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O Reino Unido avançou com a proibição de publicidade televisiva de alimentos ricos em gordura, açúcar e sal antes das 21h, bem como com uma proibição total deste tipo de anúncios online. Segundo o The Guardian, a medida é aplicada pela Advertising Standards Authority (ASA) e integra a estratégia governamental para combater a obesidade infantil.

As novas regras abrangem 13 categorias de produtos e, apesar de a legislação só agora entrar em vigor, o setor publicitário já vinha a cumprir voluntariamente as normas desde outubro, o que resultou, por exemplo, em campanhas de Natal com menos doces e mais frutas e legumes.

A Food Foundation considera a decisão um marco na proteção das crianças, mas critica as exceções que permitem anúncios de marca — desde que não mostrem produtos específicos — por parte de empresas como a McDonald’s ou a Cadbury. As restrições incluem também produtos vistos como saudáveis, como sandes e cereais de pequeno-almoço.

Dados recentes, continua o The Guardian, indicam que as empresas têm desviado investimento para publicidade exterior, cujo gasto aumentou 28% entre 2021 e 2024, com a McDonald’s a liderar esse crescimento.

O governo britânico estima que a medida retire 7,2 mil milhões de calorias por ano da dieta das crianças e reduza em cerca de 20 mil os casos anuais de obesidade infantil, num país onde mais de um terço das crianças tem excesso de peso ao sair do ensino primário.

Fonte: Grande Consumo

Investigadores da Unidad Académica de Estudios Territoriales (UAET) Oaxaca, do Instituto de Geografia da Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM), identificaram comunidades bacterianas com “capacidades excecionais” para melhorar a fertilidade do solo, promover uma agricultura sustentável e apoiar ao restauro ecológico.

A descoberta foi feita no Geoparque Mundial da UNESCO Mixteca Alta, um território onde sistemas agrícolas tradicionais são geridos por comunidades locais há mais de 3.400 anos.

Segundo os cientistas, as populações bacterianas, caracterizadas através de sequenciação genética avançada, distinguem-se pela sua capacidade de:

  • Suprimir agentes patogénicos de forma natural;
  • Melhorar os ciclos de nutrientes, como o carbono e o azoto;
  • Gerar matéria orgânica estável, reforçando a estrutura física do solo;
  • Promover o crescimento das plantas e a resiliência dos ecossistemas agrícolas.

De acordo com os investigadores, a descoberta abre caminho ao desenvolvimento de biofertilizantes e bioestimulantes locais, adaptados às condições ambientais da região.

 Além disso, os responsáveis pela descoberta acreditam que esta solução surge como uma alternativa concreta à dependência de agroquímicos industriais, cujos custos são frequentemente fixados em dólares e variam consoante os mercados internacionais.

Assim, a aplicação prática deste “exército bacteriano”, explicam os cientistas, permitirá recuperar solos degradados, aumentar a produtividade agrícola e reduzir os impactos ambientais associados ao uso intensivo de produtos químicos.

O estudo destacou ainda que a gestão ancestral de lama-bordos, socalcos e vales agrícolas criou ambientes ideais para o desenvolvimento destas comunidades microbianas. A combinação entre ciência genómica moderna e práticas tradicionais transformou o geoparque num modelo global de sustentabilidade.

Os investigadores sublinharam também que a recuperação dos solos não depende apenas de tecnologia de ponta, mas também do conhecimento acumulado das comunidades locais, que mantêm práticas agrícolas resilientes há milhares de anos.

Fonte: Vida Rural

A agricultura regenerativa entrou definitivamente no discurso público. Surge nos programas políticos, nos relatórios empresariais, nas estratégias de sustentabilidade e no vocabulário da nova Política Agrícola Comum. Todos parecem falar dela. Poucos, porém, explicam com clareza o que é, o que não é e, sobretudo, porque existe.

Esta generalização do termo não é neutra. Quando um conceito poderoso se transforma num rótulo vago, perde densidade técnica, credibilidade junto do setor e capacidade de gerar mudança real no terreno. É por isso que importa recentrar o debate.

A agricultura portuguesa atravessa um momento particularmente exigente. Pressão crescente sobre os custos de produção, volatilidade dos mercados, escassez de mão de obra, incerteza climática cada vez mais frequente e uma exigência regulatória em constante evolução moldam hoje o quotidiano dos agricultores. A isto soma-se um fator estrutural menos visível, mas crítico: o desgaste acumulado dos recursos naturais, em especial dos solos e da água, que compromete a produtividade futura e aumenta a dependência de fatores externos.

É neste contexto – e não por moda – que a agricultura regenerativa ganha relevância.

A agricultura regenerativa não é um catálogo de práticas avulsas, nem um selo automático de boas intenções. É uma forma de desenhar sistemas agrícolas a partir de princípios claros – melhorar a saúde do solo, reforçar processos biológicos, aumentar a eficiência no uso da água e reduzir riscos económicos – recorrendo a práticas adaptadas a cada contexto e avaliando o resultado no sistema como um todo. Coberturas vegetais, menor mobilização do solo, diversificação de culturas ou uso criterioso de insumos são apenas ferramentas; o que distingue um sistema verdadeiramente regenerativo é a sua capacidade de demonstrar, ao longo do tempo, maior estabilidade produtiva, menor dependência de fatores externos e melhoria mensurável do capital natural que sustenta a produção.

É precisamente aqui que o debate começa a fragilizar-se. Nos últimos anos, o termo “agricultura regenerativa” tem sido apropriado de forma ligeira – e, por vezes, oportunista – por quem não apresenta evidência técnica, métricas ou resultados que sustentem essa designação. Reduzir uma mobilização do solo, instalar uma cobertura vegetal pontual ou alterar um insumo não transforma, por si só, um sistema agrícola. A regeneração exige objetivos claros, monitorização consistente e demonstração de impacto agronómico, ecológico e económico. Sem isso, fica ao nível da intenção. Esta banalização não só esvazia o conceito, como mina a confiança dos agricultores, dos investidores e da sociedade num modelo que exige, acima de tudo, rigor e seriedade.

A boa notícia é que a evidência existe, quando se mede. O estudo europeu “Farmer-led Research on Europe’s Full Productivity”, conduzido pela European Alliance for Regenerative Agriculture (EARA) e publicado em 2025, analisou dezenas de explorações agrícolas em 14 países europeus e demonstrou que sistemas agrícolas regenerativos, quando avaliados de forma holística, conseguem manter níveis de produção praticamente equivalentes aos sistemas convencionais, utilizando significativamente menos fertilizantes sintéticos e pesticidas, ao mesmo tempo que melhoram indicadores de saúde do solo, biodiversidade e margem económica. O estudo introduz o conceito de Regenerating Full Productivity, precisamente para medir o desempenho do sistema como um todo – agronómico, ecológico e económico – e não apenas a produtividade isolada de curto prazo.

Persistem, ainda assim, equívocos importantes. Um dos mais frequentes associa agricultura regenerativa a perda de produtividade ou a uma visão excessivamente idealizada da agricultura. Na realidade, trata-se sobretudo de uma estratégia de eficiência e de gestão de risco. Sistemas agrícolas fortemente dependentes de insumos externos – fertilizantes, energia, água ou fitofármacos – são estruturalmente mais vulneráveis à volatilidade de preços, às restrições regulatórias e aos extremos climáticos. A regeneração, quando bem desenhada, reduz essa exposição e aumenta a previsibilidade do sistema produtivo. Não se trata de produzir menos, mas de produzir melhor e com maior estabilidade ao longo do tempo.

A nova Política Agrícola Comum e o PEPAC português reconhecem, pela primeira vez de forma clara, a necessidade de alinhar produção agrícola com objetivos ambientais e climáticos. Os eco-regimes e as práticas favoráveis ao solo e à biodiversidade representam um passo importante. O risco está na execução. Existe uma diferença fundamental entre a adoção administrativa de práticas e a transformação estrutural dos sistemas produtivos. Cumprir um requisito não equivale a regenerar um sistema. Sem acompanhamento técnico, sem métricas claras e sem avaliação de resultados, a política pública corre o risco de financiar conformidade, em vez de mudança real.

A agricultura regenerativa não se implementa por regulamento. Exige conhecimento agronómico, adaptação local, monitorização contínua e tempo. Exige, também, maior exigência na forma como se define sucesso: menos foco em intenções declaradas e mais foco em resultados observáveis no terreno.

Portugal está particularmente exposto aos desafios que tornam esta discussão incontornável. Clima mediterrânico, escassez hídrica estrutural, solos frágeis em muitas regiões e uma forte presença de culturas permanentes colocam o país na linha da frente dos impactos das alterações climáticas. Mas colocam-no também numa posição estratégica para liderar soluções. A agricultura regenerativa pode ser uma ferramenta central de adaptação climática, de competitividade agrícola e de valorização do território rural, desde que seja tratada com rigor técnico e visão de longo prazo.

O maior risco que este conceito enfrenta hoje não é técnico, é semântico. Falar de agricultura regenerativa é fácil. Implementá-la bem é exigente. Exige agronomia sólida, desenho de sistemas, acompanhamento continuado, avaliação económica e humildade para ajustar percursos. Exige, sobretudo, distinguir claramente entre práticas isoladas e transformação real.

Num setor sob pressão crescente, regenerar não é um luxo nem um slogan. É, cada vez mais, uma condição para que a agricultura continue a produzir hoje e amanhã.

Fonte: Agroportal

A revista Regulatory Toxicology and Pharmacology  retirou um artigo do ano 2000 que afirmava a segurança do glifosato e que vinha sendo usado como prova fundamental para as aprovações regulatórias do produto químico agrícola desde a sua publicação.

Nos últimos anos, o herbicida tem enfrentado crescente escrutínio público devido aos seus potenciais efeitos adversos à saúde, como cancro, e a empresa produtora, tem sido alvo de processos judiciais alegando danos causados ​​pela exposição ao produto químico. A empresa anunciou em 2021 que encerraria as vendas de herbicidas à base de glifosato nos EUA para gerir os riscos de litígios, pois, na época, mais de 40.000 ações judiciais relacionadas haviam sido movidas por pacientes com cancro ou seus familiares contra a empresa.

 A crise atual na vitivinicultura no Douro faz-me lembrar Portugal e as suas crises: existem durante grande parte do tempo histórico, mas a região e o país e mantém-se a funcionar sem colapsar. Ainda ecoam — e permanecem muito presentes na minha memória, praticamente todos os dias — as palavras do Professor João Rebelo, que estuda a Região Demarcada do Douro (RDD) há cerca de 40 anos, proferidas na Fundação Casa de Mateus, em Vila Real, nos primeiros dias de julho de 2024, aquando da apresentação pública de uma das conclusões do estudo “Competitividade e sustentabilidade dos vinhos do Douro e Porto. Que estratégia?”, desenvolvido em parceria com os seus colegas da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Alberto Batista e Sofia Gouveia:

A narrativa do excesso de produção é completamente errada; o que há é um excesso de oferta [de vinho]”.

Este fenómeno no mercado dos vinhos resulta, em larga medida, da importação massiva de vinho espanhol a baixo preço, que representa 96% do total importado. Torna-se, por isso, indispensável garantir a rastreabilidade e a transparência do percurso de todo este volume de vinho em território nacional. As importações de vinho em 2022, 2023 e 2024 representaram, respetivamente, 43%, 38% e 30% do vinho produzido em Portugal, sendo pelo menos 68% a granel e correspondendo a mais de 50% da quantidade de vinho exportado em cada um desses anos. “Concordo que o Governo deve desenvolver ações de fiscalização, sem intervir excessivamente no mercado, para que a origem dos vinhos seja clara para os consumidores”, defendeu o Professor João Rebelo.

O estudo indica ainda que a RDD necessita de ajustar o perfil dos vinhos que produz às tendências dos mercados nacionais e internacionais, onde se observa uma procura crescente por vinhos mais leves e frescos — brancos, rosés e espumantes — em detrimento dos vinhos tintos, doces e de elevado teor alcoólico.

Leia o artigo completo aqui.

Fonte: Agroportal

Durante períodos de elevada procura, como as celebrações nacionais em diferentes países, o consumo de carne vermelha pode aumentar entre 20% e 30%, elevando também o risco de perdas económicas devido à deterioração do produto. Neste contexto, investigadores da Pontifícia Universidade Católica do Chile desenvolveram uma solução tecnológica que melhora a conservação da carne fresca e contribui para a sustentabilidade das embalagens.

A professora e reitora de Engenharia desta universidade, Loreto Valenzuela, lidera o desenvolvimento da Bolsolution, um revestimento comestível elaborado a partir de ingredientes naturais, que incorpora compostos bioativos com propriedades antimicrobianas e antioxidantes. Este material, de carácter funcional e compostável, foi concebido especificamente para aplicação em carne vermelha, como carne bovina e suína.

Os primeiros protótipos foram obtidos por extrusão, uma técnica amplamente utilizada no fabrico de películas alimentares, o que facilita a sua escalabilidade industrial. De acordo com os ensaios realizados, a tecnologia permite inibir a oxidação lipídica e retardar o crescimento microbiano, prolongando a cor, o aroma e a qualidade sensorial do produto refrigerado durante vários dias, e até várias semanas.

Leia o artigo completo aqui.

Fonte: lAlimentar

A segunda edição da campanha ‘Desperdício Zero, Impacto Duplo’, uma iniciativa conjunta da ERP Portugal – Associação Gestora de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos (REEE) e Resíduos de Baterias (RB), da Orima, marca portuguesa de eletrodomésticos, e da Refood, organização criada para reaproveitar excedentes alimentares e alimentar quem mais precisa, arrancou no dia 1 de janeiro e estende-se até dia 5 de junho, Dia Mundial do Ambiente. Esta campanha, que na sua primeira edição recolheu 1,6 toneladas de resíduos, reforça a colaboração entre os parceiros para um impacto ambiental e social positivo.

Os dados mais recentes da Eurostat revelam que, em média, cada português desperdiça anualmente mais de 180kg de alimentos, fazendo de Portugal como o quarto país da Europa com maior taxa de desperdício.

A campanha ‘Desperdício Zero, Impacto Duplo’ visa sensibilizar para a urgência da redução do desperdício alimentar, enquanto impulsiona e promove o correto encaminhamento de resíduos perigosos como pilhas e lâmpadas. Os participantes contribuem não só para a proteção ambiental, mas também para o fortalecimento da ação e dos meios da Refood no terreno.

De forma a tornar a entrega de pilhas e lâmpadas mais acessível à população, os núcleos da Refood de norte a sul do país vão funcionar como pontos de recolha, entre as 18h00 e as 21h00. A ERP Portugal assegurará a recolha e o encaminhamento adequado dos resíduos para a reciclagem, em conformidade com as normas ambientais.

De forma a incentivar a os portugueses a entregarem estes materiais, a Orima, vai oferecer equipamentos de refrigeração novos e mais eficientes aos núcleos da Refood que recolherem a maior quantidade deste tipo de resíduos, de forma a apoiar a capacidade de armazenamento de alimentos da organização.

Fonte: TecnoAlimentar

Um novo estudo desenvolvido por investigadores do ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, da Universidade NOVA de Lisboa, revela novas ferramentas para distinguir variedades de arroz e reforçar o combate à fraude alimentar, aprofundando o conhecimento sobre a genética do arroz que chega ao consumidor.

De acordo com o comunicado de imprensa, cerca de metade da população mundial tem no arroz a base da sua alimentação. Em Portugal, o consumo é o mais elevado da Europa, mas grande parte do arroz vem de fora do continente.

Com o aumento da procura por variedades exóticas e aromáticas, como o basmati, e com a quebra da produção devido às alterações climáticas, cresce o risco de informações enganosas sobre a origem e a variedade do arroz, frisa a comunicação, explicando que é  um problema já identificado pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar, que alerta para fraudes que levam os consumidores a pagar mais por produtos que podem não corresponder ao que é anunciado e prejudicam os produtores honestos.

Para responder a estes desafios, os investigadores sequenciaram o genoma de várias variedades de arroz vendidas no mercado europeu, muitas vezes associadas a preços mais elevados, e analisaram pequenas variações no DNA, conhecidas como polimorfismos de nucleótido único (SNPs).

O estudo, publicado na Scientific Reports, identificou dois grandes grupos genéticos no arroz analisado e revelou várias “assinaturas” de DNA que podem ser usadas para fins de certificação.

“Identificámos cinco pequenas variações no genoma que, em conjunto, têm potencial de distinguir as 22 variedades que considerámos neste estudo”, explicou Maria Beatriz Vieira, estudante de doutoramento no ITQB NOVA e coprimeira autora do estudo. E continua: “esta poderá ser uma forma mais económica de identificar variedades comparativamente com painéis genéticos mais extensos e, portanto, mais caros”.

Os investigadores analisaram 22 variedades de arroz consideradas de elevado valor por produtores e pela indústria. Destas, 20 tiveram o genoma sequenciado pela primeira vez no âmbito deste estudo.

A equipa demonstrou ainda que a variedade portuguesa “Maçarico” é a que apresenta maior proximidade genética ao arroz basmati quando comparada com as restantes variedades analisadas, um resultado relevante para a valorização do arroz nacional e para futuras estratégias de melhoramento.

Hugo Rodrigues, também estudante de doutoramento no ITQB NOVA e coprimeiro autor do artigo, explicou que, “ao conhecermos melhor a relação genética destas variedades e as assinaturas que as distinguem, podemos não só detetar a fraude alimentar, mas também desenvolver arroz mais adaptado às condições mediterrânicas”.

Para além de reforçarem a proteção do consumidor e a transparência do mercado, os dados agora obtidos permitem identificar potenciais marcadores genéticos associados a características como a resistência à seca e a qualidade do grão, explica o comunicado.

“Esta informação pode orientar estratégias de melhoramento genético e apoiar o desenvolvimento de variedades de arroz de maior qualidade e melhor adaptadas às condições ambientais atuais e futuras”, conclui Pedro Barros, investigador no Instituto e autor correspondente.

A nota de imprensa avança ainda que a informação gerada neste estudo já está a ser utilizada no projeto europeu TRACE-RICE, liderado pela investigadora Carla Brites, do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, e que contou com a participação do ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier.

O projeto teve como objetivo promover ferramentas custo-eficientes e ambientalmente seguras para garantir a rastreabilidade e autenticidade do arroz, reduzir contaminantes e valorizar subprodutos na produção de alimentos à base de arroz na região do Mediterrâneo.

Fonte: Agroportal

Recorrendo à técnica de edição genética CRISPR-Cas9, investigadores na Índia conseguiram desenvolver batatas com um teor significativamente mais elevado de amido resistente.

Investigadores da Universidade de Himachal Pradesh, do ICAR–Central Potato Research Institute e do ICAR–Indian Institute of Wheat and Barley Research focaram-se em dois genes envolvidos na biossíntese do amido — SBE2.1 e SBE2.2, que codificam enzimas responsáveis pela ramificação do amido — na variedade de batata Kufri Chipsona-I, amplamente cultivada no país. O objetivo foi aumentar a proporção de amilose, um tipo de amido associado a benefícios para a saúde, incluindo um melhor controlo glicémico e a saúde intestinal.

Utilizando transformação mediada por Agrobacterium, a equipa gerou 50 linhas de batata geneticamente editadas, das quais cerca de 70% apresentaram inserção dos genes marcadores bar e Cas9. Seis dessas linhas mutantes — designadas K301 a K306 — revelaram deleções e substituições nos exões alvo dos genes SBE2.1 e SBE2.2.

Entre as linhas analisadas, a K304 destacou-se como a mais eficientemente editada, apresentando mutações do tipo inserção-deleção e substituição em três dos quatro alvos seleccionados nos dois genes. Os tubérculos desta linha exibiram o teor mais elevado de amilose (95,91%) e de amido resistente (8,69 gramas por cada 100 gramas).

Análises adicionais mostraram alterações na estrutura cristalina do amido e uma redução significativa no alongamento das cadeias ramificadas da amilopectina, confirmando que a modificação genética teve um impacto directo na composição e organização do amido.

De acordo com os autores, os resultados demonstram que a mutagénese mediada por CRISPR-Cas9 em genes da biossíntese do amido é uma estratégia eficaz para desenvolver variedades de batata com um perfil nutricional melhorado e potenciais benefícios para a saúde humana.

O estudo foi publicado na revista científica Frontiers in Genome Editing.

Fonte: Centro de Informação de Biotecnologia

Foram publicados, no final de dezembro de 2025, vários diplomas que procedem à alteração do enquadramento legal aplicável a diferentes categorias de produtos alimentares, designadamente sumos de frutos e produtos similares, doces, geleias de frutos, citrinadas e creme de castanha, mel e leites conservados, no âmbito da transposição da Diretiva (UE) 2024/1438, do Parlamento Europeu e do Conselho.

Estes diplomas visam assegurar a harmonização da legislação nacional com o direito da União Europeia, promovendo simultaneamente maior clareza na rotulagem, reforço da informação ao consumidor, adaptação aos desenvolvimentos tecnológicos e incentivo à reformulação nutricional dos produtos.

No setor dos sumos de frutos e produtos similares, o Decreto‑Lei n.º 137/2025, de 29 de dezembro, introduz alterações relevantes em matéria de composição, rotulagem e denominação. Destaca‑se a possibilidade de utilização voluntária da menção «os sumos de frutos contêm apenas açúcares naturalmente presentes», bem como a criação de uma nova categoria de sumos de frutos com teor de açúcares reduzido, desde que seja alcançada uma redução mínima de 30 % dos açúcares naturalmente presentes, sem adição de edulcorantes ou adoçantes. São igualmente atualizados os limites de açúcares adicionados aos néctares, introduzidos novos processos tecnológicos autorizados e harmonizada a designação de «água de coco» como «sumo de coco», com a fixação de valores mínimos de graduação Brix.

Relativamente aos doces, geleias de frutos, citrinadas e creme de castanha, o Decreto‑Lei n.º 133/2025, de 24 de dezembro, procede à revisão das regras de composição, rotulagem e denominação destes produtos. Entre as principais alterações, destaca‑se a simplificação da rotulagem, com a eliminação da exigência específica de indicação do teor de açúcares, uma vez que essa informação já se encontra abrangida pelo regime geral da rotulagem nutricional. O diploma promove ainda a reformulação nutricional, através do aumento das quantidades mínimas de fruta exigidas, contribuindo para a redução dos açúcares livres e para a valorização da componente frutícola.

No que respeita ao mel, o Decreto‑Lei n.º 136/2025, de 24 de dezembro, introduz novas exigências com vista ao reforço da transparência e da rastreabilidade, em especial no que concerne à indicação da origem. Passa a ser obrigatória a menção, no campo visual principal do rótulo, do país ou países onde o mel foi colhido, incluindo, nos casos de misturas, a indicação dos países de origem por ordem decrescente da respetiva percentagem em peso. São também reforçadas as medidas de prevenção da fraude, exigindo‑se evidência técnica documentada sempre que ocorra a remoção de pólen ou de outros constituintes próprios do mel, de modo a salvaguardar a autenticidade e a qualidade do produto.

No âmbito dos leites conservados parcial ou totalmente desidratados, o Decreto‑Lei n.º 134/2025, de 24 de dezembro, introduz ajustamentos ao regime nacional, designadamente através da autorização de tratamentos para a redução do teor de lactose, cuja aplicação deve ser claramente indicada na rotulagem. O diploma promove igualmente a harmonização de denominações, nomeadamente da expressão “evaporated milk”, e procede à atualização e clarificação de conceitos técnicos e normativos constantes dos respetivos anexos.

Em todos os diplomas é prevista uma norma transitória, permitindo que os produtos colocados no mercado ou rotulados antes de 14 de junho de 2026, em conformidade com a legislação anteriormente em vigor, possam continuar a ser comercializados até ao esgotamento das respetivas existências.

Com este conjunto de alterações legislativas, pretende‑se reforçar a proteção dos consumidores, promover práticas mais transparentes ao longo da cadeia alimentar, adaptar a regulamentação à evolução tecnológica e assegurar condições de concorrência leais entre os operadores económicos.

Mantenha-se informado. Consulte os novos diplomas, sumos de frutos e produtos similaresdoces, geleias de frutos, citrinadas e creme de castanhamel e leites conservados.

Fonte: DGAV