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A Black Friday é hoje um dos maiores testes de resistência para as operações de retalho, logística e atendimento ao cliente. Para perceber o impacto real deste pico de atividade nas equipas e nos processos, o Hipersuper falou com José Pedro Fernandes, vice-presidente da Sisqual WFM, empresa especializada em soluções de gestão inteligente de equipas. O responsável sublinha que este período “é uma prova de resiliência humana e organizacional”, que só pode ser superada com tecnologia, previsões granulares e planeamento inteligente orientado por dados.
A pressão começa muito antes das portas abrirem e prolonga-se até ao pós-venda. E, para José Pedro Fernandes, o impacto na força de trabalho vai muito para além do aumento das vendas: “a Black Friday obriga a uma força de trabalho flexível, bem treinada e capaz de lidar com tarefas intensificadas sem comprometer a qualidade”.
Segundo o responsável da Sisqual, os setores mais pressionados são sempre os mesmos: retalho, logística e contact centres. Mas os desafios são semelhantes: picos imprevisíveis, necessidade de respostas imediatas e pressão elevada sobre as equipas.
“No retalho físico, as equipas enfrentam um fluxo contínuo e muitas vezes imprevisível de clientes”, explica. “Na logística, o volume de encomendas dispara e as rotas tornam-se dinâmicas. Nos contact centers, o crescimento exponencial de chamadas exige comunicação rápida, empatia e capacidade de resolução de problemas”, acrescenta.
Apesar de cada setor ter especificidades próprias, há desafios transversais que se repetem todos os anos. “A necessidade de flexibilidade operacional e a gestão da fadiga são absolutamente críticas”, afirma. “É aqui que as ferramentas de WFM podem ser um forte aliado”, diz ainda.
Leia o artigo completo aqui.
Fonte: Hipersuper
Uma equipa internacional de investigadores, reunida pelo projeto BeXyl – Beyond Xylella, financiado pela UE, obteve resultados promissores na aplicação de tratamento térmico para controlar a bactéria Xylella fastidiosa em várias espécies vegetais. Este avanço marca um primeiro passo importante no sentido de fornecer ferramentas seguras e baseadas na ciência para o comércio seguro de material vegetal.
A Xylella fastidiosa é um patógeno vegetal de quarentena capaz de colonizar mais de 700 espécies vegetais, incluindo muitas de elevado valor económico e ecológico. Um surto de Xylella desencadeia restrições rigorosas à circulação de plantas para impedir a sua propagação, o que exerce uma forte pressão sobre os viveiros e os produtores. O tratamento térmico é uma solução bem conhecida para garantir o comércio seguro de material vegetal proveniente de áreas infetadas. No entanto, atualmente, os protocolos aprovados para a Xylella existem apenas para videiras, deixando outras espécies valiosas, como azeitonas e amêndoas, sem procedimentos validados.
O estudo, coordenado pelo CNR – Conselho Nacional de Investigação em colaboração com a ENA – Associação Europeia de Viveiros, selecionou várias espécies afetadas pela Xylella para testar tratamentos térmicos controlados. Estas espécies incluíram louro, lavanda, oleandro, polígala, amêndoa, pêssego, cereja, figo, amoreira, noz e oliveira.
O protocolo de tratamento envolveu a exposição das plantas a diferentes temperaturas por períodos variados, a fim de testar tanto a eficácia do calor na neutralização do patógeno, quanto a capacidade da planta de se recuperar e permanecer viva após o tratamento.
Algumas espécies ornamentais, incluindo louro, lavanda, oleandro e polígala, mostraram alta tolerância ao calor, mantendo a vitalidade e a capacidade de enraizamento.
Amendoeiras e cerejeiras também responderam positivamente aos tratamentos, sem desenvolver sintomas de infeção após o tratamento, e as figueiras confirmaram a viabilidade do tratamento.
No entanto, algumas espécies responderam de forma diferente. A amoreira não tolerou altas temperaturas, enquanto as estacas de propagação da oliveira apresentaram alta mortalidade e dificuldades de enraizamento. Para as oliveiras, estratégicas na região mediterrânica, novos testes em colaboração com viveiros comerciais continuarão em 2026 para identificar combinações precisas de temperatura, duração e humidade que maximizem a eficácia sem comprometer a viabilidade das estacas.
Leia o artigo completo aqui.
Fonte: Agroportal
Um novo relatório do Joint Research Centre (JRC) descreve critérios sustentáveis para a aquisição pública de alimentos: como escolas, hospitais ou instituições públicas compram, obtêm e gerenciam alimentos e bebidas.
Os critérios propostos visam promover opções alimentares mais saudáveis e sustentáveis, sejam elas preparadas e servidas no refeitório, por meio de serviços de catering ou em máquinas de venda automática.
Embora não sejam vinculativos, os critérios visam ajudar as autoridades nacionais, regionais e locais a melhorar a sustentabilidade do sistema alimentar e a utilizar as compras públicas de alimentos de forma estratégica, de modo a abordar considerações ambientais, sociais (incluindo de saúde) e económicas.
Critérios verdes e sustentáveis
A novidade desta abordagem reside na sua abrangência. O relatório inclui boas práticas e ferramentas inspiradas num conceito holístico de sustentabilidade. Investiga aspetos ambientais, sociais, económicos e de saúde, incluindo o bem-estar animal e as dietas.
Os aspectos ambientais complementam e ampliam os critérios de compras públicas sustentáveis. Os critérios propostos abrangem agricultura orgânica, produtos justos e éticos; pescado mais sustentável; bem-estar animal; prevenção do desperdício alimentar; e formação de pessoal. Dá-se atenção às práticas agrícolas sustentáveis e às cadeias de abastecimento curtas, bem como às condições de trabalho e à inclusão de grupos vulneráveis.
Nutrição em primeiro plano
Os critérios recentemente desenvolvidos destacam a necessidade, conforme recomendado pelas diretrizes nutricionais em nível nacional, de uma transição para uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, nozes e sementes, reduzindo o consumo de sal, açúcares livres, gorduras saturadas, álcool e carnes vermelhas e processadas.
Tanto o meio ambiente quanto a saúde podem se beneficiar dessas mudanças alimentares. Deve-se dar atenção especial à população-alvo dos contratos de fornecimento, incluindo pessoas vulneráveis como crianças, idosos ou pacientes hospitalizados. Promover uma nutrição adequada para cada faixa etária é fundamental para a prevenção de doenças não transmissíveis.
Orientações práticas para aplicação
Os critérios propostos são apresentados como uma lista prática que abrange diferentes necessidades de aquisição de alimentos, serviços de alimentação ou máquinas de venda automática. Isso garante flexibilidade para os formuladores de políticas e as autoridades contratantes, que podem escolher e implementar os critérios de compras públicas sustentáveis que melhor se adaptem às suas necessidades.
Todos os critérios apresentados estão acompanhados de mecanismos claros de verificação para verificação e monitorização da conformidade, como esquemas de certificação e declarações. Sempre que possível, os critérios são acompanhados de exemplos e boas práticas da implementação real dos critérios de compras públicas sustentáveis em níveis nacional e local.
O relatório descreve ferramentas de apoio à implementação, como uma avaliação do ciclo de vida para avaliar os impactos ambientais; diretrizes e estratégias para critérios nutricionais; e monitorização e avaliação. Aborda também o diálogo com o mercado e a participação das partes interessadas, uma vez que os critérios devem ser apoiados por capacitação, empenho das partes interessadas e um ambiente político favorável.
Visão para a Agricultura
As compras públicas de alimentos desempenham um papel fundamental na estruturação do sistema alimentar e na promoção da sustentabilidade. O fortalecimento do papel das compras públicas é uma das áreas de atuação da Visão para a Agricultura e a Alimentação.
Fonte: Agroportal
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) realizou, nas últimas semanas, uma operação de âmbito nacional, conduzida pelas suas Unidades Regionais, em operadores económicos que comercializam moluscos bivalves vivos (MBV) em mercados e estabelecimentos de comércio a retalho, com o propósito de combater ilícitos criminais contra a saúde pública e assegurar a segurança alimentar.
Como balanço da operação, foram fiscalizados 93 operadores económicos, tendo sido detetadas infrações que originaram a instauração de 1 processo-crime pelo crime de especulação e de 9 processos de contraordenação, destacando-se como principais infrações o incumprimento das obrigações respeitantes à comercialização dos produtos da pesca e da aquicultura, quanto à rastreabilidade, informação sobre os lotes e pesagem, das indicações obrigatórias na venda ao consumidor final, e incumprimento dos requisitos gerais e específicos de higiene (artigos 3.º e 4.º do Regulamento (CE) n.º 852/2004), entre outras.
Foram ainda apreendidos mais de 68 kg de géneros alimentícios (pescado fresco e moluscos bivalves vivos) e 12 instrumentos de pesagem por falta de controlo metrológico.
Fonte: ASAE
No final do ano passado, o programa Panorama da BBC alegou, seguido por outras reportagens da BBC, que alguns prisioneiros na província chinesa de Xinjiang podem ter estado envolvidos no cultivo e colheita de tomates que mais tarde entraram nas cadeias de abastecimento do Reino Unido e da UE. É justo dizer que o impacto global desta história foi enorme. Alguns retalhistas do Reino Unido reviram rapidamente as suas políticas de abastecimento, os processadores italianos reavaliaram as suas práticas de mistura e todo um segmento da economia agrícola da China foi colocado em risco.
Depois de analisar a recente análise detalhada do Financial Times (FT) sobre o colapso das exportações de pasta de tomate da China para a Itália, juntamente com a reportagem da BBC, fiquei com a sensação de que grande parte do debate público deixou de lado alguns pontos importantes. A situação é mais complexa do que a narrativa apresentada e as consequências deste colapso no comércio podem criar novos riscos de fraude alimentar em toda a Europa que não foram totalmente avaliados.
O artigo do FT mostra como a região ocidental da China, Xinjiang, se tornou, na última década, uma potência global na produção de pasta de tomate. Tendo aumentado o seu processamento de tomate de 4,8 milhões de toneladas em 2021 para cerca de 11 milhões de toneladas em 2024, a região viu a produção cair este ano para uma previsão de 3,7 milhões de toneladas, uma vez que a procura da Europa praticamente entrou em colapso. Esta subida e queda são extremas por qualquer padrão, mas num período de tempo tão curto, destacam-se para mim mais do que qualquer outro colapso que já observei.
Grande parte da procura que impulsionou a rápida expansão da pasta de tomate na China veio da Europa – particularmente da Itália, que é o maior exportador mundial de ingredientes de tomate acabados, como passata, molhos e tomates enlatados. Como observou o FT, com base nas conclusões do Panorama, acredita-se que vários processadores italianos tenham misturado pasta chinesa nos seus produtos rotulados como «100% italianos». Esta prática já havia sido exposta durante uma operação da polícia italiana em 2021.
Foi nesse contexto já sensível que surgiram as alegações da BBC. O programa sugeriu que alguns dos tomates cultivados em Xinjiang podem ter sido colhidos usando trabalho forçado. A China negou veementemente essas alegações, chamando-as de totalmente fabricadas, mas os danos à reputação da região nos mercados do Reino Unido e da Europa foram graves. Os retalhistas, com toda a razão, ficaram muito cautelosos em relação a qualquer potencial escândalo e alguns adotaram uma postura firme com os fornecedores, insistindo em garantias de que produtos de origem chinesa não estão a entrar nos seus fluxos de ingredientes.
O impacto no comércio também foi dramático. As exportações chinesas de tomate processado para a Itália caíram de mais de 75 milhões de dólares para menos de 13 milhões de dólares nos primeiros nove meses de 2025, uma queda de cerca de 76%. Em toda a UE, as importações da China caíram mais de dois terços.
Entretanto, a Europa enfrenta agora uma questão muito prática: de onde virá realmente a pasta de tomate para substituir o volume que antes vinha de Xinjiang? Os produtores europeus em Itália, Espanha, Portugal e Grécia não podem simplesmente expandir a produção da noite para o dia — longe disso. A sua capacidade agrícola é em grande parte determinada pelo clima, pela disponibilidade de terras e pelas restrições hídricas. Outros países, como a Turquia ou a Ucrânia, poderíam, em teoria, aumentar as exportações, mas ambos enfrentam as suas próprias pressões geopolíticas e logísticas. Os fornecedores do Norte de África podem ajudar a preencher parte da lacuna, mas mesmo combinadas, é improvável que estas fontes alternativas consigam compensar o défice repentino deixado pela inclusão da China na lista negra. Os fabricantes de alimentos europeus, que dependem fortemente da pasta de tomate para pizzas, molhos, refeições prontas e sopas, continuarão a precisar de grandes quantidades de produtos de tomate de qualidade alimentar. Quando um grande fornecedor desaparece quase da noite para o dia, algo tem de preencher o vazio.
Isso desperta as minhas preocupações sobre a fraude alimentar. A fraude na pasta de tomate não é novidade. O setor há muito tempo é alvo de adulteração, pois a pasta é facilmente diluída, misturada ou falsificada. Historicamente, as práticas fraudulentas mais comuns incluem a diluição com pasta de menor qualidade, a adição de amidos ou açúcares para imitar a espessura, a mistura não declarada de materiais de várias origens, a rotulagem incorreta da proveniência — como «100% italiano» — e o uso de corantes potencialmente tóxicos, como os corantes vermelho Sudão, para mascarar matérias-primas de qualidade inferior e a presença de agentes de volume.
Quando o abastecimento legítimo diminui drasticamente, enquanto a procura e os preços permanecem elevados, os incentivos para comportamentos fraudulentos multiplicam-se; este é um dos fatores bem reconhecidos que impulsionam a fraude alimentar. Já vimos este tipo de padrão surgir anteriormente em produtos como o azeite e o mel. Sempre que as cadeias de abastecimento ficam sob pressão, os maus atores aproveitam-se da situação.
Com entre meio milhão e três quartos de milhão de toneladas de pasta de tomate chinesa agora retida e a Europa a precisar de garantir rapidamente novos abastecimentos, as condições para um aumento da fraude são muito reais. A pasta importada através de mercados secundários ou reembalada através de países terceiros pode voltar às cadeias de abastecimento europeias com rótulos diferentes. Pasta de menor qualidade pode ser misturada em produtos de maior valor. Ingredientes que não são tomate podem ser adicionados para aumentar os volumes. Em resumo, o risco de adulteração é elevado; portanto, os reguladores e a indústria alimentar devem estar preparados.
Fonte:New Food Magazine
A Sociedade Ponto Verde (SPV) apresentou o primeiro guia português inteiramente dedicado aos bioplásticos, um documento que procura clarificar conceitos, corrigir equívocos e sistematizar informação técnica essencial sobre estes materiais, cada vez mais utilizados nas embalagens. A publicação, intitulada “Os bioplásticos – considerações e impacto na cadeia de valor das embalagens”, já está disponível no Ponto Verde Lab e pretende apoiar toda a cadeia de valor – desde produtores a recicladores, passando pela academia e consumidores – num momento em que as decisões em torno do ecodesign se tornam mais exigentes e complexas.
Num contexto de forte pressão regulatória e de crescente aposta em alternativas aos plásticos convencionais, a SPV identifica uma necessidade clara: ajudar o mercado a compreender o que realmente significa “bioplástico”. O termo, explica o guia, é abrangente e pode referir-se à origem do material (biológica ou baseada em energias renováveis, ainda que nem sempre biodegradável) e/ou à sua capacidade de biodegradação em fim de vida. Esta é a base a partir da qual o documento estrutura definições, aplicações e desafios, contribuindo para decisões mais informadas no desenvolvimento de embalagens e na sua correta separação e reciclagem.
Apesar da crescente visibilidade destes materiais, os bioplásticos representam atualmente apenas 0,5% dos plásticos colocados no mercado global. Mas o sector está em expansão: a produção mundial deverá praticamente duplicar nos próximos cinco anos, passando de 2,47 milhões de toneladas em 2024 para 5,73 milhões em 2029. Para a SPV, este crescimento só fará sentido se contribuir de forma efetiva para reduzir impactos ambientais e reforçar a economia circular.
A responsável sublinha ainda que o sector vive “um momento crucial”, marcado por mudanças profundas na forma como os plásticos são produzidos, utilizados e geridos no seu fim de vida. “É fundamental continuarmos a disponibilizar serviços de valor que acelerem a inovação e promovam uma maior participação dos cidadãos, para que o país possa alcançar as metas ambientais estabelecidas”.
O lançamento do guia coincide com a Semana Europeia de Prevenção de Resíduos, que decorre até 30 de novembro. A publicação pode ser consultada no Ponto Verde Lab, a plataforma de conhecimento da SPV que reúne boas práticas, estudos, publicações e ferramentas de ecodesign como o Pack4Recycling e o Pack4Sustain. O objetivo é claro: contribuir para mais e melhor reciclagem de embalagens em Portugal e fortalecer a circularidade na economia.
Fonte: Grande Consumo
O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados (AUPs) poderá causar maior incidência de cancro colorretal antes dos 50 anos. A descoberta é divulgada num estudo realizado no Hospital Geral de Massachusetts, nos EUA, publicado na revista Jama Oncology.
O estudo teve como base 29.105 enfermeiras com menos 50 anos que fizeram pelo menos uma colonoscopia antes dos 50 anos entre 1991 e 2015, fazendo uma correlação entre o seu estado clínico e os seus hábitos alimentares.
Foram tidas em conta variáveis como idade, índice de massa corporal, atividade física, história familiar de cancro colorretal, consumo de fibra, folato, cálcio, ou vitamina D e foram avaliadas potenciais lesões precursoras de cancro.
Os resultados revelaram que mulheres com maior ingestão de AUPs apresentam maior risco de desenvolvimento precoce de um tipo comum de pólipo intestinal conhecido como adenoma convencional (um crescimento anormal de células com potencial para evoluir para cancro).
Durante a análise, foram identificados 1.189 casos de adenomas convencionais e 1.598 lesões serrilhadas, sendo que os ultraprocessados representavam cerca de 34,8 % das calorias diárias no grupo estudado.
O estudo sugere que um elevado consumo de alimentos ultraprocessados pode contribuir para o risco de desenvolvimento precoce de lesões que podem levar a cancro colorretal em mulheres jovens. A análise sugere ainda que os alimentos ultraprocessados podem causar estragos não apenas por via da obesidade, mas influenciam o microbioma intestinal e causam inflamação.
Andrew Chan, autor principal do estudo, justificou que o estudo foi motivado pela necessidade de encontrar causas que justificassem o aumento das taxas de cancro de intestino em pessoas mais jovens.
“A grande maioria destes pólipos não se transforma em cancro de intestino. Mas, ao mesmo tempo, sabemos que a grande maioria dos cancros de intestino que vemos em jovens surge dessas lesões precursoras”, disse o autor do estudo.
Há que tem em conta, no entanto, que se trata de um estudo observacional, não se podendo por isso estabelecer causalidade direta porque podem existir fatores não mensurados que afetem os resultados, tal como explica Chan.
"O nosso estudo não é de causa e efeito, por isso não podemos afirmar que seja definitivo", apontou o gastroenterologista do Mass General Brigham Cancer Institute, em Boston.
Investigadores alertam: aumento do consumo coloca em risco saúde pública
O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados (AUPs) em todo o mundo representa um desafio urgente para a saúde, que exige políticas coordenadas e ações de sensibilização, indicam três artigos publicados na revista The Lancet.
A nova série da revista científica sobre Alimentos Ultraprocessados e Saúde Humana, da autoria de 43 especialistas globais, revê as provas de que aqueles alimentos, associados a um risco aumentado de múltiplas doenças crónicas, estão a substituir os frescos e minimamente processados.
As dietas com grande quantidade de AUPs estão associadas a uma alimentação excessiva, a uma baixa qualidade nutricional (excesso de açúcar e gorduras pouco saudáveis, e pouca fibra e proteína) e a uma maior exposição a substâncias químicas e aditivos nocivos, mostram as provas analisadas.
Consumo de fast food afeta a memória
Um estudo norte-americano revela que as células da memória começam a falhar em menos de uma semana de alimentação rica em gordura e alimentos ultraprocessados. A investigação conclui que uma dieta ocidental rica em gordura altera rapidamente o funcionamento de células cerebrais essenciais à memória, embora os danos possam ser revertidos.
Fonte: SIC Notícias
Nas prateleiras dos supermercados, embalagens coloridas prometem conveniência, sabor imediato e preços acessíveis. Mas por detrás dessa sedução industrial esconde-se uma ameaça que a ciência tem vindo a estudar e não permite ignorar. Um estudo internacional publicado na The Lancet, assinado por 43 especialistas de vários países, revela que os alimentos ultraprocessados não são apenas "menos saudáveis” são agentes ativos de doença, com impacto mensurável em praticamente todos os órgãos humanos.
Os números impressionam. Em países como EUA, Reino Unido e Austrália, metade das calorias ingeridas diariamente provém de ultraprocessados. Snacks embalados, refrigerantes, refeições prontas e cereais artificiais tornaram-se rotina, substituindo alimentos frescos e minimamente processados. O estudo identificou mais de 30 associações distintas entre o consumo destes produtos e doenças crónicas: obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares, depressão e mortalidade precoce.
Mas o alerta vai mais longe. Não se trata apenas de calorias vazias ou excesso de açúcar. Os investigadores descrevem um efeito sistémico: fígado, rins, coração e cérebro mostram sinais de impacto direto. A combinação de aditivos, emulsionantes e processos industriais altera a forma como o corpo metaboliza os alimentos, criando uma espécie de “nova biologia alimentar” que fragiliza o organismo.
Esperar por "provas perfeitas" é repetir erro histórico
A comparação com o tabaco é inevitável. Tal como aconteceu no século XX, as empresas recorrem a marketing agressivo, lobbying político e estratégias de influência para atrasar regulamentações. A The Lancet avisa: esperar por “provas perfeitas” seria repetir o erro histórico de deixar que um produto nocivo se enraizasse ainda mais nas dietas globais.
O estudo não se limita à ciência. Aponta também para a política e para a desigualdade social. Os ultraprocessados são mais consumidos em comunidades vulneráveis, onde o preço e a conveniência pesam mais do que a qualidade nutricional. A crise é, portanto, dupla: sanitária e social.
De acordo com os inquéritos nacionais analisados pelos investigadores da série publicada na The Lancet, a presença destes produtos na dieta das famílias aumentou de forma expressiva nas últimas décadas. Em Espanha, por exemplo, a proporção de energia proveniente de ultraprocessados nas compras alimentares quase triplicou, passando de cerca de 11% para 32%. Na China, o salto foi igualmente significativo, de 4% para 10% em apenas 30 anos. A tendência repete-se na América Latina: no México e no Brasil, a contribuição energética dos ultraprocessados duplicou em 40 anos, evoluindo de 10% para 23%.
A análise mostra ainda que a proporção destes produtos na ingestão energética total varia de acordo com fatores económicos e culturais. Nos países do Sul da Europa com maior rendimento, como Portugal, Itália, Chipre e Grécia, e em algumas economias asiáticas, como Taiwan e Coreia do Sul, os ultraprocessados representam menos de um quarto da dieta. Já em nações como Austrália e Canadá, essa percentagem ultrapassa os 40%, enquanto no Reino Unido e nos EUA chega a superar metade da energia diária consumida.
Desafio não é só individual
Os especialistas pedem medidas urgentes: legislação forte, rotulagem clara com alertas visíveis, promoção ativa de dietas frescas e acessíveis e políticas públicas que enfrentam desigualdades. Para além da transparência informativa, defendem também regras mais apertadas no campo do marketing, sobretudo no que toca à publicidade dirigida a crianças e à difusão em plataformas digitais. Entre as medidas propostas está ainda a exclusão de alimentos ultraprocessados de instituições públicas, como escolas e hospitais, e a definição de limites tanto para a sua comercialização como para o espaço que ocupam nas prateleiras dos supermercados.
O desafio é global e não pode ser resolvido apenas com escolhas individuais. No fundo, o que este estudo revela é uma verdade desconfortável: os ultraprocessados são um motor silencioso da crise de saúde contemporânea. A sua omnipresença nas mesas e prateleiras representa uma ameaça comparável às epidemias de tabaco e álcool do século passado. A diferença é que, desta vez, a ciência chega cedo e clara. Falta saber se a política terá coragem de colocar a saúde antes do lucro.
Fonte: Expresso
Um novo relatório, divulgado durante a COP30, sublinhou a importância de reforçar as sinergias entre florestas e agricultura como chave essencial para transformar os sistemas agroalimentares num cenário de aquecimento global.
O documento, intitulado “Climate and ecosystem service benefits of forests and trees for agriculture”, foi publicado conjuntamente pela FAO, pelo Instituto do Ambiente de Estocolmo, pelo Conservation International e pela The Nature Conservancy.
A análise concluiu que os serviços ambientais prestados por florestas e árvores, frequentemente ignorados, são decisivos para a produtividade agrícola e para a estabilidade climática. Os autores pediram políticas públicas, investimento e uma gestão mais integrada que traduzam evidência científica em ação concreta.
O relatório reuniu investigação internacional que mostrou como as florestas moderam temperaturas, regulam a precipitação e mantêm o ciclo da água. Estes mecanismos sustentam a produção agrícola, estabilizam climas locais e fortalecem a segurança e os meios de subsistência das comunidades rurais. Em contrapartida, a desflorestação fragiliza os sistemas agroalimentares e agrava riscos ambientais.
Impactos imediatos da perda florestal
O relatório destacou ligações diretas entre desflorestação, alterações climáticas e prejuízos agrícolas. No Brasil, a conversão de floresta tropical em área agrícola reduziu a evapotranspiração até 30%, elevando temperaturas e perturbando padrões de chuva.
Os autores sublinham que estudos recentes revelaram ainda que a agricultura em 155 países depende de florestas que atravessam fronteiras nacionais para garantir até 40% da chuva anual.
De acordo com o estudo, as consequências estendem-se à saúde pública, uma vez que o aumento das temperaturas provocado pela desflorestação contribuiu para cerca de 28 mil mortes anuais relacionadas com o calor entre 2001 e 2020. Em zonas desflorestadas, as condições extremas já retiraram até 2,8 milhões de horas de trabalho seguras a trabalhadores ao ar livre.
Leia o artigo completo aqui.
Fonte: Vida Rural
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