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A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e os seus parceiros europeus estão a lançar a 6ª edição da campanha Safe2Eat, uma iniciativa transfronteiriça destinada a sensibilizar os cidadãos para a segurança dos alimentos

O objetivo da campanha é fornecer orientações práticas e baseadas em dados científicos para que os consumidores possam fazer escolhas alimentares informadas.

Desde a sua primeira edição, com nove países participantes, a campanha tem vindo a expandir-se. A edição de 2026 abrange agora 23 países de toda a Europa e não só.

A campanha reúne Estados-Membros da UE – Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, Chipre, Chéquia, Estónia, Grécia, Hungria, Irlanda, Letónia, Luxemburgo, Polónia, Portugal, Roménia, Eslováquia, Eslovénia e Espanha –, bem como países parceiros, incluindo Bósnia-Herzegovina, Montenegro, Macedónia do Norte, Sérvia e Turquia.

Destaques do sistema Safe2Eat 2025: envolver os cidadãos e moldar atitudes

De acordo com um inquérito da IPSOS realizado em novembro de 2025, o quinto ano da iniciativa Safe2Eat obteve um forte reconhecimento e envolvimento, alcançando 41 % dos cidadãos nos países inquiridos. Para além de sensibilizar o público, a campanha incentivou a reflexão e o debate. Os cidadãos que foram alvo da campanha referiram prestar mais atenção à segurança dos alimentos, refletir de forma mais crítica sobre as suas escolhas alimentares e demonstrar uma maior curiosidade pelos dados científicos subjacentes à alimentação segura.

A Safe2Eat 2026 centra-se em três domínios principais:

  • práticas de alimentação segura – Orientações práticas sobre como ler rótulos, manipular, armazenar e preparar alimentos de forma segura, com base nos dados científicos mais recentes.
  • alimentação e saúde – Conselhos sobre dietas equilibradas, necessidades nutricionais, alegações de saúde e os dados científicos que as sustentam.
  • Composição dos alimentos — Informação clara sobre a segurança dos aditivos, aromas alimentares, novos alimentos e rotulagem de alergénios, garantindo transparência.

Fonte: TecnoAlimentar

Um estudo que combina arqueologia e modelos climáticos mostra que, após 9.000 anos de cultivo, o arroz asiático atingiu o seu pico histórico de temperatura nos últimos 200 anos: o aquecimento global compromete o seu futuro para sempre.

Para quase metade da humanidade, o arroz é mais do que apenas um alimento: é a base da sua alimentação diária. Metade de todos os seres humanos obtém 20% das suas calorias deste grão, e mais de mil milhões de pessoas dependem do seu cultivo para o seu sustento. É um número enorme de pessoas que dependem de um único grão.

Um estudo publicado na revista Communications Earth & Environment cruzou 9.000 anos de evidências arqueológicas com dados agrícolas modernos e projeções climáticas, e a conclusão é preocupante: o arroz asiático nunca prosperou onde a temperatura média anual ultrapassa 28 °C ou onde o pico da estação quente ultrapassa 33 °C. Estes limites, estáveis ao longo da sua história de cultivo, estão agora ameaçados.

O termómetro que o arroz jamais conseguiria atravessar

Uma equipa de investigadores da Universidade da Flórida rastreou a jornada do arroz através de 803 sítios arqueológicos na Ásia. O resultado foi conclusivo: em quase nove milénios, a humanidade levou o arroz para climas mais frios — quando o clima arrefeceu abruptamente há cerca de 4.200 anos, surgiram variedades resistentes que permitiram que o cultivo se expandisse até à Coreia e ao Japão — mas ele nunca conseguiu adaptar-se ao calor extremo.

Como explica o investigador principal Nicolas Gauthier, em temperaturas extremamente elevadas, "chega um ponto em que a planta fisicamente para de funcionar". Ao contrário do frio, que pode ser evitado ajustando-se as taxas de crescimento, o calor excessivo simplesmente paralisa o mecanismo biológico da planta.

E a onda de calor que se aproxima é de outra magnitude. O estudo alerta que, nos próximos 50 anos, o aquecimento global avançará 5.000 vezes mais rápido do que qualquer mudança de temperatura à qual o arroz teve que se adaptar em toda a sua história evolutiva.

Em 2070, quase toda a área de distribuição meridional da cultura — da Índia à Malásia — terá uma temperatura média anual superior a 28 °C. As projeções estimam que as áreas acima destes limiares poderão aumentar de dez a trinta vezes nos principais países produtores asiáticos até ao final do século.

Um problema que não é partilhado igualmente

A Índia, atualmente o maior produtor mundial de arroz, com quase 150 milhões de toneladas anuais, enfrenta um risco real. Mas, paradoxalmente, aqueles que mais dependem do arroz para o seu sustento serão os que terão menos acesso às novas variedades geneticamente adaptadas que a ciência pode desenvolver em resposta. As regiões mais afetadas no sul — Indonésia, Malásia e Bangladesh — não são as que lideram a inovação agrícola global.

Mas Gauthier é categórico: mesmo que se evite uma fome em larga escala, o processo será disruptivo e desigual. O cultivo de arroz pode deixar de ser praticado no Sudeste Asiático e migrar para outras regiões, mas isso não resolve o problema daqueles que não podem mais cultivá-lo.

O arroz sobreviveu a eras glaciais, secas e ao colapso de grandes civilizações. Desta vez, a velocidade da mudança é o verdadeiro problema. As alterações climáticas operam em cascata: o que afeta uma cultura hoje pode perturbar cadeias de abastecimento inteiras amanhã, aumentar os preços e desestabilizar comunidades que ninguém menciona nos noticiários.

Cada décimo de grau que não for reduzido hoje é uma dívida que alguém pagará amanhã, provavelmente com um prato vazio.

Fonte: tempo.pt

Foram os vegetais de folha verde, como os espinafres, e as frutas favoritas das crianças, como os morangos e as uvas, aqueles que apresentaram níveis mais elevados de resíduos de pesticidas potencialmente nocivos. São conclusões para a realidade dos Estados Unidos e assentes em testes governamentais, plasmadas no Guia do Consumidor para Pesticidas em Produtos Frescos de 2026.

Nectarinas, pêssegos, cerejas, maçãs, amoras, peras, batatas e mirtilos completam a lista dos “Doze Sujos” deste ano, como as frutas e legumes mais carregados de pesticidas, segundo o relatório divulgado pelo Environmental Working Group (EWG), que é uma organização de defesa da saúde.

Os espinafres, que ocupam o primeiro lugar, apresentaram mais resíduos de pesticidas por peso do que qualquer outro tipo de produto agrícola. Continham, em média, quatro ou mais tipos de pesticidas, segundo o EWG, que publica este relatório anual desde 2004.

As amostras dos vários tipos de produtos agrícolas apresentaram, em média, quatro ou mais pesticidas. Exceção feita às batatas, que apresentaram uma média de dois. O consumo de produtos com vários pesticidas é, segundo os especialistas, preocupante, uma vez que exposição a misturas de pesticidas pode acumular-se, aumentando o risco.

Para elaborar o relatório, o EWG analisou os mais recentes testes de resíduos de pesticidas realizados pelo Departamento de Agricultura dos EUA a 54.344 amostras de 47 frutas e legumes.

Antes de esta entidade examinar cada amostra, a fruta ou o vegetal são descascados, esfregados e lavados cuidadosamente, para simular o comportamento dos consumidores em casa. Mesmo após estas etapas, os testes encontraram vestígios de 264 pesticidas — destes, 203 estavam presentes nos produtos da lista “Doze Sujos”.

Impactos dos pesticidas na saúde

Estudos anteriores demonstraram uma possível ligação entre os pesticidas e partos prematuros, malformações congénitas como defeitos do tubo neural, abortos espontâneos ou aumentos de danos genéticos em humanos. A exposição a pesticidas tem também sido associada a concentrações reduzidas de espermatozoides, doenças cardíacas, cancro e outros distúrbios.

Segundo a Academia Americana de Pediatria, as crianças são particularmente suscetíveis a contaminantes como os pesticidas, inclusive quando ainda estão no útero. A exposição a pesticidas durante a gravidez pode levar a um risco aumentado de defeitos congénitos, de baixo peso à nascença e de morte fetal. Já a exposição na infância tem sido associada a problemas de atenção e aprendizagem, bem como ao cancro.

Por sua vez, a Aliança para a Alimentação e a Agricultura, que representa os agricultores de produtos biológicos e convencionais, vem há muito criticando este relatório anual.

Relatórios anteriores do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e da FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA) mostraram que, quando “os agricultores utilizam pesticidas, seguem as leis e regulamentos rigorosos que regem a utilização de pesticidas para fornecer frutas e legumes seguros e saudáveis ​​às famílias americanas, incluindo as deles próprios", diz um porta-voz da AFF  - Federação Americana de Agricultores - em comunicado.

“A simples presença de resíduos não significa, de uma forma automática, que algo seja inseguro. A EPA - Agência de Proteção Ambiental dos EUA estabelece limites para os resíduos de pesticidas que já incluem amplas margens de segurança para proteger bebés e crianças”.

Químicos que duram para sempre presentes na nossa comida

Pela primeira vez, o relatório constatou que mais de 60% de todas as amostras da lista "Dirty Dozen" continham pesticidas que são também "químicos eternos", de seu nome PFAS. Os três pesticidas detetados com mais frequência nos produtos agrícolas foram as substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas.

Os PFAS são conhecidos como “químicos eternos” porque as suas ligações moleculares podem levar anos, décadas ou até mesmo séculos a decompor-se completamente no ambiente.

“O pesticida PFAS é o ingrediente ativo nestes produtos porque é eficaz a matar organismos. É precisamente por isso que é tão preocupante para a saúde pública e para o ambiente em geral”, dizia Bernadette Del Chiaro, vice-presidente sénior de operações da EWG na Califórnia, à CNN, numa entrevista recente.

Diversos compostos químicos PFAS têm sido associados a cancro, obesidade, doenças da tiroide, colesterol elevado, diminuição da fertilidade, danos no fígado, disfunções hormonais e danos no sistema imunitário, segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA). Alguns destes compostos podem causar danos em concentrações na ordem de um bilionésimo de grama.

“Infelizmente, não há forma de conter os danos”, lamentou Del Chiaro. “Não podemos pura e simplesmente prejudicar os esporos de bolor ou os que existem num insetos num pêssego sem, hipoteticamente, prejudicar a criança que o come. O facto de estarmos a pulverizar, de forma intencional, os produtos que compramos no supermercado com químicos permanentes é algo que nos devia mesmo fazer-nos abrir os olhos”.

Um porta-voz da CropLife America, que representa a indústria dos pesticidas, diz à CNN, por e-mail, que a “campanha anual de disseminação do medo promove a desconfiança no nosso sistema alimentar e nas ferramentas que os agricultores utilizam para proteger as suas culturas contra as ervas daninhas, as pragas e as doenças”.

“O facto é que mais de 99% dos produtos testados estão muito abaixo dos limites de segurança estabelecidos pela Agência de Proteção Ambiental (EPA), que consideram o padrão de ouro”, junta.

Reduzir a exposição a pesticidas vindos dos produtos agrícolas

No seu relatório anual, o EWG cria também anualmente a lista "Quinze Limpos", que é uma lista de produtos não biológicos com a menor quantidade de resíduos de pesticidas.

Este ano, quase 60% das amostras do programa “Quinze Limpos” não apresentaram resíduos detetáveis ​​de pesticidas. O ananás, o milho doce e o abacate lideraram a lista como os produtos menos contaminados entre todos aqueles que foram testados. De seguida, vêm a papaia, a cebola, as ervilhas congeladas, os espargos, a couve, a couve-flor, a melancia, a manga, a banana, a cenoura, o cogumelo e o kiwi.

A solução não passa por deixar de comer produtos frescos, sublinham os especialistas. As frutas e os legumes são a base de uma alimentação saudável. Por isso, o segredo está em consumir o máximo possível de diferentes tipos de frutas e legumes.

Outra excelente forma de reduzir a exposição a pesticidas passa por escolher mais produtos da lista “Quinze Limpos” e menos da lista “Doze Sujos”, bem como comprar versões biológicas das 12 frutas e legumes mais contaminados, afirma Varun Subramaniam, analista científico do EWG.

Os estudos demonstraram que consumir mais alimentos biológicos do que alimentos cultivados de uma forma convencional pode contribuir para reduzir os níveis de pesticidas presentes nos seres humanos, acrescenta.

“Há também, muitas vezes, opções orgânicas na secção de congelados”, diz Subramaniam. “Contudo, se não encontrar versões orgânicas de amoras, por exemplo, sabemos que toda e qualquer lavagem é sempre melhor do que não fazer nenhuma”.

Segundo a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA), todos os produtos, mesmo os biológicos, devem ser lavados antes de serem descascados, de modo a evitar a transferência de sujidade e bactérias da faca para a fruta ou o vegetal. Após a lavagem, seque com um pano limpo ou com papel de cozinha.

Produtos firmes, como cenouras, pepinos, melões e batatas, podem ser esfregados com uma escova de legumes limpa em água corrente, segundo a FDA. Todos os outros produtos podem ser esfregados de uma forma suave enquanto são enxaguados. Não há necessidade de utilizar lixívia, sabão ou produtos de limpeza específicos para frutas e legumes — são porosos e podem absorver estes químicos.

Retire as folhas mais de fora da couve, da alface e de outras verduras de folha e lave cada uma delas cuidadosamente — mas não deite água em excesso, ou vai acabar por dar cabo delas.

Os especialistas afirmam que o ideal é utilizar água a baixa pressão e que esteja mais quente do que os legumes, bem como um escorredor para os secar. Não se esqueça é de lavar o escorredor depois. A exceção são as folhas verdes embaladas que já foram submetidas a tripla lavagem, que, segundo a FDA, não necessitam de mais uma passagem por água.

Fonte: CNN Portugal

O Frutotal centra-se na valorização de fruta que não entra nos circuitos comerciais, apesar de manter qualidade, como a Maçã de Alcobaça IGP e a Pêra Rocha do Oeste DOP.

Cofinanciado pelo Compete 2030, o projeto junta empresas do setor frutícola, entidades técnicas e instituições de ensino superior, numa abordagem que liga produção e investigação. A iniciativa é liderada por uma empresa da região do Oeste, e conta com o apoio científico do Instituto Politécnico de Viana do Castelo e da Universidade do Minho.

O trabalho desenvolvido passa pela transformação da biomassa destes frutos em ingredientes com valor nutricional acrescentado. A proteína é obtida através de fermentação, enquanto a fibra resulta de processos de extração, sendo depois incorporadas em preparados de fruta, esclarece o Compete 2030.

Estas soluções procuram garantir um perfil nutricional reforçado sem alterar as características sensoriais dos produtos, como o sabor, a textura e o aroma.

O projeto abrange várias etapas da cadeia, desde o aproveitamento da fruta rejeitada até à sua transformação industrial, contribuindo para a redução de perdas e para uma utilização mais eficiente dos recursos.

Numa fase posterior, está prevista a aplicação dos preparados desenvolvidos em produtos de pastelaria.

O Frutotal pretende, assim, responder à procura crescente por alimentos mais saudáveis e sustentáveis, reforçando simultaneamente a valorização de subprodutos no setor agroalimentar, refere o Compete 2030.

Fonte: iAlimentar

A indústria de processamento de pescado

  • Monday, 20 April 2026 08:59

Um setor de excelência

Portugal possui uma das maiores zonas económicas exclusivas da Europa e uma relação histórica profunda com o mar e o pescado. O setor de processamento de pescado é, há décadas, uma das âncoras da indústria alimentar portuguesa, representando uma significativa quota das exportações agroalimentares e garantindo milhares de empregos diretos e indiretos em todo o território nacional. Trata-se de uma fileira estratégica que combina tradição, inovação e uma forte vocação exportadora.

O setor da indústria do pescado em Portugal, que inclui conservação, refrigeração, congelação e transformação, é composto maioritariamente por pequenas e médias empresas com uma forte tradição e vocação exportadora. No entanto, enfrenta desafios significativos decorrentes da escassez de matéria-prima, provocada pela finitude dos stocks de pescado, restrições às capturas e aumento do consumo global. A dependência do mercado externo para importações e exportações é uma característica marcante desta indústria, obrigando as empresas portuguesas a uma gestão cuidadosa da origem e da qualidade do pescado.

Perante este cenário, a indústria tem-se modernizado de forma consistente, apostando em automação e digitalização, rastreabilidade, qualidade e segurança alimentar e sustentabilidade. Estes fatores tornaram-se determinantes nas decisões dos consumidores, incentivando as empresas a adaptar-se a novas exigências. É nesse contexto que a ALIF, enquanto Associação representativa da indústria de processamento de pescado, tem desempenhado um papel determinante no apoio à transição tecnológica e ambiental do setor.

Transição digital: digitalização, automação e rastreabilidade

A digitalização representa uma das transformações mais decisivas na história recente da indústria do pescado. O setor tem vindo a desenvolver e integrar soluções alinhadas com os princípios da Indústria 4.0, como análise de dados em tempo real, automação inteligente e rastreabilidade digital, ainda que muitas empresas estejam ainda a dar os primeiros passos neste domínio.

Estes avanços permitem otimizar processos produtivos, reduzir perdas, garantir padrões de qualidade constantes e responder com maior agilidade às exigências do mercado e da regulação internacional. A rastreabilidade digital, em particular, reforça a confiança dos consumidores e compradores, assegurando transparência total desde a origem do pescado até à prateleira do supermercado ou ao consumidor final.

Em Portugal, esta transição digital é impulsionada por uma crescente colaboração entre empresas, centros de I&D e instituições públicas, que têm potenciado o acesso a programas de financiamento europeu e à experimentação tecnológica. Tecnologias relacionadas com a robótica, controlo automático de temperatura e sistemas integrados de qualidade já são testadas e aplicadas em algumas unidades industriais. A integração de dados entre produção, transformação e distribuição tornará possível uma rastreabilidade total e uma gestão mais eficiente.

A par da automação, o futuro passará por uma aposta crescente em plataformas digitais colaborativas e em soluções de gestão integradas que interligam operadores, fornecedores e distribuidores. Esta transição digital contribuirá para maior transparência, melhor planeamento logístico e maior resiliência das cadeias de abastecimento, tornando o setor mais preparado para responder a choques externos e flutuações de mercado.

No entanto, é de salientar que apesar dos progressos registados, a digitalização continua a enfrentar obstáculos significativos. Muitas empresas do setor, em especial as de menor dimensão, enfrentam limitações de investimento, falta de recursos humanos qualificados e dificuldades na integração de sistemas complexos com infraestruturas já existentes. A escassez de competências digitais e a necessidade de formação técnica contínua tornam-se barreiras à adoção das novas tecnologias. Além disso, a interoperabilidade entre plataformas, os custos de manutenção e as exigências de cibersegurança representam desafios acrescidos para um setor que opera com margens de rentabilidade reduzidas. Superar estas limitações exige uma estratégia coletiva e colaborativa, apoiada em políticas públicas, programas de capacitação e partilha de boas práticas tecnológicas entre empresas.

Fonte: TecnoAlimentar

A EIT Food divulgou que “A Europa quer alimentar-se melhor, então por que isso não está a acontecer?”, o primeiro relatório da série Trust Report, desenvolvida pelo Consumer Observatory. Interesse por alimentação sustentável diminui, enquanto a saúde e a acessibilidade económica se impõem.

O relatório oferece uma análise sobre como os europeus se alimentam, que hábitos alimentares desejam mudar e por que motivo o progresso rumo a dietas mais saudáveis e sustentáveis continua lento.

Baseado em respostas de 19.954 consumidores em 18 países europeus, o documento mostra que o interesse por uma alimentação sustentável está a diminuir de forma constante, passando de 76 % em 2021 para 69 % em 2025. Atualmente, a sustentabilidade fica atrás tanto da saúde como da acessibilidade económica enquanto fator que influencia as escolhas alimentares.

Na prática, menos de metade dos europeus (48 %) acredita seguir uma dieta sustentável, e a adoção de comportamentos sustentáveis de maior impacto – como a redução do consumo de produtos de origem animal – também diminuiu. No entanto, as diferenças geracionais sugerem potencial para mudanças futuras. Os consumidores mais jovens estão mais abertos à inovação alimentar sustentável e à agricultura regenerativa, e têm maior probabilidade de comprar produtos biológicos ou de origem ética. Embora a sustentabilidade esteja a perder força no geral, os europeus mais jovens parecem mais alinhados com valores ambientais de longo prazo, apesar de enfrentarem mais barreiras para implementar mudanças duradouras.

Em toda a Europa, a saúde continua a ser o principal fator que motiva alterações na dieta, com mais de metade dos consumidores (51 %) a afirmar que querem alimentar-se de forma mais saudável, superando preocupações com o custo ou a sustentabilidade.

Os europeus reconhecem os efeitos negativos para a saúde de alimentos salgados, gordurosos, açucarados ou processados, mas apenas cerca de um terço evita consumi-los. Muitos europeus continuam também a consumir quantidades insuficientes de alimentos essenciais e saudáveis, como fruta, vegetais e fibra, o que sugere que a intenção, por si só, não é suficiente para transformar hábitos alimentares.

A investigação destaca a persistência de uma diferença entre aquilo que os consumidores desejam fazer e aquilo que conseguem implementar na prática. Embora muitos europeus expressem o desejo de se alimentarem de forma mais saudável e sustentável – com 51 % a quererem melhorar a sua alimentação e 69 % a quererem viver de forma sustentável – apenas um terço evita alimentos tipicamente pouco saudáveis e só 48 % acredita ter uma alimentação sustentável.

O estudo identifica o custo e os hábitos enraizados como os dois principais obstáculos à mudança, contribuindo para esta lacuna entre intenção e comportamento. Os consumidores relatam dificuldades em suportar opções mais saudáveis e em quebrar rotinas estabelecidas, mesmo quando existe motivação. Estes desafios são particularmente acentuados entre os mais jovens, que, apesar de maior insatisfação, sentem ter pouco controlo sobre a mudança das suas dietas.

Os dados sugerem que a mudança alimentar na Europa é menos limitada pela falta de conhecimento e mais por pressões estruturais e financeiras. Sem enfrentar estes obstáculos, é pouco provável que as intenções se traduzam em mudanças comportamentais duradouras.

Fonte: TecnoAlimentar

Uma equipa de cientistas do Innovative Genomics Institute (IGI), no estado da Califórnia (EUA), apresentou uma nova estratégia para melhorar a eficiência da fotossíntese nas plantas, recorrendo à tecnologia CRISPR para regular a expressão genética com elevado grau de precisão. O trabalho foi publicado na revista Nature Biotechnology.

Ao contrário das abordagens tradicionais de edição genética, que frequentemente se concentram em “desligar” genes, esta nova metodologia permite ajustar finamente a quantidade de proteínas produzidas pelas plantas. Para isso, os investigadores focaram-se nas regiões reguladoras do ADN (responsáveis por controlar quando e em que quantidade um gene é ativado) em vez de alterarem diretamente as proteínas.

A plataforma desenvolvida utiliza células isoladas de folhas de sorgo para simular milhares de edições genéticas em genes associados à fotossíntese. Desta forma, foi possível identificar com precisão quais as alterações necessárias para aumentar ou diminuir a produção de proteínas essenciais, melhorando a capacidade das plantas para converter luz solar e dióxido de carbono em biomassa.

Este avanço representa um passo significativo na engenharia genética de culturas agrícolas, ao permitir um controlo muito mais rigoroso da expressão génica. Segundo os investigadores, a tecnologia poderá ser aplicada a várias espécies vegetais, contribuindo para aumentar a produtividade agrícola e, simultaneamente, reforçar a captura biológica de carbono, um aspeto crucial no combate às alterações climáticas.

Além disso, os dados gerados neste estudo deverão servir de base para treinar e aperfeiçoar modelos de aprendizagem automática aplicados à genómica vegetal, acelerando o desenvolvimento de novas variedades de culturas mais eficientes e adaptadas aos desafios ambientais atuais.

Leia o estudo na Nature Biotechnology.

Fonte: Centro de informação de biotecnologia

A humidade e os restos de comida que ficam nas esponjas criam um ambiente ideal para a proliferação de microrganismos. Segundo a DECO PROteste, e com base num estudo efetuado em colaboração com a Noruega, uma única esponja de lavar a loiça pode conter mais de 50 mil milhões de bactérias por centímetro cúbico, mesmo quando aparenta estar limpa.

Uma das soluções é substituir a esponja por uma escova de lavar loiça. Ao contrário das esponjas, as escovas secam mais rápido entre utilizações, o que dificulta a multiplicação de bactérias. Além disso, como muitas têm cabo, reduzem o contacto direto das mãos com os microrganismos durante a lavagem da loiça.

Se continuar a usar esponjas, é importante espremê-las bem e deixá-las secar num local arejado após cada utilização, para diminuir a humidade que favorece o crescimento de bactérias. Quando puser a máquina da loiça a funcionar, pode colocar as esponjas usadas no cesto de cima e/ou a escova junto com os talheres.  Também é recomendado substituí-las com frequência, já que a acumulação de microrganismos aumenta com o tempo de uso.

Fonte: GreenSavers

Uma equipa científica liderada pela South China Agricultural University desenvolveu uma nova ferramenta de edição genética, designada CasY7, que promete revolucionar o melhoramento de culturas agrícolas. Este sistema surge como uma alternativa mais eficiente às nucleases tradicionalmente utilizadas nos sistemas CRISPR, como a conhecida Cas9.

Inicialmente explorado em contexto médico, o CasY7 foi agora optimizado para aplicações agrícolas. Os investigadores melhoraram tanto a sua estrutura como o sistema de orientação, aumentando significativamente a sua capacidade de realizar alterações precisas no ADN das plantas.

Os testes, realizados em larga escala com cerca de mil plantas, revelaram resultados impressionantes: taxas de eficiência de 87,7% no milho e 82,9% no arroz. Estes valores representam um desempenho quase três vezes superior ao de ferramentas anteriormente consideradas padrão na área.

Outra vantagem relevante do CasY7 é a sua capacidade de multiplexing, ou seja, a possibilidade de editar vários genes ou características em simultâneo. Esta funcionalidade é particularmente importante para culturas com características genéticas complexas, como o trigo.

Segundo os autores do estudo, esta nova ferramenta destaca-se pela sua robustez e versatilidade, oferecendo uma abordagem mais fiável para modificar genes em culturas agrícolas. O CasY7 poderá assim contribuir para o desenvolvimento de plantas mais resistentes e produtivas, ajudando a responder aos desafios globais de segurança alimentar.

O estudo pode ser consultado na revista científica Journal of Integrative Plant Biology.

Fonte: Centro de informação de biotecnologia

No setor alimentar contemporâneo, a rotulagem e as embalagens assumem um papel estratégico que ultrapassa largamente a sua função tradicional de proteção e identificação do produto. Num contexto marcado por cadeias de abastecimento cada vez mais complexas, exigências regulamentares rigorosas e consumidores mais informados, estes elementos constituem hoje um ponto de convergência entre segurança dos alimentos, transparência e diferenciação no mercado.

Do ponto de vista técnico e regulatório, a rotulagem é um instrumento essencial para garantir a correta informação ao consumidor. A legislação europeia estabelece requisitos detalhados relativamente às menções obrigatórias, como a denominação do alimento, lista de ingredientes, identificação de alergénios, quantidade líquida, data de durabilidade mínima ou data-limite de consumo, condições de conservação, identificação do operador económico e informação nutricional. Para além da conformidade legal, a clareza e a legibilidade da informação são determinantes para permitir decisões de consumo informadas e reduzir potenciais riscos associados a alergias ou intolerâncias alimentares.

Paralelamente, as embalagens desempenham uma função crítica na conservação da qualidade e segurança dos alimentos ao longo da cadeia logística. A seleção de materiais adequados – sejam plásticos, vidro, metal ou soluções multicamada – deve considerar propriedades como barreira ao oxigénio, à humidade e à luz, bem como a resistência mecânica e a compatibilidade com o produto. Em categorias particularmente sensíveis, como produtos frescos, refrigerados ou prontos a consumir, o desempenho da embalagem pode influenciar diretamente a vida útil e a integridade microbiológica do alimento.

A evolução tecnológica tem também impulsionado o desenvolvimento de soluções de embalagem mais avançadas. Entre elas destacam se as embalagens ativas e inteligentes. As embalagens ativas contribuem para a conservação dos alimentos, absorvendo ou libertando substâncias — como antioxidantes — que ajudam a prolongar a sua qualidade. Já as embalagens inteligentes incorporam sensores e indicadores capazes de fornecer informações sobre o estado do produto, nomeadamente alterações de temperatura, tempo de prateleira ou sinais de possível contaminação.

Por outro lado, a dimensão ambiental tornou-se um fator incontornável na conceção de embalagens alimentares. A pressão regulamentar e social para reduzir o impacto ambiental tem incentivado a adoção de materiais recicláveis, reutilizáveis ou de origem renovável, bem como estratégias de ecodesign que minimizem o peso e o volume das embalagens. No entanto, estas iniciativas devem ser cuidadosamente equilibradas com os requisitos de segurança dos alimentos e desempenho funcional, evitando comprometer a proteção do produto.

Importa ainda reconhecer que a rotulagem e a embalagem são também ferramentas de comunicação e posicionamento de marca. Para além das menções obrigatórias, muitos operadores recorrem a alegações nutricionais, certificações de qualidade ou referências à origem e sustentabilidade para reforçar a confiança do consumidor. Neste domínio, a transparência e o rigor informativo são fundamentais para evitar práticas potencialmente enganadoras e assegurar a credibilidade do setor.

Em síntese, a rotulagem e as embalagens representam hoje uma interface crítica entre indústria, regulamentação e consumidor. A sua correta conceção exige uma abordagem multidisciplinar que integra conhecimento técnico, enquadramento legal, inovação tecnológica e responsabilidade ambiental. Num mercado alimentar em constante evolução, investir nestas áreas não é apenas uma exigência de conformidade, mas também uma oportunidade estratégica para promover segurança, qualidade e confiança.

Fonte: iAlimentar