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A revista Regulatory Toxicology and Pharmacology  retirou um artigo do ano 2000 que afirmava a segurança do glifosato e que vinha sendo usado como prova fundamental para as aprovações regulatórias do produto químico agrícola desde a sua publicação.

Nos últimos anos, o herbicida tem enfrentado crescente escrutínio público devido aos seus potenciais efeitos adversos à saúde, como cancro, e a empresa produtora, tem sido alvo de processos judiciais alegando danos causados ​​pela exposição ao produto químico. A empresa anunciou em 2021 que encerraria as vendas de herbicidas à base de glifosato nos EUA para gerir os riscos de litígios, pois, na época, mais de 40.000 ações judiciais relacionadas haviam sido movidas por pacientes com cancro ou seus familiares contra a empresa.

 A crise atual na vitivinicultura no Douro faz-me lembrar Portugal e as suas crises: existem durante grande parte do tempo histórico, mas a região e o país e mantém-se a funcionar sem colapsar. Ainda ecoam — e permanecem muito presentes na minha memória, praticamente todos os dias — as palavras do Professor João Rebelo, que estuda a Região Demarcada do Douro (RDD) há cerca de 40 anos, proferidas na Fundação Casa de Mateus, em Vila Real, nos primeiros dias de julho de 2024, aquando da apresentação pública de uma das conclusões do estudo “Competitividade e sustentabilidade dos vinhos do Douro e Porto. Que estratégia?”, desenvolvido em parceria com os seus colegas da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Alberto Batista e Sofia Gouveia:

A narrativa do excesso de produção é completamente errada; o que há é um excesso de oferta [de vinho]”.

Este fenómeno no mercado dos vinhos resulta, em larga medida, da importação massiva de vinho espanhol a baixo preço, que representa 96% do total importado. Torna-se, por isso, indispensável garantir a rastreabilidade e a transparência do percurso de todo este volume de vinho em território nacional. As importações de vinho em 2022, 2023 e 2024 representaram, respetivamente, 43%, 38% e 30% do vinho produzido em Portugal, sendo pelo menos 68% a granel e correspondendo a mais de 50% da quantidade de vinho exportado em cada um desses anos. “Concordo que o Governo deve desenvolver ações de fiscalização, sem intervir excessivamente no mercado, para que a origem dos vinhos seja clara para os consumidores”, defendeu o Professor João Rebelo.

O estudo indica ainda que a RDD necessita de ajustar o perfil dos vinhos que produz às tendências dos mercados nacionais e internacionais, onde se observa uma procura crescente por vinhos mais leves e frescos — brancos, rosés e espumantes — em detrimento dos vinhos tintos, doces e de elevado teor alcoólico.

Leia o artigo completo aqui.

Fonte: Agroportal

Durante períodos de elevada procura, como as celebrações nacionais em diferentes países, o consumo de carne vermelha pode aumentar entre 20% e 30%, elevando também o risco de perdas económicas devido à deterioração do produto. Neste contexto, investigadores da Pontifícia Universidade Católica do Chile desenvolveram uma solução tecnológica que melhora a conservação da carne fresca e contribui para a sustentabilidade das embalagens.

A professora e reitora de Engenharia desta universidade, Loreto Valenzuela, lidera o desenvolvimento da Bolsolution, um revestimento comestível elaborado a partir de ingredientes naturais, que incorpora compostos bioativos com propriedades antimicrobianas e antioxidantes. Este material, de carácter funcional e compostável, foi concebido especificamente para aplicação em carne vermelha, como carne bovina e suína.

Os primeiros protótipos foram obtidos por extrusão, uma técnica amplamente utilizada no fabrico de películas alimentares, o que facilita a sua escalabilidade industrial. De acordo com os ensaios realizados, a tecnologia permite inibir a oxidação lipídica e retardar o crescimento microbiano, prolongando a cor, o aroma e a qualidade sensorial do produto refrigerado durante vários dias, e até várias semanas.

Leia o artigo completo aqui.

Fonte: lAlimentar

A segunda edição da campanha ‘Desperdício Zero, Impacto Duplo’, uma iniciativa conjunta da ERP Portugal – Associação Gestora de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos (REEE) e Resíduos de Baterias (RB), da Orima, marca portuguesa de eletrodomésticos, e da Refood, organização criada para reaproveitar excedentes alimentares e alimentar quem mais precisa, arrancou no dia 1 de janeiro e estende-se até dia 5 de junho, Dia Mundial do Ambiente. Esta campanha, que na sua primeira edição recolheu 1,6 toneladas de resíduos, reforça a colaboração entre os parceiros para um impacto ambiental e social positivo.

Os dados mais recentes da Eurostat revelam que, em média, cada português desperdiça anualmente mais de 180kg de alimentos, fazendo de Portugal como o quarto país da Europa com maior taxa de desperdício.

A campanha ‘Desperdício Zero, Impacto Duplo’ visa sensibilizar para a urgência da redução do desperdício alimentar, enquanto impulsiona e promove o correto encaminhamento de resíduos perigosos como pilhas e lâmpadas. Os participantes contribuem não só para a proteção ambiental, mas também para o fortalecimento da ação e dos meios da Refood no terreno.

De forma a tornar a entrega de pilhas e lâmpadas mais acessível à população, os núcleos da Refood de norte a sul do país vão funcionar como pontos de recolha, entre as 18h00 e as 21h00. A ERP Portugal assegurará a recolha e o encaminhamento adequado dos resíduos para a reciclagem, em conformidade com as normas ambientais.

De forma a incentivar a os portugueses a entregarem estes materiais, a Orima, vai oferecer equipamentos de refrigeração novos e mais eficientes aos núcleos da Refood que recolherem a maior quantidade deste tipo de resíduos, de forma a apoiar a capacidade de armazenamento de alimentos da organização.

Fonte: TecnoAlimentar

Um novo estudo desenvolvido por investigadores do ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, da Universidade NOVA de Lisboa, revela novas ferramentas para distinguir variedades de arroz e reforçar o combate à fraude alimentar, aprofundando o conhecimento sobre a genética do arroz que chega ao consumidor.

De acordo com o comunicado de imprensa, cerca de metade da população mundial tem no arroz a base da sua alimentação. Em Portugal, o consumo é o mais elevado da Europa, mas grande parte do arroz vem de fora do continente.

Com o aumento da procura por variedades exóticas e aromáticas, como o basmati, e com a quebra da produção devido às alterações climáticas, cresce o risco de informações enganosas sobre a origem e a variedade do arroz, frisa a comunicação, explicando que é  um problema já identificado pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar, que alerta para fraudes que levam os consumidores a pagar mais por produtos que podem não corresponder ao que é anunciado e prejudicam os produtores honestos.

Para responder a estes desafios, os investigadores sequenciaram o genoma de várias variedades de arroz vendidas no mercado europeu, muitas vezes associadas a preços mais elevados, e analisaram pequenas variações no DNA, conhecidas como polimorfismos de nucleótido único (SNPs).

O estudo, publicado na Scientific Reports, identificou dois grandes grupos genéticos no arroz analisado e revelou várias “assinaturas” de DNA que podem ser usadas para fins de certificação.

“Identificámos cinco pequenas variações no genoma que, em conjunto, têm potencial de distinguir as 22 variedades que considerámos neste estudo”, explicou Maria Beatriz Vieira, estudante de doutoramento no ITQB NOVA e coprimeira autora do estudo. E continua: “esta poderá ser uma forma mais económica de identificar variedades comparativamente com painéis genéticos mais extensos e, portanto, mais caros”.

Os investigadores analisaram 22 variedades de arroz consideradas de elevado valor por produtores e pela indústria. Destas, 20 tiveram o genoma sequenciado pela primeira vez no âmbito deste estudo.

A equipa demonstrou ainda que a variedade portuguesa “Maçarico” é a que apresenta maior proximidade genética ao arroz basmati quando comparada com as restantes variedades analisadas, um resultado relevante para a valorização do arroz nacional e para futuras estratégias de melhoramento.

Hugo Rodrigues, também estudante de doutoramento no ITQB NOVA e coprimeiro autor do artigo, explicou que, “ao conhecermos melhor a relação genética destas variedades e as assinaturas que as distinguem, podemos não só detetar a fraude alimentar, mas também desenvolver arroz mais adaptado às condições mediterrânicas”.

Para além de reforçarem a proteção do consumidor e a transparência do mercado, os dados agora obtidos permitem identificar potenciais marcadores genéticos associados a características como a resistência à seca e a qualidade do grão, explica o comunicado.

“Esta informação pode orientar estratégias de melhoramento genético e apoiar o desenvolvimento de variedades de arroz de maior qualidade e melhor adaptadas às condições ambientais atuais e futuras”, conclui Pedro Barros, investigador no Instituto e autor correspondente.

A nota de imprensa avança ainda que a informação gerada neste estudo já está a ser utilizada no projeto europeu TRACE-RICE, liderado pela investigadora Carla Brites, do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, e que contou com a participação do ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier.

O projeto teve como objetivo promover ferramentas custo-eficientes e ambientalmente seguras para garantir a rastreabilidade e autenticidade do arroz, reduzir contaminantes e valorizar subprodutos na produção de alimentos à base de arroz na região do Mediterrâneo.

Fonte: Agroportal

Recorrendo à técnica de edição genética CRISPR-Cas9, investigadores na Índia conseguiram desenvolver batatas com um teor significativamente mais elevado de amido resistente.

Investigadores da Universidade de Himachal Pradesh, do ICAR–Central Potato Research Institute e do ICAR–Indian Institute of Wheat and Barley Research focaram-se em dois genes envolvidos na biossíntese do amido — SBE2.1 e SBE2.2, que codificam enzimas responsáveis pela ramificação do amido — na variedade de batata Kufri Chipsona-I, amplamente cultivada no país. O objetivo foi aumentar a proporção de amilose, um tipo de amido associado a benefícios para a saúde, incluindo um melhor controlo glicémico e a saúde intestinal.

Utilizando transformação mediada por Agrobacterium, a equipa gerou 50 linhas de batata geneticamente editadas, das quais cerca de 70% apresentaram inserção dos genes marcadores bar e Cas9. Seis dessas linhas mutantes — designadas K301 a K306 — revelaram deleções e substituições nos exões alvo dos genes SBE2.1 e SBE2.2.

Entre as linhas analisadas, a K304 destacou-se como a mais eficientemente editada, apresentando mutações do tipo inserção-deleção e substituição em três dos quatro alvos seleccionados nos dois genes. Os tubérculos desta linha exibiram o teor mais elevado de amilose (95,91%) e de amido resistente (8,69 gramas por cada 100 gramas).

Análises adicionais mostraram alterações na estrutura cristalina do amido e uma redução significativa no alongamento das cadeias ramificadas da amilopectina, confirmando que a modificação genética teve um impacto directo na composição e organização do amido.

De acordo com os autores, os resultados demonstram que a mutagénese mediada por CRISPR-Cas9 em genes da biossíntese do amido é uma estratégia eficaz para desenvolver variedades de batata com um perfil nutricional melhorado e potenciais benefícios para a saúde humana.

O estudo foi publicado na revista científica Frontiers in Genome Editing.

Fonte: Centro de Informação de Biotecnologia

Foram publicados, no final de dezembro de 2025, vários diplomas que procedem à alteração do enquadramento legal aplicável a diferentes categorias de produtos alimentares, designadamente sumos de frutos e produtos similares, doces, geleias de frutos, citrinadas e creme de castanha, mel e leites conservados, no âmbito da transposição da Diretiva (UE) 2024/1438, do Parlamento Europeu e do Conselho.

Estes diplomas visam assegurar a harmonização da legislação nacional com o direito da União Europeia, promovendo simultaneamente maior clareza na rotulagem, reforço da informação ao consumidor, adaptação aos desenvolvimentos tecnológicos e incentivo à reformulação nutricional dos produtos.

No setor dos sumos de frutos e produtos similares, o Decreto‑Lei n.º 137/2025, de 29 de dezembro, introduz alterações relevantes em matéria de composição, rotulagem e denominação. Destaca‑se a possibilidade de utilização voluntária da menção «os sumos de frutos contêm apenas açúcares naturalmente presentes», bem como a criação de uma nova categoria de sumos de frutos com teor de açúcares reduzido, desde que seja alcançada uma redução mínima de 30 % dos açúcares naturalmente presentes, sem adição de edulcorantes ou adoçantes. São igualmente atualizados os limites de açúcares adicionados aos néctares, introduzidos novos processos tecnológicos autorizados e harmonizada a designação de «água de coco» como «sumo de coco», com a fixação de valores mínimos de graduação Brix.

Relativamente aos doces, geleias de frutos, citrinadas e creme de castanha, o Decreto‑Lei n.º 133/2025, de 24 de dezembro, procede à revisão das regras de composição, rotulagem e denominação destes produtos. Entre as principais alterações, destaca‑se a simplificação da rotulagem, com a eliminação da exigência específica de indicação do teor de açúcares, uma vez que essa informação já se encontra abrangida pelo regime geral da rotulagem nutricional. O diploma promove ainda a reformulação nutricional, através do aumento das quantidades mínimas de fruta exigidas, contribuindo para a redução dos açúcares livres e para a valorização da componente frutícola.

No que respeita ao mel, o Decreto‑Lei n.º 136/2025, de 24 de dezembro, introduz novas exigências com vista ao reforço da transparência e da rastreabilidade, em especial no que concerne à indicação da origem. Passa a ser obrigatória a menção, no campo visual principal do rótulo, do país ou países onde o mel foi colhido, incluindo, nos casos de misturas, a indicação dos países de origem por ordem decrescente da respetiva percentagem em peso. São também reforçadas as medidas de prevenção da fraude, exigindo‑se evidência técnica documentada sempre que ocorra a remoção de pólen ou de outros constituintes próprios do mel, de modo a salvaguardar a autenticidade e a qualidade do produto.

No âmbito dos leites conservados parcial ou totalmente desidratados, o Decreto‑Lei n.º 134/2025, de 24 de dezembro, introduz ajustamentos ao regime nacional, designadamente através da autorização de tratamentos para a redução do teor de lactose, cuja aplicação deve ser claramente indicada na rotulagem. O diploma promove igualmente a harmonização de denominações, nomeadamente da expressão “evaporated milk”, e procede à atualização e clarificação de conceitos técnicos e normativos constantes dos respetivos anexos.

Em todos os diplomas é prevista uma norma transitória, permitindo que os produtos colocados no mercado ou rotulados antes de 14 de junho de 2026, em conformidade com a legislação anteriormente em vigor, possam continuar a ser comercializados até ao esgotamento das respetivas existências.

Com este conjunto de alterações legislativas, pretende‑se reforçar a proteção dos consumidores, promover práticas mais transparentes ao longo da cadeia alimentar, adaptar a regulamentação à evolução tecnológica e assegurar condições de concorrência leais entre os operadores económicos.

Mantenha-se informado. Consulte os novos diplomas, sumos de frutos e produtos similaresdoces, geleias de frutos, citrinadas e creme de castanhamel e leites conservados.

Fonte: DGAV

A DGAV publica o Relatório de Controlo de Resíduos de Pesticidas em produtos de Origem Vegetal correspondente a 2024, produzido no contexto das atividades oficiais de controlo visando garantir um elevado nível de proteção da saúde pública e a conformidade com os requisitos de segurança alimentar estabelecidos.

De acordo com o Relatório, no total de amostras de produtos de origem vegetal analisadas 93,5% encontravam-se conformes, 6,2% das amostras de produtos vegetais apresentavam resíduos excedendo o LMR.

Do total de produtos de origem vegetal produzidos no território nacional, apenas 3,7% das amostras encontravam-se em infração aos LMR estabelecidos. Ainda, 7,2% das amostras sujeitas a controlo na fronteira, provenientes de países terceiros, não se encontravam conformes, principalmente por conterem resíduos de pesticidas não autorizados no território da União, tendo sido impedida a sua introdução no mercado.

Fonte: DGAV

Ao longo dos últimos quatro anos, mais de 14 mil cidadãos avaliaram e repensaram os seus hábitos e estilo de vida com a ajuda da DECO, no âmbito do projeto europeu PSLifestyle – Positive and Sustainable Lifestyle, informa a associação em comunicado.

Segundo a mesma fonte, o projeto envolveu uma ampla rede de parceiros nacionais e europeus, apostando em campanhas inovadoras e processos de co-criação da ferramenta LifestyleTest para capacitar os cidadãos e apoiar escolhas mais sustentáveis no seu quotidiano. A nível nacional, mais 30 entidades parceiras da DECO levaram esta ferramenta a munícipes, colaboradores, alunos e professores, através de materiais de divulgação de links personalizados.

Os resultados deste percurso coletivo estão agora reunidos no documento “PSLifestyle: a inspirar vidas sustentáveis em Portugal”, que reúne os dados sobre a pegada de carbono, os padrões de consumo e as principais barreiras à adoção de comportamentos mais sustentáveis, com base nos testes realizados em território nacional.

Em Portugal, o projeto deixa um legado “robusto: uma comunidade mais consciente, novas colaborações institucionais e ferramentas de capacitação que continuarão ativas através da DECO, promovendo escolhas de consumo mais sustentáveis. O PSLifestyle demonstra que a transição sustentável depende tanto de políticas públicas como de pequenos gestos individuais – e que, com informação e ferramentas adequadas, os cidadãos estão dispostos a contribuir para um futuro mais responsável2, refere a nota.

Assim, “acreditamos que este trabalho constitui um contributo relevante para o debate público sobre consumo sustentável e para o desenho de políticas e iniciativas nesta área”, conclui.

Fonte: GreenSavers

A indústria global enfrenta um abrandamento no crescimento da produção de proteína animal, marcado por tensões comerciais, pressões sanitárias e alterações no comportamento do consumidor. A eficiência, a sustentabilidade e a tecnologia serão fundamentais para o futuro do setor, tal como indicado no relatório 'Global Animal Protein Outlook 2026', do Rabobank.

Um crescimento desigual entre espécies

A produção mundial de proteína animal continuará a perder dinamismo em 2026, influenciada por fatores cíclicos e estruturais. Enquanto os produtos do mar e a carne de aves consolidam o seu crescimento, a carne suína e a carne de bovino deverão registar uma contração. Com efeito, prevê-se que esta seja a primeira queda da produção global de espécies terrestres em seis anos.
 
Pressão sobre as margens: custos, saúde e comércio
Embora os custos das rações se mantenham estáveis, outros fatores exercerão pressão sobre as margens: menor disponibilidade de proteína, volatilidade crescente, aumento dos custos comerciais e ameaças sanitárias. As indústrias de processamento poderão enfrentar dificuldades na otimização da sua capacidade instalada, agravadas por barreiras comerciais, tarifas e medidas protecionistas.
 
Mudança no consumidor: mais sensível ao preço e menos fiel ao produto
O abrandamento do crescimento do PIB global afetará o comportamento do consumidor, que se tornará cada vez mais sensível ao preço. Preveem-se mudanças nos padrões de consumo, com tendência para a escolha de opções mais económicas dentro de cada categoria ou mesmo para a substituição de algumas proteínas por outras. No entanto, essa substituição nem sempre é direta, uma vez que muitas proteínas não são percecionadas como equivalentes.
 
O comércio resiste, mas os desequilíbrios persistem
Apesar das tensões, o comércio internacional de proteínas animais tem demonstrado resiliência, apoiado em estratégias como o abastecimento antecipado. Ainda assim, os desequilíbrios entre a oferta e a procura continuam por resolver e espera-se que esta tendência se mantenha em 2026. As tensões geopolíticas e a evolução das políticas comerciais continuarão a condicionar os fluxos, embora novos acordos possam trazer alguma estabilidade.
 
Mais doenças, maior biossegurança
Os surtos sanitários têm afetado tanto a produtividade como as margens. Para além de ameaças recorrentes, como a peste suína africana ou a gripe aviária, estão a emergir doenças como a miíase causada pelo verme perfurador do Novo Mundo, a língua azul, a febre aftosa ou a dermatite nodular contagiosa. Perante este cenário, cresce o interesse por novas estratégias de biossegurança, embora a sua implementação seja complexa.
 
Sustentabilidade e clima: riscos que já não podem ser ignorados
O atual contexto operacional, aliado às crescentes exigências regulamentares, está a levar as empresas a integrar os riscos climáticos e de sustentabilidade nas suas estratégias, avaliando de forma mais sistemática o seu impacto na atividade e nos resultados e promovendo uma abordagem mais abrangente e proativa.
 
Tecnologia: uma aliada ainda subutilizada
A digitalização e o recurso a tecnologias como a inteligência artificial (IA) podem ser fundamentais para melhorar a gestão dos riscos operacionais e avançar nos objetivos de sustentabilidade. Embora o investimento em tecnologia continue a ser limitado, a integração estratégica da IA pode acelerar a transformação de um setor tradicionalmente lento na adoção de inovações.
 
Diversificação e adaptação: chaves para enfrentar o futuro
Para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades, a indústria da proteína animal deverá apostar na diversificação, na consolidação e na adaptação às novas preferências dos consumidores. A combinação de eficiência operacional, resiliência comercial e visão estratégica será determinante num ambiente cada vez mais volátil.
Fonte: iAlimentar