processamento de biomassa, contando também com a participação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e de outras instituições. O financiamento federal acumulado ascende a cerca de 23 milhões de dólares.

Várias alterações genéticas numa única planta

Num estudo publicado na revista Nature Plants, os investigadores combinaram múltiplas mutações obtidas por CRISPR-Cas9 numa mesma planta. Uma das alterações mais importantes foi a redução de cerca de 75% dos glucosinolatos das sementes, conseguida através da edição de genes reguladores como MYB28/HAG1 e MYC3.

A equipa introduziu ainda características semelhantes às da colza “duplo zero”, reduzindo simultaneamente o teor de ácido erúcico e de glucosinolatos, além de diminuir a quantidade de fibra presente nas sementes, aumentando assim o potencial de aproveitamento da proteína residual após a extração do óleo.

Outra modificação incidiu sobre o gene TT8, cuja inativação reduziu a dormência das sementes e enfraqueceu parcialmente a sua cobertura protetora. Esta alteração diminui a probabilidade de as sementes permanecerem viáveis durante longos períodos no solo, reduzindo o risco de a planta voltar a comportar-se como infestante.

Apesar da acumulação de várias alterações genéticas, as novas linhas mantiveram produtividades semelhantes às das plantas de referência utilizadas no estudo.

Três colheitas comerciais em apenas dois anos

Graças ao seu ciclo curto e à elevada tolerância ao frio, o pennycress pode ser integrado entre duas culturas principais.

Após a colheita do milho, é semeado no outono, permanece a cobrir o solo durante todo o inverno e é colhido no final da primavera. De seguida, o agricultor pode instalar soja ou outra cultura de verão.

Este sistema permite obter três colheitas comerciais em apenas dois anos, mantendo simultaneamente raízes vivas no solo durante os meses de inverno.

Além de reduzir a erosão e a escorrência superficial, a cultura ajuda a reter nutrientes, aumenta a matéria orgânica do solo e cria habitat para insetos e outros organismos numa época do ano em que a paisagem agrícola permanece praticamente sem vegetação.

Óleo para biocombustíveis e outros produtos renováveis

O óleo extraído das sementes poderá ser utilizado na produção de biodiesel e combustível sustentável para aviação, bem como em biolubrificantes, bioplásticos e outras matérias-primas da indústria química de origem renovável.

Após a extração do óleo, a farinha residual poderá ser utilizada na alimentação animal, desde que cumpra os requisitos de segurança e composição nutricional. A biomassa restante está também a ser estudada para produção de biogás e outros produtos de base biológica.

Segundo John Sedbrook, esta estratégia alia benefícios ambientais e económicos: “Esta abordagem não só ajudaria o ambiente, como também produziria sementes oleaginosas que os agricultores poderiam vender.”

Embora o óleo vegetal permita substituir combustíveis fósseis em determinadas aplicações, os investigadores salientam que o impacto climático global dependerá de todo o sistema de produção, incluindo fertilização, maquinaria agrícola, processamento industrial, transporte e utilização do solo.

Mais informação aqui.

Fonte: Centro de informação de biotecnologia