O Compete 2030 está a apoiar três projetos de inovação no setor alimentar que procuram transformar desperdícios e subprodutos em novos ingredientes e alimentos sustentáveis. As operações HealthierSweet, PEPTI9 e Beiralma foram envolvem empresas e instituições científicas focadas no desenvolvimento de soluções para a alimentação humana e animal.
O projeto HealthierSweet, promovido pela WildBran em copromoção com a Universidade Católica Portuguesa, pretende transformar fruta rejeitada por critérios estéticos em xaropes, pastas adoçantes, farinhas ricas em fibra e produtos funcionais com melhor perfil nutricional. A iniciativa utiliza frutas como maçã, pera, figo e alperce e assenta numa lógica de economia circular e aproveitamento integral das matérias-primas.
Segundo a informação divulgada, a operação procura responder simultaneamente ao desperdício alimentar e à procura crescente por alternativas nutricionalmente mais equilibradas. O desenvolvimento tecnológico inclui processos de hidrólise térmica e enzimática, preservação de nutrientes e caracterização funcional dos ingredientes produzidos.
Já o PEPTI9 – Proteínas e Péptidos Bioativos e Inovadores para Nutrição Sustentável é promovido pela Biorbis, também em copromoção com a Universidade Católica Portuguesa. O projeto aposta na utilização de leveduras provenientes das indústrias da cerveja, do vinho e do etanol para criar ingredientes bioativos destinados à nutrição humana e animal.
A operação pretende desenvolver compostos ricos em péptidos, aminoácidos, glucanas e outros elementos bioativos, recorrendo também a ferramentas de bioinformática e inteligência artificial para acelerar a identificação de moléculas com potencial funcional. Entre as aplicações previstas estão ingredientes para aquacultura, alimentação canina e suplementos alimentares.
O projeto Beiralma centra-se no desenvolvimento de enchidos vegetarianos e vegan a partir de subprodutos das indústrias do azeite e do vinho, nomeadamente bagaço de azeitona e bagaço de uva. A iniciativa é liderada pela Fumeiro de Seia e conta com a participação da Universidade Católica Portuguesa, da BLC3, do Centro de Valorização e Transferência de Tecnologia para o Habitat (CECOLAB) e da Azeites do Cobral.
A operação pretende criar alimentos de base vegetal inspirados nos sabores tradicionais portugueses, recorrendo a técnicas de texturização, fermentação e fumagem para aproximar sabor e textura dos enchidos convencionais. O projeto prevê ainda diferentes níveis de consistência e a utilização de invólucros sustentáveis.
De acordo com o Compete 2030, os três projetos demonstram o potencial da inovação para reforçar a sustentabilidade, promover a valorização de recursos subaproveitados e aumentar a competitividade da indústria alimentar portuguesa.
Fonte: iAlimentar
Os agricultores canadianos vão poder produzir um novo tomate roxo geneticamente modificado, desenvolvido para produzir níveis elevados de antocianinas, compostos naturais com propriedades antioxidantes que estão associados a vários benefícios para a saúde.
A autorização para cultivo foi concedida pelas autoridades reguladoras do Canadá em 2025 e a distribuição das sementes a agricultores e jardineiros deverá decorrer ao longo deste ano. O tomate já tinha sido lançado nos Estados Unidos em 2024, onde despertou um forte interesse junto dos consumidores, e recebeu recentemente aprovação na Austrália e na Nova Zelândia.
O tomate foi desenvolvido pela empresa britânica Norfolk Healthy Produce através de técnicas de engenharia genética. Os investigadores introduziram alterações que permitem à planta produzir maiores quantidades de antocianinas no fruto, conferindo-lhe a sua característica cor roxa.
As antocianinas são pigmentos naturais presentes em alimentos como os mirtilos, amoras, framboesas e couve-roxa. Diversos estudos científicos sugerem que estes compostos podem ajudar a proteger as células contra o stress oxidativo, um processo associado ao envelhecimento e ao desenvolvimento de várias doenças.
Algumas investigações apontam ainda para potenciais efeitos benéficos na saúde cardiovascular, no controlo da diabetes e na redução do risco de determinados tipos de cancro. No entanto, os cientistas sublinham que estes efeitos dependem de múltiplos fatores e que nenhum alimento, por si só, previne ou cura doenças.
Além das potenciais vantagens nutricionais, o tomate roxo representa um exemplo de uma nova geração de culturas geneticamente modificadas desenvolvidas não apenas para beneficiar os agricultores, mas também para oferecer características que podem interessar diretamente aos consumidores.
A receção do produto nos Estados Unidos foi positiva. Segundo dados divulgados pelos promotores da tecnologia, foram vendidos cerca de 1.200 pacotes de sementes nos primeiros dois dias após o lançamento e mais de 9.600 durante a primeira semana.
Especialistas consideram que este tipo de inovação poderá abrir caminho a novos alimentos com características nutricionais melhoradas. Um exemplo semelhante já existe no Japão, onde são comercializados tomates com níveis mais elevados de GABA, um composto associado à regulação da pressão arterial e à redução do stress.
À medida que a investigação em biotecnologia alimentar avança, espera-se que mais frutas e hortícolas com características nutricionais específicas cheguem ao mercado nos próximos anos, oferecendo aos consumidores uma maior diversidade de escolhas alimentares.
Mais informação aqui.
Fonte: Centro de informação de biotecnologia
A Porbatata – Associação da Batata de Portugal assinalou a 27 de maio, em Salvaterra de Magos, o arranque da campanha de colheita de 2026, através de uma nova ação de promoção da batata portuguesa destinada a aproximar os consumidores de um dos produtos mais emblemáticos da gastronomia nacional.
Produzida em várias regiões do país entre maio e setembro, a batata portuguesa beneficia das condições climáticas e das características dos solos nacionais, sublinha a associação. Até setembro, a Miss Tata – marca coletiva criada pelos produtores para representar a batata nacional – regressa às prateleiras dos supermercados, incentivando os consumidores a optar por batata acabada de colher.
Indicadores da batata em Portugal
Também a área de cultivo voltou a crescer. Depois de ter descido para 14.478 hectares em 2023, a área de produção aumentou para 16.462 hectares em 2024 e voltou a subir em 2025, fixando-se nos 17.210 hectares, o valor mais elevado desde 2021.
“Estes indicadores refletem o impacto positivo das campanhas de promoção desenvolvidas desde 2018 pela Porbatata. Queremos que os portugueses reconheçam a batata nacional e a valorizem. A nossa estratégia está a dar frutos e vamos continuar a investir nesse caminho”, afirma Paulo Simões, presidente da Porbatata.
A associação recorda ainda que, dois anos após o início das campanhas de promoção realizadas em parceria com a grande distribuição, foi lançada a Miss Tata, marca coletiva destinada à promoção da batata portuguesa nos mercados nacional e internacional.
Segundo a Porbatata, esta foi a primeira vez que a fileira da batata nacional se uniu em torno de uma imagem comum para o setor, apostando na diferenciação e na valorização da qualidade do produto português.
A Miss Tata é apresentada como a embaixadora da batata portuguesa, promovendo uma alimentação equilibrada e reforçando a identidade nacional da produção agrícola.
Fonte: iAlimentar
São mais de cinco milhões de dados agregados numa plataforma. É assim a Data+, plataforma de controlo e rastreabilidade da fileira vitivinícola alentejana que a CVRA – Comissão Vitivinícola Regional Alentejana acaba de lançar.
Nas palavras do presidente da CVRA, Luís Sequeira, esta é uma plataforma inovadora a nível mundial: “Quando analisamos este tipo de dados, a partilha de dados com esta riqueza, só encontramos um exemplo na Austrália, mas nós vamos para lá da informação que é disponibilizada nessa plataforma. Arrisco dizer que, com este nível de detalhe, só existe no Alentejo”, afirmou, à margem da apresentação da nova ferramenta.
O objetivo – acrescentou – é dotar os agentes económicos, e não apenas a CVRA, de informação que lhes permitam tomar uma decisão mais acertada. Os dados estão, pois, acessíveis e são partilháveis.
Como afirmou, na apresentação, António Pisco, da CVRA, existia já muita informação sobre os vinhos do Alentejo, mas estava dispersa, com a multiplicidade de fontes a dificultar o acesso. A Data + vem, pois, centralizar essa informação, aportando valor à tomada de decisão, nomeadamente em termos de investimento.
A plataforma – acrescentou Raquel Lopes, da equipa de marketing da comissão – estará em contante evolução, de modo a tornar-se uma ferramenta cada vez mais potente.
Fonte: Grande Consumo
Portugal voltou a estar no radar do RASFF – Rapid Alert System for Food and Feed, desta vez devido a um caso de alergénio não declarado em panquecas produzidas em território nacional. A notificação, classificada como de risco sério, levou à retirada imediata dos lotes afetados e ao alerta aos consumidores em vários Estados‑Membros.
As autoridades identificaram que o produto continha proteína de leite não declarada no rótulo, um erro que pode representar um perigo significativo para pessoas com alergia ou intolerância. A falha foi detetada durante controlos oficiais, desencadeando a comunicação urgente através do sistema europeu.
Segundo a informação divulgada, o problema está relacionado com incumprimento dos requisitos de rotulagem, impedindo que consumidores alérgicos identifiquem o risco antes da compra. A DGAV já está a acompanhar o operador responsável e a verificar a extensão da distribuição.
O alerta reforça a importância de boas práticas de fabrico, controlo rigoroso de ingredientes e revisão contínua de rotulagem, especialmente em produtos de conveniência amplamente consumidos como panquecas prontas a comer.
As autoridades recomendam que consumidores com alergia ao leite evitem o consumo dos lotes identificados e contactem os serviços de segurança alimentar em caso de dúvida.
Fonte: Qualfood
A decisão da Nestlé de intensificar o investimento em agricultura regenerativa representa mais do que uma atualização estratégica: é um sinal claro de que a maior indústria alimentar do mundo reconhece que o modelo agrícola tradicional chegou ao limite. A pressão sobre os solos, a perda de biodiversidade e a instabilidade climática já não permitem abordagens convencionais — e a resposta das grandes empresas começa finalmente a refletir essa urgência.
Nos últimos anos, a Nestlé tem anunciado programas que visam apoiar agricultores na transição para práticas que regeneram o solo, capturam carbono, reduzem a erosão e devolvem vitalidade aos ecossistemas agrícolas. Mas o que torna esta aposta particularmente relevante é a escala: quando um gigante global decide alterar a forma como produz e compra matérias‑primas, o impacto estende‑se muito para além das suas próprias cadeias de abastecimento.
A agricultura regenerativa, muitas vezes vista como um conceito idealista ou restrito a nichos, ganha aqui uma validação industrial que pode acelerar a sua adoção. A Nestlé afirma que está a investir em formação técnica, incentivos financeiros e parcerias científicas para medir resultados — e este ponto é crucial. Sem métricas, a regeneração corre o risco de se tornar apenas mais um slogan verde. Com dados, pode transformar‑se num novo padrão de produção.
Ainda assim, é legítimo questionar se o ritmo é suficiente. A transição para sistemas alimentares sustentáveis exige mudanças profundas e rápidas, e a dimensão da Nestlé tanto pode ser uma força motriz como um obstáculo, caso as metas não acompanhem a escala da responsabilidade. O setor agroalimentar enfrenta desafios que não se resolvem com iniciativas isoladas, mas com compromissos estruturais e verificáveis.
O que é inegável é que esta aposta coloca a agricultura regenerativa no centro do debate sobre o futuro da alimentação. E, num momento em que consumidores, reguladores e produtores exigem transparência e impacto real, a Nestlé tem a oportunidade — e a obrigação — de demonstrar que regenerar o solo é mais do que uma tendência: é uma necessidade para garantir um sistema alimentar mais sustentável, resiliente e preparado para as próximas décadas.
Fonte: Qualfood
O Dia Mundial do Leite, celebrado a 1 de junho, volta a colocar no centro da discussão um dos alimentos mais completos e versáteis da nossa alimentação. Num momento em que os consumidores exigem mais transparência, sustentabilidade e qualidade, o setor leiteiro responde com inovação, rigor e um compromisso renovado com a saúde pública e o bem‑estar animal.
Um setor que se reinventa para ser mais sustentável
Da redução da pegada carbónica à melhoria das práticas de bem‑estar animal, os produtores portugueses têm acelerado a transição para modelos mais eficientes e responsáveis. Sistemas de monitorização, alimentação de precisão e investimentos em energia renovável estão a transformar a forma como o leite é produzido.
Qualidade e segurança: o eixo central da fileira
O leite que chega às famílias portuguesas passa por controlos rigorosos, análises laboratoriais frequentes e rastreabilidade completa — desde a exploração até ao consumidor final. Esta evolução tecnológica reforça a confiança num alimento que continua a ser uma fonte essencial de cálcio, proteínas de alto valor biológico e vitaminas fundamentais.
Um alimento presente em todas as fases da vida
Do pequeno‑almoço das crianças às receitas tradicionais que marcam a gastronomia portuguesa, o leite mantém um papel cultural e nutricional incontornável. Especialistas sublinham que, integrado numa alimentação equilibrada, contribui para a saúde óssea, o desenvolvimento cognitivo e o bem‑estar geral.
O desafio nacional: valorizar quem produz
Apesar dos avanços, o setor enfrenta pressões económicas, volatilidade de preços e custos de produção elevados. Organizações de produtores defendem que é urgente reforçar a valorização do leite nacional, garantindo condições justas para quem assegura diariamente a disponibilidade deste alimento essencial.
Fonte: Qualfood
O encerramento do Estreito de Ormuz poderá desencadear um choque sistémico no setor agroalimentar e conduzir a uma crise global de preços dos alimentos no prazo de seis a 12 meses, alertou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Segundo a organização, evitar este cenário exigirá a criação de rotas comerciais alternativas, contenção nas restrições às exportações, proteção dos fluxos humanitários e mecanismos que permitam absorver o aumento dos custos de transporte.
“O momento chegou para começar a pensar seriamente em como aumentar a capacidade de absorção dos países, como aumentar a sua resiliência a este estrangulamento, para que comecemos a minimizar os potenciais impactos”, afirmou Maximo Torero, economista-chefe da FAO, num novo podcast publicado na quarta-feira.
De acordo com a FAO, a janela para uma ação preventiva está a fechar-se rapidamente. As decisões tomadas agora por agricultores e governos sobre utilização de fertilizantes, importações, financiamento e escolha de culturas serão determinantes para perceber se uma crise severa de preços dos alimentos poderá emergir nos próximos seis a 12 meses.
O impacto já se começa a refletir nos mercados. O Índice de Preços dos Alimentos da FAO, que acompanha a evolução mensal dos preços internacionais de um cabaz de matérias-primas alimentares transacionadas globalmente, subiu pelo terceiro mês consecutivo em abril, impulsionado pelos elevados custos da energia e por perturbações associadas ao conflito no Médio Oriente.
A FAO descreve o choque como um processo em cadeia: energia, fertilizantes, sementes, menores produtividades, aumento dos preços das matérias-primas e, posteriormente, inflação alimentar.
Para mitigar estes efeitos, David Laborde, diretor da Divisão de Economia Agroalimentar da FAO, defende a utilização de rotas terrestres e marítimas alternativas para contornar Ormuz, incluindo através da zona oriental da Península Arábica, do oeste da Arábia Saudita e do Mar Vermelho. No entanto, estas alternativas têm capacidade limitada, o que torna essencial evitar restrições à exportação por parte dos principais produtores.
Maximo Torero sublinhou que esta preocupação é particularmente relevante para salvaguardar os fluxos de ajuda alimentar humanitária.
A situação poderá agravar-se com a chegada do fenómeno El Niño, que deverá provocar secas e alterar padrões de precipitação e temperatura em várias regiões.
Entre as recomendações de curto prazo, a FAO defende a criação rápida de corredores terrestres e marítimos alternativos para contornar Ormuz, a não imposição de restrições à exportação de energia, fertilizantes e outros fatores de produção, e a isenção da ajuda alimentar de limitações ao comércio.
A organização recomenda ainda intervenções de emergência que promovam a consociação de culturas, nomeadamente cereais e leguminosas, como forma de reduzir a utilização de fertilizantes azotados e gerar benefícios nutricionais, ambientais, económicos e agronómicos.
Para apoiar produtores e famílias vulneráveis, a FAO recomenda a ativação de programas de proteção social, mas desaconselha subsídios generalizados. A organização considera que esse tipo de apoio aumenta a pressão sobre as contas públicas e tende a beneficiar menos quem mais precisa. A prioridade, segundo a organização, deve passar por apoios direcionados aos grupos mais vulneráveis, com recurso a registos digitais que permitam encaminhar assistência para agregados rurais e pequenos produtores.
A médio prazo, a FAO recomenda evitar o aumento da procura de biocombustíveis durante períodos de escassez, garantir que as respostas de política energética não agravam crises alimentares e alargar o acesso a crédito acessível para agricultores, empresas agroalimentares, pequenas e médias empresas e outros agentes das cadeias de valor.
A organização defende linhas de crédito de emergência com juros reduzidos, calendários de reembolso alinhados com os períodos de colheita e períodos de carência de seis a nove meses. Recomenda também a combinação de empréstimos agrícolas com acordos de compra garantida por agregadores, transformadores ou compradores públicos.
Entre as medidas de longo prazo, a FAO propõe a diversificação de portos, corredores, sistemas de armazenamento e logística, bem como o reforço de reservas regionais e da capacidade de armazenagem. A organização defende ainda maior resiliência dos sistemas de transporte nacionais e transfronteiriços.
A FAO recomenda também o uso de financiamento concessional para acelerar a diversificação da matriz energética e expandir sistemas de regadio com substituição do gasóleo por soluções elétricas e solares. Entre as restantes medidas estão a expansão de maquinaria eletrificada, drones, tecnologias de agricultura de precisão, mapeamento de solos e aplicação mais eficiente de fertilizantes.
A organização defende ainda fundos de inovação para apoiar amoníaco verde, bioestimulantes, genética de culturas e tecnologias de eficiência nutricional. Embora estas soluções possam demorar três a cinco anos a produzir efeitos, a FAO considera que poderão reforçar de forma significativa a resiliência a longo prazo.
Fonte: Vida Rural
O Dia Nacional do Pescador, celebrado a 31 de maio, é mais do que uma data simbólica — é um tributo vivo a uma das profissões mais duras, mais antigas e mais essenciais para a identidade portuguesa. Hoje, o país olha para o mar com respeito renovado e reconhece o papel insubstituível de quem, todos os dias, enfrenta a incerteza das ondas para garantir alimento, cultura e economia às comunidades costeiras.
Heróis silenciosos de um mar que nunca dorme
A pesca continua a ser uma atividade marcada por risco, resistência e sacrifício. Os pescadores portugueses trabalham em condições extremas, muitas vezes durante a madrugada, enfrentando frio, instabilidade e longas horas de esforço físico. São eles que mantêm viva uma tradição que moldou a história do país e que continua a alimentar milhares de famílias.
Economia azul: um setor que move comunidades inteiras
Da pesca artesanal às grandes frotas, o setor representa um pilar económico para regiões como Matosinhos, Peniche, Sesimbra, Aveiro ou Olhão. A fileira do pescado — captura, transformação, conservação e exportação — continua a ser uma das mais relevantes para a economia nacional, com impacto direto no emprego e na vitalidade das comunidades costeiras.
Mas o futuro exige equilíbrio: pesca sustentável, inovação tecnológica e gestão rigorosa dos recursos marinhos são hoje palavras de ordem para garantir que o oceano continua a ser fonte de vida e não de escassez.
Cultura, identidade e memória coletiva
O pescador é também guardião de tradições que fazem parte da alma portuguesa: as artes de pesca transmitidas entre gerações, as lotas que marcam o ritmo das cidades costeiras, as festas do mar, os sabores que definem a gastronomia nacional.
Celebrar este dia é reconhecer que Portugal não existe sem o mar — e que o mar não existe sem aqueles que o conhecem como ninguém.
Um futuro que depende de todos
O Dia Nacional do Pescador é um convite à reflexão:
Porque honrar os pescadores é também proteger o oceano que nos sustenta.
Fonte: Qualfood
Portugal reúne condições para liderar a transição para a agricultura regenerativa no Sul da Europa, num contexto em que fatores como risco climático, biodiversidade, disponibilidade de água e saúde do solo ganham peso na avaliação da terra agrícola. A conclusão consta do estudo “The Living Asset – Rebuilding Portugal’s Natural Capital Through Regenerative Agriculture”, desenvolvido pela Savills Portugal.
O relatório identifica a agricultura regenerativa como uma classe de ativos emergente e descreve Portugal como um “mercado paradoxal”, devido à diversidade de climas, solos e sistemas produtivos, contrastando com o reduzido peso da agricultura na economia nacional, inferior a 3% do valor acrescentado bruto.
Segundo a Savills, esta diferença entre potencial ecológico e contributo económico cria espaço para modelos de investimento focados na valorização do capital natural e na recuperação da base ecológica da produção agrícola.
“Estamos a assistir a uma reconfiguração profunda da forma como a terra agrícola é avaliada. Já não basta olhar para o rendimento das culturas: a saúde do solo, a água e a biodiversidade tornaram-se variáveis financeiras tão relevantes quanto as tradicionais”, afirma Alexandra Gomes, head of research da Savills Portugal.
A responsável acrescenta que “Portugal tem aqui uma oportunidade de alinhar performance económica e ambiental numa mesma classe de ativos”.
O estudo aponta para uma mudança estrutural nos modelos agrícolas europeus, com os sistemas extrativos a darem lugar a práticas focadas na regeneração do solo, água e biodiversidade.
Entre as principais tendências identificadas para a próxima década estão a crescente valorização da resiliência climática, a integração do capital natural nas avaliações financeiras, a procura por produtos sustentáveis, a especialização regional e a generalização da monitorização das práticas regenerativas.
Segundo a Savills, a terra agrícola em Portugal pode gerar retornos anuais entre 5% e 7%, acima dos cerca de 3% associados aos ativos imobiliários considerados “super core”.
O estudo sublinha ainda que os investidores passaram a considerar a saúde do solo, a disponibilidade de água e a biodiversidade como indicadores centrais de estabilidade e valorização de longo prazo, com impacto no acesso a financiamento verde e no cumprimento de objetivos ESG.
Apesar do enquadramento da Política Agrícola Comum (PAC) e do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), a agricultura regenerativa continua a beneficiar apenas parcialmente dos apoios existentes.
A Savills estima que entre 40% e 60% da área cultivada em Portugal integre pelo menos uma prática regenerativa, embora apenas 10% a 15% opere num regime considerado totalmente integrado.
A cultura da amêndoa surge como um dos casos mais representativos desta transformação. Em menos de uma década, Portugal tornou-se o terceiro maior exportador líquido mundial de amêndoa, impulsionado pelos perímetros de rega do Alqueva e de Idanha-a-Nova.
Segundo o estudo, o crescimento do investimento internacional neste segmento aumentou também a pressão sobre recursos como água e solos, tornando as práticas regenerativas determinantes para proteger a sustentabilidade do investimento.
“As práticas regenerativas representam um avanço significativo para a agricultura, sendo provavelmente a evolução mais relevante desde a introdução dos fertilizantes químicos”, afirma Bruno Amaro, rural business developer da Savills Portugal.
O responsável acrescenta que “Portugal tem assumido um papel de destaque na sua implementação” e refere que “o amendoal, por exemplo, destaca-se como uma das culturas onde os resultados têm sido mais expressivos”.
O relatório identifica o Alentejo, Oeste, Douro, Ribatejo e Açores como regiões com maior potencial para escalar modelos regenerativos.
A Savills conclui que Portugal entra numa “década decisiva”, defendendo que a combinação de diversidade ecológica, preços da terra ainda competitivos e pressão climática poderá posicionar o país como um hub regenerativo no Sul da Europa até 2030.
O estudo foi apresentado publicamente esta terça-feira, 26 de maio, em Évora, no V Congresso Portugal Nuts, dedicado à competitividade dos frutos secos e à agricultura regenerativa.
Fonte: HiperSuper
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