O Governo decidiu ajustar os prazos de entrega dos programas operacionais e dos pedidos de alteração das Organizações de Produtores (OP), anunciou o Ministério da Agricultura e Mar em comunicado esta quinta-feira, 10 de setembro.
“A medida responde a uma exigência concreta do setor, que alertava para o desfasamento entre o calendário legal e o pico das colheitas. Até agora, o prazo fixado em 15 de setembro obrigava as OP a realizar um exercício complexo de planeamento estratégico em pleno período de maior sobrecarga e intensidade operativa no terreno. Esta sobreposição tem motivado sucessivas prorrogações do prazo legal”, pode ler-se no documento.
Com a sétima alteração à Portaria n.º 54‑F/2023, os programas operacionais e os pedidos de alteração passam a ser apresentados até 30 de setembro, permitindo alinhar o processo de planeamento com a realidade do terreno e garantindo maior previsibilidade e flexibilidade.
“Com esta revisão normativa, o Governo reforça a capacidade das OP para gerir programas cada vez mais técnicos e exigentes, assegurando que o quadro regulamentar acompanha a evolução do setor e respeita os seus constrangimentos operativos”, indica o comunicado.
Fonte: Jornal Económico
Cinco meses depois de os cidadãos começarem a devolver as suas embalagens através da volta, a SDR Portugal regista mais de 305 milhões de embalagens de bebidas devolvidas. O marco é alcançado num momento de forte crescimento da utilização da rede de recolha, com o número de embalagens devolvidas a triplicar nos últimos dois meses, depois de ter atingido os 100 milhões em julho, foi divulgado em comunicado.
Segundo a mesma fonte, com o arranque do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), a 10 de abril, estão atualmente a ser devolvidas, uma média próxima de 5 milhões de embalagens por dia. Este ritmo corresponde a mais de 3.400 embalagens por minuto, e, aproximadamente, 57 embalagens a cada segundo.
Nos primeiros dois meses de funcionamento foram ultrapassados os 10 milhões de embalagens devolvidas. Em julho, pouco mais de três meses depois do arranque, a volta atingiu os 100 milhões. Agora, cinco meses após a entrada em funcionamento, chega aos 305 milhões.
Rede de recolha acompanha crescimento da utilização
O crescimento da devolução de embalagens tem sido acompanhado pelo alargamento da rede de recolha volta, que conta atualmente com mais de 3.000 Pontos volta automáticos, disponíveis em supermercados e hipermercados, e com Pontos volta manuais, soluções de recolha para estabelecimentos de menor dimensão, como pequenas lojas, minimercados ou supermercados de proximidade, sem RVM (Reverse Vending Machine).
A rede está também a ser reforçada através dos Quiosques volta, concebidos para responder sobretudo a situações de devolução de grandes quantidades de embalagens de uma vez. Dos 12 Quiosques já contratados, sete estão atualmente em funcionamento, em Albufeira, Barcelos, Cascais, Funchal, Ponta Delgada, Portimão e Vila Nova de Famalicão. Os restantes cinco, encontram-se em fase de implementação, nos municípios de Almada, Aveiro, Mafra, Oeiras e Vila do Conde. O objetivo é chegar às 50 unidades em todo o país.
Com capacidade para recolher cerca de 120 embalagens de bebidas por minuto, os Quiosques permitem concentrar num único ponto a devolução de grandes volumes, sendo uma solução particularmente relevante para cafés, restaurantes, hotéis e outros estabelecimentos similares.
Para cafés, restaurantes, hotéis e outros estabelecimentos similares que acumulam grandes quantidades de embalagens, a SDR Portugal disponibiliza também o serviço de Levantamento Direto, que permite solicitar a recolha diretamente no estabelecimento, mediante acordo com a Entidade Gestora.
Leonardo Mathias, Presidente da SDR Portugal, afirma: “Chegar aos 305 milhões de embalagens devolvidas em apenas cinco meses é um marco extraordinário e demonstra, de forma muito concreta, a adesão expressiva dos cidadãos à volta. Estamos a falar de milhões de embalagens que foram devolvidas e que poderão voltar a ser uma nova garrafa ou lata. A dinâmica de participação tem crescido de forma muito significativa desde o arranque e os números mostram uma evolução que merece ser destacada: passámos dos 100 milhões de embalagens devolvidas no final de julho para 300 milhões em setembro. Ou seja, o número de embalagens devolvidas triplicou em menos de dois meses. É uma expressão clara da mobilização dos cidadãos e da capacidade da volta para gerar novos hábitos e contribuir para uma mudança efetiva na forma como encaramos as embalagens de bebidas depois do consumo.
Neste sentido, a SDR Portugal agradece a todos os cidadãos que têm aderido à volta e que, através da devolução das suas embalagens, têm sido fundamentais para alcançar este resultado. É também de relevar o compromisso dos associados da SDR Portugal — produtores, distribuidores, embaladores e retalhistas — cujo esforço conjunto foi determinante para implementar uma infraestrutura desta dimensão em todo o país, quer a nível informático, técnico, logístico, formação de colaboradores, sem o qual não teria sido possível o atingimento destes números.
“Este resultado dá-nos, assim, a confiança e, ao mesmo tempo, aumenta a nossa responsabilidade. A ambição é continuar a crescer, consolidar esta participação e fazer da devolução de embalagens um comportamento cada vez mais integrado no quotidiano de todos. Este é um marco muito relevante, mas queremos que seja apenas mais uma etapa de um percurso que tem como objetivo aumentar continuamente a recolha e garantir que cada vez mais embalagens regressam à economia circular”, conclui Leonardo Mathias.
A volta abrange embalagens de bebidas de uso único – garrafas e latas de plástico, alumínio e aço, com capacidade até três litros. Por cada embalagem abrangida é pago o valor de depósito de 0,10 euros, que é integralmente reembolsado quando a embalagem é devolvida nas condições previstas.
Formas de devolução de embalagens
Onde posso devolver as embalagens?
As embalagens abrangidas pela volta podem ser devolvidas nos Pontos volta automáticos, disponíveis em supermercados e hipermercados, nos Pontos volta manuais e nos Quiosques volta. Os estabelecimentos do setor HoReCa que reúnam as condições necessárias podem ainda recorrer ao serviço de Levantamento Direto, mediante registo e acordo com a SDR Portugal.
Qual é a diferença entre um Ponto volta automático e um Quiosque volta?
Os Pontos volta automáticos permitem a devolução das embalagens, através de máquinas instaladas em supermercados e hipermercados. A estes juntam-se os Pontos volta manuais, geralmente supermercados de menores dimensões, que permitem aos cidadãos devolver as embalagens quando não existem Pontos volta automáticos nas proximidades, assegurando desta forma que os cidadãos têm opções de devolução mesmo nas zonas mais remotas.
Os Quiosques volta estão preparados para a devolução de grandes quantidades de embalagens de uma só vez, com capacidade para recolher cerca de 120 embalagens por minuto. Encontram-se instalados em locais de fácil acesso e com horários adaptados, apresentando-se como uma solução cómoda e rápida.
Os Quiosques volta são apenas para restaurantes e cafés?
Não. Os Quiosques volta podem ser utilizados pelos cidadãos e pelos estabelecimentos, embora tenham particular relevância para contextos em que seja necessário devolver grandes quantidades de embalagens, nomeadamente por parte de estabelecimentos HoReCa.
O que é o serviço de Levantamento Direto?
É uma solução dirigida aos estabelecimentos do setor HoReCa que permite solicitar a recolha das embalagens diretamente no próprio estabelecimento. Desta forma, os estabelecimentos que acumulam volumes significativos de embalagens podem solicitar a sua recolha sem necessidade de as transportar até um Ponto ou Quiosque volta. A adesão implica o registo como Aderente de Recolha volta e a celebração de acordo com a Entidade Gestora, a SDR Portugal. O registo é posteriormente validado, garantindo-se que o estabelecimento reúne as condições necessárias para beneficiar desta solução, nomeadamente um volume de embalagens que justifique. Desta forma, assegura-se a eficiência e a sustentabilidade deste serviço.
O Levantamento Direto é gratuito para estabelecimentos que tenham pelo menos quatro sacos cheios, de 240 litros cada um, para levantamento. Para recolhas de até três sacos, existe um custo de 13€ + IVA.
Como é feito o reembolso do depósito?
O valor de depósito é de 0,10 euros por embalagem e é reembolsado após a devolução, desde que a embalagem cumpra as condições previstas pela volta.
Nos Pontos volta automáticos, o valor pode ser recuperado através de diferentes modalidades de reembolso, nomeadamente através de um vale que pode sempre ser convertível em dinheiro, vale de desconto em loja, cartão de fidelização ou soluções digitais, podendo também ser doado a uma instituição, consoante as opções disponíveis em cada Ponto volta.
Nos Quiosques volta, o valor pode ser recuperado através da App volta€, que permite transferir o montante acumulado para a conta bancária associada. É também possível optar pela doação do valor de depósito para as instituições disponíveis nesta solução.
O reembolso através de MBWay estará disponível brevemente.
Que condições devem cumprir as embalagens para serem aceites?
As embalagens devem estar vazias, não espalmadas, com a tampa colocada e apresentar o símbolo volta e o código de barras legível. O SDR abrange embalagens de bebidas de uso único de plástico, alumínio e aço, até três litros.
Onde posso consultar os locais de devolução?
As localizações dos Pontos e Quiosques volta encontram-se disponíveis em https://volta.com.pt/onde-devolver/.
Fonte: GreenSavers
A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) regista com apreço os apoios anunciados para o setor vitivinícola na Região Demarcada do Douro, mas considera indispensável que sejam alargados às restantes regiões produtoras do país que igualmente enfrentam dificuldades, sob pena de se criar uma situação de injustiça e de distorção do mercado.
O mercado português está imensamente pressionado e deteriorado pela entrada maciça de vinho espanhol a granel, muitas vezes sem qualquer controlo, comercializado a preços com os quais a produção portuguesa não pode competir. A tendência para esta situação se agravar será inevitável se nada for feito para reduzir o fosso de competitividade entre Portugal e Espanha, que se tem vindo a aprofundar a cada dia que passa, e se o Governo não adotar as medidas necessárias de fiscalização e controlo necessárias, algumas delas exigidas pela legislação comunitária para proteção do consumidor.
O setor em Espanha tem vindo a receber apoios para os fatores de produção (energia, combustíveis, fertilizantes, etc.) mais de 30 vezes superiores aos que estão a ser dados aos agricultores portugueses, pelo que se a situação já é má agora, no futuro próximo será catastrófica, isto porque o hiato de preços será muito maior do que aquele que hoje existe, acusa a CAP, alertando: hoje não conseguimos já competir com Espanha.
Para o secretário-geral da CAP, Luís Mira, “a solidariedade com o Douro é inequívoca. Saudamos as medidas anunciadas pelo Governo. O que a CAP não aceita é que essa solidariedade se traduza num esquecimento dos produtores das outras regiões. Num contexto adverso que a todos afeta, a resposta pública tem de ser justa, coerente e nacional. O Douro deve ser apoiado e tem problemas específicos, mas não podemos esquecer que é todo o setor vitivinícola que enfrenta uma crise em todo o país”.
A quebra do consumo, a retração das exportações em vários mercados, a acumulação de existências, a pressão crescente sobre os preços resultando do brutal aumento dos custos de produção e as crescentes dificuldades de tesouraria são infelizmente comuns às várias regiões vitivinícolas. E todas as dificuldades se agravam brutalmente com o vinho a granel importado de Espanha que vezes demais chega ao nosso mercado sem certificação de origem, muitas vezes sem fiscalização nem controlo, e que entra a preços baixíssimos com os quais nenhum produtor nacional consegue competir. Esta situação, que é irregular, custa aos produtores portugueses dezenas de milhões de euros por ano.
A CAP não questiona a livre circulação de mercadorias, nem a importação legal e conforme aos regulamentos em vigor, mas exige que o Estado faça a rastreabilidade integral, uma fiscalização e um controlo efetivos e que obrigue a informação inequívoca sobre a origem. Sem isso perdem os produtores, perde toda a cadeia de valor da produção e, também, perdem os consumidores, que as mais das vezes não têm uma perceção clara da sua verdadeira proveniência, conclui a Associação.
A CAP apresentou ao Governo, por várias vezes e ainda no mês passado, um conjunto de propostas de medidas verdadeiramente estruturais transversais a todo o setor e para todas as zonas produtivas de norte a sul do país. Não apenas medidas pontuais que não resolvem os problemas de fundo.
A CAP apela ainda ao Governo para que pense estrategicamente, o que não tem feito, e que em diálogo com a CAP, trabalhe paralelamente num reforço significativo das verbas destinadas à promoção dos vinhos portugueses no estrangeiro, aproveitando alguns acordos comerciais, como forma de acelerarmos a saída desta crise e libertarmos o potencial exportador dos vinhos portugueses.
Fonte: iAlimentar
Quase metade da despesa de consumo das famílias na União Europeia está concentrada em três categorias: alimentação e bebidas não alcoólicas; habitação, água e energia; e transportes.
Em janeiro de 2026, estas três áreas representavam, em conjunto, 46% da despesa total das famílias, segundo dados do Eurostat. O peso destas categorias ganha particular relevância num período em que todas registaram aumentos substanciais de preços em pelo menos um dos últimos anos.
Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, a distribuição da despesa das famílias europeias sofreu algumas alterações.
Seguiram-se os restaurantes e serviços de alojamento, com um crescimento de 0,3 pontos percentuais, e a educação, que aumentou 0,1 pontos percentuais.
Em sentido contrário, os transportes registaram a maior redução da sua participação na despesa das famílias, com uma queda de 0,4 pontos percentuais entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026.
A segunda maior descida ocorreu na categoria de informação e comunicação, que recuou 0,3 pontos percentuais.
Apesar da redução do seu peso relativo, os transportes continuam, juntamente com a alimentação e a habitação, entre as três principais componentes do orçamento das famílias europeias.
Os dados integram a publicação Key figures on Europe – 2026 edition, do Eurostat, que apresenta uma visão geral da evolução recente da União Europeia em áreas como população e sociedade, economia, empresas, ambiente e recursos naturais.
A concentração de uma parcela tão significativa do consumo familiar em alimentação, habitação e transportes evidencia o peso que a evolução dos preços nestas categorias pode assumir na despesa das famílias e, de forma mais ampla, na evolução dos preços no consumo.
Fonte: Grande Consumo
O retalho europeu entra em 2026 num contexto de recuperação do poder de compra, inflação mais próxima do objetivo de 2% do Banco Central Europeu e mercados de trabalho resilientes. Ainda assim, o crescimento do consumo não acompanha a evolução dos rendimentos.
Em causa está uma mudança nas prioridades das famílias, que continuam mais cautelosas depois de vários anos marcados pela pandemia, inflação, pela instabilidade geopolítica e por perturbações nas cadeias de abastecimento.
Mesmo com a melhoria das condições económicas, muitos europeus continuam atentos aos preços e cada vez mais focados no valor, equilibrando acessibilidade com qualidade, conveniência, funcionalidade e confiança nas marcas, segundo os dados são do estudo “European Retail in 2025 and 2026”, da NielsenIQ Geomarketing.
Poder de compra recupera
Em 2025, o poder de compra médio per capita na União Europeia atingiu 22.425 euros, mais 3,3% do que em 2024. No conjunto dos 27 Estados-membros, os consumidores tinham cerca de 10,1 biliões de euros disponíveis para despesas, incluindo alimentação, compras de retalho, habitação, serviços, energia, seguros, férias e mobilidade. Polónia (+8,8%), Lituânia (+8,3%), Roménia (+7,7%) e Bulgária (+7,3%) registaram os maiores aumentos.
Apesar deste reforço do rendimento disponível, o volume de negócios do retalho cresceu apenas 2,1% em 2025, depois de ter aumentado 3% em 2024 e 5,5% em 2023. O desempenho reflete “a continuada normalização do consumo após a recuperação do período pós-pandemia” e, sobretudo, uma alteração na forma como os europeus distribuem o orçamento.
Os maiores crescimentos verificaram-se sobretudo no Norte e no Leste da Europa. A Noruega liderou, com uma subida de 13,1%, seguida da Lituânia (+10,5%), Suécia (+8,9%), Bulgária (+8,2%) e Eslováquia (+8%). O aumento dos salários e a melhoria do poder de compra contribuíram para estes resultados. Nos grandes mercados da Europa Ocidental, o desempenho foi mais fraco, com o Reino Unido a registar uma queda de 0,6%.
Para Philipp Willroth, responsável pelo estudo na NielsenIQ Geomarketing, o principal fenómeno não é uma redução generalizada da despesa, mas uma alteração das prioridades. “Os europeus não estão a gastar menos, mas de forma diferente”, afirma, sublinhando que o crescimento do poder de compra já não se traduz automaticamente num aumento equivalente da despesa em retalho.
A diferença entre a evolução do poder de compra e do retalho é particularmente visível no peso deste último no consumo privado. Em 2025, o retalho representava 31,9% da despesa privada na UE, o quarto ano consecutivo de redução. À medida que os rendimentos recuperam, uma parcela maior do orçamento está a ser direcionada para serviços, viagens, lazer e restauração.
As diferenças entre mercados são significativas. A Croácia apresentava a maior proporção de consumo destinada ao retalho, com 48,3%, seguida da Lituânia (45,7%), Bulgária (44%) e Hungria (43,2%). No extremo oposto, a Alemanha registava uma quota de apenas 22,2%.
A inflação também perdeu intensidade face aos níveis registados após a crise energética de 2022. Em 2025, a inflação média na União Europeia situou-se nos 2,5%, aproximando-se do objetivo do Banco Central Europeu. As maiores taxas foram registadas na Roménia (6,8%), Estónia (4,8%), Hungria (4,4%), Croácia (4,4%) e Eslováquia (4,2%). Em França, a taxa ficou nos 0,9%, uma das mais baixas da Europa.
Para 2026, contudo, a inflação europeia deverá voltar a acelerar, para 3,1%, impulsionada sobretudo pela pressão renovada sobre os mercados energéticos.
Fonte: Grande Consumo
A SWM International está a introduzir no mercado europeu o FIVE™, um papel resistente a óleos e gorduras destinado a embalagens alimentares. Produzido a partir de fibras naturais e biodegradáveis, o material não utiliza agentes de barreira fluorados e mantém a resistência a óleos e gorduras nas duas faces e nas zonas de dobra.
A chegada do FIVE™ à Europa ocorre numa nova fase regulamentar para as embalagens. O Regulamento Europeu de Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR) entrou em vigor a 12 de agosto, introduzindo novos requisitos que abrangem, entre outros aspetos, o design sustentável das embalagens e a utilização de substâncias preocupantes. As embalagens destinadas ao contacto com alimentos que contenham PFAS acima dos limites estabelecidos deixarão de poder ser colocadas no mercado europeu.
Para as empresas alimentares, operadores de restauração e transformadores de embalagens, esta alteração implica substituir barreiras fluoradas contra óleos e gorduras sem comprometer o desempenho das embalagens. Já utilizado no continente americano, o FIVE™ é agora introduzido no mercado europeu como alternativa às barreiras fluoradas e às soluções de origem fóssil.
A resistência a óleos e gorduras é necessária em aplicações como embalagens de fast food, recipientes para takeaway, envolvimento de manteiga e margarina e outros formatos destinados ao contacto direto com alimentos. Algumas soluções utilizadas nestas aplicações recorrem a tratamentos fluorados ou a barreiras à base de plástico ou alumínio para limitar a migração da gordura.
Barreira sem agentes fluorados
O FIVE™ utiliza uma tecnologia patenteada pela SWM International para criar uma barreira a óleos e gorduras sem agentes fluorados. O papel é produzido a partir de materiais naturais, de origem vegetal e biodegradáveis. A empresa indica ainda que o material não contém plástico nem químicos derivados do petróleo.
A barreira atua nas duas faces e mantém o desempenho nas zonas dobradas, onde algumas soluções podem perder eficácia. Esta característica permite preservar a resistência à passagem de óleos e gorduras quando o papel é dobrado durante a transformação ou utilização da embalagem. A SWM International classifica ainda a resistência a óleos entre os níveis médio e elevado na escala OGR.
A versão apresentada para o mercado europeu tem uma gramagem de 31 g/m² e está disponível nas variantes branqueada e não branqueada. A gama técnica indicada pela SWM International abrange gramagens entre 29 e 37 g/m². Podem também ser desenvolvidas versões com gramagens inferiores em função dos requisitos de cada aplicação.
As fibras utilizadas são provenientes de florestas geridas de forma responsável e têm certificação FSC® e PEFC. A SWM International identifica igualmente o FIVE™ como um material de origem biológica e renovável.
Desempenho em contacto com alimentos
O papel suporta temperaturas até 220 °C e pode ser utilizado em forno, micro-ondas e congelador. Estão igualmente disponíveis versões com resistência em húmido e propriedades hidrorrepelentes, permitindo ajustar o papel aos requisitos de diferentes aplicações alimentares.
O material é neutro em termos de sabor e odor. O nome FIVE™ remete para os cinco sentidos associados à experiência alimentar. A resistência a óleos e gorduras permite preservar o aspeto visual da embalagem e manter a superfície seca ao toque, enquanto a proteção da crocância dos alimentos é associada à componente sonora da experiência. A neutralidade do papel permite, por sua vez, evitar interferências com o sabor e o aroma dos alimentos.
O FIVE™ é adequado à impressão por flexografia, permitindo reproduzir cores vivas, obter detalhes definidos na superfície do papel e personalizar graficamente as embalagens.
Segundo a SWM International, as suas soluções de papel resistente a óleos e gorduras são utilizadas há vários anos por empresas do setor de fast food. Com a introdução do FIVE™ na Europa, a empresa dirige a tecnologia a marcas alimentares e transformadores de embalagens que necessitam de soluções sem barreiras fluoradas.
Mercado europeu de embalagens sem PFAS
O mercado europeu de embalagens alimentares sem PFAS foi avaliado em cerca de 11,4 mil milhões de dólares em 2024 e deverá registar uma taxa média anual de crescimento de 6,6 % entre 2025 e 2030. O papel e o cartão deverão constituir o segmento de materiais com crescimento mais rápido durante este período.
Fonte: TecnoAlimentar
O alerta RASFF 2026.7980 reporta a entrada na União Europeia de produtos compósitos à base de chocolate provenientes dos Emirados Árabes Unidos sem a apresentação de atestado privado obrigatório — um documento exigido para determinados produtos compósitos isentos de controlo em postos de fronteira, conforme o quadro regulamentar europeu atualizado em 2026. A ausência deste documento impede a verificação oficial de conformidade, nomeadamente quanto à origem, composição e requisitos de segurança alimentar.
A "private attestation" é exigida para produtos compósitos que entram na UE quando estes são shelf-stable, contêm ingredientes de origem animal processados e estão abrangidos pelas regras de isenção de controlo em BCP;
O Regulamento Delegado (UE) 2026/908 atualizou os requisitos de atestado privado, reforçando a necessidade de documentação para categorias como confeitaria, chocolates e outros produtos compósitos;
Sem esta declaração, as autoridades não conseguem confirmar:
conformidade dos ingredientes de origem animal;
condições de fabrico e processamento;
cumprimento das normas de segurança e higiene aplicáveis.
O alerta indica que o lote de chocolates compósitos foi importado sem o atestado privado, constituindo uma falha documental crítica. Este tipo de incumprimento é particularmente relevante porque produtos de confeitaria importados — como chocolates — podem envolver riscos associados a:
ingredientes de origem animal processados (ex.: leite, manteiga clarificada, gelatina);
potenciais falhas de rotulagem ou autenticidade, como demonstrado em avaliações recentes de chocolates importados de mercados externos.
A ausência do atestado implica:
bloqueio ou retenção da remessa até verificação adicional;
possível rejeição da entrada no mercado europeu;
comunicação obrigatória via RASFF para coordenação entre Estados‑Membros.
As autoridades competentes podem exigir:
documentação suplementar do operador económico;
prova de conformidade dos ingredientes de origem animal;
verificação reforçada de rotulagem, composição e segurança.
O alerta RASFF 2026.7980 assinala a importação de produtos compósitos de chocolate provenientes dos Emirados Árabes Unidos sem a private attestation exigida pelo quadro regulamentar europeu atualizado em 2026.
Esta falha documental impede a verificação oficial da conformidade dos ingredientes de origem animal e das condições de fabrico, comprometendo a segurança e rastreabilidade do produto.
As autoridades procederam à retenção da remessa e à comunicação do incumprimento através da rede RASFF, garantindo a coordenação entre Estados‑Membros e a aplicação das medidas corretivas previstas na legislação de controlo oficial.
Fonte: Qualfood
O ano de 2025 confirmou uma tendência clara: a Europa está mais vigilante, mais coordenada e mais preparada para agir rapidamente perante qualquer ameaça na cadeia alimentar. O Alert & Cooperation Network (ACN) — o sistema que liga autoridades nacionais, Comissão Europeia e redes especializadas — registou 10 490 notificações, um crescimento de 11%, refletindo uma capacidade de deteção mais fina e uma resposta mais ágil.
A segurança alimentar continua a ser o eixo central da rede. Só o RASFF (Rapid Alert System for Food and Feed) contabilizou 5 355 notificações, um aumento de 2%, com destaque para frutas e legumes, que mantêm a liderança das não‑conformidades (16%). Muitos destes casos envolveram rotulagem incorreta, incluindo alegações de saúde não autorizadas em suplementos alimentares — um sinal de que as autoridades estão a apertar o controlo sobre práticas comerciais enganosas.
Mas 2025 trouxe também uma evolução decisiva: o ACN expandiu‑se para novas áreas, integrando plenamente as redes de Bem‑Estar Animal (AW) e Animais de Companhia (PA). Estas redes revelaram dinamismo excecional, sobretudo na fiscalização de transportes transfronteiriços e na luta contra o comércio ilegal de cães e gatos, agora enquadrado por novas regras europeias.
A tecnologia também ganhou protagonismo. O lançamento do Tracemap, previsto para reforçar a rastreabilidade através de inteligência artificial, promete transformar a forma como a Europa deteta sinais precoces de risco — uma ferramenta já testada em condições reais, incluindo no complexo incidente de cereulide em fórmulas infantis.
No conjunto, o relatório de 2025 mostra uma Europa mais alerta, mais cooperativa e mais equipada para proteger consumidores, animais e a integridade do mercado alimentar. A mensagem é clara: a segurança alimentar é uma missão coletiva — e a rede ACN está mais forte do que nunca.
Aceda ao relatório aqui.
Fonte: Qualfood
Durante séculos, os seres humanos selecionaram tomates maiores, mais produtivos, resistentes e fáceis de conservar. Nesse processo, porém, algumas características menos visíveis também mudaram. Entre elas, o sabor.
Um novo estudo, baseado na análise de 558 amostras geneticamente distintas de tomate e de 337 regiões do genoma associadas a açúcares, ácidos e compostos aromáticos, ajuda a reconstruir essa história. Entre as descobertas está um gene, o Sl-LIP100, que revela como uma variante associada à produção de determinados aromas foi favorecida durante a domesticação, mas acabou por perder frequência durante o melhoramento moderno.
Poucas discussões sobre frutas e hortícolas são tão recorrentes como aquela que garante que “os tomates de antigamente tinham mais sabor”. Para muitos consumidores, a diferença parece evidente: os tomates atuais podem ser maiores, mais uniformes, mais resistentes e durar mais tempo depois de colhidos, mas nem sempre parecem ter o mesmo aroma e intensidade de sabor que algumas variedades tradicionais.
Por detrás dessa perceção existe, contudo, algo bastante mais complexo do que a simples nostalgia culinária.
O sabor de um tomate resulta da combinação de vários elementos. Os açúcares contribuem para a sensação de doçura, os ácidos determinam parte da acidez e dezenas de moléculas voláteis participam naquilo que reconhecemos como aroma. Na realidade, uma parte considerável da experiência que identificamos como “sabor” resulta da interação entre o paladar e o olfato.
Um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) procurou reconstruir precisamente essa história: como é que a composição química relacionada com o sabor do tomate mudou à medida que a espécie passou dos seus antepassados selvagens para as variedades domesticadas e, posteriormente, para os cultivares comerciais modernos?
A investigação foi liderada por cientistas da Anhui Agricultural University, na China, em colaboração com investigadores da University of Florida, do Max Planck Institute of Molecular Plant Physiology e de outras instituições.
558 amostras para reconstruir a história do tomate
Para perceber como o sabor mudou ao longo do processo de domesticação e melhoramento, os investigadores analisaram 558 amostras de tomate provenientes de diferentes partes do mundo.
A coleção incluía formas selvagens, tomates semidomesticados, variedades tradicionais (frequentemente conhecidas como heirloom), cultivares modernos e germoplasma latino-americano que permanecia relativamente pouco caracterizado.
A diversidade desta coleção funcionou como uma espécie de máquina do tempo genética.
Em vez de colocar simplesmente frente a frente um tomate “antigo” e um tomate “moderno”, os cientistas conseguiram comparar materiais genéticos correspondentes a diferentes momentos da história evolutiva e agrícola da cultura.
Nos frutos foram medidos vários componentes relacionados com o sabor. Depois, esses dados foram comparados com as diferenças existentes nos respetivos genomas através de estudos de associação genómica, conhecidos pela sigla GWAS.
Esta abordagem permitiu procurar regiões do ADN que apresentassem uma relação consistente com diferenças nos açúcares, nos ácidos e nos compostos voláteis responsáveis pelo aroma.
A razão para estudar tantos componentes é que não existe um único “gene do sabor”.
O sabor é uma característica geneticamente complexa
Quando mordemos um tomate, a doçura depende em grande medida dos açúcares presentes no fruto. A acidez está relacionada com os ácidos orgânicos. Mas aquilo que torna um tomate particularmente aromático envolve uma camada adicional de complexidade.
As moléculas voláteis libertadas pelo fruto chegam aos recetores olfativos e influenciam profundamente a nossa perceção sensorial.
É por isso que dois tomates com quantidades semelhantes de açúcar podem não proporcionar exatamente a mesma experiência ao consumidor.
Melhorar o sabor através do melhoramento vegetal implica, portanto, trabalhar sobre numerosas moléculas e vias metabólicas ao mesmo tempo. Alterar uma única característica pode ainda ter efeitos indiretos sobre outras.
O estudo identificou 337 loci (regiões do genoma) associados a substâncias relacionadas com o sabor do tomate. Entre essas regiões encontravam-se genes já conhecidos por desempenharem funções relacionadas com o metabolismo de compostos responsáveis pelo sabor, incluindo LIN5 e NSGT, mas também numerosas regiões que ainda não tinham sido descritas neste contexto.
A análise revelou ainda diferenças importantes entre tomates de diferentes fases da história da cultura. Os investigadores observaram alterações nos principais compostos voláteis e na composição química dos frutos, reforçando a ideia de que a evolução do sabor do tomate resultou da ação combinada de múltiplos genes e vias metabólicas.
Foi entre estas regiões recentemente identificadas que surgiu uma das descobertas mais relevantes do trabalho: o gene Sl-LIP100, que codifica uma lipase até então pouco caracterizada e que os investigadores demonstraram experimentalmente estar envolvida na síntese de vários compostos voláteis C5 e C6 importantes para o aroma do tomate.
Leia o estudo aqui: The genetic architecture of tomato flavor variation through crop domestication and improvement | PNAS
Fonte: Centro de informação de biotecnologia
O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), QU Dongyu, defendeu uma abordagem sistémica e inclusiva para garantir o futuro da próxima geração de agricultores e das comunidades rurais.
Na Conferência Ministerial de Alto Nível sobre Renovação Geracional em Áreas Rurais, organizada pela Croácia, o responsável sublinhou que atrair jovens para a agricultura exige mais do que apoios diretos à atividade agrícola.
Segundo QU Dongyu, é necessário assegurar acesso à terra, financiamento, conhecimento e tecnologia, mas também habitação acessível, conectividade, creches, educação, serviços de saúde e condições para construir uma vida nas zonas rurais.
“A renovação geracional tem a ver com escolha”, afirmou o diretor-geral da FAO. E continua: “a nossa responsabilidade é criar as condições para que os jovens possam escolher a agricultura; possam escolher viver em zonas rurais; e possam escolher investir o seu talento, conhecimento e energia na transformação dos nossos sistemas agroalimentares.
Jovens enfrentam barreiras no acesso à atividade agrícola
A conferência reuniu decisores políticos e outras partes interessadas para debater os desafios demográficos das zonas rurais e da agricultura, bem como a articulação entre políticas agrícolas, desenvolvimento rural e outras áreas de intervenção pública.
De acordo com os dados apresentados pela FAO, 44% dos jovens trabalhadores a nível mundial dependem dos sistemas agroalimentares para o emprego, enquanto 46% dos jovens vivem em zonas rurais.
Apesar deste peso, muitos continuam a enfrentar barreiras no acesso à terra, ao financiamento, ao conhecimento, às competências e à tecnologia. O diretor-geral da FAO referiu ainda a falta de empregos dignos e de oportunidades de empreendedorismo.
“É por isso que a renovação geracional exige uma abordagem sistémica, que reúna políticas de desenvolvimento agrícola e rural com investimentos”, sublinhou.
Fonte: Vida Rural
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