Celebrado no passado dia 18 de novembro, o Dia Europeu do Antibiótico é uma iniciativa de saúde pública promovida pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), com o objetivo de sensibilizar profissionais de saúde, decisores políticos e cidadãos para o uso prudente dos antibióticos e para os riscos associados à sua utilização inadequada.
A edição de 2025 decorre sob o mote “From resistance to resilience – healthcare workers leading the change”, destacando o papel fundamental dos profissionais de saúde na prevenção da resistência antimicrobiana e na promoção de práticas responsáveis.
Por que é urgente agir?
Mobilização nacional - Em Portugal, várias entidades como a Ordem dos Farmacêuticos, a Associação Nacional das Farmácias e o INFARMED associam-se à campanha, promovendo ações de sensibilização, literacia em saúde e formação técnica para profissionais e cidadãos.
Educação e prevenção - Atividades educativas envolvem escolas e comunidades na discussão sobre o papel dos antibióticos e os riscos da resistência, reforçando a importância da prevenção e da informação científica acessível.
Mensagem-chave - Preservar a eficácia dos antibióticos é uma responsabilidade coletiva. O seu uso deve ser sempre orientado por profissionais de saúde, com base em diagnóstico adequado e cumprimento rigoroso das indicações terapêuticas.
Fonte: Qualfood
Portugal está a atravessar uma transformação demográfica que já não pode ser ignorada. O novo relatório da Randstad Research, “Talento sem prazo de validade: o mercado de trabalho depois dos 55”, alerta para o impacto profundo do envelhecimento populacional na economia e na sustentabilidade do mercado laboral.
Hoje, 38% da população portuguesa tem mais de 55 anos, valor que coloca Portugal como o 2.º país mais envelhecido da União Europeia. E o futuro será ainda mais exigente: até 2050, quase metade da população estará neste grupo etário.
Os profissionais entre os 55 e os 64 anos representam já 20% da população ativa, o valor mais alto de sempre. Em 2024, 1,07 milhões de portugueses com mais de 55 anos estavam no mercado de trabalho, o que significa que um em cada cinco trabalhadores pertence a esta faixa.
A distribuição é equilibrada entre géneros: 50,4% mulheres e 49,6% homens, acompanhando a tendência de aumento da longevidade feminina no emprego.
O talento sénior, conclui o estudo, “não tem prazo de validade – tem valor acumulado”.
Leia o artigo completo aqui.
Fonte: Grande Consumo
O projeto Varbiopac, liderado pela Universitat Politècnica de València, transforma resíduos como a palha de arroz, restos de orchata ou bagaço de vinho em materiais biodegradáveis com propriedades antimicrobianas e antioxidantes. Uma solução inovadora que impulsiona a economia circular no setor agroalimentar e responde à crescente procura de embalagens sustentáveis e eficientes.
As sobras do processo de vinificação, os restos de pinhão após a preparação da orchata e outros resíduos de difícil reciclagem, como a palha de arroz, têm uma segunda vida através da transformação em materiais biodegradáveis: de resíduos de difícil gestão a uma oportunidade para uma indústria como a agroalimentar, que necessita cada vez mais de embalagens mais sustentáveis e menos poluentes, bem como um impulso para a economia circular e a valorização de subprodutos agrícolas.
É o que pretende o projeto Varbiopac (Valorização de resíduos agroalimentares para a obtenção de materiais biodegradáveis para embalagens alimentares ativas), desenvolvido por investigadores da Universitat Politècnica de València (UPV). Foram desenvolvidas embalagens que possuem também propriedades antimicrobianas e antioxidantes capazes de melhorar a conservação dos alimentos e, consequentemente, reduzir o desperdício alimentar.
“A sustentabilidade já não é uma opção, é uma necessidade. As autoridades e os consumidores exigem soluções mais responsáveis do ponto de vista ambiental e a indústria responde com o desenvolvimento de embalagens mais sustentáveis“, explica Amparo Chiralt, responsável pelo projeto e professora da UPV, que sublinha que a sustentabilidade também tem um impacto económico porque ”minimiza os custos associados aos impostos e taxas sobre a utilização de plásticos convencionais”.
Chiralt salienta ainda que a valorização dos resíduos agroalimentares representa uma oportunidade económica significativa ao convertê-los em novos produtos comerciais. “Em vez de gerir resíduos difíceis e dispendiosos, as empresas podem gerar lucros adicionais e melhorar a sua competitividade”, afirma Chiralt.
O projeto Varbiopac obteve biopolímeros como o amido ou o PHBV a partir de resíduos de orchata ou palha de arroz, entre outros resíduos locais, bem como extratos ricos em compostos fenólicos com propriedades antimicrobianas e antioxidantes. Desenvolveu também sete tipos de películas ativas para embalagens alimentares utilizando extratos e materiais de reforço obtidos a partir de diferentes resíduos agroalimentares.
Fonte: iAlimentar
Um estudo pioneiro da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) revela, pela primeira vez, o valor económico dos polinizadores para a agricultura em Portugal: mais de 2 mil milhões de euros em 2023, dos quais cerca de metade (1,1 mil milhões de euros) são diretamente atribuíveis à ação dos insetos polinizadores, como abelhas selvagens, moscas-das-flores e outros insetos.
O estudo, publicado na revista Regional Environmental Change, foi desenvolvido por investigadores do FLOWer Lab que integra o Centre for Functional Ecology: Science for People & Planet do Departamento de Ciências da Vida: Catarina Siopa, Hugo Gaspar, Helena Castro, João Loureiro e Sílvia Castro.
Os investigadores revelam que 54% das culturas agrícolas produzidas em Portugal dependem diretamente dos polinizadores. Catarina Siopa, primeira autora do estudo, explica que «o valor económico calculado tem origem não só nas culturas altamente dependentes da polinização como também nas culturas com menor grau de dependência, mas de grande importância económica. As culturas mais beneficiadas pela polinização incluem maçã, framboesa, pera, abacate, tomate industrial, mirtilo, amêndoa, kiwi, laranja e morango».
Os polinizadores não influenciam apenas a quantidade produzida, mas também a qualidade nutricional, o tempo de prateleira e a capacidade de conservação dos produtos agrícolas, gerando benefícios múltiplos, muitos deles ainda difíceis de quantificar. Embora a área agrícola total em Portugal tenha diminuído 49% desde 1980, a área dedicada a culturas dependentes de polinizadores aumentou 36% na última década, refletindo a expansão de culturas mais rentáveis e que dependem da polinização, como frutas frescas, frutos secos e hortícolas.
A nova investigação alerta para as ameaças crescentes aos polinizadores, incluindo a intensificação agrícola, a simplificação da paisagem, as alterações climáticas e a urbanização, que podem comprometer a sustentabilidade da produção agrícola e gerar défices de polinização.
«Os polinizadores são um verdadeiro pilar da economia agrícola nacional. Sem eles, muitas das culturas mais valiosas em Portugal deixariam de ser economicamente viáveis», afirma a docente e investigadora Sílvia Castro, autora do estudo.
Os resultados apresentados fornecem uma base científica sólida para o desenvolvimento de políticas agrícolas e ambientais, reforçando a necessidade de integrar medidas de conservação de polinizadores na gestão agrícola, nos programas de apoio ao setor, e nos planos de ordenamento do território, assegurando a resiliência e sustentabilidade da agricultura em Portugal.
O artigo científico está disponível aqui.
Fonte: FCTUC
A 17 de novembro, foi confirmado um novo foco de infeção por vírus da Gripe Aviária de Alta Patogenicidade (GAAP) numa exploração avícola de galinhas reprodutoras, situada na freguesia do Ramalhal, concelho de Torres Vedras, distrito de Lisboa.
As medidas de controlo implementadas pela DGAV, de acordo com a legislação em vigor, incluem a inspeção aos locais onde a doença foi detetada, a eliminação dos animais afetados, a limpeza e desinfeção, assim como a restrição da movimentação e a vigilância das explorações que detêm aves nas zonas de restrição num raio de até 10 km em redor do foco detetado na capoeira doméstica.
Considerando o aumento acentuado do número de focos em toda a União Europeia, e perante a circulação do vírus da GAAP que se observa no território nacional, representando um nível de risco muito elevado de disseminação da doença, a fim de salvaguardar a saúde das aves, bem como a saúde pública, o Edital n.º 37 determinou o confinamento das aves domésticas em todo o território do continente, bem como a proibição da realização de eventos de exposição e concurso de aves em cativeiro, nomeadamente aves ornamentais e exóticas. A DGAV reitera o apelo a todos os detentores de aves que cumpram com rigor as medidas agora determinadas.
Recomenda-se ainda o cumprimento das medidas de biossegurança e das boas práticas de produção avícola, evitando contactos diretos ou indiretos entre as aves domésticas e as aves selvagens, reforçando os procedimentos de higiene de instalações, equipamentos e materiais, e aplicando o rigoroso controlo dos acessos aos estabelecimentos onde são mantidas as aves.
Mais informações sobre prevenção e biossegurança estão disponíveis na página da gripe aviária do portal da DGAV, incluindo um vídeo e um cartaz.
A notificação de qualquer suspeita deve ser realizada de forma imediata, para permitir uma rápida e eficaz implementação das medidas de controlo da doença, no terreno, pela DGAV.
As medidas de controlo de doença aplicadas nas zonas sujeitas a restrições sanitárias são determinadas pelo Edital n.º 37 da Gripe Aviária, que pode ser consultado aqui.
Fonte: DGAV
O desperdício alimentar continua a ser um dos grandes paradoxos nacionais: apesar do aumento constante do preço de frutas e legumes – só a fruta encareceu 15,8% entre janeiro e julho de 2025 – estes continuam entre os alimentos mais desperdiçados pelos portugueses. Segundo dados da Too Good To Go, 36% dos consumidores admite deitar fora, sobretudo, legumes em casa.
A situação agrava-se ainda antes de os alimentos chegarem às cozinhas. Cerca de 40% da produção agrícola nacional perde-se ao longo da cadeia de produção e 30% das frutas e legumes nunca chegam ao mercado por não cumprirem critérios estéticos de cor, forma ou tamanho. O resultado é um duplo impacto: económico, para agricultores e famílias, e ambiental, para o país.
Sopas: o prato tradicional que combate o desperdício
Com a chegada do frio e o regresso das sopas às mesas portuguesas, a Too Good To Go lançou uma iniciativa que desafia os consumidores a darem nova vida às frutas e legumes que sobram em casa.
Práticas, nutritivas e económicas, as sopas são apontadas como uma das melhores formas de aproveitamento integral dos alimentos, permitindo transformar cascas, talos, folhas e legumes menos frescos em refeições equilibradas.
“As sopas são um dos símbolos da nossa alimentação e um exemplo perfeito de como é possível combater o desperdício com simplicidade”, afirma Tiago Figueiredo, country director da Too Good To Go em Portugal, que acrescenta que “cada vez que aproveitamos um alimento que poderia ser subaproveitado, estamos a poupar dinheiro e a contribuir para um futuro mais responsável”.
Surprise Bags: poupanças até 75%
Para reforçar esta mudança de hábitos, a Too Good To Go destaca as Surprise Bags de frutas e legumes, disponíveis na aplicação, que permitem adquirir excedentes frescos com descontos que podem chegar aos 75% do preço original. Muitos destes produtos, ainda que fora dos padrões estéticos habituais, são perfeitos para sopas, purés, refogados ou assados.
A parceria com a Braun permitiu ainda desenvolver quatro receitas de reaproveitamento que combinam criatividade e sustentabilidade, demonstrando como ingredientes frequentemente ignorados podem resultar em refeições saborosas e reconfortantes.
Como evitar o desperdício em casa
A aplicação lembra que pequenas mudanças na rotina podem ter grande impacto na redução de desperdício:
Estas práticas prolongam a vida útil dos alimentos e ajudam a reduzir perdas desnecessárias ao longo da semana.
Fonte: Grande Consumo
A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária associa-se, uma vez mais, à Semana Mundial de Sensibilização para as Resistências aos Antimicrobianos, que decorre de 18 a 24 de novembro.
Esta iniciativa, promovida anualmente pelas organizações internacionais WOAH, WHO, FAO e UNEP, tem como objetivo alertar para a crescente ameaça que representa a resistência aos antimicrobianos, fenómeno que compromete a eficácia de medicamentos essenciais no tratamento de infeções em humanos, animais e plantas.
Em 2025, o lema internacional é “Act Now: Protect Our Present, Secure Our Future”, apelando a uma ação multissetorial e urgente, no contexto da abordagem global “One Health” (Uma Só Saúde).
No âmbito da Missão da DGAV, como autoridade competente nacional para a saúde animal, a segurança alimentar e os medicamentos veterinários, são definidas políticas e desenvolvidos diversas iniciativas com o objetivo de contribuir para a redução do consumo de antimicrobianos e para a diminuição da resistência, em todos os aspetos da cadeia interveniente. Desde o processo de fabrico até à utilização de medicamentos veterinários contendo antimicrobianos (AM), procura promover a implementação de boas práticas, contribuindo globalmente para garantir e preservar a eficácia destas substâncias e salvaguardar o nosso futuro.
Este ano, a DGAV centra-se nas iniciativas que têm sido desenvolvidas no âmbito dos projetos HubRAM, que coordena, e EU-JAMRAI2, projeto europeu, do qual é parceira:
O uso responsável e prudente de antibióticos e outros antimicrobianos é fundamental para preservar a sua eficácia e proteger a saúde pública, a saúde animal e o ambiente. A DGAV reforça, assim, o compromisso nacional com a abordagem One Health, que reconhece a interligação entre pessoas, animais e ecossistemas na luta contra este desafio global.
Durante esta semana, reforçamos o apelo a todos os cidadãos, profissionais de saúde veterinária, produtores e responsáveis pela indústria alimentar para que adotem práticas responsáveis, contribuindo para travar a propagação das resistências aos antimicrobianos e garantir que estes medicamentos continuam a salvar vidas no futuro.
Fonte: DGAV
“O maior impacto sentido no mercado nacional resulta do efeito indireto por vezes provocado pela quebra de produção nos mercados internacionais e em particular em Espanha, onde, nos últimos meses, vários focos de infeção foram detetados, levando ao abate de centenas de milhares de galinhas poedeiras, com impacto no setor dos ovos”, diz ao ECO Pedro Raposo Ribeiro, secretário-geral da Federação Portuguesa das Associações Avícolas (Fepasa).
Pedro Raposo Ribeiro exemplifica que, “caso continuem a verificar-se casos em Espanha que conduzam ao abate de mais galinhas poedeiras, poderá registar-se uma pressão sobre oferta com uma ligeira subida de preços, essencialmente na época festiva de Natal, em que a procura de ovos tradicionalmente aumenta”.
No caso da carne, o secretário-geral da Federação Portuguesa das Associações Avícola assegura que, “para já, não são notadas pressões significativas devendo a oferta e os preços manter-se estáveis”, justificando que os “casos de gripe aviária têm sido em galinhas poedeiras”. Pedro Ribeiro recorda que no “caso do frango, não há casos de gripe aviária em Portugal há quase dois anos”.
A única exceção foi uma grande exploração comercial de patos que foi afetada pela gripe aviária em setembro na margem sul do Tejo. Os animais tiveram que ser abatidos e isso teve alguma repercussão na produção nacional. “Este ano e até ao momento, apenas o setor da produção de carne de pato foi afetado significativamente, prevendo-se uma queda de 8 a 10% na produção nacional em 2025”, diz o dirigente.
Leia o artigo completo aqui.
Fonte: Sapo
A recente decisão conjunta dos Estados-Membros da União Europeia de reconhecer oficialmente as algas como recurso estratégico para as transições verde e azul representa um momento decisivo para o sector. O anúncio, feito durante o EU Algae Awareness Summit, reforça a importância económica, ambiental e tecnológica deste recurso, abrindo caminho a políticas mais robustas de apoio ao seu desenvolvimento no espaço europeu.
Em Portugal, a PROALGA – Associação Portuguesa dos Produtores de Algas considera que esta decisão cria uma oportunidade única para o país assumir um papel de liderança a nível europeu.
“Portugal tem todos os ingredientes para se tornar líder europeu na produção de algas: conhecimento especializado, empresas de referência e condições naturais excecionais. O passo seguinte é garantir que a produção nacional seja protegida e valorizada, permitindo competir de forma justa nos mercados europeu e internacional”, sublinha Federico Velge, presidente da PROALGA.
Apesar do reconhecimento europeu e do potencial demonstrado, os produtores portugueses enfrentam desafios significativos. O mais crítico é a concorrência de biomassa proveniente de países terceiros, muitas vezes vendida a preços inferiores aos custos de produção na União Europeia. A ausência de rotulagem obrigatória que distinga a origem das algas dificulta ainda mais a capacidade de os consumidores e distribuidores valorizarem os produtos nacionais.
Além das questões de mercado, o sector enfrenta também processos de licenciamento complexos e imprevisíveis, que atrasam investimentos e limitam a expansão de novas unidades de produção.
A PROALGA identifica três áreas prioritárias para que Portugal capitalize o impulso político dado pela União Europeia:
“Este reconhecimento europeu não pode passar despercebido; é um sinal político inequívoco. O próximo passo é que Portugal atue, garantindo que o potencial do sector se transforme em emprego, inovação e valor económico para o país”, reforça Federico Velge.
As algas são apontadas pela UE como um recurso essencial para múltiplos sectores: sustentabilidade alimentar, biotecnologia, cosmética, agricultura regenerativa e descarbonização. O seu papel na economia azul e na transição ecológica é crescente, e países com condições costeiras privilegiadas – como Portugal – encontram-se bem posicionados para liderar esta nova fronteira económica.
A PROALGA alerta, contudo, que esta janela de oportunidade não será eterna. Sem medidas rápidas e eficazes, o sector poderá continuar a perder competitividade face a mercados externos. Para a associação, a decisão da UE é apenas o ponto de partida. O próximo movimento tem de ser nacional – e decisivo
Fonte: Grande Consumo
A União Europeia (UE) está a reduzir o orçamento da sua política agrícola, ao mesmo tempo que, alegadamente, permite que países com regras menos rigorosas vendam os seus produtos no mercado único. Qual é a situação real? A equipa de verificação de dados da Euranet Plus avaliou o que tem sido dito sobre o tema.
A equipa de verificação de dados da Euranet Plus - rede europeia de rádios de que a Renascença faz parte - conclui que o apoio e a atenção que a União Europeia dá, atualmente, à agricultura tem estado na origem de desinformação e de informações erradas nas redes sociais, alimentando a desconfiança em relação aos organismos europeus. No seu mais recente relatório, analisa o que tem sido publicado sobre o tema e sinaliza que a agricultura continua a ser uma aposta da UE, com fundos a serem disponibilizados aos produtores e com medidas para simplificar o acesso aos mesmos. No entanto, mantém-se em queda o valor que é atribuído pelas instâncias europeias ao setor.
O orçamento de longo prazo do bloco para o período entre 2028 e 2034, proposto pela Comissão Europeia e que está a ser debatido no Parlamento Europeu e pelos ministros da Agricultura e Pescas, é anunciado como o maior de sempre, no entanto, a proporção destinada especificamente à produção agrícola é a menor em décadas.
O relatório da Euranet Plus destaca que o "Quadro Financeiro Plurianual (QFP) proposto para 2028-2034 tem um orçamento total de quase 2 biliões de euros, o que representa um aumento em relação aos 1,2 biliões atribuídos no período 2021-2027", ainda em curso.
Desta verba, cerca de 300 mil milhões de euros são destinados à Política Agrícola Comum (PAC), o que "representa uma diminuição em relação aos 387 mil milhões de euros do período anterior". A Euranet Plus conclui que segue, assim, "uma tendência de diminuição das despesas da PAC", embora, para além do financiamento da política agrícola, proponha também uma rede de segurança no valor de 6,3 mil milhões de euros (900 milhões de euros por ano), destinada a fazer face a crises de mercado, incluindo perdas causadas por pragas e doenças animais.
Neste QFP, Portugal recebe 33,5 mil milhões de euros, incluindo para a coesão e agricultura, no âmbito do plano de parceria nacional e regional ao abrigo do novo orçamento. Deste montante, o Executivo comunitário sugere alocar aproximadamente 7,4 mil milhões de euros para a PAC em Portugal e 143 milhões de euros para as pescas.
Apesar de a agricultura ter tido um papel cada vez menos importante na economia europeia nos últimos 30 anos, a equipa de verificação de dados da Euranet Plus recusa que o setor esteja a ser esquecido pela UE, até porque, para além do esforço para simplificar a forma como os agricultores são compensados e podem concorrer a esses apoios, o setor "continua a ser uma força estável, contribuindo com 1,3% para o Produto Interno Bruto da UE em 2024". Sete países – França, Alemanha, Itália, Espanha, Países Baixos, Polónia e Roménia – foram responsáveis por três quartos (76,5%) do valor total estimado da produção agrícola do mercado comum no ano passado.
Acordo com o Mercosul: oportunidade ou risco?
Entretanto, o projeto de acordo UE-Mercosul, entre o bloco europeu e a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai, tem alimentado receios de que possa prejudicar os agricultores do velho continente, uma vez que terão de competir com importações sujeitas a padrões e custos mais baixos. No entanto, a equipa de verificação de dados da Euranet Plus lembra que um acordo semelhante celebrado com o Canadá em 2017 não teve impactos negativos nos mercados europeus de carne bovina, com as importações a respeitarem uma quota de 3%, segundo o Centro Europeu de Economia Política Internacional.
No relatório de novembro, a equipa da Euranet Plus escreve que o acordo especifica que "as empresas da UE deverão poupar 4 mil milhões de euros em direitos de exportação por ano", além de que "os exportadores do Mercosul terão de cumprir rigorosamente as normas de saúde e segurança alimentar para aceder ao mercado da UE".
As previsões apontam para que o entendimento com estes países "possa aumentar as exportações anuais da UE para o Mercosul em até 39%, apoiando mais de 440 mil postos de trabalho em toda a Europa". Já as exportações meramente agroalimentares da UE para o Mercosul poderão crescer "quase 50%, através da redução das tarifas sobre produtos essenciais como o vinho e as bebidas espirituosas, o chocolate e o azeite".
Mesmo assim, a equipa de fact-checking da rede europeia de rádios de que a Renascença é parceira, lembra que "durante os protestos dos agricultores em 2024, o Observatório Europeu de Media Digital constatou um aumento da desinformação sobre o assunto, exagerando o apoio recebido pelos agricultores, exacerbando sentimentos negativos em relação às instituições da UE e espalhando narrativas falsas sobre alimentos".
Perigos identificados
No entanto, há riscos identificados por organizações credíveis. Embora muitos especialistas afirmem que a UE tem muito a ganhar com acordos comerciais como o Mercosul, o grupo de reflexão Atlantic Council alertou que a polarização política em cada país pode ofuscar os ganhos económicos. Já a Confederação Europeia dos Sindicatos defende que o acordo carece de proteções para os trabalhadores e não oferece qualquer cláusula laboral aplicável ou sanções para as empresas que violam os direitos dos trabalhadores. Por último, a Organização Europeia dos Consumidores sublinha que estes também estão em risco, uma vez que o acordo permite a importação de alimentos que não cumprem totalmente as normas da UE em matéria de ambiente, segurança alimentar e bem-estar animal.
Fonte: Rádio Renascença
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