Em Fevereiro, a União Europeia autorizou a colocação no mercado de dois novos alimentos: farinha de colza desengordurada e Lacto‑N‑tetraose (LNT) produzida por uma estirpe derivada de Escherichia coli K‑12 MG1655. Ambos foram avaliadas ao abrigo do Regulamento (UE) 2015/2283 relativo a novos alimentos, tendo sido considerados seguros para os usos propostos.
No mesmo período, a Comissão Europeia procedeu igualmente à alteração das condições de utilização e dos requisitos específicos de rotulagem aplicáveis ao Akkermansia muciniphila pasteurizado, um novo alimento previamente autorizado. As modificações agora introduzidas alargam o âmbito de utilização à população adolescente, na sequência de uma avaliação favorável da evidência de segurança para este grupo etário.
As decisões adotadas inserem‑se no mecanismo harmonizado de avaliação científica e decisão regulamentar relativo aos novos alimentos na União Europeia, o qual se baseia nas avaliações científicas desenvolvidas pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), seguidas da adoção dos respetivos atos de execução pela Comissão Europeia.
Importa notar que apenas o requerente inicial está autorizado a proceder à colocação no mercado dos novos alimentos em causa, beneficiando de um período de proteção de cinco anos relativamente aos dados científicos apresentados.
A autorização para um requerente subsequente poderá ser concedida sem recurso aos dados científicos protegidos ou mediante obtenção de acordo do requerente inicial, em conformidade com o quadro jurídico aplicável.
Mantenha-se informado. Consulte os textos integrais dos regulamentos:
Regulamento de Execução (UE) 2026/386, que autoriza a colocação no mercado de pó de colza desengordurada como novo alimento
Regulamento de Execução (UE) 2026/391, que altera as condições de utilização e os requisitos específicos de rotulagem do novo alimento Akkermansia muciniphila pasteurizada
Regulamento de Execução (UE) 2026/397, que autoriza a colocação no mercado de lacto-N-tetraose produzida por uma estirpe derivada de Escherichia coli K-12 MG1655 (ATCC 700926)
Fonte: DGAV
O projeto ‘Mais Vidro, Mais Porto’ recolheu 1.828 embalagens de vidro nos primeiros três meses de funcionamento na cidade do Porto e evitou a emissão de 429 quilogramas de dióxido de carbono. A iniciativa é promovida pela Plataforma Vidro+ em parceria com a Porto Ambiente.
Citado pela plataforma, o coordenador da Plataforma Vidro+, Nuno Vieira, afirma que os primeiros resultados evidenciam a disponibilidade dos cidadãos para adotarem práticas mais sustentáveis quando existem mecanismos acessíveis e com impacto concreto, destacando o papel da inovação tecnológica na promoção da reciclagem e da economia circular.
Implementado no Porto, o projeto pretende aumentar a recolha seletiva de embalagens de vidro e incentivar hábitos de consumo mais responsáveis. O sistema permite contabilizar os resíduos depositados nos ecopontos e transformar o contributo ambiental da população em benefícios destinados a causas sociais.
Para cumprir essa meta, estima-se que cada cidadão tenha apenas de depositar, em média, mais duas embalagens de vidro por mês no ecoponto verde, reforçando o contributo coletivo para o objetivo comum.
Segundo a Plataforma Vidro+, os resultados alcançados reforçam a eficácia de um modelo assente na colaboração entre cidadãos, entidades públicas e empresas privadas, combinando inovação tecnológica com metas ambientais e impacto social quantificável.
O projeto resulta de uma parceria entre a Plataforma Vidro+, a Porto Ambiente, a Fujitsu, a Sogrape e o Super Bock Group, tendo sido distinguido no programa internacional Fujitsu NPO/NGO 2024 pelo seu potencial de sustentabilidade.
A Plataforma Vidro+, iniciativa colaborativa que reúne cerca de 50 entidades ligadas à cadeia de valor do vidro de embalagem em Portugal, mantém como objetivo aumentar significativamente a reciclagem nacional, apontando para uma taxa de recolha de 90% das embalagens de vidro colocadas no mercado até 2030.
Fonte: iAlimentar
Investigadores descobriram que nanoplásticos presentes em embalagens de alimentos podem aumentar a virulência de Salmonella e a formação de biofilme, levantando novas questões sobre a segurança alimentar.
Segundo uma nova pesquisa da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, nanopartículas de plástico libertadas por embalagens plásticas de alimentos podem afetar o comportamento da Salmonella enterica, impactando potencialmente a segurança alimentar e a resistência antimicrobiana.
O estudo examinou como os nanoplásticos – fragmentos microscópicos formados pela degradação de plásticos maiores – interagem com Salmonella, uma das principais causas de doenças transmitidas por alimentos, frequentemente associada a carnes, aves e produtos prontos para consumo. Os investigadores concentraram-se especificamente no poliestireno, um plástico amplamente utilizado em embalagens de alimentos e utensílios descartáveis.
A pesquisa foi liderada por Pratik Banerjee, professor associado do Departamento de Ciência dos Alimentos e Nutrição Humana. A sua equipa começou a investigar o problema depois que testes laboratoriais de rotina em amostras de carne moída de peru comercializada frequentemente identificaram a presença de Salmonella. Embora o cozimento adequado da carne elimine o risco, o produto é comumente embalado em plástico, o que levou os inestigadores a explorar como o patógenio se comporta quando exposto a polímeros plásticos.
A equipa analisou como a exposição a nanopartículas de poliestireno afetou a fisiologia e a expressão génica da Salmonella enterica. As suas descobertas sugerem que as partículas podem alterar o comportamento bacteriano de formas que podem influenciar a virulência e a sobrevivência.
Os biofilmes – camadas protetoras formadas por aglomerados de microrganismos – podem aumentar a sobrevivência bacteriana sob condições de stress. Em ambientes de processamento de alimentos, os biofilmes representam um desafio constante para a higiene, ajudando os patógenos a resistir aos regimes de limpeza e às pressões ambientais.
As bactérias alternam entre modos 'ofensivos' e 'defensivos'.
Os investigadores também observaram que a resposta da Salmonella aos nanoplásticos mudou ao longo do tempo.
Além da virulência, a equipa também está a investigar se os nanoplásticos podem influenciar a resistência antimicrobiana em patógenios transmitidos por alimentos. Banerjee explicou que stressores fisiológicos podem desencadear mecanismos de resistência em bactérias, mesmo que esses stressores não sejam agentes antimicrobianos em si. Resultados preliminares de pesquisas em andamento indicam que os nanoplásticos de poliestireno podem aumentar a expressão de genes de resistência antimicrobiana em Salmonella.
Apesar das descobertas, os pesquisadores alertam que ainda é cedo para tirar conclusões definitivas sobre as implicações práticas para a indústria alimentar.
Os investigadores afirmam que o seu trabalho está entre os primeiros a examinar as interações entre nanoplásticos e patógenios transmitidos por alimentos sob a perspectiva da segurança alimentar. Eles esperam que mais pesquisas globais ajudem a determinar os riscos potenciais, os limites de tolerância e as implicações para as futuras políticas de segurança alimentar.
Fonte: NewFood Magazine
Investigadores do Boyce Thompson Institute, em Nova Iorque, desenvolveram o mapa genético mais detalhado do pepino até à data, identificando quase 172 mil variantes estruturais que podem transformar o melhoramento desta cultura. O estudo foi publicado na revista científica Nature Genetics.
A equipa liderada por Zhangjun Fei construiu um pangenoma baseado em grafos a partir de 39 variedades de pepino, permitindo mapear 171.892 variantes estruturais – grandes inserções, deleções e rearranjos no ADN – que influenciam características essenciais como a forma do fruto, a resistência a stress e a prevenção de cavidades internas.
Segundo os investigadores, esta é a primeira vez que é possível captar, com este nível de detalhe, toda a variação genética relevante no pepino. O recurso ao pangenoma permite identificar alterações de grande escala no ADN que, até agora, passavam despercebidas, mas que têm um impacto profundo na biologia e na evolução da planta.
O estudo revela ainda um interessante processo de “limpeza” evolutiva. Ao longo da história do pepino, mutações genéticas mais pequenas foram frequentemente mantidas, enquanto variantes estruturais maiores e potencialmente prejudiciais foram eliminadas pela seleção natural, protegendo a saúde da planta. No entanto, à medida que o pepino se disseminou globalmente a partir da sua origem na Índia, algumas variantes nocivas acabaram por “viajar” associadas a genes benéficos. Esta descoberta ajuda a explicar porque é que, por vezes, ao selecionar uma característica desejada — como tolerância à seca — podem surgir efeitos genéticos indesejados.
Para a agricultura, as implicações são imediatas. O pepino é uma das hortícolas mais produzidas no mundo, apenas atrás do tomate e da cebola. Ao integrar estas variantes estruturais nos modelos de melhoramento, os cientistas demonstraram já que conseguem prever com maior precisão o desempenho das plantas.
Este avanço poderá permitir o desenvolvimento mais rápido e eficiente de variedades de pepino com maior qualidade e resiliência, servindo também de modelo para a melhoria genética de outras culturas agrícolas de importância global.
Mais informação no site do Boyce Thompson Institute.
Fonte: Centro de Informação de Biotecnologia
A Agência Nacional de Inovação (ANI) atribuiu a distinção Born from Knowledge (BfK) Awards, na 12.ª edição do Prémio Empreendedorismo e Inovação Crédito Agrícola, ao projeto NSH – NanoSoilHealth, desenvolvido. A solução recorre à nanotecnologia para eliminar microplásticos e melhorar a segurança alimentar.
Segundo um comunicado conjunto da ANI e da BfK, a solução está atualmente em fase de investigação inicial. O trabalho foca-se no melhoramento e tratamento dos solos através da nanotecnologia. A proposta tecnológica da Biofabics assenta na produção de nanomembranas biodegradáveis e bioativas, recorrendo à tecnologia de electrospinning para incorporar biofertilizantes de libertação controlada sem recurso a microplásticos. Ao contrário das soluções convencionais que utilizam polímeros sintéticos, estas membranas de base nanotecnológica são personalizáveis por cultura e permitem uma maior eficiência na libertação de nutrientes, promovendo simultaneamente a regeneração da microbiota do solo e otimização do uso hídrico.
Os investigadores preveem uma redução superior a 90% no uso de plásticos aplicados no solo e um aumento de, pelo menos, 15 % na eficiência da fertilização. A solução visa eliminar o uso de plásticos tradicionalmente utilizados na conservação de fertilizantes, contribuindo para práticas agrícolas regenerativas e para sistemas alimentares mais seguros, com uma pegada de carbono reduzida para o consumidor final.
Fonte: TecnoAlimentar
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou nas últimas semanas uma operação de prevenção criminal no âmbito de uma investigação sobre a venda fraudulenta de produtos alimentares, nos arredores de Moimenta da Beira.
Durante a ação, que teve como objetivo travar a comercialização de uma substância oleica que estaria a ser vendida como azeite virgem através das redes sociais, a ASAE deu cumprimento a 13 mandados de busca, 10 não domiciliários e 3 domiciliários a habitações, armazéns, um estabelecimento comercial e viaturas, bem como à pesquisa digital de equipamentos informáticos e de telecomunicações. Foi confirmada a atividade ilícita, visto estar a ser comercializado de forma enganosa óleo alimentar comum, ao invés de azeite.
Foram apreendidos cerca de 10.000 litros de óleo alimentar fraudulamente rotulado como azeite, bem como milhares de rótulos e material de embalamento com a indicação «azeite virgem», e ainda 340 litros de vinho licoroso sem rótulo e sem registo legal.
Foram ainda apreendidas quatro armas de fogo e munições.
Durante a ação, os suspeitos tentaram ocultar em silvas nos terrenos adjacentes 200 mil euros em numerário, alegadamente provenientes da atividade criminosa.
No âmbito da investigação, três suspeitos foram constituídos arguidos.
Para análise laboratorial e sensorial foram colhidas amostras do óleo alimentar, no Laboratório de Segurança Alimentar da ASAE, reconhecido pelo Conselho Oleícola Internacional (COI) e acreditado pela NP EN ISO 17025 pelo Organismo Nacional de Acreditação (IPAC), para a realização das competentes análises físico‑químicas e sensoriais, de forma a confirmar a sua composição e avaliar eventuais riscos para a saúde pública.
Fonte: ASAE
Proteína em pó, óculos de sol ou um simples creme hidratante, comprados online podem não cumprir as regras da União Europeia. O alerta foi hoje dado pela Comissão Europeia, que referiu que uma operação de controlo à escala europeia concluiu que a maioria dos produtos importados diretamente para consumidores a partir de países terceiros viola normas comunitárias de segurança e rotulagem.
A ação foi coordenada pelas autoridades aduaneiras dos 27 Estados-Membros, em articulação com autoridades de fiscalização do mercado e de segurança alimentar, no âmbito de uma área de controlo prioritária (PCA). Entre outubro e dezembro de 2025 foram inspecionadas 11.338 encomendas enviadas através do comércio eletrónico.
O contexto é de crescimento exponencial. Desde 2022, o volume de pequenas encomendas enviadas para a UE duplicou anualmente. Em 2024 entraram 4,6 mil milhões de pacotes no mercado europeu; no final de 2025, o número atingiu 5,8 mil milhões – um aumento superior a 25% face ao ano anterior.
Foram analisadas cerca de 6.000 unidades de cosméticos – cremes, maquilhagem, pastas de dentes, produtos capilares e de unhas. O resultado: 65% não cumpriam as normas da UE.
As falhas incluíam ausência ou incorreção de rotulagem, falta de documentação obrigatória e presença de ingredientes proibidos. Quando estes elementos estão em falta, os consumidores deixam de ter acesso a avisos essenciais e instruções de utilização segura, exigidas pela legislação europeia.
A maioria dos produtos Não Conformes tinha origem na China (63%), seguida do Reino Unido e dos Estados Unidos, que em conjunto representaram 93% das irregularidades detectadas nesta categoria.
Entre os mais de 2.000 equipamentos de proteção individual verificados – capacetes de bicicleta, coletes salva-vidas, óculos de sol ou proteção auditiva – 60% estavam em incumprimento.
Neste segmento, 91% dos produtos não conformes tinham origem na China e 6% eram provenientes dos Estados Unidos. A ausência de marcação adequada ou de certificação pode significar que estes artigos não oferecem o nível de proteção exigido, colocando os utilizadores em risco.
Foram ainda controladas cerca de 3.500 unidades de suplementos alimentares – proteína em pó, vitaminas e preparados de ervas. Estados Unidos, China e Reino Unido lideraram a origem dos produtos irregulares, com os EUA ligeiramente acima.
Ao contrário dos cosméticos e dos equipamentos de proteção, vendidos maioritariamente através de quatro grandes plataformas que concentram mais de 90% das encomendas de baixo valor, os suplementos são comercializados numa multiplicidade de sites. Ainda assim, os dados mostram que a não conformidade é transversal a todo o mercado online deste segmento.
Os resultados reforçam a pressão para avançar com a reforma aduaneira da UE, atualmente em fase final de negociação entre a Comissão, o Conselho e o Parlamento Europeu.
Uma das principais mudanças será o fim da isenção de direitos aduaneiros para encomendas inferiores a 150 euros. A partir de 1 de julho de 2026 passará a aplicar-se uma taxa única de 3 euros por artigo.
Além disso, as plataformas digitais e os vendedores passarão a ser considerados “importadores presumidos”. Ou seja, deixam de ser os consumidores e os transportadores os responsáveis principais pelas obrigações aduaneiras. As plataformas terão de garantir que os produtos vendidos cumprem todas as regras fiscais, ambientais e de segurança da UE – um alinhamento com as obrigações previstas no âmbito do Digital Services Act.
A Comissão Europeia está a preparar um relatório detalhado com as conclusões da operação e propostas para reforçar a monitorização do comércio eletrónico. Em paralelo, foi reforçado o financiamento dos laboratórios aduaneiros e dos equipamentos de controlo.
A iniciativa atual dá continuidade a uma primeira fase realizada entre abril e junho de 2025, que analisou 20 mil brinquedos e pequenos dispositivos eletrónicos: mais de metade não cumpria as normas europeias e 84% dos produtos testados em laboratório foram considerados perigosos.
Num mercado digital cada vez mais global, os dados mostram que o preço baixo pode ter custos elevados – para a segurança dos consumidores e para a concorrência leal no mercado único europeu.
Fonte: Grande Consumo
Pelo menos sete pessoas estão em estado crítico e pelo menos seis morreram após consumirem leite contaminado na Índia. O leite teria vindo de uma unidade de processamento, uma "unidade privada de arrefecimento de leite", que operava sem as devidas autorizações. O responsável pela unidade foi preso.
Segundo a CNBCTV (Índia) , o leite foi contaminado com etilenoglicol, um líquido refrigerante tóxico, após um derrame . O propilenoglicol, e não o etilenoglicol, é seguro para contacto com alimentos e normalmente usado em laticínios, enquanto o etilenoglicol é utilizado em aplicações industriais não alimentícias e em anticongelantes de automóveis.
As vítimas relataram ter sentido um sabor estranho no leite antes de começarem a apresentar sintomas de intoxicação aguda. Uma fonte noticiou que as mortes foram causadas por insuficiência renal aguda .
Se as alegações publicadas pela CNBCTV se confirmarem (as investigações estãoa decorrer) este é um caso em que uma pessoa que cometeu fraude alimentar – ao afirmar falsamente que seu leite provinha de uma operação devidamente licenciada – causou múltiplas mortes.
A presença de etilenoglicol no leite parece ser resultado de contaminação acidental, e não de adulteração intencional. O produtor de leite não licenciado não teria a intenção de causar doenças aos seus clientes, sabendo que isso atraíria atenção indesejada.
O elemento de fraude alimentar nesta situação trágica não está, portanto, relacionado à "adulteração" (contaminação) do leite, mas sim ao engano perpetrado pelo processador de leite, que operava " sem as devidas autorizações ". Um operador devidamente licenciado não teria utilizado o refrigerante industrial altamente tóxico etilenoglicol em seu sistema de refrigeração.
Fonte: The Rotten Apple
A MSC, organização que defende a pesca sustentável, pretende chegar a 2030 com 40% do pescado em Portugal com origem sustentável certificada, segundo um balanço ontem apresentado em Lisboa.
No próximo verão, disseram os responsáveis da “Marine Stewardship Council” (MSC), a sardinha consumida em Portugal também já é certificada pela organização não-governamental e terá o selo azul, que identifica pescado de origem sustentável certificada.
A propósito da 5ª. edição da iniciativa Semana Mar para Sempre, que decorre até sexta-feira e se destina a sensibilizar para a proteção dos oceanos e para um consumo sustentável de peixe, o responsável pela organização na Península Ibérica, Alberto Martin, disse que a MSC pretende chegar a 2030 com um terço das capturas vinculadas à sustentabilidade. Portugal está atualmente nos 28%.
Num encontro com jornalistas, o responsável destacou o grande esforço das frotas de pesca para conseguirem o selo azul, sinónimo de sustentabilidade, e lamentou que os mercados ainda não estejam a “compensar esse esforço”, estimando um aumento de produtos certificados. E também um aumento do conhecimento e da confiança no “selo azul por parte dos consumidores”.
Segundo Alberto Martin, atualmente 46% dos consumidores reconhecem o selo azul, sendo esse conhecimento maior em países do norte da Europa, e o objetivo para 2030 é aumentar para 56%.
Rodrigo Sengo, responsável pela organização em Portugal, disse que 35% das populações de peixe são exploradas a níveis biologicamente insustentáveis, mas salientou que 77% do volume de pescado desembarcado globalmente provém de populações pescadas de forma sustentável.
Nos impactos positivos para o oceano, disse, o MSC promoveu mais de 2.600 melhorias nas pescarias, mais de 500 nos últimos três anos, melhorando também o estado de ‘stocks’, e beneficiou espécies em perigo e melhorou ecossistemas e habitats.
“Se toda a pesca fosse sustentável, mais 72 milhões de pessoas poderiam ver as suas necessidades de proteína satisfeitas”, disse Rodrigo Sengo, que destacou a importância dos consumidores, que podem “gerar impactos positivos nos oceanos”.
Quanto a Portugal, disse que há 450 produtos com o selo azul, usado por mais de 30 marcas, e que em 2024/25 foram colocadas no mercado 16.000 toneladas de pescado com selo azul. Mesmo assim apenas três a quatro por cento do pescado consumido em Portugal tem o selo azul MSC.
No futuro, os responsáveis da ONG querem certificar espécies pelágicas (como carapau ou cavala) e explicaram que a certificação da sardinha, que já tinha sido certificada mas que perdeu o selo e só o recuperou no ano passado, levou ao aumento também de produtos certificados (nas conservas, por exemplo).
Questionados sobre se o uso do selo azul de certificação pode ser usado de forma abusiva os responsáveis disseram que as empresas têm auditorias anuais, por entidades externas ao MSC, e que podem perder o certificado se estiverem em incumprimento.
“Há um sistema para assegurar que isso não acontece. E também fazemos verificação de amostragens de DNA, para saber se estão a comercializar o que dizem que estão a comercializar”, disse Rodrigo Sengo.
O responsável disse também que nos muitos requisitos de certificação foi incluída a questão da perda de artes de pesca (responsáveis por parte da poluição oceânica), e que há um projeto-piloto quanto à pegada carbónica das frotas de pesca.
Também questionado pelos jornalistas, Alberto Martin disse que o aumento de custos da certificação do MSC acaba por se diluir e não se reflete no preço dos produtos ao consumidor final.
Na presente edição da semana do mar do MSC está a destacar-se o tema “mar saudável, vida saudável” e a ligação entre a saúde e o mar, a segurança alimentar e o bem-estar das pessoas.
O MSC trabalha com pescadores, cientistas e indústria e luta contra a sobrepesca. O selo azul é aplicado apenas a peixe selvagem e a produtos do mar que foram certificados cm as normas do MSC.
Fonte: Greensavers
A proibição da ashwagandha na Dinamarca desencadeou um debate crescente entre autoridades europeias, que veem na popularidade deste suplemento um risco potencial para a saúde pública.
A decisão dinamarquesa, tomada após avaliações que apontaram possíveis efeitos adversos no fígado e preocupações relacionadas com a saúde reprodutiva, levou à retirada imediata dos produtos do mercado e colocou outros países em alerta.
Embora a planta seja amplamente utilizada na medicina ayurvédica e promovida como um adaptógeno capaz de reduzir o stress, melhorar o sono e aumentar a energia, a falta de consenso científico sobre a sua segurança tem alimentado a cautela regulatória.
Nos últimos anos, o sistema europeu de alerta rápido para alimentos e rações registou várias notificações envolvendo suplementos com ashwagandha, incluindo problemas de rotulagem e potenciais riscos toxicológicos.
A ausência de uma posição harmonizada dentro da União Europeia faz com que cada Estado‑membro adote medidas próprias, criando um cenário fragmentado.
Países como Portugal aguardam uma avaliação conjunta da EFSA antes de avançar com eventuais restrições, enquanto especialistas defendem que a crescente procura por produtos naturais não pode dispensar critérios rigorosos de segurança.
A discussão sobre a ashwagandha tornou‑se, assim, um símbolo de um problema mais amplo: o rápido crescimento do mercado de suplementos à base de plantas, muitas vezes promovidos como inofensivos, mas nem sempre acompanhados por estudos robustos.
À medida que a UE pondera uma resposta comum, cresce a expectativa de que venham a ser implementadas regras mais estritas, seja através de limites para compostos ativos, advertências obrigatórias nos rótulos ou até novas proibições nacionais.
A controvérsia mostra que, mesmo no universo dos produtos naturais, a confiança dos consumidores depende cada vez mais de avaliações científicas sólidas e de uma regulação clara.
Fonte: Qualfood
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