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O Dia Mundial da Obesidade, hoje celebrado, voltou a colocar os holofotes sobre um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI, mobilizando especialistas, governos e comunidades para uma conversa urgente sobre prevenção, tratamento e qualidade de vida.

A data ganhou força com novos dados que mostram um crescimento contínuo das taxas de obesidade em todas as faixas etárias, ao mesmo tempo que reforça a necessidade de políticas mais robustas e de uma abordagem que vá muito além da simples mudança de hábitos individuais.

Em vários países, incluindo Portugal, instituições de saúde destacaram que a obesidade é hoje uma condição complexa, influenciada por fatores biológicos, sociais, económicos e ambientais, e não apenas uma questão de escolhas pessoais.

Ao longo do dia, campanhas de sensibilização multiplicam-se nas escolas, centros de saúde e meios de comunicação, sublinhando que o excesso de peso está associado a doenças como diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares, mas também a impactos emocionais e sociais frequentemente ignorados.

Profissionais de saúde insistiram que o combate à obesidade exige uma resposta integrada: desde o acesso a alimentos saudáveis e espaços seguros para atividade física até ao acompanhamento clínico adequado e à redução do estigma que ainda recai sobre quem vive com esta condição.

Em várias cidades, especialistas alertaram que a desigualdade continua a ser um dos motores silenciosos da epidemia, afetando sobretudo famílias com menos recursos.

A data também serviu para destacar histórias de superação e iniciativas comunitárias que mostram que a mudança é possível quando existe apoio consistente.

Projetos locais de educação alimentar, programas de atividade física acessíveis e campanhas contra a desinformação ganharam destaque, reforçando a ideia de que pequenas transformações coletivas podem gerar grandes impactos.

No final do dia, a mensagem que ecoou foi clara: enfrentar a obesidade é um compromisso de todos — e o Dia Mundial da Obesidade é um lembrete anual de que o futuro da saúde pública depende da capacidade de agir agora, com empatia, ciência e políticas eficazes.

Fonte: Qualfood

Uma equipa de investigadores da Universidade de Oxford, da Nanjing Agricultural University e do Institute of Genetics and Developmental Biology da Academia Chinesa de Ciências identificou um gene que ajuda as plantas a equilibrar o crescimento das raízes e da parte aérea quando há falta de nutrientes.

A descoberta, publicada na revista Science, pode vir a aumentar a produtividade das culturas e a reduzir a dependência de fertilizantes sintéticos.

 Nos ensaios de campo, os investigadores utilizaram as plantas de arroz que, com uma versão natural melhorada deste gene, registaram aumentos de produtividade até 24%.

O fertilizante com azoto é essencial na agricultura moderna, mas tem um forte impacto ambiental, contribuindo para emissões de gases com efeito de estufa (GEE), poluição da água e degradação dos solos. Quando há pouco azoto, as plantas tendem a investir mais no crescimento das raízes para procurar nutrientes, o que muitas vezes prejudica o desenvolvimento da parte aérea e a produção de grão.

 Até agora, os cientistas não sabiam que mecanismo controlava esta resposta. Neste novo estudo, a equipa identificou esse gene, chamado WRINKLED1a, e mostrou que a sua manipulação pode ajudar o arroz a manter o crescimento e a produtividade mesmo com baixos níveis de azoto.

Em testes realizados em estufa e no campo, os investigadores verificaram que plantas sem uma versão funcional deste gene perderam a capacidade de ajustar o crescimento das raízes em situação de escassez de azoto. Já as plantas com maior expressão do gene apresentaram melhor crescimento, tanto nas raízes como na parte aérea.

 Depois de analisarem mais de 3000 variedades de arroz, os cientistas encontraram uma versão natural do gene com melhor desempenho. Essa variante foi introduzida em plantas com uma versão mais fraca através de melhoramento tradicional.

Nos ensaios de campo realizados na China, as plantas com esta versão melhorada do gene conseguiram manter produtividades mais elevadas com menor uso de fertilizante. Os resultados mostraram um aumento de 23,7% na produtividade com baixa aplicação de azoto e de 19,9% com aplicação elevada.

 “O nosso estudo mostra claramente que este regulador é um alvo promissor para a melhoria sustentável das culturas. Foi extraordinário ver a diferença que a versão melhorada do gene teve na produtividade do arroz durante os nossos ensaios de campo”, afirmou Zhe Ji, investigador da Universidade de Oxford e autor correspondente do estudo.

Segundo a equipa, o gene tem funções diferentes nas raízes e na parte aérea. Ajuda, por um lado, a promover o crescimento da planta acima do solo e, por outro, melhora a capacidade de absorção de azoto pelas raízes.

“O WRINKLED1a ajuda o arroz a evitar o compromisso habitual de ‘mais raízes, menos parte aérea’ em condições de limitação de azoto, sustentando produtividades estáveis com menores entradas de azoto. O próximo passo é investigar se genes homólogos noutras culturas, como o trigo e o milho, podem ser aproveitados para alcançar resultados semelhantes”, acrescentou Shan Li, autora principal do estudo, da Nanjing Agricultural University.

Fonte: Vida Rural

Existe uma fonte de energia capaz de reduzir o consumo de energia, gerando um benefício para o ambiente através do controlo e minimização das emissões de gases com efeito de estufa, especialmente as associadas aos transportes. Muitos desses combustíveis líquidos são gerados a partir de fontes biológicas.

São os biocombustíveis, capazes de produzir efeitos socioambientais positivos e consideráveis. Entre os seus impactos no ambiente, dependendo da procura, da tecnologia e das culturas necessárias para os gerar, podem exigir um aumento considerável da área cultivada.

Além do aumento do uso da água necessária para o abastecimento dessas espécies, isso pode levar a um aumento do preço dos alimentos. Um exemplo desta fonte de energia é o etanol, um biocombustível derivado do milho, nos Estados Unidos, e da cana-de-açúcar, no Brasil.

Esta fonte de energia - também conhecida como biocombustível - representou 9% da produção de biocombustíveis dos EUA em 2022. É importante lembrar que também pode ser produzido a partir de gorduras animais, óleos vegetais e algas.

Elevada capacidade de produção a nível mundial

Ao contrário dos derivados do petróleo, que não podem ser encontrados em nenhum lugar do planeta, os biocombustíveis podem ser produzidos em qualquer país do mundo, pois são feitos a partir de biomassa animal ou vegetal, o que os torna uma fonte de energia renovável.

Os biocombustíveis mais utilizados em todo o mundo são o biodiesel e o etanol, utilizados principalmente em motores de veículos como camiões e automóveis. O etanol é geralmente produzido utilizando como matéria-prima a cana-de-açúcar, a beterraba e os cereais.

Vantagens importantes

A substituição das atuais fontes de carbono - derivados do petróleo - por fontes renováveis traz importantes benefícios sociais, económicos e ambientais. Elementos como o aumento dos preços dos combustíveis fósseis e a sua escassez constituem uma oportunidade para esta fonte de energia renovável.

A produção em larga escala de biocombustíveis oferece segurança energética, especialmente para países que não têm o petróleo como fonte de energia. É também uma óptima alternativa mesmo para os países que têm atualmente depósitos de petróleo.

Uma boa alternativa para reduzir a pegada de carbono?

A utilização de biocombustíveis é cada vez mais promovida como uma alternativa devido à sua reduzida pegada de carbono, ajudando a minimizar as emissões de gases com efeito de estufa e o impacto das atividades como os transportes nas alterações climáticas.

Ao mesmo tempo, no entanto, existe a preocupação, especialmente por parte da comunidade científica, de que a implementação em massa também possa levar a consequências ambientais indesejáveis se não for efetuada de forma sustentável.

Recordemos que a poluição atmosférica é atualmente um grave problema ambiental. As causas são múltiplas, mas uma das mais importantes está, sem dúvida, relacionada com as atividades industriais, comerciais, pecuárias e domésticas ligadas à queima de combustíveis fósseis.

A evolução do combustível do futuro

Esta fonte de energia desenvolveu-se em várias fases. A chamada primeira geração provém de culturas como a cana-de-açúcar, a beterraba, o sorgo e o trigo. Mas, como já foi referido, uma das suas desvantagens é que o seu preço tende a aumentar, uma vez que se trata de culturas originalmente destinadas à alimentação.

Já os biocombustíveis de segunda geração são produzidos a partir de resíduos florestais e agrícolas, compostos principalmente de celulose. Uma das suas principais vantagens é o facto de não competir com o mercado alimentar, para além de ser uma matéria-prima proveniente de resíduos agrícolas.

Existe uma terceira geração de biocombustíveis, produzida através da utilização de microalgas como fonte de energia. Esta tem uma vantagem considerável, uma vez que se verificou que tem um teor de óleo mais elevado, bem como uma elevada taxa de fotossíntese e não entra em concorrência direta com outras fontes.

Estima-se que a sua produtividade seja até 80 vezes superior à da cana-de-açúcar, da soja ou do milho. As algas desempenham um papel muito importante na natureza, uma vez que, graças à fotossíntese, absorvem e armazenam uma grande quantidade de energia do sol. E embora exista uma quarta geração, ela ainda está na sua fase teórica.

Fonte: tempo.pt

Uma onda de alertas científicos voltou a colocar os frigoríficos no centro das atenções, depois de novos estudos sublinharem que a limpeza regular e a organização correta dos alimentos são fatores decisivos para evitar contaminações e prolongar a vida útil dos produtos.

Especialistas em segurança alimentar explicam que o interior do frigorífico funciona como um “ecossistema invisível”, onde pequenas falhas de higiene podem permitir a proliferação de bactérias, mesmo em temperaturas baixas.

A acumulação de líquidos, restos de embalagens ou alimentos mal acondicionados cria condições ideais para microrganismos que podem comprometer a saúde.

Os investigadores destacam que a limpeza deve ser feita pelo menos uma vez por mês, com atenção especial às prateleiras, gavetas e borrachas da porta, zonas onde a humidade e os resíduos se acumulam com maior facilidade.

Mas a higienização, por si só, não chega: a forma como os alimentos são distribuídos no interior do frigorífico é igualmente determinante.

Carnes e peixes crus devem ficar nas prateleiras inferiores, para evitar que escorram sobre outros alimentos; produtos já cozinhados devem ocupar as zonas superiores; frutas e legumes devem permanecer nas gavetas próprias, onde a humidade é controlada; e lacticínios devem ser guardados nas prateleiras centrais, onde a temperatura é mais estável.

Os cientistas lembram ainda que a porta do frigorífico é a área mais quente e, por isso, inadequada para ovos ou leite, apesar de muitas vezes ser usada para esse fim.

Outro erro comum é sobrecarregar o equipamento, impedindo a circulação de ar frio e reduzindo a eficiência da refrigeração.

A mensagem é clara: um frigorífico limpo e bem organizado não é apenas uma questão de ordem doméstica, mas uma medida essencial de saúde pública.

E, num momento em que o desperdício alimentar continua a ser um desafio global, estas práticas simples podem também ajudar as famílias a conservar melhor os alimentos e a poupar dinheiro.

Fonte: Qualfood

O mamão (Carica papaya L.) é uma fruta tropical amplamente consumida em Portugal, conhecida pelo seu sabor doce, polpa macia e elevado valor nutricional.

Tradicionalmente importado de países tropicais, o mamão tem vindo, nos últimos anos, a ganhar espaço na produção nacional, sobretudo nas regiões de clima mais ameno.

O mamoeiro é uma planta herbácea de crescimento rápido, podendo atingir entre 2 e 5 metros de altura. Apresenta um tronco único, oco e pouco ramificado, com grandes folhas palmadas concentradas na parte superior. O fruto pode variar em tamanho, forma e cor, dependendo da variedade, apresentando polpa alaranjada ou avermelhada quando maduro.

Do ponto de vista nutricional, o mamão destaca-se pelo elevado teor de vitamina C, vitamina A (na forma de carotenoides), fibras e antioxidantes. Contém ainda papaína, uma enzima com propriedades digestivas que facilita a digestão de proteínas.

Condições edafoclimáticas

Sendo uma cultura tropical, o mamoeiro desenvolve-se melhor em temperaturas médias entre 22 °C e 28 °C. É sensível ao frio e não tolera geadas, o que limita a sua produção em grande parte do território português continental.

Em Portugal, as condições mais favoráveis encontram-se nas regiões do Algarve, Madeira e algumas zonas costeiras do Alentejo e Oeste, onde os invernos são suaves e a exposição solar é elevada.

Atualmente, o arroz é um dos alimentos mais consumidos no mundo e, em Portugal, o seu consumo é dos mais elevados da Europa.

Num mercado cada vez mais dependente de importações e marcado pela procura de variedades exóticas e aromáticas, como o basmati, cresce também a pressão sobre a rastreabilidade e a transparência da informação que chega ao consumidor.

É neste contexto que uma investigação do ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, da Universidade NOVA de Lisboa, está a desenvolver novas ferramentas capazes de identificar variedades de arroz com precisão genética e detetar fraudes que, até agora, eram difíceis de comprovar.

A equipa de investigadores recorre a métodos que combinam análise documental, controlo laboratorial e técnicas de sequenciação genética, permitindo verificar se a variedade declarada no rótulo corresponde efetivamente ao produto embalado.

Estas abordagens, que vão do rótulo ao ADN, funcionam como uma espécie de “impressão digital” do arroz, tornando possível distinguir variedades muito semelhantes entre si e identificar misturas ou substituições não declaradas.

Num mercado onde o valor comercial de certas variedades premium é elevado, esta capacidade de verificação torna‑se essencial para proteger consumidores e produtores.

O avanço científico tem também implicações diretas para o setor agroalimentar. Para os produtores nacionais, estas ferramentas representam uma oportunidade de valorizar as suas variedades e reforçar a competitividade num mercado globalizado. Para as entidades reguladoras, oferecem meios mais robustos de fiscalização, permitindo intervenções mais rápidas e eficazes em casos suspeitos.

Além disso, num cenário de alterações climáticas que afeta a produção mundial de arroz, a análise genética pode ajudar a identificar variedades mais resistentes e adaptadas a novos contextos agrícolas.

A conjugação entre tecnologia laboratorial avançada e exigência crescente de transparência promete transformar a forma como o arroz é certificado e comercializado.

O que antes dependia exclusivamente da confiança no rótulo passa agora a ser confirmado ao nível do ADN, inaugurando uma nova etapa na segurança alimentar e na proteção do consumidor.

Fonte: Qualfood

A Comissão Europeia publicou em seu portal de consulta pública uma proposta de regulamento relativa aos requisitos harmonizados para a utilização de declarações voluntárias de rotulagem preventiva de alergénios (PAL). A adoção deste regulamento está prevista para o quarto trimestre de 2027.

Segundo a publicação, a harmonização dos requisitos do PAL (Número de Identificação de Alergia) proporcionaria aos consumidores com alergias informações claras e consistentes, evitaria restrições desnecessárias na escolha de alimentos e apoiaria o mercado, garantindo condições equitativas para as empresas do setor alimentício.

As declarações voluntárias de PAL (Pessoa Alérgica à Saúde) em produtos alimentícios têm como objetivo proteger os consumidores alérgicos da ingestão acidental de alimentos que contenham alergénos não declarados e que possam causar uma reação.

A necessidade de um PAL harmonizado

Atualmente, apesar das alergias alimentares afetarem mais de 10% dos consumidores em todo o mundo, os Estados-Membros da UE mantêm regras próprias e divergentes sobre a gestão de alergénios não intencionais nos produtos alimentares, o que, segundo os especialistas, gera incerteza por parte dos consumidores, limita as opções para as pessoas alérgicas e dificulta a colaboração entre laboratórios.

Alguns especialistas também afirmam que a falta de normas harmonizadas para os níveis de alerta pré-natal (PAL, na sigla em inglês) pode levar ao seu uso excessivo e à aplicação inconsistente , comprometendo potencialmente a eficácia da comunicação de riscos.

Progresso global rumo à harmonização da PAL

Visando a necessidade de uma abordagem harmonizada para a rotulagem de alergénos prioritários (PAL, na sigla em inglês), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicaram recentemente um arcabouço do Codex Alimentarius para a rotulagem baseada no risco de alérgenos prioritários, estabelecendo níveis limite e doses de referência para diferentes alimentos alergênicos. Estudos demonstraram que a adoção desses limites recomendados seria amplamente protetora para a população alérgica.

Órgãos reguladores como a FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA)  e a FSA (Agência de Padrões Alimentares do Reino Unido) estão considerando a adoção dos limites recomendados pelo Codex Alimentarius para diretrizes nacionais de rotulagem de alérgenos.

Fonte: Food Safety

A crescente consciencialização para a importância da saúde intestinal e do microbioma está a transformar a indústria alimentar e de bebidas à escala global. Segundo a mais recente análise da GlobalData, a procura por produtos centrados na saúde do intestino – desde probióticos e prebióticos a alimentos fermentados e ricos em fibra – está a acelerar a inovação e a reformulação de portefólios.

Os dados sustentam a tendência. No quarto trimestre de 2025, um inquérito global conduzido pela consultora junto de 22.613 consumidores em 42 países revelou que 66% dos inquiridos afirmam que as suas decisões de compra de alimentos e bebidas são sempre ou frequentemente influenciadas pelo impacto que esses produtos têm na sua saúde e bem-estar.

Para Naveed Khan, analista de consumo da GlobalData, “a crescente tendência do microbioma intestinal está a impulsionar a procura por produtos inovadores focados na saúde digestiva”. Os consumidores procuram cada vez mais prebióticos e probióticos que promovam uma digestão equilibrada, bem como ingredientes funcionais que reforcem o sistema imunitário. O eixo intestino-cérebro – e o seu papel no apoio à saúde mental – surge também como um dos motores desta mudança.

 Gelados, lacticínios e “clean label” na linha da frente

Nos Estados Unidos, uma marca lançou, em maio de 2025, a gama Culture Cup, uma linha de gelados com baixo teor de açúcar, posicionada como “low guilt” e clean label. A empresa afirma que cada produto contém mais de mil milhões de probióticos e prebióticos, procurando aliar indulgência a benefícios funcionais.

No Reino Unido, uma cooperativa apresentou, em setembro de 2025, a linha Arla Culture, composta por leite e iogurtes enriquecidos com probióticos, vitaminas e fibra. O objetivo é responder à procura por soluções simples que integrem benefícios digestivos no consumo diário.

 Padaria e cereais reforçam oferta rica em fibra

A tendência não se limita aos lacticínios. O segmento de padaria e cereais tem registado uma forte dinâmica de inovação, com o lançamento de produtos de maior teor de fibra, massas mãe, cereais multigrão e grãos germinados.

Em março de 2025, uma fabricante de farinhas e ingredientes de panificação estabeleceu uma parceria com uma cadeia australiana para lançar uma farinha de trigo naturalmente cultivada e com elevado teor de fibra.

Também nos Estados Unidos, uma empresa de panificação regenerativa colaborou com uma importadora e distribuidora de superalimentos para desenvolver um pão de forma rico em proteína e orientado para a saúde intestinal.

 Oportunidade de crescimento para a indústria

A convergência entre saúde física, bem-estar mental e imunidade está a consolidar uma visão holística da alimentação. O reconhecimento do eixo intestino-cérebro e do papel do microbioma na saúde global reforça a preferência por produtos funcionais com benefícios claros e comprovados.

Segundo a GlobalData, esta mudança representa uma oportunidade significativa de crescimento para fabricantes e retalhistas. “À medida que os objetivos de saúde holística ganham tração, os fabricantes terão de investir mais na reformulação dos produtos para alcançar os resultados desejados e conquistar um público mais vasto”, sublinha Naveed Khan.

Fonte: Grande Consumo

A Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) lançou um inquérito internacional dirigido a todas as adegas com o objetivo de recolher dados concretos sobre o uso de energia nos processos de vinificação, em particular nas fases de fermentação e estabilização. Segundo a OIV, a iniciativa pretende identificar potenciais poupanças energéticas e apoiar o desenvolvimento de práticas de produção mais eficientes e sustentáveis no setor.

De acordo com a OIV, a remoção de calor representa cerca de 90% das necessidades energéticas na adega, estando sobretudo associada ao controlo da temperatura durante a fermentação. Alguns dados científicos indicam que a fermentação a temperaturas ligeiramente superiores às habitualmente praticadas, aliada à escolha criteriosa de leveduras, pode permitir reduzir o consumo de energia sem comprometer o perfil químico e sensorial do vinho.

Alinhado com a prioridade estratégica ‘Adapt oenology & production processes to the future’, o questionário visa recolher informação sobre as temperaturas de fermentação em cubas de inox, com vista a estimar o potencial de poupança energética resultante de um eventual aumento controlado da temperatura. A OIV sublinha que os resultados permitirão atualizar os seus documentos técnicos de referência, disponíveis online, reforçando o conhecimento coletivo nesta matéria.

O contributo das adegas nacionais é considerado particularmente relevante para assegurar uma representação abrangente do setor.

A participação é anónima e as respostas serão tratadas de forma estritamente confidencial.

O prazo para participação termina a 1 de março de 2026.

Aceda ao inquérito aqui.

Fonte: iAlimentar

O arroz, o milho e a mandioca estiveram na origem de cerca de 11% da desflorestação global entre 2001 e 2022, ultrapassando culturas como o cacau, o café e a borracha, segundo um estudo publicado na revista científica Nature Food.

A investigação analisou a desflorestação ligada à atividade agrícola ao longo de duas décadas e concluiu que estas culturas alimentares, muitas vezes afastadas do centro do debate ambiental, devem ser incluídas nas estratégias globais de combate à perda de floresta.

De acordo com a análise, a agricultura é um dos principais fatores da desflorestação, mas a atenção internacional tem-se centrado sobretudo em produtos como carne bovina, óleo de palma, soja, borracha, cacau e café.

Para ultrapassar limitações de estudos anteriores, os investigadores criaram o modelo DeDuCE, que cruza dados de satélite sobre perda de floresta com informação agrícola e estatística relativa a 184 produtos alimentares em 179 países.

Segundo o estudo, entre 2001 e 2022 perderam-se 121 milhões de hectares de floresta devido à expansão de áreas agrícolas, pastagens e plantações florestais, uma alteração no uso do solo que gerou emissões estimadas em 41,2 gigatoneladas de dióxido de carbono.

De acordo com os resultados, a expansão de pastagens respondeu por 42% da desflorestação registada e por 52% das emissões de carbono associadas.

Ao contrário de outras culturas, cuja produção, e a desflorestação associada, se concentra em regiões específicas, como o óleo de palma no Sudeste Asiático ou a soja na América do Sul, o impacto das culturas alimentares de base encontra-se mais disperso à escala global.

Segundo os autores, esta distribuição geográfica mais dispersa dificulta a identificação de “pontos críticos” de desflorestação e sugere que as políticas de combate a este problema devem incluir também os sistemas alimentares de base, muitas vezes ligados à segurança alimentar e ao consumo interno.

Os investigadores consideraram que estes resultados podem ajudar a tornar mais rigorosos os inventários nacionais de emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e a apoiar a criação de regras mais eficazes. O estudo chamou ainda a atenção para diferenças na qualidade dos dados estatísticos e geográficos disponíveis, consoante a região e o produto analisado.

Fonte: Agroportal