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Conciliar os rebanhos de ovelhas com a produção de vinho é uma das práticas que está de regresso em algumas quintas da região do Dão. A aposta na agricultura sem químicos é cada vez mais uma realidade.

Pasto verdejante a perder de vista em terreno fácil para guiar o rebanho, em troca uma agricultura sem químicos e uma terra fertilizada - o velho Dão está a voltar em algumas quintas da região.

A região do Dão tem dado passos firmes naquilo que é o crescimento do sector vitivinícola e mais do que quantidade, salienta-se a qualidade. No caso da casta Encruzado à qualidade junta-se a versatilidade.

A aposta na agricultura sem químicos é cada vez mais uma realidade na região do Dão.

Veja aqui.

Fonte: SIC Notícias

 

Campanha de prevenção da Gripe Aviária

  • Tuesday, 02 December 2025 11:24

EFSA e a Comissão Europeia promoveram a campanha #NoBirdFlu num esforço conjunto de prevenção da Gripe Aviária, para garantir a sustentabilidade do setor avícola da UE. A gripe aviária pode devastar as populações de aves, perturbar as cadeias de abastecimento e prejudicar os meios de subsistência dos agricultores, além de terem um forte impacto na saúde pública.

Reforçar a importância da implementação de medidas simples de biossegurança especialmente em pequenas e médias explorações avícolas é essencial para a prevenção da doença.

Todos os indivíduos que interagem com uma exploração avícola — sejam trabalhadores, fornecedores ou visitantes — desempenham um papel importante na segurança das aves, devendo por isso observar as seguintes medidas de biossegurança:

Controlo de acesso

  • Limite a entrada de pessoas, veículos, equipamentos e jaulas  apenas quando necessário;
  • Desinfete sempre todos os veículos e equipamentos, bem como as pessoas que entrem na exploração, sobretudo se tiveram contacto recente com aves de capoeira, resíduos ou aves selvagens;
  • Use sempre roupa limpa e lave as mãos e o calçado sempre que entrar numa exploração.

Todas dentro, todas fora

  • Introduza na exploração aves da mesma idade e ao mesmo tempo e, no final do ciclo retire-as em conjunto;
  • Faça sempre uma limpeza completa entre os ciclos de produção.

Limpeza completa

  • Limpe e desinfete regularmente todas as instalações, em especial após cada ciclo;
  • Mantenha bem separadas as áreas “limpas” (em contacto com os animais) das áreas “sujas” (em contacto com o exterior).

Mantenha as aves selvagens afastadas da sua exploração

  • Verifique se os telhados não têm aberturas, se as paredes não estão danificadas e com buracos e se as vedações estão seguras;
  • Evite deslocar rações entre diferentes lotes e certifique-se de que não há água parada à volta da exploração, pois esta pode atrair aves selvagens;
  • Proteja as áreas exteriores com rede ou vedação adequada e verifique regularmente se há buracos. Verifique ainda se necessário usar dispositivos dissuasores para afastar aves selvagens/outros animais.

Ração e água

  • Nunca utilize rações expostas a sujidade, fezes ou humidade;
  • Guarde a ração em recipientes fechados ou impermeáveis e os materiais de cama em locais cobertos para evitar a contaminação;
  • Forneça água limpa e fresca.

Uma espécie, um espaço. Alojamentos separados 

  • Diferentes espécies de aves de capoeira – galinhas, patos e perus – devem ser mantidas em espaços separados, porque evita a transmissão de doenças entre espécies. 

Veja os sinais

  • Se notar algo de anormal – menor consumo de alimento ou água, mortes súbitas ou sinais de doença – informe de imediato o veterinário ou as autoridades locais;
  • Quanto mais cedo agir, maior será a probabilidade de interromper um surto de gripe aviária e proteger a sua exploração e as que lhe são outras próximas.

Fonte: DGAV

Vivemos numa época em que a saúde e o bem-estar se transformaram em verdadeiros drivers sociais. Multiplicam-se ginásios, personal trainers, nutricionistas digitais e dietas que prometem longevidade e vigor. É um cenário sedutor, sobretudo nas redes sociais, mas que nem sempre corresponde à vida real da maioria de nós. Confesso, os ginásios proliferam à minha volta, mas raramente os frequento. Entre o trabalho, as exigências do dia-a-dia e os ritmos que se aceleram sem pedir licença, o cuidado com a alimentação torna-se menos um ritual e mais uma luta silenciosa pela sobrevivência saudável.

Nesse contexto, os suplementos alimentares assumem um apelo quase imediato. Cápsulas que prometem energia, concentração, imunidade ou equilíbrio metabólico tornam-se atalho e aspiração. Mas será este um caminho seguro? Esta preocupação é partilhada pela TecnoAlimentar que dedica neste número um dossier a este tema.

O mercado dos suplementos alimentares cresceu exponencialmente, movido tanto por necessidades reais, como por expectativas culturais. Hoje, mais do que simples complementos nutricionais, representam um estilo de vida. Há quem os procure para melhorar a performance desportiva, outros para compensar aquilo que a alimentação já não supre, seja por falta de tempo, de acesso ou de qualidade. A estética física, a prevenção de doenças ou a promessa de uma vitalidade renovada são igualmente a força motriz desta procura. Contudo, esta tendência é acompanhada por uma preocupante iliteracia em matéria de microbiota e funcionalidade nutricional. Por exemplo, esquecemo-nos que a maior parte dos consumidores não distingue, um probiótico de um prebiótico.

A autenticidade dos suplementos é um dos problemas mais prementes. Estudos recentes denunciam irregularidades entre o que os rótulos prometem e o que as cápsulas realmente contêm. Ingredientes adulterados, rotulagem incompleta ou enganosa, e a presença de compostos químicos não declarados revelam uma zona cinzenta entre a ciência e o marketing, eventualmente passando pela fraude. Acresce o facto de muitos ingredientes serem importados de mercados (p.e. compra online), onde o controlo da qualidade pode ser menos rigoroso ou inexistente, o que suscita preocupações químicas, ambientais e éticas.

Neste cenário, o papel da ciência é indispensável. Investigadores e entidades reguladoras estão alinhados no combate à desinformação e à falta de qualidade dos produtos que estão disponíveis para o consumidor. Pois, só através de métodos robustos, como a cromatografia, espectrometria, análise metabolómica, é possível autenticar fórmulas, identificar adulterantes e garantir a segurança do consumidor. A indústria, por seu lado, não pode ignorar o dever ético de transparência, rastreabilidade e certificação das matérias-primas, sobretudo num mercado em que a confiança é um ativo tão valioso, quanto frágil.

Tal como a alta-costura exige a qualidade invisível de um bom corte, aquilo que só um olhar treinado reconhece, também os suplementos alimentares exigem uma atenção que vá além da embalagem elegante e das promessas sedutoras. Como sabemos, o bem-estar não pode ser delegado apenas ao marketing; depende muito da ciência, responsabilidade e escolhas informadas.

Fonte: TecnoAlimentar

 

A indústria alimentar opera sob elevados padrões de exigência, onde a segurança, a qualidade e a continuidade das operações são essenciais. Neste contexto, os Ensaios Não Destrutivos (END) afirmam-se como ferramentas indispensáveis para avaliar a integridade de equipamentos, instalações e materiais, sem comprometer o fluxo produtivo nem interferir com os processos em curso.

Desde tubagens e tanques, a autoclaves, permutadores de calor, equipamentos de processamento e sistemas de embalagem, a aplicação de END permite identificar precocemente falhas que poderiam gerar quebras de produção, riscos de contaminação ou incumprimento de requisitos regulamentares.
 
O papel dos END na segurança alimentar 
Na indústria alimentar, os END desempenham uma função vital ao permitir a deteção precoce de defeitos como fissuras, desgaste, corrosão, porosidades, fragilidades estruturais ou contaminações internas. Através desta monitorização contínua e não intrusiva, é possível antecipar problemas que afetariam a eficiência produtiva e, sobretudo, a segurança dos produtos alimentares.Estas inspeções são cruciais para cumprir normas, assegurar auditorias e garantir que toda a infraestrutura industrial se mantém em conformidade com os requisitos legais, higiénicos e de segurança aplicáveis ao setor.
 
O que são os Ensaios Não Destrutivos? 
Os END englobam um conjunto de métodos de avaliação técnica que permitem examinar materiais e componentes sem causar qualquer dano. Entre as técnicas mais relevantes para a indústria alimentar destacam-se: ultrassons, radiografia industrial e digital, líquidos penetrantes, ensaio visual, termografia, leak test e medição de espessuras.Estes métodos são amplamente utilizados em ambientes industriais onde a higiene, a segurança e a rastreabilidade são absolutamente determinantes.
 
Benefícios dos END para a indústria alimentar 
A aplicação estruturada e periódica de END traz vantagens significativas para as empresas do setor:
  • Prevenção de ruturas e falhas inesperadas;
  • Redução dos riscos de contaminação;
  • Conformidade com normas e auditorias;
  • Aumento da durabilidade dos equipamentos;
  • Reforço da confiança dos clientes e autoridades.

 

Fonte: iAlimentar

Um consórcio europeu completou com êxito os primeiros ensaios de campo com batatas geneticamente editadas para resistirem ao míldio tardio (Phytophthora infestans), uma das doenças mais destrutivas da cultura, abrindo caminho para uma agricultura mais sustentável e menos dependente de fungicidas.

A Europa alcançou um novo marco na biotecnologia agrícola com a conclusão bem-sucedida dos primeiros ensaios de campo com batatas editadas geneticamente para resistirem ao míldio tardio, uma doença devastadora que afeta a produção mundial de batata.

O projeto Oppotunity, composto por 12 organizações da cadeia de valor da batata para amido, realizou testes na Suécia e na Dinamarca com variedades editadas com recurso à tecnologia CRISPR-Cas, confirmando a viabilidade, estabilidade e desempenho das novas linhas de batata desenvolvidas para uso industrial.

Segundo comunicado oficial datado de 21 de outubro, o material genético de base foi a variedade ‘Kuras’, amplamente utilizada para produção de amido na Europa e fornecida pela empresa Agrico. Após um ano de trabalho em estufa, foram cultivadas em campo, durante a temporada de 2025, as primeiras plantas derivadas de minitubérculos editados, com resultados promissores. Em paralelo, iniciou-se a multiplicação de sementes para permitir a expansão dos ensaios em 2026.

Uma abordagem inovadora e colaborativa

O consórcio Oppotunity inclui empresas e centros de investigação como Aardevo, Agrana, AKV, KMC, SolEdits e outras, numa colaboração pan-europeia para demonstrar o potencial das novas técnicas genéticas (NTG) na agricultura sustentável. A introdução de resistência genética ao míldio tardio pode reduzir drasticamente o uso de fungicidas, melhorar a produtividade e minimizar o impacto ambiental.

“Conseguir melhorar uma variedade de batata através de NGT e vê-la crescer no campo ao fim de apenas um ano de trabalho é um enorme avanço”, afirmou Hans Berggren, secretário do projeto. “Mostra a rapidez e a eficiência que a edição genética oferece para adaptar as culturas aos novos desafios ambientais.”

Segundo Sjefke Allefs, especialista em melhoramento genético da Agrico, a edição genética permite encurtar entre 8 a 10 anos o tempo necessário para obter variedades resistentes, em comparação com os métodos tradicionais.

Sustentabilidade, inovação e futuro

O míldio tardio provoca perdas económicas globais superiores a 6 mil milhões de dólares por ano e obriga os produtores a aplicar dezenas de tratamentos fungicidas por temporada. Com mais de 11.000 agricultores europeus dependentes da batata para amido, o projeto Oppotunity representa um investimento estratégico na sustentabilidade e competitividade do setor, alinhado com os objetivos do Pacto Ecológico Europeu.

Para 2026, estão previstos ensaios em diferentes condições agroclimáticas e a seleção final das variantes genéticas mais eficazes e estáveis. O objetivo final é disponibilizar uma variedade comercial de batata resistente ao míldio tardio, com alto desempenho, qualidade industrial e menor impacto ambiental.

Atualização da legislação europeia

O consórcio defende também a necessidade urgente de atualizar o enquadramento legal europeu sobre tecnologias genéticas, para que estas inovações possam ser implementadas de forma segura, transparente e benéfica para os agricultores, consumidores e indústria.

“Estamos a demonstrar que a edição genética pode oferecer soluções concretas para problemas urgentes, mantendo os princípios da sustentabilidade”, sublinhou Allefs.

O sucesso do projeto Oppotunity mostra que a biotecnologia moderna é uma aliada essencial para enfrentar os desafios climáticos, ambientais e produtivos que afetam a agricultura europeia no século XXI.

Fonte: Centro de Informação de Biotecnologia

A fabricante de luvas Eagle Protect PBC apresentou uma petição à Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) a solicitar que a agência proíba a importação, distribuição e uso de luvas descartáveis ​​de cloreto de polivinila (PVC ou vinil) para manipulação de alimentos nos EUA.

A Eagle Protect é conhecida por consciencializar sobre os riscos ocultos à segurança alimentar associados às luvas descartáveis ​​usadas no manuseio de alimentos. Por exemplo, em 2024, um estudo revisto por pares, financiado pela empresa, destacou a falta de padrões de nível de qualidade aceitável (AQL) de impermeabilidade e resistência a rasgos para luvas de contato com alimentos nos EUA, e também demonstrou a presença de substâncias químicas nocivas nessas luvas, incluindo ftalatos, bisfenol A (BPA), substâncias per e polifluoroalquiladas (PFAS) e outras. Numa análise anterior de 26 marcas diferentes de luvas, a empresa encontrou contaminação microbiana significativa por importantes patógenios transmitidos por alimentos. O CEO da Eagle Protect, Steve Ardagh, também participou do podcast Food Safety Matters,  ao vivo da Food Safety Summit de 2023, para discutir a contaminação de luvas; o episódio pode ser ouvido aqui.

Na sua petição à FDA de novembro de 2025, a Eagle Protect destacou a probabilidade de as luvas de PVC rasgarem, a presença de ftalatos, substâncias que interferem no sistema endócrino e podem contaminar os alimentos, e a conhecida desvantagem do material de gerar riscos químicos ao longo do seu ciclo de vida.

Com relação aos ftalatos, a petição cita:

  • Estudos que documentam luvas contendo ftalatos rotuladas erroneamente como “isentas de ftalatos”;
  • A falta de verificação sistemática do cumprimento das normas federais sobre migração de produtos químicos em luvas importadas;
  • Pesquisas da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) mostram que os ftalatos se desprendem e contaminam alimentos gordurosos em níveis preocupantes, com migração superior a 1,5 miligramas por quilograma (mg/kg) num estudo com amostras de queijo;
  • Estudos japoneses detectaram ftalato de di-2-etilhexila (DEHP) em concentrações de 16,90 mg/kg em frangos manuseados com luvas de vinil;
  • As restrições e proibições da UE e do Japão contra o DEHP e outros ftalatos em luvas de vinil resultaram numa queda de 33% na exposição a compostos disruptores endócrinos após a proibição dos ftalatos no Japão.

A petição também destaca um estudo que mostra que as luvas de PVC apresentam taxas de falha de 12 a 61% em uso simulado, em comparação com 1 a 4% para luvas de nitrilo e látex.

Com base nas evidências apresentadas, a petição argumenta que as luvas de PVC não atendem aos seguintes requisitos:

  • A disposição da Lei Federal de Alimentos, Medicamentos e Cosméticos (FDCA) que considera um alimento "adulterado" se ele contiver substâncias nocivas, visto que não exige a verificação de padrões de luvas "seguras para contato com alimentos";
  • As normas de Boas Práticas de Fabricação Atuais (CGMPs) da FDA exigem luvas impermeáveis;
  • A disposição da FDCA  sobre rotulagem enganosa, visto que luvas de PVC podem ser rotuladas falsamente como "livres de ftalatos" ou "em conformidade com a FDA", e a Lei da Comissão Federal de Comércio  com base em "práticas enganosas de marketing de segurança alimentar".

A Eagle Protect defende um cronograma de 24 meses para a eliminação gradual das luvas de PVC "seguras para alimentos", com a adoção de luvas de nitrilo e polietileno de maior qualidade como substitutas. Sem chegar a proibir o uso de luvas de PVC para contato com alimentos, a petição sugere que a FDA exija:

  • Testes em lote de luvas de vinil para determinar o teor de ftalatos e outras substâncias químicas tóxicas, com divulgação pública dos resultados, visam impedir alegações enganosas de "isentas de ftalatos";
  • Fiscalização do cumprimento das normas de qualidade aceitável (AQL) para defeitos em luvas, de acordo com as Boas Práticas de Fabricação Atuais (CGMP), para todas as luvas de vinil.

Fonte: Food Safety

O Reino Unido entrou oficialmente numa nova era para a ciência agrícola com a entrada em vigor, a 13 de novembro de 2025, da Genetic Technology (Precision Breeding) Act 2023. Esta legislação pioneira estabelece um enquadramento regulatório próprio para as plantas melhoradas por técnicas de edição genética de precisão, como o CRISPR-Cas9, distinguindo-as das culturas geneticamente modificadas (OGM).

Com a entrada em vigor da nova lei, os cientistas e melhoradores britânicos podem agora registar oficialmente variedades agrícolas obtidas por edição genética, abrindo caminho a soluções mais rápidas, seguras e sustentáveis para os desafios da agricultura moderna.

A legislação aplica-se exclusivamente a plantas cujas alterações genéticas poderiam ocorrer naturalmente ou através de melhoramento convencional, mas que agora podem ser alcançadas com maior rapidez e precisão graças às novas ferramentas da biotecnologia.

Para o Professor Mario Caccamo, diretor executivo do National Institute of Agricultural Botany (NIAB), esta medida representa “um marco histórico”:

“É a primeira vez, em várias gerações, que se aprova legislação destinada a facilitar, e não restringir, o uso de tecnologias genéticas avançadas na agricultura do Reino Unido. Esta lei permitirá acelerar o desenvolvimento de variedades agrícolas melhoradas, com benefícios reais para os agricultores, consumidores e o ambiente.”

Novas variedades a caminho

Instituições como o NIAB e o The Sainsbury Laboratory (TSL) consideram este passo fundamental para reforçar a segurança alimentar e a sustentabilidade do sistema agrícola britânico.

Entre as aplicações mais promissoras das técnicas de melhoramento genético de precisão destacam-se:

  • Morangos de maior rendimento;
  • Oleaginosas com valor nutricional acrescido;
  • Beterraba e batata resistentes a doenças;
  • Culturas mais resilientes às alterações climáticas.

Ao permitir o desenvolvimento acelerado de culturas que exigem menos recursos agrícolas, resistem melhor às pragas e promovem a redução do desperdício alimentar, esta legislação pode posicionar o Reino Unido como líder mundial numa agricultura sustentável baseada na ciência.

Apoio político e mudança de mentalidades

A entrada em vigor da Precision Breeding Act reflete uma mudança significativa nas políticas públicas e na opinião pública, com crescente apoio a soluções científicas para os desafios alimentares globais.

O setor científico e agrícola britânico vê nesta legislação uma oportunidade há muito aguardada para traduzir anos de investigação em benefícios concretos para a produção agrícola, os consumidores e o ambiente.

Fonte: Centro de Informação de Biotecnologia

A transformação tecnológica da segurança alimentar acelerou em 2025, explica Yannick Verry, da Informa Markets, impulsionada pela evolução das ameaças de contaminação e pelos prazos iminentes de conformidade regulatória que expõem lacunas críticas nos métodos tradicionais de deteção.

Como os métodos tradicionais de análise microbiológicas, que exigem até uma semana para apresentar resultados, se mostram inadequados para as velocidades de processamento modernas, os incidentes de contaminação continuam a representar um desafio para os produtores. Os ovos mantêm um alto nível de risco devido a problemas persistentes com Salmonella , e os riscos relacionados a pesticidas dominam as preocupações com a segurança das frutas, enquanto milhares de casos de listeriose são registrados todos os anos somente na Europa.

A evolução do cenário tecnológico coincide com a decisão da Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) de adiar a conformidade com a Regra de Rastreabilidade de Alimentos em 30 meses, para julho de 2028 , reconhecendo que o cronograma original era muito curto para a implementação dessa regra complexa. 

Em resposta, tecnologias inovadoras de deteção e preservação estão a transformar a forma como os fabricantes lidam com a contaminação, oferecendo velocidade e precisão sem precedentes justamente quando as exigências de conformidade regulatória se intensificam. Aqui, analisamos algumas das mais interessantes. 

De dias para minutos: deteção de contaminação reinventada

Os testes microbiológicos tradicionais apresentam uma vulnerabilidade crítica em relação ao tempo. Os testes bacteriológicos exigem até três dias, uma vez que as bactérias precisam ser cultivadas em placas de ágar e incubadas até que as colônias se tornem visíveis. Durante esse período de espera, os produtos contaminados frequentemente concluem o processamento e entram nos canais de distribuição – às vezes chegando às prateleiras dos retalhistas antes que os laboratórios possam confirmar os riscos.

A empresa Sensip-dx, spin-off da Universidade de Maastricht, reduziu esse tempo para apenas 15 minutos. A tecnologia de sensores da empresa utiliza polímeros com impressão molecular – materiais sintéticos projetados com sítios de ligação molecular para bactérias específicas – combinados com medições de resistência térmica para identificar a presença de patógenios em tempo real.

O processo de produção envolve interromper a cura do polímero no meio do processo e injetar bactérias vivas no material semi-curado, criando impressões físicas e ligações químicas. Quando a polimerização é retomada, as bactérias morrem, deixando sítios de ligação com formato preciso que reconhecem patógenios correspondentes.

Durante os testes, o fluido da amostra flui sobre o sensor. As bactérias correspondentes ligam-se a esses pontos de contato e o sistema mede a resistência térmica para confirmar a presença rapidamente. A drástica aceleração na velocidade de deteção – de três dias para 15 minutos – muda fundamentalmente a tomada de decisões operacionais, permitindo que as instalações testem água de lavagem, amostras de ingredientes ou superfícies de contacto durante a produção ativa e implementem correções imediatas, em vez de gerirem recalls após a distribuição.

Os sensores funcionam contra todos os patógenios bacterianos transmitidos por alimentos conhecidos e podem ser calibrados para diversas matrizes alimentares. A Sensip-dx está a desenvolver protótipos com parceiros comerciais iniciais, visando o lançamento iminente dos primeiros produtos comerciais.

A degradação da qualidade vai além da intervenção química

Enquanto as tecnologias de deteção se concentram na identificação, inovações paralelas combatem a degradação da qualidade que tradicionalmente exigia intervenção química. O congelamento convencional cria grandes cristais de gelo que rompem as paredes celulares, produzindo uma textura pastosa e perda de sabor após o descongelamento. O congelamento com nitrogênio líquido evita esse dano, mas as restrições de custo limitam sua aplicação.

A eletrostática oferece uma solução promissora: a aplicação de campos eletromagnéticos controlados durante o congelamento faz com que os produtos vibrem em frequências que impedem a formação de grandes cristais. Esse método de congelamento protege o sabor, além de preservar a textura. Quando as paredes celulares permanecem intactas, os compostos de sabor e as moléculas aromáticas permanecem dentro das células e não se degradam. O efeito eletrostático também reduz a quantidade de bactérias na superfície, prolongando a vida útil refrigerada de itens como framboesas frescas de períodos padrão para cinco ou seis semanas.

Testes cegos revelaram vantagens inesperadamente convincentes para aplicações em panificação, com os participantes incapazes de distinguir entre pizza fresca e pizza congelada e depois reaquecida. Gelado é outra aplicação importante, proporcionando uma textura macia e fácil de servir diretamente do congelador. Para fabricantes que enfrentam a demanda do consumidor por rótulos limpos, o congelamento eletrostático oferece manutenção da qualidade sem aditivos químicos.

A deteção de precisão ganha uma nova perspectiva com a visão computacional

Sistemas de visão computacional com inteligência artificial agora reconhecem inconsistências em alimentos com mais rapidez e precisão do que humanos, atingindo 97% de acerto na deteção de defeitos. A transformação decorre da adaptabilidade: ao contrário dos sistemas de visão tradicionais que sinalizam variações naturais aceitáveis ​​como defeitos, os sistemas com inteligência artificial aprendem a distinguir problemas de qualidade genuínos da variabilidade inerente aos produtos orgânicos. Um morango com formato ligeiramente irregular não gera rejeição, mas a podridão simOs modelos de aprendizagem preveem fatores de qualidade – teor de água, sólidos solúveis, alterações de cor – eliminando as avaliações humanas subjetivas.

A tecnologia de visão computacional proporciona melhor controlo de qualidade, aumento da produtividade, maior segurança alimentar e recolha de dados valiosos para rastreabilidade. A monitorização em tempo real permite que os fabricantes identifiquem e solucionem potenciais problemas de qualidade logo no início do ciclo de produção, aprimorando a integridade e a segurança dos produtos alimentares, ao mesmo tempo que mantêm altos padrões de qualidade.

O prazo regulamentar que impulsiona a mudança

Esses avanços tecnológicos chegam num momento em que os fabricantes enfrentam uma pressão regulatória sem precedentes. A Norma de Rastreabilidade de Alimentos da FDA, originalmente prevista para entrar em vigor em janeiro de 2026, exige o registro detalhado de alimentos na Lista de Rastreabilidade de Alimentos, incluindo queijos, ovos, manteigas de nozes, ervas, verduras, certas frutas e legumes, peixes e saladas prontas para consumo. As entidades abrangidas devem manter registros que possam ser convertidos para folha de cálculo e enviados à FDA em 24 horas.

O propósito desse requisito criou desafios significativos de implementação. A coordenação da cadeia de suprimentos provou ser particularmente difícil – mesmo empresas preparadas viram-se dependentes de dados de parceiros que não estavam em situação semelhante. Em março de 2025, o FDA prorrogou o prazo por 30 meses, para julho de 2028, reconhecendo essas realidades.

A janela de oportunidade competitiva

A prorrogação concedida pela FDA oferece aos fabricantes uma oportunidade valiosa para implementar sistemas de rastreabilidade aprimorados. Ao aproveitar esse período para adotar tecnologias avançadas – como deteção bacteriana de alta velocidade, preservação eletrostática e controlo de qualidade baseado em inteligência artificial – as empresas podem não apenas atender aos requisitos regulatórios, mas também impulsionar melhorias significativas na eficiência operacional.

Esses sistemas oferecem vantagens práticas: a deteção rápida permite o controlo da contaminação durante o processo, em vez de recalls após a distribuição; os sistemas de visão automatizados geram a documentação detalhada exigida pelas normas de rastreabilidade; e a preservação sem produtos químicos atende às demandas dos consumidores por rótulos limpos. As tecnologias funcionam de forma independente, mas complementam as necessidades de conformidade regulatória.

A questão para os líderes em segurança alimentar é o cronograma de implementação. Se os fabricantes adotarem essas medidas proativamente durante o período de conformidade ou reativamente sob pressão regulatória, isso provavelmente determinará seu posicionamento competitivo no cenário pós-2028.

Fonte: NewFood Magazine

A saúde entrou definitivamente para a lista das grandes forças que moldam o consumo em Portugal. Mas, ao contrário do que muitas vezes se pensa, essa mudança não se traduz apenas em dietas, suplementos ou produtos “fit”.

O estudo “Who Cares? Who Does? Health 2025”, da Worldpanel by Numerator, revela uma transformação silenciosa, mas profunda, no comportamento do consumidor português. Entre intenções e ações nem sempre coerentes, cresce a procura por produtos que equilibrem saúde, sabor, conveniência e confiança. Da redução do açúcar ao afastamento do álcool, passando pela ascensão dos produtos funcionais, dos probióticos e das alternativas 0.0, o retalho enfrenta um consumidor que já não compra apenas por hábito, mas por propósito, ainda que esse propósito se manifeste de formas complexas e nem sempre lineares.

A primeira evidência relevante é a distância entre aquilo que o consumidor declara e aquilo que realmente compra. Um número elevado de portugueses afirma querer reduzir o açúcar, mas os dados de compra mostram que, na prática, os gastos com categorias indulgentes — chocolate, doces, pastas para barrar e gelados — aumentam mesmo entre os consumidores que dizem querer moderar a ingestão de açúcar.

Esta contradição não traduz incoerência; traduz realismo. Ao aprofundar a análise dentro das categorias, o estudo mostra que os consumidores não estão a abandonar o prazer, mas a redefini-lo. No caso das tabletes de chocolate, os segmentos sem açúcar, de baixo teor ou com stevia ganham expressão, aumentando 4,8 pontos percentuais (p.p.) em penetração, enquanto as versões tradicionais com açúcar perdem 1,7 pontos percentuais. O preço médio pago por estes segmentos “mais saudáveis” é 12% superior ao da categoria, sinalizando que o consumidor está disposto a pagar mais para equilibrar prazer e consciência.

Esta mudança interna ilustra uma verdade fundamental: a saúde já não opera à margem do consumo indulgente. O consumidor está a migrar para versões de melhor perfil nutricional dentro das mesmas categorias que sempre consumiu e o retalho deve acompanhar esta transição, onde o sabor continua a ser determinante, mas já não é suficiente.

Peso, sono e stress: o novo tripé das preocupações dos portugueses

As preocupações dos consumidores ajudam a explicar estas mudanças. Em Portugal, o peso surge como inquietação dominante para 55% da população, seguido do sono (47%) e do stress (44%), índices muito acima da média global — entre 120 e 142 face ao total mundial.

Esta tríade reflete um país em pressão constante, onde corpo e mente se tornam prioridades crescentes. Do lado das marcas e do retalho, isto traduz-se numa procura mais forte por soluções que respondam a necessidades concretas: mais proteína, menos açúcar, benefícios funcionais, conveniência saudável, formatos individuais que apoiem rotinas diárias fragmentadas e uma maior atenção ao equilíbrio emocional e físico.

Entre aqueles que afirmam querer reduzir o açúcar — e Portugal (37%) está acima da média global (24%) nessa preocupação de redução —, observa-se uma maior afinidade por categorias como leite de curta duração, bebidas vegetais, iogurtes e sobremesas proteicas, aveia, barras energéticas e compotas com menos açúcar, todas elas a ganhar relevância na evolução do cabaz. Trata-se de um consumidor que, mesmo mantendo hábitos tradicionais, incorpora novas lógicas de equilíbrio. 

A ascensão silenciosa da alimentação “menos processada”

A questão dos alimentos ultraprocessados tem vindo a ganhar destaque globalmente e Portugal não é exceção. O estudo indica que 53% dos portugueses planeia reduzir o consumo destes produtos, posicionando o país acima da média global. Curiosamente, cerca de 20% dos inquiridos afirma não consumir ultraprocessados — algo praticamente impossível — o que evidencia um desafio persistente de literacia alimentar.

Apesar da confusão concetual, a tendência é clara: o consumidor quer aproximar-se de padrões alimentares mais “naturais”, mesmo quando não altera a sua rotina de conveniência. A elevada prevalência de refeições caseiras reforça este padrão: 80% dos portugueses diz preferir cozinhar com produtos frescos e 84% das refeições principais dentro de casa continua a ser pratos caseiros, centrados em sopas, arroz, legumes cozidos, massas, saladas e carnes simples.

O retalho encontra aqui uma oportunidade inequívoca. A frescura continua a ser o principal motor de confiança do consumidor, não apenas por tradição culinária, mas porque se inscreve no novo ideal de alimentação “real”, com menos ingredientes e mais perceção de autenticidade. A procura por conveniência não desaparece, mas passa a coexistir com a exigência de naturalidade. 

Um país que bebe menos álcool e descobre novas alternativas

A relação dos consumidores com o álcool está também a sofrer alterações significativas, impulsionadas pela saúde, pela moderação e por transformações nas dinâmicas sociais. Em Portugal, 16% dos consumidores planeia reduzir o consumo de álcool e esse número sobe para 18% entre os menores de 35 anos, ao mesmo tempo que 45% desta faixa etária afirma não consumir álcool de todo. Esta mudança traduz-se já num recuo das ocasiões reais de consumo de bebidas alcoólicas, tanto dentro de casa (–0,5 p.p.) como fora de casa (–5,7 p.p.).

Em contrapartida, a cerveja sem álcool vive um crescimento expressivo: conquistou mais 144 mil compradores, aumentou 24% em frequência e já representa 8% de penetração fora de casa. As campanhas das principais marcas — assentes na ideia de “sabor de sempre, sem desculpas” — reforçam a normalização deste tipo de consumo e expandem as ocasiões em que a categoria pode estar presente.

Do ponto de vista do retalho, esta tendência implica diversificação. A categoria 0.0 deixa de ser residual e passa a constituir uma resposta relevante para consumidores jovens, para quem moderação e convívio não são incompatíveis. 

Probióticos, suplementos e bebidas funcionais: a nova fronteira do consumo alimentar

Outra área em crescimento acelerado é a dos suplementos alimentares e dos produtos funcionais. Portugal destaca-se pela forte afinidade com suplementos de reforço imunitário: 67% considera-os um bom investimento para a saúde, acima da média global. Embora exista ceticismo noutros mercados europeus, o consumidor português valoriza soluções que prometem benefícios claros, sobretudo quando integradas no dia a dia.

A evolução dos dados de compra confirma esta tendência. A penetração de iogurtes probióticos (como bifidus e kefir) aumentou de 42% para 47% em apenas um ano e categorias como vitaminas, bebidas funcionais, iogurtes proteicos, produtos enriquecidos com vitamina D, snacks proteicos ou chás com propriedades relaxantes estão em crescimento contínuo no país. A saúde, aqui, não é um conceito abstrato. É funcional, mensurável e integrada na rotina. 

O impacto das terapias injetáveis para perda de peso: um novo consumidor em emergência

A crescente notoriedade da medicação injetável para perda de peso — como Ozempic ou Mounjaro — está a introduzir novas dinâmicas de consumo no sector, e Portugal destaca-se pela elevada familiaridade com estes produtos, com um índice 108 acima da média europeia.

O estudo mostra que os utilizadores destas medicações apresentam maior afinidade com categorias percecionadas como saudáveis e práticas — sopas refrigeradas, bebidas desportivas e isotónicas, bebidas vegetais, sobremesas proteicas e adoçantes — caracterizadas por conveniência e baixa carga calórica. Nos mercados onde este fenómeno está mais avançado, como o Brasil, observa-se ainda uma tendência para a redução da intensidade da cesta, com menor frequência de compra e menor volume por ocasião em categorias indulgentes, como refrigerantes e chocolate, evidenciando mudanças estruturais que poderão replicar-se no mercado português.

A médio prazo, isto pode reconfigurar o cabaz, favorecendo categorias leves, funcionais e com foco no bem-estar.

O retalho num ponto de viragem

O conjunto de evidências do “Who Cares? Who Does? Health 2025” revela que o consumidor português está num momento de transição entre hábitos tradicionais e novas expectativas de bem-estar. O retalho encontra-se numa posição estratégica para responder a estas mudanças, integrando inovação, clareza nutricional, frescura e conveniência saudável.

A saúde, enquanto força transversal, deixou de ser um nicho. É hoje um dos principais motores das escolhas alimentares, influenciando produtos, formatos, comunicação, categorias e experiências de compra. O retalho que conseguir acompanhar esta transformação — sem ceder ao alarmismo, mas também sem ignorar os sinais — estará mais bem posicionado para captar valor num mercado que se reinventa através das escolhas de um consumidor mais informado, mais consciente e mais exigente.

Fonte: Grande Consumo

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) manifesta publicamente a sua satisfação relativamente ao anúncio da Ministra do Ambiente e Energia no decurso da sua intervenção no Congresso Comemorativo da CAP.

“Temos também novidades sobre um tema que sabemos ser importante para muitos agricultores, que é a questão do bagaço da azeitona. Para quem ainda se recorda, anunciei na Ovibeja, em abril último, que o caroço é considerado um subproduto. Agora, o mesmo acontece com o bagaço da azeitona. Desde que não tenha sido objeto de tratamentos químicos será considerado um subproduto, podendo ser utilizado para a compostagem, sem restrições”.

A valorização do bagaço da azeitona como subproduto, deixando de ser considerado como resíduo e passando a ser utilizado como recurso é da maior importância para o setor, designadamente porque os olivicultores podem agora rentabilizar economicamente aquilo que antes era considerado desperdício.

Numa boa medida de promoção da economia circular, a garantia dada pela Ministra (que precisa ainda de ser regulada, o que a CAP espera que possa acontecer no mais curto período de tempo) oferece aos produtores uma fonte adicional de valorização e reforça o seu compromisso com a sustentabilidade.

Ou seja, esta é uma medida com impacto triplamente positivo: económico e social porque permite criar mais negócios, gerar mais emprego e induzir mais inovação capaz de dar novas utilizações ao bagaço de azeitona, como também é uma medida com impacto ambiental positivo pois permite a circularidade e o reaproveitamento do subproduto de um recurso natural.

Fonte: Agronegócios