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Comer saudável: é mesmo mais caro?

  • Friday, 12 June 2026 12:47

O cabaz alimentar subiu 38% em quatro anos. Um em cada três portugueses não tem ferramentas para lidar com isso à mesa. As respostas existem e são mais simples do que parecem.

Em janeiro de 2022, o cabaz de 63 bens alimentares essenciais monitorizado pela DECO PROteste custava cerca de 188 euros. Em abril de 2026 chegou aos 259,52 euros, o valor mais elevado desde que o acompanhamento semanal começou. Para muitas famílias portuguesas, a pergunta deixou de ser se devem comer melhor. Passou a ser como.

O Estudo Nacional de Avaliação da Literacia Alimentar em Adultos, realizado pela Pitagórica com o apoio do Continente e da Associação Portuguesa de Nutrição (APN), traçou no início de 2026 o retrato mais completo das competências alimentares dos portugueses. O score global de literacia alimentar fixou-se nos 57,5%, numa escala de zero a cem. Um em cada três adultos fica abaixo dos 50%. O pior resultado regista-se na dimensão do consumo, a que implica transformar o conhecimento em escolhas reais, dia a dia, compra a compra.

“Embora o acesso à informação sobre nutrição seja hoje generalizado, persistem desafios significativos na capacidade de transformar esse conhecimento em práticas alimentares equilibradas”, sublinha Helena Real, secretária-geral da APN. O problema agrava-se entre as famílias com rendimentos mais baixos, as mais expostas à inflação e com menos ferramentas para a contornar.

Inflação à mesa

A inflação alimentar não abrandou. Em 2025, a média europeia fixou-se nos 2,8%, segundo o Eurostat. Mas os números agregados escondem variações brutais em produtos concretos: o chocolate subiu 17,8% na Europa; a carne de vaca e de vitela, 10%; os ovos ultrapassaram os 20% em vários países, incluindo Portugal.

“O maior risco é a transferência de consumo de alimentos mais interessantes do ponto de vista nutricional para opções mais desequilibradas, quando estas são mais económicas”, alerta Helena Real.

A ideia de que comer saudável é inevitavelmente mais caro é, para a secretária-geral da APN, um mito com nuances. “Comer saudável não tem que ser mais caro, sobretudo quando se faz uma seleção criteriosa dos alimentos, escolhendo produtos sazonais, comprados a granel ou menos processados.” O que encarece, esclarece, é a conveniência: os alimentos pré-preparados, descascados, já lavados. O produto em si, na sua forma mais básica, raramente é o mais caro.

Mayumi Delgado, nutricionista e responsável por Desenvolvimento de Produto do Continente, confirma o padrão. “Quando o orçamento aperta, o consumidor torna-se muito mais racional. Procura preço, mas sobretudo segurança: produtos que rendem, que permitem várias refeições e que são aceites por toda a família.” O problema é que essa racionalidade nem sempre conduz às melhores escolhas nutricionais.

O estudo de literacia alimentar identifica quatro áreas onde os portugueses mais falham: compreender o impacto das suas escolhas, interpretar rótulos e selos de classificação, usar informação nutricional para decidir o que comprar e identificar métodos de confeção que preservam os nutrientes. São estas competências que fazem a diferença entre uma ida ao supermercado eficiente e uma que custa mais sem nutrir melhor.

Fonte: sabado.pt

A disseminação de doenças transfronteiriças de animais está a aumentar a pressão sobre os sistemas nacionais de prevenção, preparação e resposta, num contexto em que pragas e agentes patogénicos atravessam fronteiras com maior rapidez.

O alerta é da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) que sublinha os riscos associados a ameaças como a peste suína africana, a gripe aviária e a febre aftosa, bem como as ameaças zoonóticas emergentes, incluindo o hantavírus, o ebola e o vírus Nipah.

 Segundo a organização, a proteção da saúde animal é relevante não apenas para agricultores e produtores pecuários, mas também para a segurança alimentar, o comércio, a estabilidade económica e a prosperidade rural. Segundo a FAO, o sector pecuário sustenta mais de mil milhões de meios de subsistência e representa biliões de dólares em valor económico anual.

A FAO identifica vários fatores que estão a tornar a propagação destas doenças mais complexa, incluindo o aumento da circulação de animais, pessoas e produtos, alterações nos sistemas de produção, pressões ambientais e diferenças na capacidade veterinária e de vigilância entre países. A resposta a estas ameaças exige, de acordo com a organização, maior vigilância, deteção precoce, partilha de informação e cooperação internacional.

“Os impactos destes surtos vão muito além da saúde animal. Interrompem a produção agrícola, o comércio e o turismo, ameaçam os meios de subsistência, aumentam os riscos para a segurança alimentar e, em alguns casos, representam riscos diretos para a saúde humana”, afirmou Tiensin Thanawat, director-geral adjunto da FAO, director da Divisão de Produção e Saúde Animal e veterinário-chefe.

A organização aponta impactos económicos relevantes associados a algumas destas doenças. A gripe aviária resultou na perda de mais de 633 milhões de aves e ameaça um mercado de 48 mil milhões de dólares. A febre aftosa causa perdas anuais de 11,3 mil milhões de dólares, enquanto a peste suína africana reduziu os efetivos suínos em mais de 40% em algumas zonas da Ásia.

 Para a FAO, os últimos acontecimentos demonstram a rapidez com que as ameaças à saúde animal podem atravessar fronteiras e criar riscos para a produção alimentar, o comércio e os meios de subsistência. A organização considera que a prevenção e a preparação robustas continuam a ser as ferramentas mais eficazes e menos dispendiosas para reduzir o impacto dos surtos.

“A experiência demonstra consistentemente que a prevenção e a preparação são mais eficazes — e menos dispendiosas — do que a resposta depois de um surto já estar instalado”, afirmou Beth Bechdol, directora-geral adjunta da FAO. “Investir em sistemas de saúde animal é uma das formas mais eficazes de proteger os meios de subsistência, apoiar o comércio, reforçar a segurança alimentar e melhorar a resiliência em todos os sistemas agroalimentares”, sublinhou.

Fonte: Vida Rural

Muitos alimentos ultraprocessados ​​— produtos industrializados repletos de aditivos e aromatizantes, com pouca semelhança com qualquer coisa que um dia tenha crescido no campo — representam uma séria ameaça à nossa saúde. Sem dúvida: os alimentos ultraprocessados ​​— como os refrigerantes açucarados e adoçados artificialmente — precisam ser regulamentados com mais rigor.

No entanto, enquanto esse debate se intensifica, uma das indústrias mais poderosas da Europa permanece discreta: a indústria da carne. Um estudo recente revelou que as salsichas com proteção ultrafina (UPF) são a segunda maior categoria de produtos UPF consumida por adultos europeus — e a maior em alguns países.

Apesar disso, a indústria da carne passou anos cultivando uma imagem de si mesma como a antítese de tudo o que as pessoas temem na alimentação moderna: natural, tradicional, enraizada na terra. É uma imagem que, em grande parte, é uma ficção.

O mito pastoral na prateleira do seu supermercado 

Uma das organizações de lobby agrícola mais poderosas de Bruxelas, realizou campanhas descrevendo os produtos cárneos tradicionais como "profundamente enraizados em nossa herança cultural", enquanto retratava as alternativas à base de plantas como artificiais e corporativas.

A mesma estratégia dominou os debates sobre o conceito "Do Campo ao Prato", onde os alertas sobre as ameaças aos "alimentos tradicionais" se mostraram notavelmente eficazes: seis anos após o lançamento da estratégia "Do Campo ao Prato", seus compromissos de reduzir o consumo de carne não foram cumpridos  na totalidade.

Mas como é, na prática, essa produção "tradicional"? Entre 2005 e 2020, o número de quintas na Europa diminuiu 37% — ou seja, 5,3 milhões de fazendas foram perdidas, na sua grande maioria pequenas propriedades familiares.

Noventa por cento dos frangos de corte são criados em sistemas intensivos de confinamento; 99% dos porcos criados para produção de alimentos nunca vêem o exterior. Mais de 80% do leite europeu provém de quintas leiteiras intensivas. Estas não são as quintas que a indústria publicitária anuncia.

Ração transgênica, aditivos ocultos e a falta de transparência

O europeu médio consome indiretamente cerca de 60 quilos de soja por ano através de produtos de origem animal. A UE produz apenas 5% da soja que necessita – o restante é importado, principalmente do Brasil, da Argentina e dos EUA, onde o cultivo é quase inteiramente de soja geneticamente modificada.

Os consumidores da UE querem, com razão, evitar produtos com o rótulo "OGM" e os produtores de alimentos cumprem essa exigência. No entanto, o mesmo consumidor pode desconhecer completamente que a carne que consome foi produzida com ração geneticamente modificada, uma vez que essa rotulagem não é obrigatória.

Existem mais de 1.400 aditivos para ração animal autorizados na UE — em comparação com pouco mais de 300 aprovados para consumo humano. Vitaminas, emulsificantes, conservantes, aromatizantes e melhoradores de digestibilidade são componentes comuns da dieta moderna do gado, nenhum dos quais consta nos rótulos dos alimentos.

Até mesmo carcaças bovinas podem ser tratadas com lavagens de ácido lático — uma medida introduzida a pedido do Departamento de Agricultura dos EUA — sem a obrigação de informar o consumidor.

O produto ultraprocessado escondido à vista de todos

A principal ironia do debate atual é que a indústria que ataca com mais veemência os alimentos à base de plantas, rotulando-os como "ultraprocessados", é ela própria uma grande produtora desses alimentos. Linguiças, bacon e presuntos curados são rotineiramente comercializados como tradicionais, mas muitos contêm justamente os aditivos que definem os alimentos ultraprocessados.

Nitratos e nitritos, usados ​​para conservar e colorir carnes processadas, estão associados ao risco de cancro; a carne processada é classificada como carcinógeno do Grupo 1 pela IARC há mais de uma década.

Os termos que sugerem o contrário — "tradicional", "artesanal", "natural" — não têm definição legal na UE. Os produtores exibem-nos com destaque na frente da embalagem, enquanto escondem os aditivos em letras minúsculas no verso. Trata-se de uma prática de desinformação legalmente permitida.

Chegou a hora de o debate alimentar na Europa se alinhar aos factos

O consumo de carne na UE é atualmente entre duas e quatro vezes superior aos níveis recomendados. As evidências científicas sobre os custos ambientais e para a saúde da produção atual são inequívocas. No entanto, a mudança de políticas continua a ser extremamente difícil — não porque o público não se importe, mas porque a narrativa da indústria é muito poderosa, tem muitos recursos e está profundamente enraizada na cultura política da UE.

Oitenta por cento dos subsídios da Política Agrícola Comum são destinados a apenas 20% das explorações agrícolas — as maiores e mais intensivas —, situação que tem sido defendida consistentemente, mesmo sendo defensora das explorações agrícolas familiares.

O debate sobre a UPF (Unidade de Preferência Alimentar) é importante. Não podemos permitir que a indústria da carne o manipule, apresentando-se como a alternativa saudável e natural, enquanto as realidades da sua produção industrial e os impactos do consumo excessivo de carne na saúde permanecem ocultos.

Precisamos de uma reforma significativa na saúde pública, no bem-estar animal e no meio ambiente. Isso exige que os formuladores de políticas estejam dispostos a distinguir entre a imagem romântica da agricultura europeia e a realidade industrial.

Se a Comissão Europeia quiser reduzir os danos causados ​​pelos alimentos ultraprocessados ​​— e certamente deveria querer —, precisa começar por impor restrições reais à comercialização de alimentos não saudáveis ​​para crianças, bem como uma rotulagem nutricional frontal obrigatória e harmonizada.

Leia o relatório aqui.

Fonte: Food Watch

Em comunicado, a SDR Portugal – associação sem fins lucrativos responsável pela implementação e gestão do sistema, operacional desde 10 abril, – considera que “este marco, alcançado ainda na fase de transição da operação, demonstra a efetiva adesão inicial dos cidadãos à ‘Volta’”.

O Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) recolheu mais de 10 milhões de embalagens desde que entrou em funcionamento, há dois meses, nos mais de 2.500 pontos ‘Volta’ distribuídos por todo o país, anunciou na quarta-feira a entidade gestora.

Em comunicado, a SDR Portugal – associação sem fins lucrativos responsável pela implementação e gestão do sistema, operacional desde 10 abril, – considera que “este marco, alcançado ainda na fase de transição da operação, demonstra a efetiva adesão inicial dos cidadãos à ‘Volta’”.

“10 de junho, 10 milhões de habitantes, 10 milhões de embalagens devolvidas: uma coincidência simbólica que assinala a adesão dos consumidores à ‘Volta’”, enfatiza.

O sistema permite aos consumidores recuperarem o valor de depósito de 10 cêntimos por embalagem pago no ato da compra de garrafas e latas de uso único, de plástico, metal e alumínio e inferiores a três litros, mediante a sua devolução nos mais de 2.500 pontos ‘Volta’ existentes em Portugal continental, Açores e Madeira, número que deverá aumentar para mais de 3.000 nos próximos meses.

A estes, juntam-se 50 quiosques ‘Volta’, sobretudo em zonas com forte presença do setor da hotelaria, restauração e cafetaria.

Para a SDR Portugal, este resultado “assume particular relevância tendo em conta que o sistema se encontra ainda numa fase de transição, com a entrada progressiva no mercado de embalagens identificadas com o símbolo ‘Volta’”.

“O valor alcançado – 10.006.067 embalagens recolhidas em apenas dois meses – reflete a participação expressiva dos consumidores e o compromisso das entidades aderentes ao SDR na estabilização de uma rede de recolha nacional, operacional e eficiente”, sustenta.

Citado no comunicado, o presidente da SDR Portugal destaca que este número “corresponde, em média, a uma embalagem devolvida por cada cidadão, mas representa muito mais do que um marco estatístico”.

“Estamos a assistir ao início de uma mudança de comportamentos e confiantes de que Portugal seguirá o percurso dos sistemas de depósito e reembolso mais bem-sucedidos da Europa, contribuindo para o cumprimento das exigentes metas europeias de circularidade e sustentabilidade”, afirma Leonardo Mathias.

Os dados de operação divulgados esta quarta-feira indicam que as devoluções acontecem com maior frequência ao fim de semana, em especial aos domingos, no que a SDR Portugal diz evidenciar “a adaptação progressiva do sistema às rotinas da população”.

Até 09 de agosto, o sistema encontra-se num período de transição, em que coexistem no mercado embalagens com e sem o símbolo ‘Volta’, à medida que os produtos disponíveis vão sendo progressivamente substituídos pelas novas embalagens integradas na operação.

Assim, a aquisição de embalagens sem o símbolo ‘Volta’ não envolve o pagamento do valor de depósito associado, pelo que estas também não são aceites pelo sistema, devendo antes ser encaminhadas para os respetivos ecopontos.

Os pontos automáticos ‘Volta’ existentes nos supermercados e hipermercados e os quiosques reconhecem as embalagens elegíveis e permitem a devolução do valor de depósito sob diversas formas: vale convertível em numerário, vale de desconto no ponto de venda, carregado num cartão de fidelização ou através de outras soluções digitais, ainda em desenvolvimento. É também possível optar pela doação a instituições de cariz social.

As embalagens podem ser devolvidas em qualquer ponto ou quiosque, independentemente do local de compra, podendo também as embalagens adquiridas em estabelecimentos como cafés, restaurantes ou bares ser entregues nesses locais.

Para serem abrangidas, as garrafas e latas devem conter o símbolo ‘Volta’, o código de barras legível, estar vazias, não amolgadas ou amachucadas e, no caso das garrafas, com tampa.

Segundo destaca a entidade gestora, o SDR é “essencial para que Portugal cumpra as metas europeias de recolha seletiva e reciclagem de embalagens de bebidas de uso único, incluindo o objetivo de atingir 90% de recolha até 2029”.

Fonte: GreenSavers

A FoodDrinkEurope desenvolveu um conjunto de ferramentas técnicas, em colaboração com a Fedima, com o objetivo de dar orientações práticas para apoiar pequenas e médias empresas (PME) no aumento do teor de cereais integrais em produtos de panificação em toda a Europa.

O documento aborda a falta de definições harmonizadas e de enquadramentos regulamentares para cereais integrais ao nível da União Europeia.

Benefícios para a saúde e as lacunas no consumo

Os cereais integrais fornecem fibra, vitaminas, minerais, antioxidantes e outros compostos bioativos, estando associados à redução do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e cancro colorretal. Ainda assim, o consumo de cereais integrais na Europa permanece abaixo dos níveis recomendados.

O papel do pão no consumo de cereais integrais

O pão representa uma importante fonte de ingestão de cereais, e o aumento do teor de cereais integrais nos produtos de panificação constitui uma oportunidade significativa para melhorar a ingestão de fibra alimentar e a qualidade global da dieta dos consumidores.

Tendências de mercado e do consumidor

A crescente consciencialização dos consumidores em relação à saúde e à nutrição está a impulsionar a procura por produtos integrais, o que é reconhecido como uma oportunidade de negócio para as PME reformularem e inovarem os seus produtos de panificação, apostando num maior teor de cereais integrais e promovendo a diferenciação dos produtos, além de responder às preferências em evolução dos consumidores.

Desafios técnicos e de produção

O documento não deixa de reconhecer os desafios técnicos e de produção, relacionados com o manuseamento da massa, condições de processamento, textura, sabor e prazo de validade. As massas com farinha integral tendem a ser menos elásticas, absorvem mais água e originam produtos mais densos. Contudo, estes desafios podem ser superados através da adaptação das receitas, otimização dos processos, utilização de melhorantes e ajustes nos equipamentos e nas condições de cozedura.

Desenvolvimento de produtos e rotulagem

São deixadas orientações relativamente ao desenvolvimento de produtos e rotulagem e apresentadas etapas práticas para analisar a composição nutricional, calcular o teor de cereais integrais e adaptar receitas. São também destacados aspetos regulamentares, incluindo a ausência de regras harmonizadas na UE para alegações sobre cereais integrais, ao mesmo tempo que se identificam oportunidades para comunicar aos consumidores o teor de fibra e o valor nutricional dos produtos.

Deixam-se também estratégias de implementação, incentivando-se as PME a adotar uma abordagem gradual, substituindo parcialmente a farinha refinada por farinhas integrais, e aumentando progressivamente o teor de cereais integrais. As ações de curto prazo incluem a mistura de farinha refinada com farinhas integrais e a adaptação de receitas existentes, enquanto as estratégias de longo prazo envolvem investimento no desenvolvimento de produtos, otimização de processos e aceitação, por parte dos consumidores, de alterações no sabor e na textura.

Este conjunto de ferramentas foi pensado para dotar as padarias europeias do conhecimento técnico e das ferramentas práticas necessárias para aumentar o teor de cereais integrais no pão, melhorar a qualidade nutricional e contribuir para dietas mais saudáveis.

Fonte: TecnoAlimentar

Empresas e entidades científicas portuguesas uniram-se no projeto Fortifish para demonstrar que a incorporação de péptidos bioativos na alimentação pode contribuir para reduzir a resposta ao stress durante as fases iniciais de desenvolvimento dos peixes. A iniciativa decorre entre julho de 2025 e dezembro de 2026 e pretende validar esta abordagem em condições próximas das utilizadas na produção.

O projeto tem como alvo espécies de interesse para a aquacultura, como o robalo e a dourada, bem como o peixe-zebra, amplamente utilizado em investigação biomédica. O objetivo passa por desenvolver e demonstrar dietas funcionais capazes de melhorar o bem-estar animal nos períodos mais sensíveis do ciclo de vida.

O Fortifish surge na sequência do projeto Nostress e assenta na premissa de que a nutrição pode desempenhar um papel relevante na mitigação dos efeitos do stress em peixes jovens. A iniciativa procura acelerar a transferência deste conhecimento para soluções com potencial de aplicação prática no setor aquícola.

O consórcio integra a Atlantik Fish, a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, o Gulbenkian Institute for Molecular Medicine, o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, o laboratório colaborativo S2AQUA, a Fundação D. Anna de Sommer Champalimaud e Dr. Carlos Montez Champalimaud e o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde.

A operação foi aprovada em agosto de 2025 e representa um investimento elegível de 1,67 milhões de euros. O financiamento da União Europeia ascende a cerca de 1,15 milhões de euros.

Integrado no Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento Empresarial – Projetos Demonstradores em Copromoção, o Fortifish é cofinanciado pelos programas Algarve 2030, Lisboa 2030 e Compete 2030, no âmbito do Portugal 2030.

Fonte: iAlimentar

Produtividade do trabalho agrícola em Portugal  aumentou 277% em três décadas e salários no setor cresceram mais de 50% na última década, acima da média da economia nacional;

• Mais de 10.500 jovens agricultores instalaram-se em Portugal desde 2007, mobilizando mais de 1,5 mil milhões de euros de investimento;
• Apenas 12% dos gestores agrícolas da União Europeia têm menos de 40 anos;
• Complexo agroflorestal gera 9,4 mil milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto e 15,2 mil milhões de euros em exportações.

A agricultura portuguesa está mais produtiva, mais tecnológica e mais competitiva do que nunca. Nas últimas três décadas, a produtividade do trabalho agrícola aumentou 277%, os salários cresceram acima da média da economia nacional e o setor consolidou-se como um dos motores da criação de valor, do emprego e das exportações do país. Mas, apesar desta transformação, a agricultura enfrenta hoje um desafio que pode condicionar a sua capacidade de crescimento nas próximas décadas: a renovação geracional.

A idade média da mão-de-obra familiar agrícola aumentou de 46 para 59 anos em cerca de 30 anos, enquanto o número de trabalhadores familiares caiu mais de 50%. Ao mesmo tempo, apenas 12% dos gestores agrícolas na União Europeia têm menos de 40 anos, revelando uma tendência de envelhecimento que ameaça a competitividade, a capacidade produtiva e a sustentabilidade futura do setor. Esta será uma das questões centrais do B-Rural Summit, iniciativa promovida pela CONSULAI que terá lugar no próximo dia 23 de junho, em Lisboa, reunindo especialistas, empresários, jovens empreendedores e decisores para discutir o futuro da agricultura e da floresta em Portugal.

Nova geração está a chegar, mas os obstáculos mantêm-se

Entre 2007 e 2022, instalaram-se em Portugal 10.513 jovens agricultores, responsáveis por mais de 1,5 mil milhões de euros de investimento e pela gestão de mais de 252 mil hectares de superfície agrícola.

Trata-se de uma geração mais qualificada, mais empreendedora e mais aberta à inovação. A idade média dos novos agricultores é de 33 anos e a maioria possui formação superior ou técnico-profissional especializada. Ainda assim, quase um terço iniciou atividade sem experiência prévia no setor.

Os desafios permanecem essencialmente estruturais: acesso à terra, financiamento, escala económica das explorações e integração em mercados organizados. A experiência mostra que o sucesso da renovação geracional depende menos da motivação dos jovens e mais da capacidade de criar condições para que os seus projetos sejam sustentáveis e competitivos.

“Existe ainda um desfasamento significativo entre a perceção pública e a realidade do setor. A agricultura de hoje é uma atividade empresarial, tecnológica e altamente especializada. Atrair talento exige mostrar que estamos perante um setor com futuro, capacidade de inovação e oportunidades de carreira qualificadas”, acrescenta aquele responsável.

Um desafio estratégico para a economia nacional

A renovação geracional deixou de ser apenas uma questão setorial para assumir uma dimensão estratégica para a economia portuguesa.

Num contexto marcado pela pressão sobre a segurança alimentar, pelas alterações climáticas e pela crescente necessidade de gestão sustentável do território, garantir a entrada de novos profissionais tornou-se um fator crítico para a competitividade do país.

B-Rural Summit: em busca das soluções

Sob o mote “Do Exemplo à Ação”, o B-Rural Summit, pretende ir além do diagnóstico e centrar-se nas soluções. 

Estruturado em torno dos temas “Novas Gerações, Novas Ideias: Casos que Inspiram”, “Da Inspiração à Transformação” e “Construir Pontes Entre Gerações”, o evento pretende demonstrar que o futuro da agricultura e da floresta dependerá não apenas de tecnologia, investimento ou produtividade, mas sobretudo da capacidade de atrair, desenvolver e reter uma nova geração de líderes, gestores e empreendedores.

Fonte: B-Rural

Portugal reforça o seu compromisso com a conservação da natureza: candidatura da Serra da Estrela foi hoje aprovada pelo Conselho Internacional de Coordenação do Programa Homem e Biosfera da UNESCO, reunido em Hernandarias, no Paraguai

A Serra da Estrela passa a integrar a Rede Mundial de Reservas da Biosfera, uma das mais prestigiadas distinções atribuídas pela UNESCO a territórios que conciliam exemplarmente a conservação da natureza com o desenvolvimento humano sustentável. A aprovação foi anunciada hoje na 38.ª sessão do Conselho Internacional de Coordenação do Programa Homem e Biosfera (MAB), que decorre no Centro de Convenções Itaipu Roga, em Hernandarias, Paraguai, desde 3 de junho.

A nova Reserva da Biosfera da Estrela abrange uma área total de 2.372,99 km², distribuída pelos seis municípios do Parque Natural da Serra da Estrela — Seia, Gouveia, Celorico da Beira, Guarda, Manteigas e Covilhã — e estruturada em três zonas complementares: uma Zona Núcleo onde se concentram os valores naturais mais relevantes (212,55 km²), uma Zona Tampão de mediação ecológica (679,65 km²) e uma Zona de Transição dedicada às atividades humanas sustentáveis (1.480,80 km², correspondendo a 62% da reserva).

O território alberga 30 habitats listados na Diretiva Habitats da União Europeia e constitui um repositório vivo de diversidade biológica e cultural, com ecossistemas únicos, espécies endémicas e mosaicos agro-ecológicos de montanha que moldaram séculos de relação entre as comunidades locais e a natureza.

A candidatura foi promovida pela AGE – Associação Geopark Estrela, com coordenação científica da Professora Helena Freitas, do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra. A Professora Helena Freitas representou Portugal na sessão do Conselho, acompanhada pelo presidente da Câmara de Manteigas, que marcou presença na reunião no Paraguai.

A iniciativa resulta de um amplo processo participativo que envolveu autarquias, sociedade civil, comunidade educativa e organizações ambientais, tendo como base o Plano de Cogestão do Parque Natural, aprovado em novembro de 2024.

Com esta aprovação, a Serra da Estrela passa a deter duas designações UNESCO para o mesmo território: o Geopark Global UNESCO, reconhecido em julho de 2020, e agora a Reserva da Biosfera. Os dois estatutos serão geridos de forma integrada, numa lógica de governança conjunta que permitirá otimizar recursos humanos, financeiros e materiais.

Esta designação não é apenas um reconhecimento internacional, é um compromisso ativo com os objetivos globais de conservação da biodiversidade inscritos no Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal, e uma oportunidade para afirmar a Serra da Estrela como referência nacional e internacional em práticas inovadoras de sustentabilidade e educação ambiental.

O ponto mais alto de Portugal continental, com 1 993 metros de altitude, tem agora uma nova dimensão: a de “laboratório vivo” onde se testam e consolidam soluções para conciliar a conservação da natureza com o desenvolvimento humano, combatendo a desertificação, adaptando-se às alterações climáticas e valorizando o conhecimento ancestral das comunidades de montanha.

Com esta aprovação, Portugal passa a contar com 14 Reservas da Biosfera, reforçando a sua posição na Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO. Mais informação sobre a rede nacional em www.reservasdabiosfera.pt.

Fonte: ICNF

À primeira vista, transportar abelhas pode parecer uma necessidade de nicho. Mas, na realidade, está no centro de uma transformação silenciosa da agricultura moderna. À medida que a produção alimentar se torna mais intensiva e dependente de culturas que exigem polinização — como amêndoas, frutos vermelhos ou pomares — cresce também a necessidade de deslocar milhões de abelhas entre regiões, acompanhando os ciclos de floração.

Esta prática, conhecida como apicultura migratória, levou ao desenvolvimento de serviços logísticos altamente especializados. Os apicultores deixaram de operar apenas localmente e passaram a integrar cadeias agrícolas mais amplas, onde o tempo, a localização e a saúde das colónias são determinantes para a produtividade. Nesse contexto, os camiões para transporte de colmeias tornaram-se uma peça essencial, garantindo que as abelhas chegam em segurança aos destinos onde são mais necessárias — e no momento certo.

O mercado global de camiões para transporte de colmeias deverá atingir cerca de 1,07 mil milhões de euros até 2030, crescendo a uma taxa média anual de 6,5%, segundo um relatório recente da The Business Research Company.

O estudo aponta para um crescimento de 782 milhões de euros em 2025 para aproximadamente 828 milhões de euros em 2026, refletindo a crescente profissionalização da apicultura e o aumento da procura global por serviços de polinização.

Este segmento logístico especializado acompanha a expansão de um setor mais amplo: a apicultura. Na Europa, o mercado apícola foi avaliado em cerca 3,66 mil milhões de euros em 2024 e deverá crescer para 6,04 mil milhões de euros até 2033, evidenciando a importância crescente desta atividade no espaço europeu.

Os camiões dedicados ao transporte de colmeias — equipados com sistemas de ventilação, racks modulares e mecanismos de carga — tornaram-se essenciais para a chamada apicultura migratória, permitindo deslocar colónias para zonas com maior disponibilidade de néctar ou para culturas agrícolas que dependem de polinização.

Na União Europeia, estima-se a existência de cerca de 600 mil apicultores e 16 milhões de colmeias, embora apenas uma pequena fração opere em escala comercial, o que indica margem para crescimento e modernização — incluindo na logística associada.

Portugal insere-se neste panorama europeu. Estudos académicos mostram que o país integra o grupo de nações com atividade apícola relevante, ainda que com forte presença de produtores de pequena escala e características heterogéneas entre regiões. Quanto a números, em Portugal existem 12.282 apicultores registados, 43 mil apiários e 765.594 colmeias.

A procura por mel — impulsionada por tendências de consumo mais naturais — e o aumento da dependência agrícola de polinizadores são apontados como principais motores do crescimento. Paralelamente, a produção europeia de cerca de 200 mil toneladas de mel por ano não é suficiente para cobrir a procura interna, o que reforça a pressão sobre o setor para aumentar a produtividade e eficiência.

É neste contexto que os camiões de transporte de colmeias ganham relevância estratégica. O relatório destaca ainda tendências como a adoção de veículos elétricos ou de baixas emissões, sistemas de controlo climático para proteger as abelhas durante o transporte e tecnologias de monitorização da saúde das colónias.

Pedro Acabado, apicultor da Pa Bees & Blooms conta que é o segundo ano que contrata um serviço de camião refrigerado para levar colmeias do Alentejo para uma cultura de Kiwis no Norte. O valor situa-se entre os 1000 e os 1500 euros para transportar cerca de 500 a 650 colmeias.

No entanto, diz que em Portugal como as distâncias são curtas muitas vezes faz o transporte durante a noite utilizando o seu próprio camião, quando a cultura fica mais próxima e demora uma hora ou duas.  Contudo, salienta que o mercado de polinização teve um boom e que há muitos apicultores que não têm as condições logísticas apropriadas para fazer o transporte das abelhas e que este tipo de serviço é uma alternativa no mercado.

Fonte: Jornal Económico

A SeaForester, com o apoio de uma conhecida marca de alimentação animal, desenvolveu e colocou em operação a terceira geração de viveiros móveis de algas (G3) em Peniche, desde início de 2025. Esta nova tecnologia reduziu o ciclo de produção de 12 para sete semanas e, combinada com uma nova unidade de viveiros construída em 2026, triplicou a capacidade de produção total.

Este avanço tecnológico significativo alcançado em Portugal, promovido pela SeaForester, especialista em biologia marinha, promete revolucionar a velocidade e a escala da restauração de ecossistemas marinhos em todo o mundo, com um ganho de eficiência até 60%.

Este marco, alcançado com o apoio estratégico da marca, no âmbito do seu programa de sustentabilidade oceânica, representa um ponto de viragem, permitindo que a restauração de florestas de algas, vitais para a biodiversidade marinha e para a captura de carbono, passe de projetos-piloto para uma implementação em larga escala. O novo viveiro, sediado em Peniche, tem a capacidade de produzir algas para cobrir mais de 1 hectare por ciclo.

“Este viveiro G3 não é apenas uma melhoria, é um salto quântico. Muda fundamentalmente a nossa capacidade de resposta à crise dos oceanos”, afirma Pål Bakken, fundador e CEO da SeaForester. “Passamos de uma escala artesanal para uma escala que pode, efetivamente, começar a curar o nosso litoral. O apoio de parceiros é crucial, pois eles não só fornecem recursos, mas partilham a visão de investir em soluções escaláveis e baseadas na ciência para resolver problemas sistémicos”, acrescenta.

A parceria, que utiliza subprodutos da indústria pesqueira nos seus alimentos para animais de companhia, reflete um compromisso com a saúde de toda a cadeia de valor marinha. Ao apoiar a restauração dos habitats que servem de maternidade para inúmeras espécies de peixe, o parceiro investe na resiliência do ecossistema do qual também depende.

“O nosso compromisso com o oceano tem de ir além da gestão responsável da nossa cadeia de fornecimento. Temos de ser um agente ativo de regeneração”, declara Kerstin Schmeiduch, diretora de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade. “Quando a SeaForester nos apresentou a tecnologia G3, percebemos que estávamos perante uma solução que poderia verdadeiramente escalar o impacto. Apoiar este tipo de inovação disruptiva é a forma mais eficaz de cumprirmos a nossa promessa de deixar um planeta mais saudável”.

Para assinalar o Dia Mundial dos Oceanos, que se comemorou a 8 de junho, e demonstrar a implementação desta nova tecnologia, a marca, em parceria com a SeaForester e a Câmara Municipal de Cascais, realizou uma ação de plantação de algas marinhas em Cascais.

Fonte: iAlimentar