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Investigadores da Iowa State University (EUA) estão a desenvolver uma ferramenta baseada em inteligência artificial (IA) para apoiar agricultores na identificação de pragas e plantas invasoras, com o objetivo de melhorar a tomada de decisão em tempo real na gestão das culturas.

A plataforma, designada Pest-ID, resulta de mais de uma década de trabalho conjunto entre investigadores nacionais e internacionais e permite identificar insetos e plantas invasoras a partir de imagens submetidas pelos utilizadores. A equipa pretende agora alargar a aplicação à identificação de doenças das plantas, o que exigirá maior volume de dados e capacidade computacional.

Segundo Arti Singh, responsável pelo projeto, a ferramenta foi concebida para disponibilizar conhecimento técnico de forma imediata no terreno. “Por vezes, querem tomar uma decisão imediatamente, no momento, e precisam de uma ferramenta especializada. Foi aí que percebemos que poderíamos disponibilizar conhecimento técnico especializado”, afirmou.

Atualmente em fase de teste como página web, o Pest-ID permite aos utilizadores carregar fotografias de insetos ou plantas, fornecendo a sua identificação científica e nome comum, bem como informação adicional. Além disso, a plataforma integra ainda um chatbot que responde a questões sobre a gestão das pragas identificadas. 

Os modelos de identificação foram treinados com 16 milhões de imagens de insetos e 15 milhões de imagens de plantas invasoras, permitindo reconhecer cerca de 4.000 espécies de insetos e 1.500 espécies de plantas invasoras.

O desenvolvimento da ferramenta conta com financiamento da National Science Foundation, através de uma bolsa de 400 mil dólares para dois anos, complementando outros apoios e parcerias estabelecidos ao longo do projeto. 

O projeto envolve parceiros nos Estados Unidos da América (EUA) e a nível internacional, com o objetivo de desenvolver modelos globais que possam ser adaptados a contextos locais. Segundo os investigadores, esta abordagem “global-to-local” permitirá ajustar a ferramenta às especificidades de cada região e aos diferentes tipos de pragas.

Além da componente operacional, a iniciativa inclui também vertentes de formação, nomeadamente através da utilização de dados para fins educativos, envolvendo estudantes no desenvolvimento e aplicação de soluções de inteligência artificial.

Os investigadores sublinharam também que a IA poderá ter um impacto relevante na agricultura, nomeadamente na identificação de pragas, agricultura de precisão e práticas sustentáveis, contribuindo para melhorar a eficiência e apoiar a tomada de decisão no setor.

Fonte: Vida Rural

A Direção‑Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) divulgou a edição de 2026 do Catálogo Nacional de Variedades de Espécies Agrícolas e Hortícolas, um documento de referência que reúne todas as variedades aprovadas em anos anteriores e integra as que concluíram com sucesso os exames oficiais realizados ao longo de 2025.

A publicação anual deste catálogo constitui um marco essencial para o setor agrícola nacional, garantindo que agricultores, viveiristas, técnicos e empresas dispõem de informação atualizada, validada e cientificamente robusta sobre o material vegetal autorizado para produção e comercialização em Portugal.

Um instrumento estratégico para a competitividade agrícola

A edição de 2026 consolida-se como uma ferramenta indispensável para quem atua na cadeia de valor agrícola. Ao integrar novas variedades que demonstraram desempenho consistente nos ensaios oficiais — incluindo produtividade, resistência a pragas e doenças, adaptação climática e qualidade comercial — o catálogo contribui para decisões mais informadas e sustentáveis.

A DGAV sublinha que a atualização anual “reflete o compromisso contínuo com a qualidade, a rastreabilidade e a inovação no setor agrícola”, reforçando a importância de disponibilizar aos produtores variedades que respondam aos desafios atuais, desde a pressão das alterações climáticas até às exigências crescentes dos mercados nacionais e internacionais.

Rigor científico e transparência no processo de aprovação

As variedades agora incluídas passaram por um processo de avaliação rigoroso, conduzido segundo normas europeias e internacionais. Os exames oficiais analisam características agronómicas, estabilidade genética, distinção face a outras variedades e uniformidade — critérios essenciais para garantir confiança e segurança na produção.

A DGAV destaca que este processo “assegura que apenas variedades devidamente testadas e comprovadas chegam ao mercado”, reforçando a credibilidade do setor e promovendo práticas agrícolas mais eficientes.

Disponibilização pública e impacto no setor

O Catálogo Nacional de Variedades 2026 já se encontra disponível para consulta pública, permitindo que profissionais e entidades do setor acedam facilmente às fichas técnicas e informações essenciais de cada variedade.

A sua publicação anual tem impacto direto na planificação agrícola, na escolha de sementes certificadas, na gestão de viveiros e na definição de estratégias de produção mais resilientes e adaptadas às condições nacionais.

Para muitos produtores, este catálogo funciona como um guia seguro para a adoção de novas variedades, contribuindo para a modernização do setor e para a competitividade da agricultura portuguesa.

Uma agricultura mais preparada para o futuro

Com esta nova edição, a DGAV reafirma o seu papel central na promoção de uma agricultura mais sustentável, inovadora e alinhada com as exigências europeias. A integração de novas variedades aprovadas em 2025 demonstra a vitalidade da investigação e do desenvolvimento varietal no país, bem como o compromisso das entidades públicas com a melhoria contínua do setor.

Fonte: Qualfood

As alterações climáticas estão a transformar profundamente a produção mundial de café, tornando a cadeia de abastecimento mais frágil e pressionando os preços ao longo de todo o sector, segundo uma análise da GlobalData.

O aumento das temperaturas, a irregularidade das chuvas e a maior frequência de fenómenos meteorológicos extremos estão a afetar as principais regiões produtoras, reduzindo a previsibilidade das colheitas e a disponibilidade de matéria-prima. O impacto faz-se sentir desde os agricultores até aos fabricantes e consumidores, com preços mais elevados e menor consistência do produto.

A variedade arábica, que representa mais de metade da produção global e domina os segmentos premium, é particularmente vulnerável. Esta casta desenvolve-se melhor em intervalos de temperatura específicos e, com o aquecimento global, muitas zonas tradicionais estão a tornar-se menos adequadas ao seu cultivo.

Dados da Climate Central indicam que os principais países produtores, responsáveis por cerca de 75% da oferta mundial, enfrentam atualmente em média mais 57 dias por ano de calor prejudicial às plantações. Em casos extremos, como em El Salvador, registam-se quase 100 dias adicionais de temperaturas nocivas.

As projeções apontam para um cenário ainda mais desafiante. O Rabobank estima que cerca de 20% das áreas atuais de cultivo de arábica possam tornar-se inviáveis até 2050, forçando uma redistribuição geográfica da produção e aumentando o risco de ruturas no abastecimento.

 Qualidade em risco

Além da quantidade, a qualidade também está em risco. Temperaturas mais elevadas aceleram a maturação dos grãos, reduzindo a complexidade aromática, enquanto chuvas intensas durante a colheita aumentam a probabilidade de defeitos. Como resultado, fabricantes poderão ser obrigados a ajustar misturas, recorrer mais à variedade robusta – mais resistente ao calor – ou reformular produtos.

O impacto já chega ao consumidor final. A FAO registou uma subida de quase 40% nos preços do café em 2024, impulsionada por quebras de produção associadas ao clima adverso. Para além do preço, os consumidores enfrentam também menor diversidade de oferta e possíveis alterações no sabor habitual.

Apesar dos desafios, existem estratégias de adaptação em curso, como sistemas agroflorestais, desenvolvimento de novas variedades mais resistentes e maior diversificação de origens por parte da indústria. No entanto, especialistas alertam que o sucesso destas medidas dependerá da rapidez do investimento e do apoio aos pequenos produtores, responsáveis por grande parte da produção mundial.

A conclusão é clara: o futuro do café dependerá não só da evolução do clima, mas também da capacidade de resposta de toda a cadeia de valor para garantir oferta, qualidade e estabilidade num mercado cada vez mais pressionado.

Fonte: Grande Consumo

ASAE apreende mais de 39 000 L de vinho

  • Tuesday, 14 April 2026 13:03

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), através das suas Unidades Regionais do Norte e do Centro e do empenho das Brigadas Especializadas dos Vinhos e Produtos Vitivinícolas, realizou diversas operações de fiscalização dirigidas a operadores económicos com atividade de produção, engarrafamento, armazenamento e distribuição de vinhos, nas últimas semanas, nos concelhos de Lamego, Fafe, Maia, Lousada, Viseu e Tondela.
As ações de fiscalização tiveram como objetivo verificar o cumprimento das normas aplicáveis ao setor vitivinícola, nomeadamente no que respeita às condições de produção, armazenamento e comercialização destes produtos.
Como resultados operacionais destaca-se a apreensão de 39.391 litros de vinho (tinto e branco) cuja rotulagem apresentava diversas irregularidades incluindo omissões de menções obrigatórias, já engarrafados e prontos a serem introduzidos no mercado, bem como 600 rótulos com informação não conforme.
Em todos os operadores inspecionados verificou-se que a rotulagem dos produtos não cumpria a legislação em vigor, nomeadamente no que respeita à informação obrigatória ao consumidor, conforme previsto na legislação aplicável.

No âmbito destas fiscalizações, foram instaurados 7 processos de contraordenação, destacando-se como principais infrações:

a inexistência de rastreabilidade dos produtos,

- irregularidades na rotulagem,

- falta de registo junto do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP, I.P.),

- ausência de comunicações obrigatórias à entidade competente, incluindo a declaração nutricional e a lista de ingredientes,

- falta de comunicação prévia da rotulagem ao Instituto da Vinha e do Vinho (IVV, I.P.), e

- incumprimento das regras aplicáveis ao controlo metrológico dos pré-embalados.


O incumprimento destes requisitos legais essenciais compromete a integridade do circuito comercial, gera desequilíbrios concorrenciais, limita a capacidade de controlo das Autoridades Oficiais e representa um risco para a salvaguarda e segurança do consumidor.

Fonte: ASAE

Uma plataforma online gratuita é hoje lançada para ajudar a identificar as espécies a plantar em cada região, aumentando a resiliência do território a fenómenos extremos como as tempestades que afetaram Portugal no início do ano.

“As tempestades que atingiram Portugal expuseram uma fragilidade estrutural: muitos territórios continuam mal preparados para responder a fenómenos climáticos extremos e parte do problema está nas escolhas feitas no terreno,” explica em comunicado a Natural Business Intelligence (NBI), consultora que lançou a plataforma.

A ‘webApp’ Racidi foi criada com uma ideia “simples, mas crítica”: escolher a espécie certa, no sítio certo é uma necessidade estratégica, porque se “tornou evidente que entre cheias, deslizamentos de terra e destruição de infraestruturas, plantar sem critério pode amplificar riscos em vez de os mitigar”, defendeu a empresa.

A plataforma organiza dados complexos de “forma simples, clara e acionável” e pode ser usada tanto para “apoio ao planeamento municipal como na recuperação de áreas afetadas por incêndios ou tempestades”.

Basta selecionar um distrito, concelho e/ou freguesia para identificar as espécies autóctones presentes, explorar as suas características ecológicas e consultar o respetivo grau de resiliência perante fenómenos extremos.

“Temos o conhecimento e sentimos a responsabilidade de partilhar este conhecimento. A Radici é a nossa forma de contribuir para que todos tenham acesso à informação necessária para tomar decisões fundamentadas sobre o que plantar em determinada localização, cuidando melhor do território e reforçando a sua resiliência,” diz o CEO da NBI, Nuno Gaspar de Oliveira, no comunicado.

A consultora, especializada na valorização do capital natural, explica a importância de se investir na natureza e apresenta valores de “quanto custa” ignorá-la.

Conclui no comunicado que a plataforma “ajuda a evitar decisões mal informadas, reduz desperdício de recursos e potencia intervenções mais eficazes e duradouras”.

Fonte: Agroportal

O setor das embalagens em Portugal vive um dos períodos mais desafiantes das últimas décadas. Entre metas ambientais cada vez mais exigentes, pressão para reduzir desperdício e a necessidade de garantir segurança alimentar absoluta, seria natural esperar que o quadro regulamentar europeu oferecesse clareza e estabilidade. No entanto, o que está a acontecer com o Regulamento (UE) 2025/40 (PPWR – Packaging and Packaging Waste Regulation) revela precisamente o contrário.

A sucessão de notas interpretativas emitidas pela Comissão Europeia é um sinal claro de que a legislação, tal como foi publicada, não está a ser suficientemente precisa para quem a tem de aplicar. No universo alimentar, onde cada detalhe conta, a falta de clareza é um risco real.

Dar resposta ao PPWR tem sido um desafio enorme para o setor das embalagens. O regulamento exige uma mudança estrutural, e não apenas pequenos ajustes.

A Europa definiu metas ambiciosas, os consumidores exigem mais responsabilidade e o planeta já não tolera excessos. As embalagens são produzidas a um ritmo que o sistema já não consegue absorver, e o regulamento não deixa margem para dúvidas: reduzir, reutilizar e reciclar deixaram de ser apenas conceitos e passaram a ser obrigações com prazos e metas apertados.

O problema é que a legislação tem avançado mais depressa do que a capacidade de adaptação das empresas portuguesas. Muitas ainda estão a tentar perceber e ajustar os seus processos produtivos e logísticos, mas o ritmo exigido não acompanha a realidade tecnológica e financeira disponível. Nem sempre existe capacidade para cumprir dentro dos prazos estabelecidos.

No setor alimentar, a embalagem é um elemento crítico de segurança, conservação, rastreabilidade e comunicação com o consumidor.

Cada material, cada constituinte, cada aditivo tem impacto direto na qualidade e segurança do produto final. Por isso, quando a legislação é ambígua, toda a cadeia alimentar fica vulnerável. Materiais que hoje são permitidos podem amanhã ter restrições ou ser proibidos. Investimentos feitos podem deixar de fazer sentido e decisões sobre substituição de materiais tornam‑se arriscadas.

A entrada em vigor do regulamento tem levantado tantas questões que a Comissão se viu obrigada a emitir sucessivas notas interpretativas, o que revela que algo não está tão claro, tão operacional ou tão alinhado com a realidade industrial quanto deveria.

Cada nova nota altera o entendimento anterior, obriga a rever processos internos e cria a sensação de que o regulamento ainda está “em construção”, mesmo já estando em vigor.

Quando um regulamento precisa de tantas notas interpretativas, o problema não está na indústria, está possivelmente na própria legislação.

O PPWR foi apresentado como um instrumento de harmonização europeia. Mas a necessidade constante de clarificações mostra que a sua redação não antecipou a complexidade do setor, especialmente no alimentar, onde existem uma série de questões e dúvidas.

Nesta área especifica existem embalagens para contacto direto e indireto, existem requisitos específicos de migração; substâncias proibidas cuja ausência tem de ser comprovada; especificidades relacionadas com tecnologias de barreira essenciais para segurança e shelf‑life e ainda sistemas de rotulagem e rastreabilidade altamente regulados.

Quando a Comissão precisa de explicar repetidamente o que a legislação “quer dizer”, é porque a mesma não disse o suficiente.

As empresas dependem de regras claras para garantir que os seus produtos circulam sem entraves no mercado europeu.

A falta de clareza leva a que as empresas maiores se adaptem mais rapidamente e as PME enfrentem custos desproporcionais, a competitividade nacional seja afetada e que decisões de inovação sejam adiadas por receio de incumprimento

O objetivo do regulamento é harmonizar, mas isso só é possível se as interpretações também forem harmonizadas.

Quando a legislação é ambígua, cada país interpreta à sua maneira e isso é especialmente crítico na área alimentar, onde os requisitos já são complexos por natureza.

O setor alimentar precisa de coerência, não de incerteza. A sustentabilidade não se constrói com incerteza, constrói‑se com regras claras, tecnicamente sólidas e operacionalmente exequíveis.

Seria essencial que fossem publicados guias técnicos completos em simultâneo com o regulamento, garantir que as notas interpretativas não o substituem e assegurar que as interpretações são uniformes em toda a União Europeia.

A inovação em embalagem alimentar exige investimento, e o investimento exige confiança.

Não é possível garantir segurança alimentar, inovação e sustentabilidade quando a própria legislação ainda está a ser interpretada.

Fonte: iAlimentar

 

Cientistas do Rothamsted Research anunciaram o desenvolvimento de um trigo obtido por edição genética que poderá representar um avanço importante na segurança alimentar.

A nova variedade apresenta uma redução acentuada de asparagina, um aminoácido naturalmente presente no trigo que, quando sujeito a altas temperaturas durante processos como cozedura, fritura ou torrefação, pode dar origem à acrilamida, uma substância potencialmente nociva.

Para alcançar este resultado, os investigadores recorreram à tecnologia de edição genética CRISPR, desativando de forma precisa genes associados à produção de asparagina. Entre eles destaca-se o gene TaASN2, considerado central neste processo metabólico.

Os ensaios demonstraram reduções muito significativas dos níveis de asparagina nos grãos, podendo atingir valores superiores a 50% em comparação com variedades convencionais, sem prejuízo na produção. Em algumas linhas com múltiplas alterações genéticas, a diminuição foi ainda mais expressiva.

O estudo envolveu várias instituições internacionais, incluindo o Karlsruhe Institute of Technology, o Leibniz Institute for Food Systems Biology, a Technical University of Munich, a University of Reading e a Curtis Analytics Limited.

Os resultados foram também comparados com abordagens tradicionais de melhoramento, como a mutagénese TILLING, que, embora consiga reduzir a asparagina, tende a comprometer o rendimento das culturas. Neste novo trabalho, a edição genética permitiu evitar esse efeito negativo, evidenciando uma maior precisão e eficiência.

Para os investigadores, este avanço demonstra o potencial das novas técnicas genómicas na resolução de desafios complexos na cadeia alimentar. Para além dos benefícios industriais, a redução da acrilamida nos alimentos poderá ter um impacto positivo na saúde pública, ao diminuir a exposição dos consumidores a contaminantes formados durante o processamento térmico.

O desenvolvimento surge numa altura em que o Reino Unido tem vindo a avançar com legislação favorável à utilização de tecnologias de melhoramento de precisão, abrindo caminho à aplicação destas soluções inovadoras na agricultura e na produção alimentar.

Mais informações em Rothamsted Research News.

Fonte: Centro de informação de biotecnologia

A GNR – Guarda Nacional Republicana concluiu a Operação Campo Seguro 2025, que decorreu entre 1 de julho de 2025 e 15 de fevereiro de 2026, com um balanço que evidencia a apreensão de cerca de nove toneladas de produtos agrícolas em todo o território nacional.

A operação teve como principal objetivo reforçar o patrulhamento, a sensibilização e a fiscalização nas explorações agrícolas e florestais, apostando na prevenção e combate a crimes como o furto de produtos e máquinas, bem como na redução da sinistralidade com veículos agrícolas.

Durante este período, foram realizadas 4219 ações de patrulhamento e 2054 ações de fiscalização direcionadas para a segurança no mundo rural e transporte de produtos, das quais resultaram 47 detenções, maioritariamente relacionadas com furtos, e a identificação de 95 indivíduos. Ao nível da criminalidade, foram registados 379 furtos e ainda quatro crimes de tráfico de seres humanos em contexto laboral.

No âmbito das apreensões, a GNR destaca a recolha de 6 687,5 toneladas de azeitona, com maior incidência no distrito de Beja, onde foram apreendidas cerca de 4 698,5 toneladas, seguido de Évora com 1 771. Foram ainda apreendidos 445 quilos de cortiça em Santarém, 1 150 quilos de alfarroba e 234 quilos de abacate no distrito de Faro, além de 240 quilos de pinha mansa, também em Santarém.

A vertente de prevenção e sensibilização assumiu igualmente destaque, com a realização de 3941 ações que alcançaram mais de 19 mil pessoas, incidindo na prevenção de ilícitos, na segurança na condução de veículos agrícolas e na identificação de situações de exploração laboral.

Relativamente à sinistralidade com veículos agrícolas, em 2025 foram registados 613 acidentes, dos quais resultaram 47 vítimas mortais. Estes números comparam com os 602 acidentes e 40 vítimas mortais registados em 2023 e os 684 acidentes com 52 vítimas mortais em 2024. Segundo a GNR, as principais causas continuam a estar associadas à perda de controlo do veículo, às irregularidades do terreno e à não utilização de estruturas de proteção, como o arco de “Santo António”.

A operação contou ainda com articulação transfronteiriça com a Guardia Civil, considerada fundamental para o controlo de fluxos de mercadorias e para a identificação de redes de furto de metais não preciosos e produtos agrícolas sazonais.

A GNR reforça o apelo aos proprietários para que reportem qualquer movimento suspeito e aos utilizadores de máquinas agrícolas para que apostem na manutenção dos equipamentos e na formação adequada, sublinhando que a Operação Campo Seguro se afirma como um pilar essencial na proteção do mundo rural e da vida humana.

Fonte: Radio Castrense

A solução para combater a doença da tinta pode estar no ADN dos castanheiros, conclui um estudo recentemente publicado e cuja primeira autora é Susana Serrazina, investigadora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) e do Instituto de Biossistemas e Ciências Integrativas (BioISI) que, entre outras alternativas, antevê a criação de uma espécie de vacina para enfrentar esta praga que afeta os castanheiros em Portugal.

Primeiro, o contexto: a doença da tinta é uma infeção grave provocada por agentes patogénicos, semelhantes a fungos, que se disseminam pelo solo e infetam as árvores através das raízes – quando a doença se faz notar (através do tronco e das folhas), já não há possível salvação para a árvore. Trata-se de uma doença que tem tido um forte impacto na sociedade, sobretudo entre as comunidades que dependem deste cultivo. Afinal, ao longo de cerca de 20 anos, a doença da tinta destruiu um milhão de castanheiros em Portugal.

Mas a doença não afeta todos os castanheiros de igual forma. Por isso os investigadores se debruçaram sobre o castanheiro europeu e castanheiro japonês – o primeiro é normalmente reconhecido pelo valor do fruto, o segundo pela sua perseverança, nomeadamente na resistência à doença da tinta.

Foi através desta análise comparativa que a equipa científica chegou a uma conclusão promissora, que a resposta está a nível genómico, no ADN: “Em laboratório, infetámos plantas das espécies europeia e japonesa e vimos quais os genes que cada uma dessas plantas ativava para resistir à infeção. Verificámos que há um conjunto de genes que são ativados pelo castanheiro japonês e que não são ativados, ou então são ativados muito tarde, pelo castanheiro europeu”, descreve Susana Serrazina. Destacar os genes é o primeiro passo para fazer frente ao micro-organismo subterrâneo que está na origem da doença, conhecido como Fitóftora (Phytophthora cinnamomi).

Apesar dos vários estudos e investigações de que tem sido alvo a nível nacional e internacional, até à data, não se conhecem produtos químicos eficazes para o tratamento da doença da tinta. Este novo estudo permite abordar a problemática em três frentes distintas: primeiro, o uso da proteína codificada pelo gene do castanheiro japonês como uma forma de pré-ativação da defesa (uma espécie de vacina); em segundo lugar, o uso do gene como marcador molecular (na identificação das árvores mais propensas a sofrer da doença); e em último lugar no trabalho de edição génica para a criação de novas variedades de castanheiro que já nascem com uma defesa para esta praga.

Fonte: Green Savers

A aquacultura em Portugal é considerada um setor estratégico, mas com uma produção insuficiente para suprir o elevado consumo interno de pescado (~60 kg per capita/ano), do qual cerca de 80 % é importado. Em 2023, a produção nacional atingiu 20 872 T, distribuídas entre peixes (pregado, dourada e robalo) e bivalves (ameijoa, mexilhão e ostras). O setor caracteriza-se por uma diversidade de sistemas produtivos, desde viveiros tradicionais e aquacultura semi-intensiva em esteiros, até unidades intensivas com recirculação de água (RAS) e cultivos offshore. Portugal destaca-se pelo conhecimento técnico e científico, garantindo produtos de qualidade e sustentabilidade ambiental. Entre os desafios do setor estão o licenciamento complexo, custos elevados dos fatores de produção, escassez de mão de obra qualificada e as alterações climáticas, exigindo inovação e integração entre investigação e indústria alimentar.

Enquadramento do setor

A nível global, a quantidade de pescado produzido em aquacultura supera, atualmente, o proveniente da pesca extrativa.

Os portugueses são os maiores consumidores de pescado da União Europeia, com cerca de 60 kg per capita/ano, e ocupam o quinto lugar a nível mundial. No entanto, aproximadamente 80 % desse pescado é importado, o que resulta num défice comercial anual de cerca de 600 T e num valor próximo de 1,2 mil milhões de euros. A produção nacional, estimada em cerca de 20 000 T por ano é manifestamente insuficiente face às necessidades e ao potencial do país. Contribui com apenas 3 % da quantidade de pescado consumido em Portugal e representa menos que 2 % da produção europeia. 

A aquacultura marinha, teve início em Portugal nas décadas de 1980 e 1990, com a instalação de algumas unidades de produção intensiva de robalo e dourada, bem como com o desenvolvimento da aquacultura semi-intensiva em tanques de terra resultantes da reconversão de antigas salinas. Nos últimos 15 anos, o setor registou um crescimento significativo, com o surgimento de empresas que utilizam sistemas de produção tecnologicamente mais avançados, como os sistemas de recirculação de água (RAS - Recirculation Aquaculture Systems), tornando Portugal uma referência na produção de peixes planos como o pregado e o linguado. Paralelamente, a produção de bivalves, nomeadamente a ostra, tem crescido de forma exponencial em todo o país.  Simultaneamente, tem-se verificado a expansão da aquacultura em meio marinho, com a instalação de unidades offshore para a produção de robalo, dourada, lírio, mexilhão e amêijoas, sobretudo ao longo da costa algarvia.

A aquacultura é uma atividade de produção relativamente recente, que exige elevado nível de conhecimento técnico e emprego qualificado. Portugal destaca-se como um dos países europeus com maior produção científica na área da aquacultura, dispondo de uma comunidade científica sólida nas universidades, centros de Investigação e Collaborative Laboratories (CoLABs), nas áreas da nutrição, patologia, equipamentos, engenharia, bem-estar animal, entre outras. Por outro lado, são formados em Portugal recursos humanos altamente qualificados para o setor, nas áreas da biologia, engenharia, zootecnia e medicina veterinária.  A Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS-UP), a Universidade do Algarve e o Politécnico de Leiria, através da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM) são alguns exemplos de instituições, onde foram formados muitos dos técnicos e gestores que atualmente trabalham na aquacultura nacional.

As maternidades empregam, essencialmente, biólogos e licenciados nas áreas da biologia e biotecnologia. Os sistemas intensivos em RAS, para além de biólogos e zootécnicos, requerem técnicos com competências em engenharia, responsáveis pela gestão dos sistemas e pela manutenção dos equipamentos. A produção offshore de peixes e bivalves emprega técnicos com capacidades em navegação, mergulho profissional e gestão logística em ambiente marítimo. A produção em esteiros, embora com menor incorporação tecnológica, integra frequentemente biólogos ou médicos veterinários na gestão das operações. Por sua vez, a produção de ostras tem vindo a empregar profissionais de diversas áreas, licenciados ou não, sendo maioritariamente desenvolvida por jovens aquacultores.

Caracterização da aquacultura em Portugal

Os dados estatísticos mais recentes do INE e DGRM indicam que, em 2023, a produção total aquícola em Portugal ascendeu às 20 872 T, o que representa um aumento de 10,9 %, face a 2022, resultando numa receita de 205,9 milhões de euros (159,8 milhões de euros em 2022. Quase a totalidade da produção aquícola nacional (98,5 %) provém de águas marinhas e de transição (zonas estuarinas), sendo a produção em águas interiores, essencialmente de trutas, reduzida a 308 T.

A produção aquícola nacional distribui-se de forma quase equitativa entre peixes (8 850 t) e moluscos bivalves (11 952 t). No grupo dos peixes, a espécie mais produzida é o pregado (3 209 t), seguido da dourada (2 798 t) e do robalo (1 703 t). Acrescem cerca de 800 t, correspondentes a produção de outras espécies de peixes, entre os quais se destaca o linguado, cuja produção se encontra em franco crescimento em Portugal. Relativamente aos bivalves, a espécie mais produzida é a ameijoa (5 820 t), seguida do mexilhão (3 274 t) e das ostras (2 738 t).

Em 2023, a aquacultura nacional contava com 1 307 estabelecimentos licenciados, maioritariamente viveiros de produção de bivalves (1 163), seguindo-se as unidades em tanques (106), os estabelecimentos flutuantes (31) e as unidades de reprodução (7). 

Fonte: TecnoAlimentar