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O projeto NUSTALGIC (Neglected and Underutilized Species and waTer hArvesting for buiLdinG ClImate Change resilience) reúne 11 parceiros de Portugal, Líbano, Marrocos, Tunísia, Espanha, Itália, Grécia e Jordânia. Entre 2025 e 2028, e com um orçamento de 4,41 milhões de euros, o projeto visa modernizar e promover soluções sociais e tecnológicas que ajudem a enfrentar desafios climáticos. 

A agricultura na região Mediterrânica enfrenta desafios associados às alterações climáticas, à degradação dos solos e à escassez de água. Paralelamente, esta região apresenta elevada biodiversidade agrícola, com culturas que têm vindo a ser abandonadas pela agricultura moderna, como as leguminosas tradicionais, cactos e variedades tradicionais de cevada, culturas naturalmente adaptadas a ambientes áridos e eficientes no uso da água

Este projeto visa modernizar e promover soluções sociais e tecnológicas que integram técnicas ancestrais de captação de água, sistemas agrícolas baseados em espécies ou variedades negligenciadas e cadeias de valor alimentares sustentáveis, contribuindo para sistemas agroalimentares mais resilientes em toda a região.

Desde o lançamento, em junho de 2025, os parceiros do NUSTALGIC iniciaram a preparação e instalação dos ensaios de demonstração nas diferentes regiões participantes. As atividades atuais centram-se na seleção de locais, no planeamento da implementação e na distribuição e sementeira de cevada, leguminosas tradicionais e cactos.

Em Portugal, encontram-se já ativos dois locais de demonstração: na LIPOR (Maia, Porto) e na Herdade do Freixo do Meio (Montemor-o-Novo, Évora), onde variedades de grão-de-bico e de fava já foram cultivadas e estão já em crescimento. Estes primeiros passos marcam o início de atividades de campo coordenadas, que funcionarão como laboratórios vivos para testar sistemas de captação de água, estratégias de cultivo e soluções baseadas na natureza adaptadas às condições locais.

“Ouvindo os testemunhos dos nossos colegas na Jordânia, Marrocos, Tunísia, Líbano, Grécia, e Itália, este projeto permitiu-me perceber, em primeira mão, o contexto difícil em que vivemos no Mediterrâneo, devido à escassez de água e ao abandono do cultivo de espécies e variedades com enorme potencial. Esta união de esforços e de sabedorias antigas e modernas cria um ecossistema muito especial para implementarmos ações com verdadeiro potencial de gerar impacto nas economias locais. Um aspeto que me entusiasma é o envolvimento de mulheres e jovens agricultores na cocriação de soluções verdadeiramente inclusivas,” afirma Marta Vasconcelos, investigadora e coordenadora do projeto, citada em comunicado

Financiado pelo programa PRIMA (Parceria para a Investigação e Inovação na Região Mediterrânica), o NUSTALGIC integra instituições de investigação, organizações não governamentais e empresas no objetivo de reforçar a sustentabilidade da agricultura mediterrânica. Ao combinar conhecimento tradicional com inovação moderna, o projeto promove uma abordagem WEFE Nexus (Água–Energia–Alimentos–Ecossistemas), assegurando a utilização eficiente dos recursos e o equilíbrio ambiental.

A Escola Superior de Biotecnologia e o seu centro de investigação – Centro de Biotecnologia e Química Fina – da Universidade Católica Portuguesa assegura a coordenação e gestão do projeto e a implementação científica. Lidera também o desenvolvimento de produtos alimentares inovadores a partir de estas variedades negligenciadas, a sua caracterização nutricional e a valorização de produtos. Por meio destas atividades, a instituição estabelece a ligação entre a produção agrícola sustentável e a inovação alimentar, promovendo dietas saudáveis e inteligentes, em consonância com o clima, para a população mediterrânica.

Inovação para a sustentabilidade e inclusão

A equipa do projeto NUSTALGIC vai implementar tecnologias de captação de água, incluindo sistemas de recolha em coberturas, estruturas em socalcos e a modernização de reservatórios tradicionais. Estima-se que estas soluções permitam um aumento da disponibilidade de água entre 20–25 % e uma melhoria da eficiência do uso da água em cerca de 20% nas áreas piloto.

O projeto vai estabelecer quatro plataformas de inovação multi-ator para agricultura de sequeiro em Marrocos, Líbano, Tunísia e Jordânia, criando 80 locais de demonstração e envolvendo mais de 1 200 agricultores, com uma meta de 20 % de adoção das novas tecnologias. Estes locais irão testar inovações que vão desde sistemas de cultivo baseados em NUS e monitorização da saúde do solo até pequena maquinaria para colheita e produção de alimentos para animais, assegurando resultados práticos e escaláveis.

No total, o projeto prevê o desenvolvimento de 18 tecnologias nas áreas da gestão da água, melhoria das culturas e valorização de subprodutos, com o objetivo de reduzir custos de produção, aumentar a produtividade em 15–20 % e promover o empoderamento de mulheres e jovens, através de uma participação equitativa e de oportunidades de liderança.

Fonte: TecnoAlimentar

A Portugal Fresh anunciou ontem que as exportações de frutas, legumes e flores cresceram 5% em 2025 para 2,6 mil milhões de euros, atingindo mais um recorde anual.

A União Europeia é o principal destino das exportações deste setor, absorvendo 83,6% do valor. O principal cliente externo da produção nacional de frutas, legumes e flores é Espanha, que vale 39% do total das exportações em valor. Seguem-se França (13%), Países Baixos (9%), Alemanha (8%) e Reino Unido (6%).

De acordo com os dados do INE, compilados pela Portugal Fresh, as frutas mais exportadas são, por esta ordem, os pequenos frutos (com destaque para a framboesa), o tomate preparado ou conservado, os citrinos (destaque para a laranja), os frutos de casca rija (destaque para a amêndoa), o tomate fresco e a pera.

“O constante crescimento das exportações de frutas, legumes e flores é, sem dúvida, um orgulho para as empresas produtoras e demonstra que o setor agrícola e alimentar nacional é competitivo e apresenta qualidade nos seus produtos”, afirma Gonçalo Santos Andrade, presidente da Portugal Fresh, Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal.

“Quando falamos das exportações, importa reforçar a importância do Acordo de Comércio entre a União Europeia e os países do Mercosul. Esta é uma oportunidade globalmente positiva para o agroalimentar português – principalmente nas frutas – e europeu, já que possibilita o acesso a um mercado de 270 milhões de consumidores. Também o Acordo União Europeia-Índia que vai permitir às empresas portuguesas exportar mais, de forma mais simples e barata, para este gigante asiático, é de extrema importância. Para crescermos é necessário abrir novos mercados com uma diplomacia económica eficaz”, sublinha.

No entanto, a Portugal Fresh alerta para os graves prejuízos que a Depressão Kristin provocou na agricultura, com culturas totalmente destruídas pela força do vento e da água. “Só poderemos continuar a ser competitivos se apoiarmos os produtores nacionais que foram fortemente afetados. Apoiar o setor das frutas, legumes e flores, bem como o setor agroalimentar e florestal em geral, não é apenas uma questão de solidariedade para com os agricultores: é uma decisão estratégica para o país. É preciso olhar para a economia rural e assegurar que os produtos produzidos no nosso país continuarão a chegar à nossa mesa e aos mercados de exportação”, afirma.

Fonte: iAlimentar

A casca de cebola, habitualmente tratada como resíduo agroalimentar, pode vir a ter uma nova utilidade na produção de embalagens mais amigas do ambiente. Uma investigação da Universidade de Aveiro (UA) demonstra que este subproduto pode ser incorporado diretamente em bioplásticos, sem necessidade de processos complexos de extração, permitindo obter materiais com melhor desempenho e menor impacto ambiental.

O estudo, desenvolvido no CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro, consistiu na integração de casca de cebola moída em matrizes produzidas a partir de amido recuperado de resíduos industriais, nomeadamente lamas do processamento de batata. Segundo a equipa, esta solução originou bioplásticos com “propriedades mecânicas melhoradas”, maior resistência à água, capacidade de barreira a gases e atividade antioxidante, características consideradas essenciais para embalagens funcionais.

A abordagem segue princípios da economia circular, ao valorizar resíduos e substituir matérias-primas fósseis ou alimentares por subprodutos não comestíveis. Desta forma, contribui para reduzir o impacto ambiental e aliviar a pressão sobre recursos primários. O trabalho envolveu investigadores de vários departamentos da UA, com colaboração do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV) da Rede de Química e Tecnologia (REQUIMTE).

Embora não existam dados públicos sobre a quantidade de cascas de cebola enviadas para aterro em Portugal, a equipa recorda que a produção mundial de cebola ultrapassa 98 milhões de toneladas por ano. Estima-se que cerca de 5% correspondam a cascas, o que equivale a aproximadamente 550 mil toneladas de resíduos anuais a nível global. Em Portugal, tendo em conta o peso do setor agroalimentar, os investigadores consideram plausível que sejam geradas “várias milhares de toneladas” por ano.

A tecnologia encontra-se já protegida por patente, o que evidencia o seu potencial de aplicação industrial. A solução permite produzir termoplásticos ativos e biodegradáveis com recurso a tecnologias convencionais, como extrusão ou moldação por compressão.

De acordo com os investigadores, os materiais apresentam estabilidade térmica, atividade antioxidante e propriedades de barreira ajustáveis, podendo ser utilizados tanto em embalagens para conservação de alimentos como em dispositivos médicos.

Fonte: iAlimentar

A procura global por bebidas sem álcool e funcionais continua a crescer de forma acelerada, impulsionada por preocupações com a saúde, moderação no consumo e procura por novas experiências.

A conclusão é de um novo estudo da IWSR, divulgado no final de janeiro, que aponta para um reforço estrutural destas categorias no mercado internacional de bebidas.

Bebidas sem álcool crescem 9% em volume em 2025

De acordo com o relatório, as categorias de cerveja, vinho, bebidas espirituosas e ready-to-drinks (RTD) sem álcool registaram um crescimento de 9% em volume durante o ano de 2025. A entidade prevê ainda uma expansão acumulada de 36% entre 2024 e 2029. 

Até ao final da década, o consumo global destas bebidas deverá atingir cerca de 18 mil milhões de porções, o equivalente a duas bebidas por pessoa, à escala mundial.

Este desempenho confirma a consolidação do segmento como uma alternativa credível às bebidas alcoólicas tradicionais, em linha com a crescente valorização de estilos de vida mais equilibrados.

Bebidas funcionais também ganham relevância

Paralelamente, o estudo destaca o crescimento das chamadas bebidas funcionais ou alcohol adjacent, que incluem bebidas com cânhamo não intoxicante, produtos com nootrópicos, adaptogénicos, fermentados, botânicos e chás gaseificados.

Em 2025, este segmento registou um aumento de 11% em volume. Apesar do crescimento, a IWSR sublinha que continua a representar uma categoria mais pequena quando comparada com as bebidas sem álcool.

Saúde, curiosidade e moderação impulsionam o consumo

A análise da IWSR mostra que os consumidores recorrem a estas categorias por motivações distintas. No caso das bebidas sem álcool, a principal razão é a saúde, referida por 37% dos consumidores de cerveja sem álcool e por 40% dos consumidores de vinho e espirituosos sem álcool.

Já nas bebidas funcionais, apenas 26% aponta motivos relacionados com a saúde. Cerca de 17% refere a procura por efeitos semelhantes ao álcool através de ingredientes funcionais, enquanto 20% admite consumir por curiosidade.

Estes dados evidenciam que os dois segmentos respondem a necessidades diferentes, reforçando a sua complementaridade no mercado.

 “Consumidores querem participar sem se sentirem excluídos”

Segundo Susie Goldspink, responsável pela área de bebidas sem e baixo teor alcoólico na IWSR, os produtos sem álcool permitem aos consumidores moderar o consumo sem abdicar da experiência social. “Ao imitarem o sabor e a aparência das bebidas alcoólicas, estas alternativas permitem que os consumidores participem plenamente nas ocasiões sociais, sem se sentirem excluídos”, sublinha a responsável.

A especialista acrescenta ainda que as bebidas funcionais estão a ser utilizadas sobretudo pelos seus benefícios específicos e não como instrumentos de moderação.

O estudo baseia-se num inquérito online realizado em agosto de 2025, junto de 7.973 consumidores em países como Austrália, Brasil, Canadá, França, Alemanha, Japão, África do Sul, Espanha, Estados Unidos e Reino Unido. Do total de inquiridos, 4.181 eram compradores regulares de bebidas sem ou com baixo teor alcoólico, garantindo uma amostra representativa do comportamento do consumidor.

Um novo paradigma no mercado das bebidas

A IWSR conclui que o mercado terá de se adaptar a estas novas tendências, apostando em inovação, diversificação e comunicação orientada para o bem-estar. Apesar de ambas as categorias apresentarem elevado potencial de crescimento, o estudo indica que deverão evoluir como segmentos distintos, e não como concorrentes diretos, abrindo oportunidades para fabricantes, marcas e retalhistas.

Fonte: Grande Consumo

A Comissão Europeia solicitou à European Food Safety Authority (EFSA) que realizasse um levantamento em toda a União Europeia (UE), antes e depois de alguns países atualizarem as suas recomendações sobre a frequência com que se deve consumir peixes e frutos do mar que possam conter traços de mercúrio.

Exemplos dessas espécies são grandes peixes predadores, como tubarões, peixes-espada e atuns (patudos e atuns-azuis), uma vez que se alimentam de peixes menores, fazendo com que o mercúrio se acumule neles ao longo das suas vidas.

O pedido da Comissão estava relacionado com discussões com os Estados-Membros da UE sobre os limites regulamentares (denominados Níveis Máximos ou LMs) para o mercúrio em diferentes espécies de peixes e frutos do mar, e com qualquer atualização futura da AVALIAÇÃO DE RISCO da EFSA — uma área especializada da ciência aplicada que envolve a revisão de dados e estudos científicos para avaliar os riscos associados a determinados perigos. Envolve quatro etapas: identificação do perigo, caracterização do perigo, avaliação da exposição e caracterização do risco do mercúrio nos alimentos.

Um estudo realizado em toda a UE

Um primeiro levantamento foi realizado em todos os 27 Estados-Membros da UE, na Islândia e na Noruega, entre abril e maio de 2023. Um segundo levantamento foi realizado em 10 países que atualizaram suas recomendações, além de outros cinco países que não o fizeram, para permitir uma comparação.

As pesquisas incluíram uma maior proporção de mulheres grávidas (e lactantes) entre as respondentes porque o feto é o grupo mais vulnerável à exposição ao mercúrio, mas também adquire nutrientes importantes de peixes e frutos do mar presentes na dieta da mãe.

Frequência de consumo de peixe e frutos do mar

Sofia Ioannidou, especialista em consumo alimentar da EFSA e coordenadora da pesquisa, afirmou: “60% dos entrevistados nos 29 países disseram consumir peixe e frutos do mar. Cerca de um terço desses consumidores – 34% dos adolescentes e adultos e 33% das gestantes – disseram consumir espécies de peixe com os níveis máximos mais elevados de contaminação por mercúrio três ou mais vezes por semana.

“Embora essas descobertas sejam importantes, explicamos no relatório que elas devem ser tratadas com cautela devido às incertezas sobre a representatividade das pesquisas.”

Qual a quantidade ideal de peixe/frutos do mar que as pessoas devem consumir?

A maioria das autoridades nacionais da UE recomenda 1 a 2 porções por semana de espécies de peixe e frutos do mar com limites mais elevados de mercúrio (1,0 mg/kg de peso húmido do peixe) ou 3 a 4 porções de espécies com limites mais baixos de mercúrio (0,5 mg/kg ou 0,3 mg/kg de peixe). Recomenda-se frequentemente às mulheres grávidas que substituam a ingestão de peixes grandes por peixes menores com menor teor de mercúrio.

As recomendações científicas anteriores da EFSA fundamentaram as diretrizes dietéticas nacionais que visam garantir que os consumidores, em particular as mulheres grávidas (e o feto em desenvolvimento), possam beneficiar do consumo de peixe e marisco, mantendo a exposição ao mercúrio o mais baixa possível.

Os benefícios para a saúde incluem o desenvolvimento das funções cognitivas e imunológicas em bebés e a redução do risco de doenças cardiovasculares em adultos. Por outro lado, a exposição ao metilmercúrio – a forma mais perigosa de mercúrio – está associada à redução do desenvolvimento cerebral e neural no feto e em crianças pequenas.

Conhecimento das recomendações dietéticas

Pela primeira vez na história da EFSA, a pesquisa utilizou métodos das ciências sociais para investigar o conhecimento do consumidor sobre as recomendações e os benefícios e riscos associados.

A cientista social Angela Bearth é membro do Comité Científico da EFSA e também faz parte do grupo de especialistas da EFSA em métodos e consultoria de pesquisa social, responsável pela pesquisa sobre consciencialização.

Ela disse: “Embora muitos consumidores tenham indicado na pesquisa que já tinham ouvido falar das recomendações nos seus países e que as levam em consideração em suas escolhas alimentares, outros fatores, como sabor, custo e desejo por uma dieta saudável, impulsionam mudanças nos hábitos alimentares de forma mais significativa.

“Este é um fenómeno comum: os participantes de uma pesquisa dizem uma coisa, mas seu comportamento indica que outros fatores precisam ser levados em consideração.”

Conhecimento dos benefícios versus riscos para a saúde

A pesquisa testou o conhecimento dos participantes sobre diversos benefícios e riscos à saúde associados ao consumo de peixes e frutos do mar, para estimar o grau de compreensão e retenção das recomendações dietéticas.
O Dr. Bearth afirmou: “No geral, mais consumidores (cerca de 5 em cada 10) conheciam os benefícios à saúde do que os riscos (cerca de 1 em cada 10), mas o mercúrio foi o contaminante mais amplamente reconhecido. A contaminação é definida como qualquer substância presente em alimentos que não foi adicionada intencionalmente. Os contaminantes podem surgir da embalagem, do processamento e transporte dos alimentos, das práticas agrícolas ou do uso de medicamentos veterinários. O termo não inclui a contaminação por insetos ou roedores nesses alimentos. Os resultados são consistentes com estudos anteriores que exploraram esse tema em países europeus.”

Apoio às autoridades nacionais

O relatório mostra diferenças importantes entre os países e entre a população adolescente/adulta e as mulheres grávidas, tanto em termos de consumo quanto de conhecimento das recomendações.

Essas informações, juntamente com algumas possíveis estratégias descritas no relatório, podem ser consideradas úteis para as autoridades nacionais de saúde pública em sua comunicação com os consumidores sobre esse tema.

Fonte: Agroportal

A perceção global sobre as culturas geneticamente editadas mudou significativamente desde 2018, com reguladores e indústria a adotarem posições mais favoráveis, ainda que persistam incertezas, sobretudo no comércio internacional.

 Há cerca de oito anos, o futuro das culturas agrícolas geneticamente editadas parecia comprometido, em grande parte devido a decisões judiciais hostis na União Europeia. Hoje, o cenário é diferente. Segundo Dan Jenkins, vice-presidente da empresa norte-americana Pairwise, especializada em edição genética de plantas, a tecnologia está a ganhar aceitação em várias regiões do mundo.

Num texto publicado na revista The Western Producer, o jornalista canadiano especializado em agricultura, Robert Arnason, afirma que Dan Jenkins destacou, num webinar promovido pelo Council for Agricultural Science and Technology, que os reguladores, os media e o público encaram agora a edição genética com maior abertura. A tecnologia permite alterar com precisão o código genético das plantas para introduzir características desejáveis, como maior valor nutricional ou resistência a doenças.

De acordo com Jenkins, a tendência política global aponta para regulamentações mais leves, focadas sobretudo em garantir a ausência de ADN estranho. Países como Canadá, Estados Unidos, Japão, Austrália, Índia, Reino Unido e grande parte da América do Sul optaram por enquadrar estas culturas de forma semelhante ao melhoramento convencional, desde que não envolvam material genético externo.

Arnason recorda que, em 2018, o Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que plantas obtidas por novas técnicas de edição genética deveriam seguir o mesmo processo rigoroso de aprovação que os organismos geneticamente modificados tradicionais — uma decisão que travou investimentos e gerou incerteza. Entretanto, a posição europeia evoluiu. Em Dezembro passado, responsáveis políticos da UE chegaram a acordo para classificar culturas desenvolvidas com “novas técnicas genómicas” em duas categorias: uma equiparada ao melhoramento convencional e outra sujeita a regras semelhantes às dos OGM, dependendo da complexidade da modificação.

Para empresas do setor, esta mudança representa um sinal positivo. Jenkins considera que a Europa está a “corrigir o rumo”, prevendo que novas regras possam estar plenamente em vigor até 2028.

No Canadá, a abordagem regulatória centra-se no produto final e não no processo, o que significa que culturas editadas geneticamente são tratadas como convencionais quando não contêm ADN externo. Isso abre portas a aplicações que vão desde a melhoria nutricional até à resistência a fungos.

Contudo, o comércio internacional continua a impor prudência. Mercados de grande dimensão, como Índia e China, ainda estão a avaliar o enquadramento destas tecnologias. Essa incerteza leva países exportadores de cereais, oleaginosas e leguminosas a avançarem com cautela.

Como sublinhou Greg Cherewyk, presidente da Pulse Canada, citado por Arnason, a indústria agrícola vê a edição genética com entusiasmo, mas reconhece que os principais mercados de exportação continuam em fase de análise — um fator decisivo para a adoção generalizada.

Fonte: CiB

As tendências do setor agroalimentar para 2026 confirmam a centralidade da proteína – sobretudo de origem vegetal – e da saúde digestiva, num contexto em que os consumidores procuram equilibrar bem-estar, indulgência, sustentabilidade e acessibilidade económica. A decisão de compra torna-se cada vez mais holística, combinando benefícios para o corpo e para a mente com responsabilidade ambiental e valor pelo dinheiro.

A evolução tecnológica, a inteligência artificial, o investimento na sustentabilidade e a inflação motivada por guerras, instabilidade geopolítica e por questões climáticas estão a mudar os padrões de consumo e a definir novos caminhos no setor agroalimentar. O preço dos produtos continua a ser uma preocupação para os consumidores, mas há outros fatores que assumem especial importância no momento da compra dos alimentos e bebidas. A aposta em produtos proteicos, sobretudo os de origem vegetal, assim como aqueles que trazem maior benefício para a saúde – particularmente intestinal e mental –, os que são mais amigos do ambiente e do planeta e os que proporcionam maior prazer estão agora no topo das preferências dos consumidores e marcam as tendências do setor agroalimentar para o ano 2026.

Estando cumprida a necessidade básica de se alimentar, os consumidores acrescentam camadas de critérios à seleção dos alimentos e bebidas que lhes permitam obter benefícios para o corpo e a mente, vivenciar experiências familiares e/ou inovadoras e que incluam conveniência e funcionalidade. Num mundo em constante mudança e cada vez mais global, os consumidores procuram também identidade e autenticidade dos produtos, numa evocação à tradição e às origens.

Estas são algumas das conclusões que a consultora internacional Innova Market Insights, a convite da PortugalFoods, entidade gestora do Portuguese Agrofood Cluster, apresentou no dia 10 de fevereiro, no seminário ‘Trends 2026’, que juntou na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no Porto, mais de 300 representantes da indústria agroalimentar e do sistema científico e tecnológico nacional.

Fonte: iAlimentar

O azeite Gold Edition, produzido em Vila Flor, tornou-se o primeiro azeite português a integrar o Passaporte Digital do Produto (DPP). Através de um QR Code presente na garrafa, os consumidores podem aceder a informação detalhada sobre todo o percurso do produto, desde o olival até ao embalamento, num projeto desenvolvido pelo Azeite a Norte em parceria com o Data CoLAB e a ACUSHLA.

Rastreabilidade total acessível ao consumidor

Com a introdução do Passaporte Digital do Produto, cada garrafa passa a dispor de uma identidade digital única. A informação disponibilizada permite confirmar a origem das matérias-primas, os processos de produção, as certificações e outros dados relevantes ao longo do ciclo de vida do produto.

O acesso é feito de forma simples, através de um QR Code, permitindo ao consumidor conhecer a história completa do azeite de forma transparente e verificável.

Projeto antecipa exigência europeia
 
O DPP integra o Regulamento de Ecodesign para Produtos Sustentáveis (ESPR) da União Europeia, que prevê a obrigatoriedade de sistemas de rastreabilidade digital para diversos setores. No caso do agroalimentar, a implementação deverá ocorrer de forma gradual a partir de 2026, tornando-se, a médio prazo, condição de acesso ao mercado europeu.

Ao avançar com este projeto, Trás-os-Montes posiciona-se como território pioneiro na aplicação do DPP ao setor do azeite.

Valorização do produto e do território

Segundo o Data CoLAB, a aplicação do Passaporte Digital do Produto em ambiente real demonstrou potencial para reforçar a confiança do consumidor, combater fraudes e contribuir para a valorização económica do território.

Para o Azeite a Norte, a adesão ao projeto representa também uma afirmação da identidade regional, baseada na autenticidade, na produção certificada e na ligação ao território.

Fonte: iAlimentar

Portugal prepara-se para um crescimento económico estável em 2026 e 2027, mas um novo estudo da OCDE alerta para reformas estruturais que podem fortalecer a prosperidade a longo prazo, com impacto direto no sector agrícola e nas zonas rurais.

 
De acordo com o relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), o Produto Interno Bruto (PIB) português deverá crescer acima da média da zona euro, impulsionado pela forte procura interna e pelo equilíbrio das contas públicas. Esta situação cria espaço para investimento, essencial para apoiar a agricultura, que é uma fonte significativa de emprego nas áreas rurais e desempenha um papel relevante nas exportações.

O estudo recomenda, entre outras medidas, o desenvolvimento de competências e a melhoria do emprego, especialmente face à redução da população ativa. No sector agrícola, muitas regiões enfrentam dificuldades em atrair jovens qualificados. Investir em formação profissional, reconversão e orientação de carreira poderá acelerar a adoção de tecnologias modernas, como a agricultura de precisão e práticas sustentáveis de gestão do solo, criando oportunidades de inovação.

A OCDE sublinha ainda a importância da política habitacional, apontando que a falta de habitação acessível limita a mobilidade da mão-de-obra, especialmente trabalhadores sazonais e jovens. Reformas nesta área podem reforçar o mercado laboral rural e apoiar o crescimento agrícola.

No domínio da sustentabilidade, o relatório aconselha Portugal a intensificar a redução de emissões de gases com efeito de estufa e a adaptar-se às alterações climáticas. Para a agricultura, isto representa desafios, como a implementação de práticas de baixa emissão, mas também oportunidades, por exemplo em iniciativas de captura de carbono, tornando a produção agrícola mais competitiva. Investimento público em transporte e energia renovável pode ainda melhorar a logística e o acesso a soluções energéticas sustentáveis para o setor.

O relatório da OCDE destaca quatro eixos principais para apoiar a agricultura:

  • Desenvolvimento de competências para a força de trabalho rural;
  • Investimento público em infraestruturas e tecnologia agrícola;
  • Reformas habitacionais que tornem o trabalho em zonas rurais mais atrativo;
  • Estratégias climáticas que promovam uma agricultura sustentável.

Para o LAN (Netherlands Agricultural Network) em Portugal, o foco na agricultura climaticamente inteligente reforça estes objetivos, promovendo a partilha de conhecimentos, cadeias alimentares sustentáveis e a resiliência do setor agrícola, com benefícios económicos e ambientais a longo prazo.

Mais informação aqui.

Fonte: CiB

Apesar de desempenharem um papel essencial na saúde pública, na sustentabilidade dos sistemas alimentares e na segurança alimentar, Portugal produz apenas 15% das leguminosas que consome, de acordo com o INE, dependendo em 85% de importações.

Para assinalar o Dia Mundial das Leguminosas, a 10 de fevereiro, e reforçar a sua importância, a ProVeg Portugal emitiu um comunicado a chamar a atenção para o seu papel na saúde e segurança alimentar e incentivar a produção nacional.

A organização sublinha que promover as leguminosas é uma estratégia-chave para melhorar a saúde pública, reduzir o impacto ambiental do sistema alimentar e reforçar a soberania e segurança alimentar do país, apelando a políticas públicas e escolhas alimentares que valorizem este grupo alimentar essencial.

“As leguminosas são um alimento bastante nutritivo, que alia a sua riqueza proteica ao excelente teor em fibra. São também fontes importantes de vitaminas e minerais, como vitaminas do complexo B, cálcio, ferro, fósforo, magnésio e potássio”, explica Adriana Sousa, nutricionista da ProVeg Portugal. “O seu consumo regular contribui para a manutenção da saúde e para a prevenção de várias doenças crónicas, como a diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro.”

A Roda da Alimentação Mediterrânica recomenda o consumo diário de uma a duas porções de leguminosas (cerca de 80g cozinhadas por porção). Apesar da diversidade de leguminosas produzidas em Portugal, o feijão e o grão-de-bico continuam a dominar a alimentação nacional. Preservar este legado gastronómico, aliando tradição, benefícios nutricionais e impacto ambiental positivo, é fundamental. Além disso, as leguminosas são uma fonte proteica acessível e económica para as famílias portuguesas.

Depois, há também o seu papel nos ecossistemas agrícolas. “Num cenário em que mais de 30% dos solos a nível mundial sofrem degradação, erosão, perda de nutrientes e poluição2, e em que a população global deverá atingir 9,7 mil milhões de pessoas até 20503, a adoção de sistemas alimentares mais resilientes é urgente”, afirma Joana Oliveira, Diretora da ProVeg Portugal.

As culturas leguminosas contribuem para a melhoria da fertilidade do solo através da fixação de azoto atmosférico, reduzindo a necessidade de fertilizantes sintéticos, diminuindo as emissões de gases com efeito de estufa e aumentando a retenção de água e a matéria orgânica do solo, o que se traduz numa poupança económica para os agricultores, com menos custos em fertilizantes e maior rendimento agrícola.

Em 2025, foi criado o Grupo Colaborativo da Estratégia Nacional pela Proteína Vegetal, que reúne atualmente mais de 64 entidades. O grupo, que surgiu de uma iniciativa da ProVeg Portugal, une pela primeira vez a nível nacional, vários intervenientes da cadeia de valor das leguminosas, principalmente produtores e empresas, mas também outras ONG e a academia. Do trabalho conjunto deste grupo surgiu uma proposta dirigida ao Governo para a criação de uma estratégia nacional que promova a produção e o consumo de proteína vegetal, com especial enfoque nas leguminosas, alinhada com o Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030).           

A proposta inclui nove medidas estruturais, definidas através de um processo de co-criação e consenso, como a redução do IVA das leguminosas (discutido e rejeitado em Assembleia) e o reforço do apoio técnico aos agricultores. Todas as organizações com atividade em Portugal podem consultar a proposta e juntar-se à iniciativa através do formulário de adesão disponível online.

Fonte: TecnoAlimentar