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Os laboratórios de segurança alimentar estão a passar por uma mudança significativa, à medida que a indústria alimentar enfrenta uma pressão crescente por rapidez, precisão e transparência. Os métodos microbiológicos tradicionais continuam a ser fundamentais, mas muitas vezes são demasiado lentos para acompanhar os ciclos de produção acelerados e as cadeias de abastecimento complexas dos dias de hoje. Como resultado, os laboratórios estão a adotar métodos microbiológicos rápidos, sistemas de dados digitais e inteligência artificial para melhorar a tomada de decisões e reduzir os riscos.

Essas tecnologias não estão a substituir o conhecimento científico, mas sim a expandir o que os laboratórios podem oferecer. Quando integradas de forma ponderada, elas melhoram a eficiência, fortalecem a integridade dos dados e ajudam os fabricantes a identificar problemas mais cedo no processo de produção.

O papel crescente dos métodos microbiológicos rápidos

A microbiologia rápida tornou-se essencial para os processadores que buscam tempos de resposta mais rápidos e resultados mais consistentes.

Tecnologias como ensaios moleculares, sistemas de enumeração automatizados e bioluminescência ATP oferecem várias vantagens:

  1. Resultados mais rápidos, permitindo o lançamento antecipado do produto
  2. Manuseamento manual reduzido, diminuindo a variabilidade e as exigências de mão de obra
  3. Sensibilidade melhorada, especialmente para organismos estressados ou de baixo nível
  4. Rastreabilidade digital, apoiando a preparação para auditorias e a integridade dos dados
  5. Para muitas instalações, o valor reside não apenas na velocidade, mas na capacidade de intervir mais cedo. Métodos rápidos permitem que as equipas de qualidade detetem desvios antes que eles se transformem em desperdício, retrabalho ou ação regulatória.

A inteligência artificial está a começar a influenciar a forma como os laboratórios interpretam e gerem dados microbiológicos.

As suas aplicações mais impactantes incluem:

  1. Identificar padrões em dados históricos de testes
  2. Prever riscos de deterioração e contaminação
  3. Automatizar verificações de dados, reduzindo erros de transcrição
  4. Apoiar a análise da causa raiz com conjuntos de dados mais completos
  5. Quando combinada com um sistema de gestão de informações laboratoriais (LIMS), a IA ajuda os laboratórios a fazer a transição de testes reativos para a gestão proativa de riscos. Em vez de simplesmente relatar resultados, os laboratórios podem fornecer insights que ajudam os fabricantes a prevenir problemas antes que eles ocorram.

Sistemas de qualidade e expectativas de acreditação

À medida que os laboratórios adotam novas tecnologias, os organismos de acreditação estão a aumentar as expectativas em relação à validação de métodos, documentação e integridade dos dados.

Essa mudança está a incentivar os laboratórios a:

  • Fortalecer os sistemas de gestão da qualidade
  • Padronizar os fluxos de trabalho para reduzir a variação entre analistas
  • Melhorar a documentação para auditorias regulamentares e de clientes
  • Integrar ferramentas digitais que suportam a monitorização em tempo real
  • Os laboratórios que se destacam são aqueles que combinam rigor científico com disciplina operacional.

Uma mudança no papel dos laboratórios de segurança alimentar

O laboratório moderno está a evoluir de um prestador de serviços de testes para um parceiro estratégico.

Os laboratórios atuais apoiam cada vez mais os fabricantes, oferecendo:

  • Orientação técnica sobre amostragem e monitorização ambiental
  • Informações baseadas em dados para melhoria contínua
  • Formação para equipas da qualidade e produção
  • Apoio à preparação regulamentar e mitigação de riscos
    Este papel ampliado reflete a crescente importância da experiência laboratorial para garantir a segurança alimentar em toda a cadeia de abastecimento.

Conclusão
A microbiologia rápida, a digitalização e a inteligência artificial estão a remodelar as capacidades dos laboratórios de segurança alimentar. Estas ferramentas melhoram — e não substituem — o julgamento científico, permitindo que os laboratórios forneçam informações mais rápidas, confiáveis e acionáveis. À medida que a indústria continua a evoluir, os laboratórios que adotam a inovação, mantendo bases científicas sólidas, desempenharão um papel central na construção de um sistema alimentar mais seguro e resiliente.

Fonte: Food Safety Tech

 

A segurança alimentar deixou de ser apenas uma questão de conformidade — tornou-se uma responsabilidade estratégica que envolve toda a empresa e capacita os funcionários a proteger os consumidores e a marca.

A indústria alimentar está a passar por rápidas transformações. As atualizações propostas para os sistemas de certificação, como a 10ª edição do SQF e a ISO 9001:2026, estão a mudar o foco da conformidade para uma gestão proativa e integrada da segurança alimentar. Para as equipas de garantia da qualidade (GQ), isso representa tanto um desafio quanto uma oportunidade: assegurar operações seguras e em conformidade, ao mesmo tempo que influenciam o desempenho operacional e a capacitação da força de trabalho de forma mais ampla. 

Com muita frequência, a Garantia da Qualidade (GQ) é vista como um custo necessário a ser minimizado sempre que possível e como uma função que pode ser totalmente focada em auditorias, certificações e "cumprimento de requisitos". Embora essas atividades possam atender aos requisitos regulamentares, raramente geram melhorias significativas na cultura de segurança alimentar, no desempenho operacional ou na capacitação dos funcionários. A versão preliminar da 10ª edição do SQF destaca uma clara mudança nas expectativas, com maior ênfase na cultura de segurança alimentar, gestão de mudanças e monitorização ambiental. Da mesma forma, as atualizações propostas para a ISO 9001:2026 reforçam o foco na digitalização, sustentabilidade, liderança ética, gestão proativa de riscos e integração das partes interessadas. Juntas, essas mudanças sinalizam que a segurança alimentar (e a qualidade) não se trata mais apenas de conformidade — é uma responsabilidade estratégica que abrange toda a empresa e capacita os funcionários a proteger os consumidores e a marca. 

Leia o artigo completo aqui.

Fonte: Food Safety Magazine

 

As Nações Unidas designaram 2026 como o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores para destacar o papel vital que as pastagens e as comunidades pastoris desempenham na produção sustentável de alimentos, na gestão dos ecossistemas e na mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Em entrevista à Sala de Imprensa da FAO, Thanawat Tiensin, Diretor-Geral Adjunto da FAO e Diretor da Divisão de Produção e Saúde Animal, explicou o que são pastagens, onde se encontram, como funcionam os sistemas pastoris e por que protegê-las e investir nelas é essencial para construir sistemas agroalimentares mais sustentáveis, resilientes e inclusivos em todo o mundo.

Leia a entrevista aqui.

Fonte FAO

 

Dados do INE analisados pela UNAC – União da Floresta Mediterrânica revelam que as exportações portuguesas de cortiça atingiram 1.100 milhões de euros em 2025. Embora se tenha verificado um aumento de 1,7% na quantidade exportada (148 mil toneladas), registou-se uma redução de 2,2% no valor total face a 2024. No entanto, o preço médio global acumulou um crescimento de 27% entre 2021 e 2025.

O segmento de rolhas continua a ser o motor do setor, representando mais de 70% do valor de mercado. Entre 2024 e 2025, as rolhas aglomeradas cresceram 7% em valor, enquanto as de espumante apresentaram um comportamento estável. Geograficamente, 2025 confirmou o reforço dos mercados europeus (com França a registar o maior aumento de preço médio) e uma perda de representatividade do mercado dos EUA, que apresentou quebras de valor e volume.

A UNAC lança, contudo, um alerta crítico: o preço de aquisição da matéria-prima no campo baixou 28% nos últimos dois anos. António Gonçalves Ferreira, da UNAC, sublinha que esta depressão do preço "não pode continuar a colocar em perigo a rentabilidade da produção primária", lembrando que apenas as florestas com valor asseguram a sustentabilidade produtiva de toda a fileira.

Fonte: Agronegócios

A Comissão Europeia autorizou a utilização de uma beterraba sacarina geneticamente modificada e renovou a autorização de um milho geneticamente modificado para utilização em alimentos e rações na União Europeia. A decisão foi anunciada a 27 de fevereiro de 2026, após avaliação científica da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA).

Segundo a Comissão, a avaliação científica concluiu que ambas as culturas são tão seguras para a saúde humana, para os animais e para o ambiente como as suas equivalentes convencionais.

De acordo com o executivo europeu, estes organismos geneticamente modificados foram sujeitos a uma avaliação científica abrangente, destinada a garantir um elevado nível de proteção da saúde pública e do ambiente.

As decisões permitem a importação e a utilização destas culturas na alimentação humana e animal na União Europeia. No entanto, não incluem autorização para o seu cultivo em território europeu.

As autorizações são válidas por um período de 10 anos. Todos os produtos derivados destas culturas terão de cumprir as regras europeias de rotulagem e rastreabilidade aplicáveis aos organismos geneticamente modificados.

A Comissão explicou ainda que estava legalmente obrigada a adotar estas decisões depois de os Estados-Membros não terem alcançado uma maioria qualificada a favor ou contra as propostas apresentadas.

Fonte: Centro de Informação de Biotecnologia

A literacia alimentar da população adulta em Portugal apresenta um nível global de 57,5%, revelando que, apesar do acesso generalizado à informação sobre nutrição e alimentação, persistem dificuldades em transformar esse conhecimento em escolhas alimentares mais equilibradas. Os dados constam do 'Estudo Nacional de Avaliação da Literacia Alimentar em Adultos', apresentado esta terça-feira no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, e desenvolvido pela Associação Portuguesa de Nutrição (APN), com apoio do Continente e realização da Pitagórica.

Os resultados evidenciam diferenças relevantes entre grupos populacionais. Jovens adultos, pessoas empregadas e agregados familiares com rendimentos mais elevados registam níveis de literacia alimentar superiores. Em contraste, pessoas idosas, indivíduos desempregados e famílias com rendimentos insuficientes apresentam valores mais baixos.

Segundo o estudo, estas diferenças refletem desigualdades sociais que influenciam diretamente a capacidade de aceder à informação, compreendê-la, avaliá-la e aplicá-la nas escolhas alimentares do dia a dia.

Diferenças marcadas entre grupos da população

Embora muitos participantes indiquem compreender parte da informação presente nos rótulos alimentares, nas datas de validade ou nas recomendações de profissionais de saúde, a sua aplicação prática continua a representar um desafio. Avaliar selos nutricionais, interpretar alegações presentes nos produtos, compreender informação sobre alergénios ou selecionar alimentos mais equilibrados são algumas das situações onde surgem maiores dificuldades.

Os resultados apontam, assim, para uma diferença entre o conhecimento disponível e a sua tradução em decisões alimentares concretas.

Consumo alimentar apresenta menor nível de literacia

Entre as várias dimensões analisadas, a área do consumo apresenta o score mais baixo, com 54,7%. Nesta vertente, os participantes revelam dificuldades em compreender o impacto social, económico e ambiental das suas escolhas alimentares.

O estudo identifica também limitações na perceção do efeito dessas decisões na preservação da biodiversidade ou no contributo que os hábitos alimentares podem ter para o desenvolvimento do território local.

Perante estes resultados, os autores destacam a necessidade de tornar a informação sobre nutrição e sustentabilidade alimentar mais acessível e prática, de forma a apoiar decisões mais conscientes por parte dos consumidores.

A recolha de dados foi realizada online entre 16 e 24 de outubro de 2025, junto de mil adultos residentes em Portugal continental e regiões autónomas, com 18 ou mais anos. O estudo apresenta uma margem de erro de ±3,2% e um nível de confiança de 95,5%. A investigação foi submetida e aprovada pela Comissão de Ética do Instituto Universitário de Ciências da Saúde – Centro de Estudos Superiores de Saúde (IUCS-CESPU).

Fonte: iAlimentar

A Comissão Europeia lançou uma nova plataforma de inteligência artificial (IA), a TraceMap, para acelerar a deteção de fraudes alimentares, de surtos de alimentos contaminados e de doenças de origem alimentar em toda a UE.

Em conformidade com as elevadas normas de segurança da UE para os alimentos e os produtos importados, este novo instrumento reforçará a segurança dos consumidores e ajudará as autoridades nacionais a trabalhar de forma mais eficaz, inovando na forma como avaliamos, detetamos e respondemos aos riscos de segurança alimentar e às atividades fraudulentas.

O TraceMap utilizará a IA para:

- Melhorar as avaliações dos riscos para a segurança alimentar, simplificando o acesso e analisando os dados críticos.

- Identificar rapidamente as ligações entre os operadores e as remessas.

- Monitorizar toda a cadeia de abastecimento agroalimentar, uma vez identificado um risco, permitindo uma recolha mais rápida de produtos não seguros ou fraudulentos.

A partir de hoje, o TraceMap está acessível às autoridades nacionais em todos os Estados-Membros, permitindo-lhes orientar melhor os controlos e realizar investigações mais aprofundadas, sem exigir recursos adicionais. Utilizará os dados exaustivos dos atuais sistemas agroalimentares da UE para acompanhar os padrões comerciais e os fluxos de produção a um ritmo acelerado. A plataforma melhorará a exatidão do rastreio, acelerará a deteção de operadores suspeitos e ajudará os investigadores a detetar fraudes alimentares e surtos de origem alimentar e a retirar rapidamente do mercado produtos não conformes. O TraceMap habilita os Estados-Membros a colmatar lacunas, corrigir vulnerabilidades e reforçar as suas medidas antifraude no setor agroalimentar.

Permitirá igualmente um melhor controlo das mercadorias importadas, em consonância com as medidas reforçadas estabelecidas na Visão para a Agricultura e a Alimentação.

O TraceMap foi criado pela Comissão, utilizando tecnologia de IA que processa, estrutura e interpreta dados de diferentes plataformas de gestão da segurança dos alimentos em toda a UE, incluindo o Sistema de Alerta Rápido para os Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais (RASFF) e o Sistema Especializado e de Controlo do Comércio (TRACES). Uma versão-piloto do TraceMap foi recentemente utilizada para apoiar a identificação e a recolha de fórmulas lácteas para lactentes fabricadas com óleo de ARA contaminado proveniente da China.

Fonte: Comissão Europeia

O Governo fixou em 616 hectares o valor máximo a considerar para as autorizações de plantação de novas vinhas este ano, segundo o Despacho nº 2981/2026.

“A área total máxima a atribuir, a nível nacional, é de 616 hectares”, lê-se no diploma. Este valor corresponde a 0,36% da área total efetivamente plantada em 31 de julho de 2025.

A área agora delimitada vai ser distribuída, prioritariamente pelas Regiões Vitivinícolas, até ao limite de 0,55% da área plantada com vinha em cada uma delas.

Caso as regiões não atinjam esta percentagem, a área em causa é redistribuída por outras, cabendo ao Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) definir os procedimentos a adotar.

O despacho, assinado pelo ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, define ainda um conjunto de outros limites para várias regiões, como, por exemplo, de 0,10 hectares para a produção de vinhos com Denominação de Origem (DO) Porto.

Estão ainda previstos 3,80 hectares para a produção de vinhos com DO Douro ou Indicação Geográfica (IG) Duriense, 0,10 hectares para os vinhos sem direito a DO ou IG e 8,95 hectares para plantações com castas aptas à produção de vinhos DO Madeira ou Madeirense, com exceção das castas Tinta Negra e Caracol.

Para a plantação de vinhas da casta Caracol está prevista a distribuição de um hectare, enquanto para a plantação de vinhas sem direito a DO ou IG e para apenas as castas não autorizadas nas DO Madeira e Madeirense ou IG Terras Madeirenses está prevista a distribuição de 0,05 hectares.

Para a produção de vinhos com DO ou IG na região do Alentejo vão ser distribuídos 100 hectares, enquanto para a região do Algarve, e nas mesmas condições, estão previstos três hectares.

Na Região dos Vinhos Verdes o máximo a distribuir é de 85 hectares para a plantação nas áreas de DO ou IG sob a sua tutela.

Os candidatos a estas autorizações têm de possuir um documento válido para a utilização da superfície agrícola a ocupar com vinha e não podem possuir vinhas em situação irregular.

Por outro lado, têm de fazer a sua inscrição ou a atualização dos dados de exploração no Sistema de Identificação do Parcelário.

Caso a superfície abrangida pelas candidaturas exceda o limite definido, é aplicado um máximo de 30 hectares por requerente.

As candidaturas devem ser submetidas no ‘site’ https://sivv.ivv.gov.pt/.

No caso da Região Demarcada da Madeira, as candidaturas devem ser submetidas junto do Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira.

Já no que se refere aos Açores, a submissão é feita junto da Direção Regional de Desenvolvimento Rural.

Fonte: Agroportal

A indústria alimentar e das bebidas da União Europeia mantém-se como o maior setor transformador do bloco, com um volume de negócios de 1,523 biliões de euros e cerca de 4,8 milhões de pessoas empregadas. Os dados constam do relatório ‘Data & Trends of the EU Food and Drink Industry 2026’, divulgado pela FoodDrinkEurope, que analisa a evolução económica, comercial e estrutural do setor na Europa.

Setor líder na indústria transformadora europeia

O estudo indica que a indústria alimentar representa 15,5% do volume de negócios da indústria transformadora europeia e contribui com 12% do valor acrescentado do setor. Em 2023, o valor acrescentado da indústria alimentar e das bebidas atingiu 296 mil milhões de euros, reforçando o peso económico deste segmento na economia europeia.

O setor é, igualmente, o maior empregador da indústria transformadora da União Europeia, concentrando cerca de 16% do emprego industrial. No total, emprega aproximadamente 4,8 milhões de trabalhadores e paga cerca de 134 mil milhões de euros em salários e remunerações.

PME dominam estrutura empresarial

A estrutura empresarial caracteriza-se por uma elevada fragmentação, com cerca de 309 mil empresas ativas no setor. As pequenas e médias empresas representam 99,2% do total e asseguram mais de metade dos postos de trabalho, sendo responsáveis por 38,7% do volume de negócios da indústria alimentar europeia.

Em termos de investimento, o setor lidera também na indústria transformadora europeia, com cerca de 52 mil milhões de euros investidos em ativos físicos em 2023. Apesar disso, o relatório indica que as margens operacionais têm enfrentado pressão devido ao aumento dos custos de produção, mantendo-se em torno de 8% desde 2014, com uma ligeira redução nos últimos anos.

União Europeia mantém liderança nas exportações

No comércio internacional, a União Europeia mantém-se como o maior exportador mundial de alimentos e bebidas. Em 2024, as exportações para mercados extracomunitários atingiram 190 mil milhões de euros, enquanto as importações somaram 109 mil milhões, resultando num saldo comercial positivo de 81 mil milhões de euros.

O relatório destaca ainda o peso do consumo alimentar no orçamento das famílias europeias. Em 2023, os consumidores da União Europeia gastaram cerca de 1,934 biliões de euros em alimentos e bebidas, o equivalente a 21,6% da despesa total das famílias.

Portugal entre os países onde o setor é o principal empregador industrial

Em Portugal, a indústria alimentar e das bebidas também assume um papel relevante na economia. Em 2023, o setor gerou cerca de 23,9 mil milhões de euros de volume de negócios, com um valor acrescentado de 4,5 mil milhões de euros.

O setor emprega aproximadamente 113,7 mil trabalhadores e integra mais de 11,5 mil empresas, posicionando-se como o principal empregador da indústria transformadora no País.

Custos e sustentabilidade colocam novos desafios

Apesar da relevância económica do setor, o documento aponta desafios relacionados com a produtividade, os custos de produção e a transição para modelos mais sustentáveis, num contexto de crescente pressão sobre os recursos e as cadeias de abastecimento.
 
Fonte: iAlimentar

As latas de alumínio continuam a afirmar-se como uma das soluções mais fiáveis para embalagens de bebidas sustentáveis, apoiadas por sistemas de reciclagem consolidados e por novas tecnologias que reforçam a rastreabilidade e a conformidade ao longo da cadeia de produção. A combinação entre as características do material e a inovação tecnológica está a consolidar o papel do alumínio como elemento central na transição para modelos de economia circular no sector das bebidas.

Uma das principais vantagens do alumínio reside na sua capacidade de reciclagem. Ao contrário de outros materiais utilizados em embalagens, como o PET ou o vidro, o alumínio pode ser reciclado indefinidamente sem perda de qualidade. Atualmente, as taxas globais de reciclagem deste material situam-se em cerca de 75%, superando as registadas nas garrafas de plástico PET (47%) e no vidro (42%). Este desempenho permite evitar cerca de 5,4 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono por ano.

O enquadramento regulamentar europeu também está a acelerar a adoção de soluções mais circulares. No âmbito do regulamento da União Europeia relativo a embalagens e resíduos de embalagens, as embalagens de alumínio deverão atingir uma taxa de reciclagem de 50% até 2025 e de 60% até 2030. Estes objetivos estão a impulsionar novas abordagens ao design de embalagens e a reforçar o papel estratégico do alumínio para as marcas de bebidas que procuram cumprir metas ambientais e reforçar a sua reputação junto dos consumidores.

No entanto, a sustentabilidade não depende apenas do material utilizado. A eficiência e a rastreabilidade ao longo do processo produtivo são igualmente determinantes, sobretudo num sector em que as linhas de produção podem ultrapassar as 120 mil latas por hora. A estas velocidades, a codificação das embalagens – que assegura informação essencial para rastreabilidade e cumprimento de requisitos regulamentares – torna-se um fator crítico. Erros ou falhas no processo podem resultar em recolhas dispendiosas, desperdício de produto e riscos de incumprimento regulamentar.

Segundo Russell Wiseman, responsável global de soluções para bebidas da Domino Printing Sciences, a circularidade começa muito antes de a embalagem chegar ao consumidor. “O alumínio oferece uma base infinitamente reciclável, mas o verdadeiro progresso passa por repensar cada etapa da produção, incluindo a codificação”, afirma.

Nos últimos anos, novas tecnologias permitiram responder a estes desafios. Entre elas destaca-se a codificação por laser de fibra, que permite criar códigos permanentes de alta resolução diretamente na superfície das latas, sem necessidade de tintas ou solventes. Esta solução reduz o desperdício químico e contribui para processos produtivos mais sustentáveis.

Outra inovação é a transferência da codificação para uma fase mais precoce da produção, ainda quando as latas estão vazias. Sistemas como o Beverage Empty Can Coding System (BECCS) permitem identificar eventuais erros antes do enchimento, evitando desperdício de produto e reduzindo custos associados a recolhas ou interrupções de produção.

Estas tecnologias foram desenvolvidas para acompanhar as exigências das linhas de produção de alto rendimento, garantindo simultaneamente precisão, velocidade e fiabilidade. Alguns sistemas conseguem operar a velocidades superiores a 120 mil latas por hora, integrando ainda mecanismos de verificação e rejeição automática que permitem detetar códigos defeituosos em tempo real.

Para a indústria das bebidas, a conjugação entre materiais altamente recicláveis e tecnologias de produção mais eficientes poderá ser decisiva para alcançar metas ambientais mais ambiciosas. As projeções do sector apontam para uma taxa global de recuperação de alumínio próxima dos 80% até 2030 e potencialmente próxima da totalidade até 2050.

Neste contexto, soluções tecnológicas que reforcem a rastreabilidade e reduzam o desperdício ao longo do processo produtivo poderão desempenhar um papel central no reforço da circularidade das embalagens de bebidas e na redução da pegada ambiental do sector.

Fonte: Grande Consumo