As deteções da gripe aviária de alta patogenicidade (GAAP) registaram uma quebra significativa na Europa durante a primavera de 2026. De acordo com o mais recente relatório trimestral de monitorização, elaborado em conjunto pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), o risco para a população geral se mantém baixo, apesar da circulação recorde do vírus em aves selvagens e da deteção de uma nova variante na Hungria.
Aves sob forte pressão viral
Entre 28 de fevereiro e 4 de junho deste ano, os Estados-Membros da União Europeia notificaram 186 surtos em explorações avícolas e aves em cativeiro, além de 763 deteções em aves selvagens.
Embora o número de surtos em aves domésticas se assemelhe ao registado em período homólogo do ano passado, as deteções em aves selvagens foram, pelo menos, três vezes superiores. Segundo os peritos, estes dados refletem uma circulação viral extremamente elevada, afetando sobretudo as aves aquáticas.
No que toca aos mamíferos, os cientistas consideram que o número de infeções detetadas foi reduzido, especialmente se tivermos em conta a forte vaga de surtos registada durante o inverno. Na União Europeia, a raposa-vermelha continuou a ser a espécie de mamífero mais afetada pela doença.
Alerta na Hungria: Nova estirpe H9N2 identificada pela primeira vez
Apesar da tendência geral de descida, o relatório acende a luz de alerta relativamente à Hungria. O país comunicou casos de gripe aviária de baixa patogenicidade da estirpe H9N2 em sete explorações avícolas.
Embora a presença do vírus H9N2 já tivesse sido documentada anteriormente em território comunitário, esta é a primeira vez que se deteta este organismo específico.
Esta variante em particular já foi responsável por casos esporádicos de infeção humana no Médio Oriente e na África Ocidental. Face a este cenário, a EFSA e o ECDC emitiram uma recomendação direta aos Estados-Membros para que monitorizem a situação epidemiológica com a máxima proximidade e vigilância.
Fonte: TecnoAlimentar
Portugal registou a notificação RASFF 2026.5716 após a identificação de contaminação por chumbo numa remessa de canela de origem espanhola, detetada durante controlos oficiais de segurança alimentar. A ocorrência foi classificada como potencialmente séria, enquadrando‑se num cenário de risco químico relevante, dada a natureza cumulativa do contaminante e a sua capacidade de provocar efeitos adversos mesmo em concentrações reduzidas.
O chumbo, enquanto contaminante inorgânico, integra o conjunto de metais pesados regulados pelo Regulamento (CE) n.º 2023/915, que estabelece limites máximos para géneros alimentícios suscetíveis de acumulação. A canela e outras especiarias são produtos de elevada variabilidade composicional e frequentemente sujeitos a contaminações ambientais ou cruzadas ao longo da cadeia de produção, desde a colheita até ao processamento. A deteção de chumbo acima dos limites regulamentares implica a avaliação imediata do risco, considerando fatores como a concentração encontrada, o padrão de consumo, a exposição cumulativa e a vulnerabilidade de grupos populacionais específicos.
Como país notificante, Portugal ativou os procedimentos previstos no RASFF, comunicando a ocorrência aos restantes Estados‑Membros e desencadeando ações de rastreabilidade para determinar a extensão da distribuição do lote contaminado. As autoridades competentes procederam à suspensão da comercialização, à retenção dos produtos identificados e à verificação documental e analítica dos operadores envolvidos, assegurando que não permanecessem no mercado produtos que pudessem representar risco para o consumidor.
A avaliação técnica do risco considera que a exposição ao chumbo está associada a efeitos neurotóxicos, perturbações do desenvolvimento cognitivo, impacto renal e alterações cardiovasculares. A ingestão repetida de especiarias contaminadas, mesmo em pequenas quantidades, pode contribuir para a acumulação do metal no organismo, reforçando a necessidade de atuação imediata. A notificação 2026.5716 demonstra a importância dos controlos oficiais e da vigilância contínua sobre produtos importados, especialmente em categorias com histórico de contaminações químicas.
Este caso reforça o papel do sistema RASFF como instrumento essencial para a gestão rápida e coordenada de riscos alimentares na União Europeia, permitindo que medidas corretivas sejam implementadas antes que o produto alcance o consumidor final.
Fonte: Qualfood
Entre novembro de 2025 e junho de 2026, foram comunicados 106 casos confirmados em 13 países da União Europeia/Espaço Económico Europeu (UE/EEE) e no Reino Unido. O surto afetou principalmente crianças e jovens adultos, com pelo menos 49 pessoas a necessitarem de hospitalização.
Foram comunicados casos na Áustria, Chéquia, Dinamarca, Estónia, França, Alemanha, Hungria, Letónia, Lituânia, Países Baixos, Noruega, Polónia, Suécia e Reino Unido.
Os elementos de prova apontam para produtos à base de massas aromatizadas
Investigações epidemiológicas revelaram que casos na Dinamarca, Estónia, Alemanha, Letónia e Lituânia tinham consumido produtos à base de massas aromatizadas da mesma marca.
Evidências microbiológicas apoiam ainda mais a ligação, com a estirpe do surto detetada na Alemanha e na Lituânia em produtos à base de macarrão com sabor a frango e com sabor a frango quente. Os inquéritos ligaram os produtos, que foram distribuídos em vários países, ao mesmo produtor na Ucrânia. Tal sugere uma possível fonte comum de contaminação a nível da unidade de produção, embora seja necessária uma investigação mais aprofundada.
Foram detetadas outras estirpes de salmonelas em produtos da mesma marca, o que sugere que pode estar envolvida mais do que uma fonte de contaminação.
Medidas de controlo e riscos
As autoridades de segurança alimentar dos países afetados implementaram medidas de controlo, incluindo retiradas e recolhas dos produtos implicados, o que reduzirá a probabilidade de novas infeções associadas a este surto.
No entanto, a causa raiz e o(s) ponto(s) de contaminação ainda não foram estabelecidos. É, portanto, provável que outros casos possam ocorrer, especialmente porque estes produtos têm um longo prazo de validade e podem permanecer armazenados em cozinhas domésticas por períodos prolongados.
Aconselhamento aos consumidores
Os consumidores não devem comer produtos que fazem parte das recolhas e devem devolvê-los ao ponto de venda ou descartá-los.
Os consumidores devem seguir rigorosamente as instruções no rótulo para produtos que precisam de preparação adicional antes de comer. Uma boa higiene alimentar durante a preparação também é importante.
Fonte: EFSA
A Península Ibérica está a emergir como uma das regiões mais competitivas da Europa para atrair novos projetos industriais, em particular em setores intensivos em energia, num momento em que a o continente enfrenta um défice estrutural de investimento. As conclusões são do novo estudo ‘Catalyzing competitiveness: Where investment happens and why’, do McKinsey Global Institute (MGI), que identifica uma nova ‘cartografia da competitividade’, em que o investimento produtivo surge como principal indicador da capacidade económica das regiões.
A análise revela que o mapa global do investimento se está a transformar de forma acelerada, com divergências crescentes entre as principais economias. Na Europa, o investimento estagnou, com a região a apresentar um défice estrutural de investimento de cerca de 800 mil milhões de euros por ano, ou seja, o investimento atual está muito abaixo do necessário para sustentar crescimento e competitividade no longo prazo. Nos Estados Unidos, a prioridade é reforçar o investimento na indústria para reduzir dependências externas. Já a China continua a expandir a sua capacidade produtiva a um ritmo muito superior, acrescentando cerca de três vezes mais capacidade produtiva por ano do que os Estados Unidos e a Europa combinados, embora com níveis de rendibilidade por unidade de capital investido cerca de 40% inferiores.
Neste novo contexto competitivo, as decisões de investimento são cada vez mais determinadas por fatores económicos concretos, como custo, produtividade e velocidade de execução, e não apenas por fatores históricos ou geográficos.
O estudo evidencia diferenças significativas nestas dimensões entre geografias. Em média, nas indústrias analisadas, produzir na Europa ou nos Estados Unidos pode custar pelo menos mais 50% do que em países que atualmente atraem mais investimento. No caso da indústria, este diferencial está sobretudo associado a custos laborais mais elevados que não são compensados por maior produtividade, o que reduz diretamente a atratividade para novos investimentos industriais. Em investigação e desenvolvimento, essa diferença pode chegar a cerca de 300%, refletindo processos mais longos e menor rapidez no lançamento de novos produtos no mercado.
A estes fatores somam-se as diferenças nos custos energéticos e de matérias-primas, particularmente relevantes em indústrias intensivas, que penalizam a competitividade europeia. Paralelamente, as políticas públicas também têm impacto direto na competitividade, sendo que os apoios podem variar até oito vezes entre regiões, criando condições significativamente diferentes para atrair investimento.
É neste enquadramento que a Península Ibérica se destaca como uma exceção relevante dentro da Europa. Beneficiando de custos de energia renovável mais competitivos, Portugal e Espanha oferecem condições mais favoráveis para projetos industriais intensivos em eletricidade, tornando-se destinos crescentemente atrativos para novos investimentos.
A Península Ibérica combina esta vantagem energética com uma dinâmica de investimento mais favorável do que outras grandes economias europeias. O relatório identifica Portugal como uma das histórias de recuperação do investimento mais fortes da Europa, destacando a recuperação registada após a crise da dívida soberana da Zona Euro. Em Portugal, a taxa de investimento produtivo líquido atingiu 4,6% do PIB em 2024, posicionando o país entre os desempenhos mais robustos da Europa em matéria de investimento produtivo e significativamente acima dos níveis observados em várias grandes economias europeias. Em Espanha, essa taxa situa-se acima de 2% do PIB, colocando ambos os países acima da Alemanha, onde o indicador caiu para cerca de 0,2%, no mesmo período. Estes dados evidenciam que a fragilidade do investimento europeu não é uniforme e que Portugal e Espanha apresentam um posicionamento relativamente mais robusto no contexto atual.
A esta dinâmica soma se uma vantagem energética estrutural. O relatório sublinha que a energia solar e a eólica são abundantes na Península Ibérica e que muitos projetos industriais intensivos em energia estão já a ser desenvolvidos na região, e nos países nórdicos, em detrimento de centros industriais tradicionais europeus. Este posicionamento reflete uma progressiva redefinição da geografia industrial europeia, e já está a traduzir-se em decisões concretas de localização de investimento que favorecem regiões com custos energéticos mais competitivos.
Ainda assim, o reforço da competitividade europeia, incluindo nas regiões mais bem posicionadas, exigirá uma transformação estrutural profunda. Uma análise prospetiva indica que ganhos de produtividade na ordem dos 30%, aliados à convergência dos custos de equipamentos, energia e materiais e a uma maior rapidez na execução de projetos e no tempo de chegada ao mercado, poderão reduzir entre 30% e 80% do diferencial de custos, aproximando a Europa das economias mais competitivas.
MGI identifica um conjunto de sete alavancas para reequilibrar os padrões de investimento e reforçar a competitividade
Sete alavancas de atuação incluem a otimização do investimento em capital (capex), nomeadamente através da industrialização dos processos de construção e da simplificação dos processos burocráticos; o reforço da produtividade laboral, com recurso à automação e à inteligência artificial; e o acesso a energia limpa, abundante e competitiva, com impacto direto na atratividade de indústrias intensivas em energia.
O relatório destaca ainda a importância de acelerar o tempo de chegada ao mercado, simplificando processos e encurtando ciclos de desenvolvimento; reforçar a inovação e a diferenciação para competir em valor e não apenas em custo; e promover a especialização em setores críticos e menos sensíveis ao custo, com relevância estratégica e geopolítica - como semicondutores avançados, biotecnologia ou infraestruturas de supercomputação para inteligência artificial.
Por fim, sublinha o papel da transparência das políticas industriais na criação de condições de concorrência mais equilibradas, através de instrumentos que possam mitigar distorções nos mercados internacionais e apoiar a atração de investimento.
Neste novo mapa global da competitividade, a Península Ibérica surge, assim, não apenas como uma oportunidade conjuntural, mas como um dos poucos exemplos na Europa onde vantagens estruturais, em particular no acesso a energia competitiva, estão já a traduzir-se numa maior capacidade de atrair investimento e de reposicionar a região nas cadeias de valor industriais do futuro. Para Portugal, esta tendência é particularmente relevante: embora parta de uma base histórica de capital produtivo por trabalhador relativamente reduzida - cerca de 60 a 70 mil euros por trabalhador, abaixo de muitas economias europeias mais desenvolvidas - e de níveis de PIB por trabalhador em torno de 35 a 45 mil euros, o país destaca-se atualmente pela forte recuperação do investimento produtivo e pelas condições favoráveis para captar novos projetos industriais.
Fonte: iAlimentar
O sistema alimentar europeu enfrenta uma década decisiva. Pressionada pelas alterações climáticas, tensões geopolíticas que ameaçam a segurança das importações e uma exigência acrescida dos consumidores por opções sustentáveis, a Europa procura caminhos para diversificar as suas fontes de proteína. Na linha da frente desta transição está a EIT Food (Inovação Europeia em Tecnologia Alimentar), que trabalha para transformar ideias promissoras em mudança sistémica.
Segundo dados do Good Food Institute Europe, se a União Europeia assumir as proteínas alternativas como uma prioridade estratégica, o sector poderá injetar 111 mil milhões de euros anuais na economia europeia e criar cerca de 400 mil empregos até 2040.
Da fragmentação à escala industrial
Historicamente, a inovação alimentar tem avançado de forma isolada, através de pequenas startups ou projetos-piloto com impacto limitado. O grande desafio atual prende-se com a criação de pontes que unam toda a cadeia de valor: desde o agricultor que testa novas culturas, como as favas, até à indústria que necessita de infraestruturas à escala e aos reguladores em Bruxelas.
A viabilidade desta transição depende de um ecossistema integrado. Para que a diversificação de proteínas deixe de ser um nicho e faça parte do mercado global, a EIT Food tem impulsionado projetos de elevado impacto ambiental e comercial:
- Gavan Technologies: Criadora da Fatrix, uma gordura de base vegetal que imita a textura da manteiga. Prevê que se alcance 8000 toneladas em vendas, evitando a emissão de quase 125 milhões de kg de CO2 equivalente até 2030.
- MATR Foods: Focada na transmissão de subprodutos alimentares em alimentos ricos em proteína através da fermentação. O seu impacto carbónico é cerca de 95% inferior ao da carne de vaca tradicional.
- Revo Foods: Desenvolveu o primeiro filete de salmão do mundo impresso em 3D a partir da microproteína (raiz de cogumelo), conseguindo já garantir espaço nas prateleiras dos principais supermercados europeus.
Alinhar Políticas, Agricultores e Consumidores
A inovação tecnológica, por si só, é insuficiente se o enquadramento regulamentar e os hábitos de consumo não acompanharem o movimento. Entre 2020 e 2025, a Comissão Europeia alocou 469 milhões de euros à investigação de proteínas alternativas, sinalizando a importância estratégica do sector. Contudo, barreiras como a lentidão nos processos de aprovação regulamentar e a falta de capacidade industrial continuam a ser desafios reais.
Par mitigar estes obstáculos, a EIT Food dedica-se a três pilares essenciais: Políticas Públicas, Agricultura Resiliente e Insights do Consumidor.
O cenário ideal traçado pelos investigadores aponta para 2035 como o ano do “equilíbrio de escolhas”, onde os cidadãos europeus terão fácil acesso a uma gama variada e segura de proteínas sustentáveis, venham elas de plantas, fermentação ou agricultura celular. A soberania e a sustentabilidade alimentar da Europa dependem da capacidade de fazer avançar estes milhares de decisões em simultâneo.
Fonte: TecnoAlimentar
O Centro Nacional de Competências das Culturas do Milho e Sorgo – InovMilho, no âmbito dos ensaios instalados anualmente nos seus campos experimentais em Coruche está este ano a avaliar a utilização de culturas de cobertura semeadas na entrelinha do milho.
A operação foi realizada com recurso a um sachador de precisão equipado com semeador (ver vídeo https://www.youtube.com/watch?v=6tXPIf-X5hE), permitindo a instalação das culturas numa fase precoce do desenvolvimento da cultura principal, entre os estados V4 e V6 do milho. Nos ensaios encontram-se a ser testadas várias espécies, nomeadamente azevém anual, trevo encarnado, nabo forrageiro, ervilhaca, trigo-sarraceno e feijão-frade.
O objetivo desta técnica passa por promover a cobertura do solo na entrelinha do milho, contribuindo para a melhoria da sua estrutura, para a proteção contra a erosão e para o aumento da biodiversidade. Após a sementeira, a maioria destas espécies entram em dormência devido à competição pela luz exercida pela cultura do milho, retomando o seu desenvolvimento após a colheita, podendo então desempenhar funções de cultura de cobertura ou mesmo de cultura forrageira. No caso do Trigo sarraceno e do Feijão frade o objectivo da introdução destas duas espécies na mistura tem por objectivo fixar o azoto e desbloquear o potássio.
Esta iniciativa integra a forte dinâmica de inovação que caracteriza o InovMilho, reconhecido como uma plataforma de experimentação e demonstração de referência para o setor agrícola nacional. Todos os anos, os ensaios conduzidos em Coruche servem de base aos Dias de Campo InovMilho, um evento que reúne cerca de 300 agricultores, técnicos agrícolas, investigadores e empresas de todo o país.
Fonte: Agroportal
A partir de 1 de julho de 2026, entra oficialmente em vigor o Regulamento (UE) 2024/2895, uma atualização decisiva ao Regulamento (CE) n.º 2073/2005 que redefine a forma como a Europa controla Listeria monocytogenes nos alimentos prontos para consumo. A medida surge num contexto de aumento significativo de casos de listeriose na União, exigindo respostas mais rigorosas e científicas por parte da indústria alimentar.
Por que este regulamento importa
Listeria monocytogenes é um dos patogénios alimentares mais perigosos, com elevada taxa de mortalidade e capacidade de crescer mesmo sob refrigeração. Em 2022, os casos de listeriose aumentaram 15,9% face ao ano anterior, e 2023 registou o maior número de infeções desde o início da vigilância europeia.
Perante este cenário, a Comissão Europeia reforça os critérios de segurança alimentar, garantindo que os produtos prontos para consumo permanecem seguros durante todo o seu prazo de validade, e não apenas no momento da produção.
O novo regulamento exige que os operadores do setor alimentar demonstrem — com base científica — que os seus produtos não permitem o crescimento de Listeria monocytogenes até níveis perigosos ao longo de toda a vida útil.
As empresas passam a ter duas vias de conformidade:
Ausência da bactéria em 25 g durante todo o prazo de validade;
Garantia de que o limite de 100 ufc/g não é ultrapassado até ao fim da vida útil do produto.
Estas regras aplicam-se sobretudo aos alimentos da Categoria 1.2, como peixe fumado a frio, queijos macios, patês, refeições refrigeradas e carnes fatiadas — produtos que podem favorecer o crescimento da bactéria.
A entrada em vigor do regulamento obriga fabricantes, distribuidores e operadores a reverem processos, validarem estudos de vida útil e reforçarem sistemas de controlo microbiológico. Para muitos setores — especialmente produtos refrigerados prontos para consumo — esta mudança representa um novo patamar de responsabilidade e transparência.
Com o Regulamento (UE) 2024/2895 agora plenamente aplicável, a União Europeia dá um passo firme para garantir que os alimentos prontos para consumo são consistentemente seguros, reduzindo o risco de surtos e protegendo os consumidores mais vulneráveis.
Fonte: Qualfood
A Comissão Europeia aprovou novas regras para a reciclagem de garrafas de bebidas de utilização única fabricadas maioritariamente em politereftalato de etileno (PET), estabelecendo, pela primeira vez, uma metodologia harmonizada para calcular, verificar e comunicar o conteúdo de plástico reciclado, incluindo o proveniente de processos de reciclagem química.
A medida integra o pacote europeu para os plásticos apresentado em dezembro de 2025 e pretende reforçar a transparência no cálculo da incorporação de materiais reciclados em novas garrafas PET, criando condições de concorrência mais equitativas entre operadores e maior segurança para o investimento no setor da reciclagem.
As novas regras aplicam-se tanto à reciclagem mecânica como à reciclagem química, permitindo que ambas as tecnologias contribuam para o cumprimento das metas de incorporação de plástico reciclado previstas na Diretiva relativa aos Plásticos de Utilização Única.
Embora a reciclagem mecânica continue a ser o método mais utilizado na Europa, através da triagem, limpeza e transformação dos resíduos em novos produtos, a Comissão reconhece que determinados fluxos de resíduos – como plásticos contaminados com restos alimentares, aditivos ou materiais mistos – apresentam limitações técnicas para este processo.
Nestes casos, a reciclagem química surge como complemento, permitindo decompor os plásticos em moléculas que podem voltar a ser utilizadas como matéria-prima na produção de novos plásticos ou de outros produtos químicos. Segundo Bruxelas, esta tecnologia poderá aumentar a quantidade de resíduos plásticos reintegrados na economia circular, sobretudo em aplicações sujeitas a elevados requisitos de qualidade, como as embalagens destinadas ao contacto com alimentos.
Numa primeira fase, apenas será contabilizado como conteúdo reciclado o plástico proveniente da União Europeia e do Espaço Económico Europeu (EEE), onde é possível verificar o cumprimento das normas ambientais europeias.
A partir de 21 de novembro de 2027, também poderá ser contabilizado plástico reciclado oriundo de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), desde que não existam restrições ao abrigo da legislação sobre transferência de resíduos. O regulamento prevê ainda a inclusão futura de materiais provenientes de países não pertencentes à OCDE, desde que existam mecanismos que garantam padrões equivalentes de proteção ambiental e da saúde humana.
A Comissão Europeia sublinha que o novo sistema permitirá assegurar que o conteúdo reciclado contabilizado para as metas comunitárias assenta em critérios credíveis, rastreáveis e ambientalmente sustentáveis.
O regulamento de execução será publicado em breve no Jornal Oficial da União Europeia e entrará em vigor 20 dias após essa publicação. Antes da sua aprovação, a proposta foi sujeita a consulta das partes interessadas, recebeu parecer favorável dos representantes dos Estados-membros em fevereiro de 2026 e foi igualmente notificada à Organização Mundial do Comércio (OMC), permitindo a apresentação de observações pelos seus membros.
Fonte: Grande Consumo
A Resolução da Assembleia da República n.º 172/2026, publicada no Diário da República n.º 123/2026, Série I de 29 de junho, reforça o compromisso político nacional com uma transformação profunda do setor agrícola. O Parlamento recomenda ao Governo que intensifique medidas que promovam uma agricultura mais sustentável, eficiente no uso de recursos e preparada para enfrentar os impactos crescentes das alterações climáticas.
A resolução sublinha que a agricultura portuguesa enfrenta desafios estruturais — desde a pressão hídrica à perda de biodiversidade, passando pela volatilidade dos mercados e pela necessidade de reduzir emissões. O documento recomenda que o Governo acelere políticas que:
A resolução destaca que a sustentabilidade não é apenas uma exigência ambiental, mas também económica. Uma agricultura mais eficiente e resiliente é vista como essencial para:
Embora não tenha força de lei, a resolução funciona como orientação política e pressão institucional. Na prática, abre caminho para:
A publicação da Resolução n.º 172/2026 sinaliza que o Parlamento quer ver o país acelerar o passo. A transição para uma agricultura sustentável deixa de ser apenas uma ambição e passa a ser uma prioridade estratégica, com impacto direto na competitividade, na proteção dos recursos naturais e na capacidade de Portugal enfrentar um futuro climático mais exigente.
Fonte: Qualfood
“O Innovation Day reflete o compromisso da Escola Superior de Biotecnologia em aproximar a investigação científica da sua aplicação prática, criando um espaço de diálogo entre investigadores, estudantes e empresas para impulsionar a inovação com impacto real, ” afirma Paula Castro, diretora da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa.
Manuela Pintado, diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, salienta que “a ciência da estrutura dos alimentos está a abrir caminho a produtos mais saudáveis, sustentáveis e sensorialmente apelativos, respondendo aos grandes desafios da alimentação do futuro.” Em todo o mundo, mas também no CBQF, a investigação na área da estrutura dos alimentos procura compreender como a organização dos diferentes componentes alimentares influencia características como a textura, o sabor, a estabilidade, a digestibilidade e o valor nutricional dos produtos. “Esta abordagem tem permitido desenvolver soluções inovadoras para responder aos desafios atuais da indústria alimentar, incluindo a reformulação de alimentos com menor teor de açúcar, sal ou gordura, o desenvolvimento de alternativas proteicas de origem vegetal e a valorização de ingredientes sustentáveis. Ao combinar ciência fundamental com aplicação industrial, o CBQF contribui para a criação de alimentos que conciliam qualidade sensorial, benefícios para a saúde e sustentabilidade”, conclui.
O programa do Innovation Day 2026 arranca com a palestra “Metabolic, Prebiotic, and Exposomic Implications of Incidentally-Functionalized Polysaccharides”, conduzida por Mario M. Martinez, professor associado da Universidad de Valladolid. Segue-se a intervenção de Maud Langton, professora da Swedish University of Agricultural Sciences, que apresentará o tema “Processing Legumes for Healthier Foods”. A manhã prossegue com a palestra “Understanding Food Structures at the Microscopic Scale”, por José Bonilla, professor de Food Structure and Processing da University of Copenhagen. O primeiro momento do evento encerra com a apresentação “Clube de Inovação e Conhecimento”, conduzida por Paula Castro, diretora da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa.
A segunda parte do evento terá início com a palestra “From Microstructure to Quality: How Processing Choices Model Product Properties”, apresentada por Lilia Ahrné, professora de Ciência e Tecnologia Alimentar da Swedish University of Agricultural Sciences e professora convidada da Escola Superior de Biotecnologia e Investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Universidade Católica Portuguesa. O evento culmina com a mesa-redonda “Innovation in Practice - Industry Insights on Food Structure and Product Development”, moderada por Manuela Pintado,
O Innovation Day 2026 da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, que este ano é apoiado pela ERA Chair THRIVE, realiza-se no dia 2 de julho, pelas 9h30 no Auditório Carvalho Guerra da Universidade Católica Portuguesa no Porto. É um evento aberto ao público, mas sujeito a inscrição. A ERA Chair THRIVE do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Universidade Católica Portuguesa pretende potenciar a investigação na área das Tecnologias de Estruturação de Alimentos, impulsionando um ecossistema internacional de investigação e inovação.
Fonte: iAlimentar
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