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Uma coligação de 31 organizações europeias da cadeia de valor agroalimentar apelou à rápida adoção do regulamento europeu sobre Novas Técnicas Genómicas (NTG), sem alterações adicionais à proposta atualmente em discussão. Os representantes do setor defendem que um quadro regulamentar previsível e baseado na ciência é essencial para garantir a competitividade, sustentabilidade e segurança alimentar da agricultura europeia.

As organizações, que representam melhoradores de plantas, agricultores, indústria alimentar e operadores comerciais, consideram que as NTG são ferramentas fundamentais para desenvolver culturas mais resistentes às alterações climáticas, pragas e doenças. Segundo o grupo, estas tecnologias poderão contribuir para uma produção agrícola mais sustentável e resiliente, reduzindo simultaneamente perdas e aumentando a segurança alimentar no espaço europeu.

Na declaração conjunta, a coligação manifesta preocupação com possíveis alterações ao texto legislativo, nomeadamente a introdução de requisitos obrigatórios de rotulagem e rastreabilidade para as chamadas plantas NGT de “Categoria 1”, consideradas equivalentes às obtidas através de melhoramento convencional. As organizações alertam que estas exigências criariam encargos administrativos desnecessários, aumentariam os custos para os operadores e comprometeriam a base científica da proposta inicial da Comissão Europeia.

Os signatários defendem ainda que tratar estas plantas da mesma forma que os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) tradicionais acabaria por travar a inovação no setor agroalimentar europeu. Na sua perspetiva, tal abordagem colocaria os agricultores e melhoradores europeus em desvantagem competitiva face a países fora da União Europeia, onde já foram implementados enquadramentos regulamentares mais favoráveis às NTG.

A coligação sublinha também a necessidade urgente de segurança jurídica para incentivar investimento, investigação e desenvolvimento na área da inovação vegetal. O grupo apela, por isso, aos decisores políticos europeus para concluírem rapidamente um quadro regulatório “funcional e preparado para o futuro”, capaz de permitir que toda a cadeia agroalimentar beneficie do potencial das novas técnicas genómicas, mantendo elevados padrões de segurança e transparência.

Fonte: CiB

Uma equipa de estudantes da Universidade de Aveiro desenvolveu o projeto METO, uma solução que converte resíduos alimentares provenientes de cantinas universitárias em biometano, com potencial de aplicação na produção de energia renovável. A iniciativa foi distinguida na edição universitária da 'Escola da Energia', promovida pela Fundação EDP.

O projeto assenta na valorização energética de bioresíduos gerados em contextos institucionais com elevada produção de resíduos orgânicos, contribuindo para a redução da pegada de carbono e para a integração de práticas de economia circular na gestão de resíduos alimentares.

Segundo Martim Salgado, responsável global de Investimento Social da EDP e administrador da Fundação EDP, “a transição energética exige talento, capacidade crítica e soluções aplicáveis ao mundo real”. O responsável acrescenta que os projetos desenvolvidos pelos estudantes “respondem a desafios concretos das comunidades e demonstram como inovação e impacto social podem caminhar juntos”.

A solução desenvolvida pela equipa da Universidade de Aveiro apresenta potencial de replicação em diferentes organizações, nomeadamente em instituições com serviços de restauração coletiva e produção significativa de resíduos orgânicos.

A 'Escola da Energia' é uma iniciativa educativa da Fundação EDP orientada para a sensibilização da comunidade escolar para temas relacionados com sustentabilidade e transição energética. Em 2025, a entidade lançou um concurso-piloto dirigido a estudantes do ensino superior em Portugal, desafiando-os a desenvolver projetos inovadores nas áreas da eficiência energética, descarbonização e sustentabilidade.

Além do projeto METO, a iniciativa distinguiu propostas ligadas à microgeração de energia sonora, infraestruturas urbanas sustentáveis, soluções solares para espaços exteriores, aplicações de inteligência artificial para otimização de consumos energéticos, estruturas de purificação do ar e projetos de comunicação sobre sustentabilidade.

A Fundação EDP prevê lançar uma nova edição do concurso universitário durante 2026, dando continuidade ao apoio a projetos académicos focados na transição energética e na economia circular.

Fonte: iAlimentar

Portugal foi notificado através do sistema europeu RASFF – Rapid Alert System for Food and Feed após a entrada no país de produtos congelados provenientes da China sem o obrigatório certificado sanitário.

A falha documental impede a verificação da conformidade legal e levanta dúvidas sobre a segurança do lote, desencadeando uma resposta imediata das autoridades nacionais.

O alerta destaca que os produtos chegaram ao território europeu sem prova de que foram submetidos aos controlos sanitários exigidos na origem, nomeadamente inspeções higiossanitárias, avaliação de perigos e validação das condições de produção.

Sem este certificado, torna‑se impossível garantir que o alimento cumpre os requisitos da legislação europeia.

A DGAV e os serviços de controlo fronteiriço já ativaram os procedimentos previstos: retenção da mercadoria, verificação aprofundada e eventual retirada do mercado, caso se confirme o incumprimento.

A ausência de certificação é considerada um risco relevante, sobretudo em cadeias de abastecimento internacionais onde a rastreabilidade é crítica.

Este alerta reforça a importância de controlos rigorosos na importação de produtos de países terceiros, lembrando aos operadores económicos que qualquer falha documental pode resultar em sanções, atrasos logísticos e perda de confiança comercial.

Enquanto a investigação decorre, Portugal mantém coordenação com os restantes Estados‑Membros para garantir que nenhum produto sem certificação adequada chega ao consumidor final.

Fonte: Qualfood

Um surto de uma cepa rara de Salmonella, provavelmente causada por creme de avelã com chocolate, deixou 40 pessoas doentes na Alemanha, resultando numa morte. Crianças e adolescentes, foram os mais afetados, segundo o Instituto Robert Koch ( RKI).

O RKI está a investigar o foco principalmente na colaboração com outras autoridades de saúde pública na Alemanha. 

Surto causado por sorovar raro

A cepa causadora do surto,  Salmonella  Bochum, é descrita como “extremamente rara” pelo Instituto Robert Koch (RKI), com 0 a 4 casos relatados por ano na Alemanha. Nenhuma infecção causada por esse patogénio foi registrada na Alemanha entre 2019 e 2024. Durante o mesmo período, o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) relatou um total de 12 casos em países da UE/EEE. 

Epidemiologia de SPAs

Até 14 de abril de 2026, um total de 40 casos foram apontados ao surto, com o primeiro início da doença registrado em 8 de setembro de 2025. Desde então, 1 a 5 casos foram relatados em quase todas as semanas. Em março de 2026, algumas crianças com infecção por S. Bochum continuaram a apresentar quadros graves da doença.

Um paciente de 60 anos morreu em decorrência do surto.

Dos 40 casos relatados, 18 pertencem ao mesmo agrupamento genómico. Os resultados do sequenciamento genómico ainda estão pendentes para alguns dos isolados do surto.
 
Entrevistas e estudo de caso-controlo apontam para o creme de chocolate de avelã
 
A curva epidémica não apresenta um pico distinto, indicando que um alimento com longo prazo de validade pode ser uma fonte de infecção.

Até o momento, 14 pacientes afetados pelo surto (ou seus pais) foram entrevistados. Uma marca específica de creme de chocolate com avelã foi mencionada por 12 (86%) dos entrevistados como um alimento que consumiram nos três dias anteriores ao início dos sintomas.

Como a frequência de consumo basal de cremes de chocolate com avelã na população em geral é desconhecida, o RKI converteu um estudo de caso-controlo para testar a hipótese de que esse produto foi fonte de surto. Os casos e grupos de comparação adequados não pacientes (controlados) foram entrevistados usando um questionário abreviado com foco no consumo de vários cremes de chocolate com avelã nos três dias anteriores ao início da doença, ou antes do preenchimento do questionário para os controles.

Tanto os casos quanto os controlos foram limitados a indivíduos com idades entre 2 e 15 anos. Dois grupos de controlo foram utilizados:

  • Indivíduos com outras doenças de notificação obrigatória nos distritos afetados, entrevistados principalmente pelas autoridades locais de saúde pública, e
  • Participantes do painel "Saúde na Alemanha" do RKI, entrevistados online.

Os controlos foram selecionados de forma a corresponder aos casos por faixa etária e região de residência.

Uma análise mostrou que uma marca específica (creme de chocolate com avelã A) foi consumida significativamente com mais frequência em casos de surto do que pelos controlos. Uma razão de probalidade de 93 indica que os indivíduos que consumiram esse produto tiveram uma probabilidade 93 vezes maior de desenvolver salmonelose em comparação com aqueles que não o consumiram. Outras marcas avaliadas não foram avaliadas associação estatística com a doença.

Produto reconhecido

Em 9 de abril de 2026, o creme de chocolate com avelã afetado foi coletado publicamente após a detecção de Salmonella em determinados lotes durante os controles internos de qualidade do fabricante.

A investigação está a decorrer, incluindo entrevistas e análises genómicas de isolados de Salmonella , bem como análises adicionais de produtos fornecidos, processos de fabricação e cadeias de suprimentos.

Fonte: Revista de Segurança Alimentar

 

O cabaz essencial de 63 produtos, monitorizados pela Deco Proteste, subiu esta semana para 261,89 euros, mais 3,37 euros do que na semana passada , atingindo o valor mais elevado desde 2022.

Após uma descida na semana passada, o cabaz volta a aumentar e atingir o valor mais elevado desde o início da monitorização, em 2022, referiu a organização de defesa do consumidor em comunicado.

A cesta alimentar inclui carne, congelados, frutas e legumes, laticínios, mercearia e peixe.

Entre outros, são considerados produtos como peru, frango, carapau, pescada, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga.

Entre 29 de abril e 06 de maio, os três produtos que mais aumentaram de preço foram o atum posta em óleo vegetal chegaram a 1,54 euros (+20% que na semana anterior), a massa esparguete passou a creme 1,13 euros (+15%) e o queijo curado fatiado embalado por 2,61 euros (+14%).

Segundo a Deco Proteste, há um ano, era possível comprar os mesmos produtos por menos 22,94 euros (menos 6,60%).

Já no início de 2022, era possível gastar menos 74,19 euros (uma diferença de 39,52%)

Em relação ao ano passado, as maiores perdas de preços verificaram-se em produtos como a couve-coração (44%, custando atualmente 2,02 euros por quilograma), o robalo (34%, situando-se atualmente nos 10,33 euros por quilograma) e os brócolos (31%).

Desde 05 de janeiro, os maiores aumentos foram registados na carne de novilho para cozer (124% para 13,04 euros por quilograma), a couve-coração (103% para 2,02 euros por quilograma) e os ovos (84% para 2,10 euros).

Fonte: Agroportal

Saladas embaladas tornaram-se um alimento básico para consumidores que buscam praticidade. No entanto, esse produto alimentar moderno apresenta um risco microbiano que as agências de saúde pública têm lutado para controlar na última década. Entre 2015 e 2024, as autoridades de saúde dos Estados Unidos identificaram  oito surtos diferentes de listeriose relacionados a saladas embaladas, o que levou a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA a iniciar o recolhimento de aproximadamente 240 itens desse tipo devido à possível contaminação por Listeria monocytogenes .

Ao contrário de muitas bactérias transmitidas por alimentos que causam desconforto gastrointestinal rápido, Listeria envelhece num período mais longo, os sintomas podem surgir semanas após a exposição e ela mata uma proporção muito maior de indivíduos infectados dos patogénios mais comuns, como Salmonella . A listeriose tem uma taxa de hospitalização de 94% e uma taxa de mortalidade de cerca de 16%, sendo a terceira principal causa de morte por doenças transmitidas por alimentos nos Estados Unidos. Para gestantes, idosos e pessoas com imunidade comprometida, o consumo de uma salada contaminada pode resultar em hospitalização, perda de gravidez ou morte.

A persistência de Listeria em produtos frescos não se resume a falhas isoladas em instalações de processamento. Ela corrige as características biológicas intrínsecas das bactérias, das realidades estruturais do processamento centralizado de produtos agrícolas e das limitações específicas às tecnologias de limpeza atuais. Compreender como Listeria chega às hortaliças folhosas, onde se esconde e por que resistir à sua remoção é fundamental para reduzir o impacto dessa infecção perigosa.

Por que Listeria representa uma ameaça singular para produtos frescos e crus

Listeria monocytogene possui características biológicas que se tornam especialmente adequadas para contaminar frutas e verduras frescas. O mais notável é sua capacidade de se multiplicar em temperaturas de refrigeração. Embora o crescimento diminua em temperaturas iguais ou inferiores a 4°C, a bactéria não cessa completamente sua reprodução. No caso de hortaliças folhosas transportadas ou armazenadas acima de 5°C, uma situação comum em cadeias de suprimentos complexos, como condições que favorecem o aumento da população bacteriana.

O patogénio também é amplamente distribuído em ambientes naturais. Os pesquisadores estudaram Listeria um organismo associado ao solo, comumente encontrado na terra, na água superficial e em matéria vegetal em composição. Essa prevalência ambiental significa que a contaminação pode ter origem logo no início do ciclo de cultivo, antes mesmo da colheita ou do processamento. Para agravar o problema,  a maioria dos isolados de Listeria encontrados nas operações de produção agrícola carregam marcadores genéticos ligados à hipervirulência, o que significa que possuem capacidade total de causar doenças graves em humanos .

Talvez o mais crítico seja que os produtos frescos não passem por nenhuma etapa de processamento letal. Ao contrário da carne, que é cozida, ou do leite, que é pasteurizado, as folhas verdes são consumidas sem qualquer aquecimento. Uma vez que uma contaminação atinja o produto final, nenhum método de lavagem pode eliminar o patogénio de forma confiável. Nenhum procedimento de lavagem consegue remover todos os germes das folhas verdes. Essa vulnerabilidade fundamental está na base de todos os surtos documentados relacionados a produtos frescos.

Leia o artigo completo aqui .

Fonte: Notícias sobre Intoxicação Alimentar

 

A GS1 Portugal apresentou as conclusões da segunda edição do estudo Tracking Hortofrutícolas, relativo a 2025. Conclusões do ano de 2025, que envolve 19 fornecedores e seis retalhistas, destacam a necessidade de uma maior agilidade e partilha de informação para a mobilidade de cadeias de abastecimento cada vez mais exigentes

Este estudo de benchmarking visa analisar o desempenho logístico e a relação comercial entre os fornecedores e os retalhistas do setor.

O estudo avaliou o desempenho, ao longo do ano, em áreas como a logística, a relação comercial e a inovação, além das principais tendências que moldam o setor, incluindo as estratégias de compra, a sustentabilidade e a digitalização.

Na avaliação dos fornecedores por parte dos retalhistas, a frescura e o estado dos produtos no momento da entrega são uma prioridade principal. Embora os fornecedores demonstrem um bom desempenho em áreas técnicas como o controle de temperatura e a rastreabilidade, o estudo aponta para oportunidades de melhoria na gestão de picos de procura, como promoções, e na condição do produto no momento da recepção. Um dado relevante indica que apenas 38% dos fornecedores assumem uma postura proativa na sugestão de melhorias aos seus processos logísticos.

Do ponto de vista comercial, a confiança na qualidade dos produtos é um pilar fundamental, mas os retalhistas sinalizam ainda a necessidade de maior flexibilidade na negociação e um maior comprometimento na criação de planos de negócios conjuntos .

Invertendo a perspectiva, a avaliação dos retalhistas por parte dos fornecedores mostra que a rapidez na comunicação de ocorrências na entrega é agora o fator mais crítico. Apesar de valorizarem a solidez das relações comerciais, os fornecedores anseiam por uma comunicação mais atempada dos planos promocionais e por uma maior receptividade à inovação que propõem. As principais áreas de melhoria para o retalho focam-se precisamente na partilha de informação sobre discrepâncias nas entregas e na abertura à implementação de novas soluções .

“Os resultados deste ano mostram-nos um setor com uma base relacional sólida, mas que enfrenta o desafio de evolução para um modelo mais colaborativo e tecnologicamente integrado”, afirma Paulo Gomes, Diretor Geral da GS1 Portugal, citado em comunicado.

“O nosso objetivo com este estudo é apresentar um mapa claro das áreas onde a comunicação e a inovação podem gerar mais valor."

Fonte: TecnoAlementar

Num novo estudo publicado na revista Chem Circularity, uma equipa de cientistas identificou uma solução potencial para a poluição global causada pelo fabrico e descarte de plásticos descartáveis.

A equipa desenvolveu uma alternativa não tóxica ao plástico, derivada da planta de cânhamo, um tipo de cannabis não psicoativa. O material é elástico e pode expandir até 1.600% do seu tamanho. É feito de um termoplástico derivado do cânhamo com alta temperatura de transição vítrea, uma propriedade que mantém o plástico durável e seco quando exposto à água fervente.

“Pouquíssimos plásticos, se é que algum, feitos de recursos naturais possuem esta qualidade”, disse Gregory Sotzing, da Universidade de Connecticut. “O policarbonato atual é feito com bisfenol A, um conhecido disruptor endócrino. A esperança é que o canabidiol (CBD) possa substituir o bisfenol A encontrado nos plásticos processados atualmente”.

Este material pode ser transformado em filmes plásticos transparentes, revestimentos e outros materiais atualmente fabricados a partir de derivados de petróleo, como o tereftalato de polietileno (PET), usado em garrafas de água descartáveis e recipientes para alimentos. Estas aplicações exigem estabilidade em temperaturas médias ou altas, ou processabilidade por fusão, o que significa que podem ser facilmente derretidos e moldados — algo que a equipa conseguiu pela primeira vez com policarbonato à base de cânhamo.

"O nosso trabalho consolidou os copolímeros à base de CBD como substitutos sustentáveis para termoplásticos amplamente utilizados, como o PET", disse Mukerrem Cakmak, da Universidade Purdue. "Desenvolvemos uma estrutura de processamento científico rigorosa que vincula a arquitetura molecular à processabilidade por fusão, ao desenvolvimento de orientação e à elasticidade, sem comprometer a capacidade de fabrico".

PET = Microplásticos

A produção de PET requer grandes quantidades de combustíveis fósseis, como petróleo bruto e gás natural, e, quando descartado, decompõe-se em minúsculas partículas. Estes microplásticos libertam substâncias químicas, incluindo o PET, que está associado a danos celulares e a inflamação, no ar, na água e nos alimentos.

Embora os cientistas procurem há tempos uma alternativa mais ecológica ao PET, a maioria dos polímeros derivados de plantas não possui a temperatura de transição vítrea e a elasticidade necessárias, e a sua produção é mais cara. Além disso, os catalisadores usados na fabricação de plásticos de base biológica geralmente exigem altas temperaturas e dificultam a sua remoção e purificação do produto final, tornando-os impraticáveis para a produção em larga escala.

Para superar estes desafios, a equipa desenvolveu um filme plástico à base de cânhamo e testou as suas propriedades, garantindo que ele tivesse a estrutura e as características adequadas para o processamento industrial.

"Este policarbonato, na forma de um filme liso, possui um ângulo de contacto com a água muito alto", disse Sotzing. "Não esperávamos que o nosso policarbonato com CBD tivesse um ângulo de contacto maior do que a maioria das poliolefinas", acrescentou. Materiais com esta propriedade também podem ser usados como nanopartículas para a administração de medicamentos e para revestimento de cateteres.

A equipa de investigação está atualmente a estudar os produtos que se formam quando o CBD reage com o trifosgénio comercial, um sólido cristalino usado com o cânhamo para produzir o material. Eles também estão a trabalhar para desenvolver uma versão mais resistente do plástico derivado do cânhamo e testar uma versão em maior escala do seu processo de fabrico.

Saiba mais sobre o CBD

Atualmente, a produção global de CBD é insuficiente para substituir completamente o PET no fabrico de plásticos, de acordo com as conclusões do estudo. No entanto, como o cânhamo está a tornar-se cada vez mais popular para roupas, alimentos e materiais de construção, o seu cultivo está em plena expansão.

Esta planta pode ser cultivada numa ampla variedade de climas, requer pouca água e praticamente nenhum pesticida. Além disso, pode ser cultivada em consórcio com outras culturas, como milho e soja, tornando-se uma cultura versátil para os agricultores.

"Os custos do CBD diminuiriam à medida que o cultivo de cânhamo aumentasse", concluiu Sotzing.

Fonte: tempo.pt

Um método invulgar — aplicar eletricidade ao café — pode vir a revolucionar a forma como se avalia a qualidade da bebida. Investigadores norte-americanos desenvolveram um teste simples que utiliza impulsos elétricos para medir a intensidade e o grau de torra do café preto.

O estudo, publicado na revista Nature Communications, descreve uma técnica eletroquímica conhecida como voltametria cíclica. O processo consiste em aplicar uma voltagem ao café e medir a corrente elétrica gerada à medida que o líquido responde ao campo elétrico. A partir dessa resposta, é possível distinguir diferenças tanto na intensidade da bebida como no nível de torra.

Segundo os investigadores, quanto mais forte for o café ou mais escura for a torra, menor será a carga elétrica gerada. Este fenómeno deve-se ao facto de certas moléculas presentes no café, como a cafeína, se fixarem nos elétrodos durante o teste, reduzindo a corrente medida.

Atualmente, a avaliação da qualidade do café depende muitas vezes de provas sensoriais realizadas por especialistas ou de métodos indiretos, como a medição de sólidos dissolvidos. No entanto, estas abordagens podem ser subjetivas, dispendiosas ou incapazes de distinguir nuances provocadas pela torra ou pelo método de preparação. Técnicas laboratoriais mais avançadas, embora precisas, tendem a ser lentas e caras.

Os autores defendem que este novo teste oferece uma alternativa rápida, económica e fiável, permitindo diferenciar cafés que aparentam ser semelhantes, mas que apresentam perfis de sabor distintos. A metodologia poderá, assim, complementar as ferramentas já utilizadas pela indústria, contribuindo para um controlo de qualidade mais eficiente.

Fonte: GreenSavers

Uma startup tecnológica de Leiria desenvolveu uma plataforma digital que já gere mais de 30% da produção de carne em Portugal, sendo atualmente utilizada por empresas do setor alimentar para monitorizar e otimizar operações industriais em tempo real. A solução será apresentada na feira 360 Tech Industry, que decorre na Exponor – Feira Internacional do Porto.

A plataforma, classificada como um sistema all-in-one de execução e gestão de operações industriais (Manufacturing Execution System/Manufacturing Operations Management – MES/MOM), recorre a inteligência artificial para acompanhar todo o ciclo produtivo. A tecnologia abrange desde o planeamento e gestão de armazéns até à produção, expedição, controlo de qualidade e rastreabilidade, com aplicação específica ao setor alimentar.

Na prática, a solução permite reduzir erros humanos, acelerar processos logísticos e aumentar a eficiência operacional. Em contexto empresarial, os resultados já demonstram impacto mensurável: numa empresa do setor avícola, a implementação eliminou falhas operacionais e permitiu aumentar em 50% a rotação de inventário; noutra organização industrial, os erros de expedição diminuíram 94% e a eficiência produtiva cresceu 21%.

Desenvolvida por uma equipa de 32 colaboradores e apoiada por um financiamento de 11 milhões de euros, a tecnologia está a consolidar a sua presença no mercado nacional, com perspetivas de expansão para outros subsetores da indústria alimentar e para mercados internacionais.

 

 
Fonte:iAlimentar