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Uma equipa de investigação da Universidade de Sevilha obteve um molho saudável a partir da vagem de ervilha. Este molho para saladas contém fibra da leguminosa e óleo de chia, sem qualquer aditivo para o estabilizar. Para manter o produto estável durante mais tempo, a fibra da vagem de ervilha é submetida a altas pressões, sendo forçada a fluir através de uma série de microcanais, o que transforma as suas propriedades iniciais. Desta forma, obtém-se um produto semelhante à maionese, com elevado teor de fibra e livre de estabilizantes químicos, ao mesmo tempo que se valoriza um subproduto da indústria alimentar.

A novidade que permite obter este novo molho, mais sustentável e saudável, é o processo de microfluidização. Através deste método físico, a fibra da vagem de ervilha é submetida a altas pressões, sendo obrigada a fluir através de uma série de microcanais. Desta forma, as suas propriedades iniciais são alteradas, aumentando a capacidade de retenção de água e permitindo manter o alimento estável por mais tempo.

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Fonte: iAlimentar

Salmonella não tifoide, formadora de biofilme e resistente a medicamentos, representa um desafio significativo para a segurança alimentar global. Reconhecendo a ameaça à saúde pública representada tanto por esse patógenio zoonótico transmitido por alimentos quanto pelo aumento da resistência antimicrobiana (RAM), pesquisadores da Universidade de Wroclaw revisaram os desafios únicos apresentados pelos biofilmes de Salmonella e as estratégias alternativas (não antibióticas) emergentes para o controlo, num artigo publicado na revista Pharmaceuticals . Os autores do artigo incluem Michał Małaszczuk, candidato a doutorado, Aleksandra Pawlak, doutora, e Paweł Krzyżek, doutor.

Salmonella no contexto da abordagem "Uma Saúde, Um Biofilme"

A revisão analisou Salmonella  sob a perspectiva da abordagem "Uma Saúde - Um Biofilme", ​​que enfatiza a interconexão entre a saúde humana, animal e ambiental, e coloca o biofilme no centro dessa relação, posicionando-o como um elo biológico. Relevante para a segurança alimentar, esse conceito destaca os riscos microbiológicos decorrentes da contaminação de alimentos, animais de produção e sistemas hídricos, e aponta o uso de antimicrobianos na pecuária como um fator-chave para a resistência antimicrobiana.

A ameaça dos biofilmes de Salmonella  resistentes a medicamentos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui cepas de Salmonella resistentes a fluoroquinolonas em sua Lista de Patógenios Bacterianos Prioritários, ressaltando seu alto risco.

Um fator crítico de virulência para Salmonella é sua capacidade de produzir biofilmes, que facilitam a colonização do hospedeiro. Essas comunidades microbianas também aumentam a sobrevivência, promovem a resistência a múltiplos fármacos (MDR) e contribuem para falhas no tratamento. Os biofilmes persistem em superfícies de contato com alimentos e em reservatórios animais, especialmente aves, representando um importante desafio para a segurança alimentar, pois permitem que Salmonella sobreviva a condições ambientais adversas e resista a sanitizantes.

Alternativas promissoras aos antibióticos convencionais para biofilmes de Salmonella 

Considerando a crescente ameaça de Salmonella resistente a antibióticos, investigadores estão a explorar estratégias alternativas e integradas para prevenir e interromper biofilmes de Salmonella , tais como:

  • Vacinação: Embora a vacinação seja considerada o método mais eficaz para a prevenção de doenças infecciosas, atualmente não existe nenhuma vacina comercialmente disponível contra Salmonella não tifoide invasiva (iNTS). Há alguns candidatos promissores em fases clínicas, como a vacina conjugada trivalente contra Salmonella (TSCV), que concluiu com sucesso a Fase 1 de ensaios clínicos em outubro de 2025. Além disso, a vacina iNTS-GMMA, baseada na tecnologia de Módulo Generalizado de Antígeno de Membrana (GMMA), foi aprovada para a Fase 1 de ensaios clínicos em humanos;
  • Bacteriófagos: Pesquisas demonstraram a forte atividade antibiofilme dos bacteriófagos e seu potencial para o controlo de patógenios ao longo da cadeia de produção de alimentos. Por exemplo, estudos recentes mostraram a eficácia de cocktails de fagos contra S. enterica em carne de frango , contra biofilmes maduros de Salmonella em superfícies de aço inoxidável e no controlo de S. Enteritidis em bebedouros de aves. Amplamente abundantes e altamente adaptáveis, os fagos são vírus capazes de infectar células bacterianas, levando a alterações genéticas dentro das células bacterianas e, frequentemente, à lise celular. A sua eficácia antimicrobiana é atribuída principalmente à sua capacidade de codificar proteínas enzimaticamente ativas, visando componentes que facilitam a virulência e a formação de biofilme. É importante ressalvar que a eficácia dos fagos depende de muitas variáveis; portanto, a validação dos tratamentos para as condições de aplicação relevantes é fundamental;
  • Compostos de origem vegetal: Óleos essenciais, ácidos fenólicos e nanoemulsões derivados de fontes vegetais têm demonstrado efeitos inibitórios na formação de biofilme e na expressão genética. Por exemplo, estudos comprovaram a eficácia dos óleos essenciais de cravo e anis-estrelado contra a formação de biofilme de S.  Thompson, e que a nanoemulsão de alho potencializa os efeitos antimicrobianos de tratamentos tradicionais;
  • Peptídeos antimicrobianos (AMPs): Pesquisas recentes demonstraram que peptídeos naturais e sintéticos, juntamente com ácidos graxos de cadeia curta, podem romper a integridade do biofilme e as membranas bacterianas. Os AMPs estão presentes em todas as formas de vida, onde ajudam a limitar a disseminação de patógenios; quando aplicados para o controlo de patógenos, eles podem ligar-se e romper as membranas microbianas, incluindo aquelas presentes em biofilmes já estabelecidos. Por exemplo, um novo estudo demonstrou a capacidade de peptídeos derivados de Lactobacillus rhamnosus de inibir S. Typhimurium e S. Enteritidis em condições de processamento;
  • Ácidos graxos: Uma classe de lipídios antimicrobianos, os ácidos graxos podem romper as membranas bacterianas por meio da desestabilização e formação de poros, interferir em processos celulares essenciais e, devido à sua semelhança estrutural com certas moléculas, podem modificar as vias de comunicação microbiana que dependem dessas moléculas, impedindo assim a capacidade de formação de biofilme. Estudos demonstraram que vários ácidos graxos de cadeia curta exibem atividade inibitória contra células planctónicas e biofilmes de S. Typhimurium e S. Enteritidis;
  • Compostos sintéticos/semissintéticos:  Novas terapias sintéticas e semissintéticas podem ser valiosas para o tratamento da salmonelose, mitigando a resistência antimicrobiana, quando esses compostos apresentam novos mecanismos de ação e/ou se ligam a sítios distintos daqueles visados ​​pelos antibióticos clinicamente utilizados. Outras abordagens inovadoras, como materiais tratados com plasma, também estão a surgir; a água tratada com plasma demonstrou reduzir significativamente a formação de biofilme de S. Typhimurium.

O Caminho a Seguir

Apesar das pesquisas promissoras, a implementação de estratégias alternativas para o controlo do biofilme de Salmonella no mundo real é complexa devido à heterogeneidade do biofilme, às condições específicas do hospedeiro e ao potencial de desenvolvimento de resistência dos microrganismos às terapias alternativas. São necessários mais estudos para compreender os mecanismos de formação do biofilme em condições ambientais e do hospedeiro relevantes e para avaliar a eficácia de intervenções alternativas para Salmonella como parte de uma abordagem integrada de Saúde Única.

De modo geral, os autores acreditam que uma mudança para uma abordagem multifacetada no controlo de Salmonella — combinando vacinas, bacteriófagos e outros agentes anti-biofilme não tradicionais ou inovadores — oferece um caminho para reduzir a dependência de antibióticos, ao mesmo tempo que protege a saúde pública contra patógenos transmitidos por alimentos.

Fonte: Food Safety

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou, através da Unidade Regional do Norte, uma operação de prevenção criminal, tendo como objetivo o combate à produção e comercialização ilícita de bebidas alcoólicas, no concelho de Lousada.

Da ação, que visou a deteção de práticas fraudulentas que coloquem em risco a segurança alimentar e a saúde pública, e prejudiquem a cadeia de valor do setor, resultou o desmantelamento de um alambique ilegal utilizado para a produção clandestina de bebidas espirituosas.

Foram apreendidas oito toneladas de bagaço de uva destinado à destilação e 185 litros de aguardente pura (correspondentes a cerca de 400 litros após diluição) e toda a estrutura em cobre do alambique. Foi instaurado o processo de contraordenação por falta de licenciamento industrial, falta de condições técnico/funcionais e introdução irregular no consumo de produtos sujeitos a impostos especiais.

De destacar que esta atividade ilegal representava um potencial risco para a saúde pública, aquando do seu consumo, tendo esta Autoridade cessando assim a ilicitude permitindo garantir o cumprimento das normas de segurança alimentar, contribuindo para o combate à economia paralela no setor das bebidas alcoólicas.

Fonte: iAlimentar

Uma equipa de investigadores das Universidades do Porto, Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro pretende implementar o Observatório Costeiro do Atlântico Norte de Portugal. Trata-se de uma plataforma para permitir a exploração sustentável do oceano, através de ferramentas de adaptação às alterações climáticas e da partilha de conhecimento para a gestão e conservação dos ecossistemas marinhos, foi divulgado em comunicado.

Segundo a mesma fonte, o desafio surge no âmbito do projeto Atlântida II, financiado em quase 3 milhões de euros, com apoio do Programa Regional NORTE 2030 e que decorrerá nos próximos três anos.

No que diz respeito às mudanças climáticas, uma das principais atividades do projeto será a utilização de modelos numéricos para simular diferentes cenários representativos dos seus efeitos nas ondas, correntes e no nível médio do mar. Estes dados permitirão avaliar e prever, nomeadamente, a evolução da orla costeira.

“Com o Atlântida II, queremos colocar o Norte de Portugal na linha da frente da monitorização costeira, fornecendo dados essenciais para proteger os ecossistemas marinhos e apoiar decisões estratégicas que conciliem conservação ambiental e desenvolvimento económico”, detalha o coordenador do projeto, Vítor Vasconcelos, docente da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e Diretor do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR).

Este consórcio dará continuidade ao trabalho já iniciado durante o projeto Atlântida, também liderado pelo docente da FCUP, e que decorreu entre 2020 e 2023.

Um dos grandes objetivos do Atlântida II é ampliar, continua o investigador, “a monitorização temporal dos ecossistemas aquáticos do Norte de Portugal através da implementação de uma rede integrada de monitorização até às 12 milhas náuticas (limite exterior do mar territorial) e, muito provavelmente, para além dessa distância”.

Da bactéria à baleia: uma visão integrada da vida nos ecossistemas aquáticos

No âmbito desta investigação, a equipa de cientistas irá realizar uma amostragem alargada em diferentes habitats – desde zonas estuarinas e subtidais até áreas pelágicas (águas oceânicas abertas).

Através de várias campanhas oceanográficas, os investigadores pretendem caracterizar de forma contínua e integrada estes ecossistemas, abrangendo os seus aspetos químicos, geológicos, físicos e biológicos, atendendo à elevada importância ecológica, económica e social dos seus habitats e recursos naturais.

“A nossa abordagem é abrangente e multidisciplinar, permitindo estudar toda a diversidade de organismos, desde microrganismos, como bactérias, até grandes vertebrados marinhos, como golfinhos, reconhecendo que todas estas comunidades estão interligadas e exercem influência mútua sobre o funcionamento e equilíbrio dos ecossistemas.”, sublinha Catarina Magalhães, coordenadora científica do projeto.

Liderado pela FCUP, este consórcio reúne uma equipa multidisciplinar com investigadores do CIIMAR, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, do Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar, da Universidade do Minho e da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Fonte: Green Savers

A Dermatose Nodular Contagiosa (DNC)

  • Tuesday, 13 January 2026 14:28

A Dermatose Nodular Contagiosa (DNC) é uma doença viral de notificação obrigatória que afeta os bovinos (mas não os humanos), exigindo medidas de erradicação imediata em caso de ocorrência de foco.

A doença tem um curso lento e progressivo. A sintomatologia é diversa (febre, perda de apetite, diminuição de peso, salivação excessiva, corrimento óculo-nasal, diminuição da produção de leite, abortos e infertilidade) sendo o aspeto mais caraterístico marcado pelo aparecimento de nódulos e tumefações na pele que podem desenvolver crostas, onde o vírus pode ficar alojado durante muito tempo.

A transmissão da doença é efetuada através do contacto entre animais infetados, mas também, através da picada de vários insetos e carraças. Sendo ainda possível o contágio através de objetos contaminados nos transportes a longas distâncias.

A DGAV acompanha a evolução da doença na Europa e apela para que os Produtores e Médicos Veterinários estejam atentos para possibilitar a identificação precoce da Dermatose Nodular Contagiosa, caso este vírus venha a entrar no país, bem como recomenda a máxima atenção aos procedimentos de movimentação animal e à biossegurança, incluindo a limpeza e desinfeção dos transportes de animais.

Fonte: DGAV

A fraude alimentar tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos. A elevada procura, a forte concorrência ao nível dos preços e a crescente complexidade das cadeias de abastecimento criam condições propícias à rotulagem incorreta de produtos. Quando são utilizados ingredientes nocivos, este tipo de fraude pode representar riscos graves para a saúde pública.

Produtos contrafeitos ou de baixa qualidade – como o azeite produzido a partir de óleo de colza artificialmente corado – são frequentemente difíceis, ou mesmo impossíveis, de identificar através de uma simples avaliação visual. Até ao momento, a deteção de géneros alimentícios contrafeitos tem exigido análises laboratoriais dispendiosas e demoradas. Além disso, os sistemas de análise baseados em laboratório requerem operadores especializados, com formação técnica adequada, tanto para a operação dos equipamentos como para a interpretação dos dados obtidos.

Com o objetivo de dar resposta a este desafio, encontra-se atualmente em desenvolvimento um sistema móvel de sensores baseado em cromatografia gasosa, concebido para permitir a deteção de produtos incorretamente rotulados diretamente in situ. Três institutos Fraunhofer estão a colaborar no desenvolvimento de um dispositivo acessível e de utilização simples, que possibilita a realização de avaliações rápidas no local, mesmo por utilizadores sem formação especializada.

No âmbito do projeto Fraunhofer PREPARE PUMMEL, equipas de investigação do Fraunhofer Institute for Photonic Microsystems (IPMS), do Fraunhofer Institute for Molecular Biology and Applied Ecology (IME) e do Fraunhofer Institute for Process Engineering and Packaging (IVV) estão a conjugar as suas competências nucleares nas áreas dos métodos de medição por cromatografia gasosa, do desenvolvimento de sensores e da deteção química. O objetivo é desenvolver um sistema móvel de sensores baseado em cromatografia gasosa para a deteção rápida in situ de compostos orgânicos voláteis (COV).

Os COV são compostos químicos que fornecem informação sobre a composição de um material ou sobre potenciais riscos para a saúde, podendo igualmente indicar alterações nas características de um produto. A deteção de COV desempenha um papel fundamental em diversos domínios, incluindo a qualidade e a segurança alimentar, a saúde, a segurança civil, a agricultura e a indústria química.

Dois casos com relevância industrial

“Existe uma necessidade clara de tecnologias de medição in situ que sejam economicamente eficientes, rápidas e robustas, e que forneçam resultados imediatos”, afirma Olaf Hild, diretor de departamento do Fraunhofer IPMS. “O nosso sistema não é universal, mas o seu design modular torna-o adequado a uma vasta gama de aplicações. No projeto PUMMEL, estamos a concentrar-nos em dois casos de uso com elevada relevância industrial. O primeiro é a identificação de azeite contrafeito, que figura entre os dez produtos alimentares mais frequentemente falsificados. O segundo é a deteção de materiais plásticos reciclados contaminados, que podem acumular-se em materiais de embalagem. Este aspeto é particularmente relevante tendo em conta que, em 2025, a taxa de reciclagem atingiu um máximo histórico de quase 70 %. Para estes fins, estamos a desenvolver dois demonstradores específicos para aplicações de deteção de COV.”

Mark Bücking, diretor de departamento do Fraunhofer IME, acrescenta: “Estamos a alinhar os interesses industriais com os desafios científicos, com um enfoque na inovação tecnológica ao serviço da economia alemã e europeia.”

Descrição do sistema

O sistema móvel – com dimensões aproximadas às de uma mala a tiracolo, quando concluído – será constituído por uma coluna de cromatografia gasosa baseada num chip de silício (coluna GC), um detetor (sensor), um módulo integrado de preparação de amostras, eletrónica de controlo e processamento de dados, bem como uma fonte de alimentação.

“A cromatografia gasosa (GC) é um método analítico utilizado para separar, identificar e quantificar misturas de substâncias. É adequada para compostos gasosos ou facilmente vaporizáveis que não se decompõem durante a vaporização”, explica Olaf Hild. “Um gás de arraste transporta inicialmente a amostra através da coluna GC, que está gravada num chip de silício capaz de aquecer e arrefecer rapidamente.”

No interior da coluna, as moléculas gasosas interagem com as paredes internas revestidas por polímeros. Os COV interagem com este revestimento em função da sua afinidade química, o que conduz à separação da mistura. À saída da coluna GC baseada em chip de silício, um detetor mede as substâncias separadas de acordo com as suas características moleculares, gerando um cromatograma gasoso com picos cromatográficos que revelam a composição da mistura. O Fraunhofer IME é responsável pela análise dos dados de medição. No caso do azeite, o objetivo é determinar parâmetros como o país de origem, a idade e o grau de pureza.

Ensaios iniciais concluídos com sucesso

Os ensaios atualmente em curso com uma coluna GC convencional de três metros demonstram uma separação fiável dos COV e permitem uma análise eficaz das amostras. As colunas GC utilizadas em cromatógrafos gasosos laboratoriais convencionais de elevado desempenho têm, frequentemente, comprimentos superiores a 30 metros e proporcionam uma maior eficiência de separação; no entanto, este nível de eficiência não é necessário para a avaliação da qualidade da maioria dos géneros alimentícios. Entre outros desafios, os investigadores do Fraunhofer estão a trabalhar no desenvolvimento de colunas de cromatografia gasosa (GC) miniaturizadas, capazes de proporcionar uma separação suficiente dos COV característicos de diferentes alimentos.

“Com este sistema, estamos a dirigir-nos a utilizadores não especialistas, como operadores de engarrafamento e inspetores na receção de matérias-primas, que poderão operar facilmente o dispositivo após uma breve formação”, refere Tilman Sauerwald, investigador do Fraunhofer IVV, onde os demonstradores estão atualmente a ser desenvolvidos. “Os componentes do sistema podem ser adaptados a aplicações específicas, tornando-o adequado para o controlo da qualidade em diversos contextos, incluindo a análise de plásticos reciclados. Estamos totalmente disponíveis para colaborar com parceiros industriais no desenvolvimento de aplicações personalizadas.”

Os investigadores vão apresentar alguns resultados do projeto entre 24 e 27 de março de 2026, na feira Analytica, em Munique, no stand conjunto do Fraunhofer, Pavilhão 3, Stand 312.

Fonte: iAlimentar

A ASAE, através da sua Unidade Nacional de Informações e Investigação Criminal, realizou uma operação de prevenção criminal centrada comercialização de géneros alimentícios contendo extratos de Cannabis sativa, nos concelhos de Porto, Braga, Aveiro e Guimarães.

A operação teve como objetivo salvaguardar a saúde e segurança dos consumidores, assegurando o cumprimento dos requisitos legais em matéria de composição, rotulagem, alegações de saúde e autorização de utilização de novos alimentos.

Fiscalizados 6 operadores económicos especializados na venda de suplementos alimentares e produtos alimentícios, com a  apreensão de 3.588 artigos, por apresentarem riscos para a saúde pública e segurança dos consumidores - folhas e sumidades floridas ou frutificadas da planta Cannabis sativa L., haxixe, resina e pólen, bem como diversos géneros alimentícios que não cumpriam os requisitos legais de segurança.

Instaurados 6 processos‑crime pela prática dos ilícitos de tráfico e crimes contra a genuinidade, qualidade ou composição de géneros alimentícios.

A ASAE alerta que as flores, folhas e extratos de qualquer parte da planta Cannabis sativa L. não podem ser colocados no mercado como alimentos, e os extratos de Cannabis sativa L. contendo canabinoides, nomeadamente o canabidiol (CBD), são proibidos como aditivos ou ingredientes alimentares.

Os extratos de Cannabis sativa com concentrações de CBD são considerados novos alimentos, não estando permitida a sua utilização em alimentos, podendo representar um risco para a vida ou integridade física dos consumidores.

Fonte: ASAE

Investigadores chineses identificaram uma enzima no arroz capaz de ajudar a planta a degradar resíduos de dois herbicidas amplamente utilizados, abrindo novas perspetivas para a redução da contaminação química nas culturas e no ambiente.

O estudo, conduzido por especialistas da Academia de Ciências Agrícolas de Guangdong e da Academia de Ciências Agrícolas de Jiangsu, centra-se na enzima CYP709B2, pertencente à família do citocromo P450. Esta enzima desempenha um papel fundamental na desintoxicação e no metabolismo dos herbicidas isoproturão e atrazina.

Os investigadores verificaram que a CYP709B2 é ativada quando as plantas de arroz são expostas a estes herbicidas. Plantas geneticamente modificadas para sobre-expressar a enzima apresentaram uma resistência significativamente maior às duas substâncias, cresceram melhor e acumularam níveis muito mais baixos de resíduos químicos.

Em contraste, plantas em que o gene responsável pela produção da enzima foi desativado através da técnica de edição genética CRISPR revelaram-se mais sensíveis aos herbicidas e apresentaram uma maior acumulação de resíduos.

Segundo os autores, os resultados demonstram que a CYP709B2 é uma enzima-chave no processo de desintoxicação metabólica e degradação do isoproturão e da atrazina no arroz. Esta descoberta aponta para uma estratégia promissora para reduzir resíduos de herbicidas nos alimentos e minimizar o impacto ambiental da agricultura química.

O estudo foi publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry.

Fonte: Centro de Informação de Biotecnologia

O estado viável, mas não cultivável (VBNC, sigla em inglês para Viable But Non-Culturable) em bactérias patogénicas transmitidas por alimentos, como Salmonella spp. e Listeria monocytogenes, tem vindo a ganhar relevância devido à sua capacidade de escapar aos controlos microbiológicos oficiais e de representar um risco emergente para a segurança alimentar e para a saúde pública.

Através do projeto VBNC-PATHOGENS, a Ainia Centro Tecnológico procura aprofundar o conhecimento sobre os processos produtivos suscetíveis de induzir o estado VBNC na indústria alimentar e desenvolver metodologias específicas para a deteção destes agentes patogénicos.

As doenças transmitidas por microrganismos patogénicos de origem alimentar continuam a constituir um importante problema de saúde pública e de segurança alimentar a nível mundial. Apesar dos controlos microbiológicos estabelecidos pelo Regulamento (CE) n.º 2073/2005 e da vigilância assegurada pelo sistema RASFF, em 2023 os alertas relacionados com agentes patogénicos representaram a segunda categoria de perigo mais frequente nos alimentos (856 notificações), destacando-se Salmonella spp., Listeria monocytogenes e Escherichia coli.

De acordo com a European Food Safety Authority (EFSA), os surtos de origem alimentar aumentaram 43,9 % em 2022 face a 2021, acompanhados de um aumento da mortalidade associada. Em 2024, foram notificados 561 casos de Salmonella spp. e 161 de Listeria monocytogenes, sobretudo em produtos cárneos, peixe, produtos lácteos, frutos secos e sementes, alguns dos quais tradicionalmente considerados de baixo risco devido à sua reduzida atividade de água. Estes dados evidenciam a necessidade de desenvolver novas metodologias que permitam uma deteção mais precisa de microrganismos patogénicos viáveis ao longo da cadeia alimentar.

O estado viável, mas não cultivável (VBNC) representa um desafio significativo. Trata-se de um estado fisiológico de latência no qual certas bactérias se encontram metabolicamente “adormecidas” e são incapazes de crescer em meios de cultura convencionais. Consequentemente, passam despercebidas nos controlos microbiológicos oficiais, que se baseiam maioritariamente no isolamento em meios de cultura seletivos e na realização de contagens em placas, podendo assim integrar a cadeia alimentar e constituir um risco para a saúde do consumidor.

Até à data, foram identificadas 85 espécies bacterianas capazes de entrar no estado VBNC, incluindo 67 espécies patogénicas, como Staphylococcus aureus, Escherichia coli, Salmonella e Listeria monocytogenes, entre outras. Estas bactérias representam um perigo considerável e frequentemente oculto na avaliação da segurança alimentar.

Fatores suscetíveis de induzir o estado VBNC na indústria alimentar

O estado VBNC constitui uma estratégia de sobrevivência utilizada por determinadas bactérias para resistir a diversos fatores de stress ambiental, como a privação de nutrientes, o stress oxidativo ou as baixas temperaturas.

No contexto da indústria alimentar, existem numerosos fatores capazes de induzir o estado VBNC durante o processamento e o armazenamento dos alimentos. Estes fatores podem ser de natureza química (por exemplo, determinados reagentes químicos habitualmente utilizados no processamento de alimentos, como a adição de conservantes para prolongar a vida útil, ou a utilização de desinfetantes em instalações e equipamentos industriais) ou de natureza física (como a temperatura, os tratamentos de secagem, a irradiação por luz ultravioleta, os tratamentos por campos elétricos pulsados e luz pulsada, o dióxido de carbono a alta pressão, os tratamentos por plasma, entre outros).

Fatores que podem induzir a reativação de patógenos VBNC

A reativação de bactérias VBNC, também designada por “ressurreição”, refere-se ao processo pelo qual estas bactérias, que perderam a capacidade de crescer em meios de cultura convencionais, recuperam a sua atividade metabólica e a capacidade de se multiplicar, regressando a um estado cultivável e, consequentemente, patogénico. Importa salientar que, em muitas situações, as condições ideais para a reativação ao estado patogénico ocorrem no interior do organismo, podendo dar origem a intoxicações alimentares graves.

Os principais fatores suscetíveis de reativar bactérias VBNC incluem:

Aumento da concentração de nutrientes: a adição de um meio de cultura rico foi um dos primeiros métodos utilizados para a ressuscitação de bactérias VBNC;

Alterações de temperatura: tanto o aumento como a diminuição da temperatura podem desencadear a reativação, especialmente em bactérias induzidas ao estado VBNC por temperaturas extremas;

Estímulos químicos: determinados compostos químicos podem promover a reativação, como o piruvato de sódio ou a adição de aminoácidos;

Estímulos biológicos: verificou-se que a cocultura com outras espécies bacterianas, ou mesmo com algumas leveduras, pode induzir a reativação em determinadas espécies. Além disso, proteínas como as Rpf (Resuscitation Promoting Factor) ou determinadas moléculas de sinalização de quorum sensing desempenham um papel crucial neste processo.

Metodologias para a deteção de bactérias em estado VBNC

Uma vez que, no estado VBNC, as bactérias perdem a capacidade de proliferar, não podem ser detetadas pelos métodos tradicionais de cultura, que são os atualmente estabelecidos pela legislação europeia. Em alternativa, os seguintes métodos podem revelar-se particularmente úteis para a deteção de bactérias viáveis, independentemente de serem ou não cultiváveis:

Métodos baseados em biologia molecular: baseiam-se sobretudo na técnica de PCR (Polymerase Chain Reaction), com adaptações específicas para a deteção de células viáveis. Por exemplo, a técnica PMA-qPCR utiliza moléculas que se ligam ao ADN de bactérias mortas e impedem a sua amplificação por PCR, permitindo que apenas as bactérias vivas presentes na amostra sejam detetadas;

Citometria de fluxo: permite o estudo e a classificação de células individuais em suspensão através da utilização de um laser e de detetores óticos, possibilitando a distinção entre células vivas e não viáveis mediante a utilização de corantes fluorescentes específicos;

Tecnologias ómicas: permitem avaliar a viabilidade celular através da análise da atividade biológica, como a expressão génica e as vias metabólicas ativas. Entre as suas principais vantagens destacam-se a elevada sensibilidade, a capacidade de detetar múltiplas espécies em simultâneo e a obtenção de informação global sobre o metabolismo e a expressão génica.

Projeto VBNC-PATHOGENS

No âmbito do projeto VBNC-PATHOGENS, a Ainia pretende identificar os processos produtivos da indústria alimentar que podem induzir o estado VBNC e a sua posterior reativação para o estado patogénico. Paralelamente, trabalha no desenvolvimento de soluções tecnológicas para a deteção de bactérias VBNC transmitidas ao longo da cadeia alimentar, com particular enfoque em Salmonella spp. e Listeria monocytogenes.

O objetivo da Ainia é disponibilizar às empresas da Comunidade Valenciana ferramentas que permitam avaliar o risco e a incidência destas bactérias nos seus produtos e processos, bem como verificar a eficácia dos métodos e produtos de limpeza e desinfeção utilizados. Para esse efeito, o projeto conta com a colaboração de três empresas do setor alimentar e de uma empresa especializada em higiene industrial.

Este projeto é um projeto de I+D+i de carácter não económico, integrado no programa de I+D de um Centro Tecnológico da Comunidade Valenciana, desenvolvido em colaboração com empresas e financiado pelo IVACE+i.

Fonte: iAlimentar

O mercado europeu da cerveja atravessa um período prolongado de retração, com a produção, o consumo e as exportações a registarem quedas pelo quinto ano consecutivo.

A tendência é destacada no relatório “European Beer Trends 2025”, divulgado pela Brewers of Europe, que alerta para um contexto estruturalmente mais exigente para o sector.

De acordo com o estudo, a perda de dinamismo não resulta apenas de fatores conjunturais, refletindo uma combinação de menor confiança dos consumidores, pressão inflacionista persistente, aumento dos custos de produção e um ambiente regulatório cada vez mais exigente.

 Canal Horeca perde peso

Um dos dados mais relevantes do relatório prende-se com a evolução do consumo fora do lar. As vendas de cerveja no canal Horeca, que chegaram a representar cerca de um terço do consumo total na Europa, correspondem hoje a aproximadamente um quarto do mercado.

Apesar de representarem volumes inferiores face ao retalho, estas vendas concentram a maior parte do valor acrescentado do sector e são fundamentais para a sustentabilidade de centenas de milhares de pequenas e médias empresas e postos de trabalho locais. A fragilidade prolongada do canal Horeca gera, assim, um efeito dominó em toda a cadeia de valor, desde produtores agrícolas a eventos, turismo e operadores logísticos.

 Produção e exportações em retração

Após um período prolongado de expansão, o número de cervejeiras ativas na União Europeia estabilizou em torno das 9.700 unidades.

A produção de cerveja caiu de 367 milhões de hectolitros em 2019 para 345 milhões em 2024, com os primeiros indicadores de 2025 a apontarem para um novo aperto do mercado. As exportações, que em anos anteriores funcionaram como amortecedor da quebra do consumo interno, registam igualmente uma desaceleração pelo segundo ano consecutivo.

Entre os fatores que explicam esta evolução estão a inflação persistente, os elevados custos dos fatores de produção, as disrupções no transporte global e os impactos das alterações climáticas na disponibilidade de matérias-primas.

Segundo Christian Weber, presidente da Brewers of Europe, o atual contexto vai além de um simples ciclo negativo. “Os consumidores perderam confiança e estão a gastar menos, enquanto os produtores enfrentam custos crescentes, maior carga regulatória e pressão em toda a cadeia de valor”, afirma, sublinhando a necessidade de maior estabilidade para garantir o futuro do sector.

 Cerveja sem álcool é a exceção à regra

Num cenário globalmente negativo, a cerveja sem álcool destaca-se como a única categoria em crescimento. Nos últimos cinco anos, este segmento registou uma expansão de 25% e representa atualmente cerca de 7,5% do consumo total de cerveja na União Europeia.

Para Julia Leferman, secretária-geral da Brewers of Europe, o sector mantém um forte compromisso com a sustentabilidade, a moderação e o valor cultural da cerveja, mas necessita de um enquadramento regulatório equilibrado. “Este é um momento que exige apoio claro e estabilidade, não regulamentação desproporcionada ou contraproducente”, defende, acrescentando que o sector pode contribuir para a competitividade e vitalidade cultural da Europa se tiver condições para investir e inovar.

Fonte: Grande Consumo