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A área mundial de culturas geneticamente modificadas atingiu 216 milhões de hectares em 2025, um novo máximo histórico, segundo o mais recente Global GM Crop Area Review, do AgBioInvestor, empresa britânica especializada em dados e análise do setor agrícola.

O valor representa um crescimento de 2,5% face ao ano anterior, equivalente a mais 5,3 milhões de hectares. O aumento foi impulsionado sobretudo pelo milho e pela expansão da área cultivada na China, que cresceu 79% num ano.

No total, 30 países cultivaram 11 espécies geneticamente modificadas durante o ano agrícola de 2025. A análise do GM Monitor inclui sementes comerciais, sementes fornecidas por entidades governamentais e sementes guardadas pelos próprios agricultores.

Para permitir comparações entre os dois hemisférios, o AgBioInvestor considera como ano agrícola o período entre 1 de julho e 30 de junho.

Soja continua a liderar, mas milho acelera

A soja mantém-se como a cultura geneticamente modificada com maior expressão mundial. Em 2025, ocupou 106,2 milhões de hectares, o equivalente a 49,2% de toda a área mundial de culturas GM.

O crescimento da soja foi de 1% face ao ano anterior. Já o milho registou a maior expansão entre as principais culturas, com um aumento de 7,9%, para cerca de 74,6 milhões de hectares. Esta cultura representou 34,6% da área mundial de culturas geneticamente modificadas.

Seguiram-se o algodão, com 22,6 milhões de hectares, e a colza, com 10,8 milhões de hectares.

Os dados do AgBioInvestor mostram ainda o peso da biotecnologia em algumas culturas. As variedades GM representam 76,7% da área mundial de algodão e 73,9% da área mundial de soja.

Além das grandes commodities, como soja, milho, algodão e colza, a análise abrange culturas com áreas mais reduzidas, incluindo trigo, cana-de-açúcar, feijão-frade e beringela.

Américas concentram 88% da área mundial

A América do Sul e a América Central voltaram a ser a principal região produtora de culturas geneticamente modificadas, com 103,6 milhões de hectares, mais 3,1% do que em 2024.

A América do Norte ocupou a segunda posição, com 86,8 milhões de hectares, apesar de uma ligeira descida de 0,3%.

Em conjunto, as duas regiões americanas concentraram cerca de 190,4 milhões de hectares, aproximadamente 88% de toda a área mundial de culturas geneticamente modificadas.

O maior crescimento regional ocorreu na Ásia-Pacífico, onde a área aumentou 12,3%, para 22,1 milhões de hectares, sobretudo devido à expansão do milho geneticamente modificado na China.

Na Europa, a área manteve-se residual, pouco acima dos 70 mil hectares e concentrada quase totalmente em Espanha. Em Portugal, a área de OGM, nomeadamente milho Bt, tem vindo a diminuir, sobretudo devido às restrições impostas pela União Europeia à produção de novos eventos.

China aumenta área em 79%

A China foi um dos principais motores do crescimento mundial em 2025. A área de culturas geneticamente modificadas aumentou 79%, para aproximadamente 6,2 milhões de hectares, colocando o país como o sexto maior produtor mundial.

A expansão deve-se sobretudo ao milho geneticamente modificado. A área cultivada com milho GM passou de cerca de 670 mil hectares para aproximadamente 3,2 milhões de hectares em 2025.

Apesar deste crescimento, os OGM representam ainda cerca de 7% dos aproximadamente 45 milhões de hectares de milho cultivados na China, o que aponta para margem de crescimento caso a adoção destas variedades continue a aumentar.

A China também aumentou a área de soja geneticamente modificada, embora esta continue a representar uma pequena parte da produção nacional.

Segundo o AgBioInvestor, a comercialização de milho e soja GM na China encontra-se ainda numa fase relativamente inicial quando comparada com países como Estados Unidos, Brasil e Argentina, onde a adoção das principais culturas transgénicas está próxima dos níveis máximos.

Brasil aproxima-se dos Estados Unidos

Os Estados Unidos continuam a liderar o ranking mundial, com 75,2 milhões de hectares de culturas geneticamente modificadas. Ainda assim, a área recuou 0,2% em 2025.

O aumento de 8% na área de milho GM não compensou as reduções registadas na soja, no algodão, na colza, na beterraba sacarina e na luzerna.

No Brasil, a área de culturas geneticamente modificadas cresceu 3,1%, para 70 milhões de hectares, consolidando o país como segundo maior produtor mundial.

A diferença entre Estados Unidos e Brasil caiu para 5,2 milhões de hectares, o valor mais baixo de sempre. Em 2008, os Estados Unidos cultivavam mais 41,5 milhões de hectares GM do que o Brasil.

No Brasil, a soja representa a maior fatia da área transgénica, com 46,9 milhões de hectares, seguida do milho, com 21 milhões, e do algodão, com 2,1 milhões.

A adoção de variedades geneticamente modificadas é particularmente elevada no milho e no algodão brasileiros, representando cerca de 96% e 99%, respetivamente, da área nacional destas culturas.

A Argentina completa o pódio mundial, com 25,4 milhões de hectares, mais 3,4% do que em 2024. A soja destacou-se, com um crescimento de 10%, para 17,8 milhões de hectares.

O país continua também a ser o principal produtor do único trigo transgénico atualmente comercializado à escala agrícola, o trigo HB4, desenvolvido pela Bioceres. A área cultivada aumentou 14,2% em 2025, para aproximadamente 55.250 hectares.

No conjunto, Estados Unidos, Brasil e Argentina concentram cerca de 79% de toda a área mundial de culturas geneticamente modificadas.

África ganha novos países produtores

Em África, as alterações registadas têm menor dimensão em termos absolutos, mas indicam uma expansão geográfica da tecnologia.

O Gana começou, em 2025, a produzir feijão-frade transgénico resistente a insetos, tornando-se o mais recente país a cultivar organismos geneticamente modificados.

A variedade Songotra-T baseia-se no mesmo evento de resistência a insetos utilizado anteriormente na Nigéria.

No Quénia, a área de algodão GM mais do que duplicou, atingindo cerca de 14.600 hectares.

Ao mesmo tempo, vários países africanos estão a avançar, em diferentes fases, para a utilização de variedades de milho desenvolvidas no âmbito do projeto TELA, que procura combinar resistência a insetos e tolerância à seca.

O relatório identifica avanços ou processos regulamentares em países como Nigéria, Etiópia, Quénia e Moçambique.

Apesar de África representar ainda uma pequena parte da área mundial de culturas GM, estes desenvolvimentos podem ganhar relevância na próxima fase de crescimento, sobretudo através da entrada de novos países e sistemas agrícolas.

Fonte: Vida Rural

A doença de Newcastle já foi detetada em aves selvagens de quatro ilhas dos Açores, levantando dúvidas entre os consumidores sobre um possível risco associado ao consumo de carne de aves e ovos.

Até ao momento, não existem focos conhecidos em explorações agrícolas da região, mas as autoridades têm vindo a reforçar as medidas de prevenção para impedir que o vírus chegue às produções avícolas.

É seguro comer carne de aves?

De acordo com o Notícias ao Minuto, e apesar de a doença poder ser altamente contagiosa entre aves, o principal risco para os humanos não está associado ao consumo de carne devidamente confecionada.

De acordo com a informação disponível sobre a doença de Newcastle, os produtos de origem avícola que sejam corretamente cozinhados não representam um risco relevante para a segurança alimentar.

Isto significa que a carne de aves deve continuar a ser preparada respeitando as regras habituais de higiene e confeção, garantindo que fica bem cozinhada antes do consumo.

A mesma recomendação aplica-se aos ovos.

Segundo as orientações divulgadas sobre esta doença, os ovos bem cozinhados não representam perigo para os consumidores.

O maior cuidado deve estar relacionado com o contacto direto com aves infetadas, sobretudo quando se trata de animais selvagens encontrados doentes ou mortos.

Infeção em humanos é considerada rara

O diretor regional da Agricultura, Veterinária e Alimentação, Luís Estrela, explicou que a infeção humana é rara e surge habitualmente após contacto direto e sem proteção adequada com aves infetadas ou materiais contaminados.

Casos mais graves são pouco frequentes e tendem a estar associados a exposições intensas ou prolongadas.

Autoridades deixam aviso à população

A principal recomendação é não tocar, recolher ou transportar aves selvagens que apresentem sinais de doença ou que sejam encontradas mortas.

As autoridades aconselham ainda a afastar crianças e animais domésticos destes animais para evitar contactos desnecessários.

Que cuidados devem ser adotados?

A Direção-Geral da Alimentação e Veterinária recomenda especial atenção à higiene depois do contacto com aves, fezes, secreções ou equipamentos utilizados na criação dos animais.

As mãos devem ser lavadas cuidadosamente e deve evitar-se tocar nos olhos, nariz ou boca antes dessa higienização.

Também é aconselhada a utilização de luvas, proteção ocular e máscara sempre que seja necessário lidar com aves potencialmente infetadas.

A doença de Newcastle é causada por um vírus que afeta sobretudo aves domésticas e selvagens.

Entre os sinais que podem surgir encontram-se dificuldades respiratórias, tremores, alterações neurológicas, torção do pescoço, fezes aquosas e perda de apetite.

Nas galinhas, a doença também pode provocar uma diminuição da produção de ovos ou alterações na qualidade da casca.

Nos Açores, os casos conhecidos foram identificados, até agora, em aves selvagens, incluindo pombos-da-rocha e rolas-turcas. 

Enquanto não existirem focos em explorações e os produtos forem corretamente confecionados, as indicações disponíveis apontam para que o consumo de carne de aves e ovos continue a ser seguro.

Fonte: Postal do Algarve

A indústria conserveira portuguesa vive um momento de renovado dinamismo, impulsionada pela crescente valorização das conservas de peixe enquanto alimento saudável, prático e de elevada qualidade. Entre a recuperação da sardinha, a forte procura pelo atum e o investimento em produtos premium e gourmet, o setor continua a afirmar-se como um dos mais relevantes da indústria alimentar nacional.

Em 2025, a produção nacional de conservas de peixe atingiu uma estimativa de 77 mil toneladas. O setor garante aproximadamente quatro mil postos de trabalho diretos, aos quais se somam milhares de empregos indiretos ligados à pesca, logística, embalagem e distribuição. “Trata-se de uma indústria com forte impacto regional, social e económico, assumindo um papel estruturante em várias comunidades costeiras”, destacou José Maria Freitas, presidente da Associação Nacional dos Industriais de Conservas (ANICP), numa entrevista concedida, em março deste ano, à revista Hipersuper Export.

Entre as empresas que contribuem para este crescimento está A Poveira, cuja produção assenta essencialmente em conservas de atum, sardinha e cavala, embora o portefólio inclua diversas espécies de pescado e de receitas.
Sofia Brandão, responsável de marketing e comunicação da empresa, afirma que o mercado tem vindo a reconhecer cada vez mais as vantagens nutricionais e a conveniência das conservas de peixe em geral. “A conjugação das características destes produtos – conservação, conveniência, qualidade nutricional e sabor – ajuda a explicar a razão por que as conservas continuam a ser muito procuradas”, explica.

A responsável destaca, em particular, a evolução da procura pela sardinha. “A cada vez maior procura por alimentos nutricionalmente ricos, naturais, convenientes e ao mesmo tempo acessíveis em preço leva o consumidor contemporâneo a descobrir as sardinhas. Numa única lata reúnem-se proteína de elevado valor biológico, ácidos gordos ómega-3, vitamina D, vitamina B12 e cálcio, se consumida a espinha. É uma combinação extraordinária, que faz desta conserva um alimento de alta densidade nutricional, com interesse reconhecido para a saúde cardiovascular, óssea e muscular”, enumera.

A aposta na diversificação da oferta tem marcado a estratégia da empresa. Este ano, a marca Minerva lançou as referências Polvo em azeite e Mexilhões à marinheira. “A Minerva não tinha até esta data oferta deste tipo de especialidades. Tal como acontece com as outras espécies, usámos matéria-prima de elevada qualidade e a reação de todos que provam é excelente”, sublinha Sofia Brandão.

Certificação e recuperação dos recursos

Fundada em 1853, e considerada a mais antiga conserveira em laboração contínua do mundo, a Ramirez é um dos exemplos da longevidade e da capacidade de adaptação da indústria nacional. Para Luís Avides Moreira, administrador adjunto da Ramirez, a longevidade da empresa assenta numa combinação de tradição e capacidade de evolução. “É esta consistência, aliada à capacidade de evoluir sem perder a identidade, que explica a confiança de milhões de consumidores em todo o mundo”, afirma.

Com um portefólio que ultrapassa as duas centenas de referências, a empresa produz conservas de atum, sardinha, cavala, salmão, bacalhau, polvo, lulas e outras especialidades. Apesar da diversidade da oferta, a sardinha continua a ser o produto mais relevante na atividade global da empresa, representando cerca de 48% do negócio. Já no mercado nacional, o atum lidera as preferências dos consumidores, sendo responsável por aproximadamente 65% das vendas.

A certificação da sardinha portuguesa e a recuperação dos recursos são encaradas pela empresa como fatores decisivos para sustentar este crescimento. “A sardinha é um dos grandes símbolos da indústria conserveira nacional e uma categoria estratégica para a Ramirez. Uma maior disponibilidade da matéria-prima, aliada a uma gestão sustentável do recurso, permite responder melhor à crescente procura dos mercados, reforçando naturalmente o potencial de crescimento da empresa”, sublinha Luís Avides Moreira.

Paralelamente, refere que a evolução dos hábitos de consumo está também a transformar o setor. Os consumidores procuram cada vez mais produtos saudáveis, sustentáveis, autênticos e com maior valor acrescentado. “O segmento premium continua a crescer, impulsionado por consumidores que valorizam a origem das matérias-primas, a qualidade dos ingredientes, os métodos de produção, a rastreabilidade e marcas com história e credibilidade”, explica Luís Avides Moreira.

Para responder a esta tendência, a Ramirez tem reforçado a aposta na valorização das receitas tradicionais, na seleção criteriosa das matérias-primas, na utilização de pescado proveniente de fontes certificadas sempre que possível, na inovação das embalagens e no desenvolvimento de soluções que conciliam conveniência, sabor, qualidade nutricional e sustentabilidade.Segundo o administrador adjunto, o objetivo é criar produtos diferenciadores e relevantes, capazes de responder às necessidades dos consumidores nos diferentes mercados onde estão presentes.

Produtos premium e gourmet

Na Conserveira do Sul, a aposta passa igualmente por um portefólio diversificado. A empresa produz conservas e patés de sardinha, atum, cavala, carapau e bacalhau, comercializados através de marcas como Manná e Good Boy, além de desenvolver produtos para marcas de distribuição e mercados internacionais. Mais recentemente, lançou também uma gama de patés de grão, dirigida ao segmento plant-based.

Ricardo Costa, head of sales da empresa defende que tanto o atum como a sardinha continuam a desempenhar um papel relevante no negócio, embora a estratégia vá além da aposta numa única espécie. “O atum continua a ser uma das categorias com maior procura a nível nacional e internacional e representa uma parte importante da nossa atividade. Por outro lado, a sardinha é das espécies que mais trabalhamos, quer em conserva, quer em paté, sendo o Paté de Sardinha Manná um dos nossos produtos icónicos, este ano a celebrar 40 anos desde o seu lançamento, em 1986”, apresenta.

Ricardo Costa também aponta a recuperação da certificação MSC da sardinha portuguesa como “uma excelente notícia para a indústria conserveira nacional” e defende que o segmento premium e gourmet continua igualmente a ganhar peso nas estratégias das conserveiras portuguesa. Na Conserveira do Sul, confirma esta tendência. “O consumidor procura cada vez mais produtos diferenciadores, seja pela qualidade dos ingredientes, pela origem da matéria-prima, pela inovação das receitas ou pela experiência de consumo. São categorias que têm vindo a crescer de forma consistente, tanto em Portugal como nos mercados de exportação”.

Para responder a esta procura, a empresa lançou uma gama conservas em azeite biológico, e uma de conservas de especialidades como Filetes de Cavala, Filetes de Carapau, Barriga de Atum e Ovas de Sardinha, além da gama Chunky Spread da Manná, que combina peixe e vegetais em formatos pensados para diferentes momentos de consumo. Nos próximos meses, a empresa prepara ainda novidades para a marca Manná. “Estamos a desenvolver uma evolução da marca, reforçando aquilo que sempre definiu a Manná – a tradição conserveira, a qualidade do pescado e a forte ligação ao mar. Será uma evolução que honra mais de 70 anos de história sem perder a sua autenticidade”, adianta Ricardo Costa.

Espanha e Marrocos pressionam competitividade

As empresas do setor enfrentam vários desafios, desde a disponibilidade de pescado até à volatilidade dos custos das matérias-primas, mas com a sustentabilidade dos recursos marinhos a assumir um papel central.

Luís Avides Moreira refere a disponibilidade de matéria-prima como uma das principais incertezas enfrentadas pelas empresas. “Sem dúvida que o abastecimento é um dos maiores desafios que a indústria conserveira enfrenta atualmente, em particular no caso de espécies estratégicas como a sardinha e a cavala. É essencial que a gestão dos recursos seja sustentada no melhor conhecimento científico disponível, garantindo simultaneamente a preservação dos stocks e a viabilidade económica das empresas, da frota pesqueira e das comunidades que dependem desta atividade”, alerta.

O administrador adjunto da Ramirez refere igualmente a oscilação dos preços das matérias-primas, da energia, dos materiais de embalagem e dos transportes, como fatores com “um impacto significativo na competitividade da indústria, aos quais soma a escassez de mão de obra qualificada, as novas exigências regulatórias e ambientais e a necessidade de acelerar a digitalização.

“Os desafios do setor vão muito além das quotas de pesca”, sublinha Luís Avides Moreira. Segundo o administrador, a pressão para investir continuamente em inovação, sustentabilidade e desenvolvimento de novos produtos tem impacto direto na competitividade das conserveiras. Uma indústria que tem também que saber responder aos novos hábitos de consumo, a consumidores “cada vez mais informados e exigentes, que procuram produtos de elevada qualidade, saudáveis, sustentáveis e com total transparência quanto à sua origem e processo produtivo”, refere ainda.

No plano internacional, as conserveiras portuguesas enfrentam concorrentes com vantagens de escala, proximidade das zonas de captura ou custos de produção inferiores. Espanha dispõe de uma indústria de grande dimensão, fortemente internacionalizada e especializada no atum. Marrocos beneficia de custos mais baixos e de uma posição relevante no segmento da sardinha.

Mas para Luís Avides Moreira, “a concorrência é saudável e contribui para elevar o nível da indústria”. A estratégia da Ramirez procura combinar o conhecimento acumulado durante quase dois séculos com processos industriais modernos. “Somos uma empresa que alia tradição e tecnologia, preservando o saber-fazer conserveiro português enquanto incorpora as melhores práticas industriais e ambientais.”

Luís Avides Moreira destaca a capacidade do setor conserveiro nacional para se adaptar ao longo da sua história, mas define que “para continuar a crescer, investir e reforçar a sua posição nos mercados internacionais, necessita de um enquadramento que proporcione maior estabilidade, previsibilidade e uma visão de longo prazo para toda a cadeia de valor, desde a pesca até ao consumidor final”.

Para Sofia Brandão, a capacidade de adaptação tem sido determinante para a evolução da Poveira. “Todos os anos nos deparamos com dificuldades que encaramos como desafios que têm de ser ultrapassados. Somos uma empresa fortemente reativa e com grande capacidade de adaptação, daí, apesar de todos os constrangimentos conjunturais, mantermos o nosso crescimento”, afirma. A responsável de marketing e comunicação da empresa destaca a sustentabilidade e a disponibilidade de recursos da atividade piscatória como dois dos “mais importantes desafios da indústria”. Sobre a concorrência, nomeadamente de países próximos como Espanha e Marrocos, Sofia Brandão também a vê como “um elemento fundamental para a melhoria contínua” do negócio de A Poveira. “Melhoria contínua dos nossos produtos, do nosso serviço, de sermos cada vez mais competitivos. É esta busca incessante e sempre olhando para a nossa concorrência que garante a preferência dos nossos clientes”, assegura.

A Poveira promove a diferenciação sobretudo através da preservação de um método de produção tradicional. Segundo a responsável, a empresa é “um dos poucos grandes fabricantes a nível mundial que mantém o fabrico tradicional da conserva de sardinha”, recorrendo a um processo totalmente manual que se distingue pelo pré-cozimento da sardinha fora da lata, uma técnica que continua a conferir características únicas ao produto final.

Matéria-prima e preços

Também Ricardo Costa considera que o setor enfrenta atualmente vários desafios em simultâneo. “A disponibilidade de matéria-prima, a volatilidade dos preços das várias matérias-primas e a crescente exigência dos consumidores são fatores que obrigam as empresas a uma adaptação permanente”, enumera.

Apesar deste cenário, o head of sales da Conserveira do Sul destaca a resiliência da indústria nacional. “É fundamental reconhecer que a indústria conserveira portuguesa tem demonstrado uma grande capacidade de adaptação ao longo das décadas, encontrando soluções para continuar a criar valor e a apresentar ao mercado produtos de elevada qualidade e diversidade”.

A crescente concorrência de produtores internacionais, nomeadamente Espanha e Marrocos, é encarada não como uma ameaça, mas como um estímulo à inovação e à melhoria contínua. Ricardo Costa lembra que a indústria conserveira portuguesa integra um mercado global altamente competitivo e onde Espanha e Marrocos são preponderantes na produção de conservas, mas considera que Portugal reúne atributos difíceis de replicar.

Entre esses fatores, destaca “a qualidade da conserva portuguesa, reconhecida internacionalmente, quer pelo pescado utilizado, quer pela experiência acumulada ao longo de gerações e o elevado nível de exigência na produção”.

Na Conserveira do Sul, além da aposta continua na preparação manual do peixe, realizada por profissionais experientes, a empresa procura distinguir-se pela diversidade da sua oferta., tanto de produto como de marcas. Exemplifica com a Good Boy – “transporta consigo uma herança muito própria e um posicionamento descontraído e diferenciador” – e a Manná que “representa décadas de confiança junto dos consumidores portugueses e prepara-se para iniciar uma nova etapa que reforçará ainda mais a sua identidade e proximidade às suas origens”.

Reforçar produção e sustentabilidade

Os investimentos nos próximos anos em produção, tecnologia ou sustentabilidade visam a modernização das unidades produtivas, no aumento da capacidade de fabrico e a adoção de soluções mais sustentáveis.

A Poveira tem em curso um dos mais significativos planos de investimento dos últimos anos. Sofia Brandão revela que “nos próximos dois anos estão previstos investimentos de cerca de 14 milhões de euros, investimentos aliás já em curso”.

O montante será aplicado em várias frentes estratégicas. “Os investimentos consubstanciam-se numa nova fábrica para o que designamos de especialidades – mexilhões, polvo, amêijoas, entre outros produtos -, mas também na ampliação da capacidade em atum, com a instalação de novas linhas”, explica Sofia Brandão.

Na Ramirez a inovação continuará a ser um dos principais motores de crescimento. Segundo Luís Avides Moreira, o plano para os próximos anos passa por reforçar a capacidade produtiva e tornar os processos mais eficientes e sustentáveis. Os investimentos previstos abrangem a modernização industrial, através da instalação de novas linhas de produção, bem como a digitalização dos processos, permitindo ganhos de eficiência e maior competitividade num mercado cada vez mais exigente.

A estratégia da empresa passa também por mais soluções de sustentabilidade.

Segundo o, administrador adjunto, a empresa pretende aprofundar iniciativas de redução do desperdício e de valorização dos coprodutos gerados durante o processo produtivo, ao mesmo tempo que reforça os sistemas de rastreabilidade, cada vez mais valorizados pelos consumidores e pelos mercados internacionais. “Continuaremos igualmente a apostar na redução do desperdício, na valorização dos coprodutos, no reforço dos sistemas de rastreabilidade e em projetos que promovam uma maior sustentabilidade em toda a cadeia de valor”, revela.

A Conserveira do Sul mantém uma estratégia de investimento contínuo, embora centrada sobretudo na modernização tecnológica e na eficiência operacional. Segundo Ricardo Costa, “a Conserveira do Sul tem vindo a investir de forma contínua na modernização das suas instalações e dos seus processos produtivos, procurando aumentar a eficiência sem comprometer aquilo que nos distingue: uma produção onde o know-how humano continua a desempenhar um papel fundamental”.

Além da componente ambiental, a Conserveira do Sul continuará a investir em áreas consideradas estratégicas para a competitividade, como a certificação e a segurança alimentar, áreas que a empresa considera essenciais para responder às exigências dos mercados. O responsável sublinha que a modernização não significa abdicar da identidade da indústria conserveira portuguesa. “Acreditamos que a inovação e a tradição têm de ser aliadas na nossa indústria e só assim poderemos continuar a evoluir e a melhorar processos, conclui ao Hipersuper.

Fonte: HiperSuper

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) e o Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P. (IVDP, I.P.), realizaram uma sessão conjunta de coordenação do controlo e fiscalização da Vindima 2026, reforçando a articulação entre as três entidades no âmbito do protocolo de cooperação que mantêm há vários anos.

Os dirigentes e respetivas equipas reuniram-se na Casa dos Vinhos Verdes, no Porto, com o objetivo de articular os planos de controlo aplicáveis às Denominações de Origem Vinho Verde, Douro e Porto, promovendo a partilha de informação e conhecimento e reforçando os mecanismos de garantia da origem e autenticidade dos vinhos destas regiões.

A sessão incidiu, em particular, na coordenação dos controlos durante a vindima, tendo em vista assegurar a rastreabilidade das uvas e dos respetivos fluxos, bem como o cumprimento da legislação aplicável à proteção das Denominações de Origem e Indicações Geográficas.

Foram igualmente definidos mecanismos destinados a reforçar a eficiência da atuação das equipas, agilizar os canais de contacto e os procedimentos partilhados e assegurar um acompanhamento próximo e rigoroso ao longo da campanha vitivinícola.

Fonte: iAlimentar

O Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) publicou, em Diário da República, o Aviso n.º 21429/2026/2, que formaliza a inclusão de novas especificações nas regras de produção e comercialização da DO «Alentejo» e da IG «Alentejano». As alterações resultam das deliberações do Conselho Geral da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), tomadas a 1 de julho e 4 de agosto de 2026, e visam adaptar a regulamentação às condições atuais da região, reforçando a proteção de práticas tradicionais e valorizando o património vitícola.

Eliminação do limite de altitude na sub‑região de Portalegre

O Aviso determina a remoção da referência à altitude máxima de 700 metros anteriormente aplicada à sub‑região de Portalegre. A decisão baseia‑se na evolução das condições edafoclimáticas, na aptidão vitícola das áreas abrangidas e na garantia de manutenção das características essenciais dos vinhos da DO «Alentejo». Esta alteração não modifica a delimitação geográfica da sub‑região, mas elimina um critério de exclusão considerado desatualizado.

Novas designações: «Vinhas Velhas» e «Vinhas Velhas Centenárias»

O Aviso cria duas menções de rotulagem destinadas a valorizar vinhas antigas, reconhecidas pelo seu contributo para a diferenciação, equilíbrio vegetativo e reputação dos vinhos alentejanos:

  • Vinhas Velhas — aplicável a vinhos produzidos a partir de uvas de parcelas onde ≥75% das videiras têm 35 anos ou mais;

  • Vinhas Velhas Centenárias — reservada a vinhas com ano de plantação igual ou anterior a 1931, sem percentagem mínima definida.

Ambas as categorias ficam sujeitas a rendimentos máximos por hectare:

  • 5.000 kg/ha para DO «Alentejo»

  • 7.500 kg/ha para IG «Alentejano»

Valorização do «Vinho de Talha»

O método ancestral de vinificação em talhas — símbolo identitário da região — passa a ter regras harmonizadas para DO e IG:

  • Fermentação e permanência das massas vínicas em talhas tradicionais até 11 de novembro do ano da vindima;

  • Utilização exclusiva de castas autorizadas, incluindo Alicante‑Branco, Antão‑Vaz, Arinto, Fernão‑Pires, Trincadeira, Aragonez, Alicante‑Bouschet, entre outras;

  • Proibição de edulcoração ou práticas de aumento de açúcares/título alcoométrico;

  • Comercialização exclusivamente em garrafa de vidro.

Estas especificações reforçam a proteção legal de um método que distingue o Alentejo no panorama vitivinícola nacional e europeu.

Enquadramento legal e aprovação

As alterações foram aprovadas ao abrigo:

Impacto esperado no setor

As novas especificações deverão:

  • Reforçar a identidade territorial dos vinhos do Alentejo;

  • Valorizar vinhas antigas como património vitícola;

  • Proteger e promover o Vinho de Talha como método tradicional;

  • Atualizar critérios técnicos em linha com a evolução climática e agronómica da região.

Fonte: Qualfood

O Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) publicou o Aviso n.º 21430/2026/2, que formaliza a inclusão de um conjunto de novas especificações nas regras de produção e comercialização da Denominação de Origem Protegida (DOP) Vinho Verde e da Indicação Geográfica Protegida (IGP) Minho. As alterações foram aprovadas pelo Conselho Geral da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) nas deliberações de 26 de maio e 7 de julho de 2026, refletindo a evolução técnica, enológica e comercial da região.

Principais alterações para a DOP «Vinho Verde»

  • Eliminação da obrigatoriedade de indicar o ano de colheita na rotulagem quando acompanhada da menção da sub‑região. Esta mudança permite certificar vinhos de mais do que um ano de colheita, garantindo maior flexibilidade aos produtores e reforçando a transparência da informação ao consumidor;

  • Ajuste dos títulos alcoométricos volúmicos mínimos, permitindo a certificação de vinhos com teor alcoólico mais baixo, sem comprometer a identidade sensorial. A medida responde às tendências de mercado e à procura crescente por vinhos de menor graduação alcoólica.

Alterações para a IGP «Minho»

  • Inclusão de novas castas aptas à produção:

    • Moscatel Galego Branco

    • Encruzado

    • Tinta Francisca

Estas castas foram reconhecidas pelo seu potencial de longevidade, pela capacidade de estimular uma enologia mais experimental e pelo contributo para a valorização económica da região.

  • Definição de requisitos organoléticos específicos para novos estilos de vinhos, incluindo:

    • Vinho branco de curtimenta (Aspeto–Cor)

    • Vinho não filtrado (Aspeto–Limpidez)

    • Vinho branco sem sulfitos adicionados (Aspeto–Cor)

    • Vinho espumante Pét-Nat e vinho frisante Pét-Nat (Aspeto–Limpidez) Estes parâmetros reconhecem práticas de baixa intervenção, cada vez mais valorizadas por consumidores e mercados internacionais.

Impacto esperado

As novas especificações reforçam a capacidade da região dos Vinhos Verdes de diversificar estilos, inovar e responder às exigências de consumidores que procuram produtos mais naturais, autênticos e com menor teor alcoólico. Ao mesmo tempo, consolidam a reputação da DOP «Vinho Verde» e da IGP «Minho» como referências de qualidade no panorama vitivinícola nacional.

Fonte: Qualfood

Uma análise de 54 estudos científicos identifica a dimensão, os danos e as dificuldades de utilização das embalagens entre os fatores associados ao desperdício alimentar. Melhorias no desenho, maquinaria e adaptação dos formatos aos diferentes produtos podem contribuir para reduzir perdas ao longo da cadeia alimentar.

Uma análise realizada por investigadores do Sustainable Packaging Institute da Universidade de Albstadt-Sigmaringen, na Alemanha, e publicada em 2025 no Journal of Consumer Protection and Food Safety, avaliou 54 estudos científicos internacionais para identificar as causas do desperdício alimentar relacionadas com as embalagens e perceber de que forma estas podem contribuir para gerar ou evitar perdas.

Entre os principais problemas identificados estão as embalagens difíceis de esvaziar, danificadas ou de dimensão excessiva. Os investigadores apontam, entre as medidas que podem contribuir para reduzir desperdício: melhorias no desenho e adaptação das dimensões das embalagens, maquinaria, e a sensibilização dos consumidores.

Embalagens têm impacte diferente consoante os alimentos

Num dos estudos analisados, a proporção de desperdício relacionada com a embalagem variou significativamente consoante o tipo de alimento:

  • produtos lácteos, com 89 % do desperdício associado às embalagens;
  • outros alimentos e produtos básicos, com 80 %, destacando-se o pão, com 68 %;
  • carne e peixe, com 73 %;
  • frutas e hortícolas, com 36 %, uma percentagem inferior por serem frequentemente comercializados sem embalagem.

Nos produtos lácteos, o desperdício está também associado à dificuldade em retirar completamente o conteúdo da embalagem, à quantidade desadequada às necessidades do consumidor, ao prazo de validade e às dúvidas sobre a segurança do alimento. Os produtos lácteos são ainda os mais frequentemente descartados em embalagens abertas, seguindo-se o pão.

Dimensão e transporte podem aumentar as perdas 

Nas primeiras etapas da cadeia alimentar, a dificuldade de empilhamento e a sobrecarga durante o transporte podem provocar danos mecânicos nos produtos. A análise refere um estudo realizado na Nigéria em que a utilização de cestos demasiado grandes, pouco ventilados, difíceis de empilhar e, por vezes, contaminados esteve associada a perdas médias entre 41 % e 48 % de tomate durante o transporte.

A utilização de caixas de plástico mais pequenas, ventiladas e com melhores condições de empilhamento permitiu reduzir as perdas totais de tomate para 7,7 %. Problemas durante o enchimento e o processamento, bem como informação ou códigos de barras ausentes ou ilegíveis nas embalagens, são outros fatores identificados no estudo.

Na fase de consumo, as embalagens demasiado grandes estão entre as causas mais frequentemente referidas. Quando o conteúdo não é totalmente utilizado, o alimento pode deteriorar-se depois da abertura e da perda da função protetora da embalagem. Um dos estudos analisados, realizado na Suécia, associou 49 % do desperdício alimentar doméstico às embalagens, nomeadamente à utilização de formatos de dimensão excessiva.

Os investigadores identificam ainda margem para melhorias ao nível da proteção dos alimentos, seleção dos materiais, rotulagem, facilidade de abertura e esvaziamento, controlo da temperatura e ventilação. Defendem, contudo, que o desenho das embalagens deve ter em consideração o alimento, o tipo de embalagem e a região geográfica.

Fonte: TecnoAlimentar

O Sistema de Alerta Rápido para Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais (RASFF) registou o alerta 2026.7646, após a entrada no mercado europeu de uma remessa de batatas fritas provenientes da Índia que não incluía a private attestation exigida para determinados produtos alimentares compostos e de baixo risco.

A private attestation é uma declaração comercial emitida e assinada pelo próprio operador da empresa exportadora ou importadora, que confirma que o produto cumpre todos os requisitos legais de importação aplicáveis. Esta declaração permite dispensar o certificado sanitário oficial emitido pela autoridade competente do país de origem, sempre que o produto se enquadra nas categorias consideradas estáveis à temperatura ambiente, de baixo risco e devidamente processadas.

Motivo da notificação
  • A remessa de batatas fritas chegou ao posto de controlo fronteiriço sem a private attestation obrigatória;

  • A ausência deste documento impede as autoridades de verificar se o operador assegura o cumprimento dos requisitos legais de segurança alimentar e de conformidade com o Regulamento (UE) 2019/1793 e demais normas aplicáveis,

  • Embora as batatas fritas sejam um produto processado e de risco reduzido, a falta da declaração invalida a possibilidade de entrada sem certificado sanitário oficial.

Implicações para operadores e autoridades
  • A remessa pode ser retida, sujeita a verificação documental adicional ou recusada;

  • Importadores devem garantir que produtos compostos e de baixo risco provenientes de países terceiros são acompanhados pela private attestation devidamente assinada, quando aplicável;

  • A notificação reforça a importância da responsabilidade documental dos operadores, especialmente num contexto de aumento dos controlos oficiais sobre produtos alimentares originários da Índia, motivado por um histórico recente de não conformidades em várias categorias de géneros alimentícios.

Enquadramento da private attestation

A private attestation:

  • É emitida pelo operador responsável pela exportação ou importação;

  • Declara que o produto cumpre todos os requisitos legais de segurança alimentar e de importação;

  • Aplica‑se a produtos compostos, estáveis à temperatura ambiente e de baixo risco, permitindo a dispensa do certificado sanitário oficial;

  • Funciona como um instrumento de responsabilização direta do operador, garantindo rastreabilidade e conformidade documental.

A ausência deste documento constitui uma não conformidade documental, suficiente para desencadear um alerta RASFF.

Contexto regulatório

A União Europeia tem vindo a reforçar os controlos sobre produtos alimentares provenientes da Índia, devido ao aumento de notificações relacionadas com contaminantes, pesticidas e falhas documentais. O mais recente ajustamento das medidas de controlo — ao abrigo do Regulamento (UE) 2019/1793 — aumentou a frequência de verificações e exigências documentais para vários produtos agrícolas e processados.

Conclusão

O alerta RASFF 2026.7646 evidencia a importância da conformidade documental na importação de produtos alimentares processados.

Mesmo quando o risco sanitário é reduzido, a ausência da private attestation impede a verificação da conformidade legal e compromete a entrada do produto no mercado europeu.

Este caso reforça a necessidade de rastreabilidade, responsabilidade e rigor documental por parte dos operadores que importam géneros alimentícios de países terceiros.

Fonte: Qualfood

O Sistema de Alerta Rápido para Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais (RASFF) registou o alerta 2026.7630, relativo a um caso de incongruência documental numa remessa de camarão Penaeus vannamei proveniente do Equador.

A notificação indica que a informação presente no rótulo comercial não coincide com os dados declarados na documentação oficial, incluindo certificado sanitário e documentos de exportação.

O que está em causa
  • Incongruência documental — divergências entre rótulo, certificado sanitário e documentação logística;

  • Risco de erro de identificação — espécie, origem ou lote podem estar incorretamente declarados;

  • Não conformidade com requisitos da UE — especialmente no âmbito dos controlos reforçados para crustáceos importados;

  • Impacto na rastreabilidade — inconsistências documentais comprometem a verificação da cadeia de produção.

Contexto: por que o Equador está sob maior escrutínio

O Equador é um dos maiores exportadores mundiais de camarão Penaeus vannamei, com fluxos regulares para a União Europeia. Nos últimos anos, vários alertas RASFF têm incidido sobre:

  • divergências documentais;

  • problemas de rotulagem;

  • falhas na verificação de origem;

  • inconsistências entre certificados sanitários e documentação comercial.

Este padrão levou a UE a reforçar controlos fronteiriços para produtos da pesca equatorianos, especialmente quando há risco de substituição de espécie ou declaração incorreta de processamento.

Implicações para operadores e autoridades
  • A remessa pode ser retida para verificação documental aprofundada;

  • Importadores devem garantir coerência total entre rótulo, certificado sanitário, packing list e documentos de transporte;

  • Autoridades europeias podem solicitar provas adicionais de rastreabilidade ou rever a certificação do país de origem,

  • O alerta reforça a tendência de tolerância zero para discrepâncias documentais em produtos de alto volume comercial.

Conclusão

O alerta RASFF 2026.7630 evidencia a importância crítica da coerência documental na importação de produtos da pesca. Embora não indique automaticamente risco sanitário, uma incongruência entre rótulo e documentação oficial compromete a rastreabilidade e a confiança regulatória, justificando a intervenção das autoridades europeias.

Fonte: Qualfood

O Sistema de Alerta Rápido para Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais (RASFF) registou o alerta 2026.7617, relativo a uma incongruência entre a informação presente no rótulo comercial e os dados constantes no certificado sanitário que acompanhava uma remessa de lula exportada dos Estados Unidos da América para o mercado europeu.

Segundo o enquadramento regulatório atualizado pela União Europeia, os produtos da pesca provenientes dos EUA estão sujeitos a novos requisitos documentais, incluindo dados adicionais sobre operador responsável, destino, documentos acompanhantes e condições sanitárias da captura e processamento. Uma discrepância entre estes elementos — como a verificada neste alerta — pode indicar falhas de controlo documental, erro de certificação, ou até risco de substituição de espécie, um problema já identificado em estudos sobre produtos de lula e surimi no mercado norte‑americano.

O que motivou o alerta?
  • Informação divergente entre o rótulo e o certificado sanitário oficial;

  • Possível não conformidade com o Regulamento (UE) 2026/1305, que reforça as exigências para produtos da pesca importados dos EUA;

  • Risco de erro de identificação da espécie, origem ou processamento;

  • Necessidade de garantir que os produtos cumprem as condições sanitárias exigidas para entrada no mercado europeu.

Implicações para operadores e autoridades
  • A remessa pode ser retida, sujeita a verificação adicional ou recusada na fronteira;

  • Operadores que importam produtos da pesca dos EUA devem assegurar que rótulos, certificados e documentação logística coincidem integralmente;

  • O alerta reforça a tendência europeia de aumentar controlos fronteiriços para produtos de maior risco documental ou sanitário.

Conclusão

O alerta RASFF 2026.7617 evidencia a importância da coerência documental na importação de produtos da pesca, especialmente num ano marcado por novas exigências europeias para certificados sanitários dos EUA.

A discrepância entre rótulo e certificado não implica automaticamente risco sanitário, mas compromete a rastreabilidade e a confiança regulatória, justificando a intervenção das autoridades europeias.

Fonte: Qualfood