O Ecobites pretende apoiar todos os retalhistas que aceitem o desafio a integrar práticas que contribuam para um sistema alimentar mais equilibrado para as pessoas e para o planeta, através da aplicação de uma metodologia própria.
“Num país onde os padrões alimentares ainda apresentam um forte peso de produtos de origem animal, o retalho desempenha um papel determinante na mudança. Nos supermercados, a disponibilidade, acessibilidade, preço e comunicação influenciam diretamente as escolhas dos consumidores. O EcoBites representa um avanço fundamental no alinhamento do retalho português com tendências internacionais e com as necessidades emergentes da saúde pública e da ação climática”, afirma, em comunicado, Tiago Luís, Técnico de Alimentação da World Wide Fund for Nature (WWF) Portugal.
Este projeto tem como base a Metodologia dos Retalhistas da WWF, uma ferramenta internacional que ajuda empresas a medir, monitorizar e reequilibrar as vendas de produtos de origem animal e vegetal. O objetivo é permitir que os retalhistas avaliem o equilíbrio das suas categorias de produtos, recolham dados consistentes e comparáveis, adotem estratégias que promovam alimentos de origem vegetal e contribuam, assim, para dietas mais saudáveis e de menor impacto ambiental.
Neste sentido, e para lançar este projeto, a WWF promove hoje o primeiro de três workshops técnicos para capacitar e envolver as empresas retalhistas. Estas sessões têm como objetivo sensibilizar para a transição proteica, demonstrar o potencial da metodologia da WWF no contexto português e capacitar as empresas para a recolha e análise de dados.
“O setor do retalho alimentar tem um papel determinante na forma como Portugal se alimenta - na saúde pública, nas escolhas dos consumidores e no impacto ambiental. Embora alguns retalhistas já explorem compromissos de sustentabilidade, poucos adotaram metodologias estruturadas para alinhar a sua oferta com objetivos de saúde e sustentabilidade. Com o EcoBites, queremos apoiar esta liderança e acelerar a transição para dietas que sejam benéficas para as pessoas e para o planeta”, afirma Brent Loken, Global Food Lead Scientist da WWF.
Fonte: TecnoAlimentar
A regulamentação da "carne" cultivada em 2026 encontra-se num momento de transição global, marcado por avanços cautelosos, debates públicos intensos e uma crescente necessidade de harmonização entre ciência, indústria e políticas alimentares. Embora a tecnologia tenha amadurecido significativamente na última década, os países seguem ritmos distintos na criação de normas que permitam a produção e comercialização deste tipo de alimento, refletindo diferentes prioridades económicas, culturais e de segurança alimentar.
Na União Europeia, o enquadramento jurídico permanece ancorado no regulamento de “Novel Foods”, que exige avaliações rigorosas de segurança antes de qualquer autorização de mercado. O processo é tecnicamente exigente e envolve análises detalhadas sobre composição, métodos de produção e potenciais impactos no consumidor. Em 2026, observa‑se um interesse crescente por parte de legisladores e entidades científicas, mas a UE mantém a postura tradicionalmente prudente, avançando de forma lenta e metódica. A expectativa é que os primeiros pedidos formais de aprovação avancem, embora ainda não exista consenso sobre prazos concretos.
O Reino Unido, por sua vez, vive um debate público mais visível. Após o Brexit, o país ganhou autonomia regulatória e tem procurado definir a sua própria abordagem à "carne" cultivada. Em 2026, relatórios e consultas públicas destacam a necessidade de salvaguardas adicionais, sobretudo no que diz respeito à transparência dos processos, à rotulagem e ao impacto socioeconómico sobre agricultores e cadeias produtivas tradicionais. O governo britânico demonstra abertura ao tema, mas ainda não avançou para autorizações comerciais, preferindo consolidar um quadro regulatório robusto antes de permitir a entrada destes produtos no mercado.
Nos Estados Unidos, o cenário é paradoxal. Apesar de terem sido pioneiros na aprovação inicial de "carne" cultivada para consumo, o setor enfrenta agora um ambiente regulatório mais exigente e um mercado menos entusiasmado do que nos anos anteriores. Em 2025 e 2026, várias startups encerraram atividades devido a custos elevados, dificuldades de escala e um ritmo regulatório mais lento do que o esperado. A Food and Drug Administration (FDA) e o Departamento de Agricultura (USDA) continuam a supervisionar o processo, mas a combinação de exigências técnicas e desafios económicos tem travado a expansão comercial.
Globalmente, 2026 marca uma fase de realismo no setor. O entusiasmo inicial deu lugar a uma etapa de consolidação, em que investidores se mostram mais seletivos e governos procuram equilibrar inovação com segurança e impacto social. Países asiáticos, como Singapura — pioneira na aprovação comercial — continuam a liderar em termos de implementação prática, embora também enfrentem desafios de custo e aceitação do consumidor. Outros mercados observam atentamente, aguardando evidências mais sólidas de viabilidade económica e benefícios ambientais antes de avançar com regulamentações definitivas.
Assim, o panorama regulatório da "carne" cultivada em 2026 é heterogéneo, marcado por avanços pontuais, prudência institucional e um setor que, embora promissor, ainda procura provar a sua capacidade de competir em escala com a produção convencional. O futuro dependerá da evolução tecnológica, da redução de custos e da capacidade dos governos de criar normas claras que inspirem confiança tanto na indústria quanto nos consumidores.
Fonte: Qualfood
Ainda não são os dados definitivos, mas as previsões do CEPAAL (Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo) para a campanha 2025/2026 apontam para um decréscimo de aproximadamente 20% na produção de azeite a nível nacional.
Uma consequência das condições climatéricas atípicas ao longo do ano e que “tiveram um efeito mais forte do que o esperado”, como refere o presidente do CEPAAL. “A campanha 2025/2026 tem-nos proporcionado sensações agridoces”, lamentou Manuel Norte Santo, acrescentando que o calor intenso e a total ausência de precipitação nalguns meses do ano foram determinantes na quebra de produção.
A boa notícia está na qualidade do fruto resultante desta campanha. “Vivemos uma colheita caracterizada pela qualidade muita elevada. O fruto ao longo da sua formação revelou excelentes condições sanitárias mantendo-se muito íntegro e saudável, sendo que não foram identificados episódios relevantes de mosca, gafa e/ou geadas pelos nossos produtores, levando a uma grande percentagem de produção de azeites virgens extra”, revela o responsável.
E apesar do calor que se fez sentir no início da campanha apontar para um ano difícil no que diz respeito aos azeites muito frutados, os produtores acabaram por confirmar “as excelentes características organoléticas dos seus azeites”, sublinha Manuel Norte Santo.
Desafios e oportunidades
“A instabilidade política em várias regiões do mundo e os episódios de conflitos, têm implicações diretas nas cadeias de abastecimento e no comércio internacional. Seja a nível de interrupções e restrições nas cadeias de transporte, seja pelo aumento que provoca nos custos de produção, passando pela volatilidade e pelas flutuações cambiais, todas estas questões são catalisadoras da resistência ao comércio internacional”, explica.
Mas a instabilidade nalgumas geografias pode significar a entrada noutras e oportunidades em novos mercados. “Depende da nossa capacidade de adaptação e resiliência para explorarmos novos mercados, para definirmos diferentes estratégias de aproximação a novos e diferentes consumidores”, afirma, lembrando que a gastronomia e o azeite portugueses têm um “reconhecimento crescente” em mercados não tradicionais e emergentes. “Devemos definir uma estratégia conjunta e comum enquanto país para crescermos nestas regiões”, define Manuel Norte Santo, que aponta o acordo UE-Mercosul como uma oportunidade “num futuro próximo no panorama internacional”, já que o Brasil é o primeiro destino de azeite embalado das exportações nacionais. “Um alívio fiscal será certamente benéfico para os produtores portugueses”, sublinha.
Uma marca única para o azeite português
É o que defende Manuel Norte Santo: uma marca única para agregar e potenciar a visibilidade do azeite português, de uma forma mais estruturada, nos mercados internacionais.
“Estruturar e definir uma estratégia internacional comum para o azeite português, devia ser uma prioridade para os diversos players do nosso setor. A ideia central é deixar de comunicar o azeite português como um conjunto disperso de marcas individuais e passar a ter uma marca mãe agregadora, reconhecível e emocionalmente poderosa nos mercados externos. Outros países produtores, como Itália e Espanha, são exemplos do sucesso que esta estratégia unificadora poderá alcançar”, explica.
O presidente do CEPAAL recorda que o azeite ‘Made in Portugal’ tem registado um crescimento muito significativo, que o país está “na linha da frente da aplicação de tecnologia, quer no campo quer na extração, adotando as práticas mais eficientes e modernas disponíveis” e que em Portugal estão alguns dos lagares mais avançados e capacitados do mundo.
Mas, no seu entender, falta ao setor uma estratégia concertada e eficaz de promoção internacional do azeite português e uma comunicação capaz de valorizar e diferenciar esta transformação do setor. “Creio que temos falhado em converter a inovação e o investimento realizado em vantagem comercial. Por isso, defendo a necessidade de maior concertação e agregação entre os agentes do setor, para comunicarmos melhor, ganharmos escala e reforçarmos o posicionamento do azeite português nos mercados internacionais”, conclui.
Fonte: HiperSuper
Uma solução tecnológica portuguesa desenvolvida no âmbito da Agenda Mobilizadora ‘Embalagem do Futuro’ foi selecionada para o conjunto das dez inovações em destaque na Innovation Gallery 2026, espaço dedicado à inovação da Packaging Innovations & Empack 2026, que decorreu no Reino Unido.
O Sistema Inteligente e Sustentável de Transporte de Pescado com PetriTag consiste numa solução reutilizável e de lógica circular para o transporte de pescado refrigerado. Integra caixas isotérmicas produzidas a partir de materiais reciclados provenientes da indústria da pesca, um rótulo com deteção visual de contaminação bacteriana (PetriTag) e tecnologia de monitorização baseada em IoT, permitindo reforçar o controlo das condições de transporte, a rastreabilidade e a segurança alimentar.
De acordo com comunicado do portal Recuperar Portugal – Plano de Recuperação e Resiliência, esta distinção constitui um marco relevante para a Agenda ‘Embalagem do Futuro’, integrada na Componente C05 – Capitalização e Inovação Empresarial do PRR, evidenciando o contributo do investimento público para o desenvolvimento de soluções inovadoras com projeção internacional.
O mesmo comunicado sublinha que o reconhecimento obtido valoriza a capacidade tecnológica nacional e demonstra a eficácia do PRR no apoio a projetos com potencial para competir ao mais alto nível europeu.
O objetivo passa pelo desenvolvimento de soluções avançadas para o setor das embalagens, com enfoque na sustentabilidade, na digitalização e na inclusão, contribuindo para a transformação estrutural da economia.
O projeto TomaBioTec quer aproximar ciência e produção agrícola ao validar, em condições reais, uma biosolução e ao criar tecnologias digitais capazes de acelerar a avaliação de novos bioprodutos.
O projeto TomaBioTec arrancou com um duplo objetivo: validar, em contexto real de campo, uma biosolução inovadora desenvolvida integralmente para o tomate de indústria e desenvolver tecnologias digitais que permitam acelerar e tornar mais precisa a validação de biosoluções agrícolas. A iniciativa cruza biotecnologia e Deep Tech, criando um ciclo integrado de inovação que visa reforçar a sustentabilidade e a eficiência da produção agrícola.
“Os bioprotetores e bioestimulantes são produtos de base biológica que promovem a saúde das culturas, sem os impactos ecológicos associados aos tradicionais produtos de síntese química. A validação em campo é essencial, mas morosa e sujeita a variabilidade. O TomaBioTec vai desenvolver soluções tecnológicas que permitam acelerar este processo e melhorar a quantificação dos efeitos das biosoluções”, explica Ilaria Marengo, investigadora responsável pelo projeto. Segundo a responsável, os resultados poderão alargar o leque de soluções disponíveis no mercado, contribuindo para uma produção mais rentável e sustentável.
Os ensaios decorrem no Alentejo e na Extremadura espanhola, combinando metodologias agronómicas tradicionais com tecnologias avançadas, como drones, sensores multiespectrais e modelos de inteligência artificial. Esta abordagem permitirá monitorizar de forma detalhada o estado fitossanitário das culturas, a presença de pragas e doenças e o impacto do bioproduto ao longo de todo o ciclo produtivo.
O TomaBioTec foi um dos vencedores da 7.ª edição do Programa Promove, na categoria de projetos-piloto inovadores.
Um novo estudo destacou a importância do tempo e da temperatura de armazenamento de amostras ambientais para preservar resíduos de alérgenos e garantir uma detecção precisa.
As instalações de produção de alimentos utilizam swabs ambientais para validar a eficácia dos protocolos de limpeza e garantir que as superfícies em contato com os alimentos estejam livres de alérgenos detectáveis que possam resultar em contaminação acidental dos produtos alimentícios. Quando os swabs são enviados a laboratórios terceirizados como parte dos testes de validação de limpeza, a recomendação atual é enviá-los refrigerados com entrega no mesmo dia. No entanto, atrasos podem resultar em variações de temperatura e tempos de armazenamento prolongados, com efeitos desconhecidos na recuperação de resíduos de alérgenos dos swabs.
A maior diminuição na recuperação foi observada entre os dias 0 e 1, enquanto recuperações maiores foram observadas quando as zaragatoas foram armazenados em temperaturas mais baixas. Especificamente, quando armazenados a −20 °C e 4 °C, os kit ELISA apresentaram recuperações maiores em comparação com as zaragatoas amazenados à temperatura ambiente e a 37 °C durante todo o período de 14 dias. Com base nesses resultados, os investigadores recomendam o transporte e o armazenamento de zaragatoas para coleta de alérgenos a 4 °C ou −20 °C até a análise .
Os investigadores destacam a necessidade de mais estudos para avaliar os efeitos do tempo e da temperatura de armazenamento na recuperação, utilizando outros tipos de alergéneos e diferentes métodos de teste.
O estudo foi conduzido por investigadores do Programa de Pesquisa e Recursos sobre Alergia Alimentar da Universidade de Nebraska-Lincoln e publicado no Journal of Food Protection.
Fonte: Food Safety
As tendências do setor agroalimentar para 2026 evidenciam a duradoura e crescente relevância das proteínas, em particular as de origem vegetal, e da saúde digestiva, num contexto em que os consumidores valorizam cada vez mais uma oferta que combine benefícios para a saúde, a indulgência, a sustentabilidade ambiental e a acessibilidade económica. Estas tendências refletem uma abordagem holística do consumo, em que estes fatores se articulam para responder às expectativas de um mercado global cada vez mais exigente e informado.
A evolução tecnológica, a inteligência artificial, o investimento na sustentabilidade e a inflação motivada por guerras, instabilidade geopolítica e por questões climáticas estão a mudar os padrões de consumo e a definir novos caminhos no setor agroalimentar. O preço dos produtos continua a ser uma preocupação para os consumidores, mas há outros fatores que assumem especial importância no momento da compra dos alimentos e bebidas. A aposta em produtos proteicos, sobretudo os de origem vegetal, assim como aqueles que trazem maior benefício para a saúde – particularmente intestinal e mental, os que são “mais amigos do ambiente e do planeta” e os que trazem maior prazer estão agora no topo das preferências dos consumidores e marcam as tendências do setor agroalimentar para o ano 2026. Estando cumprida a necessidade básica de “se alimentar”, os consumidores acrescentam camadas de critérios à seleção dos alimentos e bebidas que lhes permitam obter benefícios para o corpo e a mente, vivenciar experiências familiares e/ou inovadoras e que incluam conveniência e funcionalidade. Num mundo em constante mudança e cada vez mais global, os consumidores procuram também identidade e autenticidade dos produtos, numa evocação à tradição e às origens.
Estas são algumas das conclusões que a consultora internacional Innova Market Insights, a convite da PortugalFoods, entidade gestora do Portuguese Agrofood Cluster, apresentou hoje, no seminário “Trends 2026”, que juntou na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no Porto, mais de 300 representantes da indústria agroalimentar e do sistema científico e tecnológico nacional.
“As tendências do setor agroalimentar para 2026 confirmam uma evolução clara nas preferências dos consumidores, que procuram cada vez mais produtos que combinem saúde, sustentabilidade e prazer,
sem comprometer o valor económico. Esta conjugação de fatores desafia o setor a inovar de forma responsável e colaborativa, reforçando o papel estratégico das cadeias agroalimentares nacionais e internacionais na promoção de sistemas alimentares mais saudáveis, resilientes e inclusivos”, refere Deolinda Silva, Diretora Executiva da PortugalFoods. “É interessante constatar que a saúde, o prazer, a sustentabilidade ambiental e a acessibilidade económica deixam de ser valores isolados para se tornarem pilares integrados de decisão, orientando o desenvolvimento de produtos e modelos de negócio mais alinhados com os desafios sociais e ambientais que enfrentamos”, acrescenta.
“O estudo Trends 2026 evidencia uma convergência clara entre inovação científica, expectativas do consumidor e responsabilidade sistémica. Observamos que áreas como as proteínas alternativas, a saúde digestiva e alimentos funcionais deixam de ser nichos para se tornarem motores centrais de crescimento, enquanto fatores como prazer, sustentabilidade e preço passam a ser avaliados de forma integrada nas decisões de compra a nível global”, refere Enric Tardio, da Innova Market Insights, consultora que anualmente monitoriza o comportamento do consumidor e o lançamento de novos produtos a nível global, desenvolvendo uma análise aprofundada às principais tendências de consumo e apontando as oportunidades de inovação para a indústria e para as marcas alimentares.
Num contexto em que os consumidores pretendem cuidar de si e do planeta, a indústria deve, no seu portefólio de produtos e na sua comunicação, considerar as 10 grandes tendências reveladas pelo estudo Trends 2026 e que vão impactar o setor agroalimentar este ano e a médio prazo:
1. Powerhouse protein: A proteína continua a ser uma poderosa aliada do bem-estar. Os consumidores procuram-na para obter saúde geral em diversos formatos e ocasiões. Três em cada cinco consumidores inquiridos inclui ativamente mais proteína na sua dieta e mais de 32% (vs 2025) dos consumidores estão atentos ao lançamento de novos alimentos e bebidas que demonstrem que a proteína presente traz benefícios para a sua saúde. O leque de “benefícios para a saúde” inclui suporte capilar, saúde oral, controlo do peso, antienvelhecimento/envelhecimento saudável, saúde digestiva/intestinal, cardiovascular, óssea, imunitária, cerebral, ocular, articular e da pele, assim como energia/alerta. Face a 2025, verifica-se um crescimento de 29% no lançamento de novos produtos alimentares e bebidas que trazem alegações relacionadas com proteína e controlo de peso. A indústria alimentar está a apostar fortemente em novos produtos que prometem benefícios para a saúde, com um foco crescente em proteínas e controlo de peso.
2. Gut Health Hub: Os consumidores veem cada vez mais a saúde digestiva como a porta de entrada para o bem-estar holístico, o que impulsiona a procura de benefícios para o corpo e para a mente. 59% dos inquiridos considera que a saúde digestiva é muito importante e 44% afirma que quando melhorou a saúde digestiva notou benefícios em áreas como energia, pele ou imunidade. Face a 2025, verifica-se um crescimento de 42% no lançamento de novos produtos alimentares e bebidas com argumentações relacionadas com a saúde intestinal/digestiva.
3. Layers of delight: A indulgência está a transformar-se numa experiência multidimensional, elevando o momento e o mood ao combinar a riqueza sensorial com bem-estar. Os consumidores inquiridos afirmam que ‘os momentos reconfortantes’, a ‘melhoria do mood, ‘a experiência sensorial rica’ e o ‘prazer mais saudável’ constituem os quatro pilares da indulgência que procuram nos alimentos e bebidas. 60% dos inquiridos afirma que gosta de explorar coisas novas quando “se dá ao luxo de ser indulgente”. O ‘conforto’ é o que faz disparar o número de novos lançamentos com este argumento: são 107%. Quase metade dos novos lançamentos (46%) prometem ‘uma nova experiência’. Verifica-se um aumento de 26% no lançamento de novos produtos alimentares que prometem momentos de prazer.
4. Beverages with purpose: As bebidas são as mais inovadoras em matéria de bem-estar, apresentando produtos pensados para a hidratação, praticidade e funcionalidade. 51% dos consumidores inquiridos afirma que aumentou o consumo de bebidas porque são saudáveis. ‘Açúcar reduzido’ e ‘feito com ingredientes naturais’ são os argumentos presentes em 23% das bebidas analisadas; 13% evidencia o ‘alto teor/fonte de proteína’ e 12% a presença de ingredientes como cálcio, ferro ou pro/prébiótico. Verifica-se um crescimento de 51% no lançamento de novos refrigerantes e bebidas energéticas com argumentos prébióticos. A categoria de bebidas inclui água engarrafada; refrigerantes; bebidas energéticas; bebidas quentes; café; chá quente; café gelado; chá gelado; sumos, bebidas à base de sumo e smoothies; leite e bebidas lácteas aromatizadas e bebidas vegetais.
5. Authentic plant-based: O conceito de ‘produtos de base vegetal está a passar da imitação para a nutrição, com os consumidores a adotarem alimentos naturalmente com proteína vegetal devido aos seus benefícios funcionais. 55% dos consumidores considera que os produtos de base vegetal devem afirmar-se como produtos alimentares, com identidade e benefícios próprios, em vez de existirem apenas como versões substitutivas de produtos convencionais. As fibras são também um argumento de venda importante relacionado com a saúde nos produtos de base vegetal, tendo sido evidenciado na opinião de 16% dos inquiridos.
6. Made for moments: A inovação para ocasiões de consumo em casa tem evoluído e está a ganhar forma através de snacks, refeições frescas e ofertas de produto em monodose. Dos inquiridos que vivem sozinhos (18% dos inquiridos), 64% deles fazem as principais refeições (pequeno-almoço, almoço e jantar) sozinhos.
7. Worth every bite: Com o aumento da pressão económica, a acessibilidade e a disponibilidade de produtos a preços acessíveis está a tornar-se um fator-chave para a fidelização e escolha do cliente. Neste sentido, os produtos de marca própria continuam a ser uma solução eficaz, com 27% dos inquiridos a afirmarem que aumentaram o consumo destes produtos. Destes, 49% afirmam que estes produtos têm uma boa relação ‘custo-benefício’ e 41% afirma que estas marcas têm ‘produtos de boa qualidade’. O estudo Trends 2026 revela também que há um crescimento de 7% no lançamento de novos produtos (alimentos e bebidas) de marca própria.
8. Mind balance: O bem-estar mental e emocional é uma prioridade crescente, à medida que os consumidores recorrem a alimentos e bebidas mais naturais em busca de energia, alívio do stress e saúde mental: três em cada cinco consumidores inquiridos – Geração Z e Millennials – afirma que está preocupado com a sua saúde mental, e que dá especial atenção ao stress, ansiedade, foco, níveis de energia e memória. Embora os botânicos continuem a ser uma opção popular para os consumidores que procuram apoio à saúde mental/emocional, o aparecimento dos adaptogénicos está a introduzir uma nova onda de produtos, registando-se um crescimento de 18% no lançamento de novos produtos.
9. Crafting tradition: Em tempos de incerteza, a herança gastronómica influencia as escolhas dos consumidores quando oferece conforto, identidade e autenticidade. 23% dos inquiridos afirmam que continuam a utilizar receitas tradicionais; 17% afirma explorar outras culturas através da comida. E quando aliamos alimentos a tradição, memórias e sentimentos, mais de um terço dos inquiridos afirma que lhe traz felicidade, conforto e conexão com a família.
10. Justified choices: A sustentabilidade continua a ser um fator decisivo, que vence quando parece tangível, transparente e verdadeira, com dois em cada cinco consumidores a afirmarem que a sustentabilidade é importante aquando da compra de alimentos e bebidas. Os consumidores inquiridos revelam estar disponíveis para pagar preços mais por produtos sustentáveis sempre que as marcas demostrem, por exemplo, apoio aos produtores ou às comunidades locais, proteção ambiental, ou embalagem sustentável.
Fonte: Agroportal
Nas últimas décadas, os suplementos alimentares tornaram-se protagonistas de um mercado global em rápida expansão. O que explica esta ascensão? A resposta parece estar numa combinação de fatores, tais como, a crescente consciência dos consumidores relativamente à saúde e bem-estar, o envelhecimento populacional e a procura por soluções para otimizar o desempenho físico. Esta tendência de crescimento reflete-se nos números.
O mercado global de suplementos alimentares foi estimado em 192,65 mil milhões de dólares em 2024 e estima-se que deverá atingir 414,52 mil milhões de dólares até 2033, correspondendo a uma taxa de crescimento anual composta de 8,9 % entre 2025 e 2033. No mesmo sentido, as projeções realizadas para o mercado europeu apontam para um crescimento médio anual de 8,3 % no mesmo período, evidenciando uma clara tendência de consumo de suplementos alimentares.
Mas quem consome suplementos e porquê? Um estudo de 2023, que incluiu dados de 53 países europeus, revelou que a Finlândia e a Dinamarca lideram o consumo, com mais de metade da população adulta a relatar utilização regular de suplementos alimentares. Em contraste, a Itália apresentou a prevalência mais baixa, com apenas 5 %. Em Portugal, segundo o Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF) (2015-2016), cerca de 26,6 % da população utiliza suplementos alimentares, sendo o consumo mais frequente entre mulheres (31,5 %) do que entre os homens (21,5 %).
Um estudo recente, publicado em 2025, trouxe novas perspetivas sobre os fatores que influenciam o consumo de suplementos alimentares entre os adultos portugueses. Contrariando a ideia de que estes produtos seriam mais procurados por pessoas com carências nutricionais, os resultados mostraram exatamente o oposto: o consumo é mais elevado entre indivíduos com estilos de vida saudáveis, maior prática de atividade física e melhor qualidade alimentar [6]. Estes dados reforçam a importância de uma orientação adequada por parte dos profissionais de saúde, garantindo que o consumo de suplementos alimentares se baseia em necessidades reais da população.
Suplementação alimentar: quando é realmente necessária?
O uso de suplementos alimentares é particularmente relevante em grupos populacionais com necessidades nutricionais específicas, quando uma alimentação equilibrada é insuficiente para garantir o aporte nutricional adequado. Durante a preconceção, gravidez e lactação, por exemplo, é recomendada a suplementação com ácido fólico (400 μg/dia), iodo (150 a 200 μg/dia) e ferro (30 a 60 mg/dia), com o objetivo de prevenir defeitos do tubo neural, assegurar o desenvolvimento fetal adequado e reduzir o risco de anemia materna e baixo peso à nascença, respetivamente. De igual modo, em dietas vegetarianas e veganas recomenda-se a suplementação com vitamina B12 (5 a 10 μg/dia), uma vez que esta vitamina está ausente de forma natural nos alimentos de origem vegetal.
Fonte: TecnoAlimentar
O Dia da Panqueca volta a conquistar cozinhas e redes sociais, com milhares de pessoas a celebrar a data através de receitas criativas, desafios gastronómicos e partilhas que vão desde a panqueca clássica às versões mais ousadas.
Ao longo do dia, cafés e pastelarias de várias cidades registaram maior afluência, muitos deles com menus especiais dedicados ao tema. Em casa, famílias e amigos aproveitaram a ocasião para transformar o pequeno‑almoço — ou até o jantar — num momento de convívio saboroso.
Entre as tendências que marcaram a edição deste ano destacam‑se:
Nas redes sociais, a hashtag #DiaDaPanqueca atinge milhares de publicações, com vídeos de receitas rápidas, competições de “panqueca mais alta” e até tentativas falhadas que arrancaram gargalhadas dos seguidores.
Apesar do tom descontraído, chefs e nutricionistas aproveitaram a data para lembrar que a panqueca pode ser tão indulgente ou equilibrada quanto os ingredientes escolhidos. “É um prato versátil, que permite brincar com sabores e texturas”, comenta um chef portuense num dos eventos locais.
Com tanta adesão, o Dia da Panqueca confirma-se como uma tradição moderna que une gerações e inspira criatividade à mesa — e já há quem esteja a planear novas combinações para o próximo ano.
Fonte: Qualfood
A Organização Mundial da Saúde (OMS) está a intensificar a pressão sobre os governos para reforçarem a tributação sobre bebidas açucaradas e alcoólicas, alertando para a fragilidade dos atuais sistemas fiscais aplicados a estes produtos em grande parte do mundo.
De acordo com a organização, os preços relativamente baixos destas bebidas continuam a estimular o consumo excessivo, contribuindo para o aumento das doenças não transmissíveis, como a diabetes, a obesidade, as doenças cardiovasculares e os problemas hepáticos, ao mesmo tempo que agravam a pressão sobre os sistemas nacionais de saúde.
A OMS sublinha ainda a crescente discrepância entre os elevados lucros gerados pelas indústrias das bebidas açucaradas e alcoólicas e a reduzida percentagem dessas receitas que é reinvestida em políticas públicas de saúde.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, defende que a fiscalidade desempenha um papel central na prevenção de doenças. “Os impostos da saúde são uma das ferramentas mais fortes que temos para promover a saúde e prevenir a doença. Ao aumentar os impostos sobre produtos como tabaco, bebidas açucaradas e álcool, os governos podem reduzir o consumo nocivo e desbloquear fundos para serviços de saúde essenciais”, afirma.
Segundo a organização, este tipo de tributação tem um duplo impacto: por um lado, desencoraja o consumo excessivo; por outro, gera receitas que podem ser canalizadas para programas de prevenção, tratamento e promoção da saúde.
No entanto, a OMS alerta que, em muitos países, os impostos existentes não são atualizados em função da inflação e deixam de refletir a evolução dos rendimentos e dos preços, perdendo eficácia ao longo do tempo.
De acordo com os relatórios globais mais recentes da OMS, atualmente, 116 países aplicam algum tipo de imposto sobre bebidas açucaradas, com uma taxa mediana de apenas 2% do preço de venda ao público.
Na maioria dos casos, estas taxas incidem exclusivamente sobre refrigerantes com gás, deixando de fora categorias relevantes como sumos de fruta com adição de açúcar, bebidas lácteas adoçadas, cafés e chás prontos a beber e bebidas energéticas.
De acordo com a organização, esta limitação reduz significativamente o impacto das medidas fiscais, permitindo que muitos produtos com elevado teor de açúcar escapem à tributação específica.
A OMS destaca ainda que nenhum novo país introduziu impostos sobre bebidas energéticas desde 2023, apesar do crescimento do consumo deste tipo de produtos em vários mercados.
No segmento das bebidas alcoólicas, os dados mostram que 167 países aplicam algum tipo de imposto, enquanto apenas 12 mantêm uma proibição total.
A taxa mediana global situa-se em 14% para a cerveja e 22,5% para as bebidas espirituosas.
Apesar desta cobertura alargada, a OMS alerta que, na maioria dos países, os impostos sobre o álcool não são atualizados desde 2022, o que tem vindo a reduzir progressivamente o seu efeito dissuasor.
Um dado particularmente relevante para o contexto europeu é o facto de 25 países — a maioria na Europa — excluírem o vinho da tributação específica sobre as bebidas alcoólicas, criando assimetrias entre categorias e limitando o impacto das políticas fiscais.
Apesar da sensibilidade política associada ao aumento de impostos, a OMS destaca que o apoio da população continua elevado. Um inquérito realizado em 2022 revelou que a maioria dos inquiridos é favorável ao reforço da tributação sobre bebidas açucaradas e alcoólicas, sobretudo quando as receitas são destinadas ao financiamento da saúde pública.
Este apoio social representa, segundo a organização, uma oportunidade para os governos avançarem com reformas estruturais sem perda significativa de legitimidade junto dos cidadãos.
O reforço da fiscalidade sobre estas categorias poderá ter impactos relevantes no sector do retalho e na indústria alimentar e de bebidas. Entre os principais efeitos esperados, a OMS destaca a redução do consumo de produtos com elevado teor de açúcar e álcool, o incentivo à reformulação de receitas por parte dos fabricantes, uma maior aposta em alternativas com menor impacto nutricional e a reconfiguração das estratégias de preço e promoção no ponto de venda.
Em vários mercados, medidas semelhantes já levaram ao desenvolvimento de bebidas com menor teor de açúcar, versões “zero” ou reformulações com edulcorantes naturais.
Para a OMS, a atual situação reflete uma oportunidade perdida em termos de política pública. A organização defende que os impostos devem ser mais abrangentes, cobrindo todas as categorias relevantes; indexados à inflação; harmonizados entre países e regiões e integrados em estratégias nacionais de saúde.
Sem estas reformas, alerta a entidade, os sistemas fiscais continuarão a ser insuficientes para enfrentar os desafios colocados pelas doenças crónicas associadas ao consumo excessivo de açúcar e álcool. A organização reforça que, num contexto de envelhecimento da população e de pressão crescente sobre os orçamentos públicos, investir em prevenção através da fiscalidade é uma das formas mais eficazes de proteger a sustentabilidade dos sistemas de saúde.
Fonte: Grande Consumo
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