Fundada em 2017 por Anastasia Hofmann e Naomi MacKenzie, a KITRO desenvolveu uma solução baseada em inteligência artificial que permite medir automaticamente o desperdício alimentar em cozinhas profissionais. Atualmente, a tecnologia está presente em mais de 40 países e é utilizada por mais de 500 cozinhas de hotéis, restaurantes, hospitais, universidades, empresas de catering e navios de cruzeiro.
A tecnológica suíça KITRO está a reforçar a sua expansão internacional numa altura em que a redução do desperdício alimentar ganha uma importância crescente para o setor da hotelaria, restauração e serviços alimentares, impulsionada por novas exigências regulatórias e pela necessidade de melhorar a eficiência operacional.
A União Europeia aprovou recentemente, pela primeira vez, metas vinculativas para a redução do desperdício alimentar, estabelecendo uma diminuição de 30% do desperdício per capita nos setores do retalho, restauração, hotelaria e food service até 2030. Paralelamente, países como Espanha estão a avançar com legislação nacional mais exigente, aumentando a pressão sobre os operadores para monitorizarem e reduzirem os alimentos desperdiçados.
Fundada em 2017 por Anastasia Hofmann e Naomi MacKenzie, a KITRO desenvolveu uma solução baseada em inteligência artificial que permite medir automaticamente o desperdício alimentar em cozinhas profissionais. Atualmente, a tecnologia está presente em mais de 40 países e é utilizada por mais de 500 cozinhas de hotéis, restaurantes, hospitais, universidades, empresas de catering e navios de cruzeiro.
Segundo dados da empresa, a tecnologia já permitiu aos seus clientes alcançar poupanças acumuladas de 13,6 milhões de euros, evitar o desperdício de 1.938 toneladas de alimentos comestíveis e preservar o equivalente a 4,2 milhões de refeições.
“Durante muitos anos, o desperdício alimentar foi visto sobretudo como uma questão de sustentabilidade. Hoje, é cada vez mais uma questão financeira, operacional e regulatória”, afirmam Anastasia Hofmann e Naomi MacKenzie, fundadoras da KITRO, citadas em comunicado.
A solução da KITRO combina uma balança de precisão com uma câmara equipada com visão por computador e inteligência artificial. O sistema identifica, pesa e classifica automaticamente os alimentos descartados, sem necessidade de introdução manual de dados. A informação recolhida é disponibilizada através de uma plataforma digital que permite às equipas acompanhar padrões de desperdício e identificar oportunidades de melhoria na gestão de compras, produção, menus, porções e buffets.
Além da componente tecnológica, a empresa disponibiliza apoio especializado para ajudar os clientes a interpretar os dados e implementar medidas de redução. De acordo com a KITRO, as cozinhas que utilizam a solução conseguem reduzir até 60% do desperdício alimentar evitável e diminuir entre 2% e 8% os custos com alimentos nos primeiros seis meses.
A Península Ibérica surge como um dos mercados prioritários para a empresa. Em Espanha, a recente legislação contra o desperdício alimentar exige que muitas organizações adotem planos de prevenção e medidas concretas de redução até ao final de 2026. Neste contexto, a KITRO celebrou uma parceria com a Hyatt Inclusive Collection, que implementou a tecnologia em 26 unidades ao longo do último ano.
Em Portugal, a empresa destaca os resultados obtidos pelo Pestana Hotel Group numa unidade hoteleira do Algarve. Segundo a KITRO, a implementação do sistema permitiu reduzir cerca de 50% do desperdício alimentar em menos de um ano, evitando aproximadamente 30 toneladas de alimentos desperdiçados e gerando uma poupança estimada em 300 mil euros.
Mais recentemente, a tecnológica iniciou um projeto-piloto com a Vila Galé Hotels, com o objetivo de recolher dados mais precisos sobre os alimentos descartados e identificar oportunidades de otimização em áreas como a produção, compras, menus e gestão de buffets.
“Estamos muito satisfeitos por ver o crescente interesse do setor hoteleiro português em soluções que combinam sustentabilidade, eficiência de custos e digitalização das operações. A redução do desperdício alimentar começa com dados fiáveis”, afirma Francisco Ribeiro Corrêa, responsável da KITRO para o mercado ibérico.
Com parcerias estabelecidas com grupos internacionais como Hyatt, Marriott International, Four Seasons, 25hours Hotels, TUI, Pestana e Vila Galé, a empresa pretende continuar a expandir a sua presença na Europa e na América do Norte, apostando na utilização de dados e inteligência artificial para transformar o desperdício alimentar num indicador de gestão e numa oportunidade de criação de valor.
Fonte: GreenSavers
Com o aumento dos casos de diarreia intensa em vários estados norte-americanos, alguns restaurantes começaram a alterar procedimentos.
O Street Beet, um restaurante vegan em Detroit, passou a retirar a primeira camada das alfaces e a lavá-las duas vezes. Cerca de um quarto dos clientes pede agora os pratos sem alface, enquanto outros solicitam que sejam retirados ingredientes como pico de gallo (molho mexicano de tomate, cebola e coentros), coentros e outros vegetais de folha verde. O wrap Caesar de "frango" - preparado com tofu e molho de miso - é um dos pratos mais populares da casa, mas as encomendas diminuíram.
No total, as vendas caíram 3.000 dólares (2.625 euros) na última semana, em comparação com o mesmo período de anos anteriores.
"Estamos a atribuir isso à preocupação da comunidade em relação a comer fora e aos produtos agrícolas vendidos no comércio", diz Danae Florias, diretora de operações do restaurante. "A quebra foi notória e esperamos que continue a ser assim até que o surto diminua, seja controlado e a origem seja identificada", acrescenta.
Será este o fim da salada tal como a conhecemos? Até ao momento, nenhum alimento, produtor ou fornecedor foi identificado como a origem do surto de Cyclospora deste verão. O parasita microscópico foi associado a casos de diarreia intensa em vários estados, sobretudo no Michigan e Ohio. Ainda assim, as folhas para salada e os frutos vermelhos frescos, já associados a surtos anteriores, podem provocar vários dias de problemas digestivos.
Hannah Hargrove, dietista pediátrica em Detroit, diz que a família alterou os hábitos alimentares, sobretudo depois de alguns amigos terem contraído o parasita (todos recuperaram ao fim de poucos dias). Em vez de produtos frescos, passaram a optar por frutos vermelhos e legumes congelados, fruta com casca espessa e conservas de fruta. Continua a lavar os produtos frescos que compra apenas com água, mas garante que agora presta "muito mais atenção" à forma como os lava, em vez de lhes dar apenas uma passagem rápida por água.
Hargrove receia também que a confusão em torno do surto leve as pessoas a fazer escolhas menos saudáveis, lembrando que a maioria já não consome fibra suficiente.
"Como dietista, a última coisa que quero ver é as pessoas deixarem de comer fruta e legumes por causa do surto", aponta.
"É frustrante, porque é verão e é nesta altura que apetece comer coisas frescas e refrescantes", diz Denise, arquivista em Nova Iorque, que reduziu significativamente o consumo de produtos frescos à medida que os casos de Cyclospora aumentaram.
Como as autoridades de saúde recomendaram cozinhar os alimentos até atingirem uma temperatura interna de 70 °C para eliminar o parasita, Denise pondera escaldar a fruta para a continuar a consumir. Entretanto, prefere fruta que possa descascar, como abacates, bananas e limões.
Os wraps Caesar - normalmente um dos seus pratos preferidos - desapareceram, por agora, do menu. O mesmo aconteceu com as cerejas, que estão no pico da época, e com os gyros recheados com alface fresca.
É um pesadelo para quem gosta de fruta e legumes em todo o país. E os restaurantes de alimentação vegetal, que dependem de produtos frescos para grande parte das ementas, já estão a sentir as consequências.
Parasita? Qual parasita?
Nem toda a gente parece preocupada. Em Nova Iorque - onde centenas de pessoas adoeceram devido à Cyclospora - os restaurantes especializados em refeições à base de vegetais continuavam movimentados.
Funcionários do restaurante Sweetgreen, no bairro de Williamsburg, em Brooklyn, disseram que alguns clientes perguntaram pelos protocolos de limpeza da cozinha antes de fazerem o pedido. Ainda assim, o restaurante não registou qualquer quebra nas vendas durante a última semana. O mesmo aconteceu com os estabelecimentos próximos da Cava - uma cadeia de inspiração mediterrânica conhecida pelas taças de salada recheadas de legumes frescos - e da Dig Inn, uma cadeia especializada em refeições rápidas.
O Portia's Cafe, um restaurante vegan em Columbus, Ohio - estado que registou mais de 360 casos confirmados desde 1 de junho - admite que o dia foi mais calmo do que o habitual, mas diz não ter notado diferenças significativas nas vendas. Além de cumprir os protocolos definidos pelas autoridades de saúde, parte dos legumes utilizados é cultivada no próprio restaurante e os restantes são comprados a produtores locais.
Pelo menos nas redes sociais, porém, é impossível escapar ao tema. Até o dicionário Merriam-Webster publicou uma mensagem: "Por favor, evitem todas as saladas, incluindo a palavra." Uma publicação da Sweetgreen na rede social X, que promovia uma taça inspirada nos vencedores do programa "Love Island", foi rapidamente inundada por respostas com piadas sobre o parasita. A cadeia não respondeu ao pedido de comentário da CNN.
Um representante da Taco Bell afirma que a empresa "retirou voluntária e temporariamente alguns ingredientes de um número limitado de restaurantes por precaução", embora as autoridades de saúde não tenham confirmado qualquer ligação entre o surto e a cadeia, nem com qualquer "ingrediente, fornecedor, restaurante ou retalhista específico".
Laurie Schalow, diretora de Assuntos Corporativos e Segurança Alimentar da Chipotle, afirma que a empresa "está a acompanhar a investigação sobre a Cyclospora e, neste momento, não acredita que os ingredientes que utiliza estejam associados ao surto".
"Surtos como este, e possivelmente piores, vão voltar a acontecer"
Não é de estranhar que muitas pessoas receiem a Cyclospora. Depois de infetar uma pessoa, o parasita pode transformar a ida à casa de banho num verdadeiro pesadelo. A diarreia aquosa, as cólicas e o inchaço abdominal podem durar semanas, e algumas pessoas relatam terem passado dias praticamente sem sair da sanita.
"Os dias 1 a 5 foram os piores", escreveu um utilizador do Reddit do sudeste do Michigan, que já levava mais de duas semanas com problemas digestivos. "Sinto-me muito fraco, exausto, stressado, desconfortável e, sinceramente, cheio de dores.
"Nunca na vida tive uma diarreia daquelas", escreveu outro.
Embora a causa exata e a origem do surto continuem sob investigação, o parasita propaga-se quando as pessoas consomem alimentos ou água contaminados com fezes, segundo os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC). A contaminação pode chegar às grandes explorações agrícolas de várias formas, incluindo más condições de trabalho, utilização de fertilizantes, escorrências provenientes de explorações pecuárias ou cursos de água poluídos.
Alguns políticos enquadraram o surto no contexto do desmantelamento da infraestrutura de saúde pública levado a cabo pela administração Trump. Em 2025, os CDC passaram a tornar facultativa a vigilância da Cyclospora e de outras doenças transmitidas por alimentos, mantendo obrigatória apenas a monitorização da Salmonella e da E. coli.
"Surtos como este, e possivelmente piores, vão voltar a acontecer vezes sem conta até mudarmos de rumo", afirma Rosa DeLauro, congressista democrata pelo estado do Connecticut.
Nem todos os produtos frescos estarão em risco. A Gotham Greens, empresa de agricultura em estufa com operações em vários estados norte-americanos, afirma no Instagram que os seus produtos são seguros, independentemente do surto, porque as folhas para salada e as ervas aromáticas são "cultivadas em estufas com ambiente controlado, protegidas de muitas das condições exteriores que podem afetar os produtos cultivados ao ar livre".
Influenciadores ligados à alimentação e ao bem-estar têm incentivado os consumidores a deixarem de comprar produtos frescos nos supermercados e a privilegiarem mercados de produtores locais e pequenas explorações agrícolas.
Jeff Stainthorp, proprietário de uma pequena exploração agrícola no estado de Washington, diz que já ouviu preocupações de clientes receosos por causa do parasita, apesar de não existir qualquer surto significativo naquele estado.
No seu caso, o reduzido número de etapas entre a colheita e o consumidor final - ele está presente em todas as fases do processo - dá-lhe confiança na segurança dos produtos, sobretudo porque Washington não emitiu quaisquer alertas ou recolhas de alimentos. Embora as pequenas explorações não estejam imunes a surtos de doenças, por exemplo se a origem for uma fonte de água contaminada, a sua dimensão facilita a monitorização das práticas de segurança.
Nas grandes explorações agrícolas comerciais, as "práticas laborais exploratórias" podem favorecer a contaminação, afirma. Segundo Stainthorp, muitos trabalhadores são pagos em função da quantidade colhida, o que desencoraja pausas para ir à casa de banho ou faltas ao trabalho quando estão doentes.
O agricultor acredita que o receio em torno da Cyclospora poderá ter um efeito positivo: ajudar mais pessoas a compreender as fragilidades do sistema alimentar norte-americano.
"Só espero que isto leve algumas pessoas a refletir sobre a forma como o nosso sistema alimentar está organizado", aponta. "Não é necessariamente bom para o planeta, não é bom para a nossa saúde e também não é bom para as pessoas que trabalham nele."
Fonte: CNN Portugal
A notificação RASFF 2026.6632, emitida a 24 de julho de 2026, sinaliza a rejeição de polpas de frutas congeladas provenientes do Brasil devido à presença do aditivo não autorizado E211 — benzoato de sódio. O alerta foi comunicado por Portugal no âmbito dos controlos oficiais realizados na fronteira, classificando o caso como border rejection por risco potencial.
Enquadramento Regulamentar
A remessa foi rejeitada devido à presença do aditivo não autorizado E211 — benzoato de sódio, cuja utilização não é permitida em polpas de fruta congeladas segundo o Regulamento (CE) n.º 1333/2008, que estabelece regras sobre aditivos alimentares na União Europeia. O produto não cumpre os requisitos de segurança e composição definidos para esta categoria, constituindo não conformidade regulamentar.
Os controlos oficiais realizados no ponto de entrada detetaram benzoato de sódio em concentração não divulgada, mas suficiente para caracterizar uso tecnológico deliberado. O aditivo é autorizado apenas em categorias específicas (ex.: bebidas aromatizadas, produtos à base de frutas processados), não abrangendo polpas de fruta congeladas.
Natureza do risco: presença de aditivo não autorizado;
Impacto potencial: risco tecnológico e regulamentar, não necessariamente toxicológico imediato, mas relevante para proteção do consumidor e integridade da cadeia alimentar;
Classificação: risco potencial, justificando rejeição preventiva.
As autoridades portuguesas determinaram:
Rejeição da remessa no controlo fronteiriço;
Impedimento de entrada no mercado da UE;
Notificação ao RASFF para reforço da vigilância por outros Estados‑Membros;
Ação corretiva exigida ao operador exportador, incluindo revisão de formulação e conformidade documental.
Este alerta reforça a necessidade de:
Verificação rigorosa de aditivos permitidos por categoria de produto;
Conformidade documental (fichas técnicas, especificações, declarações de aditivos);
Controlo de fornecedores e auditorias internas para evitar uso indevido de conservantes.
A notificação RASFF 2026.6632 evidencia uma não conformidade clara com a legislação europeia de aditivos alimentares, resultando na rejeição de polpas de frutas congeladas provenientes do Brasil devido à presença do E211 — benzoato de sódio, aditivo não autorizado para esta categoria. A ação preventiva das autoridades portuguesas evitou a entrada de um produto irregular no mercado europeu.
Fonte: Qualfood
A Comissão Europeia publicou o Regulamento de Execução (UE) 2026/1734, que introduz novas normas sobre os métodos autorizados de atordoamento e occisão. O diploma estabelece requisitos rigorosos de posicionamento para a utilização do dispositivo de êmbolo retrátil não perfurante em leitões e pequenos ruminantes. A legislação aprova ainda o uso de espuma de nitrogénio de alta expansão para despovoamento sanitário de suínos e aves, definindo parâmetros técnicos estritos que os operadores devem assegurar.
Fonte: Agroportal
Os elementos potencialmente tóxicos (Potentially Toxic Elements – PTEs) são um dos grupos de contaminantes químicos mais relevantes no domínio da segurança alimentar, devido à sua persistência ambiental, capacidade de bioacumulação e potencial toxicidade crónica. Elementos como o chumbo (Pb), o cádmio (Cd), o mercúrio (Hg), o arsénio (As) e o níquel (Ni) podem entrar na cadeia alimentar através do solo, da água, da atmosfera, das práticas agrícolas, da alimentação animal ou do processamento industrial. Relativamente à exposição humana, esta ocorre predominantemente por via alimentar e encontra-se associada a efeitos neurológicos, renais, cardiovasculares, imunológicos, reprodutivos e carcinogénicos.
Nos últimos anos, a União Europeia reforçou significativamente o enquadramento regulamentar relativo a estes contaminantes, nomeadamente através do Regulamento (UE) 2023/915 e das atualizações recentes relativas ao arsénio inorgânico em produtos da pesca e ao níquel em géneros alimentícios.
Vivemos numa época em que a segurança alimentar deixou de depender exclusivamente da ausência de microrganismos patogénicos ou da qualidade nutricional dos alimentos. A crescente pressão industrial, a intensificação agrícola, a degradação ambiental e a globalização das cadeias de abastecimento transformaram os contaminantes químicos num dos mais complexos desafios contemporâneos da alimentação humana. Entre esses contaminantes, os chamados “metais pesados” ocupam um lugar particularmente sensível. Invisíveis ao consumidor, silenciosos na sua ação e persistentes no ambiente, estes contaminantes podem acompanhar os alimentos desde o solo da produção agrícola até à mesa do consumidor, acumulando-se lentamente ao longo da cadeia alimentar e, em alguns casos, também no organismo humano.
Embora a expressão “metais pesados” continue amplamente difundida na comunicação científica e técnica, o termo “elementos potencialmente tóxicos” (do inglês Potentially Toxic Elements – PTEs) é atualmente considerado mais rigoroso do ponto de vista toxicológico e ambiental. Esta designação engloba metais e metaloides cuja toxicidade depende da respetiva forma química, biodisponibilidade e nível de exposição. Neste grupo incluem-se elementos como o chumbo (Pb), cádmio (Cd), mercúrio (Hg) e arsénio (As), atualmente entre os contaminantes químicos de maior relevância em segurança alimentar.
Ao contrário de muitos contaminantes orgânicos, os PTEs não sofrem degradação química ou biológica significativa. Não desaparecem durante o processamento industrial, não são destruídos pelos tratamentos térmicos convencionais e podem persistir durante décadas nos ecossistemas. É precisamente essa permanência silenciosa que os torna particularmente preocupantes.
A presença de PTEs nos alimentos resulta de uma complexa interação entre processos naturais e atividades humanas. Alguns destes elementos existem naturalmente na crosta terrestre e podem atingir solos e águas através da meteorização de rochas, erosão do solo ou atividade vulcânica. Contudo, é inegável que a atividade humana alterou profundamente o equilíbrio natural destes contaminantes no ambiente. Em particular, a indústria mineira, a metalurgia, os processos de combustão de combustíveis fósseis, a utilização de fertilizantes fosfatados e até o tráfego rodoviário contribuíram, ao longo de décadas, para a dispersão de PTEs no ambiente. Uma vez libertados, estes elementos podem atingir os solos agrícolas, os recursos hídricos, os sedimentos e a atmosfera.
As plantas absorvem parte destes contaminantes através do seu sistema radicular; os animais acumulam-nos através da alimentação e da água; e os ecossistemas aquáticos transformam-se frequentemente em reservatórios particularmente sensíveis à acumulação destes compostos. Em muitos casos, a contaminação alimentar não resulta de episódios agudos ou facilmente identificáveis, mas sim de processos lentos e cumulativos.
Fonte: TecnoAlimentar
Portugal foi o país notificador do alerta RASFF 2026.6556, após análises revelarem uma libertação significativa de arsénico, alumínio e chumbo a partir de uma travessa cerâmica para forno. O produto, fabricado em Portugal e distribuído via Países Baixos, apresentou níveis de migração muito acima dos limites legais europeus, representando um risco químico grave para os consumidores.
Ensaios de migração realizados pelas autoridades competentes identificaram a libertação de três metais pesados:
Arsénico — elemento altamente tóxico, associado a efeitos carcinogénicos e danos neurológicos;
Alumínio — pode acumular no organismo, afetando o sistema nervoso e funções renais;
Chumbo — neurotóxico, sem nível seguro de exposição, especialmente perigoso para crianças.
A presença destes metais indica falhas graves na composição da cerâmica e/ou no acabamento do esmalte, que deveria impedir a transferência de substâncias tóxicas para os alimentos.
O produto foi fabricado em Portugal, mas entrou no mercado europeu através dos Países Baixos, onde foi identificado o incumprimento. A notificação foi então enviada ao sistema europeu RASFF – Rapid Alert System for Food and Feed, permitindo a circulação imediata da informação entre Estados‑Membros.
Retirada imediata da travessa cerâmica dos canais de comercialização.
Informação aos consumidores para evitar qualquer utilização do produto.
Ações de rastreabilidade junto de distribuidores e operadores económicos.
Verificação de outros lotes e produtos semelhantes para excluir riscos adicionais.
O caso surge num momento em que vários países europeus, incluindo os Países Baixos, têm vindo a reforçar os limites de migração de metais pesados em materiais destinados a contacto com alimentos. Regulamentos recentes apertaram os valores máximos permitidos para chumbo e cádmio em cerâmicas, refletindo preocupações crescentes com a segurança dos consumidores.
Embora o alerta 2026.6556 envolva arsénico, alumínio e chumbo, o enquadramento demonstra a importância de controlos rigorosos na indústria cerâmica e a necessidade de documentação de conformidade robusta.
Proteção da saúde pública — metais pesados acumulam-se no organismo e causam efeitos crónicos;
Responsabilidade dos operadores — reforça a necessidade de controlo de matérias‑primas, esmaltes e processos de fabrico;
Confiança do consumidor — garante que produtos de uso diário, como utensílios de cozinha, cumprem normas europeias estritas;
Cooperação europeia — demonstra a eficácia do RASFF na deteção rápida e na gestão de riscos.
O alerta RASFF 2026.6556 evidencia um risco químico sério associado a uma travessa cerâmica portuguesa distribuída via Países Baixos. A rápida atuação das autoridades europeias permitiu retirar o produto do mercado e prevenir potenciais danos à saúde dos consumidores.
Fonte: Qualfood
Portugal continua a enfrentar uma dependência estrutural na produção de cereais, ao mesmo tempo que mantém uma posição confortável — e até excedentária — em setores como o vinho e o azeite. Os dados mais recentes mostram que o país apenas assegura 17% das necessidades internas de cereais, obrigando a importações constantes para garantir o abastecimento de trigo, milho e cevada.
Apesar de alguns investimentos recentes em regadio e modernização agrícola, o setor continua longe da autossuficiência. A volatilidade dos mercados internacionais e os impactos das alterações climáticas tornam esta dependência ainda mais sensível.
Em contraste, o país destaca-se como produtor robusto de vinho e azeite, com volumes que ultrapassam largamente o consumo interno. Portugal é consistentemente um dos maiores exportadores mundiais de vinho, com regiões como Douro, Alentejo e Dão a liderar o crescimento. No azeite, a expansão dos olivais intensivos e superintensivos colocou o país entre os produtores mais dinâmicos da Europa.
Estes setores não só garantem autossuficiência como contribuem de forma decisiva para o saldo positivo das exportações agroalimentares.
A coexistência de défice profundo em cereais e excedente expressivo em vinho e azeite revela um sistema agrícola desequilibrado, moldado por fatores históricos, económicos e ambientais. Especialistas defendem que Portugal deve continuar a reforçar a produção de cereais estratégicos, sobretudo em zonas de regadio, sem comprometer os setores onde já é altamente competitivo.
Fonte: Qualfood
Um consumidor mais velho, lares mais pequenos, inteligência artificial em toda a cadeia de valor e inovação sob pressão. A Alimentaria reuniu especialistas, empresas e associações do sector para identificar as principais tendências que estão a transformar o grande consumo, num momento em que a colaboração entre fabricantes, distribuidores e empresas tecnológicas se afirma como uma condição para crescer.
Ao longo dos próximos dias, a Grande Consumo irá aprofundar algumas dessas tendências numa série de artigos dedicados às mudanças que já estão a redefinir o mercado. Este primeiro capítulo centra-se no consumidor: quem é, como vive, de que forma compra e que novas prioridades estão a alterar o cabaz.
Diferente de há cinco anos
O consumidor que entra hoje numa loja já não é o de há cinco anos. É mais velho, vive sozinho ou a dois com maior frequência, tem mais animais de estimação do que filhos em casa e decide cada vez mais depressa, muitas vezes sem lista, sem planeamento e sem grande disponibilidade para pagar por uma “novidade” que não reconhece como verdadeiramente diferente.
Este retrato, construído a partir de dados recentes do sector apresentados em Barcelona, ajuda a compreender por que razão tantas marcas sentem que estão a inovar mais do que nunca e, simultaneamente, a convencer cada vez menos.
A contradição está nos números: sete em cada dez consumidores compram algo “novo” em cada visita à loja, mas quase três quartos dos lançamentos são entendidos apenas como variações de produtos já existentes. O preço tornou-se o principal obstáculo à experimentação e apenas duas em cada dez apostas de inovação sobrevivem no mercado a médio prazo.
Ainda assim, quase metade da indústria prevê lançar mais produtos em 2026, porque deixar de inovar continua a representar um risco maior do que falhar.
A demografia já está a redesenhar o cabaz
Marta Munné, shopper insights manager da AECOC, traçou um retrato demográfico que já não constitui novidade, mas cujo impacto no cabaz continua a intensificar-se. O número de consumidores com mais de 65 anos aumentou 17% nos últimos anos. Chegam às lojas mais ativos, mais atentos à saúde e ao bem-estar e cada vez mais presentes como prescritores digitais. Há já senior influencers a moldar tendências nas redes sociais, enquanto alguns retalhistas adaptam os espaços e os serviços, nomeadamente através da instalação de elevadores para cestos de compras.
Em paralelo, os lares estão a encolher. Aumentam os agregados compostos por uma ou duas pessoas, muitos deles “ninhos vazios”, que tendem a comprar sem lista e a manter-se fiéis à loja habitual. Frequentam menos os canais organizados, complementando as compras com o comércio de proximidade, e respondem melhor aos descontos em produtos frescos de curta validade do que às grandes promoções de volume.
A esta transformação junta-se uma população de origem imigrante que já ronda os dez milhões de pessoas em Espanha, sobretudo provenientes da América Latina, embora Marrocos se destaque enquanto país de origem. Esta diversidade está a levar as marcas a alargar os sortidos. Os produtos halal, por exemplo, já integram a oferta da Sigma Alimentos.
Também os animais de estimação estão a redefinir as prioridades dos lares. Já há mais agregados com animais (67%) do que com filhos (50%), percentagem que desce para 33% quando considerados apenas os menores de 18 anos. Os chamados pet parents tendem a reduzir outras despesas antes de cortar no orçamento destinado aos animais. Estes lares apresentam, em média, maior poder de compra e maior propensão para escolher marcas de fabricante e produtos sustentáveis, ecológicos ou de origem vegetal, tanto para consumo próprio como para os seus animais.
O cabaz reflete todas estas mudanças. Metade dos lares espanhóis chega ao fim do mês com o orçamento no limite, o que aumenta a procura por promoções, a disponibilidade para mudar de estabelecimento em busca de melhores ofertas e o recurso a compras de acumulação quando a poupança o justifica. Os cabazes tornam-se mais pequenos, mas as visitas às lojas mais frequentes. Consolida-se, assim, uma “cesta mista”, que combina marca própria e marca de fabricante em função da categoria, do preço e do momento de consumo. A escolha deixou de ser binária: passou a ser uma gestão permanente de prioridades.
Depois desta análise ao novo consumidor, os próximos artigos irão explorar outras frentes decisivas para o futuro do grande consumo: a inovação, o papel das marcas, a transformação tecnológica, a colaboração na cadeia de valor e a regulação.
Fonte: Grande Consumo
Qualidade continua a ser o principal fator de compra e 60% dos consumidores que ainda não compram produtos da UE mostram interesse.
Os produtos alimentares e bebidas da União Europeia continuam a reforçar a sua reputação nos mercados internacionais, impulsionados pela perceção de qualidade e pelo interesse crescente dos consumidores. A conclusão é de um novo Eurobarómetro Flash da Comissão Europeia, que analisou a imagem dos produtos agroalimentares europeus em 11 mercados estratégicos.
O estudo revela que os produtos da UE já fazem parte dos hábitos de consumo de vários países, com destaque para os Emirados Árabes Unidos, onde 58% dos consumidores urbanos afirmam adquirir alimentos e bebidas europeus todas as semanas, e para o Reino Unido, onde essa percentagem atinge os 50%.
Em contrapartida, mercados como o México e o Japão apresentam ainda níveis mais reduzidos de consumo regular, com apenas 27% e 28% dos consumidores, respetivamente, a comprarem produtos europeus semanalmente, o que, segundo Bruxelas, evidencia um significativo potencial de crescimento.
A qualidade surge como o principal fator de decisão de compra em todos os mercados analisados – China, Índia, Indonésia, Japão, México, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Tailândia, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos – o que reforça, na opinião da Comissão, a competitividade internacional do sector agroalimentar europeu.
O inquérito mostra igualmente um aumento do reconhecimento dos sistemas europeus de certificação, como os produtos biológicos, as Indicações Geográficas Protegidas (IGP) e a campanha promocional “Enjoy, it’s from Europe!“, embora a Comissão Europeia considere que continua a existir margem para melhorar o conhecimento destes selos junto dos consumidores.
Entre os consumidores que atualmente não compram produtos agroalimentares da União Europeia, 60% afirmam estar interessados em experimentá-los. Destes, 13% garantem que pretendem começar a adquiri-los.
A intenção de compra é particularmente elevada na Índia, onde 26% dos inquiridos manifestam vontade de passar a consumir produtos europeus, seguida da Indonésia (25%) e dos Emirados Árabes Unidos (22%).
Para a Comissão Europeia, estes resultados confirmam o potencial de expansão das exportações agroalimentares e reforçam a importância das missões empresariais organizadas pelo executivo comunitário para apoiar as empresas europeias na entrada em mercados de elevado crescimento.
Bruxelas destaca também o impacto positivo das recentes missões de diplomacia económica no sector agroalimentar.
Na missão realizada ao Japão, em junho de 2025, mais de um quinto das empresas participantes afirmaram ter concretizado negócios diretamente relacionados com a iniciativa apenas um ano depois. Já na missão realizada à Tailândia, em maio deste ano, quase 90% dos participantes referiram ter estabelecido novos contactos comerciais e esperam um crescimento da atividade como resultado da participação, enquanto 7% já fecharam negócios.
A Comissão Europeia confirmou ainda novas missões empresariais para 2026 e 2027. O comissário europeu para a Agricultura, Christopher Hansen, liderará uma missão ao México em novembro de 2026 e outra à Índia no outono de 2027, com o objetivo de reforçar a presença dos produtos agroalimentares europeus nestes mercados e aproveitar o potencial criado pelo futuro acordo de comércio livre entre a União Europeia e a Índia.
Fonte: Grande Consumo
A legislação alimentar europeia evolui muito rapidamente. Mas a capacidade para a acompanhar não evolui à mesma velocidade. Todos os anos surgem alterações legislativas, orientações e pareceres que refletem as prioridades da União Europeia (UE) em áreas como a segurança dos alimentos, a informação ao consumidor, a sustentabilidade ou a economia circular.
Esta dinâmica é positiva e demonstra a preocupação da UE em responder às necessidades e requisitos das várias partes interessadas, nomeadamente a sociedade civil e os operadores do setor agroalimentar. No entanto, levanta-se a questão: será que todo o ecossistema agroalimentar consegue acompanhar este ritmo?
A legislação é aplicável de forma igual a todos os operadores económicos, mas a capacidade para a compreender, implementar e cumprir não é uniforme. Existem, ainda, diferentes velocidades de adaptação à legislação.
As grandes empresas dispõem, em geral, de equipas dedicadas aos assuntos regulamentares e/ou recorrem a consultoria especializada. Muitas participam ainda, através das associações setoriais, na discussão das propostas legislativas ainda antes da sua publicação. Esta proximidade permite-lhes antecipar mudanças e preparar atempadamente a sua implementação.
Já muitas micro, pequenas e médias empresas enfrentam uma realidade distinta. A gestão diária da produção, da qualidade, da segurança dos alimentos e da atividade comercial deixa pouco espaço para acompanhar, de forma sistemática, a evolução legislativa. Em muitos casos, o acompanhamento e a interpretação da legislação são acumulados com outras funções, como a Gestão da Qualidade, tornando mais desafiante acompanhar e implementar as novas exigências com elevada velocidade.
O Regulamento (UE) n.º 1169/2011, relativo à prestação de informação aos consumidores sobre os géneros alimentícios, é um exemplo paradigmático. Apesar de estar em vigor há mais de uma década, continuam a verificar-se incorreções em matéria de rotulagem. As causas são diversas e dificilmente resultarão do desconhecimento da legislação. Na maioria dos casos, decorrem da complexidade da sua aplicação, que exige conhecimentos técnicos, formação contínua e disponibilidade de recursos.
Neste contexto, evidencia-se aquilo que podemos designar por compliance gap: o desfasamento entre o momento em que a legislação é publicada e o momento em que é efetivamente compreendida, implementada e aplicada por todo o setor agroalimentar. Este desfasamento resulta essencialmente, das diferentes capacidades de adaptação dos diversos intervenientes e não por incumprimento deliberado.
Quanto maior for o compliance gap, maior será o risco de coexistirem no mercado operadores com diferentes níveis de conformidade, o que poderá comprometer a concorrência leal, a proteção do consumidor e, em última análise, a eficácia da própria legislação.
Mas existe uma outra velocidade que importa considerar: a do enforcement, frequentemente condicionada pela disponibilidade de recursos humanos, técnicos e financeiros.
Uma legislação só atinge plenamente os seus objetivos quando é acompanhada por uma fiscalização eficaz, consistente e tecnicamente sustentada. O enforcement não deve ser entendido apenas como um mecanismo sancionatório, mas como um elemento essencial para promover uma cultura de conformidade, assegurar condições de concorrência equitativas e reforçar a confiança dos consumidores.
Também aqui os recursos fazem a diferença. As autoridades nacionais competentes enfrentam um quadro legislativo cada vez mais complexo, que exige especialização técnica, atualização contínua e capacidade operacional. Reforçar os meios disponíveis para a fiscalização, mas também para o esclarecimento e a orientação das empresas, não deve ser visto como um custo, mas como um investimento na competitividade do setor agroalimentar e na proteção dos consumidores, em particular dos mais vulneráveis, como as crianças, os idosos e as pessoas com alergias alimentares.
Reduzir o compliance gap exige, assim, uma abordagem integrada. Exige legislação clara e proporcional, empresas capacitadas para a sua implementação e autoridades dotadas dos recursos necessários para assegurar uma aplicação harmonizada, previsível e eficaz.
O verdadeiro desafio da próxima década talvez não seja produzir mais legislação, mas reduzir o compliance gap que continua a separar a publicação das normas da sua efetiva implementação.
A próxima grande reforma da política alimentar europeia talvez não passe por produzir mais legislação, mas por garantir que a legislação existente é compreendida, implementada e fiscalizada de forma eficaz.
Fonte: iAlimentar
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