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A proximidade do verão e o aumento das viagens internacionais, aumentam também os riscos associados ao transporte de plantas, sementes e outros produtos vegetais entre países, facilitando a disseminação de pragas e doenças com impacto na agricultura, na biodiversidade e na segurança alimentar.

Atualmente, e segundo dados da FAO, até 40 % das culturas agrícolas são perdidas anualmente devido a estas ameaças, comprometendo a produção alimentar, a economia agrícola e a estabilidade dos ecossistemas. Fatores como a intensificação do comércio internacional, as alterações climáticas e o aumento da mobilidade global têm vindo a acelerar a propagação destes organismos e o risco da sua entrada em novos territórios.

A DGAV, em colaboração com a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), reforça, em comunicado, a importância de uma abordagem transversal à segurança alimentar, destacando a saúde das plantas enquanto elemento essencial para proteger a agricultura, a biodiversidade e os ecossistemas.

A saúde vegetal está diretamente relacionada com a qualidade e disponibilidade dos alimentos, a sustentabilidade da produção agrícola e a preservação ambiental. Neste contexto, a prevenção e a sensibilização para os riscos associados à propagação de pragas e doenças das plantas assumem uma importância crescente.

As entidades chamam ainda a atenção para pequenos gestos aparentemente inofensivos, como trazer plantas ou outros elementos naturais na bagagem, que podem ter como consequência a introdução de organismos prejudiciais com impacto na agricultura e no ambiente.

Para minimizar estes riscos, é fundamental não transportar plantas, sementes ou produtos vegetais entre países sem certificação adequada; comprar plantas apenas a fornecedores autorizados e estar atento a sinais de pragas ou doenças em jardins, hortas ou espaços agrícolas.

“Muitas vezes não temos consciência de que um gesto simples durante uma viagem pode facilitar a introdução de pragas com impacto na agricultura, na biodiversidade e na disponibilidade de alimentos. A prevenção começa através de escolhas informadas e de comportamentos responsáveis, que ajudam a proteger os ecossistemas e a sustentabilidade da produção agrícola” afirma Ana Paula Cruz Garcia, Subdiretora Geral da DGAV, citada no comunicado.

A sensibilização para estes riscos integra também a campanha europeia #PlantHealth4Life, promovida pela EFSA e pela Comissão Europeia, que procura aproximar o tema da saúde das plantas do quotidiano dos cidadãos e incentivar comportamentos mais conscientes e responsáveis.

Fonte: TecnoAlimentar

A Cimeira do Leite, organizada pelo Grupo Lactogal, o maior grupo lácteo da Península Ibérica, para assinalar o seu 30.º aniversário, encerrou com um apelo à transformação e à colaboração, de forma a delinear um futuro sustentável e inovador para o setor dos lácteos, foi divulgado em comunicado.

Segundo a mesma fonte, realizado no Super Bock Arena, no Porto, sob o tema “Cuidamos da Origem, Alimentamos o Futuro”, o evento concluiu que o setor está preparado para liderar através de avanços científicos que desafiam dogmas nutricionais, tecnologias que promovem uma verdadeira economia circular e uma abordagem à sustentabilidade que integra o bem-estar ambiental, económico e social.

Na abertura do evento, José Marques, Presidente do Conselho de Administração do Grupo Lactogal, sublinhou a necessidade de uma reflexão estratégica.

“Quisemos que este fosse, acima de tudo, um momento de reflexão séria sobre o futuro. O setor atravessa uma transformação profunda e esta cimeira nasce da vontade de antecipar tendências e construir uma visão para o futuro, em conjunto”, referiu.

A importância estratégica do setor foi reforçada pela Ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, que presidiu à sessão de abertura.

“Podemos afirmar que o setor do leite é estruturante no país. E não apenas por representar um valor anual superior aos mil milhões de euros, mas porque tem um impacto direto na vitalidade dos territórios, na ocupação do território, na coesão social e na nossa soberania e segurança alimentar”, sublinhou.

Origem e Sustentabilidade: o potencial regenerativo da pecuária

O primeiro painel da Cimeira, dedicado ao tema Origem e Sustentabilidade e moderado por Fernando Cardoso, Diretor Executivo da Proleite, desconstruiu a visão simplista da pecuária como um problema e destacou o seu potencial regenerativo.

Humberto Delgado Rosa, ex-diretor para a Biodiversidade na Comissão Europeia, defendeu que “uma pecuária bem dirigida pode trazer grandes vantagens ecológicas”.

Aprofundando a dimensão do bem-estar animal, Antoni Dalmau, investigador sénior em bem-estar e comportamento animal do IRTA, posicionou esta temática como um pilar social fundamental da sustentabilidade, defendendo que o tratamento ético dos animais é uma “obrigação moral”.

A esta visão, George Stilwell, médico veterinário e Professor Associado da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa, acrescentou o conceito de “Uma Só Saúde” (humana, animal e ambiental), defendendo que a redução do uso de antimicrobianos é alcançada através da melhoria do bem-estar animal e da prevenção.

Ciência reforça valor dos lácteos

O segundo painel, dedicado ao tema Nutrição e Saúde e moderado por Liliana Ferreira, Presidente da Direção da Associação Portuguesa de Nutrição, trouxe conclusões que desafiam algumas ideias estabelecidas.

Arne Astrup, consultor em Nutrição Médica no Hospital Universitário de Copenhaga e uma referência mundial na área, apresentou evidências que questionam alguns dogmas relacionados com a gordura láctea.

“A ciência hoje é clara: a gordura saturada proveniente dos laticínios não está associada a doenças cardiovasculares. O que importa é a matriz alimentar. Alimentos como o iogurte e o queijo estão, na verdade, associados a uma vida mais longa e a um menor risco de doenças cardíacas, AVC e cancro”, garantiu.

A relevância nutricional dos laticínios foi reforçada por Nuno Borges, nutricionista e Professor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto.

“Os laticínios contribuem com quase metade do cálcio e, nas crianças, quase 60% do iodo da dieta dos portugueses. Isto é crucial num país onde 60% das mulheres não atingem a dose recomendada de cálcio.”

Com o olhar no futuro da nutrição funcional, Richard Day, Vice-Presidente da ADM Health & Wellness, destacou a importância dos pós-bióticos, “microrganismos inativados que mantêm os seus benefícios para a saúde com a vantagem crucial da estabilidade”, como uma inovação que permite enriquecer produtos como o leite com novas funcionalidades para a saúde digestiva e imunitária.

Tecnologia e inovação expandem fronteiras

O último painel, dedicado à Tecnologia e Inovação e moderado por Manuela Pintado, Professora Catedrática e Diretora Associada da Escola de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, demonstrou como a ciência está a expandir as fronteiras do setor.

Miguel Cerqueira, investigador do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, revelou como a nanotecnologia, inspirada nas próprias estruturas do leite, permite criar ingredientes de maior valor acrescentado e desenvolver embalagens biodegradáveis.

Na mesma linha, Juan Lema, Professor Emérito de Engenharia Química da Universidade de Santiago de Compostela, apresentou soluções para transformar os efluentes da indústria numa fonte de valor.

“Temos de passar de um sistema que consome energia para tratar a água, para um sistema que recupera energia e recursos. As águas residuais são uma oportunidade”, explicou, detalhando processos capazes de gerar biogás e outros subprodutos com valor económico.

Já Laurence Rycken, Diretora-Geral da International Dairy Federation, trouxe uma perspetiva global e destacou a importância de “padrões globais harmonizados e baseados em ciência”, fundamentais para permitir ao setor responder de forma coerente aos desafios futuros.

Setor essencial para o futuro do país

Numa mensagem vídeo de encerramento, o Ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, reforçou o papel vital do setor para Portugal.

“O vosso trabalho permite que Portugal tenha sido considerado, recentemente, como líder mundial no que diz respeito à resiliência alimentar. Nem sempre temos consciência da qualidade e acessibilidade dos nossos produtos. É fundamental continuar a apoiar o setor, pois a agricultura é competitividade, inovação e sustentabilidade”, sublinhou.

A Cimeira do Leite consolidou a imagem de um setor dinâmico, cientificamente avançado e essencial para o futuro alimentar, social e económico de Portugal, preparado para inovar e liderar na próxima década.

Fonte: GreenSavers

Mirtilos de refugo estão a ganhar uma segunda vida — e a transformar-se numa oportunidade inesperada para a inovação alimentar.

De desperdício a recurso valioso

O que antes era visto como perda económica — mirtilos demasiado pequenos, deformados ou com ligeiras imperfeições — está agora a tornar‑se matéria‑prima estratégica para novas soluções alimentares. Produtores, startups e centros de investigação estão a unir esforços para transformar estes frutos rejeitados em extratos bioativos, snacks funcionais sem glúten e até ingredientes naturais para cor e aroma.

O potencial escondido dos mirtilos rejeitados

Ricos em antocianinas, fibras e compostos antioxidantes, os mirtilos de refugo mantêm praticamente o mesmo valor nutricional dos frutos de primeira categoria. A diferença está apenas na aparência. Graças a novas tecnologias de desidratação, extração por pressão e moagem fina, estes frutos passam a ser utilizados em:

  • Extratos bioativos — para bebidas funcionais, suplementos e produtos de bem‑estar;

  • Snacks sem glúten — barras, chips de fruta e misturas energéticas;

  • Corantes naturais — substituindo aditivos artificiais em pastelaria e bebidas;

  • Ingredientes para panificação — farinhas ricas em fibra para produtos mais saudáveis.

Impacto económico e ambiental

A valorização dos mirtilos de refugo está a reduzir perdas na produção, aumentar a margem dos agricultores e criar novas cadeias de valor. Ao mesmo tempo, contribui para metas de economia circular, diminuindo o desperdício alimentar e promovendo um uso mais eficiente dos recursos agrícolas.

Empresas portuguesas do setor agroalimentar já reportam reduções de até 30% no desperdício e novas linhas de produtos com forte procura no mercado europeu.

Inovação que aproxima campo e indústria

Esta tendência está a aproximar produtores, transformadores e marcas de alimentação saudável. Projetos‑piloto em Portugal e Espanha mostram que a integração de mirtilos rejeitados em produtos inovadores pode gerar novas oportunidades de exportação, reforçar a competitividade e posicionar a fileira dos pequenos frutos como referência em sustentabilidade.

O que isto significa para o consumidor

Mais opções naturais, funcionais e sustentáveis nas prateleiras — e uma história positiva por trás de cada produto: a de transformar o que antes era descartado em algo nutritivo, saboroso e com valor acrescentado.

Fonte: Qualfood

A Comissão Europeia propôs a eliminação progressiva de testes em animais na avaliação da segurança de produtos químicos, com aplicação imediata pelos Estados-membros da União Europeia (UE) e cuja aplicação e eficácia serão avaliadas até 2029.

O roteiro, que se divide em três pilares e inclui 22 ações, prevê, segundo informação do executivo comunitário, a substituição gradual dos testes em animais para avaliações de segurança química em 15 domínios, incluindo produtos químicos para uso industrial e de consumo, pesticidas e biocidas, produtos farmacêuticos e aditivos para a alimentação humana e animal.

O roteiro define ainda indicadores que ajudarão a monitorizar o progresso na aplicação das ações e recomendações.

O primeiro pilar da proposta visa acelerar o desenvolvimento e a adoção de abordagens que não recorram a animais e inclui recomendações específicas para substituir, reduzir ou aperfeiçoar os testes em animais nas avaliações de segurança para a saúde humana e para o ambiente.

O objetivo do segundo pilar é manter a Europa na vanguarda da investigação e da inovação, num ecossistema alargado de investigação e inovação empresarial para desenvolver abordagens sem animais.

As ações incluem o aproveitamento da inteligência artificial e de grandes conjuntos de dados ('big data') para o desenvolvimento de métodos. O terceiro pilar diz respeito à promoção da colaboração com reguladores internacionais.

A Comissão dará início à implementação do roteiro imediatamente, em estreita colaboração com os Estados-membros, as agências da UE e as partes interessadas.

Até 2029, a Comissão organizará uma conferência de alto nível para fazer o balanço dos progressos alcançados e que será focada no aumento da utilização e adoção de abordagens que não recorram a animais em toda a legislação relevante da UE, incluindo o REACH., a legislação da UE sobre substâncias químicas.

Leia o roteiro aqui.

Fonte: Comissão Europeia

O Governo está a desenvolver “o maior esforço de sempre” na preparação do dispositivo de prevenção e combate aos incêndios rurais, afirmou o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, durante uma visita ao Comando Integrado de Prevenção e Operações, em Leiria.

De acordo com o comunicado do Governo, a estratégia assenta numa resposta integrada, permanente e coordenada entre as várias entidades do Estado, incluindo áreas governativas, autarquias, forças de segurança, Proteção Civil, bombeiros e Forças Armadas. Segundo o Primeiro-Ministro, o objetivo é reforçar a eficácia da prevenção e a rapidez da resposta operacional.

 “O Estado, a administração pública, as autarquias locais estão a dar o seu contributo máximo com sentido de responsabilidade, de solidariedade e de cooperação”, afirmou Luís Montenegro.

O Governo está a mobilizar “muitos milhares de operacionais” e “muitas dezenas de entidades” no âmbito de um programa apoiado por 40 milhões de euros. A verba destina-se à desobstrução da rede viária florestal e à redução de material combustível nas matas e florestas.

 Segundo Luís Montenegro, o esforço deste ano é particularmente exigente devido às consequências das tempestades que atingiram o país, que deixaram ainda muitas vias florestais obstruídas e provocaram a acumulação de elevado volume de combustível florestal.

A intervenção destacou também o papel dos municípios e das comunidades intermunicipais na identificação das áreas prioritárias de intervenção e na articulação com a Administração Central.

 “O esforço das pessoas e dos proprietários conjugado com as autoridades públicas e autárquicas, em particular, é decisivo para diminuirmos o risco”, afirmou o Primeiro-Ministro.

Luís Montenegro recordou ainda os incêndios de grande dimensão registados no ano passado, defendendo a necessidade de retirar lições da experiência recente para reforçar a prevenção, melhorar a capacidade de resposta inicial e reduzir o número de reacendimentos.

O Primeiro-Ministro apelou ainda à colaboração da população no cumprimento das regras e orientações das autoridades, considerando que a proteção do território exige “cooperação, colaboração e espírito de solidariedade” de todos os cidadãos.

Fonte: Vida Rural

Uma equipa de investigadores chineses conseguiu mapear em detalhe o genoma de uma variedade de trigo conhecida pela elevada qualidade do seu glúten, revelando que a qualidade da farinha não depende apenas de alguns genes-chave, mas sim de uma rede complexa de interações entre diferentes genes.

O estudo mostra que estas interações podem ser decisivas para a elasticidade e estabilidade da massa, características essenciais para pão, massas e outros produtos alimentares. Os resultados sugerem que o melhoramento do trigo poderá no futuro ir além da seleção de genes isolados, passando a considerar combinações genéticas mais complexas.

A qualidade do trigo utilizado na alimentação humana não depende apenas da quantidade produzida no campo, mas também da forma como a sua farinha se comporta durante o processamento. Essa qualidade está sobretudo ligada ao glúten, um conjunto de proteínas presentes no grão que determina a elasticidade e a estrutura das massas.

Um novo estudo liderado por investigadores chineses deu um passo importante na compreensão deste processo ao “descodificar” parte do chamado código genético do glúten. A equipa analisou o genoma de alta qualidade de uma variedade de trigo harinheiro chamada Jimai 44, conhecida pelo seu bom desempenho na panificação e pela força do seu glúten.

O trabalho mostra que os genes responsáveis pelas proteínas do glúten estão localizados em regiões muito complexas do genoma do trigo, difíceis de analisar até agora. Ao estudar essas regiões em detalhe, os investigadores concluíram que a qualidade da farinha não resulta apenas da presença de alguns genes considerados “bons”, mas sim da interação entre várias famílias de genes, muitas delas altamente variáveis.

Essa descoberta é importante porque muda a forma como se entende o melhoramento do trigo. Até agora, os programas de seleção genética focavam sobretudo alguns genes associados a glúten forte. No entanto, este estudo indica que a realidade é mais complexa: a forma como diferentes genes interagem entre si pode ter um impacto tão ou mais relevante na qualidade final da farinha.

Os investigadores também analisaram a evolução destes genes ao longo da história do trigo, desde a sua domesticação até ao melhoramento moderno. Os resultados mostram que a seleção humana teve influência em diferentes fases, favorecendo em alguns casos combinações genéticas associadas a melhor desempenho na panificação.

Outro dos pontos-chave do estudo é a importância das chamadas interações entre genes. Estas interações significam que o efeito de um gene pode mudar dependendo dos outros genes com que está combinado. No caso do glúten, isto ajuda a explicar porque algumas variedades de trigo apresentam melhor desempenho industrial do que outras, mesmo quando partilham genes semelhantes.

Os autores defendem que estes resultados podem abrir novas estratégias para o melhoramento do trigo, permitindo desenvolver variedades mais estáveis, adaptadas à indústria alimentar e com melhor qualidade tecnológica. Em vez de procurar apenas genes isolados, o futuro poderá passar por selecionar combinações genéticas mais eficazes.

Este avanço científico poderá ter impacto direto na produção de alimentos como pão, massas e produtos de pastelaria, contribuindo para melhorar a consistência e qualidade da farinha utilizada na indústria alimentar.

Estudo publicado em Nature Plants, divulgado por instituições científicas chinesas (IGDB/CAS e Academia de Ciências Agrícolas de Shandong).

Fonte: Centro de informação de biotecnologia

Portugal emitiu uma notificação através da rede europeia RASFF – Rapid Alert System for Food and Feed, após a deteção de corpos estranhos metálicos em cereais de pequeno‑almoço com chocolate produzidos no país e distribuídos para outros mercados europeus. A informação foi posteriormente difundida pelas autoridades espanholas, que confirmaram a presença de partículas de alumínio em dois lotes comercializados em Espanha.

O que motivou o alerta?

As autoridades portuguesas comunicaram ao sistema RASFF a possível contaminação por fragmentos metálicos, um risco físico que pode causar lesões orais, danos gastrointestinais ou engasgamento. A notificação permitiu uma resposta rápida noutros Estados‑Membros, levando a Espanha a ativar os seus mecanismos internos de controlo.

Lotes afetados

Segundo a Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição (AESAN), os produtos contaminados correspondem a:

  • Lote 31176Pétalos de trigo y chocolate (marca Gran Dia), validade abril de 2027

  • Lote 32176Choco Cups (marca Golden Bridge), validade abril de 2027. Ambos embalados em caixas de 500 g e armazenados à temperatura ambiente.

Medidas imediatas

As autoridades espanholas ativaram o SCIRI – Sistema Coordenado de Intercâmbio Rápido de Informação, iniciando a retirada dos produtos dos canais de comercialização. Os consumidores que tenham adquirido estes lotes são aconselhados a não os consumir e a devolvê‑los no ponto de compra.

Importância do RASFF

O caso demonstra a eficácia do RASFF, que permite uma circulação rápida de informação entre Estados‑Membros sempre que existe um risco para a saúde pública. O sistema funciona 24/7 e é essencial para garantir que produtos potencialmente perigosos são identificados e retirados antes de chegarem ao consumidor.

Conclusão

Este alerta reforça a importância dos controlos de qualidade na indústria alimentar e da cooperação europeia na proteção dos consumidores. A rápida atuação das autoridades portuguesas e espanholas permitiu mitigar o risco e assegurar que os produtos contaminados estão a ser removidos do mercado.

Fonte: Qualfood

O Compete 2030 está a apoiar três projetos de inovação no setor alimentar que procuram transformar desperdícios e subprodutos em novos ingredientes e alimentos sustentáveis. As operações HealthierSweet, PEPTI9 e Beiralma foram envolvem empresas e instituições científicas focadas no desenvolvimento de soluções para a alimentação humana e animal.

O projeto HealthierSweet, promovido pela WildBran em copromoção com a Universidade Católica Portuguesa, pretende transformar fruta rejeitada por critérios estéticos em xaropes, pastas adoçantes, farinhas ricas em fibra e produtos funcionais com melhor perfil nutricional. A iniciativa utiliza frutas como maçã, pera, figo e alperce e assenta numa lógica de economia circular e aproveitamento integral das matérias-primas.

Segundo a informação divulgada, a operação procura responder simultaneamente ao desperdício alimentar e à procura crescente por alternativas nutricionalmente mais equilibradas. O desenvolvimento tecnológico inclui processos de hidrólise térmica e enzimática, preservação de nutrientes e caracterização funcional dos ingredientes produzidos.

Já o PEPTI9 – Proteínas e Péptidos Bioativos e Inovadores para Nutrição Sustentável é promovido pela Biorbis, também em copromoção com a Universidade Católica Portuguesa. O projeto aposta na utilização de leveduras provenientes das indústrias da cerveja, do vinho e do etanol para criar ingredientes bioativos destinados à nutrição humana e animal.

A operação pretende desenvolver compostos ricos em péptidos, aminoácidos, glucanas e outros elementos bioativos, recorrendo também a ferramentas de bioinformática e inteligência artificial para acelerar a identificação de moléculas com potencial funcional. Entre as aplicações previstas estão ingredientes para aquacultura, alimentação canina e suplementos alimentares.

O projeto Beiralma centra-se no desenvolvimento de enchidos vegetarianos e vegan a partir de subprodutos das indústrias do azeite e do vinho, nomeadamente bagaço de azeitona e bagaço de uva. A iniciativa é liderada pela Fumeiro de Seia e conta com a participação da Universidade Católica Portuguesa, da BLC3, do Centro de Valorização e Transferência de Tecnologia para o Habitat (CECOLAB) e da Azeites do Cobral.

A operação pretende criar alimentos de base vegetal inspirados nos sabores tradicionais portugueses, recorrendo a técnicas de texturização, fermentação e fumagem para aproximar sabor e textura dos enchidos convencionais. O projeto prevê ainda diferentes níveis de consistência e a utilização de invólucros sustentáveis.

De acordo com o Compete 2030, os três projetos demonstram o potencial da inovação para reforçar a sustentabilidade, promover a valorização de recursos subaproveitados e aumentar a competitividade da indústria alimentar portuguesa.

Fonte: iAlimentar

Os agricultores canadianos vão poder produzir um novo tomate roxo geneticamente modificado, desenvolvido para produzir níveis elevados de antocianinas, compostos naturais com propriedades antioxidantes que estão associados a vários benefícios para a saúde.

A autorização para cultivo foi concedida pelas autoridades reguladoras do Canadá em 2025 e a distribuição das sementes a agricultores e jardineiros deverá decorrer ao longo deste ano. O tomate já tinha sido lançado nos Estados Unidos em 2024, onde despertou um forte interesse junto dos consumidores, e recebeu recentemente aprovação na Austrália e na Nova Zelândia.

O tomate foi desenvolvido pela empresa britânica Norfolk Healthy Produce através de técnicas de engenharia genética. Os investigadores introduziram alterações que permitem à planta produzir maiores quantidades de antocianinas no fruto, conferindo-lhe a sua característica cor roxa.

As antocianinas são pigmentos naturais presentes em alimentos como os mirtilos, amoras, framboesas e couve-roxa. Diversos estudos científicos sugerem que estes compostos podem ajudar a proteger as células contra o stress oxidativo, um processo associado ao envelhecimento e ao desenvolvimento de várias doenças.

Algumas investigações apontam ainda para potenciais efeitos benéficos na saúde cardiovascular, no controlo da diabetes e na redução do risco de determinados tipos de cancro. No entanto, os cientistas sublinham que estes efeitos dependem de múltiplos fatores e que nenhum alimento, por si só, previne ou cura doenças.

Além das potenciais vantagens nutricionais, o tomate roxo representa um exemplo de uma nova geração de culturas geneticamente modificadas desenvolvidas não apenas para beneficiar os agricultores, mas também para oferecer características que podem interessar diretamente aos consumidores.

A receção do produto nos Estados Unidos foi positiva. Segundo dados divulgados pelos promotores da tecnologia, foram vendidos cerca de 1.200 pacotes de sementes nos primeiros dois dias após o lançamento e mais de 9.600 durante a primeira semana.

Especialistas consideram que este tipo de inovação poderá abrir caminho a novos alimentos com características nutricionais melhoradas. Um exemplo semelhante já existe no Japão, onde são comercializados tomates com níveis mais elevados de GABA, um composto associado à regulação da pressão arterial e à redução do stress.

À medida que a investigação em biotecnologia alimentar avança, espera-se que mais frutas e hortícolas com características nutricionais específicas cheguem ao mercado nos próximos anos, oferecendo aos consumidores uma maior diversidade de escolhas alimentares.

Mais informação aqui.

Fonte: Centro de informação de biotecnologia

A Porbatata – Associação da Batata de Portugal assinalou a 27 de maio, em Salvaterra de Magos, o arranque da campanha de colheita de 2026, através de uma nova ação de promoção da batata portuguesa destinada a aproximar os consumidores de um dos produtos mais emblemáticos da gastronomia nacional.

Produzida em várias regiões do país entre maio e setembro, a batata portuguesa beneficia das condições climáticas e das características dos solos nacionais, sublinha a associação. Até setembro, a Miss Tata – marca coletiva criada pelos produtores para representar a batata nacional – regressa às prateleiras dos supermercados, incentivando os consumidores a optar por batata acabada de colher.

Indicadores da batata em Portugal

Os dados provisórios do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Eurostat analisados pela Porbatata apontam para uma recuperação da produção e do consumo de batata em Portugal em 2025. O consumo per capita atingiu os 94,8 quilos por habitante, o valor mais elevado dos últimos seis anos. Já a produção nacional totalizou 355.790 toneladas.

Também a área de cultivo voltou a crescer. Depois de ter descido para 14.478 hectares em 2023, a área de produção aumentou para 16.462 hectares em 2024 e voltou a subir em 2025, fixando-se nos 17.210 hectares, o valor mais elevado desde 2021.

“Estes indicadores refletem o impacto positivo das campanhas de promoção desenvolvidas desde 2018 pela Porbatata. Queremos que os portugueses reconheçam a batata nacional e a valorizem. A nossa estratégia está a dar frutos e vamos continuar a investir nesse caminho”, afirma Paulo Simões, presidente da Porbatata.

A associação recorda ainda que, dois anos após o início das campanhas de promoção realizadas em parceria com a grande distribuição, foi lançada a Miss Tata, marca coletiva destinada à promoção da batata portuguesa nos mercados nacional e internacional.

Segundo a Porbatata, esta foi a primeira vez que a fileira da batata nacional se uniu em torno de uma imagem comum para o setor, apostando na diferenciação e na valorização da qualidade do produto português.

A Miss Tata é apresentada como a embaixadora da batata portuguesa, promovendo uma alimentação equilibrada e reforçando a identidade nacional da produção agrícola.

Fonte: iAlimentar